Visualize a sua casa. Estável. Estruturada. Direita. Mas ao mesmo tempo flexível, resistente e segura.

Segura de si. Segura para si.

Visualize o telhado. Consegue vê-lo? As paredes exteriores, as janelas, as portas em todos os seus detalhes. Quer seja mais antiga ou mais recente, convive harmoniosamente com a restante paisagem à sua volta. Quer tenha varandas, terraço ou apenas uma janela pequena por onde a luz pode espreitar, a sua casa e sólida. Não cai. É robusta. Não desmorona. Mesmo que surjam fissuras, ela não cai.

As paredes foram erguidas tijolo após tijolo com o suor precioso de alguém que deu o seu tempo e a sua dedicação a cada momento, a cada detalhe. Alguém que deu o seu melhor para que um dia essa fosse a sua casa. O seu lar.

Visualize agora o interior. Percorra cada divisão e aprecie como em tempos houve mãos de homens e mulheres a trabalhar arduamente para que a sua casa se fizesse. Pessoas. Como cada um de nós. Pessoas com famílias. Homens e mulheres com sentimentos, emoções, fragilidades.

Agora suba até ao telhado. O telhado foi colocado telha após telha, com vagar, arte e perícia, seguindo a técnica com que cada material precisa de ser manuseado. A madeira não se trabalha da mesma forma que o ferroou que a telha. O cimento é assentado à mão e delicadamente alisado para que as paredes consigam ficar direitas. Cada material necessita de uma manuseamento próprio para conseguir ser trabalhado.

Vários materiais podem ser aplicados simultaneamente, mas raramente com atropelos.

O telhado foi aplicado apenas após as paredes exteriores – e interiores – estarem construídas. Nunca antes. Nunca ao mesmo tempo. E caso acontecesse, os construtores teriam de voltar atrás, redefinir estratégias, gerir equipas e voltar ao processo correcto para dar estabilidade à construção. Mas SEMPRE respeitando os materiais. O que os materiais precisam. Utilizando cada uma das ferramentas que o material precisa.

Agora, ousemos ir um pouco mais profundamente. Visitemos aquele lugar que os nossos olhos não alcançam Aquele lugar que está lá e que tão raramente nos lembramos que existe. No entanto ele esta lá. Ele foi o início.

A origem a partir da qual tudo se ergueu.

Está lá de uma forma tão presente que sem ela seria impossível a nossa casa, segura e estável, se aguentar por um milésimo de segundo.

A nossa casa só se ergue durante anos, décadas ou gerações quando as suas fundações são estáveis o suficiente para lhe dar estrutura, mas flexíveis o suficiente para – em caso de um abanão forte – ela permanecer erguida.

Foi graças ao respeito pelos materiais que os construtores conseguiram edificar as nossas casas, começando por uma dedicação atenta às fundações.

Aquilo que os nossos olhos nunca vêem mas que sem elas, nenhuma casa resistiria.

E nós somos como as casas que vivemos.

A nossa infância são as nossas fundações, o lugar onde aprendemos o que partilharemos com o mundo, o que partilhamos com os nossos filhos, onde aprendemos a amar ou a castigar, a tolerar ou a julgar, a agredir ou a integrar.

Se os construtores usarem nas fundações material deteriorado, se optarem por não respeitar os materiais e insistirem em trabalhar o aço da mesma forma que trabalham a madeira, se usarem instrumentos que não funcionam para que a casa se erga de forma flexível, mas estruturada, dificilmente a casa resistirá sem colapsar. Eventualmente.

Sem fundações emocionais assentes no respeito, no amor, na tolerância – especialmente por aquilo que não conhecemos ou não entendemos – dificilmente a casa que somos se erguerá de forma saudável, preparada, sustentada para receber quem podemos tornar-nos.

A infância é onde as emoções se formam. Como pais, é da nossa responsabilidade –  tal como é da responsabilidade dos construtores das nossas casas construir as fundações das nossas casas –  formar as emoções dos nossos filhos, educá-los com compreensão, respeito e amor – em vez de reprimendas, etiquetas, críticas, castigos ou imposição de poder – dando-lhes as ferramentas que precisam para que se sintam valorizados e apoiados em todos os momentos. Desde bebés.

