Os nossos filhos são humanos.

E isso significa que erram.

O que fazem com esse erro é responsabilidade deles mas, até que sejam capazes de o fazer por si mesmos, é uma responsabilidade nossa.

Grande parte dos pais poderia dizer que os “defeitos” dos seus filhos são demorar muito a responder quando os chamam para vir para a mesa, deixarem a mochila no chão quando chegam da escola, beberem leite directamente do pacote ou nunca substituir o rolo do papel higiénico quando o usam até ao fim. Até aqui tudo certo mas que ser humano tem apenas estas características negativas? Ninguém é perfeito e se alguns pais pecam por minimizar as situações há também os que tendem a transformar a mais pequena coisa numa calamidade a nível mundial e a tratar os filhos com a chamada rédea curta, demasiado curta para que possam usar as ferramentas certas para não voltarem a cair nos mesmos erros. Por si.

Mas não é destes pais que escrevo hoje. Nem dos filhos destes pais.

Falo dos filhos que tudo têm para ser felizes, saudáveis, educados e responsáveis e mesmo assim não o são.

Falo dos filhos que, apesar de isso ser algo absolutamente contrário à sua educação, são expulsos das aulas dia após dia (coisa que os pais desculpam porque tal acontece devido ao colega do lado que se comporta mal e que os faz rir), dos filhos que não almoçam em casa como os pais pensam (e porque pensariam outra coisa se lhes ligam para casa e eles não atendem mas atendem o telemóvel e advogam que o telefone anda sempre perdido pela casa e não o conseguiram encontrar a tempo de atender a chamada), falo dos filhos que mudam de roupa assim que chegam à escola, assim como o penteado e a maquilhagem que passa de inexistente a brutal.

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Estes filhos têm pais de vários tipos, bem sei, mas quero referir-me àqueles que tendem a fechar os olhos e a desculpar o que eles fazem de errado. Porque a culpa nunca é deles. Porque a professora embirra, porque calhou estarem numa turma problemática, porque o mundo não vê como estes miúdos são especiais e lhes aponta o dedo. Pode até ser verdade, mas fechar os olhos ao comportamento, não lhe dar o devido acompanhamento, faz com que os miúdos se sintam perdidos.

Perdidos porque ainda estão a tentar perceber quem são e se desafiam os professores para serem expulsos e a consequência desse acto é passarem-lhes a mão pelo pêlo isso acaba por os confundir e, a longo prazo, fragilizar. Se não sabes quem és mas estás a testar um lado teu mais negativo e os teus pais te dizem que és perfeito vais sentir que não és nem uma coisa nem outra. E vais sentir que consegues enganar os teus pais tranquilamente e isso dá-te uma aura de vitória mas também de desgosto, porque no fundo sabes que se eles acham que só te consegues comportar bem então por que é que te comportas tão mal?

Quando um pai não vê um filho por aquilo que ele é deixa de ser um porto de abrigo. Deixa de ser alguém que é procurado em alturas de crise. Deixa de ser alguém a quem pedimos desculpa. Porque ele não entende. Nada sabe. Não nos conhece. Muitos adolescentes passam pela fase de repetir este mantra mas é saudável quando sentem que isso acontece porque há um gap geracional. Porque é isso que os separa dos pais – o tempo que passou entre os pais serem adolescentes e serem pais. Não dialogam porque não se entendem, mas é melhor um não diálogo em que se diz o que realmente se sente e pensa do que um diálogo que nunca tem oportunidade de existir porque “está tudo bem”. Sempre.

Falo como filha. Falo como mãe. Falo como testemunha de alguns casos que tenho à minha volta e que me preocupam. Porque sem comunicação, seja ela o mais mínima que for, há muitos problemas que não são detectados. E o tempo aqui é de ouro.

Acha que conhece os seus filhos?
Quando teve a última conversa sincera com eles?
Ouviu-os verdadeiramente?
Tem a certeza do que acontece quando sai de casa e os deixa livres e soltos no seu tempo?
Está a pensar que também fez das suas, que os seus pais também nunca sonharam com muitas das coisas que fez e isso não fez de si alguém perdido no mundo?
Ainda bem. Tenha é a certeza que daqui a alguns anos o seu filho vai poder dizer o mesmo.

Os nossos filhos são humanos.

Erram.

E precisam de nós.

Precisam que não desistamos deles.

Precisam que os vejamos por quem são.

Precisam que lhes demos a mão.

Da melhor maneira que soubermos.

Que hoje ao jantar se construa uma conversa ou se comece a construir um diálogo. Porque ele é sempre rico. E é também nos silêncios que aprendemos a perceber aquilo que nos escapa e a que temos de nos dedicar mais.

Porque os nossos filhos são humanos.

Erram.

E nós também.

 

imagem@weheartit

Síndrome de Pais Acabados (SPA): Um estado em que um dos pais está de tal forma perturbado pelos  filhos ao ponto de só querer gritar, fugir, falar noutras línguas, enviar a criança infratora para Abu Dabi, ou começar a beber . Esta condição generalizada de descrença é muitas vezes caracterizado por sangue a ferver, veias a pulsar na testa, aparecimento de cabelos brancos, perda completa de palavras ou ações, exaustão, e uma crise existencial aguda e abrangente.

As causas podem incluir, mas não estão limitados apenas às seguintes experiências parentais:

1) Crianças que perguntam: “porquê?” Continuamente por mais de 30 minutos.

2) Crianças que alegam ter garras depois de verem um filme com o  Wolverine e fazem 173 tentativas de usá-las nas pessoas, nos móveis, no carro, na comida, na mesa, nas pilhas de roupa, na mãe e no rabo do pai cada vez que passam por eles.

3) Crianças que exigem comer alguma coisa, porque estão cheias de fome, mesmo que se tenham recusado a tomar o pequeno almoço, almoço, ou jantar porque estavam “cheias” há menos de 10 minutos atrás.

4) Disputas entre Irmãos.

5) Ciúmes de irmãos.

6) A rivalidade entre irmãos.

7) Irmãos. Ponto Final. (Bolas!)

