Às vezes as palavras são só palavras. Mas outras vezes tornam-se na nossa voz interior, num pilar imutável da nossa personalidade.

A linguagem é algo fascinante. Enquanto bebés, absorvemos os sons e tentamos audazmente reproduzir o que ouvimos da boca dos nossos pais, dos nossos cuidadores ou dos bonecos animados. E, um dia, aplicamos essas palavras e conseguimos exercer o seu gigantesco poder. A linguagem pode trazer alegria, pode pôr uma pessoa a rir e pode transformar uma sala silenciosa numa conversa animada. Mas, como todos sabemos, a linguagem tem, também, o poder de causar um impacto muito diferente. Pode provocar dor. Provocar lágrimas. Pode criar uma rutura entre duas pessoas que outrora se amaram. A linguagem é, na sua essência, uma arma poderosa.

Não me lembro da primeira vez que um dos meus filhos me disse “Eu odeio-te!” Posso dizer que, de vez em quando, ainda dizem e não me incomoda. Como pai, parte da minha função é fazer e dizer coisas que os meus filhos não gostam. Eu mando-os fazer os TPC antes de brincarem. Eu não os deixo comer doces antes de irem para a cama. Se eles me odeiam uma vez por outra, eu sei que estou a fazer um bom trabalho.

“Eu odeio-te, pai!” Eu consigo entender, esta é a única defesa deles quando estão irritados. Descarregam em mim e eu não me importo.

No entanto não é esta a expressão proibida cá em casa. Na semana passada o meu filho mais velho andava a trabalhar num avião de papel criado por ele. A brincar, atirou-o sem querer contra a parede, e o avião separou-se em duas partes e ficou irremediavelmente estragado. Vi-lhe os olhos a encherem-se de lágrimas.

EU ODEIO-ME!

Esta expressão arrepiou-me. Porque não foi a primeira vez que ele a disse. Preocupou-me porque a estava a usar com frequência. Como um vício linguístico mas que, pela frequência com que a repetia, corria o risco de começar a acreditar nisso.

Ajoelhei-me ao seu lado, olhei-o nos olhos e disse-lhe que nunca mais queria ouvir aquelas palavras, que não pode ser tão exigente consigo e que precisa de se respeitar. Eu duvido que ele tenha retido toda a mensagem, mas uma coisa é certa, aquela frase não seria mais tolerada.

A diferença entre o teu filho dizer que te odeia e dizer que se odeia a ele mesmo é que passados 5 minutos ele já se esqueceu de que te odeia. O ódio a si mesmo é potencialmente venenoso e pode ter efeitos secundários que permanecem até à adolescência ou à idade adulta. E isso não afeta apenas o próprio. O “auto-ódio” provoca impacto em todos os que o rodeiam porque produz um forte efeito de bola de neve.

Quando os miúdos começam a acreditar que se odeiam subestimam o seu próprio valor. Umas vezes entram em lutas para fazer novas amizades. Outras vezes não têm a confiança necessária para levantar o dedo nas aulas, mesmo que saibam a resposta. Em adolescentes evitam falar com os pares acabando por perder a hipótese de se conectarem afetivamente, porque assumem que irão ser rejeitados. E em adultos podem optar por não se candidatar a um emprego de sonho porque assumem que não são suficientemente bons para o cargo.

Eu sei que tudo isto pode e irá acontecer, porque esta é a minha história. Eu nunca fui uma criança confiante. Por isso acabei por me debater com os meus problemas de baixa autoestima em várias áreas: socialmente, academicamente e emocionalmente. Sempre evitei ser o centro das atenções, mesmo que fosse por um bom motivo, porque nunca tive a confiança necessária para lidar com isso. Hoje em dia, em adulto, quase expludo cada vez que penso no que eu era capaz de ter feito se tivesse acreditado em mim, em vez de dar ouvidos à voz interior que me dizia que eu não era suficientemente bom.

Eu não aguento ver os meus filhos sofrerem do mesmo mal. E eu acredito que não estou a fazer um bom trabalho enquanto pai se não conseguir evitar que os meus filhos cometam os mesmos erros que eu.

Às vezes as palavras são só palavras. Mas outras vezes tornam-se na nossa voz interior, num pilar imutável da nossa personalidade. Eu sei que para muitos pais o seu pior pesadelo é que os filhos os ouçam a dizer “palavrões” e os comecem a aplicar no seu discurso. Claro que eu não adoro a ideia de algum dos meus filhos largar um F%$#&% durante o jantar, do alto dos seus 7 anos, mas o meu grande medo não é o calão, a gíria, nem mesmo os palavrões, mas sim a linguagem de impacto negativo e duradouro que pode mudá-los enquanto pessoas.

Se usamos uma linguagem depreciativa e humilhante, quer para nós quer para os outros, causará um impacto que eu quero evitar para os meus filhos. Basicamente, eu não receio que os meus filhos usem linguagem forte. Eu receio que usem uma linguagem que os torne fracos.

Como disse a sábia escritora Peggy O’Mara ”A forma como falamos com os nossos filhos torna-se na sua voz interior (The way we talk to our children becomes their inner voice.)”

O meu objetivo é garantir que essa voz seja uma voz poderosa.

