Socorro, a mãe está doente. E agora?

“O cancro não passa despercebido. É muito importante ir preparando as crianças para as várias etapas, desde a quimioterapia, à perda de cabelo e à cirurgia.”

O diagnóstico de cancro chegou depois de umas longas semanas de angústia no corre corre de exames e mais exames para finalmente receber o pior dos diagnósticos! E agora? Porquê eu? O que é que eu fiz de errado para merecer isto?

São muitas das perguntas que passam pela cabeça desta mãe que ainda está atordoada com a notícia! Logo depois vem a grande
preocupação com a família… Como é que eu vou contar aos meus filhos? Quem é que vai garantir a organização da casa e das suas vidas?

Socorro, a mãe está doente. E agora?

Triste, nervosa e cheia de medo, conversamos sobre a melhor forma de falar com os filhos, que entretanto já começavam a intuir que algo de errado se poderia estar a passar e começavam a dar sinais de algum nervosismo e mal-estar. As crianças precisam sempre de saber a verdade, que lhes deve ser contada de acordo com as suas idades, sem rodeios, mas com otimismo e força positiva.

Como é que eu vou falar como os meus filhos sem desabar a chorar em frente a eles?

Será que os pais não podem chorar em frente aos filhos?

Claro que podem… Nem seria natural que fosse de outra maneira. Quando perdemos alguém choramos em frente dos nossos filhos, quando estamos fracos ou doentes também choramos em frente aos nossos filhos, quando nos despedimos deles também choramos e em mais um cem número de situações choramos! Chorar não faz dos pais, seres fracos, nos quais os filhos
não se possam apoiar quando tudo está mais negro, chorar não implica não dar esperança…

Pelo contrário, chorar faz de nós pais, seres humanos com sentimentos e com capacidade de aceder às suas emoções. Com a normalização do sentir os pais também ensinam os filhos que podem chorar, que podem angustiar-se e não desabar! Que o dia seguinte acorda sempre mais sereno e com forças para podermos continuar…

É fundamental que os pais numa situação de doença conversem com os seus filhos, chorem com eles, mas no dia seguinte mostrem-se capazes de levantar a cabeça e continuar a lutar.

A possibilidade de perder a mãe

Para uma criança a possibilidade de perda da mãe é algo que marca profundamente. Mas que não melhora por ser deixada à parte dessa etapa dramática e dura que a família está a viver. Talvez vão amadurecer mais rápido, talvez se sintam tensos e com excesso de responsabilidade. Talvez precisem de se sentir úteis, talvez vivam angustiados. Mas nestes momentos os pais não os podem libertar de nada disso.

Por mais que queiram os filhos vão sentir, vão mudar e vão ser parte integrante da doença. Proteger os filhos nestes casos é permitir que eles participem de acordo com as suas idades. É manter a casa calma e organizada, com a ajuda de todas as pessoas que for necessário envolver. E as crianças saberem sempre quem vai garantir o seu dia-a-dia, as suas deslocações para a escola e para as atividades; É continuarem a viver um ambiente calmo e organizado; É saberem que podem colocar todas as questões, dúvidas e angustias aos pais.

A importancia do pai

Nesta situação o pai é fundamental porque talvez a mãe não esteja com tantas condições para acolher as dúvidas dos filhos e o pai
poderá ser uma peça chave nesse processo. E agarrarem-se de mão dada à esperança que tem que permanecer de “pedra e cal” com mais força do que em qualquer outro momento…

As explicações devem ser claras, objetivas mas não precisam de ser muito detalhadas, sobretudo se estivermos a falar de crianças mais pequenas. O cancro não passa despercebido. É muito importante ir preparando as crianças para as várias etapas, desde a quimioterapia, à perda de cabelo e à cirurgia.

É preciso que as crianças saibam antecipadamente, mas sem dramas, o que é que vai acontecer, sobretudo como é que a mãe vai estar. O cansaço, os enjoos, os vómitos, as diarreias… para que possam integrar que todos aqueles sintomas fazem
parte do processo e não fiquem constantemente na incerteza do que está a acontecer à sua mãe. Quando uma criança imagina, tudo é sempre mais terrível, dramático e traumatizante, do que quando sabe em primeira mão e de forma adequada à sua idade.