8) Crianças que fazem intencionalmente sons estranhos ou nojentos com a boca e que incluem lamber, cacarejar, bater, chupar, ou um repetitivo “pop”.

9) Crianças a correr – geralmente completamente nuas enquanto simulam sons de sirenes descontroladas e não param, mesmo após o já conhecido aviso do “Vou contar até 3

10) Crianças com respostas insolentes

11) Atitudes insolentes perante o castigo

12) Crianças que fogem do castigo

13) Dizer à mãe ou ao pai que o castigo é estúpido.

14) A súbita incapacidade de seguir as instruções durante a hora de ir dormir.

15) Crianças que usam o batom da mãe no livro novo que acabou finalmente de chegar do Amazon há duas horas atrás

16) Usar lápis de cera para desenhar riscas de tigre na cara, exactamente no momento que iam sair, e já atrasados, para uma consulta.

17) Entornar “acidentalmente” metade do leite com chocolate no sofá porque o cão gosta mesmo daquele miminho.

18) Crianças que, de repente, começam a espernear, implorar, gritar, berrar, chorar, lutar, lamentar-se, falar alto, porque perceberam que está um iphone em cima da mesa  e querem muito pegar-lhe.

19) Crianças que se recusam a entrar e a sentar-se no carro

20) Crianças que se recusam a tomar banho.

21) Crianças que se recusam a comer.

22) Crianças que se recusam a fazer qualquer coisa que a mãe ou o pai lhes tenha pedido, exigido, ou irracionalmente implorado.

É recomendado o tratamento imediato através de uma abordagem holística parental tradicional.
As Terapias mais eficazes incluem:

  1. Saída à noite!
  2. Comer grandes quantidades de gelado, pipocas, batatas fritas, ou chocolates, no silêncio da noite.
  3. Beber vinho na banheira depois das crianças terem ido para a cama. Inclui: o uso de espuma, revistas, Candy Crush, e de preferência à luz de velas para efeito mais completo.
  4. Desabafo numa rede social.
  5. Largar uns palavrões longe dos ouvidos dos miúdos
  6. Culpar o cônjuge, a sociedade, ou os avós para a criação de tais monstros.
  7. Repetir várias vezes o mantra: “Isto é só uma fase”

Enquanto o fenómeno da Síndrome de Pais Acabados (SPA) é amplamente divulgado, os casos apresentam variações muito disparas, com base na experiência individual. O investigador recomenda a criação de laços afectivos fortes, encarar os sintomas com humor dando sempre o benefício da dúvida à criança e o estabelecimento de uma relação saudável para o total açambarcamento livre de culpa de todo o chocolate escondido na lavandaria.

Estágios avançados de SPA são muitas vezes expressos como os primeiros sintomas da Síndrome do Ninho Vazio.
É também usual os últimos estágios de SPA apanharem os primeiros de uma Crise de Maia idade, e muitas vezes desenvolver-se um diagnóstico tardio ou errado. Para obter mais informações, consulte o Anexo A, que descreve as várias maneiras em que os pais expressam sua raiva por falta de higiene e de vestuário adequado.

Por Sarah Cottrell, para Scary Mommy,
traduzido e adaptado com autorização por Up To Kids®,

Todos os direitos reservados

No meio das pressões e preocupações diárias de “adulto” com a saúde, a economia, o trabalho, com o parceiro, com as consultas para quais estás atrasado, com as coisas que te esqueceste de fazer, com aquelas emergências que têm que ser feitas “ontem”,… aparece de repente o teu filho.

Perdeu um sapato, não quer vestir aquele casaco, quer outro, precisa de um caderno novo para a escola hoje e só se lembrou antes de sair de casa, briga com o mais novo por causa de um brinquedo ou simplesmente não quer fazer o que lhe pedes. Esta intromissão “inoportuna” na tua lista interminável de afazeres salta para a frente do teu carro na autoestrada do pensamento, enquanto ias a 200 à hora. E aí, acontece o inevitável: perdes o controlo.

Sabes perfeitamente que, num estado de calma em que tudo está a decorrer sem imprevistos, consegues lidar com qualquer desafio parental. Umas vezes com mais humor, outras vezes com mais seriedade, mas consegues responder com respeito, falar calmamente, explicar, ensinar e até brincar. Mas quando acontece esta quebra inesperada no filme que se desenrola na tua cabeça (“Tenho que fazer aquilo e depois aquilo e ainda estou atrasado para …”), desnorteia-te e sentes-te como que no direito de estar zangado. “Como é que o meu filho pode ser tão irresponsável/ despreocupado/mal agradecido? Não percebe que estou tão ocupado(a) a fazer coisas para ele??”

A verdade é que, por muito grave que consideras o seu comportamento, esse não é a causa do teu pensamento e da tua resposta irritada.

O que acontece por trás da tua resposta é um processo muito mais complexo e profundo.

O mecanismo automático da reação
Os teus sensores recebem o sinal (“Perdeu o sapato!”), captam a mensagem e transmitem-na ao cérebro. O cérebro reconhece o padrão e encaminha o pensamento (“Outra vez!” Vou chegar atrasada(o)!”), que desencadeia outros pensamentos semelhantes (“Estou a falhar nas minha tarefas!” ou “Falhei como mãe/pai!” que trazem o Medo ou a Culpa. E o cérebro decide defender-se dando o comando: “Reage. Luta. Defende-te”).

Este encadeamento de pensamentos é instantâneo e acontece de forma automática. E, num segundo, o teu carrinhosolta-se numa montanha russa das emoções, provocando um turbilhão interior para onde és sugado de repente. É tão rápido, que nem tens tempo de conscientizar ou pará-lo. Bum! Já foste!

E lanças-te enfurecido a atacar a quem percepcionas como tendo sido os causadores desta viagem desenfreada – os teus filhos.

No entanto… embora pode ter sido o comportamento dele que parece ter iniciado este processo, não é ele a verdadeira causa da tua reação. Qualquer questão que te leva a reagir desta forma vem de dentro de ti e muitas vezes tem raízes profundas, que vão até à tua própria infância.

