Acordas um pouco antes do despertador tocar. Um momento apenas. Chegas a mão ao telefone e constatas que, afinal, são duas da manhã. Estás sozinho na cama. A ausência dela, revela que os sons sentidos (mais do que ouvidos) eram da bebé a chorar. Ela já lá foi. Acalmá-la. Ou dar de mamar…talvez sejam sinónimos. Custa-te. A tentativa de voltares a dormir tranquilo é vã, mas a frase não te sai da cabeça: “Que noite horrível! Não pode ficar pior!”

O resto já não é sono, é uma espécie de nada. Um par de horas mais tarde, o do meio (ai o tanto para dizer sobre o filho do meio…) acorda mal disposto. Levantas-te e dás-lhe água. Ainda ficas na dúvida. Pode ser medo. Estás de volta ao quarto e ouves o barulho que te faz voltar para trás. Chegas e percebes que o teu filho vomitou. “Uns choram, uns vomitam…o que vão fazer mais?!”

O resto já não é noite, é uma espécie de manhã antecipada.

Sais para o trabalho depois de constatares que a balança não ajudou nessa manhã. Culpas a retenção de líquidos. Culpas os genes. Culpas a noite mal dormida. Culpas os miúdos. Talvez pela falta de segurança, não cativas as pessoas com quem te cruzas no trabalho. Sentes que não gostam de ti. “Estes não estão mesmo a ir com a minha cara…

Enfrentas o dia de trabalho no teu pior. Com sono. Cansado. Com olheiras. Com calor. Com um frio no estômago, causado pela dúvida sobre a causa da má disposição do teu filho do meio. Dás por ti a deixar o carro descair, quase batendo no de trás. Os pensamentos estão num turbilhão. Em vez de teres a cabeça “limpa” para chegar bem para apanhar o teu filho, aumentas as probabilidades de não chegares por teres um acidente.

Apanhas o miúdo e ainda chegas a casa com mais vontade da corridinha da ordem. Nada te vai impedir. Os miúdos já têm lá a mãe, já podes. Sais disparado. Sentes uma fisgada no gémeo. Voltas para casa lesionado. O miúdo continua mal disposto. A bebé chorou na Escola. A tua companheira tem um aspirador para andar a tiracolo. Achas estranho. Gritas com todos!

Pegas no copo de vinho e sabe mal. Está quente. Ou frio. A culpa deve ser também da retenção de líquidos. A bebé parece estar especialmente rabugenta. O rapaz, bem, o rapaz, passou o dia a vomitar…pede para vestir um pijama de inverno e nem está frio. Também deve ter febre. Ou é friorento. Deve ser dos genes, dado que também lhe custa um pouco levantar, como à mãe.

Voltas à questão base: Será que sei viver? Será que sei educar? Será ?! Precisas virar o jogo. Ou ir dormir. O que podes fazer?

Há duas saídas. Ou deixas o dia andar, e vais-te deitar. Ou arriscas. Ou sonhas. Ou tentas brilhar. Tentas sorrir. Podes telefonar àquela pessoa, podes dar um beijo prolongado à pessoas que amas, podes pedir um abraço de grupo ou podes falar com a tua mãe. Também podes pegar no teu livro. Ou ouvir a tua música. Podes ir para a rua tentar conhecer alguém. A sério. Podes arriscar. Foi o que eu fiz. Guardo para mim os pormenores da opção que escolhi, mas o risco fez-me viajar até às questões essenciais. E as frases, as respostas, nem sempre vêm completas. Por vezes, há uma frase misteriosa capaz de catapultar um bom sentimento.

 “Se ouvires essa música com atenção, vais encontrar um pouco da nossa história.”

Pus a música a tocar, e assim relembrei que a vida tem a cor que tu lhe dás. Sete cores de um arco-íris imaginado.

  • Nem sempre dizemos aquilo que queremos dizer. Nem sempre as nossas palavras, a nossa linguagem, consegue expressar tudo aquilo que estamos a sentir. E o outro, o que nos ouve, também vai interpretar à sua maneira. É a complexidade da comunicação a perigar o nosso bem-estar.
  • Por vezes, também dizemos para nós mesmos coisas que não devíamos dizer. Somos vítimas do nosso pensamento. Vítimas de um mau diálogo interior. “Que noite horrível! Não pode ficar pior!” Esta frase, estas palavras, estes pensamentos, fizeram-me bem? Ajudaram a minha mulher? A minha família? E, já agora, ninguém vomita por querer.
  • “ Estes não estão mesmo a ir com a minha cara…”. E depois? Será que todos têm que gostar de mim? Claro que não. E mesmo os filhos, se eu estiver no bom caminho, vão ter momentos em que “não gostam de mim”. Agradar a todos não é para todos. Talvez não seja para ninguém. Há-que tirar da cabeça o querer “agradar a gregos e troianos”.
  • Pensar leva a agir. E pensar no momento errado nas coisas erradas leva a más ações. Em alguns momentos, deves agir (guiar com calma, com assertividade) para colocar o cérebro a pensar no essencial. A ação repetida também leva a modificações nos sentimentos e nos pensamentos. Concentra-te nas mudanças, nos pedais, na estrada…
  • Pede desculpa. Tão simples quanto isto. Se gritaste com alguém que não tinha culpa, pede desculpa. Assume que erraste. E, se for rotura muscular, coloca gelo. Lembra-te sempre: Quando o casal está bem, os filhos estão também, por isso, pede desculpa.
  • Arranja um despertador para os miúdos. Um para acordarem e, porque não, um com um alarme para a hora de deitar! Se lhe custa levantar, pode ser sono. Pode ter dormido pouco.
  • Completa os enigmas que a vida te apresenta. “Se ouvires essa música com atenção, vais encontrar um pouco da nossa história.” Se leres com atenção o que escrevi, vais encontrar algumas das tuas perguntas. Sim, perguntas. São, quase sempre, mais importantes do que as respostas.

E assim, o dia terminou. Mais do que perfeito.

 

Por Alfredo Leite, para Up To Kids®
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Todos queremos ter uma boa relação com os nossos filhos. No entanto queixamo-nos deles sem nos darmos conta da nossa própria – gigante – contribuição para que essa boa relação seja possível. Esquecemo-nos de olhar para nós próprios em primeiro lugar.

Como em todas as relações que se querem saudáveis tem de sentir-se segurança, confiança, respeito e amor. E numa relação de pais e filhos essa verdade não é diferente. Aliás, é exactamente aí que tudo começa.

Todos queremos ter filhos que colaborem, que ajudem nas tarefas, que sejam responsáveis, que sejam respeitadores.

A grande maioria dos pais querem que os filhos sejam obedientes. E para isso recorrem a métodos punitivos quando as suas expectativas saem defraudadas, julgando essa ser a forma mais eficaz para fazer valer a sua autoridade.

