Nunca mais acordas com o despertador
O teu novo despertador, que não precisa de ser programado, acorda-te invariavelmente antes da hora. Mas não te importas porque o seu sorriso, o facto de esticar os bracinhos a pedir que lhe pegues, é um milhão de vezes melhor que qualquer melodia que tenhas escolhido para esse efeito.

Passas a ir à praia tão cedo que até as gaivotas estranham
E sais de lá à hora a que normalmente chegavas. Mas é um novo hábito saudável, porque estás ao sol na hora em que é menos prejudicial e voltas a brincar nas poças de água, constróis castelos na areia molhada e até gostas de ficar estilo croquete porque o teu rebento te enche de areia.

Tudo se transforma em música
E com a melodia do Come a Papa inventas versos conforme a necessidade. “Dá o bracinho, Mariana, dá o bracinho. Para vestir e ir embora para o jardim, embora para o jardim…”.

Podes voltar a fazer macacadas na rua sem as pessoas te olharem de lado
Com o bónus de receberes uns olhares cúmplices e sorrisos ternurentos. Voltas a ser criança, sem ligar ao que os outros pensam porque exteriorizas um estado de alma que te acompanha todos os dias: estás completo.

Quando o teu filho te deixa dormir até às oito da manhã sentes que dormiste vinte horas
Mesmo que só tenhas dormido quatro e acordado duas vezes durante a noite. O corpo habitua-se às condições de privação de sono de uma forma incrível e acordas fresca que nem uma alface (nos dias bons, pronto…).

O chão da tua casa tem sempre migalhas de pão, ou bolacha, por mais que a limpes
E fica pegajoso cinco minutos depois de passares a esfregona. E o sofá tem umas manchas que não vinham no produto original. Mas não vives num museu e a razão de teres a casa de cabeça para baixo anda a gatinhar com um sorriso desdentado na cara e sacodes as migalhas e deixas a tarefa de limpar para depois.

Relembras as músicas que estão guardadas num cantinho do teu cérebro há décadas e voltas a cantá-las.
Percebes que houve umas quantas actualizações mas, regra geral, consegues cumprir bem a tarefa. Já não se atira o pau ao gato (porque isso não se faz) mas os pobres filhos da Linda Falua ainda ficam, porque a mãe não os pode sustentar.

A tua roupa nunca mais volta a estar cem por cento impecável (nem vamos falar do cabelo…)
Entre vestires e chegares ao carro, mesmo que só tenham passado cinco minutos, é como se tivesses atravessado um tornado.

Os brincos compridos passam a ser considerados um objecto de tortura chinesa – e arrependes-te de todas as vezes por tentares mais uma vez usá-los porque pode ser que desta vez ela não repare e não os puxe com força.
E as pulseiras. E os colares. Aprendes a usar acessórios de uma forma alternativa e viras ninja para te desviares dos ataques daquelas mãos rechonchudas.

Voltas a brincar e a divertir-te imenso com isso.
A criança que há dentro de ti volta a espreitar e encontras a felicidade numa colher de pau a fazer sons num tuppeware, no simples percurso de uma bola saltitona a bater nas paredes da casa e a voltar para junto de ti.

Passas a relativizar as coisas que antes te tiravam o sono sem razão. E dás valor aos pequenos momentos.
O mar, a areia, os animais, até a forma como as pessoas falam, tudo é uma redescoberta. Passas a ver o mundo pelos olhos das tuas crianças. A questionar coisas que tinhas como adquiridas e de que já não te lembravas de perguntar por que são assim. Olhas para cima, coisa que acabaste por deixar de fazer com a pressa do dia-a-dia. Vês novamente a forma das nuvens, os frisos do último andar dos prédios, a forma como o vento faz dançar as folhas das árvores. Apontas para os bichos-de-conta e dás saltinhos para não os pisares. Observas a forma mágica como os aviões rompem o céu. Dás por ti a reparar no reflexo de uma taça com água no tecto da sala, provocado pelo sol. És feliz por todas estas pequenas coisas. Por o teu filho te adormecer no colo. Por te apertar a mão com força, por se aninhar no teu pescoço. Por sorrir quando te vê, por se mostrar contrariado quando as coisas não correm como esperava. Por não desistir quando quer uma coisa. Por estar a crescer bem, saudável. Por poderes ver isso tudo de perto.

Que privilégio.

Tudo muda, mas não trocavas nada disto pela mais descansada noite de sono.

Afinal, a vida acontece quando estamos acordados.