A verdadeira causa da tua reação
Os pais têm frequentemente a sensação que os filhos parecem saber perfeitamente quais são os seus pontos fracos. Os psicanalistas chamam este fenómeno de “fantasmas do berçário” (Selma Freiberg) – os filhos conseguem despertar nos pais conexões cerebrais e emoções intensas, de eventos e acontecimentos que foram gravados nas suas mentes quando eles próprios eram crianças.

As emoções mais fortes que sentiste em criança, criaram ligações tão profundas, “caminhos” tão marcantes no teu cérebro, que quando foram usados muitas vezes, tornaram-se “avenidas” principais. Sempre que sentes estas emoções, estes caminhos são novamente ativados.

Quando o cérebro recebe um determinado “sinal” – encaminha-o automaticamente pelo caminho mais batido, pelas avenidas mais antigas e mais marcantes que existem no teu cérebro. E na sua passagem, o impulso elétrico criado arrasta com ele outros impulsos habituais… encadeando uma rede específica de pensamentos conexos – outras conexões/caminhos pré-existentes que foram criados juntos. E torna-se tudo numa espécie de bola de neve que vai crescendo, crescendo e ganhando mais velocidade à medida que percorre a larga avenida. Até culminar com a decisão final: Luta ou Foge.

Os medos, a culpa e outras emoções semelhantes sentidas com frequência na infância, deixam marcas tão profundas e poderosas no nosso sistema, que muitas vezes dominam-nos inconscientemente em adultos. A resposta que damos perante estes sentimentos, depende das “avenidas” e dos caminhos conexos que foram marcados no nosso cérebro.

Compreender este mecanismo e o seu funcionamento, assim como refletir e escolher alternativas mais responsáveis de reação é a nossa responsabildiade. Porque, a nossa forma de (re)agir nestes momentos tem um impacto a longo prazo nos nossos próprios filhos.

Agir ou REagir
Há uma diferença entre agir e REagir. Reagir – quando respondes a um comportamento de outra pessoa, em vez de decidires por ti próprio como deves agir. Ou seja, reagir (agir novamente, da mesma forma) é algo que acontece de forma instintiva, muitas vezes involuntária e inconsciente. Agir, pelo outro lado, é quando tomas as rédeas e decides como queres que aquela situação se desenrole.

Se percepcionas o teu filho como alguém que te provoca e irrita constantemente, então ele torna-se o teu “inimigo”. Tudo que ele faz provoca-te e cada vez que faz alguma coisa vais percepciona-la como sendo negativa, ameaçadora, embora pode não a ser verdadeiramente. E isto vai despoletar uma ação ou uma reação da tua parte. A decisão de agir ou reagir pertence-te a ti e só a ti.

Sem a tua intervenção consciente, o cérebro irá escolher o caminho mais rápido para reagir. Quando existe um caminho já traçado para lidar com este sentimento e este caminho é “reagir através de uma resposta enfurecida” (porque viste isto ou aprendeste pela experiência desde cedo na tua vida), então o cérebro escolha esta via rápida para responder automaticamente.

Embora, conscientemente, saibas que não é no teu melhor interesse, nem no do teu filho. Reagir é uma resposta automática, que segue caminhos pré-existentes, e que apenas tu a podes influenciar.

O que acontece no teu filho quando reages automaticamente a gritar ou bater?
Imagina o teu parceiro a perder a cabeça e gritar contigo. Agora imagina que é três vezes maior que tu, inclinado de forma ameaçadora por cima da tua cabeça. Imagina que estás completamente dependente desta pessoa para sobreviveres – receber comida, abrigo, segurança, proteção, afeto, preparação para a vida. Agora pega neste sentimento e multiplica-o por 1000. Isto dá-te mais ou menos a ideia do que se passa na cabeça e no coração do teu filho quando te zangas com ele

Claro que por vezes pode acontecer algo que despoleta em nós sentimentos há muito guardados e vamos sentir que estamos a fervilhar. Mas é da nossa responsabilidade controlar a expressão desta fúria interior e agir de forma equilibrada e respeitadora, minimizando assim um eventual impacto negativo.

Chamar nomes, gritar ou outras formas de agressão verbal em que os pais falam de forma desrespeitadora com os filhos, tem um custo pessoal acrescido, uma vez que a criança é dependente dos pais na sua própria existência. E, está comprovado, que as crianças que sofrem de violência física, incluindo palmadas,  sentem efeitos negativos que afetam todos os cantos das suas vidas, mesmo que inconscientemente.

Se o teu filho pequeno não parece ter medo da tua raiva, é sinal que já viu/sentiu demais e tem desenvolvido defesas para ela – e para ti. O resultado incontornável destes factos é uma criança que não vai quer fazer nada que te agrade e vai estar muito mais suscetível às influências dos amigos. Isto significa que terás muito trabalho de reparação a fazer.

Quer demonstrem quer não a raiva dos adultos é assustadora para as crianças. (e quanto mais nos zangamos mais as crianças se defendem criando os seus próprios padrões de reação que irão usar mais tarde)

Como agir?
Decidir agir (em vez de apenas reagir) é a melhor forma de lidar com as tuas reações automáticas.

Tomar esta decisão implica estares ciente da sua necessidade e dos seus benefícios. Implica decidir que queres fazer diferente. Esta decisão é o teu primeiro passo. E deve ser um compromisso contigo mesmo.