E depois, quando a situação arrefece, muitas vezes ficam tristes, frustrados e tantas vezes arrependidos. Mas voltam a repeti-lo. E repetem-no vezes sem conta, porque na verdade, não conhecem outro caminho, ou não conseguem aceitar que existem outros caminhos. É o peso da história tantas vezes a falar por si.
Ao longo dos meus anos de pesquisa e observação, fiz uma fabulosa descoberta acerca do arrependimento. O arrependimento é uma forma que o nosso instinto encontra para nos enviar uma mensagem de alerta para a necessidade de mudança.
E muitas vezes o mais difícil é sabermos o que podemos fazer de diferente. Então voltamos ao que conhecemos.

Einstein dizia que “insanidade é continuar a fazer sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes.

Nesta nossa maravilhosa, compensadora mas misteriosa jornada enquanto pais, existem muitos caminhos que podemos escolher. E escolhermos a via pacífica não faz de nós maus pais. Muito pelo contrário.
Faz de nós melhores pais! Melhores mentores para os nossos filhos, melhores seres humanos, melhores cuidadores. Faz de nós pais ricos, porque é uma via que nos ensina a esforçarmo-nos, a desejar crescer por dentro. A melhorar.

Sermos pais pacíficos não significa de todo sermos pais permissivos.
Sermos pais pacíficos não significa fugirmos do conflito.
Sermos pais pacíficos não significa não estabelecermos limites.

Sermos pais pacíficos significa estabelecermos esses limites com empatia, regulando as nossas próprias emoções para que nos consigamos manter ligados de forma respeitosa e gentil enquanto o fazemos.

Sermos pais pacíficos, significa criarmos os nossos filhos através de atitudes positivas. E isso significa praticar a empatia e conexão com os nossos filhos nos momentos mais difíceis.
Significa deitar fora o método clássico do castigo/recompensa e aprendermos a relacionarmo-nos, a respeitar e a amar os nossos filhos sempre.
Por estarmos tão culturalmente formatados apenas para uma forma de educar, parece à partida estranho, senão impensável que se possa educar sem punir, sem ameaçar, sem exercermos o nosso poder.
Mas se queremos ter uma relação melhor com os nossos filhos, se queremos que eles sejam cada vez mais respeitadores, cada vez mais cooperantes, precisamos explorar as várias soluções que existem. E essas são vastíssimas.
A disciplina externa não desenvolve de forma alguma a auto-disciplina. Provoca resistência e é inútil.
Tentemos pôr-nos no lugar de uma criança por um momento. Não nos provoca resistência a nós? Quando nos sentimos encostados à parede, como nos sentimos? Quando somos pressionados a fazer algo que não gostamos, que desconfiamos ou que não queremos fazer, como nos sentimos? Somos maus por isso? Somos feios? Somos teimosos? Somos menos merecedores de compreensão, de consideração ou  de amor?
Agora imaginemos uma criança pequena ou um adolescente que está ainda desenvolver toda a sua estrutura.

Então o que podemos fazer?
Bernard Shaw defendia que o progresso é impossível sem mudança. Ele afirmava que aqueles que não conseguem mudar as suas mentes não conseguem mudar nada.
Educar com sucesso as emoções de nossos filhos sem alterar a nossa forma de perceber, sentir, pensar, agir e comunicar com os nossos filhos não é provável. Criar e nutrir crianças mais equilibradas, estruturadas e felizes só é possível quando nós, como pais, sentirmos, pensarmos e agirmos de forma calma e respeitadora com nossos filhos. De forma mais equilibrada, mais consciente e mais estruturada.
Precisamos criar uma estrutura equilibrada e pacífica dentro de nossas próprias casas, para os nossos filhos seguirem o nosso exemplo.
O primeiro passo para o nosso sucesso como pais está exactamente em mudar a nossa mentalidade. Em alterar a nossa forma de educar, de nos relacionarmos com os nossos filhos. Significa reconhecermos a nossa responsabilidade em muitos dos seus comportamentos e em mudarmos os nossos próprios comportamentos e as nossas próprias percepções.
Criar e proteger uma relação harmoniosa com os nossos filhos é um assunto de importância tão primordial e vital, porque é ela que define e molda a maioria – senão todas as escolhas emocionais presentes e futuras.

E como é que se faz isso?
Precisamos de olhar para dentro de nós próprios e para a nossa maneira de trabalhar os nossos próprios problemas, emoções e frustrações.
Também devemos aprender a desprender-nos de todos os conceitos e mitos já enraizados sobre crianças e começar a observar activamente os nossos filhos profunda e claramente. Sem rótulos ou ideias pré-concebidas.
Depois, precisamos de aprender a criar dentro de nós mesmos novos sentimentos, novos pensamentos e novas crenças, com base na observação profunda.
Mas é na profunda gratidão que reside o maior segredo, a maior mudança, a chave mestra para o sucesso de uma boa relação entre pais e filhos. Gratidão por sermos amados por seres tão preciosos, mesmo quando os magoamos e erramos com mais frequência do que estamos dispostos a admitir.
Porque poder conhecer e viver seres tão valiosos e especiais é um privilégio que nunca deve ser tomado como garantido.
As crianças devem saber que podem descansar no nosso amor. E não passar a sua infância e adolescência a sentir que têm de lutar por ele.

Por M.J. Silva, para Up To Kids®
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As crianças não fazem birras

A nossa cultura ensinou-nos a ver as crianças como nossas adversárias.

As crianças fazem birras, as crianças portam-se mal. As crianças só sabem chatear. Desafiam-nos, testam-nos, desarrumam tudo. Estão aí para nos levar ao desespero.

Não me parece.

Mas a verdade é que acreditamos nisto – a agimos sobre esta premissa diariamente – de tal forma que se torna mais do que óbvio – e incompreensível que haja alguém que não o faça – que tenhamos de puni-las, de afastá-las, de deixá-las sozinhas quando não correspondem aos comportamentos esperados, quando se exaltam ou perdem o controlo das suas emoções por alguma razão.

Acreditamos que estão a ser mal-educadas, que nos estão a faltar ao respeito, quando a bem da verdade, lhes estamos a passar a mensagem de que não têm direito a exprimir as suas emoções negativas. Temos de saber ensinar-lhes paciente e generosamente como exprimir essas emoções. Desde cedo. Porque essas não são para bloquear.

Da minha pesquisa e das minhas experiências pessoal e profissional, as crianças não fazem birras. As crianças não se portam mal.

As crianças são crianças. Onde é que, ao longo do caminho, nos esquecemos que fomos nós que as quisemos?