 

Por @JoeDeProspero publicado em The Huffington Post,

adapatado por Babelia Traduções para Up To Kids®

logobabelia

Uma criança difícil é, geralmente, uma criança insegura que procura reconhecimento constante.

Por trás de cada criança difícil esconde-se um caos emocional revestido de raiva e até de desobediência, que nunca é fácil de abordar por parte dos pais ou professores.

Recorrer ao castigo ou às palavras num tom mais elevado e agressivo, apenas conseguirá intensificar ainda mais as emoções negativas, a sua frustração e até a sua baixa autoestima.

Nunca saberemos o porquê de algumas crianças nascerem com uma personalidade mais complexa do que outras.

No entanto, em vez de perdermos tempo a perceber a razão para a personalidade difícil das nossas crianças, devemos entender, simplesmente, que há pessoas que têm mais necessidades, que precisam de mais atenção.

Façamos uma reflexão sobre isto.

Crianças difíceis são crianças exigentes

Uma criança difícil não ouve, não obedece e costuma reagir de forma desmedida a certas situações. Isto faz com que mergulhemos num círculo de sofrimento onde o vínculo com esta criança vai sendo carregado de tensões, ansiedade e muitas lágrimas.

Muitos pais e mães acabam por se questionar. “Serei um mau pai/mãe?” “Estarei a fazer algo errado?”

Estas questões são perfeitamente normais, mas irão apenas alimentar ainda mais a frustração. Antes de cairmos nest espiral, esperimentemos algumas estratégias.

Assumir que temos um filho mais exigente

Há crianças que crescem sozinhas, que sem sabermos como nem porquê são mais maduras, receptivas, obedientes e autónomas. No entanto, é perfeitamente normal que algum dos irmãos desta mesma criança demonstre, desde os primeiros meses de vida, mais necessidades e requeira mais atenção dos pais. São bebés que choram mais do que o normal, que dormem pouco e que vão do riso ao choro em poucos segundos.

  • Temos de assumir que há crianças “super-exigentes”. Precisam de mais reforços, mais apoio, palavras e segurança.
  • Longe de nos culparmos por termos “feito algo errado”, devemos entender queo estilo de criação nem sempre é o responsável por moldar uma criança difícil.

No entanto, é da nossa responsabilidade saber (pelo menos tentar) dar uma resposta a esta criança exigente e isso requer paciência, esforços e muito carinho.

Saber lidar com uma criança difícil

Se para os adultos já é difícil poder compreender e controlar as nossas emoções, para uma criança exigente isso será ainda mais complicado. Por isso, analisemos quais necessidades imediatas de uma criança difícil.

  • Uma criança difícil procura sentir-se reconhecida em tudo o que faz. São crianças inseguras que precisam de reforços com muita frequência. Quando não os encontram ou não os recebem, sentem-se frustradas e incompreendidas.
  • A autoestima baixa faz com que sintam ciúmes(até dos irmãos), com que procurem atenção para se sentirem bem, com que sintam tudo de forma mais intensa, nomeadamente emoções como o medo e a solidão.
  • Conforme vão crescendo, a sensação de insegurança pessoal e de falta de reconhecimento traduz-se em raiva e em reações desproporcionais quando, no fundo, o que existe é apenas medo, tristeza e angústia.
  • É necessário canalizar estas emoções e oferecer estratégias para que a criança deixe de precisar de tantos reforços externos para se sentir bem. Esta criança deve ser capaz de controlar o seu próprio mundo emocional com a nossa ajuda.

Chaves para ajudar uma criança difícil

  1. O poder do reforço positivo
    O reforço positivo não consiste em dar um abraço quando uma criança faz algo que não deve. É mais que isso: trata-se de não fazer uso do castigo ou do grito porque isso despoletará uma reação ainda mais negativa na criança.
    Devemos aproximar-nos da criança e perguntar-lhe porque teve determinada atitude, ou porque reagiu de determinada forma. Com calma, iremos explicar que o ato cometido não é correto, e iremos explicar também o porquê. A seguir, iremos indicar como devemos agir nesta situação.
    Por último, iremos fazer uso do reforço positivo:“eu confio em ti”, “eu sei que tu podes fazer melhor do que isso”, “eu apoio-te, amo-te e fico triste por te ver a ter essas reacções. Tu és muito melhor que isso, confia em ti”.
  2. Oferecer confiança, dar responsabilidades e estabelecer limites
    A criança deve entender desde muito cedo que todos temos limites, e que para ter direitos é preciso cumprir com algumas obrigações.
    É necessário que a criança se habitue a alguma rotina e que saiba o que pode esperar de cada momento.
    Uma  criança exigente precisa de segurança e se a educarmos em ambientes muito estruturados onde o reforço positivo esteja presente, iremos ajudá-la a sentir-se mais tranquila.
    Dê-lhe confiança, convença-a de que é capaz de fazer muitas coisas, incentive-a assumir responsabilidades com as quais poderá aumentar a sua autoestima.

A importância da Inteligência Emocional

Inteligência Emocional deve estar presente na criação de todas as crianças. É necessário ajudá-la a identificar as suas emoções e traduzir em palavras o que sente.

