Cão-terapeuta o mediador na interacção social de crianças com PEA (Perturbação no Espetro do Autismo)

A relação entre o ser humano e os cães remonta aos tempos da Pré-história, tendo sido o primeiro animal a ser domesticado pelo Homem. Contudo, foi apenas a partir da década de 60 que o uso de animais passou a ser reconhecido e utilizado pelos terapeutas profissionais como forma de intervenção terapêutica.

Os primeiros registos de uso de animais em terapia ocorreram em York, na Inglaterra. Em 1792, foi fundado o Retiro York que utilizou a Terapia com animais como uma resposta face às condições sub-humanas vividas pelos pacientes. Esta incluía ensinar os pacientes a desenvolver o autocontrolo por meio de animais que eram dependentes destes. Os efeitos mais significativos foram verificados através da diminuição das doses de medicação. Só a partir do século XX, a introdução de animais em instituições foi generalizada.

Em Portugal, embora não haja nenhuma entidade reguladora estabelecida, já se realizam intervenções com cães desde os anos 90.

O uso das Terapias Assistidas pelo cão em crianças com PEA tem-se demonstrado benéfica, pois contribui para um aumento significativo dos comportamentos positivos (ex: contacto físico e visual) e uma diminuição de comportamentos negativos (ex: agressividade e isolamento) (Martin & Farnum, 2002). São igualmente comprovadas reduções na tensão arterial, nos níveis de cortisol, stresse, bem como o aumento dos níveis de endorfina (Barker & col., 2005; Viau & col., 2010). Do mesmo modo, têm efeitos muito positivos na redução da dependência à medicação e proporcionam um espaço seguro para a livre auto-expressão.

O Autismo é considerado uma Perturbação Global do Desenvolvimento.

Neste sentido, todas as áreas na criança se encontram afectadas, apresentando dificuldades: na comunicação e linguagem, nas interacções sociais e no pensamento simbólico. Do mesmo modo, apresentam actividades/interesses restritivos e bizarros, comportamentos repetitivos e estereotipados, reacções de agressividade e angústia face a situações de mudança, hipo ou híper reacção a estímulos e alterações nas funções intelectuais.

Quanto aos défices na interacção social, as crianças com Perturbação no Espetro do Autismo demonstram muitas dificuldades em manter o contacto ocular durante as interacções, o que dificulta a compreensão e expressão contextualizada das emoções. As pessoas com PEA descrevem o rosto humano como demasiado estimulante, gerador de uma sobrecarga sensorial e de sentimentos de grande ansiedade e desorganização, daí tenderem a evitar o contacto ocular. Do mesmo modo, foi verificado por investigadores Italianos nos anos 90, que as pessoas com PEA apresentam um funcionamento dos “neurónios em espelho” menos activo e como tal apresentam fortes dificuldades em discriminar e perceber diferentes expressões emocionais no outro.

Um dos factores que pode contribuir para que a criança com PEA se sinta menos ansiosa ao interagir com cães, é que eles comunicam sobretudo através da linguagem corporal.

Existem estudos que referem que as crianças com PEA apresentam défices relacionados com a intermodalidade e as interacções com humanos exigem o desenvolvimento desta competência. Contudo, com os cães embora por vezes seja necessário interpretar alguns sinais visuais e sonoros associados, estes são menos complexos e como tal torna-se mais fácil a sua compreensão para estas crianças.

Algumas pessoas com PEA que apresentam dificuldades ao nível das competências sociais sentem-se mais confortáveis perto de animais, na medida em que ambos pensam de forma concreta e registam informações do mundo em termos sensoriais, o que poderá favorecer as aproximações espontâneas, a comunicação e o desenvolvimento de relações afectivas. O relacionamento face-a-face é assim evitado e mais distanciado, tornando a interacção menos ameaçadora (Grandin, 2010).

Por outro lado, a presença do cão parece funcionar como um objecto transicional na relação com as pessoas, que se revela muito difícil de gerir para estas crianças. O cão funciona então como um facilitador com características próprias e que reage e responde às acções da criança, permitindo-lhe atravessar as fases de desenvolvimento de uma forma menos stressante e adquirindo novas competências cognitivas.

Os cães apesar de olharem directamente nos olhos das pessoas e de utilizarem esta informação para obterem pistas do ambiente, o olfacto e a audição são sentidos como mais relevantes para eles.

Tendo em conta as dificuldades das crianças com PEA em compreender e integrar estímulos sensoriais complexos, é possível que estas características no cão facilitem a aproximação, de modo a que se sintam mais confortáveis e menos ansiosos no contexto de interacção, estimulando o envolvimento em actividades propostas e a expressão das emoções.

Assim, a relação com o cão permite estabelecer uma interacção simples, livre de ansiedade e medos, com a presença de uma rotina, companheirismo, exigindo responsabilidade no cuidar e consequentemente fortalecendo a auto-estima e o auto-controlo.

As Terapias Assistidas pelo cão mostram-se uma abordagem complementar e multifacetada para as crianças com PEA, permitindo não só ajudar quem se tende a isolar no seu próprio mundo, mas que também quem se encontra em desenvolvimento, e passo a passo mostra-se mais disponível para a relação com os outros.