Se formarmos as emoções dos nossos filhos da mesma forma que os alimentamos ou vestimos, tendo como base a beleza, os sonhos, o amor, a compreensão, a integração – trabalhando ao mesmo tempo as nossas próprias emoções, as nossas próprias crenças e valores – serão casas felizes, emocionalmente bem estruturadas, acolhedoras e tolerantes.

E ao olharmos para eles daqui a uns anos, do interior da nossa própria casa – ou do nosso telhado – para a casa que eles também serão, ao vê-los serem eles também pais de pequenas fundações que se erguerão noutras casas e noutras e noutras, teremos a certeza de que cumprimos o nosso propósito. A nossa missão. E que lhes deixamos um legado de amor e de bondade.

Aquele legado que sonhámos deixar a primeira vez que imaginámos sermos pais.  E do qual o mundo precisa. E o mundo começa em nós

Eu detestava erros. Sentia-me mal quando os cometia, desde a nódoa na camisola quando estava quase a sair de casa, à resposta lá se foi o queijinho no Trivial Pursuit. Quando eles aconteciam e, os erros acontecem todos os dias, parte de mim sentia que falhava e que não correspondia às expectativas que alguém, inclusive eu, tinham de mim. Foi por isso que decidi investigar melhor porque me sentia assim e, deliberadamente decidi inscrever-me em certas coisas em que certamente iria ser a pior da turma. Dança do ventre, lá vou eu! Tudo para a esquerda e eu a abanar-me para a direita. Gira, gira, gira… onde é que foram todos?? Quanto mais me enganava, mais me ria. Quanto mais me ria, mais me libertava. Quanto mais errava, mais perdia o medo de errar. Quando perdia o medo, mais arriscava e mais aprendia sobre mim e sobre a tarefa em questão.

O Eduardo Briceño escreveu um artigo muito interessante sobre os erros. Um dos meus erros favoritos são os erros que nos esticam. Estes erros surgem quando estamos a tentar expandir as nossas atuais habilidades sem ajuda e esticamos para atingir outro patamar, como o nível seguinte de um jogo de computador. Os erros acontecem naturalmente porque estamos em terreno novo em que nos desafiamos e aprendemos novas habilidades e capacidades.

96% das vezes em que o pequeno catita comia a sopa fazia uma obra do Jackson Pollock no babete. Um dia disse “Mamã, já não preciso do babete.”TCHAM TCHAM senhoras e senhores vem lá um erro que estica! Tirei-lhe o babete, ele comeu a sopa e quando acabou fomos ver ao espelho: apenas uma pequena pinta na camisola. Reparei que durante o processo estava com muito mais atenção à colher, ia avaliando até onde a podia encher para a sopa não cair e, em geral muito mais focado no seu desafio. De dia para dia foi melhorando a técnica e diminuindo as nódoas. Acho até que ele cresceu uns 5 cm só a comer sopa!

Estes erros são mesmo muito positivos e devem ser estimulados nos nossos pequenos catitas. São eles que devem definir a sua zona de desenvolvimento proximal, ou seja, a zona ligeiramente além do que já conseguem fazer sem ajuda e que representa o nível ideal do desafio de aprendizagem.

Outros erros igualmente importantes no processo de aprendizagem são os erros AHA- acabei de descobrir porque isto correu mal. Surgem quando perante determinada situação cometemos um erro por falta de conhecimento ou informação e, no momento em que acontecem percebemos imediatamente o que está de errado ali. Por exemplo, atirar-me para cima de um skate e perceber AHA não sei travar. Uma boa forma de aprender com eles é fazer a pergunta “O que posso fazer de diferente na próxima vez?”

Depois temos os erros trapalhões. Estes surgem quando estamos a fazer algo que já dominamos mas estamos completamente distraídos. Acontecem porque somos humanos mas se forem muito repetitivos pode ser uma pista para aumentarmos a nossa capacidade de foco e atenção.

Aprender com os erros e desafios estica-nos e faz-nos aprender muito sobre nós. Esta aprendizagem não é automática, só aprendemos com os erros se refletirmos sobre eles e não os encararmos como inimigos ou focos de vergonha. Ensinar o teu filho a errar é maravilhoso para ele e para ti. Vai ajudá-lo a ir mais longe na sua viagem, a encarar a vida com curiosidade em vez de medo e, a ser mais tolerante consigo e com os outros. Vai desenvolver a criatividade, a resiliência e a autoestima. Vai ensinar-lhe que ele pode crescer todos os dias mais uns bons cms enquanto erra, tropeça e ri.