As crianças manifestam as necessidades, vontades, medos, cansaço  e sentimentos gigantes que têm da melhor forma que sabem e podem. Passam por emoções que nem imaginamos, vivem e assistem a situações que muitas vezes não sabem – nem conseguem – processar. Isso não faz delas mal comportadas, chatas, birrentas ou bebés. Faz delas pessoas (pequenas) num mundo tantas vezes assustador.

O mundo é feito de pessoas e se as pessoas que têm o privilégio de formar pessoas mais pequenas as souberem formar e educar de uma forma pacífica, gentil, ensinando desde a primeira infância os limites de forma empática, conectando-se e ligando-se às suas crianças de forma generosa, compreensiva nos momentos mais difíceis, serão adolescentes e mais tarde adultos assim que teremos.

E será esse o mundo que estaremos a criar. Quer acreditemos nisso quer não. A responsabilidade é nossa.

É uma questão cultural que tem passado de geração em geração que nos tem ensinado – e feito crer dogmaticamente – que a única forma de educar pessoas responsáveis, cumpridoras e bem sucedidas é sendo pais e professores exigentes, inflexíveis e firmes.

Como se isso fosse o mandamento mais imperativo.

Não é.

O mandamento mais imperativo a ter em atenção na formação do ser humano é a formação saudável das emoções. Dos vinte anos que trabalhei com crianças, não encontrei uma – uma única! – que conseguisse bons resultados na escola quando as suas emoções estavam desreguladas, destruídas até, em alguns casos. Muitos.

As crianças constroem a sua auto-imagem através dos inputs implementados desde o nascimento, pelos adultos.

São as emoções dos adultos, em primeiro lugar – os estados de espírito, as frustrações, a sua própria auto-imagem, os seus traumas, as suas crenças, – que lideram a forma como estes interagem com as crianças, a forma como lidam com elas, como as tratam.

Aprendemos que as crianças nos desafiam, que querem controlar e ter tudo à sua maneira. Nós acreditamos nisto e as nossas relações com os nossos filhos sofrem com isto. Aprendemos que temos de controlar as suas birras e que é obrigatório zangarmo-nos quando não correspondem às nossas expectativas, chegando até a magoar o seu corpo e ferir a sua alma para marcar a nossa posição de poder.

Desunimo-nos delas, desconectamo-nos nos momentos em que mais precisam que nos liguemos a elas, que as apoiemos. Isto passa-se em casa, na escola. Nos locais que deveriam ser lugares de referência, onde as crianças se devem sentir acarinhadas, respeitadas, seguras.

Aprendemos a criticar as crianças, a julga-las, a castigá-las, em vez de  escutá-las, compreendê-las  – mesmo que a situação nos desconforte –  de aceitá-las. Esquecemo-nos de que educar é passar um legado diário de amor, de compreensão, de motivação positiva, de empatia sob todas as suas formas, em todos os momentos, em especial aqueles que são mais difíceis de gerir pela criança ou pelo adolescente.

E aqui cometemos um grave engano.

Confundimos educação com imposição de autoridade, julgamos que temos de ser reis absolutistas no nosso castelo e que as crianças têm de ser submissas às nossas vontades, ordens e desejos, descurando-nos de negociar em vez de exigir aquilo que elas não nos podem dar, esquecendo-nos de ser tolerantes em vez de criticar, esquecendo-nos de ensiná-las  – liderando pelo exemplo e não pela imposição-  tendo em conta o seu funcionamento natural e orgânico, neurológico, físico e emocional.

Se esses factores não são respeitados, não é responsabilidade da criança. É de quem é responsável pelo seu percurso educativo. Seja em casa ou na escola.

Toda a aprendizagem deve ser feita de forma orgânica e natural. Não imposta. Não coerciva.

Uma família de seis filhos ou uma turma de vinte alunos, terá o número de personalidades, necessidades, carências e potencialidades em proporção ao número de crianças que aí existirem. E todas têm valor. Todas têm potencial. Cabe ao adulto estimulá-las e motivá-las de forma positiva. E não uma vez. Em todos os momentos. Um educador, seja um pai, uma mãe, um avô, uma avó, um professor, educador infantil ou auxiliar educativo, deve ser, acima de tudo, um mentor.

As crianças e os adolescentes são pequenos humanos que fazem o seu melhor com o que têm, que só querem ser amadas e respeitadas pelo que são, sentir-se seguras, protegidas, façam o que fizerem, digam o que disserem.

Quando aprendermos isto e agirmos sobre isto, deixará de haver lugar para gritos, rótulos, vergonha, castigos e todos construiremos uma relação melhor e mais forte com os nossos filhos.

Como afirma Rebecca Eanes, as crianças não são nossas adversárias. Elas são a nossa maior dádiva. Tratemo-las como tal.

 

Tenho inúmeras memórias das férias grandes. A maioria delas giram em torno da fé, família e das nossas  tradições.

Na verdade, quase não tenho memórias de infância que incluam presentes. Lembro-me perfeitamente do ano em que recebi uma bicicleta, outro que eu e o meu irmão recebemos uma Nintendo, e de todos os anos receber meias dos meus avós. Mas tirando isso, as minhas memórias de receber presentes são bastante escassas. O que me fez pensar … o que é que podemos dar aos nossos filhos que lhes fique na memória para o resto da vida?