Por Marta Coelho,
para Up To Lisbon Kids®

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Certa vez perguntaram a uma mãe qual era seu filho preferido, aquele que ela mais amava.
E ela, deixando entrever um sorriso, respondeu: “Nada é mais volúvel que um coração de mãe. E como mãe, lhe respondo: o filho dileto, aquele a quem me dedico de corpo e alma…
É o meu filho doente, até que sare.
O que partiu, até que volte.
O que está cansado, até que descanse.
O que está com fome, até que se alimente.
O que está com sede, até que beba.
O que está estudando, até que aprenda.
O que está nu, até que se vista.
O que não trabalha, até que se empregue.
O que namora, até que se case.
O que casa, até que conviva.
O que é pai, até que os crie.
O que prometeu, até que se cumpra.
O que deve, até que pague.
O que chora, até que cale.
E já com o semblante bem distante daquele sorriso, completou:
O que já me deixou…
até que o reencontre.

FILHO PREDILETO
– Erma Bombeck –

Os filhos diletos, os tais que se estimam de maneira preferencial, os preferidos, os que abraçamos primeiro, ou aqueles que ocupam uma área maior no coração, existem, e as mães sabem-no.
Talvez o tema que hoje trago seja o último tabu da maternidade, talvez seja mesmo o único tabu da maternidade, mas em mim, que me quedo sozinha numa relação maternal, que nunca disputei a barriga da minha mãe, o amor da minha mãe, a atenção da minha mãe, por não ter obviamente com quem a disputar, encontro diferenças substanciais quando observo as mães nas suas ambíguas escolhas, que nunca são por falta de amor, quando têm dois ou mais filhos.
Não é possível ter ou sentir duas vezes a mesma coisa, da mesma maneira. Gostar igual não é possível, nem é medível, tão pouco afirmado, e no entanto há tanta gente a dizê-lo que quase se tornou verdadeiro.
Mas é falso.

Nasci no seio de uma família matriarcal, de muitos irmãos.
Tive por isso muitas oportunidades de verificar, com bastante certeza, as preferências da matriarca, e seria capaz, sem falhar um nome, de elencar por ordem de preferência, os filhos diletos da minha avó.
Nem ela, que foi tantas vezes confrontada, foi capaz de desmentir aos filhos, que sabiam de coração ser os menos preferidos da mãe, as preferências que saltavam à vista.
Houve um, por curiosidade o meu pai, que ocupou sempre o lugar cimeiro da extensa lista.
No início, quando comecei a pensar no assunto, achava que por ele ser o mais branquinho numa família de morenos, o do ‘olhinho azul’, o tal que a minha avó ia lavar no Ribeiro da Levada, ‘coitadinho, sempre tão sujinho’ quando ainda não tinha 6 anos e já estava justo numa quinta que criava perus.
Mas todos os filhos daquela mãe trabalharam em pequenos, e muitos deles em piores condições que o meu pai, e andavam igualmente sujinhos, logo, aquela razão não poderia ser a mais certa.
Depois pensei que por serem vizinhos, já em Lisboa, que a proximidade das casas os tivesse aproximado; mas enganei-me. O meu pai foi de todos os filhos, à exceção dos que estavam longe ou emigrados, o mais ausente. Não o via todos os dias como acontecia por exemplo com outros filhos e filhas, nem o meu pai vencia os irmãos nas atenções e carinhos à mãe, e no entanto, sempre que o meu pai chegava, os olhos pequeninos e muito alvos da minha avó abriam-se todos num abraço. O meu pai foi o filho dileto e nunca se encontrou o motivo.
A minha avó gostou sempre mais daquele filho, que não foi o primeiro e nem o último, que não era o mais inteligente e nem o menos inteligente, que não era o mais frágil e nem o mais forte, mas que era somente aquele que ela gostava mais, aquele por quem sentia mais afeto, o que melhor lhe calhava.
Mais tarde na vida, morreu uma filha à minha avó, e anos depois um filho. Ninguém poderá dizer o que sente uma mãe que perde um filho, e muito menos dois, mas ainda assim pude verificar que até no horror de perder os filhos as dores foram diferentes. Custou-lhe muito mais a morte do filho. O mais velho, o primeiro, um menino, e que predilecção tinha a minha avó por meninos. Demorou muito mais tempo a recuperar. Falava muito nele. A filha, mais arisca, mais ‘rebitesa’, não lhe enchia lá as medidas, discutiam, aborreciam-se, e talvez seja nesta química de entendimentos, nesta fórmula desconhecida que nos faz amar alguém em detrimento de outro alguém que resida o segredo do filho dileto.
O texto que nos escreveu Erma Bombeck é mais romântico que verdadeiro, é mais imaginário do que real, porque coloca-nos vários problemas.
Admite afinal que há um filho dileto, embora faça depender a predilecção em diferentes circunstâncias e tempos. Calha-se àquela mãe ter os dois filhos ao mesmo tempo numa situação complicada, em apuros, com fome, com sede, enfim, em qualquer necessidade que derretesse o seu coração de mãe, e tínhamos uma contradição, porque já não poderíamos estar a falar de filhos diletos, porque o dileto só pode ser um, e não todos dependendo da situação.
Julgo que a dificuldade de aceitação da existência do filho dileto reside na escolha.
A mãe tem efectivamente um filho dileto, a mãe sabe exactamente de qual filho gosta mais, mas para a maioria das mães, é na escolha que reside o grande problema.
A mãe, por uma questão de natureza biológica e psicológica, inerente ao ser humano, é muitas vezes incapaz de escolher um filho quando se coloca a questão do salvar, no caso de ser obrigada a escolher. E é precisamente nesta questão que pensa quando lhe colocam a questão de qual filho gosta mais.
Qual dos filhos salvarias primeiro se apenas um pudesse sobreviver? O mais frágil, o mais doente, o menos inteligente, como diz o texto, ou o mais forte, o mais ágil, o mais arguto, o mais capaz?
Serias capaz de escolher por características colocadas no momento, ou a escolha há muito que tinha sido feita?
Diz-me, mesmo sabendo que não seria a melhor escolha, não escolherias o teu predilecto?