Errar, afinal, não é assim tão errado.

Filho és, pai serás, assim como fizeres, assim receberás.

Nascemos filhos. E esperamos ser filhos para sempre. Ser mimados, educados, amados. Esperamos que os nossos pais invistam doses cavalares de amor ao longo da nossa vida. Que, quando a vida doer, haja um colo materno. Que quando a vida angustiar, encontremos neles um conselho sábio.

Em adultos esperamos reconhecer a nossa infância nos olhos dos nossos pais. Desejamos, intimamente, atenções miúdas como o nosso prato preferido servido no nosso aniversário.

Não estamos prontos para trocar de lugar nesta relação.
Não estamos preparados para sermos pais dos nossos pais.

É difícil aceitar que os nossos pais envelheçam. Entender que as pequenas limitações que começam a apresentar não são derivadas da preguiça nem representam desdém. Que não é por se esquecerem de dar um recado que não se preocupam com a nossa urgência. Que quando pedem para repetirmos a mesma frase nem sempre significa que já não ouvem tão bem – às vezes, não estão surdos mas a audição está mais distraída que o cérebro. É difícil aceitar a mudança – continuam a ser os nossos “super-heróis”? Já não podemos partilhar a nossa angústia e os nossos problemas todos porque, para eles, tudo tem proporções ainda maiores e é aí tudo se desregula: o ritmo cardíaco, a tensão arterial, o equilíbrio emocional.

Tornamo-nos  cerimoniosos por amor. Tentando poupa-los tudo aquilo que é evitável. Então, sem querer, começamos a inverter os papéis de proteção. Passamos a tentar resguardar os nossos pais dos abalos do mundo.

Dizemos que estamos bem apesar da crise. Amenizamos o diagnóstico do pediatra para que a infecção do neto pareça mais branda. Escondemos as incompreensões do casamento para parecer que construímos uma família eterna. Filtramos a angústia que pode ser passageira em vez de partilharmos todo e qualquer problema. Não precisam de se  preocupar: estaremos bem no final do dia e no final das nossas vidas. Mas, enquanto mudamos estes pequenos detalhes na nossa relação, ficamos um pouco órfãos. Mantemos os olhos abertos nas noites em claro sem podermos correr para o colo dos nossos pais. Escondemos-lhes o medo de perder o emprego, o marido/mulher ou a casa para que não sofram sem necessidade e sentimo-nos sozinhos; não há colo, nem mimos, nem cafuné para nos consolar.

Quanto mais perdem memória, vigor, audição, mais sozinhos nos sentimos. Porque temos dificuldade em aceitar que o inevitável aconteceu. Podemo-nos sentir revoltados. Até esperar que reagissem ao envelhecimento do corpo, que lutassem mais a favor de si. Mas provavelmente eles não têm a mesma consciência que nós, ou aceitaram que não têm como impedir a passagem do tempo ou simplesmente sabem que têm o direito de estar cansados.

Chega um dia em que os nossos pais se transformem no nossos filhos. Que teremos de os chamar para comer, dar os medicamentos, tratar da correspondência. Um dia será preciso conduzi-los nas ruas e dar-lhes as mãos para que não caiam nas escadas. Um dia será preciso vesti-los e pô-los na cama. Talvez até alimentá-los, levando-lhes os talheres à  boca.

E eles serão filhos difíceis porque sabem que são os teus pais. Reagirão às tuas primeiras investidas porque sabem que, no fundo, lhes deves obediência mesmo quando se impõem dar-lhes ordens. Enfraquecerão os teus primeiros argumentos e tentarão provar que ainda podem ser independentes, mesmo quando esse momento tiver passado, porque é difícil imaginarem-se sem o controle total das próprias rotinas. Mas cederão paulatinamente, quando a força física ou mental começar a falhar e puderem encontrar no teu amor por eles o equilíbrio para todas as mudanças que os assustam (e a ti também).

Não será fácil. Não é a lógica da vida. Mesmo que sejas pai, ninguém te preparou para seres pai dos teus pais. E terás de aprender a desempenhar esse papel para protegeres aqueles que mais amas.