Aqui fica a minha lista

35 Presentes que os seus filhos nunca esquecerão

  1. Afirmação. Às vezes, uma simples palavra de afirmação pode mudar uma vida inteira. Certifique-se que seus filhos sabem o quanto os valoriza. E relembre-lhes sempre que possível!
  2. Arte. Com o apoio da internet, toda a gente pode criar. O mundo só precisa de mais pessoas com espirito artístico! Ensine o seu filho a ter gosto pelas atividades “faça você Mesmo” e a ser autodidata.
  3. Desafio. Incentive os seus filhos a sonhar. O céu é o limite. Se sonhar o, aparentemente impossível, irá procurar alcançar objetivos acima das suas expectativas. Até os pais ficarão surpreendidos com o que ele consegue fazer.
  4. Compaixão / Justiça. A vida não é justa. E nunca será, porque há muitas variáveis. É matemático. Mas se houver alguma injustiça passível de ser alterada, eu quero que eles sejam os primeiros a querer corrigi-la
  5. O contentamento. A necessidade de ter sempre mais é contagiosa. É um vício. Portanto, um dos maiores presentes que pode dar aos seus filhos é ensinar-lhes a ficarem satisfeitos com o que têm … mas não com o que são.
  6. Curiosidade. Ensine seus filhos a fazer perguntas sobre quem, o quê, onde, como, porquê e por que não. “Para de fazer tantas perguntas!” são palavras que nunca devem sair da boca dos pais.
  7. Determinação. Um dos fatores determinantes no sucesso de uma pessoa é a força de vontade. Mostre-lhe o que é a persistência e determinação.
  8. Disciplina. As crianças precisam aprender tudo, desde o gatinhar, até a ter comportamentos adequados, relacionar-se com os outros, como obter resultados, e como alcançar os seus sonhos. A disciplina não deve ser evitada nem retida, mas sim consistente e positiva.
  9. Incentivo. As palavras são poderosas. Tanto podem criar como podem destruir. Escolha as palavras cuidadosamente de forma a criar pensamentos e caminhos positivos para os seus filho.
  10. A fidelidade. A fidelidade no casamento inclui mais do que apenas a parte física. Inclui o nosso olhar, a nossa mente, o coração e a alma. Demonstre o seu amor pelo seu marido/mulher à frente dos seus filhos. Eles nunca irão esquecer.
  11. Ver o lado positivo. Ajude os seus filhos a ver o copo meio cheio. A ver o lado positivo da vida, e das pessoas que conhecerem.
  12. Generosidade. Ensine seus filhos a serem generosos. A generosidade propaga-se!
  13. Honestidade e integridade. A honestidade é uma qualidade que devemos transmitir aos nossos filhos desde crianças. Assim, haverá uma maior probabilidade de se tornarem adultos honestos e íntegros. E os adultos honestos tendem a sentir-se bem consigo próprios e a desfrutar melhor das suas vidas, evitando situações de stress e dormindo melhor à noite.
  14. Esperança. A esperança é saber e crer que as coisas vão melhorar. Dá-nos força, resistência e determinação. E nos tempos desesperadamente difíceis da vida, alavanca-nos.
  15. Abraços e beijinhos. Uma vez ouvi a história de um homem que disse ao seu filho de 7 anos de idade que ele já era muito velho para beijinhos. Parte-me o coração sempre que penso dele. Fiquem a saber que os filhos nunca são velho demais para receber carinho, e demonstrações de amor por parte dos pais!
  16. Imaginação. Se aprendemos alguma coisa ao longo dos últimos 20 anos, é que o mundo está em constante mudança e evolução. E as pessoas criativas não são as que sofrem com isso: são as que fazem parte desse processo!
  17. A intencionalidade. Eu acredito fortemente na vida intencional e parentalidade intencional. Abrande o ritmo. Considere quem você é, para onde vai, e como vai lá chegar. E faça o mesmo para cada um de seus filhos.
  18. Colo. É o melhor lugar de todo o mundo para ler um livro, contar uma história, ou apenas conversar. E está mesmo à sua frente o tempo todo.
  19. Aprendizagem ao Longo da Vida. A paixão por aprender é diferente de aprender na escola. Esta aprendizagem começa em casa. Ler, brincar, fazer perguntas, analisar e expor. Por outras palavras, aprender a amar através da aprendizagem.
  20. Amor.
  21. Refeições juntos. As refeições proporcionam uma oportunidade única para o relacionamento. Uma família que não faz refeições junta não cresce junta.
  22. Natureza. As crianças que aprendem a apreciar o mundo à sua volta, aprendem também a cuidar do mundo à sua volta. Nós como pais, ensinamos os nossos filhos a arrumar as suas coisas dentro de casa. Não deveríamos ensinar também a arrumar fora dela?
  23. Oportunidade. As crianças precisam de experimentar coisas novas para que possam perceber aquilo que gostam e aquilo em que são boas. E ao contrário da crença popular, tudo se experimenta com pouco dinheiro.
  24. Otimismo. Os pessimistas não vão mudar o mundo. Os Otimistas, sim. Pelo menos eu acredito que sim, e os meus filhos também.
  25. Paz. Sim, não somos nenhumas Misses e sabemos que ao nível mundial é impossível. Mas em pequenas coisas ao nosso redor, fará toda a diferença.
  26. Orgulho. Comemore as pequenas coisas da vida. Afinal, são os pequenos feitos que um dia se tornam em grandes conquistas.
  27. Espaço para asneirar. Crianças são crianças. Isso é o que os torna únicas e divertidas e que nos rebenta com a paciência. Dê-lhes espaço para experimentar, explorar e asneirar.
  28. Auto-Estima. As pessoas que aprendem a valorizar-se são mais propensas a ter autoconfiança, e auto-estima elevada. Como resultado, eles são mais propensos a se tornarem adultos que respeitam seus valores e a cumpri-los mesmo quando ninguém mais está a observar.
  29. Sentido de Humor. Rir com seus filhos todos os dias. Com eles, para eles e rir deles ou de si.
  30. Espiritualidade. A Fé eleva a nossa visão do universo, do nosso mundo e das nossas vidas. E ajuda-nos a aceitar com mais facilidade situações imprevisíveis.
  31. Estabilidade. Um lar estável são os alicerces para uma vida estável. As crianças precisam de reconhecer o seu lugar na família, saber em quem podem confiar, e saber quem está sempre disponível para elas.
  32. Tempo. O presente do tempo é o presente que você nunca pode voltar ou ter de volta. Então, pense com cuidado sobre quem (ou o que) está a receber (ou consumir) o seu.
  33. Atenção exclusiva. Talvez isto possa ajudar: Desligue e volte a ligar.
  34. Singularidade. O que nos torna diferentes é o que nos torna especiais. A Singularidade não deve ser escondida. Deve ser exibida e explorada. Todos somos diferentes. Ajude-os a descobrir quem são.
  35. Uma casa acolhedora. Saber que têm sempre as portas de casa abertas é muito gratificante no crescimento dos filhos. E a sua casa? Transborda a uma casa com vida?

Claro, nenhum desses presentes estão à venda na sua loja de departamento local. Mas, eu acho que essa é a questão.

Por becomingminimalist, traduzido e adaptado por Up To Kids®

Nota: Todos os textos traduzidos, adaptados e publicados pela Up To Kids®, obtiveram autorização prévia do autor e/ou foram comprados os direitos dos mesmos.

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Recentemente, um pai dizia-se assustado, porque o colégio do filho (neste caso seguidor da pedagogia Waldorf) deixava as crianças subirem às árvores. Contudo, dizia conseguir compreender que era uma forma das crianças aprenderem com a queda. Reflectindo um pouco sobre esta questão, é fácil entender o registo em que nós, pais, ainda vivemos. Seja porque a deixamos subir para cair, seja porque não a deixamos de todo subir, assumimos à partida que a criança não consegue. Aparentemente, o sentimento que está na base da nossa escolha, enquanto educadores, é o de que a criança não é capaz. E assim lidamos com os nossos filhos, como se tivéssemos a certeza do seu fracasso ou incapacidade de viver determinadas situações.

