Não recompense o seu filho pelo bom comportamento. Reconheça-o positivamente

Antes de mais deixem-me explicar porque falo em reconhecer positivamente a criança e não em recompensar.

Não estaria totalmente errado visto que ambos os termos envolvem valorizar e gratificar. No entanto, recompensa está muito mais associado a algo palpável, um prémio, uma remuneração. Reconhecimento é constatar, condecorar e permanece na nossa vida e isso sim, faz a diferença na educação das nossas crianças com e sem necessidades especiais – o reconhecimento!

É tão importante saber reconhecer a criança pelas suas atitudes, conquistas e comportamentos como é importante perceber como agir perante as traquinices ou os comportamentos menos positivos da criança, com o intuito de ajudá-la a melhorar o seu comportamento e a crescer.

As recompensas materiais ou comestíveis são muito frequentes, no entanto, não são de todo as melhores para o desenvolvimento intelectual e emocional da criança:

Recompensas materiais

A longo prazo e como recurso frequente vão-se tornando cada vez menos gratificantes para a criança. Para além disso, fomenta a ideia de que para se sentir bem consigo própria o importante é “ter coisas”. Desta forma, mais dificilmente, aprenderá o valor do afeto, da ajuda mútua e o reconhecimento da importância das relações com os outros.

Recompensas comestíveis

Cria uma dependência do organismo da criança para se sentir bem consigo própria. Assim, para que a criança se sinta o seu cérebro vai pedir-lhe um doce…o que, obviamente, não é bom para a sua saúde!

ATENÇÃO: não digo que um chocolate ou uma prendinha irão fazer mal ao piolho mas se forem um recurso frequente, aí sim, torna-se num problema. Por isso, este tipo de recompensas (sim, aqui utilizo o termo recompensa e não reconhecimento) sugiro que as guardem para grandes momentos: passar de ano letivo, o natal, o aniversário, a chegada de um irmão,  etc…!

Qual a melhor forma de reconhecer o  meu filho promovendo o seu desenvolvimento emocional e intelectual?

O reconhecimento social e emocional são, definitivamente, os melhores: privilegiar, agradecer, felicitar, abraçar

Para nós adultos, talvez seja estranho que uma criança aprenda a dar-se por feliz com este tipo de reconhecimento mas nada é mais valioso para a criança do que sentir-se valorizada pela sua atitude ou comportamento tendo o reconhecimento, principalmente, daqueles que lhe são figuras de referência, como os pais ou os educadores.  Esta forma de reconhecimento motiva, ainda mais, a criança a ter comportamentos positivos de forma espontânea e intencional. Para além disso, desenvolve o sentido de responsabilidade para com os seus deveres e para com os outros,  a auto-estima, a segurança emocional e auto-confiança perante o medo de falhar e a sua autonomia.

As crianças deixam-se tocar pelo coração muito mais do que imaginamos…?

Ficam aqui algumas sugestões de reconhecimentos positivos para as vossas crianças:

Tempo

Dedicar tempo à criança para brincar, ler uma história. Dedicar-se de corpo e alma ao tempo com a criança.

Responsabilidade

Confiar-lhe uma responsabilidade como ajudar a levar o carrinho das compras (todas as crianças adoram empurrá-lo), deixá-lo levar as chaves do carro e abrir o carro, marcar o “ok” na hora do pagamento de multibanco…

Poder de escolha

Dar-lhe um privilégio como escolher o jantar, escolher o filme que a família irá ver no fim-de-semana, escolher o parque a que vão, se a criança foi para o banho sem contestar, deixe-a encher a banheira e dê-lhe um banho de espuma…!

Elogiar

Felicitar a criança dizendo-lhe o que fez bem algo. É importante que ao elogiar refira sempre aquilo que fez bem e não lhe atribua apenas o elogio. Por exemplo: “uau, pintaste tão bem dentro das linhas”, “adoro o teu desenho!”

Agradecer

Agradeça a criança o bom comportamento. Diga-lhe o quão feliz, orgulhoso e agradecido fica por aquela boa ação.

Relembro As crianças deixam-se tocar pelo coração muito mais do que imaginamos… <3 “. É mesmo simples assim…

image@iniciados

 

Por Beatriz Pereira, BLOG “MAIS Q’ESPECIAL”

Como tornar-se no mãe mais paciente?

Ser mãe é ser uma espécie de super mulher. Uma super heroína cujo esforço ninguém realmente (re)conhece, que tem de pensar em tudo, de conciliar muitas-vezes-sem-saber-como os filhos, a lida da casa e a vida profissional. Ah, e que ainda tem de ser uma esposa perfeita, sempre impecável, arranjada, elegante e disponível para agradar ao marido.

Com tanta responsabilidade em cima dos ombros, é natural que a paciência não seja uma virtude fácil de cultivar. E quem é que normalmente paga por isso? Aqueles que estão mais próximos: os filhos.

Para a ajudar a lidar com a pressão do dia a dia, aqui ficam algumas dicas que podem ajudar a torná-la numa mãe mais paciente:

1 – Acalme-se antes de (re)agir

Sei que é fácil falar, mas leia até ao fim. É normal que, enquanto mãe, se irrite e perca a paciência com os seus filhos, quando se portam “mal”. Mas não desespere nem se sinta culpada.

Com algum treino é possível diminuir (e muito!) a quantidade de vezes em que isso acontece. E fazer com que isso seja a excepção e não a regra.

Quando o seu filho fizer algo que a deixe irritada, zangada, tente acalmar-se antes de (re)agir, respirando fundo ou saindo de cena, por exemplo. Neste último caso, informe a criança de que precisa de se acalmar mas que voltará para falarem tranquilamente sobre o assunto. Atenção ao tom de voz, que deve ser firme mas respeituoso ao mesmo tempo! Às vezes bastam segundos para reagruparmos os pensamentos e acedermos novamente à parte racional do nosso cérebro, o que não acontece nos momentos de conflito. O que pode tornar a sua reacção perigosa e com consequências negativas no longo prazo. Depois é tentar retomar a conexão perdida, conversar sobre o que se passou e procurar que dali saia uma solução conjunta.

2 – Avalie a dimensão do problema

Será que o que aconteceu foi assim tão grave? Quando estamos irritados, cansados, sem paciência, tendemos a dramatizar e as situações (as birras, por exemplo) ganham proporções que, em condições normais, não ganhariam. Depois de se acalmar, pense se vale a pena empolar as coisas ou se é algo que se resolve facilmente, com um abraço ou uma curta conversa, por exemplo.

3 – Reserve um tempo para si

Todas as mães precisam de parar e de ter algum tempo para si próprias. Já sei, não tem tempo livre… Ou talvez necessite de se organizar melhor, pense lá bem…

A maioria das mães esquece-se das suas necessidades para cuidar dos outros. Mas pense nisto: tal como as crianças, também os adultos agem melhor quando se sentem melhor. E o autocuidado é essencial. Cuide de si!