Mas, se puderes, sorri diante dos comentários senis ou canta enquanto estiverem em silêncio a comer juntos. Ouve a mesma história como se fosse a primeira e faz perguntas como se tudo fosse inédito. E beija-os na testa com toda a ternura possível, como quando se coloca uma criança na cama, prometendo-lhes que, ao abrir os olhos na manhã seguinte, o mundo ainda estará lá, como antes, intocável.

Porque se chegaste até aqui ao lado dos teus pais com a porta aberta para interferirem nas vidas uns dos outros, foi porque tiveram um longo percurso de companheirismo. E propores-te a viver esse momento com toda a intensidade só demonstrará o quão é grande a tua capacidade de amar e de retribuir o amor que a vida te ofereceu.

 

 

Por Ana Lúcia Gosling, Publicado em Obviouse, adaptado por Up To Kids®

 

No mundo hipercompetitivo em que vivemos não há espaço para perdedores!” – Este é o “chavão” que tem vindo, inconscientemente, a atormentar a cabeça dos pais, educadores e treinadores ao longo dos tempos. Cada vez mais nos deparamos com comportamentos inusitados de adultos perante as suas derrotas. Que exemplo estamos a dar às nossas crianças?

Vivemos num mundo onde as frustrações afectivas são desde cedo mascaradas pelos bens materiais – recompensas de pais que estão no mercado de trabalho muitas vezes preocupados demais em “vencer na vida” e sem tempo (e por vezes paciência) para dar amor e brincarem com os filhos.

Onde os pais começam a projectar o futuro dos filhos, muitas vezes antes das crianças nascerem. Pretendem que sejam fortes e lutadores, e ambicionam que tenham sucesso na vida. Que sejam uns vencedores!

Inscrevemos os nossos filhos no inglês, nas artes marciais, na natação, no mandarim, na música para bebés, e por aí fora. Tudo isto porque acreditamos que quanto mais os estimularmos mais se desenvolvem? Ou porque no fundo estamos inconscientemente a prepara-los para um mundo cada vez mais competitivo e pouco nos importa se já têm maturidade emocional ou não para lidar com uma agenda tão preenchida?

Assim, vamos educando crianças que cada vez têm menos tempo para brincar. Desde que nascem,  são jogos didácticos, desportos, treinos, competição! Queremos criar verdadeiros Puro-sangue.

Começamos, desde cedo, a “treinar” os nossos filhos através de uma educação baseada em castigos e recompensas, para terem sucesso na vida (seja isso o que for!).

Reforçamos os comportamentos positivos num quadro de smiles/medalhas, ou até com brinquedos, e castigamos sempre não se comportam de acordo com os padrões que definimos ou que apresentam comportamentos que consideramos incorrectos.

Através das nossas atitudes e do nosso exemplo estamos constantemente a transmitir aos nossos filhos que só terão valor e só serão amados se forem os melhores e atingirem as metas e objetivos que NÓS estipulámos.

Falhar é para fracos, o importante é vencer.

Nas escolas, o sistema de ensino segue o mesmo princípio: avalia todos os alunos segundo o mesmo padrão e não valoriza a resposta individual considerando as singularidades da aprendizagem de cada criança.

Somos todos tratados como números e no entanto queremos todos ser o número 10. E aqueles que pensam fora da caixa e tentam marcar a diferença são postos à margem, quer se trate de um artista de renome, um escritor ou um médico.

O americano Alfie Kohn, especialista em educação, critica amplamente este modelo de educação baseado no castigo e recompensa. Defende que os pais devem preocupar-se menos em arranjar estratégias para que os filhos ajam como os pais querem, e mais a procurar formas de perceber o que os filhos precisam e como lhes podem fornecer as ferramentas para que alcancem os seus objectivos.

Segundo Kohn, a visão de que somos pais permissivos e vivemos numa sociedade centrada nas crianças é errada. Defende que as crianças se tornam frustradas porque regra geral, o seu ponto de vista não é valorizado. Muitos pais destratam os filhos, simplesmente porque lhes exigem mais do que estão preparados para alcançar. E acreditam que se forem mais rígidos, obterão uma resposta mais imediata dos filhos.

As crianças não precisam de pais mais exigentes, mas sim de pais que passem mais tempo com elas, que as tratem com respeito e as orientem.