E se pudéssemos olhar para as coisas num outro ponto de vista? Algo me diz que, se naquela escola se levasse uma criança ao hospital semanalmente, as coisas seriam diferentes. E se aceitarmos que, na realidade, as crianças podem subir às árvores, porque os educadores acreditam, pura e simplesmente, que elas são capazes de o fazer sem se magoarem? E, de repente, já não se trata de ensinar ou proteger, mas sim, libertar as crianças para que elas possam fazer o que verdadeiramente já são capazes de fazer. Nós ainda acreditamos que o nosso papel é, essencialmente, o de limitar e impedir. Nós ainda acreditamos que ensinar é pela negativa. A lógica ainda é a de que, se subir à árvore, a criança vai cair, e por isso vai aprender. No entanto, cada uma daquelas crianças está, sozinha, a aprender a subir, a agarrar-se bem,  a colocar os pés nos sítios certos (ou seja a proteger-se), a superar-se, a conhecer as suas potencialidades e capacidades, a acreditar em si mesma e, com isto tudo, ainda se diverte!

Nós, pais, dificilmente conseguimos deixar tudo isto acontecer, porque limitamos o mundo das nossas crianças, à partida e de acordo com os nossos próprios medos. Uma árvore é hoje assustadora, e falo por mim, que ficaria com o coração nas mãos se visse a minha filha a subir a uma árvore (ainda que o tivesse feito eu mesma, na infância). Mas na verdade, esta dificuldade dos pais em confiarem nas capacidades dos seus filhos, vai muito além – “Não corras que cais”, “não subas no banco”, “ainda não consegues comer sozinho”, “não sabes… não podes…”, são frases frequentes.

Há relativamente pouco tempo, a minha filha de 3 anos, disse-me “eu entro sozinha na banheira, mãe“, eu respondi-lhe, claro, para ela esperar um bocadinho que eu já a ajudava (assumindo à partida que ela ainda não conseguia). Quando me virei, já ela estava dentro da banheira e, com um sorriso enorme disse-me “vês mãe, eu consigo, eu disse-te”. Se dependesse de mim, estaríamos as duas mais uns valentes meses sem saber que ela já era capaz. Noutra situação, seguíamos na rua, com chuva, e ela decidiu passar entre dois postes mais apertados. Apressei-me logo a dizer-lhe, “filha, não consegues passar aí com o chapéu de chuva, anda por aqui…”, ela olhou em frente, parou, girou o chapéu e passou. Olhou para mim, feliz com o seu sucesso e lá me disse “eu consigui, mãe”. E eu pensei para mim mesma, “perdeste uma oportunidade de ficar calada…“. Deve ser muito estranho para uma criança ouvir um adulto dizer-lhe que ela não consegue fazer uma coisa, quando ela acredita, e sente, que consegue.

Em contrapartida, a minha filha começou a andar aos 9 meses porque acreditámos e deixámo-la experimentar. Logo depois, decidiu que andar não tinha piada e começou a correr para todo lado. Coração de mãe sofre, mas não lhe podia dizer que ela não era capaz! Começou a comer de talheres muito cedo, porque eles sempre estiveram lá, para quando ela quisesse experimentar. Deixo-a experimentar bastante, mas tenho plena consciência de que ainda a limito muito, baseada na minha crença (muitas vezes errada) de que ela ainda não é capaz sozinha.

As crianças não precisam de aprender a ser crianças, nós é que estamos a aprender a ser pais. Por isso é que vivemos tantas vezes inseguros e assustados. Por isso, os limites devemos impô-los a nos mesmos e estes devem ser definidos por uma auto-análise cuidada dos nossos receios (por vezes infundados), e da nossa necessidade de controlar a realidade dos nossos filhos. Porque a crença de que os estamos a proteger e a ensinar, esconde muitas vezes o medo que temos de falhar na sua protecção, e o medo de não sermos pais suficientemente bons. E com isto, pecamos muitas vezes pela sobre-protecção, e por nos substituirmos a eles na sua experiência da vida e do mundo.

Deixar o nosso filho correr para a estrada? Claro que não, somos adultos e perfeitamente capazes de usar o bom senso. Precisamos, acima de tudo, de perceber quais são os limites que fecham os nossos filhos numa sensação de incapacidade contínua, e distingui-los daqueles que efectivamente lhes permitem perceber que nós estamos cá para os proteger. O nossa responsabilidade não é só de impedir. É, muito mais ainda, de permitir e promover as conquistas. Precisamos, acima de tudo, de confiar nas nossas crianças, para que elas não acabem por perder a confiança que lhes é inata.

Por Ana Guilhas para Up To Kids®
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Hoje acordei com dores de cabeça, borboletas na barriga e um vazio no coração….

Naqueles escassos segundos de reflexão depois do despertador tocar e antes de por o pé fora da cama para começar um novo dia, dei por mim a pensar…. Consigo perceber as dores de cabeça, de facto tem sido um mês maravilhosamente difícil, cheio de novos projectos, assuntos para pensar, decisões para tomar. Mas e o resto?

A cabeça logo se ressente quando anda em turbilhão e as dores de cabeça são sempre um primeiro sintoma para a lembrar de parar e respirar. Mas porquê a ansiedade e o vazio no coração que lhe dava vontade de chorar e de não ir trabalhar?

Num mundo perfeito seria assim! Mas não é esse o nosso mundo e mesmo quando sentimos as pernas a fraquejar ou o coração a apertar, lá vamos nós, resgatando toda a energia que ainda existe no submundo do nosso ser para podermos cumprir as nossas responsabilidades. No momento em parou e de alguma maneira tentou escutar sobre o que lhe falava o seu corpo, pensou na sua família.

Geralmente o meu coração de mãe “apita” quando eles não estão bem ou quando sinto que estou mais longe deles e das suas vidas. Este era um claro sinal do que lhe falava o seu corpo e o seu coração e por aqui começava a encontrar o caminho da sua reflexão, o caminho da sua ansiedade e o caminho da sua tristeza.

A agitação em que andava fazia com que se sentisse assoberbada, desenraizada e longe. Quando nesta vida que nos atropela pela quantidade e velocidade com que se processa tudo à nossa volta, não conseguimos contrariar a tendência para a alienação; Quando grande parte de nós se torna num mero automatismo, sem conteúdo e sem capacidade de ver, estar e sentir; Quando todo este furacão nos faz perder o acesso a dimensões necessárias de profundidade…. Sentimo-nos assim!

Embora nada tivesse sido diferente nessa semana, em termos do seu tempo em casa, a verdade é que estava absorvida pela hiperactividade mental e como tal fisicamente presente mas emocionalmente ausente. Encontrava-se alheada nos seus pensamentos e o tempo de qualidade de que todas as crianças, mães, pais e famílias precisam estava comprometido pela indisponibilidade emocional.