Desde muito pequenos iremos habituá-los a esta comunicação emocional falando sobre “o que se sente”. Os miúdos precisam de saber expressar a tristeza, a raiva e o medo.

Deste modo poderão desabafar emocional quando sentirem necessidade mas, para isso, devemos criar uma relação de confiança e proximidade ente pais/filho. Nunca julgue os seus filhos pelos que dizem nem se ria, em tom de gozo, deles. É necessário ser receptivo e propiciar sempre um diálogo fluido, ameno e cúmplice.

Texto original em Melhor Saúde, adaptado por Up To Kids®

imagem@INNs HOLZ

 

São palavras e expressões que são fundamentais para o desenvolvimento das crianças. Para dizer e repetir sem medo.

Se antigamente era comum os pais serem mais severos com os filhos, gritarem e até usarem a força física como forma de educar, hoje a maneira de impor limites e mostrar de quem vem a última palavra é outra (ainda bem!). Por aqui incentivamos o diálogo e uma postura firme mas nunca violenta.

Há tempos publicamos um artigo sobre “Como comunicar com os filhos de forma positiva e eficaz”.

Hoje, partilhamos este texto que destaca as palavras ou expressões que devemos dizer aos nossos filhos sem medo:

Não

Palavra simples, direta, objetiva, mas que representa muito no processo de desenvolvimento das crianças. O “não”, quando bem aplicado, tem efeito vitalício na vida das crianças. É usual os pais ficarem inseguros ao dizer Não. Afinal, ninguém quer ouvir de um filho frases como “Já não gosto da mãe”, ou “São os piores pais do mundo”. Mas, existem situações que não são negociáveis e certos comportamentos são inaceitáveis. Portanto, não podemos ter medo de pronunciar essa palavra quando percebermos que a situação pode sair do controle.

Sim

Outra palavra simples, mas de grande valia. Mais do que representar uma permissão, o “sim” transmite confiança à criança, mostra que estamos de acordo numa determinada situação. É claro que, da mesma forma que o “não”, o “sim” também tem o seu lugar. Por exemplo, se estão numa festa e o teu filho te pede para comer doces ou beber refrigerantes – sendo uma situação esporádica, a resposta pode ser positiva. Nestes casos é importante deixar claro que existem situações em que é permitido comer doces e beber refrigerantes e que esse sim não é extensível ao dia-a-dia. O bom uso do sim, também é importante para a disciplina.

Ou

Existem momentos na vida em família em que é preciso dar opções às crianças. Nestes casos o uso do “ou” é fundamental. O Ou dá-nos opções e saber escolher é um dos degraus para o desenvolvimento da autonomia, no entanto, uma autonomia supervisionada por nós. Por exemplo, se a tua filha quer ir vestida de princesa da Disney num casamento (quem nunca passou por isso?), podes propor algumas opções de vestidos. Quem vai escolher é ela, mas com a tua autorização.

A mãe não sabe

Ninguém sabe tudo, que bom! E quando nos tornamos mães/pais este facto não se altera em nada. Existem perguntas ou situações que os filhos nos fazem e que nós não temos resposta. Não tenhas medo de dizer “a mãe não sabe”, no entanto, é preciso sinceridade. Se te perguntam algo que não tens a menor ideia do que significa, responde: “Agora eu não tenho a resposta para essa pergunta, podemos investigar isso juntos? “ – Assim não só instiga a vontade e curiosidade de saber mais sobre algo, como tb cria uma atividade conjunta, ou “Agora eu não consigo decidir isso, filho. Vamos falar com o teu pai para sabermos a melhor forma de resolver essa situação? “. Admitir que não sabemos, e que também temos de pedir ajuda, é o primeiro passo para a aprendizagem.

Agora não é a melhora altura para falarmos sobre isso

Pode até parecer uma frase má para dizer às pessoas que mais amamos no mundo. Mas há momentos em que é melhor não falar do que explodir e dizer tudo e um par de botas, e da pior forma. Dizeres-lhe que naquele momento não queres falar com o teu filho, não fará com que ele pense que não gostas dele, antes pelo contrário. Quando perceberes que estás naquele momento de ebulição em que te vais transformar em Godzila , opta por dizer com calma que estás zangada/chateada e não vais falar com ele nesse momento. É honesto, verdadeiro e educativo. (Isto não se aplica a bebés e crianças muito pequenas)

Desculpa

Mesmo quando nos apercebemos que a situação está a sair do controle e nos afastamos, muitas vezes escapa-nos um grito ou exageramos na abordagem com os nossos filhos. Acontece a todos. Se viste que exageraste no “responso”, pede desculpas. Explica que, às vezes, também te descontrolas. O mundo precisa de pessoas que saibam pedir desculpa e pessoas que saibam perdoar. Pedir desculpa e perdoar transmite empatia, solidariedade e alivia a culpa (aos dois).

Obrigado

A famosa palavra mágica que tanto obrigamos a dizer também tem de ser dita por nós. Gratidão é (ou deveria ser) um dos princípios básicos para a convivência social. Quando o teu filho ajudar a pôr a mesa agradece. Quando se comportar ou mostrar que aprendeu algo, agradece. Agradece por tudo, e agradece-lhe também por ser como é.