Nada na natureza se repete, nem em intensidade, nem na forma, nem no conteúdo.
Gostas muito de todos mas dás-te melhor com o Miguel, que é mais parecido contigo no feitio.
Não. Porque não dizes antes que gostas mais do Miguel porque te dás melhor com ele, e também gostas muito dos outros, mas é diferente?
Porque como mãe não podes criar neles essa insegurança, esse absoluto terror, essa luta entre irmãos pela disputa do amor de mãe, colocando em causa uma relação já de si tão frágil, e frágil por isso mesmo.
Por isso mentes sobre o que sentes.
E não faz mal. E não tem mal.

A velhinha imagem que nos remete para a água que passa por baixo da ponte, utilizada para demonstrar que nada é nunca igual, e que nunca nada se repete, é a mesma que utilizo para demonstrar que uma mãe, mesmo que sempre imensa, sempre abundante, como a água da nascente, não consegue ter em todo o percurso a mesma força. Da mesma maneira que o leito do rio tem obstáculos que o impedem de ser sempre igual, assim os filhos, que com a sua personalidade impedem a mãe de os amar de forma igual.

Por Uva Passa, no Blog Uva Passa
autorizado para Up To Lisbon Kids®

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Esta semana é de testes e, apesar de serem só três… não deixo de ficar nervosa.
Isto acontece porque sou uma mãe neurótica?
Isto acontece porque quero que a minha filha tenha boas notas?
Não.
Nada disso.
Acontece porque me deixo ser vítima do sistema.
Porque sei que a minha filha, apesar de ainda estar no primeiro ano, e só agora ter começado a sua vida escolar já é avaliada com percentagens para aqui e para ali, e para tudo e mais alguma coisa.
Porque recebo um papel descritivo com o que têm de estudar para cada teste.
Aquando do teste do quarto ano ouvi na rádio que os pais é que ficam nervosos e passam os nervos aos filhos. Os nervos dos testes são passados pelos pais?
A pergunta é: e o sistema e os professores (muitos contrariados) não passam esses nervos aos pais?
Sabemos que os miúdos têm de mostrar se estão a aprender ou não. Mas também sabemos, agora, que já somos adultos e carregamos o peso da responsabilidade de ter um trabalho e pagar contas, o stress que implica ter que corresponder e cumprir metas, sem falhas.

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Em que altura é que é certo imputar isto aos miúdos?
Sinceramente custa-me que aos 6, 7, 8 anos façam isto aos miúdos.
Têm uma vida pela frente de responsabilidades e desafios. Não precisam de tão cedo sentirem a pressão da análise da sociedade em tudo o que sabem ou não.
Acho que os miúdos têm de ser ensinados e têm de existir testes como sempre existiram.
Sei bem que há 60 anos existia o teste de admissão e agora há o do quarto ano.
Não me lembro é que a escola tivesse sido para mim uma pressão de testes. Lembro-me bem de na primeira classe até os fazer sem aviso.
Congratulo os professores que, no meio deste sistema exigente, conseguem fazer com que os miúdos gostem da escola e de estudar. Não é tarefa fácil.
Aprender tem de ser um processo natural e sem pressão, porque só assim se assimilam conhecimentos com facilidade.
A discussão já andou acesa no início do ano letivo, mas uma vez mais o tempo baixou a temperatura das brasas.
Resta saber até quando vamos continuar a insistir numa educação pela exigência e não pelo criar o gosto de aprender e saber cada vez mais.