Falar com os filhos é fundamental em qualquer família, mas quando se trata de uma doença grave não é fundamental é imprescindível!!

Eu sou a mãe perfeita que comeu sushi e marisco na gravidez!

Eu sou a mãe perfeita que não amou loucamente o filho no segundo em que nasceu (ainda que o ame loucamente agora)

A mãe perfeita que só amamentou até aos 4 meses, e ainda assim lhe deu leite adaptado!

Eu sou a mãe perfeita que foi a correr para as urgências quando ele teve a primeira febre! Que chorou baba e ranho nos primeiros 15 dias!

Eu sou a mãe perfeita que viu o filho cair com a cara no chão, a centímetros das minhas mãos! Que já deu frutas de boião do supermercado (tantas vezes)!

A mãe perfeita que de vez em quando o deixa comer bolachas, estrelitas e pipocas!

Eu sou a mãe perfeita que já se chateou à séria com ele!

Eu sou a mãe perfeita que tem, quase sempre, a casa por arrumar, pó nas prateleiras e loiça por lavar! Que veste calças só para não ter que fazer a depilação! Que já esperou que o pai chegasse a casa para mudar a fralda! (enquanto não chegar aos joelhos, vale tudo)

Sou a mãe perfeita que já fingiu não o ouvir enquanto estava no banho, para que o pai fosse lá!

A mãe perfeita que já ficou na cama a dormir, enquanto o pai e ele se levantaram e foram brincar para a sala! A mãe perfeita que já o deixou com a avó para ir jantar fora!

Eu sou a mãe perfeita que o deixa comer terra ou areia e perceber por si próprio que não é lá muito agradável! Sou a mãe perfeita que nem sempre tem paciência para brincar! A mãe perfeita que, por vezes, quer apenas ficar a ver televisão.

Eu sou a mãe perfeita que às vezes o deixa dormir na minha cama só para não ter que o ir pôr na dele! Que nunca atinei com um marsúpio/sling  (ou lá o que chamam àquilo)! Sou a mãe perfeita que já o deixei dormir no carro!

Eu sou a mãe perfeita! E para quem tenha dúvidas perguntem-lhe a ele, quem seria para ele a mãe perfeita!

Aposto que a resposta, sou eu!

Quando a educação dói: mães tóxicas

Neste artigo vamos falar sobre mães tóxicas. No entanto, convém frisar que também há pais e avós tóxicos. São mestres em educar as crianças sem estimular o crescimento pessoal e a segurança. Com isto, no futuro poderão ter a sua independência física e emocional bastante prejudicadas.

O papel da mãe é quase sempre mais forte na educação dos filhos. É esta que define o vínculo de carinho e afeto com a criança que, com passar do tempo, sairá dos seus braços e saberá que tem uma mãe que a ama. A criança terá sempre a referência do amor incondicional da mãe, mas de forma saudável, pois amadureceu de forma inteligente.

As mães tóxicas oferecem um amor imaturo aos seus filhos. Projetam sobre eles as suas inseguranças para se reafirmar e, assim, obter um maior controle sobre a sua vidas e a dos seus filhos.

O que está por trás da personalidade das mães tóxicas?

Por mais estranho que pareça, por trás do comportamento de uma mãe tóxica está o amor. Agora, todos sabemos que quando se fala de amor, há dois lados da mesma moeda: uma dimensão capaz de promover o crescimento pessoal do indivíduo, seja a nível de parceria ou a nível familiar, e outro lado, mais tóxico, onde um amor egoísta e interessado é exercido, por vezes de forma sufocante, que pode ser completamente destrutivo.

O factor preocupante é que as famílias que exibem estas artimanhas de toxicidade fazem-no em crianças, indivíduos que estão em processo de amadurecimento pessoal, tentando estabelecer a sua personalidade e desenvolver a sua autoestimaTudo isto vai deixar grandes lacunas e  inseguranças nos filhos que, por vezes, se tornam intransponíveis.

Vejamos as dimensões psicológicas delineadas das mães tóxicas:

Personalidade insegura

Às vezes, possuem uma nítida falta de autoestima e autossuficiência que as obriga a ver nos filhos uma “salvação”, algo que devem modelar e controlar para ter ao seu lado, para cobrir as suas deficiências.

