A exposição prolongada ao sol requer alguns cuidados, já que este emite raios UVA e UVB responsáveis por danos causados na pele.

Quanto mais clara e mais jovem é a pele, maiores deverão ser os cuidados a ter.

O que são os raios UVA e UVB?

UV é a sigla para ultravioleta, que é um tipo de radiação eletromagnética. Assim, UVA e UVB são diferentes tipos de raios ultravioleta e que são transmitidos a partir do Sol. São invisíveis e estão presentes em todas as épocas do ano, seja no verão ou inverno (com maior incidência nas estações mais quentes).

Recomendações básicas para se proteger e aos seus filhos dos raios ultravioleta:

  • Não ficar exposto ao sol entre as 10h da manhã e as 16h da tarde.
  • Usar chapéus de abas para maior protecção da cabeça e rosto e lábios.
  • Usar protetor solar diariamente.
  • Proteger a pele delicada das crianças em todas as alturas do dia, sobretudo quando brincam ao ar livre.
  • As crianças com menos de 3 anos não devem estar expostas directamente ao sol.

Como usar o protector solar eficazmente?

  • Escolher um fator de proteção adaptado ao tipo de pele
  • Aplicar o protetor solar 20 a 30 minutos antes de cada exposição solar
  • Aplicar de novo o protetor e generosamente para manter a proteção, particularmente após nadar, transpirar ou secar com toalha.
  • A radiação também atravessa às nuvens, pelo que mesmo nos dias nebulados devemos aplicar protecção.
  • Ter atenção à radiação por reflexo (quer na água, quer na areia)

Qual o Fator de Protecção Solar adequado?

SPF (Sun Protection Factor), ou, em português, FPS, Fator de Proteção Solar e é o indicador que faz a relação entre o tempo de exposição solar e a percentagem de proteção que o protetor concede.

Por exemplo, se estiver exposta ao sol durante 15min. e tiver aplicado um FPS 10, teoricamente estará protegida  durante 150 minutos (15min x 10= 150min).

Assim, os FPS são categorizados da seguinte forma:

  • Menor ou igual a 10 – Proteção baixa
  • 15 e 25 – Proteção média
  • 30 e 50 – Proteção elevada
  • 50+ – Proteção muito elevada

Quanto maior o FPS, mais protegida estará a sua pele. Obviamente que não podemos esquecer de repor o protector, porque se for à água este terá tendência a perder a sua eficácia.

Qual o melhor protector solar para os meus filhos?

De ano para ano temos vindo a experimentar as várias marcas e modelos (em spray, em creme, gel, etc)

Sabemos que as crianças quando estão na praia e piscina, gostam de estar constantemente a molhar-se e a brincar na areia. Por isso é importante que reponham o protector mais vezes ao longo do dia, para um protecção eficaz. A textura e aplicação fácil é um dos parâmetros que tenho em conta.

Normalmente, colocamos o protector antes de sair de casa porque acredito que devemos educar para a prevenção.

Este ano optei pelo protector da Anthelios Wet Skin Dermo Pediátrico. É um gel invisível de imediata absorção que facilita o uso de roupa por cima e não deixa manchas na pele. Tem uma textura fácil de aplicar e não é oleoso nem colante.

Uma das novidades (e que me chamou a atenção) foi o facto de poder ser aplicado em pele molhada fazendo o mesmo efeito de protecção. Ou seja, quando os miúdos vão à água ou transpiram e temos de repor o produto, não temos de seca-los com a toalha primeiro. Confesso que com 4 crianças, me facilita bastante a vida.

Quanto ao FPS, usamos todos 50+, ou seja protecção muito elevada e reforçada contra os raios UV

protector-solar

Como aplicar correctamente o protector solar

A primeira aplicação deve ser feita em casa, sem roupa, e espalhada homogeneamente por todo o corpo. É importante, especialmente nas crianças, que não se esqueça de zonas como os pés, as orelhas e a nuca.

Deve repetir a aplicação a cada 2h para manter a proteção, e também após nadar, transpirar ou secar-se com a toalha.

É importante ter especial cuidado com o rosto.

Boas férias!

 

Keep it Simple poderia ser o mote desta marca.
Aqui não vais encontrar um catálogo infindo de camas cujo design pouco ou nada varia entre si.
Esta história começa com uma mãe que espera mais dos móveis dos seus filhos e sente que o bom design não precisa ser exclusivo.
Incapaz de encontrar uma cama que fosse diferente e acessível, decidiu pôr “mãos à obra” e criar as suas próprias peças.
Com formação em design e apaixonada por produtos artesanais, apostou na inovação e na tradição, para oferecer aos pais uma alternativa ao mobiliário para crianças.