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P.R.O.F.E.S.S.O.R | Pessoa, resiliente, obstinada, forte, empenhada, sábia, sacrificada, orgulhosa e resistente.

É também Peça, Régua, Oráculo, Ferradura, Espelho, Sino, Saco, OVNI e Roda.

  • O Professor é a peça para completar o coração das crianças em risco de se tornarem futuras “Constanças” (de quem já muitos se esqueceram).
  • O Professor é a régua que nos vai fazer medir as palavras quando vemos agressões de polícias a pessoas inocentes, ou agressões de pessoas marginais a polícias.
  • O Professor é o oráculo que nos vai ajudar a reflectir sobre o futuro desejado para as crianças do nosso país.
  • O Professor é a ferradura. Não a da sorte. Nem a antiga, mas a ferradura inovadora. É uma ferradura de cortiça (invenção nacional), símbolo de que somos capazes de descobrir novos caminhos (novas práticas pedagógicas) e prevenir lesões (e indisciplina).
  • O Professor é o espelho do mundo, da sociedade, da participação dos pais e encarregados de educação na escola…mas às vezes é um espelho daqueles dos provadores de algumas lojas, já que tem a capacidade de alterar a imagem para melhor.
  • O Professor é o sino que alerta, acorda, inquieta, e ressoa bem no fundo da alma.
  • O Professor é saco. Saco do sport billy. Algumas vezes sem reconhecimento, tem de ter várias competências, diferentes materiais, algumas surpresas na manga,…
  • O Professor é OVNI. Poucos conseguem explicar o mistério: fazer tanto com tão pouco?
  • O Professor é roda. Por vezes está para cima, outras vezes para baixo. Em vários aspectos. Também nas suas práticas pedagógicas, tem altos e baixos. Mas o que nos dá esperança é que quer sempre melhorar.

P.A.I | Pessoa altamente importante.

É também Partícula, Ampulheta e Íman…

    • O Pai é a “partícula de Deus”. Também conhecida como bóson de Higgs, esta partícula determina as propriedades básicas da matéria. Ela é fundamental. Como também são fundamentais as regras, os afetos, a disciplina e a criatividade que os pais passam para os filhos.
    • O Pai é ampulheta. Não tanto pela grande capacidade de gerir o tempo de qualidade que passa com os filhos, mas porque já sabe que na vida as coisas são transitórias. A morte, essa inevitabilidade, leva os pais a darem o seu melhor, a passarem os melhores valores aos seus filhos e a ensinarem-lhes o valor da vida e da fé.
    • O Pai é íman. Podia ser por também ter dois pólos. Podia ser por ter o melhor e o pior. Preferimos dizer que é pelo campo magnético existente á sua volta. À volta dos pais sentimos a calma, a proteção e só vêem coisas boas. Bolachinhas, carinhos, beijinhos, miminhos, estórias de encantar,…

Por Alfredo Leite, Mundo Brilhante, 
para Up To Lisbon Kids®

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O amor não se explica. Se se conseguir explicar, é porque não é amor. Vou tentar não te encher de frases feitas, minha querida. Porque o amor está à tua volta, basta estares com atenção.
É amor o que sentes quando o pai chega a casa e queres muito que ele te pegue ao colo.
O que existe entre mim e o pai, em cada gesto, em cada sorriso, em cada piada que trocamos.
O que vês quando chegas perto dos avós e eles largam tudo o que estão a fazer só para te abraçar.

É amor quando não te deixo andar livremente pela cama, porque estás sempre quase, quase a cair para o chão.
Quando te limpo as lágrimas depois de teres mordido a língua por ainda não estares habituada a ter dentes.
Quando o pai e eu te olhamos a levantares-te sozinha na cama e a sorrires triunfante por não teres tido ajuda.
Quando te deito e não queres dormir e queres brincar e insisto, porque tens de descansar.
Quando te canto, nuns dias mais afinada que em outros.

É amor o que aquele menino do café faz à irmã, apertando-lhe o sapato.
O que as nossas vizinhas sentem quando vão passear os seus cães.
O que aqueles amigos mais velhos sentem quando correm, faça frio ou faça sol.
O que o casal de adolescentes sente quando discute, numa cena constante de ciúmes, porque ele não lhe dá a atenção que ela queria.

É amor o olhar melancólico daquela velhota que encontramos à tarde, de cigarro quase apagado pendurado nos lábios, quando nos olha e diz “os meus também já foram assim”.

É amor, e também medo, o que aquela mãe sente quando segura a mão do filho, mesmo por um triz, antes de ele atravessar a rua sem olhar para o lado a ver se vêm carros.