Às vezes, tirar meia hora para ir às compras, fazer um jogging, uma massagem, tomar um banho, ler um livro, ir ao ginásio, comer um gelado, por exemplo, é suficiente para lhe dar a energia de que precisa para estar mental e fisicamente bem para o enorme desafio de ser mãe.

Se há algo que adora fazer, arranje tempo para isso. Enquanto o bebé dorme ou as crianças estão na escola, por exemplo.

4 – Durma!

Sei bem como é fácil falar, também passei por isso enquanto pai a dobrar… Desde que é mãe acabaram-se as noites tranquilas, certo? Ainda assim, lembre-se que é essencial o descanso, sobretudo noturno. E é imperativo que as crianças tenham uma boa rotina de sono. Ponha-as a dormir cedo, até para depois poder também a mãe descansar…

5 – Planeie um tempo especial mãe-filho

É uma das “ferramentas” de Disciplina Positiva que melhor resultam cá em casa. Planeie um programa especial com os seus filhos, não precisa de ter muito tempo disponível. Um lanche a dois, uma ida ao parque infantil ou um simples passeio onde poderão ir a conversar pela rua. Vai ver como fará milagres pela vossa relação!

6 – Organize-se

Por vezes é complicado, com tantas tarefas, saber o que fazer para as conciliar a todas. Uma boa organização pode ajudar a acabar com o caos do dia a dia. Pode criar, com a ajuda dos miúdos, uma tabela de rotinas diária, que é ao mesmo tempo útil e divertida. A partir daí é a tabela que “manda”, que “diz” o que eles têm de fazer a seguir. O que evita muitas “guerras” desnecessárias.

Uma questão de prioridades!

Educar uma criança exige treino, tempo e paciência. Mas vale a pena. É uma escolha, entre perder a calma ou mantê-la. E uma questão de prioridades. Comece hoje a mudança, para colher os frutos amanhã.

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Todos os pais querem dar a melhor educação aos seus filhos. Mas não existem receitas mágicas para criar melhores adultos. Errar é humano e não há pais perfeitos. Nem é possível evitar que, em algumas ocasiões, lhes saia da boca frases menos felizes, que podem ter um impacto negativo no seu desenvolvimento.

Muitas vezes caímos na tentação de dizer frases feitas, algumas até que ouvimos também em crianças. E que, sem nos apercebermos, desmotivam, afectam a autoestima e dificultar a relação pais-filhos. Mas não se martirize. Afinal, quem nunca se deixou vencer pelo cansaço depois de um dia de trabalho? Quem nunca desesperou com as tarefas que ainda o/a esperam em casa ou com “aquela” birra que “parece mesmo de propósito”?

“Somos humanos e é normal que cometamos erros. O importante é saber pedir desculpa, algo que custa a muitos pais. Além disso, se o fazemos, estamos a dar-lhes um grande exemplo”, explicou ao jornal El Mundo María Rueda, uma reputada psicóloga espanhola.

“Não se trata de nos retratarmos, nem tão pouco devemos compensá-los com carinho e palavras bonitas. O que fizeram é errado e devemos explicar-lhes para que aprendam a tomar melhores decisões da próxima vez. Além disso, devem saber que as suas acções têm consequências”, sublinhou ainda. Em suma: é preciso corrigir comportamentos, mas sempre de um ponto de vista construtivo e empático.

Para os especialistas, estas são as frases que qualquer pai deve evitar na comunicação com os filhos:

 1. “Se não fizeres o que te mando, ficas de castigo”

As ameaças utilizam o medo e podem afectar a confiança que as crianças depositam nos pais. Para além disso, “com o nosso exemplo, estamos a ensinar-lhes que para conseguir o que querem é legítimo fazê-lo através da intimidação”, diz Rueda.

2. “Se te portares bem, compro-te…”

Por vezes, os pais utilizam este estilo de comunicação para fazer com as crianças uma espécie de chantagem emocional. Desta forma, corre o risco de que ela não aprenda o porquê de ter que fazer o que lhe pedem, mas sim que o faz para obter um determinado fim.

3. “Não tens vergonha de te portares assim?”

Tal como a expressão anterior, que promove a culpa, esta fomenta a vergonha. Alguns pais impõe a disciplina desta maneira, principalmente diante de outras pessoas, “mas é melhor evitar as críticas que não sejam construtivas ou apenas conseguirá humilhá-los e minar a sua autoestima”, argumenta Rueda.

4. “Fazes o que te mando porque eu digo e pronto!”

Nós, adultos, tendemos a pensar que somos donos da verdade absoluta, se o nosso interlocutor é uma criança. E quando a discussão chega a um ponto em que já estamos cansados de argumentar, recorremos a esta frase para a dar como terminadas. Mas ser imperativo por ser imperativo só vai minar a relação pai-filho se não lhes explica porque devem fazer o que lhes é pedido.

5. “Vais enlouquecer-me!”

“Utilizar a culpa para motivar o seu filho não é o melhor método para mudar o seu comportamento. Além disso, pode gerar impacto negativo na sua relação com eles”, afirma Rueda. “Estamos a transmitir-lhes a ideia de que os nossos problemas são culpa deles, e isso pode gerar uma grande ansiedade“, acrescenta Inma Marín, consultora pedagógica e presidente em Espanha da Associação Internacional pelo Direito das Crianças a Julgar.

6. “Não chores, não é razão para tanto”

“Muitas vezes tendemos a sub-valorizar os sentimentos dos nossos filhos. Podem ter guerreado com um amigo na escola e isso para nós não tem importância, mas para eles tem e não devemos desvalorizar”, considera Marín. “Também é habitual usar a frase com a intenção daquilo que os magoa para que se sintam melhor, mas essa não é a maneira mais adequada de os ajudar. É melhor ajudá-los e consolá-los, para que saibam que quando lhes acontecer algo mau, os pais os entenderão e estarão ali para eles”, prossegue.

7. “Deixa estar que eu faço”

A mensagem que passa quando utiliza esta expressão é clara: “Não vais ser capaz de fazê-lo”. E se os pais acreditam nisso, a criança também acreditará, chegando à seguinte conclusão: “Para que é que me vou esforçar da próxima vez?”.

Ao actuarmos assim, estamos também a impedir que aprendam por si mesmos, tornando-os pessoas dependentes e inseguras.

8. “Não fazes nada bem”…

… ou “não sei quando vais aprender” são outros exemplos de frases pouco construtivas, já que “não valorizam o esforço, mas o resultado obtido”, assegura Marín. A evitar!