Assim nasce a SWIT, onde cada peça é resultado da criatividade de uma mãe, tornada realidade pelas mãos e sabedoria dos nossos artesãos.
O feedback foi tão positivo, que a SWiT começou com apenas uma cama e cresceu para produzir duas linhas distintas: a SWiT WOOD (madeira) e a SWiT BAMBOO (bambu).

swit-modelos

A colecção SWiT WOOD tem um design simples, leve e sofisticado, que se adapta aos mais diversos ambientes. As camas são de cor personalizável e feitas a partir de contraplacado de bétula, um material flexível e facilmente lavável.

swit-wood1

  • A cama SWIT wood é perfeita para os mais pequenos.
    A baixa altura, permite-lhes entrar e sair sozinhos da cama, promovendo a sua autonomia e as laterais foram projetadas para evitar que caiam enquanto dormem. Disponível em 3 cores (branco, azul agua e cinza).
  • O mini-berço SWIT wood é ideal para os primeiros meses do seu bebé. Graças à sua dimensão reduzida, poderá colocá-lo em qualquer parte da casa. Pequeno e envolvente, deixam o seu bebé mais seguro e confortável. Quando colocado ao lado da cama dos pais, as grades das laterais facilitam o contato sem ter de se levantar.

swit-bambu

A colecçao SWiT BAMBOO é uma reminiscência dos anos 50, com um toque contemporâneo, que fará qualquer berçário ficar deslumbrante.  São peças exclusivas, produzidas à mão, e como tal diferem ligeiramente ou não fosse esse o charme dos produtos artesanais.

  • O mini-berço oval SWIT BAMBOO é a primeira cama ideal para o seu recém-nascido. É pequeno, aconchegante e fica deslumbrante em qualquer quarto. É tão leve e compacto que pode ser transportado facilmente pela casa.
  • O mini-berço SWIT bamboo é uma reminiscência dos anos 70, com um toque contemporâneo, que devido à sua dimensão reduzida o seu bebé vai sentir-se confortável e protegido e é tão leve, que poderá facilmente transportá-lo entre divisões de sua casa.
  • O Berço SWIT bamboo, é leve e resistente. O seu ar vintage transmite serenidade e dá um encanto especial ao quarto do seu bebé.

No entanto, a história da SWiT não acaba aqui! Sabemos que os miúdos crescem e a família também. Por isso já estamos a desenvolver um modelo de beliche, que será lançado muito em breve.

Para não perder as novidades  consultem o nosso site, e sigam-nos no Facebook e Instagram

Porque é na cama que começam os sonhos!!

No rescaldo do incêndio de Pedrógão Grande, é importante dosear a informação transmitida a crianças e adolescentes, explica o psiquiatra Pedro Pires

Ninguém está preparado para lidar com uma tragédia brutal, num contexto e com uma dimensão completamente inesperadas, como o grave incêndio que espalhou a morte em redor de Pedrógão Grande (norte do distrito de Leiria). E mais complicado parece explicá-lo a crianças e adolescente. A prioridade deve ser transmitir-lhes segurança, explica, ao DN, o psiquiatra da infância e adolescência Pedro Pires, colaborador do Programa Nacional para a Saúde Mental nessas áreas.

“O importante é transmitir segurança. O principal medo da criança é pensar que isso lhe pode acontecer. É preciso tranquilizá-la, explicando que é uma experiência isolada e que a criança, no mundo onde vive, está em segurança”, aponta o psiquiatra.

Depois, o grau de profundidade da explicação de uma tragédia como o incêndio de Pedrógão Grande deve variar consoante a idade. “Numa criança pequena, em idades mais precoces, antes da adolescência, é evitável dar explicações detalhadas: até pode ser negativo dar detalhes e mostrar a crueza da realidade, porque a criança não tem – de modo geral – capacidade psíquica e cognitiva de compreensão da totalidade da situação. Já num adolescente é importante abordar este assunto. A conversa deve ser mais detalhada e é importante falar e esclarecer as dúvidas”, descreve Pedro Pires.

De resto, a exposição aos conteúdos mediáticos, como imagens televisivas e partilhas de redes sociais, também deve doseada e intermediada, para não afetar espetadores com idades mais sensíveis. “Não é demais repetir o controlo que deve existir nos media, principalmente quanto à imagem. É um conteúdo traumático sobre o qual criança não tem capacidade de elaborar [raciocínios]. Pela idade, não tem capacidade para aguentar a exposição ao sofrimento. E os pais devem procurar, no que for possível, que crianças pequenas não visualizem essas imagens”, conclui o colaborador para a infância e adolescência do Programa Nacional para a Saúde Mental.