É amor o que aquele rapaz das sardas e sempre de headphones sente quando finge estar a ler um livro e observa a rapariga do 12º andar a passear o seu caniche.
O que sentem as pessoas quando gritam “golo” ou aplaudem no fim de um espectáculo.

É amor o que sentem os pais que se despedem dos filhos no aeroporto, sem saberem quando voltarão a vê-los.
O que sentem os pais, à porta da escola, a segredar ao ouvido dos filhos que eles são capazes, que é só um exame, que estão preparados.
O que sentem os pais que dizem aos filhos, na mesma porta da escola, que deviam ter estudado mais.

É amor quando um grupo de jovens se junta para defender um amigo, vítima de injustiça.
É amor (próprio, tão, tão importante) quando alguém decide dizer basta numa situação de violência.
É amor quando cuidamos dos outros, quando nos lembramos de cuidar de nós.
É amor quando fazemos o que gostamos e aquilo de que gostamos um bocadinho menos, porque é importante que o façamos.

É amor, mesmo quando parece que ele não existe.
Tudo é amor, mesmo na ausência dele.

Que tenhas uma vida cheia de amor, que o consigas encontrar à tua volta e, mais importante de tudo, dentro de ti.

Por Marta Coelho, para Up To Kids®

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amo-te tanto mas hoje tenho de levar o carro ao mecânico, as rodas fazem um barulho estranho, não deve ser nada mas é melhor prevenir, amanhã prometo que vamos ver que tal se come naquele restaurante novo junto à rotunda, e depois levo-te ao cinema, ai não que não levo,
amo-te tanto mas hoje tenho de ver o treino do miúdo, o treinador ligou e disse-me que temos craque, o nosso menino a jogar como gente grande, vê lá tu, quando chegar com ele vê se tens prontinha aquela comida que ele adora, o puto merece, ai não que não merece,
amo-te tanto mas hoje tenho de ficar até tarde no escritório, há aquele projecto do estrangeiro para fechar, está aqui tudo perdido de nervos, não sei se aguento, daqui a pouco ligo-te para saber como vai tudo, o miúdo e as coisas aí em casa, agora tenho de ir mostrar a esta gente toda como se trabalha, ai não que não tenho,
amo-te tanto mas hoje tenho de me deitar cedo, amanhã é aquela reunião importante de que te falei, se conseguir o cliente vamos ser tão felizes, aquela casa, o carro novo, quem sabe?, só tenho de o conseguir convencer, tenho tudo prontinho na minha cabeça e nada pode falhar, vamos ser ricos, é o que é, ai não que não vamos,
amo-te tanto mas hoje não estás, cheguei à hora combinada para te levar a jantar e tu não estás, o miúdo também não, deve estar no treino, deixa-me cá ligar, ninguém atende, nem tu nem ele, provavelmente deves estar a preparar alguma, sempre foste tão assim, cheia de surpresas, daqui a nada entras pela porta e dizes que me amas, ai não que não dizes,
amo-te tanto mas hoje tenho de assinar este papel, olho-te e peço-te perdão, prometo-te que não vai haver mais mecânicos nem treinos nem clientes estrangeiros nem reuniões entre nós, garanto-te que te quero acima de tudo, olho-te mais uma vez nos olhos e procuro acalmar o que te dói, mas tu só dizes para eu assinar e eu assino, as mãos tremem e até já uma lágrima caiu sobre elas, o nosso filho quando souber vai chorar como um menino pequeno outra vez, o nosso craque, podias ficar pelo menos pelo nosso craque, ou pelo menos por mim, para me manteres vivo, Deus me salve de não te ter comigo, sou uma impossibilidade se não te tiver para gostar, ai não que não sou,
amo-te tanto mas hoje não tenho nada para fazer, a casa escura, um silêncio vazio e nada para fazer, apenas esperar que te esqueças de mim e me voltes a amar, e eu amo-te tanto, ai não que não amo.

Pedro Chagas Freitas
in “Prometo falhar”

encomenda de exemplares autografados através do e-mail
fabricaescrita@gmail.com

No dia em que a Isabel fez três meses, fui trabalhar. Custou-me muito. Esse dia e os que se seguiram. Não estava preparada. Acho que nunca se está. Se há dias em que trabalhar me faz sentir útil, me dá adrenalina e me faz sentir viva, outros há em que as saudades tomam conta de mim. Em que me interrogo se faço as escolhas certas, em que conto os minutos para estar com ela outra vez. Acho que é assim com todas as mães.