9. “Estou farta/o de ti”

Quando usa esta expressão, numa situação limite, não tem certamente a intenção de ferir os sentimentos do seu filho, mas é preciso estar ciente das possíveis consequências de um comentário destes. Pode fazer com que ele acredite que é algo que sente realmente, não só naquele momento mas sempre, e provocar um impacto negativo. “O amor de um pai por um filho é incondicional, e isso é algo que devemos mostrar-lhes a todo o momento”, afirma Marín.

10. “És má/mau”

“É um erro dizer isto a um filho, porque este poderá pensar: ‘Ok, sou assim e não posso fazer nada para mudar’”, explica Rueda. Os especialistas aconselham a ser preciso na hora de lhes explicar o que é que fizeram mal e a censurar as suas acções. “Em vez de lhes dizermos que são maus, é melhor centrar a atenção no que podem mudar para conseguir um resultado mais positivo. É mais construtivo usar outras expressões como: ‘Não gosto quando fazes…’ para explicar-lhes porque é que o seu comportamento não é aceitável e oferecer-lhes alternativas.

11. “És preguiçosa/o e não vais ser ninguém na vida”

As notas escolares são um dos principais focos de conflito entre pais e filhos adolescentes. Os primeiros querem que os segundos percebam que, se não estudarem, não terão um futuro risonho e que se arrependerão das decisões erradas que tomaram. Mas em vez de provocar neles uma reacção positiva, este tipo de frases danificam a relação entre pai e filho, provocando nos jovens uma sensação de frustração e desinteresse.

12. “Aprende com o teu irmão”

Cuidado com as comparações! É muito fácil cair nelas quando se tem mais do que um filho. Mas há que ter cuidado, porque “geram rivalidades na família e são muito prejudiciais a longo prazo”, alerta Rueda. A criança verá o irmão como modelo que nunca conseguirá alcançar e isso afectará a sua autoestima, por considerar que os pais gostariam que fosse diferente.

11 formas de acalmar uma criança zangada

“Já tentei tudo e não consigo acalmar o meu filho quando está zangado!”, desabafou um pai desesperado, no final do workshop “Ganhar os miúdos versus Ganhar aos miúdos”, que dei no fim de semana passado.

Dei-lhe algumas sugestões e prometi que escreveria um artigo sobre o assunto, com dicas práticas para acalmar as crianças quando as palavras não funcionam. Aqui vai.

Cada criança é uma criança…

… e aquela solução que resulta com uma, pode não resultar com outra. E até pode resultar naquele momento mas não resultar no seguinte. Ou vice versa.

Se uma ideia não resulta, tente outra. Mas mantenha a primeira em aberto, pode sempre tentar usá-la novamente mais tarde. Em diferentes situações, as crianças podem responder de forma positiva a diferentes métodos.

Sem mais demoras, aqui ficam então as tais dicas práticas e para ajudar a acalmar os miúdos. Algumas poderão parecer-lhe desadequadas para um momento de conflito, mas sem tentar não vai saber se resultam ou não!

  1. Dê-lhe um abraço. Costumo fazê-lo com os meus filhos. Num momento de tensão, em que estão zangados, ponho os meus braços à volta deles e puxo-os para o meu colo, levemente. Dou-lhes um abraço apertado, mas não em demasia, deixando-os à vontade para me abraçarem de volta ou sairem dali se preferirem.
  2. Mude-lhe o foco. Resulta sobretudo com crianças mais pequenas. E passa por distrair, redirecionar o comportamento, com toda a calma, para algo de que a criança goste: um objeto, atividade, ou história, por exemplo. Mas cuidado para não transformar esta estratégia numa recompensa!
  3. Susurre-lhe. Segredar ao ouvido pode ajudar o seu filho a acalmar-se, por forma a que possa ouvir o que lhe quer dizer. Depois é preciso dar seguimento, empatizar, mostrar compreensão pelos sentimentos e procurar uma solução conjunta para resolver a situação.
  4. Cante e/ou dance! Seja criativa/o! Improvisar uma cantoria num momento de tensão vai surpreender a criança, que esperava uma reação diferente, provavelmente de censura ou ameaça de castigo. E pode ser suficiente para que ela troque o ar zangado por… um sorriso. O mesmo se passa com a dança, pode começar uma dança divertida e convidá-la para participar.
  5. Faça-lhe cócegas. Um clássico, que desmonta a birra de muitas crianças. Cá em casa resulta quase sempre com os meus filhos.
  6. Todos para o banho! Às vezes, um banho ou duche de água quente ou fria pode ajudar a acalmar a criança. E porque não tomarem banho juntos?
  7. Crie um ambiente. Difundir óleos essenciais pela casa, como Lavanda ou Camomila, ajuda a promover uma atmosfera calma, que pode ajudar ao “arrefecimento” da zanga.
  8. Seja paciente. Sente-se ao lado do seu filho e espere, simplesmente. Não diga nem faça nada. Deixe-o tentar encontrar o seu próprio modo de se acalmar. Tal como as anteriores, esta “técnica” não resulta em todos os casos, sobretudo naqueles em que a criança está mais alterada. Mas aqui fica à sua consideração. Afinal, não há quem seja maior especialista nos seus filhos do que você!
  9. Arranje-lhe um espaço seguro… para onde a criança possa ir acalmar-se. Assegure-se que não sairá do seu raio de ação e que está à vontade para voltar a si quando quiser.
  10. Leia-lhe uma história. Mesmo que a criança não se mostre disponível para ouvir ao início, escolha um local confortável e encorage-a a sentar-se consigo e a ouvir o que tem para contar.
  11. Faça-lhe uma massagem. Comece com um toque no ombro ou nos pés, para testar a recetividade. Uma massagem tranquila, com pouca pressão, pode ajudar a libertar a tensão acumulada na criança.

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Todos os pais querem ter filhos maravilhosos. Querem que sejam afáveis enquanto crianças e quando crescerem, que se comportem como pessoas responsáveis e úteis para a sociedade. No entanto, os pais tendem a esforçar-se muito mais a pensar no futuro do que a semear bases no dia a dia. Há pais que acreditam que, enquanto crianças,  os filhos só devem obedecer e que a educação se baseia nisso.

O resultado é que temos cada vez mais crianças inconformadas e adultos infelizes. Quando não há critério para uma parentalidade consistente, lógica e estável, a probabilidade de que os filhos mostrem comportamentos rebeldes e/ou herméticos aumenta. Talvez caprichosos, talvez autoritários e, em todos os casos, instáveis. Acabam por não conseguir estabelecer um vínculo afetivo e próximo com os pais, pelo contrário, vivem em uma guerra indireta ou aberta com eles.

“O problema com a aprendizagem de ser pais é que os filhos são os professores.” -Robert Braul

Uma das partes mais importantes da nossa vida é exactamente a infância. É onde se constroem os alicerces de uma mente saudável e de um coração limpo. Desta forma, algumas atitudes dos pais deixam marcas para sempre. Por vezes positivas, por vezes negativas, mas na maioria das vezes profundas.