Surge assim esse sentimento que tão bem conhecemos e que é uma mistura entre o prazer ou a necessidade de uma vida profissional e a culpabilidade de não termos tempo para os nossos filhos. Será que nos sentimos assim porque realmente temos pouco tempo para a nossa família, ou existem outros mistérios por decifrar?

Na verdade não precisamos de muito tempo uns dos outros, mas precisamos de tempo de qualidade. Tempo no qual estamos presentes e entregues à dinâmica da relação e não emersos nos nossos fantasmas e nas nossas preocupações; Tempo em que apenas estamos, sem stress e nos deliciamos a vê-los crescer; Tempo para conversar, rir, chorar e brincar; Tempo em que não os levamos a passear mas passeamos com eles; Tempo no qual, como diria o meu filho, partilhamos a vida!

Na verdade o que nos falta não é quantidade, mas sim Tempo de Qualidade!

Por Ana Galhardo Simões, Psicoterapeuta Corporal
para Up To Lisbon Kids®

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Gritos fortes à nascença são uma boa forma de garantir nota alta na primeira avaliação formal da vida, o índice de Apgar. Nos primeiros dias ainda achamos que os gritos são óptimos indicadores de vitalidade e personalidade no bebé. Gradualmente, vão nos parecendo, cada vez mais, um problema. Se estamos na rua, num restaurante, numa loja ou em casa com uma valente dor de cabeça, os gritos já não são bem-vindos, e já não arrancam propriamente um sorriso do rosto dos pais. De repente, gritar não é assim tão bom e a situação tem que ser “controlada”. Começam então a accionar-se  os mecanismos necessários para ensinar a “arte” da contenção. Algo que muitos adultos conhecem de bem perto.

E é mesmo dos adultos que eu quero falar… Actualmente, os pais vivem muito pressionados pelo politicamente correcto. Não se grita, não se bate, não se castiga, não se … No entanto, vivem também “atropelados” por uma vida centrada em trabalho, filhos e nas dificuldades do dia-a-dia. O espaço para se viverem a si mesmos é reduzido ou inexistente e isso, tem consequências. Cansaço e frustração acumulados, interferem com a paciência e a disponibilidade mental. De repente, às vezes quase sem darem por isso, estão a gritar (seja sozinhos, com a “cara metade” ou com os filhos). Depois, aparecem o desconforto e a culpa de terem gritado, de terem perdido o controle, de não terem contido a sua zanga.

Primeiro, é preciso perceber porque é que gritamos.

Gritar é querer viver! Tal como o fazemos à nascença anunciando que chegámos para ficar, e que trazemos connosco força e desejo de existir e de conquistarmos o nosso espaço. É isso que as crianças fazem sempre que gritam, mostram-nos que estão ali, dispostas a lutar pela sua existência, pelas suas necessidades. É isso que nós fazemos. Gritamos quando sentimos que não temos espaço, que não estamos seguros, que não estamos a viver de forma equilibrada e plena. Gritamos para nos fazermos ouvir, para nos ouvirmos a nós mesmos. Serve, acima de tudo, como um alerta do género, “eu não estou bem, ok?”. A verdade é que gostamos de acreditar que gritamos porque nos ajuda a descarregar, mas se assim fosse, depois de o fazermos, sentir-nos-iamos melhor. O que não acontece…

Afinal, porque é que é bom gritar?

Porque ali, naquele momento, surge a oportunidade de olharmos para nós mesmos. Temos a oportunidade de perceber que algo está a retirar espaço em nós. E com isso, passamos a ter a possibilidade de transformar a situação. É preciso saber que o desejável não é termos pais que se conseguem conter no seu desconforto (até um dia…). O que se pretende, é que os pais não gritem porque estão suficientemente bem para não precisarem de o fazer (pelo menos não de forma sistemática). Na realidade, eu diria até que são muitos os pais que estão a precisar de um bom grito de vida e de libertação.

Por outro lado, os gritos são bons na medida em que são verdadeiros. Põem à vista algo que é real e existe em nós, pais. E também não deixa de ser importante para os nossos filhos, conhecerem este nosso lado. Saberem que os pais também têm os seus limites. No meu entender, a luta que actualmente é travada contra os gritos, deve sim, ser redireccionada para os motivos que levam os pais a gritar.

E as razões podem ser muitas:

– Necessidade de mudar uma dinâmica familiar, em que as relações e os papeis se atropelam mais do que se entre-ajudam;

– Necessidade de mudar as práticas educativas, por não estarem a resultar positivamente para todos os elementos da família.

– Pode querer dizer que existe algo na nossa vida que devemos mudar, ou aprender a aceitar.

– Necessidade de auto-conhecimento ou de transformar algo em nós e na forma como nos vivemos a nós mesmos e às nossas emoções.

– Necessidade de ganhar novos recursos de comunicação e/ou gestão da zanga e da frustração.

– Necessidade de nos sentirmos mais felizes.

Então… se andamos a gritar muito, o que devemos fazer?

Quando nos apercebemos que andamos a gritar muito, normalmente o que fazemos é tentar perceber o que é que se passa de errado com as pessoas à nossa volta, nomeadamente os filhos. Até porque é tão mais fácil dizer que os nossos filhos nos dão “conta do juízo”. Mas, na verdade, a solução está na maior parte das vezes em nós.

Mas não basta fazermos um esforço para parar de gritar com os nossos filhos. É preciso, sim, olhar para as causas e intervir no que for necessário. Até porque muitos pais que “prendem” os gritos dentro de si, vêem depois os seus filhos gritar “desesperadamente” no seu lugar.

Ficam aqui algumas dicas:

– Conversar com os filhos sobre a situação vai ajudar a que todos voltem a estar em sintonia e a saber o que é que estão a sentir. Neste momento, será saudável um pedido de desculpas, que pode fazer sentido que venha de um ou dos dois lados – “Quero pedir-vos desculpas. Eu sei que a minha reacção foi muito exagerada. Gritei muito e disse-vos coisas de que me arrependo. Tive um dia mau. Vocês não paravam de discutir uns com os outros e eu, naquele momento, só consegui reagir daquela maneira. Agora estou mais calma e podemos falar…”.

– Tentar perceber a verdadeira razão  que está por detrás da situação (o estado emocional e a sua causa). Faça uma revisão ao seu dia e tente perceber o que há de comum aos momentos em que “perdeu a cabeça”.

– Trabalhar os seus níveis de assertividade vai ajudar a que haja mais clareza na comunicação familiar, e a exprimir melhor o que sente, assim como as suas necessidades. Em simultâneo estará a dar espaço para que os seus filhos aprendam a fazer o mesmo.