Kohn defende uma educação menos centrada em estratégias que façam as crianças agir como queremos a curto prazo. “Se não comeres sopa, não comes sobremesa.”Se tirares excelentes a tudo no fim do período, dou-te um Iphone”,
Há pais que chegam mesmo a renegar o amor: o filho perde um ano e o pai/mãe começa a despreza-lo; o filho dá uma resposta parva própria da idade, o pai/mãe insulta-o e coloca-o de castigo ficando o resto da tarde sozinho.

Volte e meia, dou por mim a ter este tipo de comportamento com o meu filho de 4 anos. Não o renegar o amor, porque isso seria incapaz, mas a estimular descaradamente a competitividade. De manhã, para que se despache a vestir, por vezes desafio-o para uma corrida.

Agora ando mais atenta às mensagens que estou a transmitir com cada desafio que proponho: “competir é bom”?, “só gostam de mim se cumprir todas as ordens”, “se ameaçar os outros eles irão fazer o que eu quero”.

Segundo Kohn, ao usarmos o castigo como regra para correcção de comportamentos, estaremos a criar adultos que acreditam que as suas acções terão consequências apenas em si, e não nos outros, e defende que o castigo impede a reflexão moral. Além disso, estimular a competitividade gratuitamente fomenta que cada criança olhe para o colega como um potencial obstáculo para o seu sucesso. Os resultados previsíveis são: alienação, agressividade, inveja.

Quando o sentido de competência da criança depende de triunfar sobre os outros, esta, na melhor das hipóteses, apenas se sentirá segura pontualmente porque sabe que nem todos podem ser vencedores, logo a hipótese de “falhar” é matemática.

A competitividade condiciona o desenvolvimento da autoestima e tem repercussões tanto no que perde como no que ganha. Devemos evitar posicionar os nossos filhos como superiores às outras crianças. Temos de ser pais mais cooperantes no sentido de valorizar o esforço, do que controladores que apenas procuram que os filhos alcancem as vitórias.

Ter orgulho nas vitórias do seu filho é algo positivo, mas se é daqueles pais que o faz exaustivamente e com um entusiasmo extremo, é possível que esteja a colar as vitórias dele aos seus fracassos. Evite atrelar a sua própria identidade às conquistas do seu filho.

Em casa, sou daquelas mães que não deixam o filho ganhar sem mérito e assim também aprende a perder com dignidade e com a felicidade de ter jogado e participado.

Durante muito tempo, o meu filho queria repetir a jogada quando lhe saia um ou dois no dado no jogo do ganso, e chegou mesmo a chorar e a dizer que a jogada não tinha valido porque eu falei enquanto ele lançava os dados. Inventava sempre uma desculpa para acabar com o jogo quando estava a perder.

Aos poucos, tenho-lhe explicado e exemplificado que o importante é divertir-se e participar. E reforço que o amo independentemente de ganhar ou perder. Eu quero que ele se sinta amado só por existir, e não por ser um campeão em tudo.

Lembrem-se, o mundo não precisa de mais campeões olímpicos. Precisa é de bons perdedores.

 

Baseado num artigo de Barbara Semerene, jornalista no Huffpodt Brasil, e nos textos do escritor Alfie Kohn

Os benefícios da parentalidade preguiçosa. Adeus mães helicóptero

Ultimamente, parece que as outras pessoas estão mais interessadas na segurança dos meus filhos do que eu. Vêem um miúdo pendurado a balouçar nas escadas do parque ou a minha filha a fazer recortes com uma tesoura e saltam disparados em seu socorro. Já perdi a conta da quantidade vezes que um estranho me vem dizer que “deixar andar” não é seguro para as crianças. As pessoas tendem a apontar e julgar.

Gostava de poder dizer que isto só acontece on-line. Que é o resultado de ser uma blogger e expor a nossa vida para quem quiser ler e criticar. Mas não é o caso. Na verdade, acontece mais vezes no meu dia-a-dia do que on-line. Há tempos houve uma pessoa que chegou mesmo a acusar-me de abuso e negligência infantil, por deixar o meu filho de dois anos andar sozinho por cima de um murete que não tinha mais de 40 cm de altura.

Eu estou a prestar atenção.

Eu estou ali ao lado, a observa-los, a incentiva-los e a desafia-los, dando-lhes espaço e liberdade para se testarem.