Aqui estão cinco destas condutas que os filhos dificilmente irão esquecer.

1. Maus-tratos

Nenhuma relação é perfeita e muito menos uma tão intensa como a entre pais e filhos. Haverá sempre momentos de contradição ou de conflito, o que é perfeitamente normal. O que muda é a maneira de superar essas dificuldades e, lamentavelmente, muitos pais assumem erroneamente que os maus-tratos são uma ferramenta da educação.

Pode ser que, com os maus-tratos, o pai ou a mãe consigam intimidar o filho para que ele faça exatamente o que ele/a quer. Mas esses maus-tratos também se irão transformar no gérmen da falta de autoestima e numa fonte de rancor. Colocam os filhos numa situação muito complexa. Os filhos aprendem a vivênciar o amor e ódio em simultâneo e também aprendem a temer. O coração de um filho é muito sensível e se for ferido de forma consecutiva, com o tempo a criança terá tendência a transformar-se numa pessoa insensível.

2. A forma como os pais se tratam um ao outro

A relação entre o pai e a mãe é o padrão que a criança terá para formar uma atitude perante os relacionamentos amorosos. É muito provável que, quando for adulto, repita com sua parceira de forma consciente ou inconsciente o que viu em casa dos pais. Antes disso, a criança provavelmente irá repetir com as pessoas que ama.

Pense que os conflitos entre os pais geram angústia no filho. Uma das possíveis consequências será envolver-se em problemas simplesmente para atrair a atenção de um dos pais, que não lhe ligam porque estão demasiado concentrados no conflito em que estão envolvidos. Além disso, a criança irá apreciar ou não os relacionamentos amorosos com base nestes padrões adquiridos.

3. Os momentos em que se sentiram protegidos

Os medos das crianças são maiores e mais insidiosos do que os dos adultos. Os pequenos não conseguem distinguir bem a fronteira entre a realidade e a imaginação. Os pais são as pessoas em quem eles mais confiam para obter a sensação de segurança de que precisam para aprender e explorar o desconhecido. Assim, se são os pais os que causam este medo, a criança irá sentir-se totalmente desprotegida.

Os pais devem escutar com atenção esses medos, sem criticá-los nem minimizá-los. Devem fazer com que os filhos entendam que não estão em perigo. Isto irá aumentar o sentimento de segurança dos filhos e irá fortalecer o vínculo de amor e de respeito com os pais.

4. A falta de atenção

Para um filho, o amor que os pais lhes dão está intimamente relacionado à atenção que recebem deles. Para os filhos não existem expressões de afeto como trabalhar horas extras para poder lhe pagar um colégio caro. Os filhos não irão entender o amor dos pais se não passarem tempo juntos, se não estiverem presentes no seu mundo.

Os filhos nunca se esquecem da camisa verde que receberam de presente quando tinham dito até enjoar que queriam uma roxa. Ou quando prometeram algo que não cumpriram. Simplesmente, encaram isto como uma forma de abandono, como uma mensagem que diz: “não és importante o suficiente para me lembrar”. Por isso ficará uma marca de dor nos seus corações.

5. A valorização da família

Os filhos vão lembrar-se que o pai ou a mãe foram capazes de colocar a família como prioridade em diversas circunstâncias. As crianças precisam e gostam das celebrações, não interessa se é com mais ou menos presentes. Também é muito importante para eles que o pai e a mãe levem o Natal a sério.

Quando os pais colocam a família acima de tudo, os filhos irão aprender o valor da lealdade e do afeto. Quando forem adultos, também serão capazes de deixar de lado outros compromissos para ir ver seus pais quando precisarem dele. Vão sentir-se compensados e terão uma maior capacidade para dar e receber afeto.

Todas estas marcas deixadas durante a nossa infância acompanham-nos ao longo de toda a vida. Muitas vezes representam a diferença entre ter uma vida mentalmente saudável e uma vida cheia de conflitos. Uma criação repleta de amor e de carinho é o melhor presente que um ser humano pode dar a outro.

Publicado em A mente é maravilhosa, adaptado por Up To Kids®

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O “castigo” faz parte do processo educativo de qualquer criança.

É fundamental a criança perceber que, quando faz algo que quebra as regras sociais impostas pela cultura e pelos pais, estas ações têm de ter uma repercussão. Essa função serve para que ela possa apreender o que deve e pode, ou não deve e não pode fazer, sempre com a finalidade de vir a sentir-se integrada na sociedade enquanto adulta. Mas será que a palavra castigo terá realmente este valor na cabeça de uma criança em formação?

Quando nos debruçamos sobre o valor linguístico da palavra castigo deparamo-nos com o seguinte significado:

“punição que se inflige a um culpado; mortificação, tarefa penosa ou grande dificuldade; dar castigo; punir; obrigar (fonte: in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa, 2008-2013) que, por si só, é já penoso e negativo.

A criança sabe que a mãe, o pai ou o educador a vai pôr de castigo se fez algo negativo e errado, sendo que na cabeça de muitas crianças isso até pode ter um efeito aterrador, potenciando a mentira como um fator de fuga ao castigo (se eu não disser que  tive má nota, não irei ser castigado, por exemplo).  Contudo, se usarmos a palavra consequência, encontramos como significado: “resultado natural, provável ou forçoso, de um facto; dedução tirada por meio de raciocínio de um princípio ou de um facto; conclusão dimanada das premissas; [Figurado]  importância, alcance (fonte: in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa, 2008-2013)  que tem um valor mais educador, construtor, digamos assim, potenciando a aprendizagem.

Castigo ou Consequência – O peso da palavra

O valor e o peso da palavra têm muita importância no entendimento do significado da mesma, ainda mais para uma criança. Dito isto, a utilização da palavra consequência cumpre mais o objetivo já referido, fazendo com que a criança aprenda que o que acabou de fazer não está certo, por forma a que ela não volte a realizar a mesma ação, apreendendo a razão pela qual não deve voltar a fazê-la. Assim, a palavra consequência, porque se alia a coisas mais construtivas, permite à criança sentir que para qualquer situação há consequências, positivas e negativas, com as quais ela tem de lidar, enquanto que o “castigo” tem um valor muito limitado porque a criança não reage por compreensão mas sim por medo.

Uma criança em situação de castigo não reflete, apenas reage emotivamente e sente a reação do castigador (zangado, furioso, chateado…).

Por isso, o castigo não pode atuar adequadamente, porque não exige entendimento. Em vez de se “castigar “deve-se levar a criança a sofrer as consequências do seu agir percebendo o que a levou a cometer a ação, e permitir-lhe um movimento de reparação. Pedir desculpa ou consertar o que estragou podem ser medidas eficazes, não culpabilizam e aliviam a criança da pressão do ato. Em suma, queremos acima de tudo que a criança compreenda o que fez e porque não deve voltar a fazer, não apenas que ela tenha medo da consequência, sem refletir sobre o que fez.