Por último, diria que as Terapias Assistidas por animais constituem-se como uma nova porta de entrada das pessoas com PEA na sociedade, rumo à inclusão e com uma maior qualidade de vida.

 

Por Drª Telma Santos- Psicóloga Clínica, para Up To Kids®

 

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Todos nós somos um Ser marcado à nascença pela Consciência Cósmica, Consciência Terrena, Hereditariedade e ADN familiar e isto quer dizer que todas estas influências condicionam ou expandem o que somos, o que queremos ser e o que conseguimos ser.

Consciência Cósmica, Consciência Terrena, Hereditariedade e ADN

A consciência cósmica releva a ligação que temos, extraplanetária e que nos lembra o nosso ponto de origem, a nossa família estelar e as características inerentes a esta pertença. A consciência terrena releva a capacidade de viver no planeta Terra e ser bem sucedido e tudo o que temos que ter e resolver para lá chegar. Com a nossa hereditariedade recebemos tendências, crenças e padrões. Com o ADN de pai e mãe a sintonia que nos une à nossa família terrena, escolhida nesta vida e que tem por finalidade deixar-nos viver os momentos, circunstancias e em companhia das pessoas que nos ajudam e nos impulsionam para a evolução, uma vez que a família vem espelhar as coisas que temos que mudar e vem também para nos ajudar a resolver com situações concretas. O ADN é físico e espiritual. Neste segundo temos as crenças, a nossa forma de agir, os comportamentos, e a resposta que damos em cada momento. O ADN físico começa a ser treinado logo em criança, quando estamos muito abertos e absorvemos tudo à máxima potencia, e interiorizamos tudo como certo. Toda esta situação revela-se, desenvolve-se e acompanha-nos ao longo da nossa vida.
A cada escolha de vida existe uma missão e um propósito bem marcado que nos serve enquanto humanos, mas também enquanto almas. O propósito maior da alma é a sua união a Deus e a perfeição plena de luz e de amor.
Caminhos diversos percorre a alma para se aperfeiçoar, com alegrias e desafios pois sabe que assim o crescimento e aperfeiçoamento é certo.

Do Inato ao Adquirido

Nascemos com informação inata e adquirida. A diferença entre as duas é percecionada com alguma dificuldade. É em tenra idade que esta informação ou personalidade inata se manifesta e é mais forte, mas os pais não a levam a sério porque a criança é muito pequena. A informação ou personalidade adquirida é mais considerada pois está de acordo com os padrões sociais e terrenos. Em verdade é na primeira que o Ser revela o seu potencial e desenvolve o que o faz mais feliz.
Somos um Ser intemporal, criativo e cheio de potencial mas é necessário deixar que este potencial seja revelado e desenvolvido. É espantoso a simplicidade de coisas e situações que fazem uma criança feliz, assim é a alma, encanta-se com o que é mais simples.
Para conhecer bem uma criança e seu potencial é necessário saber ao certo qual é a sua missão, a vocação, a personalidade, os pontos fortes e frágeis, pois só deste modo é possível apoiar, entender, suportar, incentivar e oferecer o que a criança quer para ser feliz e bem sucedida. Quando isto acontece a resistência e os momentos de birras e travessuras por parte dos mais pequenos são transformados em momentos de alegria e sucesso.
O papel do pai e da mãe na educação da criança já estão marcados à nascença, e para filhos diferentes tem obrigatoriamente que haver comportamento e ensinamentos diferentes.Todos irmãos, todos diferentes é o lema e acontece em todas as famílias. Assim, apesar de uma educação uniforme para todos, é necessário estar atento as particularidades de cada criança pois cada Ser é único, singular e tem características únicas, que se desenvolvem de maneira única.
Saber exatamente o perfil de cada filho auxilia na educação, nas escolhas, na orientação, nos tempos de lazer, nos momentos de atividades em família e também na escola.
É importante que haja orientação pratica para pais, um mind coaching que mostre o potencial de cada adulto e como este pode ajudar, cruzar e assistir cada criança. Com estas características bem conhecidas e as tarefas bem distribuídas é possível oferecer a toda a família momentos de paz e sucesso.
Fatores críticos de sucesso para fazer acontecer este ambiente prendem-se com a paz familiar, o conhecimento em detalhe e profundidade sobre cada criança e a satisfação das necessidades de cada criança, dentro da medida do possível.
Faz parte de uma vida equilibrada e saudável, reconhecer que o equilíbrio, a paz, a serenidade, a empatia e o reconhecimento das capacidades inatas que cada criança apresenta são os fatores críticos de sucesso para bom ambiente familiar e o sucesso da criança. Para que tal aconteça é importante conhecer a criança em detalhe. Entender como a herança cósmica afeta a criança, pode explicar alguns momentos de alheamento, desconcentração e capacidade multidimensional que a criança apresenta. A herança terrena é uma responsabilidade. A hereditariedade e o ADN são o manancial de informação disponibilizado pela alma, sincronizado com a família que é também escolhida e que ajuda a desenvolver e concretizar todo o potencial.
Por estes motivos, a criança necessita de apoio, suporte e orientação e mais facilmente tudo ocorre com sucesso.

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Ensino Doméstico / Home Schooling, um ano letivo de crescimento

Já nos habituamos às expressões de dúvida e espanto quando dizemos que a Francisca este ano está a fazer educação doméstica (Home Schooling). “Isso é possível em Portugal?” Perguntam-nos. Sim desde 1977! Pelo menos como a conhecemos hoje.