O que é que achas?

As crianças estão em desenvolvimento e ainda não têm muita noção da forma como as coisas funcionam, mas isso não quer dizer que não tenham opinião ou personalidade. É muito comum subestimarmos a opinião dos nossos filhos acreditando que nós somos os donos da verdade. Enquanto estiverem a conversar, pergunta-lhe o que é que acha da escola, da professora, das aulas de natação. Isso estreita o vínculo familiar e possibilita que desenvolva a sua forma própria de ver o mundo, desenvolvendo a confiança em si próprio.

Ajuda-me

Ninguém vive sozinho, pedir ajuda é perfeitamente normal. Toda a gente precisa de ajuda e se temos filhos a quem podemos recorrer, ainda melhor. Existem diferentes formas de pedir ajuda às crianças e todas são benéficas para a relação. Podes pedir que guardem os brinquedos do quarto, ajudem a pôr a mesa ou apenas brinquem em silêncio por alguns momentos. Isso mostra que existe companheirismo e compreensão entre vocês.

Amo-te/Adoro-te/Gosto de ti até à lua

Esta não precisa de explicação. Diz sempre que quiseres, alto e em bom som.
É bom para quem diz e para quem ouve. Os nossos filhos agradecem.

 

Por Márcia Orsi, psicóloga especialista em Intervenção Familiar, para Pais & Filhos Brasil,
adaptado por Up To Kids®

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Filhos perfeitos, crianças tristes: a pressão da exigência

Os filhos perfeitos nem sempre sabem sorrir, nem conhecem o som da felicidade.

Temem cometer erros e nunca alcançam as expectativas elevadas dos seus pais. A sua educação não se baseia em liberdade e reconhecimento mas sim na autoridade de uma voz rígida e exigente.

Segundo a APA (American Psychological Association) a depressão nos adolescentes é atualmente um problema muito grave. Uma exigência desmedida por parte dos pais pode derivar facilmente na falta de autoestima, ansiedade, e num elevado mal-estar emocional.

É preciso salientar que essa exigência na infância deixa marcas irreversíveis no cérebro do adulto. O indivíduo cresce a achar que nunca é suficientemente competente ou perfeito no cumprimento dos ideais que lhe foram incutidos. É preciso cortar esse vínculo limitante que veta a nossa capacidade de sermos felizes.

Filhos perfeitos: quando a cultura do esforço é levada ao limite

É frequente ouvirmos que vivemos uma cultura que baseia a sua educação na falta de esforço, na permissividade e na pouca resistência à frustração.
No entanto, esta constatação não é de todo verdadeira, principalmente em tempos de crise em que os pais procuram a “excelência” dos filhos.

Se uma criança obtém 17 valores em matemática é pressionada para alcançar um 20. As suas tardes são preenchidas com aulas extracurriculares e seus momentos de ócio são limitados à procura do desenvolvimento de competências. Na maior parte das vezes isto resulta em crianças stressadas, esgotadas e vulneráveis.

“The Price of Privilege” é um livro interessante publicado pela doutora Madeleine Levine. Explica que a necessidade de educar filhos perfeitos e aptos para o futuro, culmina em criar filhos “desligados da felicidade”.

Consequências por exigir demais das crianças

Enquanto pais e educadores devemos ter em consideração que educar os nossos filhos na cultura do esforço tem um limite.

A barreira, que deveria ser intransponível é a de acompanhar a exigência com  uma igual ou superior dose de amor incondicional.

Por outro lado, os nossos filhos perfeitos serão crianças tristes que evidenciarão as seguintes dimensões:

  • Dependência e passividade

Uma criança habituada a receber muitas ordens deixa de decidir por conta própria. Assim, procurará sempre a aprovação externa e perderá a sua espontaneidade e a sua liberdade pessoal.

  • Falta de emotividade

Os filhos perfeitos inibem as suas emoções para se ajustarem ao que “tem que ser feito”e toda essa repressão emocional traz graves consequências a curto e longo prazo.

  • Baixa autoestima

Uma criança ou um adolescente habituado à exigência externa não tem autonomia nem capacidade de decisão, desenvolvendo uma autoestima muito negativa.

A frustração, o rancor e o mal-estar interior podem traduzir-se muito bem em instantes de agressividade.

A ansiedade é outro fator característico das crianças educadas na exigência: qualquer mudança ou uma nova situação gera insegurança pessoal e uma elevada ansiedade.

Pais exigentes Vs pais compreensivos

A necessidade de educar “filhos perfeitos” é uma forma subtil e direta de dar ao mundo crianças infelizes. A pressão da exigência irá acompanhá-las sempre, principalmente se a sua educação for baseada na ausência de estímulos positivos e de afeto.

Fica claro que como mães/pais todos queremos que nossos filhos tenham sucesso, mas acima de tudo que sejam felizes.

Ninguém quer que os filhos desenvolvam uma depressão na adolescência ou que sejam tão exigentes consigo próprios que não se permitam a aproveitar, a sorrir ou cometer erros.