O envolvimento dos pais ou educadores

Há contudo um pormenor que pode ou não ajudar a criança neste processo construtivo: a existência ou não de uma relação/disponibilidade entre a criança e o adulto. Para que a criança consiga fazer este percurso de entendimento das consequências das suas ações, o adulto tem de estar em relação com ela, demonstrando disponibilidade afetiva e capacidade de empatia.

E isto porquê?

Porque, muitas vezes, quando um adulto atribui uma consequência negativa, essa consequência vai refletir apenas uma defesa do adulto face ao que tem de investir na relação com a criança ou adolescente. Ou seja, muitas vezes a tal consequência é mais uma reação de raiva ou frustração do próprio adulto face ao acontecimento, sendo até muitas vezes desmedida essa reação. E, quando isto acontece, quando os adultos atuam sob o sentimento da raiva ou da vingança pela impotência que sentem face à criança ou adolescente que desautorizou ou infringiu alguma regra, ele passa a estar presente na vida da criança, mas de forma negativa. Isto porque ou a ignoram ou reagem de forma desmedida.

Chamadas de atenção

Certamente que já observaram a cena em que adultos se divertem e conversam, esquecendo-se das crianças ao lado. De repente uma criança parte algo para chamar a atenção dos adultos.

Esta ação inconsciente da criança ( fazer uma asneira como chamada de atenção) na verdade, pretende castigar a atitude dos adultos que a ignoraram. Tal como um objeto que a criança partiu para reclamar atenção do adulto, também o comportamento indesejado, por exemplo mentir, roubar, fazer xixi na cama, agressividade entre outros, tem sempre motivos inconscientes (pese embora a noção de que essa mesma asneira tem um objectivo concreto na cabeça da criança).

É fundamental que o adulto esteja disponível para perceber por que a criança teve uma reação descontextualizada.

Se não estiver disponível, a consequência não tem o seu valor, a  criança não aprendeu nada e o adulto lavou as mãos. Não se envolveu. E passa uma mensagem de desamor, o que pode ter  consequências catastróficas para a vida social futura da criança. Não se pensa, apenas se reage ou age! E como podemos pedir a uma criança que consiga controlar o seu comportamento, quando o adulto não o consegue fazer? É igualmente importante refletir sobre o facto de o mais forte levar o outro apenas a calar-se mas só depois de ter perdido a razão, passando-se assim a uma não relação.

A palmada na hora certa

Daí a ideia de que, muito embora possamos naturalmente dar uma palmada (refiro que jamais uma chapada, porque tem um peso ofensivo e pessoal) em situações em que a criança se comporta de forma desadequada, na verdade não é elemento fundamental à educação de uma criança. Podemos, e até arrisco dizer que devemos, educar sem usar a força física e naturalmente a verbal.

As crianças refugiam-se no seu cativeiro da imaginação, da solidão e reagem segundo a sua personalidade e a sua relação com os educadores.

O amor e a estima, são fundamentais para toda a educação, e são muitas vezes ignorados.

O amor e a admiração adquirem-se por identificação e não por consequências. O educador que dá consequências de forma desmedida e não explicada, não sabe amar nem serve de modelo positivo para que a criança tenha um crescimento mental saudável. Nestes casos acontece muitas vezes que a adoção de regras e limites se façam por interiorização e imitação das atitudes e dos valores de um outro que não o educador, de uma figura de referência mais próxima, pais, educadores, professores, ídolos da juventude, entre outros.

Se os adultos, pais ou educadores têm atitudes repressivas em vez de educativas, até podem conseguir resultados, mas será sempre pela via do medo (castigo), onde a criança tem medo de perder o amor do adulto e reprime o comportamento. Torna-se pois, fundamental, mudarmos de paradigma. É necessário abandonar os modelos de educação pela força, pela lei do mais forte! É urgente educar num ato construtivo positivo, pela compreensão e pela atenção e disponibilidade interna dos educadores para escutarem ativamente as crianças e os seus apelos!

Acima de tudo, educar com amor e humildade.

imagem@vix

Revisto por Babelia Traduções para Up To Kids®

logobabelia

 

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Não havendo uma fórmula para as evitar na totalidade, há formas de lidar com as crianças. Ensinando-as a gerir melhor as emoções conseguem  acalmar as suas próprias ansiedades.

Ficam três dicas simples que o vão ajudar:

  1. Antecipar

Antecipar alguns momentos do dia-a-dia é fundamental para que tudo aconteça duma forma mais tranquila. Se vai a casa dos avós e tem de sair mais cedo explique-lhe o que vai acontecer de preferência antes de sair de casa. Planeie o dia para que o seu filho não seja apanhado de surpresa. Quanto mais as crianças tiverem o seu dia planeado, também elas gerem melhor o que sentem. Caso contrário, vai estar a brincar com os primos e, de repente, os pais dizem: “vamos embora”. Para a criança é um atentado à diversão e gera-se um problema. No entanto, se já estiver preparada irá lidar melhor com o que sente e mesmo que faça uma birra, não sente que foi uma traição dos pais.

  1. Olhos nos olhos

Quanto tempo consegue falar com o seu filho a olha-lo nos olhos? Sem as distrações do telemóvel, da televisão, da máquina da roupa ou o jantar para fazer? Criar o hábito de ter um espaço de conversa com o seu filho vai dar-vos uma oportunidade de se conhecerem melhor, de partilharem o que pensam e sentem e, acima de tudo, vai passar a mensagem ao seu filho de que se preocupa com ele. Quanto mais cedo na relação houver este espaço mais fácil será a comunicação entre os dois. Se a criança for muito pequena, esta conversa pode ser uma brincadeira com um simples brinquedo, de forma a que a atenção não seja exclusiva para o brinquedo mas sim para a relação entre os dois.

  1. Atenção

Se o seu filho está a fazer uma birra porque quer um brinquedo, uma ida ao parque ou a casa dos avós, está a exigir atenção. A melhor forma de o fazer entender que não é possível satisfazer o seu desejo nessa altura é baixar-se, colocar-se ao nível dele, olhá-lo nos olhos e falar com um tom de voz calmo.

Lembre-se que se responde com frustração ou impaciência vai gerar ainda mais frustração. O que o seu filho lhe está a dizer é “nunca olhas para mim, nunca queres saber de mim, só fazes o que tu queres”. Mantenha-se calmo e devolva-lhe aquilo que ele sente. “Eu sei que estás chateado comigo porque queres ir ao parque, mas neste momento não vai ser mesmo possível porque tens de ir tomar banho e jantar”.

Não prometa ir no dia seguinte porque os imprevistos acontecem e as crianças não se esquecem do que lhes foi prometido.