  1. Torna-te consciente da forma como reages, do mecanismo que está por detrás da tua reação, da tua reação despoletada, dos eventos que te provocam e puxam os teus gatilhos.
  2. Compreende a tua raiva sempre que ela aparece, em vez de te deixares controlado por ela. Qual é a sua causa interna? O motivo que a causa é algo mesmo muito importante para ti? Ou é algo que talvez, mais tarde, já não fará sentido? Existem alternativas? Como podes prevenir estes momentos?
  3. Estabelece alternativas para lidar com as emoções negativas ANTES de elas acontecerem. Pensa na forma como gostarias de reagir quando sentes algo negativo. É mesmo necessário zangares-te? O que podes fazer para agir da forma como queres?
  4. Escreve uma lista de formas aceitáveis para lidares com a tua raiva. Podes incluir ações como: respirar fundo várias vezes, fechar os olhos e pensar em algo agradável, afastares-te para acalmar, relaxar, ignorar o assunto por uns tempos, meditar etc.
  5. ESPERA E PENSA antes de agir. Nunca tomes decisões com base na tua raiva. Quando estás num estado alterado, as decisões tomadas raramente serão sensatas e terás que voltar atrás mais tarde. Espera pelos momentos mais calmos antes de decidir.
  6. Lembra-te que “expressar” a raiva dá-lhe mais força ainda. Quando falas de forma zangada sobre o que te incomoda por mais tempo que necessário, multiplicas a energia negativa e continuas a alimentar o teu corpo com ela.
  7. Considera que fazes parte do problema e também da solução – quando algo que acontece provoca uma explosão dentro de ti, liberta uma emoção e o corpo reage. Não é o evento que causa a tua emoção, ela já lá estava. Pensa como podes alterar este encadeamento, para que os eventos externos deixam de te controlar e ditar as tuas reações. Torna-te parte da solução, agindo em vez de reagir.
  8. Se mesmo assim continuas a não conseguir controlar a tua raiva, procura apoio mais especializado, para o teu bem e o dos teus filhos.

Encontrares formas positivas para lidar com a tua raiva é um dos melhores presentes que podes dar aos teus filhos: em vez de os magoares, vais oferecer-lhes um modelo a seguir. A tua forma mais responsável e calma de lidar com aquelas situações vai ensina-los que também o podem fazer, quebrando este ciclo.

O que é que queres ensinar: Queres ensinar-lhes que a força faz a lei? Que os adultos lidam como conflito gritando ou batendo? Ou queres ensinar-lhes que a raiva faz parte do ser humano e que aprender a geri-la de forma responsável faz parte do processo de crescer e amadurecer?

imagem@tomitipi

Há dias deparei-me com uma imagem na internet, daquelas com mensagens inspiradoras, cujo título era The Four agreements, por Don Miguel Ruiz. É uma imagem que se tornou viral devido aos sábios dizeres deste autor. Trata-se de um excerto do Best Seller  que, talvez devido à constatação do óbvio ou ao discernimento do trivial, milhões de pessoas se identificaram e partilharam a mensagem.

Nós acreditamos que estes princípios podem e devem ser lidos e relidos na vertente da parentalidade. Deixamos aqui a mensagem The four Agreement, interpretado por uma mãe (zelosa) e educadora:

“1. Sê impecável* com a tua palavra

Fala com integridade. Diz apenas aquilo que pretendes dizer. Evita usar a palavra para dizer mal de ti próprio ou para falar sobre a vida dos outros. Usa o poder da Palavra para dizer a verdade e espalhar o amor.”

Este é um principio fundamental quando nos tornamos pais. A integridade só se aprende através do exemplo. Temos de ensinar-lhes a nunca se arrependerem de ser honestos. O Chico-espertismo e a mentira têm perna curta.
Temos de ensinar o valor da Palavra aos nossos filhos, afinal, essa é a arma mais poderosa que lhes podemos dar sem quaisquer custos!

“2. Não leves tudo a peito

Nada do que os outros fazem é por tua culpa. O que os outros dizem e fazem é uma projecção da sua própria realidade, dos seus sonhos. Quando te tornares imune às opiniões e acções alheias, deixarás de ser vítima de sofrimentos desnecessários.”

As crianças são genuínas, e como tal são muitas vezes cruéis, principalmente com os pares. Vamos ensinar os nossos filhos a relativizar. A perceber o que é dito por maldade ou por ingenuidade. O que é pessoal ou da boca para fora. Uma auto-estima sólida é essencial para fazer esta triagem de forma imediata. Uma criança segura, não leva a peito maldades gratuitas, poupando-se assim a situações futuramente angustiantes.

“3. Não faças suposições

Encontra a coragem para fazer questões e para expressar aquilo que realmente queres. Comunica com a maior clareza possível para evitar mal-entendidos, tristezas e dramas. Só este princípio pode transformar a tua vida por completo”

Converse com os seus filhos. Não suponha que a escola está a correr bem, ou que eles se sentem integrados, ou que têm muitos amigos. Não suponha que percebem com facilidade a matéria, ou que são preguiçosos, ou que têm dificuldades de concentração.

Tente saber o que se passa. Converse diariamente. Faça perguntas que estabeleçam diálogo. Pergunte quais as três melhores e piores coisas do dia. Pergunte pelo João, se ainda está doente. O que é que os amigos disseram da sua borracha nova do Star Wars. Pergunte se têm dificuldades e diga-lhes que pode estudar com eles. Não os deixe ficar perdidos. Cabe aos pais ir ao encontro dos filhos. Cada dia que passa sem estabelecer um diálogo de qualidade é um dia que as suas suposições aumentam. E não se esqueça que, na maioria das vezes, essas suposições vão exatamente na direção oposta ao que se passa na realidade.
“4. Dá sempre o teu  melhor

O teu melhor irá alterar-se de situação para situação; será diferente quando estiveres doente ou saudável.
Sob quaisquer circunstâncias, dá simplesmente o teu melhor, e evitarás auto-avaliações, abusos de ti próprio e arrependimentos.”

Hoje em dia existe um elevado espírito competitivo entre as crianças. Obviamente, há sempre miúdos que se estão pura e simplesmente a borrifar para isso. Mas a grande maioria compete. Nas notas, no desporto, nos brinquedos que têm, nos gadgets, etc.

É de facto importante ensinarmos a dar o seu melhor. Mas é importante explicar que o seu melhor é relativo. Não é uma constante. Temos de ensinar os nossos filhos a dar o seu melhor de acordo com a situação, com o ambiente, com o material disponível, etc.
É igualmente importante ensinar que se não há cão caça com gato. Isso vai obriga-los a ser criativos e engenhosos. Que se lhes derem limões, façam limonada. Isso vai desenvolver a capacidade de adaptação e ensinar a saber lidar com a adversidade.