Dados disponíveis relatam que, os números têm vindo a duplicar de ano para ano, especialmente nos primeiros anos de escola. As razões são as mais variadas: pais e alunos desiludidos com o ensino em geral, pais que viajam, alunos com as mais diversas dificuldades na escola ou por motivo de doença. O Home Schooling pode ser frequentado até ao 12º ano.

Este é o relato da nossa aventura na Educação Doméstica, onde o percurso tem sido de tentativa erro e muita vontade de aprender num sistema que apesar de o permitir, ainda não o faz adequadamente.

Durante a instrução primária fui uma mãe bastante resignada. Não me queixei de nada, conheci professores que deram o seu melhor dentro das possibilidades que tinham, auxiliares que vestiam a camisola a troco de um salário e condições de trabalho que por vezes impossibilitam a sobrevivência básica. Sempre com gesto carinhoso para com a minha filha ou um sorriso para mim, mãe! Um professor diferente por ano; professores forçados a trabalhar com problemas de saúde mental a beira de exaustão e desgaste acumulado. Matéria despejada e dada para atingir sabe-se lá que objectivos. Exames nacionais, que em nada reflectiam o que os alunos realmente aprendiam. Escolas mantidas com a boa vontade de associações de pais e pais disponíveis para pintar paredes ao fim de semana.

Isto para nós foi o que que mais nos marcou, os afectos a meio de tanta coisa a correr menos bem. Culpa, na minha opinião, de um sistema há muito com falta de atenção concreta e assertiva, de um olhar mais critico e com desenvolvimentos e acções contínuas a pensar no aluno, independentemente de vontades de governos de cores diferentes.

Durante a escola primária viajamos a meio do ano letivo, duas vezes, ambas em Janeiro. Estas viagens eram inevitáveis, mas tiveram um impacto nos resultados escolares da minha filha. No segundo e quarto ano fomos para a Guiné Bissau e Brasil respectivamente, onde eu fui trabalhar e para o Brasil, para onde fomos para a minha filha conhecer a família

Apesar de ter muita sorte por ter uma família que me dá apoio e fica com a Francisca quando me desloco em trabalho, (sendo uma família mono parental), por vezes tenho que a levar comigo. Adoro e prefiro, mas nem sempre foi possível.

No 5º ano fomos viver para Paris. A Francisca ficou numa das muitas escolas internacionais em França onde existem as chamadas secções de vários países incluindo a de Portugal. Geridas pela Fundação Camões no âmbito da Lusofonia, pelos Ministérios da Educação e dos Negócios Estrangeiros, os pais podem garantir o ensino de Português ao mesmo tempo que o Francês, gratuitamente.

Um ano numa Escola Internacional em França

Foi durante este ano, que aprendi que o ensino em geral está todo errado!

Ao chegar a uma escola nova num pais novo, intitulada como uma das melhores de França, a pressão esteve presente desde o inicio com exames vários e entrevistas. Se isto não era o suficiente, numa espécie de ameaça velada, um professor de Português disse na primeira aula aos alunos, que se não mantivessem notas altas seriam posteriormente colocados nas escolas satélites.

Como se fosse um castigo maior para quem não desempenhasse bem o seu dever de estudante. Falamos de a miúdos de 10 e 11 anos. Isto fez com que as crianças sentissem uma pressão e competição desmesurada entre alunos. Estes questionavam-se constantemente sobre sua própria prestação e desenvolveram um medo absurdo de não permanecer na escola principal, a “desejada para os melhores”, entre os melhores. Insinuar que estas escolas não eram boas resultaram num impacto negativo para a secção Portuguesa que geria, então, excesso de alunos para o espaço existente. Muitos teriam de ir para as escolas satélite – que na realidade são escolas normais e boas. Apenas, não estão inseridas no ensino regular Francês e por isso são considerada fora do elitismo que estas escola internacionais tentam manter.

No final do ano, tanto pais como alunos da secção Portuguesa não queriam os filhos nessas escolas. Essa situação seria vista como um falhanço. A secção, sem qualquer transparência ou critérios claros estipulados e publicados, decidiu. A Francisca foi uma das muitas crianças que teria de mudar de escola no ano seguinte – teve o seu primeiro grande desgosto. “Mãe, o meu trabalho e esforço, não foi o suficiente!” Disse-me com os olhos vidrados de lágrimas. Estava tudo errado neste processo.

Saia das aulas diariamente às 16h e à quarta-feira não tinha aulas a tarde. Todos os dias carregava cerca de 8 quilos as costas e nos dias que tinha aulas de Português o peso aumentava quase mais 4Kg. Os TPC eram diários, enviados por email e com data limite cerca de 15 dias, mas quem não entregasse nos primeiros dias tinha direito a uma reprimenda por mail ou verbal. “Minha Senhora, a Maria não esta a avançar o suficiente!” ou “Minha Senhora, a Maria é muito lenta, alguns dos seus colegas entregam tudo com muito tempo de antecedência” Dizia-me o professor de Francês. A pressão foi aumentando e tivemos de abdicar de tempos livres para ficar a estudar até às 22h.