Características gerais

  • Os pais muito exigentes e excessivamente críticos apresentam uma personalidade insegura que precisa de sentir controlo sobre tudo.
  • Os pais compreensivos “impulsionam” seus filhos para a conquista, permitindo explorar, sentir e descobrir. São guias e não colocam fios nos seus filhos para movê-los como marionetes.
  • O pai exigente é autoritário e leva um estilo de vida rigoroso, com horários definidos e invioláveis. Indica regras e decisões para economizar tempo através do “porque eu sei que é melhor para ti”, ou “porque eu sou o teu pai/mãe”.

Concluindo: educar é exercer a autoridade, mas com bom senso. É usar o afeto como antídoto e a comunicação como estratégia.

 

Por Valeria Amado, em A mente é maravilhosa, adaptado por Up To Kids®

imagem@etsy

As tarefas domésticas são atividades essenciais na educação de crianças independentes, organizadas e responsáveis. Ao incluir os seus filhos nestas tarefas desde pequenos está a educá-los para a vida, ensinando-lhes a importância da organização e da cooperação.

Os benefícios de envolver as crianças nas tarefas domésticas vão desde a disciplina à solidariedade – aprendem a trabalhar em equipa, com os pais ou irmãos, para o objetivo comum que é manter a casa organizada. E ao ser-lhes atribuída uma responsabilidade relacionada com tarefas fora do universo infantil, as crianças também ganham autoconfiança e desenvolvem a sua autoestima.

Dependendo da idade, há diferentes tarefas que podem ser introduzidas no quotidiano de uma criança.

2 a 3 anos

São crianças ainda pequenas, mas já podem começar a ajudar com as tarefas mais simples. Os pais precisam apenas de estar disponíveis para lhes ensinar todos os passos com calma e de ter alguma paciência.

  • Arrumar os brinquedos, livros e jogos depois de usados.
  • Ajudar a fazer a cama.
  • Limpar o pó de móveis ao seu alcance.
  • Varrer a cozinha com uma vassoura pequena.
  • Ajudar a limpar bebidas entornadas ou comida espalhada.

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4 a 5 anos

Nesta idade as crianças já começam a assimilar melhor a importância da organização e limpeza. Os pais podem introduzir, além das tarefas anteriores, outras tarefas de mais responsabilidade e que as crianças possam fazer com menos supervisão.

  • Ajudar a alimentar e a cuidar dos animais de estimação.
  • Pôr e levantar a mesa às refeições.
  • Colocar a roupa suja dentro da máquina de lavar.
  • Ajudar a lavar o chão com uma esfregona.
  • Ajudar a guardar as compras do supermercado.

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6 a 8 anos

Estas crianças já estão na escola, já começam a saber ler e escrever e precisam de tarefas domésticas mais estimulantes, que possam iniciar e terminar sozinhas, para não perderem o interesse em ajudar os pais em casa.

  • Separar a roupa suja. (Pode consultar os símbolos de lavagem na Cleanipedia.)
  • Dobrar e guardar a roupa lavada.
  • Arrumar e ajudar a limpar o quarto.
  • Ajudar a preparar refeições (fazer sandes, lavar legumes, fazer bolos).
  • Deitar o lixo fora.
  • Ajudar a lavar a loiça.

tarefas-criancas

9 a 12 anos

Nesta fase as crianças sentem-se mais independentes, confiantes e orgulhosas de partilhar as tarefas domésticas com os adultos. E como são mais velhas requerem uma aprendizagem mais avançada, por isso os pais já podem ensiná-las a trabalhar com alguns eletrodomésticos, por exemplo.

  • Aprender a usar a máquina de lavar roupa e a de lavar loiça.
  • Mudar os lençóis da cama.
  • Ajudar a estender e a apanhar a roupa.
  • Ajudar a limpar a cozinha e a casa de banho.
  • Ajudar a lavar o carro.

E se precisa de mais dicas para estimular a organização nos seus filhos leia Como estimular a organização nas crianças!

 

Por Joana Teixeira para Up To Kids®

Imagens@pixbay/stocksnap

Meditação para crianças

A meditação é uma das técnicas mais simples das terapias complementares. Durante os momentos meditativos o cérebro trabalha na sua forma mais subtil e correspondente ao estado de descanso. É neste estado mental que nos encontramos mais calmos, serenos, controlamos melhor as nossas emoções e sentimentos.

Muito breve seremos um planeta onde a regeneração será automática, o Ser humano com consciência que é ou seja, luz e energia, todos os seus habitantes deixarão de evoluir pelo sofrimento. Para que tal aconteça uma reforma implacável que pode até ser dolorosa para alguns, está já em movimento.

Respeitar a vida e ter bom controlo da sua própria vida é fundamental. Crianças que fazem Meditação trabalham o magnetismo, como resultado ficam mais fortes. É resultado do bom trabalho energético que começa a crescer e estar presente na aura. Desta forma, a criança atrai para si melhores situações e melhores pessoas.

A meditação aplicada as crianças é cada vez mais recomendada por todo o mundo. A meditação ajuda a minimizar ou mesmo transformar questões hoje tão faladas como falta de aproveitamento escolar, hiperactividade, défice de atenção, mau comportamento, distúrbios depressivos, dificuldades ou perturbações do sono e fortalecimento da auto-estima e auto-afirmação.