Este tema surge muitas vezes nas sessões de psicologia com os pais. As birras são uma situação recorrente nas famílias e de difíceis contornos quando já está instalada. Isto provoca um desgaste emocional muito grande para todos. As birras são naturais, a não ser que se tornem muito repetitivas e persistentes. Nesse caso poderão ser um sintoma de que algo está a correr menos bem.

O mais importante é apostar na relação de confiança e partilha. Garantir que os pais são o adulto na relação (muitos pais acabam por ceder às birras cabendo no fim o poder de decisão à criança), ter calma suficiente para lidar com os imprevistos, e incluir o seu filho nos planos preparando-o para a dinâmica dos vossos dias.

 

 

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Se ao provérbio “No meio é que está a virtude” podemos atribuir muita verdade e aplicação em diferentes contextos das nossas vidas, quando falamos de Parentalidade, mais concretamente de estilos parentais, este dito popular não é excepção.

Desde o primeiro dia (e até antes) em que nos tornamos pais e mães, que queremos ser os melhores Pais do Mundo, estando desde logo perante o desafio de encontrarmos o equilíbrio, e vivermos com ele de forma confortável, entre o que idealizamos que é um pai ou mãe perfeitos (sabendo de ante mão que a perfeição não existe, claro está) e o pai ou mãe que realmente somos.

Importa saber que, apesar de a nossa identidade parental ir-se construindo e moldando ao longo do crescimento e desenvolvimento dos nossos filhos, e do nosso enquanto pai ou mãe, a forma como exercemos a Parentalidade é, em larga medida, influenciada pela forma como fomos educados pelos nossos Pais.

E no que é que isto se traduz? Bom, os estudos dizem-nos que das duas uma: ou repetimos o que aprendemos com os nossos Pais, sem grandes questionamentos ou modificações de maior, ou fazemos precisamente o contrário, e aquilo que achamos que faltou na nossa educação, pecamos por excesso e damos em dobro aos nossos filhos.

Assumindo que na parentalidade (e na vida em geral) nada é assim linear, e que múltiplos outros factores têm que ser tidos em conta na construção do nosso estilo parental, como as características de personalidade, experiências, vivências, modelos, etc., falemos então de dois tipos de educação, completamente antagónicos – a educação autoritária e a educação permissiva.

Numa educação predominantemente autoritária, os Pais dão muitas ordens e impõem muitas regras, que não são explicadas nem negociadas com os filhos, não se respeitando, assim, as necessidades e opiniões das crianças. Pais autoritários não investem na comunicação e na expressão dos afectos, estando pouco disponíveis para os seus filhos, recorrendo frequentemente ao uso das palmadas, das ameaças, dos castigos, dos gritos e do medo, como forma de controlar a criança.

Do outro lado, temos os Pais permissivos. Estes são Pais que exibem altos níveis de comunicação, que estão disponíveis para os seus filhos, muito afectuosos, mas que apresentam muitas dificuldades na colocação de regras e limites.

Dizer um não firme e consistente é difícil para estes Pais, que não fazem exigência de comportamentos maduros por parte da criança, nem são muito bons na supervisão do cumprimento das normas. Muito centrados na criança, os Pais Permissivos tendem a adaptar-se aos seus filhos procurando identificar e satisfazer as suas necessidades e exigências.

E depois temos o meio-termo, o tal meio virtuoso – a parentalidade positiva

Aqui os Pais aceitam a criança tal como ela é, respeitando-a na sua individualidade, proporcionando-lhe amor e carinho, incentivando o diálogo e uma comunicação clara, aberta, bireccional, ao mesmo tempo que estabelecem regras e limites, pelos quais a criança se possa orientar. Na educação positiva as regras estabelecidas na família são negociadas (quando assim o puderem ser) e explicadas à criança, promovendo-se assim, a cooperação em detrimento da simples obediência.

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Educar os nossos filhos, sem ser de uma forma punitiva, com ameaças, castigos, humilhações e violência, nem de uma forma permissiva, sem regras e limites, não é tarefa fácil. Mais uma vez, o equilíbrio não surge assim do nada. Há que tentar, errar e voltar atentar. O segredo? Não sei. Mas se tivesse que deixar aqui uma sugestão, seria a de tratem os vossos filhos como gostariam de ser tratados. Respeitem-nos, amem-nos e o resto…., bom, o resto vem…