Dar o seu melhor é dar o melhor possível de acordo com as condições criadas. Se o fizerem, a mais não são obrigados. E isto é válido também para os pais e as mães.

 

Acordos em  “The Four Agreements: A Practical Guide to Personal Freedom”, de Don Miguel Ruiz,
texto por Up To Kids®

imagem@plaengeblog

Mensagem que deixei ao meu filho adolescente na noite de Natal:

Querido filho:

Os preparativos para o natal tornaram mais claro e difícil que alguma coisa não anda bem entre nós. Fica descansado, hoje não vou falar das notas, da tua preguiça para levantar, nem do quarto desarrumado. Posso bem com a tua oposição às minhas reclamações, e até já aprendi a divertir-me com as tuas respostas em forma de suspiro controlado.

É mais grave.

Estamos distantes como nunca, e por mais que tente, parece que não consigo ligar-me a ti como dantes. Tu sabes que é verdade.

Quando te contar como tentei resolver isto na minha cabeça, vais odiar-me: ando tão preocupada, que pedi ajuda a literalmente todas as pessoas com filhos da tua idade que conheço. Sim, a alguns pais dos teus amigos, já deves estar a imaginar quem são.

Parece que te estou a ver a ler isto, e a mergulhar repentinamente a testa no travesseiro – sobreviverás. Não esperava deles uma cura milagrosa para o meu problema, contava sim com alguma sugestão que me surpreendesse, uma estratégia que tivesse resultado com eles e que eu pudesse replicar, para errar menos contigo. Mas nada, nenhum foi capaz de me ajudar na medida que eu precisava. Custa-me aceitar que os conselhos que me deram sejam tudo o que podemos fazer por nós: conformar-me  que na tua idade é assim mesmo, que te devo deixar estar alheado da tua relação comigo enquanto durar, e que por tempo indefinido possamos somente conversar de assuntos puramente funcionais – a que horas é que te vou buscar; se as calças que tu mais gostas já estão prontas; ou se tu achas que estar frente ao computador até de madrugada é normal.

Não me parece mesmo que a opção dar tempo ao tempo vá funcionar, e não é por detestar frases feitas.

Não gosto, acho perigoso ter com o meu filho uma relação de improviso, nem que seja a prazo. E porque há qualquer coisa que me diz que esperar que sejas tu a dar o primeiro passo é o mesmo que aumentar este intervalo vazio que aconteceu nas nossas vidas, pus tudo no papel, tal como fazia na escola antes dos testes, mas com muito mais cuidado. Tive mil cuidados, filho, para vermos se isto resulta melhor entre nós. Quem dera poder dizer-to, em vez de escrever, mas não consigo.

Vais pensar que não tem nada a ver, mas faço analogias muito óbvias entre ter que colocar este papel debaixo da tua almofada e a nossa vida quotidiana, porque parece que andamos mesmo a jogar às escondidas.

Sei que já não és uma criança, nem desejo que voltes a sê-lo, garanto-te. Deves pensar que o meu desejo é agarrar-te por debaixo dos braços e fazer círculos com o teu corpo pelo ar a grande velocidade, como quando eras pequeno. Nem penses, serias demasiado pesado. Mas já pensaste como estabelecemos tão pouco contacto físico? Podes abraçar-me de vez em quando, não te vou levantar a camisola da barriga e começar a fazer um alarido de sons com a minha boca, na tua pele arrepiada. Podes deitar a tua cabeça no meu colo quando estivermos no sofá, bem sei que perdi os teus caracóis de criança para a cera modeladora. Posso quando muito dar-te um beijo na testa, daqueles que já não te dou há meses, porque já nem sei como fazer para chegar a ti, sem que sintamos algum desconforto.

Agora compreendo porque cometi um erro em procurar ajuda junto dos pais dos teus amigos.

Tu não és o filho deles, tu és o meu filho, uma fusão da educação que te dei e da tua vontade. Demorei muito tempo a perceber isso porque temia a resposta, mas agora estou pronta.

Vá, podes dizer-me que começaste a caminhar com apoio nas minhas pernas. Que fui eu quem te ensinou a tomar banho sozinho e a apertar os cordões aos sapatos. Que fiz de conta que as tuas braçadeiras preferidas estavam furadas, só para que aprendesses a nadar com a minha mão insegura na tua cintura. Explica como não só não me arrependi disso, como ainda te contei que o fiz, alguns anos depois. Havemos de rir. Vais falar-me daquele aniversário em que te ofereci uma viagem a Londres para melhorares o inglês. A tua cara de alegria a rodopiar para espanto, quando eu disse que não ia contigo, porque já te achava capaz de ires sozinho, motivou a maior gargalhada familiar de que há memória.

Vais perguntar-me porquê, filho.

Porque foi que passei a vida toda a dizer que os miúdos não nos pertencem e que os geramos para oferecer ao mundo, preparados com o melhor que lhe pudermos ensinar. Porque estou  agora a reclamar daquilo que eu sempre procurei desenvolver em ti?

Eu não sabia que ia ser tão difícil, e é-me muito difícil explicar. O tempo passou depressa demais, tu cresceste com ele, e já não precisas de mim para planear as tuas conquistas. Eu sei, nada me deves, nem posso cobrar-te. Por isso, se devolveres outra vez este papel ao lugar entre o lençol e o travesseiro, prometo acreditar que não reparaste, não leste, nunca soubeste.

E continuarei a aprender o mundo sem ti, o melhor que puderes ensinar-me.

Mãe.

 

Resposta em  “Carta do meu filho adolescente em resposta à minha mensagem”

imagem@digistar

 

Vivemos a correr! Sempre em contra-relógio! A fazer certos na nossa check-list diária! Vivemos em piloto automático! Em esforço! Em busca de uma perfeição que não existe e que, no fundo, não interessa para nada! E no meio de todo esse turbilhão em que se encontra a nossa vida, o tempo não sobra, muitas vezes, para o que realmente é importante… o Amor! O Amor de Pais!