Fonte DN, Sociedade, 18 Junho 2017

LER TAMBÉM…

Como con(viver) com o terrorismo

A morte contada às crianças

Há quem tenha petróleo, nós temos floresta.

Cá em casa contam-se histórias

Cá em casa, contamos muitas histórias à nossa filha.
Principalmente eu. Confesso que sempre fui fã de livros e contos, mas o pai também não se sai nada mal…
A minha filha mostrou desde logo muita curiosidades pelos livros, por isso, estes têm estado presentes na sua vida quase desde que nasceu! Contudo, estes livros eram maioritariamente de exploração de imagens, vocabulário e texturas, com abas ou sons.
O primeiro livro de histórias que lhe despertou verdadeiramente a atenção nem era (supostamente) adequado para a sua faixa etária e entrou na sua vida por acaso… A ovelhinha que veio para o jantar de Steve Smalllman e Joelle Dreidemy, um dos muitos livros infantis que possuo, ficou por arrumar num qualquer lugar da sala de estar. A nossa filha deu com ele e, perante o seu interesse, acabei por lhe ler a história. Tinha pouco mais de um ano e meio e, nos tempos seguintes, folheou-o e analisou-o vezes sem conta, do princípio ao fim, de trás para a frente e salteado! Pediu-nos o mesmo número de vezes para lho lermos e, com o pouquíssimo vocabulário que possuía na altura, mas com a enorme expressividade que sempre a caracterizou, ia já antecipando algumas partes da história.
Foi então que, por ter o texto tão presente na minha cabeça, decidi contar-lho com as minhas próprias palavras, numa das noites em que a fui adormecer, em substituição da habitual canção de embalar. Resultou… Ela adormeceu poucos instantes após ter terminado o conto…E é isto que se quer, não é?
Nas noites e sestas seguintes, a estratégia foi-se repetindo. Eu entusiasmada a descobrir o meu novo talento de contadora de histórias, e ela a adormecer rápida e tranquilamente…
Gradualmente fui variando e experimentando outros contos mais tradicionais, de que me recordava, como a Branca de Neve, os três porquinhos, o lobo e os sete cabritinhos, Caracolinhos Dourados e os três ursos, etc.
Fui igualmente pondo mais livros infantis à sua disposição e, a partir deles, passou também ela a indicar-me frequentemente a história que queria ouvir antes de adormecer.
E assim se criou um hábito valioso, do qual hoje, aos 28 meses, dificilmente estará disposta a abdicar! Andamos agora numa fase de Capuchinho Vermelho e de o patinho feio, depois de um breve reinado de Cinderela… Conto-os com palavras minhas, mas também já aconteceu uma ou outra vez ler-lhe mesmo o livro, como no caso de O casamento da Gata, de Luísa Ducla Soares, que é todo em verso e perderia a essência se fosse contado de outra forma, e que (ainda!) não sei totalmente de cor (mas estou quase lá!!).

Porque é que acredito tanto no valor desses momentos diários?

Antes de mais, são momento de entretenimento e partilha, em que eu ou o pai estamos exclusivamente dedicados a ela, sem distrações de ordem alguma. Sentados na poltrona do seu quarto, com a luz apagada, somos só nós, ela e as personagens dessa história. Nos tempos que correm, entre dias acelerados com as mais variadas solicitações e com a interferência que as tecnologias têm nas nossas vidas, parece-me essencial a criação destes momentos de entrega total aos nossos filhos.
Acredito também que o facto de lhe contarmos histórias (e de, noutros momentos, lhe lermos livros) contribui para o aumento do seu vocabulário, para que desenvolva a capacidade de encadeamento de ideias (tão importante no seu raciocínio e discurso oral e que o será também um dia na aprendizagem da escrita), fomenta o seu gosto por livros e futuramente pela leitura, desenvolve a sua imaginação, permite-lhe ampliar o seu conhecimento do mundo…
Os contos são também fundamentais para o seu crescimento emocional. Existe sempre a “moral da história”, que lhe transmite valores.  Com os três porquinhos aprendemos que o esforço compensa, com a Caracolinhos Dourados que não devemos mexer no que não é nosso sem autorização, com a Capuchinho Vermelho que devemos ouvir os conselhos dos pais… Ao longo das histórias, a criança é também confrontada com os vários sentimentos das personagens, revendo-se muitas vezes nesse sentir, o que a ajudará a lidar melhor com as suas emoções. Apreende a distinguir o bem do mal, e, como é regra que as histórias tenham um final feliz, ganha confiança no mundo, pois percebe que, apesar das adversidades da vida é possível que a justiça prevaleça!
Sofia, do blog Cá em casa somos três, adaptado por Up To Kids®
Todos os direitos reservados