Quando notam que os filhos se estão a tornar independentes e capazes de construir as suas próprias vidas, estas mães sentem uma grande ansiedade, pois temem, acima de tudo, a solidão. Portanto, são capazes de implantar “truques hábeis” para as continuar a manter por perto, projetando desde o início, a sua própria falta de autoestima, as suas inseguranças.

Obsessão pelo controle

Estas mães têm o hábito de controlar todos os aspectos da sua vidas, não dão ponto sem nó. Passam então, a fazer o mesmo na vida dos filhos. Não conseguem respeitar os limites. Para as mães toxicas, controle é sinónimo de segurança, algo que faz com que se sintam muito bem.

O problema, é que estas mães convencem-se que as suas atitudes são reflexo do seu amor.

“Eu vou-te facilitar a vida e controlar as tuas coisas para te fazer feliz”

“Eu só quero o que é melhor para ti e com a minha ajuda não precisas de aprender pelos teus erros ou experiencia”

O controle é o pior acto de superproteção. Evita que as crianças sejam independentes, capazes e corajosas. E impede que aprendam com seus próprios erros.

A projeção dos desejos não realizados

“Quero que tenhas/faças tudo o que eu não tive/fiz

“Não quero que cometas os mesmos erros que eu”, “

As mães tóxicas projetam nos filhos os seus desejos não realizados sem pensarem duas vezes se é isso o que ele querem, sem lhes dar a opção de escolha. Refugiam as suas opções no amor incondicional, quando, na realidade, o que demonstram é um falso amor. Um interesse amoroso.

Como lidar com uma mãe “tóxica”?

É necessário estar consciente de que tem de se quebrar o ciclo de toxicidade. Tens vivido muito tempo neste ciclo, sabes as feridas que te causou. Mas agora precisas de abrir as asas e voar. Para seres feliz. Será difícil, mas deves começar por dizer “não” para pores as tuas necessidades em voz alta e aumentar as tuas próprias barreiras, aquelas que ninguém poderá ultrapassar.

Trata-se da tua mãe, e quebrar este ciclo de toxicidade pode causar danos. Às vezes, dizer a verdade pode parecer prejudicial, mas é uma necessidade vital. Isso significa deixar claro o que permites e o que não permites. Não queres causar nenhum dano, mas também não queres sofrer mais com esta relação; isto deve estar bem claro na tua cabeça. Lembra-te que uma mãe tóxica, transforma-se numa avó tóxica.

Reconhece a manipulação.

A manipulação por vezes é tão é tão subtil que não nos apercebemos, pois pode estar em qualquer palavra, em qualquer comportamento. E, acima de tudo, não caias na “vitimização”, um recurso muito utilizado pelas mães e pessoas tóxicas. Mostram-se como as mais sofredoras, as mais feridas quando, na realidade, o mais ferido és tu. Lembra-te sempre disto.

image@Anna Radchenko

Por A mente é maravilhosa, adaptado por Up To Kids®

Onde está a mãe?

Apesar de viverem uma vida despreocupada (pelo menos é a minha esperança relativamente à grande maioria), as crianças também têm as suas inquietações.

Não me refiro ao “por que é que à noite não há sol?” ou ao “como é que os aviões voam se não batem as asas”, falo de inquietações que lhes tocam perto do coração.

No caso da minha filha de três anos e meio tenho vindo a reparar que se vê um vídeo com baleias se apressa de imediato a designar a mãe, o pai e os filhos. O mesmo nas ilustrações de um qualquer livro em que as personagens não são as principais. Está a começar a formar o verdadeiro sentido da palavra “família” e da sua importância e aí é que começa o “drama”.

Quando a levámos ao cinema para ver o filme “Coco” eu estava à espera de perguntas, das mais difíceis. Afinal, o personagem principal é uma criança de uns oito anos que entra sem querer no mundo dos mortos e circula por entre caveiras e ossos. Quando a vi inclinar-se para mim pensei “é agora”. Mas a pergunta dela surpreendeu-me, como aliás acontece muitas vezes. O que ela queria saber era “onde é que está a mãe”. Com as caveiras podia ela bem, o que estava a deixá-la desconfortável era por que é que aquele miúdo estava “sozinho”.

Compreendo-a perfeitamente. A mãe (o pai, claro) significam uma segurança, um porto de abrigo, uma garantia de que aconteça o que acontecer pelo menos está ali alguém para lhes dar a mão.