Quantas vezes costuma dizer ao seu filho que o ama? Qual foi a última vez que o fez?

Preocupamo-nos em demasia em “educar” ou “disciplinar” as crianças, que o tempo passado juntos mais parece uma batalha pelo poder, na luta constante de quem pode mandar e de quem deve obedecer! Assumimos como verdadeiro e inquestionável o nosso Amor por elas, não havendo, portanto, necessidade de ser mencionado! Acreditamos que as tarefas e, muitas vezes, sacrifícios que fazemos, falam por si! Consideramos óbvio que o levar e ir buscar à escola ou a festas de anos de amigos, bem como o tempo que dispensamos a ajudá-las nos trabalhos de casa e a cozinhar-lhes o jantar, as fará ter a certeza de que gostamos delas!

Errado! É necessário investir tempo, empenho e criatividade a comunicar o Amor que sente pelos seus filhos! Demonstrar o carinho e o Amor que tem por eles vai fazê-lo redescobrir o poder e a alegria da comunicação!

Não estou com tudo isto a dizer que para educar não devamos também reconhecer e valorizar os comportamentos adequados, elogiar a criança, torna-la responsável pelos seus atos, estabelecer regras e impor limites. Tudo isto faz também falta para que, com o tempo, ela consiga ter a noção do que é um comportamento aceitável e querido!

Estou a querer apenas dizer que tudo isso é uma simples e única peça de um puzzle muito maior! Que, apesar de necessário, nada disso deverá ser o nosso foco! Que o foco tem de ser a comunicação eficaz de um Amor profundo, real e simples, às nossas crianças! Porque se elas se sentirem amadas, tudo será mais fácil! Este Amor é o alimento para o resto! Este Amor é o catalisador para a, tão desejada, “disciplina”!

Porque o Amor diz-nos quem somos e a quem pertencemos! O Amor faz-nos ter a certeza de onde está o nosso porto de abrigo, de quem é o nosso resgaste e abraço de socorro na aflição e o “tchim-tchim” nos momentos de vitória! O Amor faz com que as dores doam menos e as felicidades sejam extremamente mais entusiasmantes! O Amor liberta-nos e dá-nos sempre a coragem necessária para encher o peito de ar e nos atirarmos sem medos! O Amor treina-nos para a vida! O Amor faz com que seja sempre Verão!

Dicas para que seja sempre Verão na vossa casa:

– Não parta do princípio que o seu filho já sabe que o ama! Diga-o frequentemente!

– Invista no relacionamento com a sua “cara-metade”! Um ambiente de harmonia e equilíbrio é o suporte para a “disciplina”.

– Passem tempo juntos! Que tal escolherem um dia da semana para ser “O Dia da Família”? Este garantiria a existência de momentos familiares especiais e regulares! Uma ida ao cinema, um filme em casa com pipocas, uma noite de jogos de tabuleiro ou um jantar especial em que todos cozinham, são apenas alguns exemplos do que poderão fazer!

Por Sara Ribeiro

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Slow Parenting | Pais sem pressa

A gravidez é um dos períodos mais bonitos para uma mulher. No entanto, implica uma série de alterações que para muitas mulheres podem ser difíceis.

Durante os primeiros meses de gravidez, as mudanças físicas começam a ser evidentes. A roupa deixa de servir e começa a despontar um pouco uma barriguita que não se sabe muito bem se é de um bebé ou de ter comido uma bela feijoada. Mas o que mais afecta a futura mamã são as alterações hormonais que, em alguns casos, pregam uma partida e levam a que a sensibilidade aumente consideravelmente.

Para ultrapassar estas situações, pode ajudar a futura mamã oferecer um mimo a si própria de vez em quanto, pensar no bebé e inclusive, ver a sua carinha antes de nascer fará sentir que tudo o que está a passar é por um bom motivo. Além disso, pode desabafar com o médico, com uma amiga ou com a sua mãe, mas quem pode de facto fazer a futura mamã mais feliz é o seu companheiro.

O companheiro é o apoio da futura mamã: quando toca na barriga, quando a deseja do mesmo modo que antes de estar grávida, quando cuida e relembra como a mamã está bonita todos os dias. Assim, tudo será mais fácil.

Felizmente, cada vez mais o homem do século XXI entende de uma forma mais profunda qual é o sentido de ser pai e que, uma vez tomada a decisão, deve ser assunto a 3: a mamã, o papá e o bebé. Frequentam as aulas de preparação para o parto, acompanham a futura mãe ao obstetra e sentem mais interesse pelo estado da sua companheira neste momento. Mas quantos papás acariciam a barriga? É comum ouvirem-se comentários do género “Tenho oportunidade de falar com o bebé, quando nascer. Agora não me ouve”.

Estudos científicos têm vindo a demonstrar que o facto do papá falar para a barriga leva a que o bebé comece a reconhecer a sua voz e até pode responder com um pontapé. Além disso, estes bebés quando nascerem, ao ouvirem a voz do papá tranquilizam-se e bebem melhor o leite.

Ser pai é toda uma experiência e essa experiência começa desde o momento da concepção. Antes pensava-se que os bebés não sentiam, no entanto, as novas investigações trazem muitas informações e uma delas é que o bebé pode ouvir desde a semana 16.

A maior parte do que o bebé ouve é o fluxo de sangue através do sistema circulatório, o movimento dos intestinos e o batimento do coração da mamã, os quais proporcionam uma espécie de mantra tranquilizante e claro, também ouve a voz da mãe e outros sons externos.

Não devemos subestimar o bebé, nem pensar que ele não reage perante diversos sons ou sensações da mãe, já que o bebé está a aprender para poder sobreviver no ambiente novo que o espera e no interior da barriguinha da sua mãe está a desenvolver todos os seus sentidos: olfacto, paladar, tacto, visão e audição.