LER TAMBÉM…

Nos meandros da memória ainda tenho guardado as caixas de sapatos dos bichos-da-seda.
Lembro-me de tentar apanhar folhas das árvores das amoreiras na Praça da cidade, para alimentar os bichinhos que eram muito comilões … e continuam a sê-lo!
Os meus bichos-da-seda simplesmente passavam de lagarta a borboleta e o ciclo cessava por ali …
Há pouco tempo reencontrei estes pequenos seres que me pareciam extintos e trouxe-os para o contexto de uma sala de dois anos de uma Creche. E a experiência resultou!
Este ano letivo, foram oferecidos três bichos da seda em processo já adiantado, pois dois, já estavam a construir o seu casulo e apenas um continuava a comer as suas folhas. A curiosidade das crianças foi notória e todos os dias queriam vê-los até que todos construíram a sua casa e desapareceram.
O que será que lhes vai acontecer ? Vamos esperar… passaram-se muitos dias e de repente alguém se lembrou de abrir a caixa! O que há dentro da caixa? Deixa ver, Deixa ver, Eu, Eu , Eu … que entusiasmo ! Uma borboleta já nasceu … assistimos a transformação do bichinho-da-seda.
Pegamos no casulo, furado num dos orifícios, pelo qual saiu a borboleta branca … Duas ainda estão dentro da sua casa . Vamos ter de esperar, provavelmente mais alguns dias …
O que irá acontecer à borboleta? Alguém advinha?

São as pequenas observações em contexto de sala de aula que nos fazem alimentar a curiosidade da criança e o desejo de aprender num clima de afetividade.
A aprendizagem ativa cria oportunidades reais de aquisição de conhecimentos interdisciplinares, sendo as Creches e Jardins de Infância autenticos laboratórios onde hipóteses são testadas, levando ao desenvolvimento de um espírito critico e analítico.
A mim, enquanto Educadora de Infância cabe observar o olhar brilhante de cada criança face as novas descobertas!

Com tanto vai-e-vem entre escolas e casa, actividades e festas, supermercado e clinica, reparei que o jantar é saudável, o almoço talvez (é o que há na escola) e os lanchinhos são quase perfeitos. E as crianças continuam meio ranhosas, meio sonolentas, meio estafadas – o que lhes falta?

E pronto… ninguém as educou a respirar bem! Suave, lenta e apenas pelo nariz.

Será inata a respiração nasal?

É, é mesmo, mas perde-se nesta vida por hábitos da nossa sociedade. A criança nasce a respirar pelo nariz e a boca nem sabe que também pode respirar.

Ao respirar pela boca começam os problemas. Nariz entupido, garganta inflamada, adenóides a crescer, estados febris a aparecer, ouvidos a bloquear, coluna a entortar, olheiras a aparecer, bocas a estreitar, baba a escorrer, ‘xixis’ na cama sem parar, ‘excitex’ a engradecer, concentração a decrescer, medicamentos a encarecer, pele atópica a alastrar, asma a alarmar, e o ressonar?

Se houvesse solução?

Claro, passa por treino e muita dedicação.

Já observaram a posição da criança e de muitos adultos em frente da televisão?

E a comer? Durante as refeições por incoordenação respiratória abrem a boca para inspirar…

A tempo estamos todos – pais e filhos a fazerem jogos juntos e rapidamente melhoram a condição respiratória.
A maioria das doenças desta sociedade deve-se aos maus hábitos criados com o lema da evolução.  Não falo apenas da vida sedentária. A alimentação se fosse mais vigorosa e a mastigação não fosse constantemente adiada as crianças seriam mais saudáveis.

As funções dentárias devem ser estimuladas para que os maxilares cresçam. A boca cresce e a língua terá ‘espaço’, os dentes crescem em boa posição e os músculos crescem em boa função. Se as funções estiverem em equilíbrio existirá saúde e não serão necessárias compensações ou adaptações esqueléticas ou musculares – isto é, nem dentes tortos nem respiração oral.

A avaliação interdisciplinar é fundamental e quando o pediatra, otorrino, terapeuta da fala, fisioterapeuta, ortopedista e o médico dentista têm coordenação no diagnóstico e plano de tratamento a criança será a beneficiada.

Sem tratamentos invasivos ou dolorosos, sem protelar anos a fio o problema, cada vez mais a intervenção precoce é procurada pelos Pais.