As mães do liceu internacional sentam-se com os filhos a fazer os trabalhos de casa!” Disseram-me inúmeras vezes. As dificuldades de adaptação a uma língua nova numa escola nova tinha sido ultrapassada, mas com um custo – o de ser criança.Nesta escola os miúdos não tem tempo para ser crianças” Dizia-me uma mãe de um miúdo de notas excelentes mas que muitas vezes sentia o vazio da pressão e saudades de ter tempo para o desporto e para estar simplesmente com os amigos. Havia dias em que dizia à minha filha para largar o computador, e parar de trabalhar, ao qual respondia “Mas mãe, assim vão-me ralhar! E o pior é que se não trabalhar o suficiente vou para a outra escola!”. Eu sempre lhe disse “Se queres, esforça-te filha, as pessoas conseguem atingir objectivos quando se dedicam! Se no final do ano não ficares na escola mas tiveres dado o teu melhor, isso bastará para mim. Porque tu és o suficiente!”

No entanto, sentir que todo o sacrifício fora em vão e desvalorizado, foi um golpe muito duro de digerir aos 10 anos de idade. Para ajudar a aceitar, pedi ao director da secção que lhe explicasse quais eram os critérios de selecção da escola. No meio de um discurso quase desconexo de tom paroquial, não o soube fazer apenas disse, agora quase no final do ano, que afinal a outra escola era muito boa! Não ajudou, e assim decidi que não ficaríamos em Paris. Sendo este ensino o oficial, para mim não era o que precisávamos ou queríamos. O ensino é que não era o suficiente.

Home Schooling em Portugal

Antes de regressarmos já tínhamos decidido fazer educação doméstica. Liguei para o ministério da educação para me informar e inscrevemo-nos numa escola oficial. O processo demorou mais do que o previsto pois levantou-se a questão da equivalência do ano escolar. Apesar de a secção Portuguesa estar sob a tutela do Ministério da Educação, o cruzamento de informações não foi simples. Agradeço à Fundação Camões em Franca que fora extremamente prestável e célere.

Depois de a inscrever neste sistema de ensino, percebemos que tem de realizar os exames anuais a todas as disciplinas excepto a Educação Física. Isto inclui Música, Educação Visual e Educação Tecnologia, sendo que nestes testes além da parte escrita é contemplada uma parte oral e outra prática em determinadas disciplinas. No 2º ciclo paga-se uma taxa única de 10€ para a realização dos exames. Obter informação para as matérias tem sido uma luta, principalmente para as disciplinas de Musica e EVTs. Talvez por não haver directivas expressas para estes alunos, a escola apenas nos facultou cópias dos exames de 2015, último ano que tiveram uma aluna do 6º ano neste sistema.
Nos sites do Ministério da Educação a informação é escassa ou nenhuma. Na internet a informação é pouca e muitas vezes incorreta. Há um grupo de apoio a pais, mas não há neste momento nenhum movimento que pressione para que se reveja a Lei de 1977 que regula o ensino doméstico.

Nomeadamente questionar haver teste de Música e EVT. Valorizo bastante estas áreas, mas como se resumem num exame? Como é que se prepara uma criança para estas disciplinas? Parece-me ingrato e dispendioso! Se estiverem a fazer Home Schooling e a querer trabalhar de forma diferente ficam de pés e mãos atadas porque não há critérios e objectivos estipulados que dêem uma maior liberdade a pais e alunos de forma a que possam demonstrar o conhecimento adquirido nas mais diversas áreas.

Da escola Francesa aprendeu a falar e ler fluentemente, e apesar da loucura dos trabalhos, desenvolveu métodos de estudo e organização.

Passamos a tirar notas e a aprender com amor as matérias de História, Ciências e Literatura. Fazer trabalhos de pesquisa e apresentações sobre temas das várias matérias. Visitamos museus, principalmente nos dias gratuitos, porque para estes alunos não estão contemplados descontos de estudante.

Os livros foram escolhidos por matérias e sem listas fixas, em bancos de livros escolares e o restante adquirimos nas livrarias, principalmente na livraria solidaria de Cascais a Déjà Lu, onde somos também voluntárias para a despertar para a solidariedade e a ensinar a valorizar o trabalho. O exercício físico está nas caminhadas, as obrigatórias porque andamos a pé para todo o lado. O ballet é paixão da minha filha. As aulas de Matemática, matéria em que a mãe é nula, após muita procura optamos pelo Brain Alive, um espaço onde se aprende pela valorização do erro e a preços acessíveis. Aqui aproveita para conviver com outros alunos. No primeiro teste teve 20%, após 3 meses estava a vencer o desafio do mês! Ganhou autoconfiança e passou a acreditar em si e nas suas potencialidades. Sente-se um individuo com algo para dar a sociedade. Vê filmes educativos e opina sobre vários temas que começou a explorar recentemente. Usa termos e expressões pouco usuais para a sua idade, tem tempo para ler, passear a nossa cadela Concha, para brincar e criar, sonhar e ter apenas os 11 anos que tem.

O desgosto da minha filha com a escola em França, também foi uma lição que eu não poderia  nem deveria evitar. Tornou-a mais forte, mais empática e mais preparada.

Foi e tem sido um ano e meio de muita aprendizagem a vários níveis. No próximo ano penso em voltar a inscrevê-la na escola, até porque a matéria a partir do 7º ano tem que ser dada de outra forma.