Como se tudo isto fosse pouco, ainda existem certas hormonas, como o cortisol (hormona do stress), ou pelo contrário, as endorfinas (hormonas da felicidade) que podem atravessar a barreira da placenta e afectar o bebé de um modo ou de outro. Portanto, o estado da mãe, a sua felicidade, ansiedade, pode chegar até ao bebé.

Hoje em dia, sobretudo no mundo desenvolvido, dá-se bastante importância ao controlo pré-natal, mas em muitas ocasiões se esquece de cuidar ou controlar os estados emocionais. A futura mamã está a viver um momento único, mas também delicado, em que as suas emoções, em certas ocasiões, a pode controlar.

Há muitas formas de envolver o companheiro, mas a melhor opção é enviar mensagens de amor, tentando que se ria e que se sinta feliz. Assim conseguir-se-à um melhor bem-estar para o futuro bebé que está a caminho. Um caminho longo e por vezes complicado, que necessita de muito carinho, paciência e compreensão.

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Residência Alternada – A instabilidade pré-concebida ou o Altruísmo equilibrado?

Pedem-me com cada vez maior frequência que me pronuncie sobre o Regime de Residência Alternada.

Que explique porque é que agora parece estar “na moda”. Porque é que de repente tem tantos defensores e parece ser um modelo ideal após a decisão de separação por parte dos progenitores.

A Residência Alternada pressupõe que após a separação dos pais, os menores estejam com ambos por períodos de tempo equiparados.

Não falamos de apenas “dar” o mesmo tempo ao pai e à mãe.

Mas falamos idealmente de uma rotina em que os menores convivam com o pai e com a mãe. Possibilitando ambos os progenitores estarem envolvidos no seu dia-a-dia, como alegadamente acontecia enquanto eram casados.

Pressupõe que as crianças vivam por períodos de tempo iguais e alternados em casa da mãe e em casa do pai.

Se à partida este cenário parece ser o ideal?

– Sim, sem dúvida – diremos todos.

Mas fora idealismos cabe-nos a consciência da realidade. Aquela que cada uma das nossas crianças vive no seu dia-a-dia, de facto.

Da experiência no trabalho diário com crianças e com os pais observo grandes dificuldades de manutenção de rotinas adequadas e equilibradas em famílias ditas “estruturadas”…

Observo muitas dificuldades de comunicação nos casais cuja missão de educar se torna cada vez mais complexa com as exigências profissionais e com a multiplicidade de tarefas que a sociedade “impõe” a cada elemento da família desde os mais novos aos mais velhos…

Observo cada vez mais a fragilidade emocional dos pais. Pais que confrontados com a necessidade de darem resposta a todas as áreas da vida pessoal, familiar e profissional delegam para ultimo plano, de forma inconsciente, aquilo que de mais relevante se apresenta para o pleno desenvolvimento das crianças – a estabilidade relacional e emocional familiar.

Ora, perante a separação/divórcio, toda a dinâmica se torna ainda mais complexa. Quando sou questionada acerca da Residência Alternada, invariavelmente caio do pedestal do ideal para a dura realidade do concreto.

Defendo que a Residência Alternada tem que ser uma opção e um ponto de partida sempre que os adultos envolvidos se dediquem a um permanente exercício de altruísmo,. Onde deixam de parte as “raivas” e se predispõem a educar em “equipa”. Deixa de haver espaço à tradicional educação em casal mas mantém-se a necessidade de um trabalho coordenado com o outro progenitor. A bem dos filhos, a bem da sua estabilidade.

Exige que ambos acordem em rotinas diárias semelhantes e que ambos comuniquem entre si de forma assertiva; exige que consigam estabelecer e manter com os seus filhos uma relação de confiança e segurança que os conduza de forma estável.

O que cria instabilidade não é o facto de passarem a viver alternadamente em duas casas, estou convicta.

O que desestabiliza é a alternância de rotinas e de expectativas; é a oscilação entre ambientes securizantes e outros desorganizados ou confusos.

Com isto, quero apenas concluir que na minha perspectiva a Residência Alternada pode e deve ser um ponto de partida. Muito mais exigente do ponto de vista da organização e da disponibilidade dos progenitores.

Será sempre bom partirmos do princípio que as crianças se adaptam bem a novas dinâmicas familiares e a novas rotinas. Sempre que os adultos estejam bem seguros dos seus papéis, e não podemos defender um modelo único para todas as Famílias, pois cada uma delas é singular.

O pai e a mãe separam-se e para agravar tudo atribuíamos um papel de pouca competência à figura paterna. Como se o pai tivesse perdido a capacidade de o ser, só porque deixou de viver na mesma casa que a mãe…

Agora que estão separados, ambos têm que proporcionar aos filhos o seu pleno direito a manterem os laços. A sentirem-se acompanhados por ambos, pai e mãe, independentemente das exigências que as novas rotinas possam trazer. Cabe aos pais definirem em conjunto em que condições.

A casa da mãe e a casa do pai podem muito bem ser o equilíbrio que antes nenhum dos elementos da família conhecia; mas para que este modelo funcione é preciso que seja desejado por ambos, pai e mãe. E da experiência que tenho é quase que obrigatório que esta adaptação se faça com acompanhamento especializado. Acompanhamento que oriente e guie os pais neste novo desafio.

Sempre que não haja a capacidade de cumprir estas regras básicas a opção pelo modelo de Residência Alternada fica comprometida. E com ela toda a possibilidade de êxito no pleno desenvolvimento dos menores.

 

Por Maria Portugal, Divórcio.com.pt

imagem@papodehomem

(mais) 5 minutos

– Mãe, vem cá ver o que eu fiz no meu quarto!

E ela pediu-lhe (mais) 5 minutos para terminar de lavar a loiça. Lavou a loiça, limpou o fogão, limpou o balcão da cozinha e ainda conseguiu tirar qualquer coisa do congelador para fazer para o jantar.

– Mãe, acho que já passaram cinco horas. Tu disseste cinco horas não disseste? Anda cá ver o que eu fiz no meu quarto…

Não, não eram cinco horas, eram só cinco minutos. Arre que criança sem paciência nenhuma!