Sempre que o estado meditativo é exercitado, o estado criativo abre e é desenvolvido. Por este motivo além do exercício de meditação pode acontecer um conjunto de algumas actividades como construção de mandalas, pintura, moldagem, ou canto. Esta é uma área onde o Ser pode desenvolver a sua criatividade e tirar partido dela.

A respiração é vida, saúde, bem-estar, alegria e boa disposição. Aprende por isso respirar bem pois pode ser útil em situações de emergência, acidentes, medo, stress, choro, ou qualquer desorientação.

Gostar e estimar o corpo físico, comendo bem, dormindo bem e tendo cuidado com uma disciplina regular de exercício é fundamental para que se sinta bem consigo mesmo. Na meditação são explicadas algumas técnicas de postura que facilitam a concentração e reduzem o stress. Para respirar bem e manter o corpo saudável este deve ter uma postura correcta e direita para que a coluna vertebral seja respeitada.

As crianças precisam de exemplos activos e de boa consciência. Nascem mais inteligentes que nunca. Com maior visão e sabem enquanto almas mais do que os pais e professores. A Meditação pode colocar todos no mesmo patamar de conhecimento e consciência facilitando assim o processo de relacionamento.

É difícil para uma criança conseguir meditar por muito tempo seguido. Meditar por breves momentos mas regularmente é mais eficaz. O importante é a aprendizagem da disciplina e saber respeitar momentos de interiorização e de silêncio. O esforço do adulto em acompanhar a criança vale imensamente a pena. A criança torna-se mestre de si, da sua vida, fica mais independente e mais alegre.

O desenvolvimento gradual que ocorre com as aulas de Meditação tornam o carácter da criança mais sólido e ajuda por isso a que ela atinja mais facilmente os seus objectivos. Um Ser que consegue atingir os objectivos que o faz feliz e que são necessários, como boas notas na escola é mais confiante e tem mais tempo para criar e pesquisar outras actividades ou conhecimentos.

Crianças que Meditam encontram dentro de si a segurança e a firmeza de propósitos já não dependem tanto dos adultos. Torna-se mais independentes e mais sábia nas suas escolhas. Ouve a sua intuição com facilidade por esse motivo estão mais protegidas. O amor desenvolve-se à medida que temos mais confiança, mais estabilidade.

As crianças reagem por medo ou por reconhecimento. O reconhecimento marca, tal como o medo, mas pela positiva. Fazer Meditação pode ser em casa, no jardim, na escola. São viagens a tua procura e para a tua educação. Mergulhos no escuro que se faz claro.

As crianças precisam de disciplina e parâmetros para saber como viver neste planeta, esta é a função do adulto. A Meditação pode trazer esta educação e funcionar ainda como uma excelente forma de auto conhecimento.

Saber quais as suas reais capacidades e fazer uso delas, aperfeiçoar o que é mais difícil, não só o torna um Ser mais completo, como constrói a auto estima e magnetismo.

Na escola

A escola é um local de crescimento e criatividade deve por isso ser um aparelho flexível e enquadrar novas formas de pensar e de trabalhar. Quem orienta as linhas de organização da educação deve meditar e recordar como foi quando era criança. Professores devem meditar e assim alcançar paz para conseguir novos dias, novos métodos uma renovação que aguarda dias de criatividade e boa vontade para nascimento de uma nova escola.

Em conclusão…

Todos são unânimes em dizer que vivemos momentos de crise mundial. Momentos de crise tornam o homem mais sábio, mais responsável, mais criativo. O interior de uma criança é suave e original, momentos de sabedoria para quem está atento. Aprenda com eles. Faça Meditação em família, aprenda a ouvir os mais novos, cresçam em conjunto e deixe-se contagiar.

 

Os medos que transmitimos ao nossos filhos

Mãe, o mundo é mesmo assim tão assustador?

Perguntando desta forma vais dizer-me que não; que não tem nada de assustador; de que é que eu tenho medo (?); que não devo preocupar-me, etc, etc… De seguida, vais a correr para a avó / meu pai / tua melhor amiga, fazer da minha simples pergunta, a tua maior preocupação e angústia.

Não te preocupes, mãe, que eu nunca ouvi essas conversas que tens com eles… pelo menos, não sempre… nem inteiras! Mas percebo quando não estás bem e sinto quando estás preocupada.

Sabes? Na verdade, a minha pergunta é só um reflexo das tuas atitudes. Imagina que tens a minha idade, e que delegas na tua mãe (naturalmente) a tua vida e, portanto, a tua segurança.

Agora, imagina, também, que a tua mãe passa grande parte do tempo a avisar-te de coisas como:

Não saltes daí, senão cais;

– Cuidado com os degraus, caso contrário tropeças;

– Veste o casaco ou vais constipar-te;

– Bebe mais água porque o corpo precisa;

– Sai do Sol, que faz mal à cabeça;

– Baixa o som. Cuidado com os ouvidos;

– Não corras, porque escorregas…

– …

E a lista podia continuar. Ah! E aquele “eu não te avisei?! Pronto! Não chores!!!” Não te parece difícil?