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Se o seu filho o tira do sério, isso pode ser sério
Na verdade as crianças não “tiram os adultos do sério”.
Os adultos já estão “fora do sério”.
Os adultos vivem “fora do sério” por questões pessoais!
Pelas suas próprias frustrações, preocupações, medos, mágoas, receios, pressa, pressões externas e internas. Os adultos estão constantemente fora de si, desarmonizados, encolerizados, contidos, como bombas prestes a explodir.
O que acontece é que mais facilmente se deixam explodir quando precisam lidar com alguém mais frágil, indefeso e que não precisam temer uma retaliação…
Por isso, antes de se permitir “sair do sério” com uma criança, reflita se você não está já “fora do sério” por outras razões na sua vida, razões que só você pode (e deve) tentar mudar!
Talvez seja a vida stressada, cheia de horários controlados por segundos preciosos, que não podem ser “perdidos” por causa de uma criança, que precisa de andar mais devagar para olhar para as pedras da calçada.
Talvez sejam as contas para pagar e os prazos para cumprir, que consomem, além da sua energia física, uma preciosa tranquilidade mental, tão necessária para desfrutar a companhia dos filhos.
Talvez sejam as expectativas pessoais, que visam sempre um futuro melhor, mas fazem esvair por entre os dedos qualquer possibilidade de viver o agora, e tal impossibilidade grita através do choro dos filhos, que imploram neste momento a atenção de hoje.
Os adultos estão constantemente “fora do sério” por causa das mágoas do passado, da pressa no presente e das angústias do futuro!
E as crianças, na verdade, precisam de muito pouco. No entanto, o pouco que precisam é algo que se tornou muito difícil para nós, adultos darmos! Precisam de tempo de qualidade, de olhar calmamente, de presença verdadeira, sem TV ligada, sem atender o telemóvel a meio da brincadeira, precisam de uma volta no bairro sem um “despacha-te”.
As crianças não nos tiram do sério, não nos cobram nada, é que nós, preocupados, ansiosos e infelizes, nos sentimos cobrados internamente, e quando uma criança nos pede algo simples, lá no fundo sentimos vergonha, pois descobrirmos que somos, ou estamos, incapazes de realizar até as coisas mais simples.
São as coisas simples que carregam em si as maiores alegrias. As nossas escolhas, conscientes ou não, determinam muitas coisas nas nossas vidas, e as crianças chegam depois de muitas dessas escolhas já estarem solidificadas; e chegam no meio de um turbilhão de preocupações, prazos, horários, dívidas e metas, chegam silenciosas no meio de mil vozes que nos dizem que são elas, as crianças, que precisam de se adaptar e de se encaixar. As crianças chegam e pedem-nos um pouco do nosso tempo, passos mais lentos, olhares mais atentos, abraços sem pressa, sorrisos sem limites…
Chegam e mostram-nos que nem nós deveríamos aceitar encaixar-nos na vida atribulada e vazia que nos consome na mesma medida que consumimos cada dia sem sentir, sem perceber.
As crianças não nos cobram. As crianças mostram-nos que estamos incapazes de desacelerar, de sorrir, de contemplar, de cantar ou dançar, de respirar e suspirar, de sentir alívio ou paz. E em vez de refletirmos sobre nossas escolhas, que podem não ter sido as melhores até então, mas que podem melhorar, ou até mesmo serem diferentes a partir de agora, nós “preferimos” ralhar com as crianças, bater nas crianças, “sair do sério” com as crianças!
Os filhos lembram-nos constantemente sobre o que realmente importa, especialmente quando não queremos que nos lembrem dessas coisas. Os filhos querem apenas um pouco mais de nós! Mas isso tornou-se quase impossível, porque perdidos entre as experiências do passado, a pressa no presente e o medo do que virá amanhã, nem tão pouco conseguimos lembrar-nos de quem somos, ou de quem queríamos ser…
Não nos lembramos de quem somos no meio de tantas preocupações e angústias!
Precisamos de refletir não só sobre os adultos que nos tornamos, mas sobre as crianças que nós um dia fomos!
Tentar lembrar-nos daquilo que sentíamos, o que desejávamos, o que era importante para nós quando éramos pequenos!
Não existem crianças que precisem de apanhar para aprender, o que existe, infelizmente, são adultos que precisam de bater, e que batendo, acreditam que estão a ensinar algo bom.
Bater, agredir, gritar, deixar chorar, apressar, negar, brigar, culpar, ignorar…
E isso tudo por causa das suas próprias questões pessoais.
É difícil e trabalhoso perceber se o problema no comportamento da criança pode ser a escola que ela é obrigada a frequentar, é muito difícil e trabalhoso perceber se o problema pode ser o ritmo acelerado da vida que nós escolhemos.
Pode ser trabalhoso perceber que o problema pode ser as pessoas que rodeiam as crianças.
Pode ser difícil e doloroso perceber que o problema podemos ser nós próprios.
Por isso, e por muitas outras coisas, decidimos que o problema é a criança, e por não conseguirmos mudar o contexto que nós vivemos, tentamos mudar a criança.
Romper com o passado, mudar o presente e temer menos o futuro, pode dar muito trabalho!
Então, decretamos que são as crianças que nos tiram do sério.
Quando cuidar e educar se limita a fazer dos filhos aquilo que nós queremos, quando se limita a enquadrá-los à força dentro de uma rotina alucinada, perdemos toda a leveza, a liberdade e a alegria.
Tudo se torna extenuante, e até aquilo que é natural é entendido como se fosse um problema.
Existem métodos, dicas de disciplina positiva que podem indicar o caminho, mas não há soluções prontas, especialmente se o que os pais procuram é um método milagroso que elimine todo e qualquer conflito.
As situações tensas, os embates, as crises, vão sempre existir, e são iguais em todas as famílias, o que difere é a capacidade que algumas pessoas tem de lidar com elas de uma forma mais leve e produtiva.
Não adianta querer resolver de imediato. E atualmente todos sofremos deste mal, queremos ser atendidos imediatamente, queremos que as encomendas cheguem o quanto antes, queremos que a fila ande o mais rápido possível, nós, os adultos, queremos que o link abra em um segundo, queremos o resultado já, agora, neste instante. E no que diz respeito a relações humanas, o tempo de resposta não está na velocidade de um clique, a resposta está na confiança que se planta a cada dia, mas se colhe num tempo que não podemos controlar. Criar e educar é uma construção diária, lenta, trabalhosa, que se prolonga por todo o tempo que durar a relação, ou seja: provavelmente a vida inteira.
O diálogo, a confiança e o respeito constroem-se no dia a dia, nas coisas simples, através dos detalhes.
Algo que aparentemente não deu certo numa determinada situação pode ter sido uma semente a germinar e gerar frutos benéficos num futuro próximo ou distante.
Nada se perde no que diz respeito aos cuidados com os filhos!
A maioria das situações de conflito que surgem, especialmente as rotineiras, as que se repetem, podem ser evitadas e contornadas.
Os momentos de crise, de embate entre pais e filhos, podem ser superados de forma harmónica e construtiva, isso se houver um pouco mais de paciência, boa vontade, autoconhecimento e tempo, coisas que dependem dos adultos e não das crianças.

Carl Gustav Jung já dizia que se encontrar algo que gostaria de mudar numa criança, deveria antes questionar-se se não há algo que deveria mudar em você mesmo.

Antes de erguer a voz a uma criança, reflita sobre o quanto está a ouvir a sua própria voz interior, e se está a ser capaz de compreender o que esta voz lhe diz.

Antes de levantar a mão a uma criança, reflita sobre o quanto está a levantar a mão para mudar o que não está bom, dentro e fora de si… Que nos sirva apenas de alerta, ou como um convite para refletirmos, que há sempre muito a mudar em nós próprios, quando temos o ímpeto de mudar algo numa criança!

Por Luzinete R. C. Carvalho (Psicanalista), psicanalista, em Visão Clara
Adaptado por Up To Kids®

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As crianças sentem tudo muito intensamente, muito apaixonadamente. E há algumas que as sentem ainda mais intensamente do que outras.

O córtex frontal de uma criança pequena ainda não está suficientemente desenvolvido de forma a que consiga controlar-se quando está aborrecida. E por isso chora, explode, entra no loop de pranto. Simplesmente não tem ferramentas para gerir sozinha as suas emoções. E é aí que mais precisa da nossa ajuda. Da nossa calma. Do nosso auto-controlo. Do nosso amor. Da nossa empatia. Da nossa amizade.

Mas muitas dessas manifestações podem ser evitadas, uma vez que são expressão de impotência, de frustração, de uma necessidade, de um medo, de necessidade de controlo. Mesmo que não o entendamos. Chamo-lhe manifestações porque não me parece que as pessoas sejam rótulos ou categorias e porque não acredito na simplificação das emoções a termos tão redutores como birras. As emoções são um sistema bastante mais intrincado do que meramente uma categoria ou um rótulo. E é preciso acabar com os rótulos antes que os rótulos acabem com os nossos filhos.

As crianças que sentem algum controlo sobre as suas vidas, que se sentem compreendidas e aceites nas suas emoções mais fortes, nos seus erros, nos seus momentos mais difíceis, em vez de serem castigadas ou repreendidas, manifestam-se desta forma com muito menos frequência.