E nos filmes da Disney a situação é dramática, vejamos:

Bela e o Monstro: A Mãe morreu, nem se fala nela.

Branca de Neve: A Mãe morreu e por isso existe lugar para a maléfica madrasta.

Bambi: A Mãe morre durante a história.

À procura de Nemo: A Mãe morreu.

Cinderela: A Mãe morreu (e fiz a “asneira” de ver a versão não animada com a minha filha, onde se vê a mãe a definhar, doente, antes de morrer”).

Frozen: Mãe e pai morrem no início do filme deixando as irmãs sozinhas no mundo.

Pequena Sereia: A Mãe morreu.

Podia continuar por algum tempo, mas acho que já todos tínhamos percebido esta dinâmica. Uma dinâmica que me transtorna um pouco, apesar de ter crescido com estas histórias, porque elas moldam um pouco a forma como vemos o mundo.

Na maior parte dos casos acontece que o pai, viúvo, está tão desolado por ter perdido a mulher que procura de imediato uma figura materna que tome conta da filha (como se ele não fosse capaz disso mesmo e isso não se esperasse dele), normalmente errando de forma dramática, deixando entrar dentro de casa uma mulher terrível. Depois a filha só poderá ser salva por um outro homem, o seu príncipe encantado, que será a sua salvação daquele mundo onde o pai a deixou.

São filmes de outra época, mas são filmes intemporais e por isso é importante que elas (as nossas filhas, sobrinhas, afilhadas, enteadas) saibam coisas importantes, como por exemplo:

-A felicidade depende delas, e não de um homem que pode ou não aparecer mais tarde ou mais cedo no seu caminho;

– As madrastas não são más, acredito eu até que as de má estirpe são hoje a excepção

– As raparigas são capazes de lutar por si mesmas e devem fazê-lo e não esperar que alguém venha resolver todos os seus problemas.

Sei que os filmes mais recentes acentuam uma mudança no paradigma (Frozen é brilhante e realista, põe a força no amor entre as irmãs, o obstáculo é aliás criado por um amor à primeira vista que no mundo real nunca teria dado certo e como se vem a confirmar o príncipe aqui não interessa a ninguém, é interesseiro e mau carácter, não tem coração. E são as personagens femininas, com a ajuda de dois amigos verdadeiros, que vão à luta, enfrentando os seus problemas) e é importante que as nossas crianças recebam a mensagem, não apenas as raparigas mas os rapazes também.

O mundo que os espera tem desafios sem fim e gosto de acreditar que estou a preparar a minha filha para os enfrentar por si, sabendo pedir ajuda quando precisa e não por causa do seu género nem por se sentir incapaz por esse mesmo motivo.

Quanto à ausência das mães, sei melhor que ninguém (afinal é com isso que trabalho) que sem conflito não há história e que os filmes de eternas princesas darão lugar a outros (Brave, Divertidamente, UP- Altamente, etc) em que o foco não está na perda de um dos familiares.

Até esses serem a maioria cabe-me tentar tranquilizar a minha filha garantindo que não pretendo ir a lugar algum.

E que muitas das aventuras desta vida acontecem longe dos pais (por mais que isso nos possa custar).

imagem@weheartit

Quando nasce um bebé nasce, também,  muito mais do que uma vida.

Há uns dias vi uma imagem algures por aí na net dizia:

Quando nasce um bebé, nasce um coque! ”. Pensando bem, quando nasce um bebé nascem em simultâneo tantas coisas.

Nasce uma família! Todo um mundo de pessoas para conhecer e desejosos de conhecer o novo membro.

Nasce o coque. O tão prático coque, que permite mudar fraldas, pegar e evitar que eles se agarrem aos nossos cabelos.

Nascem nódoas. Um pouco por todo o lado, como se fossem cogumelos. Manchas de leite, de sopas, de fraldas sujas…

Nascem olheiras. Fruto da tão sofredora privação de sono. Do ter que estar acordada a cada 2/3 horas.

Quando nasce um bebé nasce, também, o cansaço. As obrigações são muitas e o descanso é curto, e um enorme cansaço instala-se para ficar.

Nasce um brilho nos olhos. Aquele brilho único de uma mãe que olha para o seu filho. É tão único. Tu sabes.