– Iniciar os procedimentos para a mudança. Considerando que os gritos não trazem benefícios nem para si nem para a relação, antes pelo contrário, prejudicam, deverá começar por procurar uma forma diferente de exteriorizar o que está a sentir. Muitas vezes passa por, em vez de começar a gritar, exprimir em voz alta o que está a acontecer consigo. Dar voz ao que o seu corpo está a sentir. “Hoje tive um dia mau, estou com dor de cabeça, e está a ser cada vez mais difícil para mim lidar com o barulho que estão a fazer”, por exemplo. Por um lado, estará a dar uma oportunidade aos seus filhos de perceber melhor a situação e de agir em conformidade, por outro, será mais fácil para eles lidar com uma explosão caso ela venha a acontecer e, finalmente, a exteriorização dos seus sentimentos ajuda a reduzir a tensão que estes lhe estão a provocar.

Quando menos esperava desatou a gritar desalmadamente com o seu filho?
Saiba que, desde que não permita que isso se transforme na sua forma de se comunicar e de se relacionar com os seus filhos, os “danos” não são irreversíveis. Pare, pense, sinta e aja. Não permita que os seus gritos sejam apenas ruído. Faça deles uma alavanca para a mudança!
Por Ana Guilhas, para Up To  Kids®

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Presença é o melhor presente que podemos dar.

Somos diariamente corrompidos pela rotina, pelo tempo, pela pressa, pela exigência, pela responsabilidade. Sem nos apercebermos, desligamo-nos facilmente de nós próprios. Desligamo-nos daqueles com quem mais queremos estar. Desligamo-nos dos nossos filhos.
As múltiplas exigências da vida diária e os diferentes papéis que nós, mulheres, assumimos diariamente fazem-nos, muitas vezes, pender entre um papel e outro sem que nos enraizemos verdadeiramente em nenhum. Estamos no trabalho a pensar nos filhos, estamos com os filhos a pensar no trabalho. Corremos entre um lugar e outro a pensar no supermercado ou na roupa que temos que estender quando chegarmos a casa. Este desligamento do momento presente reflete-se em tudo o que fazemos e impede que a nossa energia seja colocada integralmente no que estamos a fazer naquele tempo e naquele espaço.
Isso afeta profundamente as nossas crianças e a relação que com elas estabelecemos.
Na correria que caracteriza toda a rotina entre a saída do trabalho, o trânsito até à escola, a ida para casa e quando aqui chegamos…os banhos, os jantares, a preparação para o dia seguinte, a qualidade do tempo que disponibilizamos às nossas crianças é muitas vezes comprometida. Esta desconexão com o Aqui e o Agora nos momentos em que estamos com os nossos filhos, é muito perspicazmente por eles captada e fá-los agir de modo a trazer-nos à nossa verdadeira e genuína Presença.

Birras, choros e conflitos com os irmãos são, grande parte das vezes, tentativas de trazer para o presente o nosso foco e a nossa energia total. E conseguem! Quando nos irritamos, zangamos e ralhamos estamos a fazê-lo plenamente.

Não estamos a pensar em mais nada! Estamos a viver aquele momento com eles na sua plenitude. De corpo e alma. Da pior forma, sim. Mas estamos integralmente presentes.

Absortos no Aqui e no Agora daquela situação. É só isso que eles nos pedem. E é tão fácil fazê-lo sem que eles nos peçam desta forma. Basta fechar a torneira dos múltiplos pensamentos correntes e dedicarmo-nos inteiramente ao momento com eles. Sentindo-nos, sentindo-os.

Aqui. Agora. Basta focarmo-nos e envolvermo-nos totalmente naquele momento. Basta sermos, basta estarmos. Em Presença. A presença de entrega total à partilha daquele momento, como se nada mais existisse. É só isso que eles querem. É só isso que eles precisam.

E nós também.

 

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Quero ajudar os meus filhos a serem seguros, fortes e capazes.

As dúvidas em excesso, o medo de errar e a inveja são como ervas daninhas. Talvez esteja a escrever este texto para mim, para relembrar-me do principal. Por vezes esquecemo-nos do mais importante, do mais simples.

E você? Além de saber ponto por ponto estas regras, tem conseguido aplicá-las?

Talvez este texto também esteja a ser escrito para si. Na minha reflexão, organizei estas 10 regras básicas para educar contra a insegurança.

1. Distinga o que o seu filho fez de errado daquilo que ele é. Ele não é trapalhão, apenas entornou o copo de leite. Ele não é distraído, apenas se esqueceu de puxar o autoclismo. Ele não é preguiçoso, apenas ainda não tem o cérebro preparado para poder lembrar-se de todas as suas tarefas. Sei que, por vezes, as pessoas dizem que isto são “só palavras”. Que é “uma questão semântica”. Tenho a certeza da importância destas palavras. Pode pensar que é apenas um pormenor…também não custa tentar, certo? Assim, discipline-se e não confunda: Uma coisa é o que ele é, outra é o que ele fez.

2. Ajude-o a ter uma boa imagem. A imagem corporal é importante. Cuidado com a obesidade infantil. Aprenda, por exemplo, a fazer a sua massa para pizza e encontre o equilíbrio entre a farinha “tradicional” e a farinha integral, à partida, bastante mais saudável.

3. Quando quiser dar uma instrução, ou mesmo uma ordem, tente usar um nome carinhoso no meio da frase.
Educar a confiança é usar um nome carinhoso, mesmo quando se quer dar uma ordem ou fazer um reparo.

4. Ironizar não é o caminho correto na hora de educar. Nomeadamente com crianças mais pequenas, as possibilidades da ironia ser mal interpretada são grandes. Esse problema de comunicação pode minar o amor-próprio. Guarde o sarcasmo para comunicar (brincar) com os seus amigos.

5. Não é preciso (nem saudável) que ele seja sempre o centro das atenções. Mas deixe-o brilhar. Se ele quiser contar uma história ou anedota numa reunião de família, dê-lhe algum espaço. Dê-lhe espaço para brilhar.

6. Se ele lhe disser que está a namorar, mesmo que seja um namoro de brincadeira, até porque ele pode ter apenas 8 ou 9 anos, não dê demasiada importância. Mas também não despreze! As crianças conseguem ter sentimentos diferentes em relação a diferentes colegas. Se ele acha que há alguém especial, não vai fazer disso um bicho- de-sete-cabeças, mas também não vai impedi-lo de falar dos seus sentimentos. Quer dizer, ficamos tristes quando se fala de violência e desprezamos quando os miúdos falam de sentimentos especiais?!

7. Tenha cuidado com os comentários que faz quando está a ver televisão. Se for demasiado impulsivo e falar mal de tudo à sua volta, o mais certo é a sua criança estar a ser educada num meio intolerante. Ser capaz de entender a beleza da diferença, o valor da diversidade, ajuda a compreender melhor o valor da própria individualidade.
Fale com o seu filho sobre ele “ser único”. Esta capacidade de, sem exageros, nos apaixonarmos pelo facto de sermos ímpares, faz maravilhas pela auto-estima.

