Quando regressei a Portugal no final de Outubro passado, desconhecia este fado canção da fadista Marisa.
[youtube https://www.youtube.com/watch?v=9kmwY1Z3YNY]
Confesso que não sou muito amante daquele que é o nosso Património Oral e Imaterial da Humanidade, e que só ouvi esta música, pela primeira vez, na festa de Natal da escola da minha filha. Ilustrava um vídeo sobre amizade e retive o refrão sem associar à fadista.
O tempo não parou de passar e entre a correria do dia-a-dia e mil e uma coisas, não mais voltei a ouvir a mesma música até ao mês passado, quando a minha filha foi representar a escola numa festa do agrupamento, e de novo passou o vídeo com a música.
Emocionada que estava por ter visto a performance da minha pequena “artista”, à noite, fiz parar o tempo e fui ao youtube pesquisar.
Surpresa a minha descobrir que era da Marisa e afinal o tempo para mim passa a correr depressa demais e escapam-me, algumas destas coisas.
Nesse dia bebi um copo de vinho e ouvi a música vezes sem conta.
Desde então que a tenho na cabeça. E mais ainda, no último mês, quando fiquei mais assoberbada de trabalho e com menos tempo diário, para partilhar com a minha filha.
Dou por mim a pensar na letra da música e a repensar o dia-a-dia e os fins-de-semana, de modo, a que mesmo que o tempo não pare o consiga aproveitar ao máximo com ela.
O meu bebé já e uma menina… e num piscar de olhos, será uma adolescente, mais interessada nas amigas e nos namorados do que nos mimos da mãe, que agora reclama.
Hoje, mais uma vez, cheguei tarde. Mas hoje fiz o tempo parar. Fiquei na beira da sua cama de mãos dadas até ela adormecer.
Enquanto lhe fazia festas no cabelo e ela se rendia ao cansaço do dia e adormecia… permiti-me respirar fundo e contemplá-la.
Parei o tempo que não para, para poder olhar para ela.
E voltei a pensar na letra da canção: Vou pedir ao tempo que me dê mais tempo para olhar para ti.
Afinal é o que todos nós, pais e mães, queremos no meio desta loucura que é a vida moderna.
Paremos o tempo pelo menos uma vez por semana, para os ver sorrir ou, pelo menos, para os ver adormecer.
O Tempo Não Para
Eu sei
Que a vida tem pressa
Que tudo aconteça
Sem que a gente peça
Eu sei
Eu sei
Que o tempo não pára
O tempo é coisa rara
E a gente só repara
Quando ele já passou
Não sei se andei depressa demais
Mas sei, que algum sorriso eu perdi
Vou pedir ao tempo que me dê mais tempo
Para olhar para ti
De agora em diante, não serei distante
Eu vou estar aqui
Cantei
Cantei a saudade
Da minha cidade
E até com vaidade
Cantei
Andei pelo mundo fora
E não via a hora
De voltar p’ra ti
Não sei se andei depressa demais
Mas sei, que algum sorriso eu perdi
Vou pedir ao tempo que me dê mais tempo
Para olhar para ti
De agora em diante, não serei distante
Eu vou estar aqui
Não sei se andei depressa demais
Mas sei, que algum sorriso eu perdi
Vou pedir ao tempo que me dê mais tempo
Para olhar para ti
De agora em diante, não serei distante
Eu vou estar aqui
Por Irina Gomes,
para Up To Lisbon Kids®
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Engraçado que também eu quando ouvi pela primeira vez esta música, fui pesquisar quem a cantava. Fiquei surpreendida por ser a Mariza que é uma cantora que não aprecio por aí. O certo é que a música é maravilhosa e também eu já a ouvi vezes sem conta. Descreve exactamente aquilo porque passamos agora, e o medo que se tem de um dia acordamos e os nossos filhos já são grandes e o tempo passou tão rápido.