Para que aproveitemos melhor todos os segundos e não nos sintamos culpadas, ficam os mandamentos da mãe que trabalha:

10- Não olharás para fotografias no telemóvel mais que três vezes por dia para matar saudades
Melhor do que ficar a vê-los no ecrã, é aproveitar ao máximo o tempo em que estamos longe deles para dar tudo no trabalho, sermos mais eficientes e, caso tenham horários flexíveis, fazer em menos horas o que fazemos normalmente em mais. Caso seja como ir ao respirador e vos der mais pica para trabalhar, força. Se ficarem todas roídinhas por dentro e vos fizer lamentar a vida que têm, é pecado.

09 – Não odiarás as segundas-feiras
Depois do fim-de-semana em que podemos dar-lhes beijos as vezes que quisermos, acordar e voltar à rotina pode ser um crime de lesa-majestade. Mas começar a semana com humor de cão e chegar ao trabalho com cara de traseiro não traz boas energias e não melhora absolutamente nada no trabalho. Ser daquelas pessoas azedas e com ar de que todos lhe devem alguma coisa é pecado.

08 – Tirarás duas horas do teu fim-de-semana para preparar as refeições da semana
Caso padeças de um mal chamado desorganização como eu padeço e queiras aproveitar todos os (poucos) minutos de segunda a sexta sem querer dar um tiro no pé com tanto stress, nada como tirar duas horas do fim-de-semana para fazer as refeições principais da semana, ou pelo menos para esquematizá-las, num calendário, e deixar parte delas congeladas. Fazer por sistema ovos mexidos e arroz é pecado.large (1)

07 – Aproveitarás bem o tempo que estiveres com os teus filhos

Não há coisa muito pior do que nos deitarmos na cama com a sensação de não termos estado tempo nenhum com os nossos filhos. Mas a questão que devemos colocar-nos é: o tempo que passei com ele foi de qualidade? Estar a dar-lhes banho a pensar no email de trabalho que ainda temos de responder, contar-lhes uma história com fogo no rabo para ir limpar a cozinha, estar no Facebook só a ver o feed mais uma vez, em vez de estar a olhá-los nos olhos e a ouvi-los, é pecado.4

06 – Não te martirizarás quando te atrasares um dia para ir buscá-los à escola

Muito provavelmente vai acontecer. Não controlamos uma chuvada, um dia de trânsito infernal, um pedido urgente e mais demorado no trabalho. Não somos omnipresentes nem omnipotentes e quando só dependemos de nós próprias não há ajuda que nos valha. Por muito que nos custe, é jogar a bola para a frente. Ir buscar a chibata e ficarmo-nos a sentir as piores mães do mundo é pecado.

05 – Não falarás dos teus filhos no local de trabalho, de 15 em 15 minutos

Apesar da nossa filho-dependência, o primeiro passo para a cura é afastar o cálice do nosso pensamento. Além de que não há pachorra. Muitas vezes, já temos o interlocutor a bocejar e não damos por isso. Ser uma mãe chatarrona é pecado.

04 – Não compensarás a tua ausência sendo aceleradinha

São tantas as horas em que não os temos nas nossas vidas, que quando estamos com eles corremos o risco do over-booking. Não temos de encavalitar uma ida à praia, com um almoço fora, com uma ida ao jardim e com uma festa de anos. Eles também precisam de sossego, de estar em casa, de fazer as sestas e de segurança. Andar sempre com um speed infernal, a querer percorrer todas as capelinhas, é pecado.

03 – Deixarás tudo preparado na véspera

Aquela coisa do “amanhã logo se vê” não se aplica a uma mãe que trabalha, no que a preparar as malas e as roupas do dia seguinte diz respeito. A não ser que se consiga acordar duas horas antes de sair e se saiba de antemão que não se vai apanhar trânsito. Comer uns flocos a correr, entrar em stress porque o filho fez cocó na fralda antes de sair, quando se perdeu tempo a passar uma camisa a ferro ou a refazer a mala da escola deles é pecado.

02 – Cuidarás de ti

Passas pouco tempo do dia com os teus filhos, é um facto. Trabalhas que te fartas. Fazes das tripas coração (que bela expressão…) para seres uma boa profissional e uma mãe presente. Mas, de vez em quando, podes tirar umas horas para ti. Ir fazer a depilação passa a equivaler a uma massagem. Ir ao ginásio uma vez por semana não te rouba tempo, dá-te tempo e genica para fazer tudo em casa. Ir comprar uma lingerie nova pode dar um abanão a essa relação. Deixar de cuidar de nós é pecado.

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01 – Não invejarás a vida das mães que ficam em casa

Ao contrário do que muitos querem fazer parecer, estar 24/24 horas em casa com os filhos é trabalho de guerreira e não de dondoca. É ter de abdicar de (quase) tudo por eles, é ter de aturar todas as birras, todas as lágrimas e aproveitar as sestas deles para passar a ferro ou fazer a sopa. Invejar a vida de uma mãe que fica em casa, como se de uma coisa fácil se tratasse, é pecado.