Acredito no ensino, na educação e sei pelo meu trabalho as consequências da falta da mesma. Sei que há vontade de melhorar, mas tem de haver abertura de espírito e maior liberdade para incluir no curriculum outras aptidões tão ao mais importantes, para quem está a estudar em casa.

O resultado a nível de avaliações só podemos conhecer no fim do ano letivo. Para já, para mim o seu esforço, a sua atitude perante aprendizagem e o conhecimento são o que mais valorizo. Os números são importantes, mas valem o que valem. E não fazem dela nem uma melhor pessoa, aluna, cidadã e futura trabalhadora.

Agora estou neste momento a educar uma cidadã do mundo. Utópico? Sim, deixem, já há tão pouco de utopia por estes dias que eu vou aproveitar!

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Ao abrir da porta correm ao ouvir o Bom Dia e dizem: “Olá, Carla!”
“-Estão bons ? Dormiram bem ?” – pergunto eu , ao que me respondem sempre : “Sim !!!!!!!!!!” Deduzo que sim pela alegria comunicada pela entoação do sim.
Sou Educadora de Infância por opção e vocação. Tenho nas mãos a responsabilidade de promover o desenvolvimento de crianças e zelar pela sua segurança como quem cuida de uma pedra preciosa .
Entre os 4 meses e os 2/3 anos de idade, há uma imensidão de habilidades para aprender e a estimulação é a base para alcançar o progresso do desenvolvimento. Criar um clima de afectividade com o grupo permite criar alicerces na relação que permitirão à criança sentir se segura e com vontade de aprender de forma lúdica.
O nosso dia a dia numa Creche/ Jardim de Infância é um dia de trabalho intenso a nível de promoção da evolução de cada etapa do desenvolvimento da criança. Não existem tarefas mais importantes do que outras : mudar a fralda , dar de comer ,observar a criança a brincar, ensinar a ouvir uma história , a cantar partes de uma canção são tanto importantes como segurar num lápis, rasgar, colar e pintar.
O tempo da manta, em que nos reunimos a cantar o Bom Dia e a ouvir uma história ou a explorar imagens são momentos cruciais para o desenvolvimento da linguagem, concentração, sentido de pertença a um grupo. Parece que puxamos as palavras sucessivamente até que começam a construir discursos com fluidez adequada a idade …
Brincar , Brincar , Brincar … observar a forma como desempenham os papéis sociais na área da casinha sem estereótipos interiorizados é conhecer o pensamento da criança sobre o mundo que lhe rodeia.
O menino que cuida da boneca/boneco, que lava a loiça, a menina que brinca com os carros e os legos… faz-nos acreditar num mundo em que reina a igualdade de género.
Desenhar com os lápis/marcadores e Pintar com os pincéis, na minha óptica, é uma forma de processar para o papel a evolução do pensamento. Daí que estas experiências não devem ser encaradas como um ato corriqueiro mas sim como um ato exige elevada concentração e conhecimento sobre si mesmo e sobre o que os rodeia.
Valorizar as conquistas individuais e coletivas, é aumentar a auto-estima e o desejo de aprender. Devemos focar-nos nos processos de elaboração dos trabalhos e colocar em segundo plano as produções elaboradas. A criança aprende fazendo e experimentando…
Defendo uma prática pedagógica assente na acção, onde a observação e experimentação são fundamentais. Ver, tocar e falar sobre o que experimentámos. Falar sobre o que sentimos.
Pincelamos de várias cores a vida destes pequenos seres, para que os meninos e as meninas cresçam num quadro multicolor.

Por Carla Félix, para Up To Kids®

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O sistema de Ensino da Finlândia é considerado um dos melhores do mundo. Está sempre no top 10 no ranking internacional. No entanto, não pretendem descansar sobre os louros, e agora decidiram revolucionar por completo o sistema escolar, abolindo as disciplinas do currículo escolar. Deixará de existir matemática, história, geografia ou literatura.

O chefe do Departamento de Educação em Helsínquia, Marjo Kyllonen, explicou as alterações: “Há escolas que aplicam métodos de ensino que já foram eficazes no inicio dos anos 1900, mas neste momento, as necessidades são outras, e precisamos de um método que se adapte ao século XXI”

Em vez de disciplinas escolares individuais, os alunos irão estudar eventos e acontecimentos de uma forma interdisciplinar. Por exemplo, a 2ª Guerra mundial será abordada na perspectiva da História, da Geografia e da Matemática. Na área “Trabalhar num café” os alunos irão desenvolver conhecimentos na área da Língua Inglesa, economia e comunicação.

Este método será introduzido nos alunos mais velhos, a partir dos 16 anos. O conceito baseia-se na premissa dos alunos escolherem qual o assunto ou acontecimento que pretendem estudar, tendo em conta as suas capacidades e ambições para o futuro. Desta forma, nenhum aluno terá de frequentar um ou dois anos de Físico-química, contrariado e a questionar-se “Porque é que tenho de estudar isto?”

O formato tradicional da comunicação  professor-aluno também vai ser reformulada. Os alunos deixarão de se sentar em secretárias dispostas na sala de aula, à espera ansiosamente para responder às questões colocadas. Professores e alunos trabalharão em conjunto em pequenos grupos de discussão.