Eu fico afastada em vez de mergulhar de braços abertos atrás deles. Porque quero que eles ganhem confiança nas suas habilidades e competências. Quero que desafiem as suas capacidades. Para que não tenham medo de explorar ou experimentar algo novo. Para que aprendam a entreter-se sozinhos e a usar a criatividade.

Eu mantenho-me à distancia porque quero que eles se tornem autónomos e independentes.

E apesar de muitos pais nos rotularem como preguiçosos, este método resulta muito bem para nós. Quando caem ou batem em qualquer coisa, eu estou lá para lhes pegar ao colo, dar um abraço e os beijinhos que forem precisos. Mas, na maioria das vezes, não é preciso. Na maioria das vezes eles levantam-se sozinhos, correm para o próximo obstáculo enquanto dançam o Gangnam Style sem uma lágrima na cara.

Como é obvio, não vou dar uma faca de mato à minha filha de 7 anos. Nem tão pouco objectos muito pequenos ao meu filho de 2 anos que adora meter tudo na boca.

Mas essa é a vantagem de ser pai… nós conhecemos os nossos filhos.

Sabemos como é que eles agem. Conhecemos os seus pontos fortes e fracos e as suas capacidades para realizar determinada brincadeira sozinhos. Nós sabemos quando é que podemos ficar a acompanhar à distância, e ser “preguiçosos”

Não deixes que um estranho qualquer te impeça de seres pai à tua maneira. A parentalidade deve ser vivida de uma forma que te seja natural e que permita que os teus filhos sejam livres para se descobrirem e se desenvolverem autonomamente, e serem felizes!

 

Por Stephanie Oswald, em Parentingchaos

O Manual de instruções do teu filho

Sabes, também eu tenho dúvidas. Também eu me sinto sem forças, sem energia e sem paciência. Sabes, tudo isso é óptimo. São esses desafios, esses tropeções que me fazem ler mais, ouvir mais e abrir-me mais para o que o meu filho tem para me ensinar.

A Parentalidade não é uma ciência exata. É um caminho que fazemos com os nossos filhos e, um caminho que fazemos para dentro de nós. Enquanto os ajudamos a crescer com o seu potencial único, descobrimos o nosso. Enquanto eles sofrem dores de crescimento, também nós temos as nossas. Caminhamos lado a lado e muitas vezes são eles que têm as respostas para as nossas perguntas mais profundas.

Sabes, tu tens o manual de instruções já contigo. É o teu filho que está mesmo aí. Ele vai dizer-te tudo o que precisas de saber sobre ele. Ele vai mostrar-te através do seu comportamento o que ele não consegue comunicar de outra forma. Ele vai ensinar-te muito. Sobre ti e sobre ele. Sobre a tua força e a tua doçura. Sobre a tua resistência e sobre a tua flexibilidade. Sobre o coração dele e sobre o tamanho imenso do teu.

Tu sabes muito mais do que pensas. Mas essa informação não está na tua cabeça, está mais abaixo… no teu coração. Mas como chego lá? Larga esses pensamentos e essas dúvidas de que não fazes o suficiente. De que ele não come a sopa toda ou que não se deita às 20h37. Larga o que diz o amigo, a vizinha do lado ou a educadora da escola. Larga as comparações com outras crianças que já sabem 3 línguas e fazem o pino enquanto tocam piano. Larga tudo isso e olha para ele.

Mas olha mesmo, fundo nos seus olhos e descobre lá tudo o que precisas de saber.

Um dia ensino-te…

Um dia ensino-te a importância de saber perdoar;
A assumir as tuas responsabilidades;
A pensares nos outros e não só em ti.

Um dia ensino-te que nem todo o friozinho na barriga é amor;
Que há pessoas que nunca irás esquecer, independentemente de a vida vos afastar irremediavelmente;
A rir das tuas fragilidades.

Um dia ensino-te que nem todo o ciúme é saudável;
Que a confiança se constrói pouco a pouco mas que se pode acabar num ápice;
Que por te terem magoado uma vez não significa que todas as outras pessoas o façam.

Um dia ensino-te a aproveitar os abraços que dás a quem amas;
A valorizar os raros momentos em que podes fazer exactamente aquilo que queres;
A não olhares apenas para o teu umbigo.

Um dia ensino-te que nem toda a mentira tem perna curta;

Que nem toda a verdade tem de ser dita;
Que ganhas muito mais se pensares antes de falar.