A chave está em observar, prevenir as situações ou dar-lhes a volta. Assim como a água contorna os seus obstáculos em vez de enfrentá-los, assim nós devemos agir nos momentos menos bons dos nossos filhos.

Por exemplo, crianças que estão cansadas, com sede ou com fome tem muito menos recursos internos para lidar com a frustração. Se elas sentirem que podem ter o seu tempo para recuperar, se souberem que nós estamos lá para lhes dar espaço ou colo, se lhes mostrarmos empatia e amor, isso vai dar aos nossos filhos ferramentas para que consigam lidar com os seus sentimentos e aprender a regular as suas próprias emoções. Com o tempo. É preciso semear e colher com paciência.

Conhecendo bem os nossos filhos, apesar das imprevisibilidades inerentes ao ambiente, ao desenvolvimento cognitivo, físico e afectivo, sabemos bem o que desencadeia essas manifestações.

Há passos que podemos seguir para que consigamos, nestas alturas, regular as nossas emoções para não perdermos o controlo da situação e não entrarmos nós próprios, numa montanha russa de emoções.

  1. A primeira coisa a fazer, chamo-lhe, passo zero é respirar. Respirar muito ao longo de TODA a situação, de TODO o momento. Lembre-se que são os seus filhos que estão a ter um momento difícil e que simplesmente não conseguem controlar as suas emoções. É nestes momentos que os nossos filhos mais precisam de nós e que estejamos calmos. Respire e pense: Os meus filhos NÃO SÃO este momento que estão a ter. Os meus filhos ESTÃO A TER um momento difícil e eu estou aqui para ajudá-los. Apenas ajudá-los a lidar com este momento.

Isto irá colocar-nos no mindset certo para conseguir não apenas gerir melhor os seus filhos como também gerir as nossas próprias emoções. Depois de respirar, respire ainda mais e mantenha um tom calmo.

  1. Redireccione os seus filhos para outra coisa em vez de alimentar a situação negativa. Nem sempre é fácil, mas foque-se no positivo. Diga que precisa de ir ali beber um copo de água, porque está com sede. Não deixe que as suas próprias emoções tomem conta de si. Redireccione para outra coisa. Pura e simplesmente.
  1. Observe e tente aperceber-se se os seus filhos estão cansados ou com fome. Deixe de lado as lutas de poder. Não temos de provar que estamos certos só porque somos pais. Podemos – e devemos – ser flexíveis. Os nossos filhos têm direito a manifestarem-se e a mostrar-lhe que são pessoas com capacidade e poder no mundo. Não é nenhum erro nem falha ser flexível, apesar de a maioria de nós termos sido ensinados que os pais não podem ceder. Podem ceder –  devem ceder – se sentirem que o pedido dos filhos, no cenário geral do seu crescimento – e não naquele momento em particular – não compromete a saúde, a segurança ou os direitos dos outros.
  1. Quando uma criança fica zangada ou perde o controlo, lembre-se que toda a raiva é uma defesa contra outros sentimentos desconfortáveis, como a vulnerabilidade, o medo, a mágoa, tristeza. Se conseguir chegar a esses sentimentos que estão escondidos a raiva dissipar-se-á. Pode perguntar: “Pareces zangado. Estás?” Deixe o seu filho responder. Escute. Com atenção. “O que posso fazer para te sentires melhor?” E o que quer que ele responda, devemos ouvir e aceder. Desde que – mais uma vez – não comprometa a segurança, a saúde ou os direitos dos outros. Provavelmente irá ouvir respostas como “um abraço” “um beijinho” ou “que brinques comigo”.
  1. Aceite os sentimentos dos seus filhos. Aceite a tristeza tal como aceita a alegria. Ensine os seus filhos que todos os sentimentos são válidos. Apenas a manifestação, a forma como expressamos esses sentimentos é que podem – e devem – ser trabalhados. Ensine os seus filhos a explicar o que estão a sentir.
  1. Tente controlar a situação antes que ela escale. Antes de estabelecer o limite ou antes de se preocupar em estabelecer uma consequência, reconheça o que os seus filhos lhe estão a pedir. “ Eu sei que tu querias muito….” E que ficaste triste/zangada porque …. Não foi? Precisas de um abraço?” ou “Como é que tu achas que podemos resolver esta situação?”
  1. Dê-lhes colo, se lhe pedirem ou ofereça-lhes o seu colo se vir que precisam.

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Quanto mais valorizadas as crianças sentirem que são as suas opiniões, menos necessidade terão de manifestar-se negativamente. Não somos assim também?

As palavras têm muito poder. E o que dizemos, a forma como dizemos ecoa na cabeça dos nossos filhos por toda a sua vida.

As flores não crescem em jardins de pedras. Precisam da ternura,  da suavidade, da magia das gotas de água da chuva para crescerem fortes e  saudáveis. É a chuva que faz com que cresçam bem. Não a trovoada. Lembre-se disto sempre.

Por isso, use estas dez pequenas gotas de água  – mágicas – para regar os vossos pequenos diariamente, ajudando-os assim, a  desenvolverem-se com a cabeça limpa.a sentirem-se amados. Compreendidos.  Conscientes, preparados, mas com a cabeça saudável para que consigam chegar onde querem nas mais pequenas coisas. E saber lidar com as emoções é talvez o exercício, o teste, o desafio mais complexo de toda a vida. E quanto mais praticarmos, melhor. Um passo de cada vez. Um momento de cada vez.

As crianças sentem tudo muito intensamente, muito apaixonadamente. E há algumas que as sentem ainda mais intensamente do que outras. E é aí que mais precisam do nosso amor.  Com estas pequenas frases mágicas estarão a semear a semente mais valiosa, aquela que vos vai envolver com os vossos filhos nos seus momentos mais difíceis. Para que consigam ser o melhor que podem ser. Sem serem perfeitos. Porque todos cometemos erros, temos acidentes, sentimos medo,  muitas vezes nos sentimos desmotivados, cansados ou com fome.

E as crianças são iguaizinhas a nós. Apenas com uns centímetros a menos. E isso é fundamental lembrar sempre.
Tente aplicar as 10 frases mágicas que ajudarão os seus filhos:

Juntos conseguimos!”

Somos capazes de resolver problemas. Vamos encontrar uma solução.”

“Nós nunca desistimos”

“Posso ajudar-te?”

“O que posso fazer para te sentires melhor?”

“Porque estás a chorar, querida? O que aconteceu?”

“Não há problema. Deita tudo cá para fora, meu amor. Falamos depois.”

“Vamos respirar um pouco para nos conseguirmos acalmar os dois.”

“Pareces zangado. Estás?”

“Vejo que estás aborrecido. Será porque…?”

“Toda a gente fica nervosa. É natural e é ok.”

“Vamos tentar outra vez, agora de forma mais calma para te conseguir ouvir melhor, sim?”

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