O sistema de educação da Finlândia incentiva o trabalho colectivo, e por esse motivo as alterações nunca poderiam ser apenas relativamente aos conteúdos e aos alunos. A reforma escolar irá exigir uma cooperação entre os vários professores das diferentes disciplinas. Cerca de 70% dos professores em Helsínquia, já realizaram trabalhos preparatórios direccionados com o novo sistema de apresentação dos conteúdos e, em compensação irão receber um aumento salarial.

Esta reforma deverá estar concluída em 2020.

O que acham sobre este novo método de ensino? Comente connosco!

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Eu acredito em Super-heróis,

acredito em pessoas comuns, com forças que vêm não se sabe bem de onde, capaz de enfrentar os maiores desafios pelos seus filhos.  Pais e mães de todos os dias.

Ontem estive com um. Um Super Herói disfarçado de Mãe.

Fui ao IPO por motivos profissionais. De caminho pensava na melhor forma de me defender. Decidi que não ia olhar, eu não queria saber a história daquelas pessoas, não queria sentir….

Entrei rapidamente, decidida a não baixar a guarda, subi as escadas para não ter de enfrentar os anónimos no elevador.

Dou comigo em pleno bloco operatório, à espera. De repente, também eu ando de um lado para o outro, reflexo daquela outra pessoa à minha frente. Olho para os olhos dela e e sinto-me desarmada. Completamente impotente, pequenina e “poucachinha”. Arrisquei dirigir-lhe a palavra e disse-lhe ”Vai correr tudo bem”, era um cliché mas não havia mais nada que pudesse dizer. Sorriu para mim (onde arranjou coragem para sorrir é um mistério), e agradeceu-me.

Nesse momento já as lágrimas me enchiam os olhos. Ali estava ela, um super herói a agradecer-me por nada. A mim que entrei egoisticamente decidida a não me envolver.

Por isso e por ti, hoje o meu agradecimento é dedicado a todas vocês, supermães.

Obrigada a quem todos os dias luta por um dia melhor, obrigada à mãe que vi carregar o seu filho já crescido pelas escadas acima até á sala de tratamentos, Obrigada ao menino que vi sair de lá a correr e Obrigada a ti pelo teu sorriso.

Hoje aprendi que a esperança não dói. Dói é não ter pelo que esperar. Que a vida não merece intervalos, que em pequenos gestos podemos encontrar paz mas, acima de tudo, chorar não é fraqueza é desabafo.

Afinal, o mundo está cheio de super-heróis.

 

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Conversa típica com a minha filha de dois anos e meio

– Olha, Mariana, já não apanhámos o pôr-do-sol.

– Porquê?

– Porque o sol já está escondido…

– Porquê?

– Porque a noite está a chegar.

– Porquê?

– Porque o dia está a chegar ao fim.

– Porquê?

– Porque as horas passaram e está na altura de as pessoas voltarem a casa.

– Porquê?

– Porque voltar a casa sabe bem.

– Porquê?

– Porque é onde podemos estar todos juntos e conversar sobre o nosso dia, ler histórias, brincar…

– Porquê?

– Porque gostamos.

– Porquê?

– Porque nos sabe bem.

– Porquê?

– Porque o dia passa a correr e quando damos por nós é hora de ir dormir.

– Porquê?

– Porque temos de acordar cedo.

– Porquê?

– Porque vamos trabalhar e para a escola.

– Porquê?

– Porque temos de ir ganhar dinheiro para os teus iogurtes e tu vais aprender, brincar, estar com os teus amigos.

– Porquê?

– Porque os teus amigos também vão à escola.

– Porquê?

– Porque ir à escola é mesmo bom.

– Porquê?

– Por que é que ir à escola é mesmo bom, Mariana?

– Porquê?

– Ouviste a mãe? Diz-me tu, por que é que achas que é bom?

– Porquê?

– Ok… Acho que já chega, não é?

– Está bem.

É basicamente isto. Em loop, todos os dias, durante todo o dia. Começa com coisas pequenas como por que é que o senhor atravessou a rua com o sinal vermelho ou por que é que o coração faz tum tum.

Eu tento sempre responder.

Às vezes tenho de ser criativa.

Às vezes invento um bocadinho, mas não contem a ninguém.

Às vezes digo palermices para nos rirmos.

Às vezes aproveito para explicar coisas sérias.

E às vezes a lenga-lenga é mesmo só isso.

É a idade dos porquês e que boa que é.

Porquê?

Porque me perguntas a mim.

Porquê?

Porque sou a tua mãe…

Porquê?

Porque estavas na minha barriga.

Porquê?

Bem, deixemos essa para daqui a alguns anos, pode ser?

Está bem…

 

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O mundo necessita cada vez mais e mais de criatividade compassiva para que sejam resolvidos os problemas com que somos confrontamos no dia a dia. A criatividade e as pessoas criativas podem não ter sempre todas as respostas, mas colocam em causa, questionam as situações e pensam em alternativas e melhorias. Descobrem e desenvolvem possíveis respostas. Habitualmente fazem questões pertinentes, de qualidade e interesse para todos. São otimistas e combinam a criatividade com a compaixão e a empatia para que o resultado seja pleno de força positiva e boa.