Como os tratamentos alternativos são cada vez mais procurados surgiu a necessidade de editar em Portugal o Manual ADENOIDES SEM CIRURGIA – uma ajuda eficaz e duradora para qualquer criança ou adulto com problemas respiratórios sejam eles crónicos ou não. Respirar para curar através do Método Buteyko é utilizado desde a década de 50 na Rússia e chegou a Portugal em 2015.

Vamos em breve lançar o primeiro workshop para Pais e iremos durante esta época promover o Manual com ofertas. Estejam atentos!

LER TAMBÉM…

Respirar, bem ou mal? Eis a questão

Dificuldades alimentares na 1ª infância

Será possível evitar Aparelhos Ortodônticos?

A cidade de Lisboa está em obras. Para onde quer que olhemos há máquinas a trabalhar, ruas fechadas ao trânsito, carros obrigados a estacionar em cima do passeio.

Há o projecto de fazer circular menos carros pela cidade, dando mais espaço às pessoas. Os passeios estão mais largos (tão largos que a maior parte das ruas quase perdeu uma faixa de circulação) e a estrada mais estreita. Pretende-se que haja mais espaço para as pessoas disfrutarem dos seus dias, em lazer, seja com os miúdos a andarem de skate, patins ou bicicleta, seja na criação de novas esplanadas e locais de convívio.

Poderia perder-me na discussão se faz sentido começar por aí ou criar condições para as pessoas deixarem os carros nas garagens, tendo nós os nossos transportes públicos como sabemos, mas não é sobre isso que aqui escrevo hoje.

Escrevo sobre dar-se prioridade a criar uma cidade para as pessoas, tendo nós um país onde as pessoas têm pouco tempo livre na sua semana. Já para não falar no tempo disponível para estar com os filhos. Estamos na cauda da europa no que diz respeito à produtividade, mesmo sendo dos que mais horas trabalhamos (porque, como é e deveria ser óbvio para todos mais horas não significa mais trabalho realizado).

Não precisamos de passeios largos, precisamos de mais tempo com as nossas crianças!

A maior parte dos pais consegue chegar perto dos filhos por volta das 19h00. Depois é chegar a casa, tratar dos trabalhos de casa (se ainda não tiverem sido feitos), tomar banho, jantar e deitar. Sempre me deu um aperto no coração esta lufa lufa da agitação dos “crescidos” em oposição às crianças. Temos crianças para pagarmos aos outros para que tomem conta delas e essa é a realidade de tantas famílias que juro que me custa mesmo muito. Há uma grande percentagem de avós que faz o papel de pais: vai buscar à escola, dá lanche, acompanha, brinca, dá banho e jantar e às vezes até deita os miúdos. Sei que para muitos pais não há uma alternativa, mas sou apologista da redução da carga horária de trabalho para que as famílias se possam ver crescer.

Porque adultos realizados pessoalmente terão um reflexo dessa felicidade, harmonia e equilíbrio no seu desempenho profissional. Não serão todos, mas os números sofreriam uma grande melhoria se assim fosse. Sou eu que o digo, não é nenhum estudo encomendado.

Claro que para todas as regras haverá excepções, tal como há pais que nas suas férias optam por deixar os filhos na escola, aqueles que saem a horas mais interessantes e escolhem não ir directamente ter com os filhos, aquelas mães que usufruem do horário reduzido por estarem a amamentar mas só vêem os filhos duas horas depois. Não critico ninguém, cada um saberá o que é melhor para si, o que funciona melhor, mas todos deveriam poder sair ainda de dia dos seus trabalhos.

Ir buscar os filhos à escola sem ter de pagar uma taxa adicional por causa do prolongamento. E isso ajudaria também as pessoas que tomam conta dos nossos filhos, e que tantas vezes deixam os seus postos de trabalho depois das 19h30, a chegarem elas mesmas mais cedo a casa. Para perto dos seus filhos. De que outros tomam conta.

É perverso tudo isto e talvez eu seja uma idealista, mas acredito que caminhamos para um futuro mais justo e igualitário, em que as pessoas não são obrigadas a permanecer nos seus postos de trabalho depois de terminarem as suas tarefas apenas para picarem o ponto.

As nossas crianças merecem o melhor de nós.

E o melhor de nós acontece quando sentimos que somos valorizados e respeitados, e para isso também tem influência o que fazemos.

Se chegarmos menos cansados a casa seremos mais pacientes, mais disponíveis. Seremos, quem sabe, melhores pais.