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Por Joana Paixão Brás, co-autora do Blog A mãe é que sabe,
para Up To Lisbon Kids®

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imagens@We Heart It

Quando regressei a Portugal no final de Outubro passado, desconhecia este fado canção da fadista Marisa.
[youtube https://www.youtube.com/watch?v=9kmwY1Z3YNY]

Confesso que não sou muito amante daquele que é o nosso Património Oral e Imaterial da Humanidade, e que só ouvi esta música, pela primeira vez, na festa de Natal da escola da minha filha. Ilustrava um vídeo sobre amizade e retive o refrão sem associar à fadista.
O tempo não parou de passar e entre a correria do dia-a-dia e mil e uma coisas, não mais voltei a ouvir a mesma música até ao mês passado, quando a minha filha foi representar a escola numa festa do agrupamento, e de novo passou o vídeo com a música.
Emocionada que estava por ter visto a performance da minha pequena “artista”, à noite, fiz parar o tempo e fui ao youtube pesquisar.
Surpresa a minha descobrir que era da Marisa e afinal o tempo para mim passa a correr depressa demais e escapam-me, algumas destas coisas.
Nesse dia bebi um copo de vinho e ouvi a música vezes sem conta.
Desde então que a tenho na cabeça. E mais ainda, no último mês, quando fiquei mais assoberbada de trabalho e com menos tempo diário, para partilhar com a minha filha.
Dou por mim a pensar na letra da música e a repensar o dia-a-dia e os fins-de-semana, de modo, a que mesmo que o tempo não pare o consiga aproveitar ao máximo com ela.
O meu bebé já e uma menina… e num piscar de olhos, será uma adolescente, mais interessada nas amigas e nos namorados do que nos mimos da mãe, que agora reclama.
Hoje, mais uma vez, cheguei tarde. Mas hoje fiz o tempo parar. Fiquei na beira da sua cama de mãos dadas até ela adormecer.
Enquanto lhe fazia festas no cabelo e ela se rendia ao cansaço do dia e adormecia… permiti-me respirar fundo e contemplá-la.
Parei o tempo que não para, para poder olhar para ela.
E voltei a pensar na letra da canção: Vou pedir ao tempo que me dê mais tempo para olhar para ti.
Afinal é o que todos nós, pais e mães, queremos no meio desta loucura que é a vida moderna.
Paremos o tempo pelo menos uma vez por semana, para os ver sorrir ou, pelo menos, para os ver adormecer.

O Tempo Não Para

Eu sei
Que a vida tem pressa
Que tudo aconteça
Sem que a gente peça
Eu sei

Eu sei
Que o tempo não pára
O tempo é coisa rara
E a gente só repara
Quando ele já passou

Não sei se andei depressa demais
Mas sei, que algum sorriso eu perdi
Vou pedir ao tempo que me dê mais tempo
Para olhar para ti
De agora em diante, não serei distante
Eu vou estar aqui

Cantei
Cantei a saudade
Da minha cidade
E até com vaidade
Cantei
Andei pelo mundo fora
E não via a hora
De voltar p’ra ti

Não sei se andei depressa demais
Mas sei, que algum sorriso eu perdi
Vou pedir ao tempo que me dê mais tempo
Para olhar para ti
De agora em diante, não serei distante
Eu vou estar aqui

Não sei se andei depressa demais
Mas sei, que algum sorriso eu perdi
Vou pedir ao tempo que me dê mais tempo
Para olhar para ti
De agora em diante, não serei distante
Eu vou estar aqui

Por Irina Gomes,
para Up To Lisbon Kids®

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 imagem capa@mentirinhas.com

Levar as crianças para o emprego. Será assim tão boa ideia?

“Muitos deixam as crianças com os avós e as crianças adoram esses mimos especiais.”

Quando as crianças atingem a idade escolar, muitos são os pais que têm de fazer uma grande ginástica logística para que as crianças não fiquem abandonadas em casa em períodos de interrupção escolar.

Muitos deixam as crianças com os avós e as crianças adoram esses mimos especiais. Outros têm a possibilidade de os deixar em espaços que organizam programas de férias. Aqui a pedagogia não pode faltar, muito menos a diversão e a fantasia.

Outros, ainda, organizam férias com os amigos dos filhos e a diversão é completa.

Mas, na falta de todas estas opções, há pais que levam os filhos para o emprego, durante uns dias. O suficiente para o patrão não reclamar! (Lembro-me bem deste tempo, em que ia para o escritório do meu pai e me deliciava a bater nas teclas da máquina de escrever, imitando aquele velhinho anúncio que passava na televisão, fazendo publicidade à máquina de escrever petite da Concentra. E de como gostava de conhecer o que era a vida de um adulto, compartimentada em várias salas a que se dá o nome de “escritórios” ou “gabinetes”).