O ensino com e através da criatividade é muito importante se desejamos uma boa vida para todos os que nos rodeiam. A criatividade é geralmente vista como uma característica ou disposição inata. Na verdade todos temos este princípio, resta desenvolvê-lo. Muitos pais e professores desacreditam que tal seja verdade. Têm por hábito ver a criatividade como um dom artístico, material é palpável. Em verdade, boas ideias para resolver problemas ou conduzir a vida de modo saudável e harmonioso também usam a criatividade. Ensinar a criança que a criatividade está presente e como a desenvolver, oferece em paralelo um bónus interessante, ou seja o desenvolvimento da auto estima, a auto afirmação que é poder pessoal. Se a criança cresce com sentimento de poder pessoal, rapidamente percebe o seu potencial inato e criado pelas matérias da escola, entende as suas melhores características inatas e desenvolvidas e firma com coragem e certeza o que quer fazer. É uma criança destemida, valente, confiante e que quer aprender, desenvolvendo a cada dia mais valências e participando em experiências de aprendizagem sem medo ou recusa.

Felizmente o conceito está a mudar, mas em muitos locais do mundo a cultura de ensino e desenvolvimento apoia-se em bases negativas de repetitividade, coação ou autoridade. Se as crianças crescem num ambiente altamente controlador, cheio de proibições e pressões é natural que as crianças retardem as suas características inatas, nomeadamente a expansão de criatividade. As tendências naturais da idade, como a aventura,  a espontaneidade e as experiências tornam-se suprimidas e apagadas.

Algumas crianças mais hiperativas ou de carácter mais vincado resistem a esta educação restritiva e controladora, mas cedo serão apontados como crianças problema. Tragicamente muitas crianças, por medo ou respeito à autoridade imposta acomodam-se e nunca desenvolvem o seu mais alto potencial. Aceitam tudo o que lhes é dito como verdade, aceitam todas as situações e ao final de alguns anos verificam o quanto este ambiente os levou a escolhas e opções de vida completamente afastadas da vontade das suas almas. O equilíbrio é necessário, a metodologia educacional quer em casa quer na escola deve abrir, reformular e aceitar novos rumos.

A criatividade oferece boa disposição, abre a mente, aceita a diferença e promove a apreciação individual e de grupo. A criatividade deve ser, no meu ponto de vista, transversal a todos os itens da educação da criança e do jovem, seja pela mão dos pais e em família, seja através dos professores e na escola. Quem fala, ensina, e pode fazê-lo de várias maneiras, de certo com a criatividade incluída tudo fica mais leve e mais positivo: é assim perto da natureza da criança. Esta é a diferença que faz oferecer o nosso tempo com qualidade e conteúdo seja em que situação ou profissão. Cada pedido que uma criança faz, cada momento que se comporta de um modo diferente que não estamos preparados para receber, cada dificuldade que um jovem apresenta e não realiza o que lhe é pedido é sempre um desafio à nossa criatividade.

As limitações abrem a porta a criatividade pois esta é uma das melhores maneiras para ultrapassar a questão e com boa disposição. Os limites são um reino onde cada uma poderosa operar, mas também encarar como um desafio a ser ultrapassado com criatividade, seja uma dificuldade criança, jovem ou adulta. Podemos copiar e seguir estratégias já expostas por aqueles que tiveram dificuldades e as ultrapassaram com criatividade ou podemos utilizar o nosso caminho mais pessoal e que alegria a transformação e soluções.

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“Ensinar não é transferir conhecimentos, mas criar possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção.” – Paulo Freire

Uma criança não pode ser um depósito de conhecimentos, de matemática, língua portuguesa, estudo do meio etc.

As emoções são fundamentais na vida de uma criança. Trabalhar desde cedo com elas é uma mais valia para estas perceberem o que sentem, o que pensam de si e sobre o mundo que as rodeia. 

Trabalhar e entender as emoções desde cedo vai fazer com que a criança esteja mais activa e vai proporcionar empatia, compaixão bem como a capacidade de se meter no lugar dos outros. 

É importante perceber que este trabalho pode ser feito em casa e continuado na escola, a fim de obter mais êxito. 

“As emoções são todo um conjunto de reacções, variáveis na duração e na intensidade, que ocorrem no corpo e na mente. Pode ser uma reacção física ou moral.”

Chorar, por exemplo é uma das primeiras emoções que o ser humano sente. Muitas crianças, choram quando estão tristes, quando tem fome, quando querem alguma coisa, quando fazem um birra. Esta emoção é, portanto, a mais disponível aos olhos da criança. Por isso é extremamente importante dar a conhecer outros tipos de emoção e trabalhar com elas, de forma a formar crianças e adolescentes sociáveis, com empatia, livres para poder sentir e sobretudo saber sentir. 

Hoje em dia existem muitas crianças reprimidas pelos sentimentos. Os pais escondem as emoções, os professores/educadores tendem a ser menos emotivos, e é importante perceber que não há mal algum em se ser emotivo, porque somos seres humanos e ter emoções faz parte de nós. 

A educação emocional tem que ser desenvolvida desde tenra idade de forma a que a criança desenvolva competências sociais e emocionais. De outra forma, estaremos a formar crianças e adolescentes incapazes de sentir, impávidos, insensíveis e imunes de sentir empatia pelo outro.