Querida mãe,  para mim, cair, tropeçar, escorregar, sentir o Sol, os ouvidos invadidos pelo som e, até mesmo, constipar-me, são experiências de vida. E chorar é o culminar dessa experiência – assim à laia daquele “visto” que se coloca no fim de uma tarefa concluída, sabes? Gostava de não te sentir tão aflita com tudo!

Eu percebo que queiras proteger-me mas, se a protecção fica tão revestida de preocupação, ao ponto de quereres antecipar (para evitar) tudo o que pode acontecer, passas-me a mensagem subliminar de que o mundo – que eu quero e devo explorar e descobrir –  pode ser menos interessante, e mais perturbador.

Os teus cuidados são úteis e necessários e eu preciso deles para crescer forte e saudável. Mas, preciso também, da tua tranquilidade e descontração – para que o meu crescimento forte e saudável seja, não só em termos físicos, mas também emocionalmente. Para eu sentir a força interior (auto-confiança) de explorar o mundo sem retracções, e poder enfrentar cada mudança / cada nova etapa sem ficar assustado.

Os alertas frequentes revelam a tua insegurança no mundo exterior – ou, pelo menos, assim eu interpreto – e causam-me desconforto e desconfiança face à novidade.

Combinamos uma coisa: fazemos isto juntos! Vamos acreditar que:

– quedas, tropeções e escorregadelas são marcas de felicidade na pele;

– o choro de dor, é só para ter o teu colo e sentir o teu apoio e amparo que alivia tudo (mas não vale dizeres “não chores!” Senão, volto a sentir a tua angústia! Se me dói, por que é que não posso chorar?)

– o Sol no parque, quando estou a divertir-me tanto, significa só um acréscimo de vitamina D, boa?

– e as constipações, além de não serem um mal maior, pode ser que melhorem o meu sistema imunitário (acreditemos!)

Assim, se não estiveres sempre a tentar evitar tudo, mostras-me a tua serenidade em cada novo passo meu, e eu sinto o desejo de explorar, com a auto-confiança que tu me transmites!

Do teu filho agradecido

P.S.: Tu consegues!!!

 

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10 coisas que devemos dizer aos nossos filhos sem medo

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Hoje escrevo sobre ti

Hoje quis mesmo escrever sobre ti, sobre o orgulho que tenho pela caminhada que fizeste, pela enorme admiração que mesmo nos momentos mais difíceis sempre tive por ti, pela forma como me encanta ouvir-te falar e acima de tudo pela pessoa que és!!!

Faz dois anos que entrou no meu consultório, uma jovem de 16 anos, que utilizava a franja para que eu não pudesse focar os seus olhos desconfiados, mas com muita necessidade de falar. Apesar da queixa base apresentada pela mãe, muito preocupada com os sintomas de isolamento, agressividade, baixa autoestima e ainda alguns episódios de automutilação, para ela a sua principal preocupação centrava-se na sua ansiedade, que considerava ser um dos principais fatores que interferia na sua qualidade de vida, nos seus relacionamentos interpessoais e no cumprimento das suas tarefas, nomeadamente as escolares.

Na verdade a sua vida estava totalmente virada do avesso e ela estava a ser “engolida” pela sua ansiedade, pelo medo que a vida lhe tinha literalmente cristalizado em todas as células do seu corpo….

Precisava de aprender a confiar, a relaxar, a amar e a deixar-se ser amada, para poder pouco a pouco ir-se libertando das amarras do medo e mudando as lentes com que via a vida. Vivia em permanente estado de sobressalto, de tensão e evidenciava todos, ou quase todos, os sintomas físicos decorrentes da ansiedade.

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A importância de fazer programas adaptados às idades e gostos dos miúdos, passa não só pelo seu desenvolvimento e aprendizagem, mas também pela saúde mental dos pais. Passo a explicar: os filhos são criaturas muito persuasivas, e normalmente pouco pacientes. Se andam constantemente agregados aos programas de adultos dos pais, acabam por se tornar maçadores, embirrentos, cansativos e muitas vezes insolentes, pela falta de convivência com crianças fora do âmbito escolar.

Aos fins-de-semana, é uma óptima opção para a família. Já que eles acordam (muito) cedo, não restando grandes hipóteses de descanso, mais vale sair de casa e participar numa atividade infantil. Não como obrigação ou por regra, mas por opção.

Normalmente as oficinas são de curta duração, cerca de 1h, e muitas realizam-se de manhã, não ficando a família  todo o dia a “reboque” da própria oficina/atelier.

QUAIS AS MAIS VALIAS PARA AS CRIANÇAS?
As actividades estão maioritariamente ligados ao uso das mãos e do tacto, ajudando a desenvolver em primeira análise a expressão plástica manual e as motricidades finas e grossas em idades do pré-escolar.

Estas actividades pedagógicas são o reforço do desenvolvimento intelectual e experimental da criança, principalmente, na fase pré-escolar.Realizar actividades/oficinas fora do ambiente rotineiro  das crianças (casa e escola), favorecem:

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  • A DISCIPLINA
    As actividades não lectivas, proporcionam à aprendizagem conjunta e cooperação interdisciplinar, estimulando competências sociais e organizativas, nomeadamente a interacção/trabalho em equipe, a partilha, a comunicação oral, a comunicação plástica e a concentração. Isto só é possível através da Disciplina. As crianças, têm efectivamente necessidade da disciplina, e respondem bem aos estímulos quando se sentem orientadas em grupo.