Nasce um encaixe perfeito. Aquele que costumo dizer: “Não há encaixe mais perfeito do que o de um bebé no colo de sua mãe”

Nascem dúvidas e incerteza. Tão características das mães, tão naturais, tão carinhosas. Afinal, estas dúvidas não são mais do que a busca do melhor para eles.

Nasce um cheiro. Aquele cheirinho que só um bebé tem, e que é tão delicioso.

Nascem novas aventuras todos os dias. Um banho salpicado, um xixi na cama, um primeiro gatinhar, uma primeira palavra, uma queda, um susto, um passeio em família… Uma nova aventura e algo para contar todos os dias.

Quando nasce um bebé nasce, também, uma mulher. Ela não sabe, mas renasce. A mulher é agora mãe, e a mãe é uma outra mulher. Uma mulher capaz de mover o mundo. Um mulher que tem a força de um super-herói e o coração a bater fora do peito.

Quando nasce um bebé nasce uma vida. O bebé! Já pensaram em tudo o que eles ainda vão viver… Tudo o que ainda vai acontecer… Haverá maior “milagre” que este?

Quando nasce um bebé, nasce um amor. O maior de todos. Sem fim, sem medidas. Incontrolável, imensurável. Tão grande e tão forte que dói, que nos faz chorar, e que faz de todas nós mães felizes, todos os dias!

imagem@comfort

Quando fores mãe vais ver o mundo com outros olhos.

Vais dormir menos e pior.

Vais ouvir conselhos desnecessários e uns poucos que realmente ajudam.

Vais perder minutos do teu dia à espera de atravessar a ruas porque se ensinaste que só se pode passar quando o sinal está verde, então é isso que fazes.

Vais ter novamente cinco anos, fazer coreografias de músicas, rir como se ninguém estivesse a ver.

Vais fazer planos e perceber que às vezes o melhor é não fazer planos.

Vais cozinhar mais sopas do que as imaginavas possíveis.

Vais gabar a imaginação da tua mãe, que conseguiu sempre fazer comida diferente para pôr na mesa.

Vais desejar ser tão boa como ela (se tiveres um bom exemplo) e trabalhar para chegar lá perto (ou para seres completamente diferente, se não tiveres tido a sorte de ter uma boa mãe).

Vais sentir o peso da gravidade, não só no corpo mas porque os teus filhos invariavelmente, quando te dão a mão, têm tendência para puxar os braços (o que é que lhes dá?? ?)

Vais mudar demasiadas fraldas e bater palmas quando essa fase chega ao fim.

Vais cantar para acalmar o teu filho, por mais desafinada que seja a tua voz.

Vais dormir com sentimento de culpa mais noites do que gostarias.

Vais sentir-te a pessoa mais afortunada do planeta por que ter um filho maravilhoso.

Vais rir-te sozinha quando te lembrares das saídas que os teus filhos têm.

Vais lembrar-te de quando eras miúda e de como as coisas mudaram tanto.

Vais ter medo.

Vais ter coragem.

Vais estar muitas vezes sozinha (metafórica e literalmente).

Vais estar a maior parte do teu tempo em casa acompanhada.

Vais ser chamada milhões de vezes por dia. Assim que parares para descansar dois minutos. Assim que entrares na casa de banho. Assim que pousares o livro e apagares a luz para dormir. Assim que puseres a série no play.

Vais ensinar a andar, a correr, a levantar depois de cair.

Vais ajudar a subir ao escorrega e a descer sem medos.

Vais limpar ranhos, feridas, lágrimas.

Vais sacudir poeira, desvalorizar nódoas, autorizar brincadeiras nas poças.

Vais medir a temperatura, dar beijinhos na testa, dar colo.

Vais ralhar e apontar o dedo.

Vais mandar arrumar, mas também vais brincar.

Vais sorrir e em alguns dias esses sorrisos serão o que te salva.

Vais dar a mão. Vais receber a mão dos teus filhos na tua mesmo quando não a pedes.

Vais ser abraçada. Vais receber carinhos. Vais ser amada.

Vais amar como nunca amaste antes.

Vais defender as tuas crias do mundo.

Vais aprender a vê-las de forma imparcial e a reconhecer as suas falhas.

Vais fazer o que estiver ao teu alcance para as falhas serem recuperadas.

Vais falhar.

Vais cair.