Este é o meu verdadeiro desejo para o próximo semestre de 2017: que os pais possam passar mais tempo de qualidade com os seus filhos sem sofrerem consequências a nível profissional.

Tempo de amor.

De brincadeiras.

De estar perto, só porque podemos.

De os observarmos ao longe e descobrirmos neles coisas que nos foram escapando.

De os ouvirmos sem ser a realizar outras tarefas pelo meio.

Tempo de sermos família.

imagem@weheartit

LER TAMBÉM…

Tips For Parents 6 | Tempo de Qualidade

Dar Qualidade à Quantidade de tempo

O tempo que não temos; e o tempo que temos

Mesas desarrumadas, canetas que caem e letras que voam

Houve numa altura um rapaz. Um doce de miúdo, mais velhinho e muito respeitador. Tinha sempre passado de ano na corda bamba, e apesar de ter genica, e apesar de ser falador, e apesar de se distrair facilmente, nunca nenhum destes sinais foi grande o suficiente para ser considerado motivo de preocupação. A bem dizer, até ao sétimo ano, nunca tinha havido motivo de preocupação de todo. Só agora, chegado ao sétimo, é que a mãe viu que a criança precisava de algum tipo de ajuda.

Quando a mãe chegou até mim, vinha bastante consciente das dificuldades do filho, ainda que não soubesse a origem. Sim, é verdade que por volta da entrada no ensino primário tinham havido alterações drásticas em casa: o pai viu-se obrigado a emigrar, vindo a casa apenas de mês e meio em mês e meio; o irmão nasceu, obrigando o rapaz a dividir o quarto; e o avô mudou-se lá para casa, no sentido de dar algum apoio à mãe. Ao nível da escola primária os problemas existiam, mas nada que chamasse demasiado a atenção: a sua secretária era uma bagunça, estava constantemente a deixar tudo cair e as letras nunca assentavam nas linhas… tudo problemas de rapazes, segundo dizia a professora.

Agora, já crescido, a confusão continuava, deixava tudo em todo o sítio, estar a apanhar material do chão era uma constante, e a sua letra estava cada vez mais confusa com o avançar da escolaridade. As aprendizagens representavam um desafio cada vez maior.

Finalmente, conheci a criança e aí tudo ficou compreendido. Apesar dos seus 13 aninhos, não era capaz de distinguir a esquerda da direita, se lhe pedisse que seguisse um percurso básico perdia-se dentro da própria sala e desorientava-se, mesmo indicar-lhe a casa de banho era difícil… orientava-se nos dias da semana segundo os dias em que tinha basket, e não tinha ideia do que era possível fazer em uma hora. Era uma criança que não se tinha ainda apercebido que vivia num espaço e num tempo, e como tal, nunca se tinha nem organizado, nem estruturado.

E como não?

Numa das principais alturas em que se deveria ter estruturado todo o seu espaço foi alterado: perdeu o seu espaço pessoal no quarto, a sua casa teve de se adaptar a mais uma pessoa e teve de perceber o quão longe era outro país. Mesmo a nível de tempo, enquanto se habituava à estrutura semana, tinha de lidar com o mês e meio que o pai estava fora.

Claro que esta sua desorganização não se tardou a fazer esperar: não era capaz de organizar o seu material e perceber como o dispor na secretária. Com esta dificuldade em se estruturar, era também difícil não mandar o material ao chão, o que era o suficiente para o distrair do que se estava a passar na sala. Mesmo ao nível da folha, era difícil para ele perceber como orientar a sua letra consoante aquelas linhas…

No entanto, como era bem educado, curioso e honestamente interessado, foi avançando, assim como a sua dificuldade.

Foram precisos muitos origamis, muitas construções e muitos percursos, muitos tangrans e muitos puzzles. Muita intencionalidade e muita relação. Mas no último dia houve um sorriso e uma promessa: “um dia, vou brincar com crianças, tal como tu”.

LER TAMBÉM…

Socorro! Só podem ser “bichinhos carpinteiros”

Como estimular a organização nas crianças na escola?

Do Normal ao Patológico: como olhar para o comportamento do seu filho

5 coisas que os filhos nunca esquecerão sobre os pais

Todos os pais querem ter filhos maravilhosos. Querem que sejam afáveis enquanto crianças e quando crescerem, que se comportem como pessoas responsáveis e úteis para a sociedade. No entanto, os pais tendem a esforçar-se muito mais a pensar no futuro do que a semear bases no dia a dia. Há pais que acreditam que, enquanto crianças,  os filhos só devem obedecer e que a educação se baseia nisso.