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Levar a turma do filho para o emprego.

Mas, e se em vez do filho, os pais levassem a turma do filho para conhecer o local onde trabalham?! Não acharia isso possível? E para quê se dar ao trabalho?! O que é que as crianças haveriam de aprender?!

Vamos dar-lhe um exemplo.

Um pai/mãe que trabalhe numa editora de livros, ao organizar uma visita com a Educadora / Professora do seu filho, levará as crianças para um mundo que normalmente está camuflado entre capas, contra-capas, guardas, miolo e lombadas. Conhecer o processo ligado à edição de um livro poderá soar-nos banal, mas não o será para uma criança. Muito menos para 15 ou 20 crianças!

Na editora terá oportunidade de perceber que também os escritores dão erros. Que o livro tem de ser montado em programas de computador. Que há uma pessoa por detrás da decisão de onde se colocar uma ilustração. Que há outro conjunto de pessoas que trabalham o grafismo das capas dos livros e das colecções. Que se pode escolher através de um catálogo o tipo de papel e a cor a usar como se de uma tinta plástica se tratasse, e outra que diz o “sim” final e decide que já pode ir para uma gráfica.

Outras pessoas ainda que apenas imprimem os livros e entregam à distribuidora que os fará seguir até às livrarias, até às mãos de adultos e crianças.

Podemos encarar este tipo de visitas da mesma forma como se encara a visita à quinta pedagógica sendo que, na editora, a pergunta é antes “de onde vem o livro?”.

Ora experimentem!

Por Patrícia Azevedo, Programadora Cultural do MAPA, para Up To  Kids®

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Incrível, não é? Somos pais e temos amigos. E amigos que não são pais. É possível!
Vieram cá a casa, comemos petiscos, vimos a bola, os homens jogaram FIFA, as mulheres estiveram a ver roupas giras na net e não se esteve sempre a falar de crianças! Falámos do IRS, do fisco, das empresas, de alimentação, de desporto, de amigas em comum… um montão de temas que não metem ranho, nem dentes, nem noites mal dormidas.
Afinal não precisamos de ir para os paiólicos anónimos. Afinal até nos sabemos comportar. Devemos ter conseguido estar uns 15 minutos seguidinhos sem falar da filha e, o mais incrível, a Isabel estava aqui connosco!
Afinal os amigos não precisam de fugir de nós! Podem voltar. Já não podemos ir jantar tantas vezes a sítios fixes (só quando a avó Béu cá vem fazer o seu babysitting), já não queremos fazer grandes noitadas, já não vamos estar 100% sossegados onde quer que estejamos, mas conseguimos disfarçar bem! Juro!
Afinal continuamos pessoas minimamente interessantes, apesar de andarmos há 3 dias para ver um episódio do Game of Thrones. Apesar de já não lermos tanto e de andarmos, às vezes, um bocado a leste do mundo. Podem voltar.
Afinal somos os mesmos, não sendo. Nunca mais vamos ser os mesmos, porque simplesmente somos mais, somos maiores, os dois somos três. Mas damos gargalhadas, dizemos disparates, somos divertidos q.b. Podem voltar.
Não tenham medo de incomodar, de ligar, de convidar. Mesmo que não possamos ir ou que recusemos algumas vezes (agora temos de ser mais selectivos, porque temos de dar primazia às sestas dos filhos e ao seu bem-estar, até porque pagamos caro se nos armarmos muito em hippies), podemos sempre arranjar alternativas, combinar almoços, lanches, vêm cá a casa, tudo se arranja.
Acho que, pela curta experiência que tenho nestas andanças, não são os casais com filhos que se aproximam, por livre e espontânea vontade, de outros casais com filhos. São os amigos sem filhos que se desinteressam, que deixam de querer incomodar, de se adaptar às nossas rotinas, que não têm pachorra para fazer programas em família. É legítimo, claro que é. Mas custa um bocadinho, tal como custava quando a colega de carteira na escola começava a preferir ficar ao lado da Cláudia, na fila da frente. Já não era a preferida dela. Mas o Mundo está tão bem feito, que agora aprendemos a relativizar tudo muito mais e já não vamos para casa a chorar. Agora o que é realmente importante está ali no quarto ao lado a dormir e está aqui ao meu lado a jogar FIFA. E são os amigos que, a esta hora, já devem ter chegado a casa.
Obrigada por continuarem a fazer parte das nossas vidas.

Por Joana Paixão Brás, co-autora do Blog A mãe é que sabe,
para Up To Lisbon Kids®

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