Vais ter arrependimentos.

Vais perder a paciência.

Vais ter vontade de virar costas e ir embora.

Vais ficar.

Porque é disso que as mães são feitas.

imagem@weheartit

Gosto da mãe até à lua. Infinitos de infinitos e voltar

É inquestionável o amor que sentimos pelos nossos filhos mas e o amor que eles sentem por nós? Quantas mães não ouviram já, ou leram em cartas e recados rasurados, gosto da mãe até à lua e voltar? Infinitos de infinitos?

O amor que os nossos filhos sentem por nós revela-se em cada pormenor do seu dia-a-dia e em cada acordar noite após noite. Felizmente, no que toca a noites, falo de barriga quase cheia. Os meus três filhos dormem quase todas as noites pelo menos cerca de 10 horas seguidas.

O amor deles apresenta-se de todas as formas de arte que  conhecem e dominam.

Na arte da dramatização – com as birras de manhã para não ficarem na escola; na pintura –  com os desenhos que são, quase sempre sobre a mãe, que é, na maior parte das vezes, uma senhora alta, magra, de nariz largo e faces muito rosadas; na caça ao tesouro do conforto da cama da mãe em noites de pesadelos; no palco dos fins-de-semana por poderem ficar mais tempo na sala; na luta pelo lugar no sofá ao lado da mãe; na escrita criativa com as dedicatórias mais empenhadas e sobre avaliadas, confiantes que a mãe será sempre, ou pelo menos até serem adolescentes, a melhor mãe do mundo (esta parte da melhor mãe do mundo, sempre me deixou de consciência pouco tranquila, é só a mim?)

As manifestações de amor desaparecem com a idade

Naturalmente, com a idade, vão perdendo a vontade e o à vontade para grandes declarações de amor. Dos 3, o mais velho é o que, actualmente, menos se manifesta em relação aos sentimentos. Também eu, à medida que fui crescendo deixei de escrever notas aos meus pais a dizer o quanto gosto deles. E gosto tanto. Já não faço desenhos com a cara deles colada ao peito, os braços a saírem da cabeça e os olhos nas orelhas. Já não lhes peço colo no centro de saúde quando vou às vacinas. Nem chamo por eles em noites de trovoada. Também não lhes ligo de manhã a dizer que não me apetece ir trabalhar. Ou mesmo que gostava de ficar a dormir até mais tarde ou, simplesmente, a esborrachar o sofá lá de casa.

Na semana passada, uma criança, a um dia de fazer 4 anos, morreu nos braços da mãe, sufocada com uma bola saltitona. Não quero explorar aqui a tragédia da história em detalhes – sei que é a vida, que por oposição à morte, se revela com toda a efemeridade e fragilidade, com retalhos que não são fáceis de coser.

Basta um segundo para que tudo o que era, deixe de ser. Enquanto é, enquanto somos mães (e que o sejamos para sempre), enquanto somos filhas, netas, tias, enquanto somos sobrinhas, madrinhas e afilhadas, é dizer, falado, escrito e desenhado, as vezes que forem possíveis, com vontade e à vontade. Gosto de ti até à lua, ir e voltar, infinitos de infinitos. E mesmo depois, quando o que era já não é, vou continuar sempre a gostar de ti, até à lua e voltar, infinitos de infinitos.

imagem@MariaCarvão

Carta a um bebé que vai crescer sem a mãe.

Querida Maria,

Não me conheces mas tenho ouvido falar muito de ti.

Os teus avós e o teu pai têm feito os possíveis para que o teu início de vida seja o mais normal possível, dadas as circunstâncias. Mas o que já deves desconfiar é que não é natural que o ritmo do coração que ouves quando estás a tentar dormir, e às vezes não consegues, não seja o mesmo que te carregou durante nove meses. É no colo da tua avó que adormeces e te acalmas, comes, começas a sentir o mundo à tua volta e não no da tua mãe.

Não tens noção da diferença e ainda bem que assim é, porque partiria o coração da tua mãe saber que lhe sentes mais falta ainda do que o que é biologicamente esperado.

Nasceste há três semanas, um pouco antes do tempo previsto, porque a tua mãe não aguentou mais as dores. Nunca tinha sido mãe e diziam-lhe que a hora tinha chegado. Mas no fundo, ela sabia, sempre soube, que alguma coisa estava errada.