O resultado é que temos cada vez mais crianças inconformadas e adultos infelizes. Quando não há critério para uma parentalidade consistente, lógica e estável, a probabilidade de que os filhos mostrem comportamentos rebeldes e/ou herméticos aumenta. Talvez caprichosos, talvez autoritários e, em todos os casos, instáveis. Acabam por não conseguir estabelecer um vínculo afetivo e próximo com os pais, pelo contrário, vivem em uma guerra indireta ou aberta com eles.

“O problema com a aprendizagem de ser pais é que os filhos são os professores.” -Robert Braul

Uma das partes mais importantes da nossa vida é exactamente a infância. É onde se constroem os alicerces de uma mente saudável e de um coração limpo. Desta forma, algumas atitudes dos pais deixam marcas para sempre. Por vezes positivas, por vezes negativas, mas na maioria das vezes profundas.

Aqui estão cinco destas condutas que os filhos dificilmente irão esquecer.

1. Maus-tratos

Nenhuma relação é perfeita e muito menos uma tão intensa como a entre pais e filhos. Haverá sempre momentos de contradição ou de conflito, o que é perfeitamente normal. O que muda é a maneira de superar essas dificuldades e, lamentavelmente, muitos pais assumem erroneamente que os maus-tratos são uma ferramenta da educação.

Pode ser que, com os maus-tratos, o pai ou a mãe consigam intimidar o filho para que ele faça exatamente o que ele/a quer. Mas esses maus-tratos também se irão transformar no gérmen da falta de autoestima e numa fonte de rancor. Colocam os filhos numa situação muito complexa. Os filhos aprendem a vivênciar o amor e ódio em simultâneo e também aprendem a temer. O coração de um filho é muito sensível e se for ferido de forma consecutiva, com o tempo a criança terá tendência a transformar-se numa pessoa insensível.

2. A forma como os pais se tratam um ao outro

A relação entre o pai e a mãe é o padrão que a criança terá para formar uma atitude perante os relacionamentos amorosos. É muito provável que, quando for adulto, repita com sua parceira de forma consciente ou inconsciente o que viu em casa dos pais. Antes disso, a criança provavelmente irá repetir com as pessoas que ama.

Pense que os conflitos entre os pais geram angústia no filho. Uma das possíveis consequências será envolver-se em problemas simplesmente para atrair a atenção de um dos pais, que não lhe ligam porque estão demasiado concentrados no conflito em que estão envolvidos. Além disso, a criança irá apreciar ou não os relacionamentos amorosos com base nestes padrões adquiridos.

3. Os momentos em que se sentiram protegidos

Os medos das crianças são maiores e mais insidiosos do que os dos adultos. Os pequenos não conseguem distinguir bem a fronteira entre a realidade e a imaginação. Os pais são as pessoas em quem eles mais confiam para obter a sensação de segurança de que precisam para aprender e explorar o desconhecido. Assim, se são os pais os que causam este medo, a criança irá sentir-se totalmente desprotegida.

Os pais devem escutar com atenção esses medos, sem criticá-los nem minimizá-los. Devem fazer com que os filhos entendam que não estão em perigo. Isto irá aumentar o sentimento de segurança dos filhos e irá fortalecer o vínculo de amor e de respeito com os pais.

4. A falta de atenção

Para um filho, o amor que os pais lhes dão está intimamente relacionado à atenção que recebem deles. Para os filhos não existem expressões de afeto como trabalhar horas extras para poder lhe pagar um colégio caro. Os filhos não irão entender o amor dos pais se não passarem tempo juntos, se não estiverem presentes no seu mundo.

Os filhos nunca se esquecem da camisa verde que receberam de presente quando tinham dito até enjoar que queriam uma roxa. Ou quando prometeram algo que não cumpriram. Simplesmente, encaram isto como uma forma de abandono, como uma mensagem que diz: “não és importante o suficiente para me lembrar”. Por isso ficará uma marca de dor nos seus corações.

5. A valorização da família

Os filhos vão lembrar-se que o pai ou a mãe foram capazes de colocar a família como prioridade em diversas circunstâncias. As crianças precisam e gostam das celebrações, não interessa se é com mais ou menos presentes. Também é muito importante para eles que o pai e a mãe levem o Natal a sério.

Quando os pais colocam a família acima de tudo, os filhos irão aprender o valor da lealdade e do afeto. Quando forem adultos, também serão capazes de deixar de lado outros compromissos para ir ver seus pais quando precisarem dele. Vão sentir-se compensados e terão uma maior capacidade para dar e receber afeto.