 

 

  • AUTO-ESTIMA
    Reforçam a auto-estima e o auto-conhecimento, e desenvolvem os meios de adaptabilidade da criança em relação a grupos e espaços desconhecidos. Ao frequentar estes ateliers acompanhadas pelos pais, as crianças sentem-se seguras e criam hábitos de estabelecer relações sociais com outras crianças e adultos. A criança explora os seus receios e as suas capacidades num meio seguro, embora desconhecido, reforçando assim a sua auto-estima.
  • MOTIVAÇÃO
    Proporcionam ao alargamento de diferentes interesses, aguçam a curiosidade e desenvolvem a motivação, e a capacidade de iniciativa na realização de tarefas.

    Uma criança disciplinada é uma criança motivada. Estes ateliers têm um nº máximo de participantes, o que permite que o orientador consiga interagir com cada criança e com todas, ou seja, cada uma terá a atenção e o acompanhamento devido de acordo com o que deu a conhecer até então. Por vezes são distribuídas tarefas de acordo com o interesse de cada criança para se sentirem mais motivadas.

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As crianças reagem bem aos ateliers e workshops, se forem ensinadas a encará-los como uma extensão da brincadeira, sendo também uma extensão da sua educação.

Mesmo as crianças menos manuais, gostam de explorar novos materiais, e adoram descobrir o que podem fazer com eles. Ficam felizes por criar objetos diferentes, e desenvolvem questionários gigantes sobre as suas obras criadas.

É um desafio à criatividade e à própria curiosidade!

 

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(…) e de entre várias problemáticas que atingem o “livro” mundial, onde todos somos personagens, eu destaco, hoje, o das famílias disfuncionais, porque é na Família, que a criança dá os primeiros passos na sua formação como ser humano.

É a Família, que terá presença constante e assídua na vida da criança, na sua formação e na relação que, ela mais tarde, estabelecerá com ela própria e com o mundo. Com este mesmo Mundo, que a cada dia se torna mais exigente, mais competitivo, exigindo da criança uma “dança de cintura” exaustiva para fazer face a todos os desafios.

…………

Imaginem agora quando essa criança nasce e cresce numa família disfuncional

Só estando dentro da família, conseguimos ter noção do seu funcionamento patológico.

Acompanhei, bem de perto, a dinâmica de uma família e toda a vivência de uma criança inserida numa família disfuncional e posso afirmar que …cheguei a temer pela minha sanidade mental!

A definição de família disfuncional, transporta-nos para um tipo de família conflituosa, onde a dificuldade em comunicar entre os vários elementos, faz dela, não funcional na sociedade em que está inserida.

Na família disfuncional, os conflitos, a má conduta e muitas vezes o abuso por parte de um elemento ocorre continuamente, levando a que os outros membros da família se acomodem com tais comportamentos. Crianças que nascem neste contexto, crescem com a ideia de que tal convívio é o normal. As regras, continuamente alteradas, estão sujeitas aos caprichos da pessoa que está “no comando” na hora, levando a criança a perder-se no entendimento das mesmas, pois o que hoje é proibido, amanhã já não o será. Estas crianças são caracterizadas pela timidez, solidão e isolamento. Têm dificuldade em se relacionar com os seus pares, tendo por isso, poucos amigos. Sentem-se como estranhos na família, ignoradas por pais e familiares. Não são comunicativas, sofrendo, muitas vezes uma instabilidade emocional que pode conduzir a doenças do foro psicológico.

.Os pais são sempre figuras autoritárias, não permitindo nunca que a sua palavra seja questionada. Não existe negociação, chegando muitas vezes ao extremos da criança perder a liberdade de expressar o que sente. Assim, fecha-se na sua concha, tentando encontrar justificação para tal comportamento, daqueles que deveriam estar mais próximo, ajudando-a a criar estruturas para que, mais tarde, ela consiga lidar com o mundo de todas as cores.

Enquanto nas famílias saudáveis, os pais tentam criar, gradualmente, uma independência nos filhos, para os pais disfuncionais é uma afronta!

Estas crianças possuem uma baixa auto estima, pois são confrontadas, diariamente, com comentários como “Quem pensas que és”, “Achas que mandas alguma coisa”, “Cala-te, porque já te mandei calar”. Aos poucos vão perdendo a sua identidade dentro da família, não conseguindo identificar o seu papel dentro da mesma.

Dentro de uma família disfuncional, existem “regras” impostas, nunca faladas/negociadas, ditadas por uma ditadura parental.

Uma criança nascida numa família disfuncional, será um adulto que se sentirá diferente dos seus pares, tendo muita dificuldade em confiar nos outros, procurando sempre afirmação e que viverá num emaranhado de sentires e emoções sem as conseguir identificar nem falar sobre as mesmas. Não aceitará quaisquer críticas pessoais e não conseguirá concluir projetos.

Estes adultos habitualmente tentam controlar circunstâncias e relações, reagindo de forma extrema a mudanças sobre as quais não consigam ter controlo, pois vivem num mundo imaginário onde há muito a realidade se esfumou.

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