Meses antes de nasceres sentia dores fortes nos ossos, e queixou-se aos médicos, que desvalorizaram dizendo que eram apenas os ossos a alargar.

As pontadas nas costas eram de tal ordem que foram feitos exames e a tua mãe teve de fazer hemodiálise porque um dos rins estava a falhar. Era normal, disseram, acontece em muitas gravidezes. Impotente, a tua mãe aguentou, que poderia ela fazer? O que tinha a seu favor era apenas o instinto e ela não sabia que o seu instinto podia tudo.

Mais para o fim do tempo ela começou a perder as forças. O teu pai, desesperado, levou-a ao hospital e pediu ajuda. Não podia ser normal, aquilo não eram apenas contrações. No bloco operatório foi feita uma cesariana de urgência e a felicidade de te trazerem ao mundo foi manchada pelo choque pelo do que os médicos encontraram. Infelizmente havia tumores nos ovários, a tua mãe tinha um cancro que estava espalhado por todo o corpo. Sem forças, abriu apenas os olhos para te ver pela primeira vez. E te ouvir chorar. Esse facto tranquilizou-a e deixou-a lutar por si, definitivamente. Mas o tempo tinha passado e a situação era crítica e a tua mãe teve várias paragens cardiorrespiratórias.

Foste para a incubadora até teres autorização para ires embora, o que aconteceu mas a tua mãe ficou. Está medicada para aguentar as dores até que a sua hora chegue, porque agora não há nada que possam fazer por ela a não ser esperar.

O teu pai divide o tempo entre ti e a cabeceira da tua mãe, que lhe custa abandonar, porque não a quer deixar sozinha, porque não sabe quando será a última vez que lhe pode segurar na mão e segredar-lhe ao ouvido que estás bem, que ficas bem, que vai cuidar de ti como ela cuidaria.

Mas a tua mãe ainda não quer ir embora, acredito eu porque precisa de te sentir mais uma vez, mesmo que isso não seja possível pelo perigo que existe para ti ao entrares naquela ala do hospital. Está em suspenso e por mais cansada que esteja acredita num milagre, o milagre de acordar e poder ver-te crescer.

Mas o milagre que ela pede és tu, minha querida. Conseguiste crescer saudável apesar de tudo, nasceste e estás fora de perigo.

Infelizmente a tua mãe não tem todo o tempo do mundo e chegará o dia em que ela já não vai estar cá, muitíssimo mais cedo para ti do que para qualquer um dos amigos que terás na escola.

E tu, minha querida Maria, tens a sorte de ter a família do teu pai por perto, já que a da tua mãe não consegue viajar para Portugal para conhecer a neta nem para se despedir da filha. E todos farão os impossíveis para que cresças feliz e saudável e desta vez o destino há-de estar do seu lado.

Estás aqui também para lembrar a todas as mães, mesmo aquelas que ainda têm os seus pequenos bebés na barriga, que o seu instinto raramente está errado. Que devem lutar até terem uma resposta satisfatória. Que se não as ouvem num médico, deverão bater a todas as portas até que sejam ouvidas.

Não sabemos o que podia ter sido diferente caso o cancro da tua mãe tivesse sido diagnosticado mais cedo. Nunca saberemos. Mas sabemos que a tua mãe sabia que algo estava errado e podia ter lutado mais, se a tivessem deixado.

Por isso, a maior herança que terás dela é essa força, essa garra. É a lembrança de que mesmo medicada, afastada do mundo e de tudo o que acontece fora das quatro paredes do quatro onde ela ouve as malditas máquinas apitarem todos os dias, o seu coração bate fora do seu peito.

E assim será para sempre.

Que faças com esse coração sempre o bem, querida Maria, porque nem todos nós somos fruto de um milagre – mas graças a ti deixaremos de tomar tudo como garantido.

Prometo.

Amo ser mãe, quase todos os dias…

Amo o meu filho como qualquer mãe, tanto que dói! Sou completamente louca, apaixonada e obcecada por ele. Penso nele 24H por dia, e o meu objectivo de vida é vê-lo ser feliz!

Mas às vezes não me apetece….

Às vezes cansa… E não vale a pena culpar o stress dos tempos que correm ou a azáfama de ser mãe trabalhadora, porque a verdade é que não é nada disso.