Todas estas marcas deixadas durante a nossa infância acompanham-nos ao longo de toda a vida. Muitas vezes representam a diferença entre ter uma vida mentalmente saudável e uma vida cheia de conflitos. Uma criação repleta de amor e de carinho é o melhor presente que um ser humano pode dar a outro.

Publicado em A mente é maravilhosa, adaptado por Up To Kids®

LER TAMBÉM…

Dicas para pais mais felizes

Os pais precisam de mostrar o amor pelas mães através de acções

7 Reflexões para melhorar o tempo passado em família

 

 

 

Como ficar on quando tudo está off

O pequeno catita estava esparramado no chão. Rodeado de tudo e mais alguma coisa, estava a inventar mais uma das suas fabulosas máquinas.

Ele imagina máquinas para tudo. Já inventou uma máquina-come-tudo, para levar a comida à boca de forma a não cansar os braços. Uma maquineta-diz-diz que fala por nós quando não estamos para aí virados. E uma, que tem um lugar especial no meu coração, a maquineta-toma-lá-mais-um-fim-de-semana, que produz fins-de-semana à vontade do freguês.

Ele estava tão inventivamente concentrado na sua nova construção que ao receber um “Hora de dormir!” retribuiu em tom metálico e zangado “Nem penses. Não é nada hora de dormir.” Não era bem isso que eu queria ouvir. Era mais um imediato “Claro que sim, mamã!”  Pois, mas é claro que isso não ia acontecer. Ainda mais com a rapidez que eu gostaria.

Voltei a referir que estava na hora de ir dormir e expliquei o quanto era importante para o nosso corpo descansar e dormir várias horas seguidas. Outra tacada do outro lado: “Não faz mal. Amanhã chego à escola várias horas depois.” Já referi que o pequeno catita prima pela capacidade de argumentação?

Após alguns segundos de silêncio, seguiu-se uma explosão de raiva acompanhada por peças voadoras. Como estava tudo dentro das normas de segurança europeias, assisti pacientemente. “Nunca mais vou construir nenhuma máquina. NUNCA MAIS!” gritou. À medida que as peças começavam a cair no chão, as lágrimas começavam a cair também. Baixei-me. Respirei fundo e abracei-o. “Chora. Chorar faz bem. Chora tudo o que precisares” sussurrei ao seu pequeno ouvido.

Alguns minutos mais tarde, sem mais nem menos, levantou-se e foi lavar os dentes.

“Hora da história!!!” gritou feliz da cama. Totalmente admirada com tal mudança repentina, fiquei momentaneamente colada ao chão da sala.

Espera aí. Mas ele não estava danado e preferia arrancar um dente a ir para a cama? Senti-me como se tivesse a fazer zapping. Carreguei no botão e imediatamente mudei de história.

Afinal o que aconteceu? O que mudou o chip dele?

Não foi certamente nenhuma maquineta-maravilha-vai-já-para-a-cama. Na verdade, percebi depois, foi algo bem mais simples. T-E-M-P-O. Eu esperei e dei tempo ao pequeno catita para digerir a frustração que surgiu por ter de largar a sua maquineta. Dei tempo para percorrer os caminhos, puxar as alavancas, rodar as roldanas, até estar pronto para passar do modo inventar para o modo descansar.

O processo é igual para nós. Sempre que algo nos surpreende, aparece em forma de obstáculo, frustração, má notícia, revés ou simplesmente não acontece como gostaríamos, precisamos de nos dar tempo. Precisamos de passar pelo “Não, isto não está a acontecer”, pelo “Porque é que isto me aconteceu a MIM?”. Pela fase de tentar arranjar uma solução de meio termo “E se eu..” até estarmos preparados para receber a tristeza, que estava desde o início à espera para entrar.

Ai. Quando ela chega… Quando nos bate em cheio no peito e a aceitamos. Só aí, aceitamos o que aconteceu. É daqui que tudo cresce. Deste pequeno grande passo. Mas só cresce se o caminho da frustração à aceitação for percorrido, passo a passo, emoção a emoção.

Foi esse caminho que o pequeno catita teve tempo para percorrer. Tempo para a negação (“não são horas de dormir”) e para a raiva. Tempo para a negociação (“amanhã chego mais tarde à escola”) e para a tristeza. Todas essenciais no caminho da aceitação, no corpo e no coração.

A ordem porque passam por nós não interessa. Interessa deixá-las passar. Interessa dar-lhes tempo e, acima de tudo dar-nos tempo, para a seu tempo, estarmos preparados para dar o passo que precisamos.

 

LER TAMBÉM…

Como comunicar com os filhos de forma positiva e eficaz

Dar tempo aos filhos

Comunicação Adequada