A mãe já vai lá acima. Primeiro tem de ir tirar a roupa da máquina. Tem também de estendê-la.

E precisa de pôr aquela toalha na lixívia, que está cheia de nódoas. Ah! Quase que se esquecia… Falta-lhe também tirar os lençóis da cama para lavar.

– Mas mãe, eu estou à tua espera. Quando é que vens? Tu disseste que eram cinco minutos e já passaram mais de cinco minutos de certeza!

E a mãe continuou o frenesim de apanhar a roupa seca, estender a molhada…e depois reparou que a entrada da casa precisava de ser varrida e lá foi varrê-la . Depois o telefone tocou.

– Mãe, tu vais ficar tão contente com o que eu fiz no meu quarto! Eu juro que tu vais adorar!

A mãe mandou-o calar. Era um telefonema importante. Alguém do escritório a perguntar sobre uns papéis. A mãe caminhou quilómetros pela casa fora a tentar explicar à pessoa importante do outro lado da linha, onde estava o papel. O telefonema durou muito tempo. Muito mais do que cinco minutos. Ele sentiu-se triste, muito triste. Afinal já tinham passado muitos cinco minutos desde que ele pediu à mãe para ir ver que ele arrumou o quarto todo sozinho.

Esta é uma história que se passa em muitas casas todos os dias. Passa-se na minha casa muitas vezes, e talvez na sua também, Esta é uma história, que não sendo verídica, rebenta de tanta verdade, e queima o coração de cada um de nós-pais e mães.

Não podemos deixar o frenesim dos dias, o caos da lida da casa (que nunca acaba), os nossos trabalhos, os TPC´s, os compromissos, impedirem-nos de termos tempo para os nossos filhos. Não podemos deixar que as nossas vidas nos impeçam de vivermos.

A vida é demasiado curta para acharmos que as nossas crianças podem esperar por nós para sempre.

 

Por Sofia Isabel Vieira, Mãe de 2, autora do projecto Pais com P Grande, aventureira, realizadora de sonhos…

imagem@shutterstock

Discussão com os seus filhos adolescentes

9 coisas que nunca deve dizer

As divergências entre um pai e seus filhos são um facto assumido da parentalidade. Quando as crianças crescem começam a afirmar a sua independência, e as coisas podem rapidamente transformar-se quando os seus “bebés-adolescêntes” se tornam desobedientes e e lhe faltam ao respeito. Quando se trata de discutir com os seus filhos, faça-o de forma justa evitando a todo custo estas nove frases:

1. Palavrões

Palavrões são completamente proibidos. Não retribua mesmo que o seu filho os diga contra si. Tudo o que fizer estará a moldar o comportamento e as atitudes do seu filho no futuro, quando for adulto.

2. Insultos

És um (insira qualquer rótulo aqui)”
Parte de ser justo numa discussão é conseguir expressar os seus sentimentos reais e preocupações. Depois trabalhar para resolvê-los. Rótulos e insultos não fazem nenhuma destas coisas e apenas provocam mágoa ou mais raiva. Estas palavras ficam gravadas nas memórias dos jovens e podem afetar significativamente os seus relacionamentos e autoestima durante os anos a seguir.

3. Arrependimentos infundados

Quem me dera que nunca tivesses nascido…” ou “Eu bem sabia que nunca devias ter nascido”
É fácil atacar a clássica birra infantil, “Mais valia não ter nascido”, com uma destas frases. Mas não solte a bomba. Questionar a existência do seu filho não é um pensamento que quer implantar na mente de um adolescente.

4. Culpabilizar

“Foste um erro”, ou “Acabaste com a minha vida!
Atribuir ao seu filho a culpa dos seus problemas não só não faz qualquer sentido como o torna imaturo para assumir responsabilidades de parentalidade. Nascer não foi um decisão dele – foi sua. E, mesmo no calor do momento, fazer uma reivindicação tão feia diz mais sobre si do que sobre ele.

5. Comparar

Porque é que não podes ser mais como ___?
Comparar o seu filho rebelde a um miúdo mais calmo e melhor aluno é um clássico dos pais nesta idade do armário (como se não fosse suficientemente má) e entram numa espiral de conflitos e “trombas” para toda a gente. Mas isso é (mais) uma fase, e ele está a tentar encontrar-se. Ele é ele, e pedir que seja outra pessoa é o mesmo que lhe dizer: “Não és suficiente bom para seres meu filho.”

6. Rebaixar

“Odeio-te”, ou “Não gosto de ti!”
Vamos torcer para que nenhuma dessas afirmações seja verdadeira. Inúteis e sem tacto, apenas criam um maior distanciamento entre pais e filhos. Mesmo que sejam verdadeiras naquele momento, não podem ser ditas como trunfo!

7. Não saber ouvir durante uma discussão com os seus filhos

“Cala-te! Não me interessa”
Ouvir é muito mais difícil e mais importante do que falar. O que causou o argumento inicialmente foi provavelmente uma falha de comunicação. Reforçar o facto de não querer ouvir uma explicação só vai aumentar os insultos e a desconexão entre ambos.

8. Ameaçar

Vou-me embora”, ou “Nunca mais volto!”
O seu filho precisa de si independentemente de dizer que não. Nunca lhe dê um motivo para se sentir abandonado. Se precisar de sair para apanhar ar, faça-o. Mas volte!

9. Enxotar

“Sai daqui!”
O s
eu filho precisa de um sítio seguro ao qual chama lar e que seja confortável para descansar. Tirar-lhe isso não só é contra a lei como provoca danos catastróficos no vosso relacionamento.

Manter a cabeça no lugar no meio de uma discussão com o seu filho requer plenitude, paciência e capacidade de autodisciplina e autocontrole. Mas como o pai/mãe, esta é a responsabilidade que assumimos quando planeamos uma família.

Seja o adulto, e certifique-se de que toda discussão com os seus filhos caminha em direção a uma solução – e lembre-se de guardar estas palavras desagradáveis para si mesmo.

 

Por Georgia Lee, originalmente publicado em Familyshare, com autorização para Up To Kids®

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