A verdade, que eu admito aqui, e que tenho a certeza que muitas mães sentem é que às vezes quase que apetece nunca os ter tido. EU DISSE QUASE!

Há dias em que simplesmente não me apetece… Não me apetece ir busca-lo à escola sem sequer ter tempo para olhar de esguelha para uma montra na rua.

Não me apetece dar banho e sair da casa de banho como quem acabou de enfrentar um tsunami…

Não me apetece ter que ver aquela camisola que tanto gosto suja de baba, de ranho ou do esparguete à bolonhesa que ele decidiu atirar-me.

Não me apetece ver o panda, ou a patrulha pata ou a porra da Masha mais a merda do urso.

Não me apetece ter que ir para a cama às 21h da noite para passar 1h deitada a tentar que ele adormeça enquanto canta, bate palmas, grita, chora, ri – tudo menos dormir.

Não me apetece arrumar um monte de brinquedos e pisar três legos porque, se pudesse escolher, preferia andar descalça sobre brasas do que pisar aquela porra.

Às vezes me apetece comer legumes nem peixe mas sim uma pizza, só que não porque “o menino também vai querer”.

Não me apetece acordar às 7h e ter que jogar à bola e cantar quando ainda tenho um olho meio fechado e o bafo da cama.

Não me apetece ter que repetir o seu nome pelo menos 15 vezes porque ele continua a não ouvir o que lhe digo.

Não me apetece ser literalmente atropelada, amassada e apertada quando ele decide fazer de mim um trampolim e saltar-me em cima durante o que me parecem ser horas.

Não me apetece ter que andar a sussurrar a partir das 22h como se vivesse num convento.

Não me apetece preparar roupa lavada e lanchinhos todos os dias, quando para mim nem um iogurte liquido sobra.

Não me apetece ir esfregar nódoas de relva, de comida e de lápis de cera e de sei lá eu mais o quê, porque na verdade mais parece que o puto andou a nadar num contentor de lixo…

Há dias em que simplesmente não me apetece… mas tem que ser.

Porque ser mãe é mesmo assim. Sem folgas, sem fins-de-semana, sem férias, sem feriados, sem pausas, sem descanso. É um trabalho constante e para toda uma vida.

E por mais que, na verdade, sejam muito mais as alegrias, a felicidade, o amor e os momentos bons, há sempre dias em que não me apetece.

image@imgrum

 

 

Mãe, sigo os teus passos

No decorrer apressado dos dias, pouco tempo temos para desacelerar e pensar em quem vem ao nosso lado ou atrás de nós, a seguir-nos os passos: os nossos filhos e filhas.

Tenho noção clara do papel dos pais e mães na educação dos filhos e das filhas e como os exemplos influenciam a formação dos novos cidadãos e cidadãs. Contudo, nem sempre penso nisso nas minhas atitudes no dia a dia.

Apercebi-me que a minha filha imita todos os meus passos e, se por vezes acho engraçado, outras torna-se desconfortável. Com os rapazes nunca assimilei tal comportamento…

A minha filha observa-me ao pormenor: a roupa que uso, o que faço no trabalho, como penteio o cabelo, como uso maquilhagem (as poucas vezes que uso) e principalmente o batom. Fica atenta aos meus passos como fosse a minha sombra.

Observa o que gosto de fazer e tenta repetir os meus atos com uma facilidade que me surpreende. Tenta escrever como eu e já ensaia poemas qu,e ao contrário dos da mãe, rimam. Já aprendeu a fazer Zumba e agora tenta fazer Pound Fitness. E não é que consegue?! E foi neste momento que descobri que sou o seu exemplo de referência, e consequentemente, apercebi-me do cuidado que devo ter com as minhas atitudes.

As mães são os espelhos das filhas e a nós mães cabe o papel de sermos “bons modelos” criando Mulheres que no futuro saberão lidar com o mundo modificando estereótipos enraizados na sociedade.

Quando ela crescer quero que seja uma Mulher independente, corajosa, forte e sobretudo que se ame, valorizando todas as suas qualidades. Espero que a sua vontade prevaleça e que as suas asas voem sempre mais além, sem que seja colhida num dos seus voos … Pois, a liberdade é preciosa!

Enquanto isso terei de ser a Mulher que quero que a minha filha seja…

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