8. Lembre-se: Só a intenção não chega! Se gosta dele, diga-lhe. Se gosta dele, abrace-o. Se gosta dele, chame-o para perto de si. Se gosta dele, vá para perto dele e brinquem. Se gosta dele, melhore. Se gosta dele, inventem um cumprimento só vosso. Se gosta dele, joguem ao sério. Se gosta dele, fale-lhe do dia em que descobriu que estava grávida.

9. E se um extraterrestre começasse a falar consigo e lhe pedisse para descrever como são as crianças da terra? O que dizia? E se lhe pedisse para falar de si? Quais os seus pontos fortes e as suas qualidades? Esta pode ser uma forma de estimular o seu filho a olhar para dentro. Se soubermos quem somos, seremos mais seguros. Invente formas de ajudar o seu filho a conhecer-se melhor. Claro que é importante conhecer as fraquezas, mas primordial é conhecer as forças! Não queremos crianças arrogantes, mas também não queremos falsas modéstias.

10. Descubra se lhe dá espaço, mas não o abandone. Quando ele pratica desporto, por exemplo, vai assistir porque, no fundo, gostava de estar no lugar dele? Ou ele participa para poder aprender a trabalhar em equipa e melhorar competências? Na atividade extra curricular, ele participa para ter oportunidades de sucesso ou deixa-o lá apenas para poder ir às compras ou ficar preso numa qualquer rede social?

Quero ajudar os meus filhos a serem seguros, capazes de pensar e agir sobre o mundo. A rede de relações em que eles estão inseridos é, por isso, fundamental. A ação dos pais é muito importante, mas pode não ser suficiente. Tenho uma secreta esperança. Seria muito importante estas ideias chegarem também às Escolas, dado o seu enorme peso no desenvolvimento das crianças e jovens.

E, já agora, também seria importante que os nossos filhos pudessem estar rodeados de outros adultos, tais como amigos, tios ou avós, capazes de olhar para si mesmos, e encontrar as suas luzes de qualidade. Pode ser que esses adultos tenham a capacidade de (re) ler estas “regras”.

Pode ser que consigam traduzi-las, de forma a conseguirem aplicar à sua própria formação, ao seu próprio desenvolvimento.

Aceita o desafio?

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Nos dias que correm, fala-se muito de comunicação positiva com a criança e do exercício de uma parentalidade com maior respeito pelos filhos e pelas suas necessidades. A forma como os pais exercem o seu papel está, desde há cerca de 50/60 anos, em profunda transformação. O que, com tudo de bom que possa ter (e tem!), traz consigo algumas armadilhas.

Hoje, o medo de ser (ou parecer) autoritário é tão grande que os pais têm imensa dificuldade em contrariar os filhos. Seja por receio de fazer deles crianças inibidas e prejudicar a sua livre expressão, seja para evitar o conflito ou por medo de “perder” o seu amor. De repente, fica no ar a ideia de que ser democrático, respeitar a criança, é convencê-la a fazer as coisas sem imposições. Mas fazer isto, visto assim, não é tarefa fácil. A sedução surge como a forma de “salvar” a situação. E, inadvertidamente passamos de um registo com consequências negativas, para outro igualmente mau e gerador de desequilíbrios.

Nas relações de sedução, os adultos pedem à criança “provas do seu amor”, como forma de eles mesmos continuarem a amar os seus filhos. Trata-se de condicionar o comportamento da criança de forma subtil, criando nela o desejo de agradar e corresponder. Tanto pais e criança sentem uma grande necessidade de constantemente agradar o outro. São usadas frequentemente expressões como “faz isto por mim”, “se fizeres isto és linda/o…”, “é para o teu bem…” e “vou ficar muito feliz/ triste se fizeres isto…”. São também usados elogios como “linda/o menina/o” ou pequenas chantagens como “se fizeres isto, dou-te x” para recompensar os comportamentos desejados.

Por que razão não deveremos fazer isto?

  1. Continua a ser uma forma de uso de poder e força (neste caso psicológicos) sobre a criança. É estabelecida uma relação pais-filhos de grande manipulação. É uma forma de submeter o outro às nossas necessidades, sem que ele assim o entenda. Uma forma de controlo.
  1. Aprisiona. Cria nos pais a expectativa de que o “bom filho” é aquele que continua a cumprir e a agradar. Cria na criança a necessidade de corresponder a essa expectativa sob pena de desiludir os pais e perder o seu amor. É penalizante para ambos os lados, porque não é possível, nem desejável, agradar e “cumprir” sempre (pelo menos sendo-se verdadeiro).
  1. Cria sentimentos de medo e culpa na criança, por sentir que não é “suficientemente boa” para ser amada pelos outros. O Amor é visto como condicional.
  1. A criança aprende a relacionar-se desta forma e vai ter dificuldades em estabelecer relações saudáveis com outras pessoas (que não aceitem essa forma de relacionamento). Pode, por um lado, reproduzir o modelo, tentando estabelecer relações de domínio sobre os amigos e namorados ou, pelo contrário, submeter-se aos desejos dos outros (amigos, namorados/as, chefes), para continuar a ser apreciada por eles. No futuro, as decisões que tomar para a sua vida estarão mais focadas no que os outros desejam para eles, do que naquilo que realmente gosta ou quer para si.
  1. Dá à criança uma ilusão de controlo sobre os limites. Acredita que quando cede, é porque ela assim o quis, e não porque tinha mesmo de ser. O que terá consequências difíceis para ela de suportar, quando perceber, fora da estrutura familiar, que na realidade o que não pode fazer, não pode mesmo. E que não passar de certos limites não se trata da criança decidir, ou não, agradar o outro.
  1. A manipulação inibe a criançade agir livremente e de acordo com a sua natureza. Desobedecer e/ou desafiar faz parte do processo de desenvolvimento e é saudável e desejável acontecer.
  1. A criança não entende nem interioriza as verdadeiras razões pelas quais deve ou não deve ter um determinado comportamento. É o “devo fazer isto porque faz os outros felizes” e não o “devo fazer isto porque é o mais correcto “.
  1. Pode levar a que na adolescência os filhos tentam “libertar-se” do domínio dos pais de forma mais violenta.

No entanto, há que relembrar que a sedução é parte integrante das relações Humanas e tem as suas vantagens. Só é “perigosa” quando se torna a forma privilegiada dos pais se relacionarem com os filhos. Principalmente quando é usada como forma de fugir ao exercício de autoridade e à imposição de limites claros a determinados comportamentos e/ou desejos da criança.

Existem muitas coisas a autorizar e outras tantas a proibir. Fazê-lo sem sermos pais agressivos ou sedutores é difícil, mas possível. O primeiro passo, é querê-lo.

imagem capa@submarine.dk