Como desenvolver e trabalhar as emoções dos nossos filhos?

Os pais podem ajudar e orientar a criança de forma a que reconheça a emoção que está a sentir.  Explicar. Exemplificar com exercícios. Fazendo uso a brincadeiras, até com um pouco de teatro, de imaginação. É importante não esquecer que as crianças apreendem o mundo conforme o vêem, conforme o recebem, portanto estejam sempre atentos à imagem que querem passar. 

A melhor lição que podemos dar às nossas crianças, será o exemplo. 

Muitas vezes os pais chegam a casa sem paciência, cansados, irritados, por várias razões, mas as crianças não conseguem perceber o mau humor, a irritação, o clima de tensão no ar.

Simples será explicar com calma: “Hoje a mãe/pai está cansada/o tive um dia de trabalho longo.” Esta mensagem que vai ser passada à criança vai fazer com que ela entenda que o adulto está cansado e irritado.  Explicar o dia a dia, inteirar a criança das suas emoções é fundamental. Falar baixinho, ao mesmo nível da criança também é uma forma calma de fazer com que a criança fique mais atenta e entenda o pedido ou a mensagem que lhe foi transmitida. 

Outra forma de falar sobre emoções, é na hora do conto, o que as personagens sentiram, as emoções, a imitação do sentimento, é uma forma leve de abordar a educação emocional e de proporcionar conhecimento sobre as emoções. 

Elaborar um dicionário de emoções é também uma forma de explicar as crianças as emoções, seja através de desenhos, ou palavras.

Por exemplo, o educador/professor pode pedir à criança para desenhar o significado de alegria, e construir assim um dicionário de emoções.

A comunicação, é também uma ferramenta indispensável para chegar às emoções das crianças: pergunte-lhe como se sente, e deixe-o libertar-se para se expressar quer seja na sala de aula ou em casa.

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As conclusões do trabalho de investigação que traça o perfil ideal dos alunos portugueses na escolaridade obrigatória foram apresentadas este fim de semana, em Lisboa.

Dominar a linguagem, a comunicação, o raciocínio, ter pensamento crítico, fomentar a criatividade e trabalhar as relações interpessoais são algumas das metas que o aluno português deve alcançar até ao 12º ano.

O “Perfil do aluno para o Século XXI” foi apresentado este fim de semana pelo coordenador e antigo ministro da Educação Guilherme d’Oliveira Martins, no Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa. Como alerta o responsável no prefácio, este perfil não é “um mínimo nem o ideal, mas do que se pode considerar desejável” para os alunos que concluem a escolaridade obrigatória.

Por escolas mais autónomas

A flexibilização de currículos escolares é um dos pontos mais sublinhados no documento e deverá entrar em vigor já no próximo ano letivo, para os alunos do 1º. 5º, 7º e 10º anos, de acordo com o secretário de Estado João Costa, também presente na cerimónia.

É proposta uma maior autonomia das escolas, para que possam adaptar a prática docente às características dos discentes. Cada estabelecimento de ensino deve procurar valorizar o saber e incutir a curiosidade intelectual nos estudantes portugueses.

A equipa de peritos recomenda que a autonomia na definição dos currículos escolares aumente em 25% e permita um reforço da interdisciplinaridade e do aprofundamento de matérias.

A prática faz a perfeição

O Ministério da Educação quer promover uma escola mais presente na vida dos alunos, dentro e fora dela.

O documento assinado pelo Governo considera o trabalho experimental como base fundamental para o bom exercício escolar e profissional. Segundo a equipa de investigação responsável pelo “Perfil do aluno para o Séc. XXI”, o ensino deve ter por base a interdisciplinaridade e a prática, para que, no futuro, o aluno seja um profissional capaz de trabalhar em cruzamento com outras áreas além da sua.

O documento reflete ainda sobre a necessidade de “educar ensinando com coerência e flexibilidade”.

No centro, a dignidade do aluno

O trabalho prevê uma visão mais humanista da educação, em que a pessoa e a sua dignidade devem ser o centro disciplinar. Dignificar o aluno passa, por isso, por trabalhar a inclusão, os conceitos de democracia e de igualdade.

Cabe às escolas a responsabilidade “de dotar os jovens de conhecimento para a construção de uma sociedade mais justa”, lê-se no documento. A definição de inclusão deve ser trabalhada no corpo discente, pelo que o Governo prevê ainda uma nova legislação sobre educação especial.

Na apresentação que decorreu no sábado, em Lisboa, João Costa disse aos jornalistas que está ainda em curso um processo de “gestão flexível” que será, em breve, colocado em discussão. “Muito brevemente estaremos a apresentar a estratégia da educação para a cidadania. Teremos a proposta de decreto-lei sobre educação inclusiva”, esclarece.

São estes os princípios-chave abordados no perfil traçado pela equipa de investigação, liderada pelo antigo ministro da Educação e atual administrador da Fundação Gulbenkian, Guilherme d’Oliveira Martins. A criação do documento surge no seio de algumas dificuldades que apareceram desde que o ensino obrigatório em Portugal foi alargado até ao 12º ano.

O documento conclui que os alunos devem abandonar este ciclo com as bases necessárias para se tornarem cidadãos “livres, autónomos e responsáveis”.

Notícia de U.Porto

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