Um dia ensino-te que não tens de gostar de toda a gente, mas a todos deves respeito;
A aceitar que nem toda a gente goste de ti;
A não transformar esse facto na luz orientadora do teu caminho.

Um dia ensino-te que há amigos que se amam como a irmãos;
Que há viagens que não se repetem;
Oportunidades que não voltam.

Um dia ensino-te que há certezas que viram dúvidas;
Que não há problema em mudares de opinião;
Que não deves envergonhar-te por não pensares como a maioria.

Um dia ensino-te que a curiosidade é um dom;

Que a felicidade é, basicamente, estarmos aqui e agora;
Que o único responsável por te fazer feliz és TU!

Um dia ensino-te que mesmo quando tudo parece estar a correr-te mal o mundo não está contra ti – apenas te cabe olhar esse mundo com outros olhos para que consigas encontrar um novo rumo;
A não julgar pelas aparências, a não teres preconceitos;
Que nunca saberás tudo sobre toda a gente.

Um dia ensino-te que te vais desiludir com as pessoas mais insuspeitas – e isso faz parte;
Que o amor é uma dádiva e serás uma sortuda se o conseguires ver à tua volta;
Que todas as histórias têm duas versões e deves procurar que a tua seja a mais fidedigna.
Que não deves esperar dos outros exactamente aquilo que dás, sob pena de viveres numa insatisfação permanente.

Ensino-te que há memórias que te irão acompanhar para sempre, por isso procura construir mais momentos bons que maus;
Que por mais que olhes para trás não podes mudar o passado – aceita-o.
Que és a dona das tuas conquistas e dos teus erros.

Um dia ensino-te a valorizares as tuas melhores características e a não chamares a atenção dos outros para os teus defeitos.
Um dia ensino-te que o dinheiro não é tudo;
Que um verdadeiro amigo às vezes é tudo o que precisas;
Que a vida é demasiado curta para culpares os outros por algo que nunca conseguiriam fazer (ou agir) de outra forma.

Um dia ensino-te a amar os livros;
A não responderes a tudo o que te dizem – tantas vezes o melhor é deixar passar e não dar importância;
A ser boa, a não esquecer as tuas origens, a tua família.

Um dia ensino-te a não usares o poder como arma;
A amares-te;
A amares o que a vida tem de bom.

Ensino-te a aceitares todas as tuas cicatrizes;

A procurar o equilíbrio;
A não maltratar os outros, a tratá-los sempre com educação e, aos que precisam, com compaixão.

Um dia ensino-te a saltar mesmo quando sentes medo (para que possas sentir que és quem és e estás onde estás pelo que fizeste mais do que pelo que deixaste de fazer);
A filtrar tudo o que é negativo.
A não te ires abaixo quando estás “sozinha” nas tuas convicções.

Um dia ensino-te a teres orgulho em ti e nos teus.
Que é normal questionares-te.
Que podes tudo, basta trabalhares para isso.

Sei que só serei responsável por te ensinar uma pequenina parte destas lições. A vida encarregar-se-á do restante mas, mesmo assim meu amor, nunca te esqueças que os teus dias são o que fazes com eles, os problemas têm a proporção que lhes dás, que uma atitude positiva é meio caminho andado para seguires em frente.

Um dia ensino-te a voar – com um mapa desenhado nas costas com a ponta dos meus dedos, para que possas regressar sempre.

A mãe deseja-te a melhor e mais rica das viagens.

 

imagem@weheartit

Mães desnecessárias

“A boa mãe é a que vai se tornando desnecessária com o passar do tempo.”

Um amigo psicanalista costumava dizer esta frase, e sempre me soou estranha.

Agora os meus filhos já não são bebés e chegou a minha vez de reprimir o impulso natural materno de querer manter a cria debaixo da asa. De querer proteger de todos os erros, tristezas e perigos. Uma batalha hercúlea, confesso. Quando começo a esmorecer na luta para controlar a super-mãe que tenho dentro de mim (temos todas!), lembro-me logo desta frase.  Hoje tornou-se absolutamente clara.

Se eu criei os meus filhos para serem adultos autónomos, tenho de me tornar desnecessária.

Antes que alguma mãe mais rápida me acuse de não amar os meus filhos, passo a explicar:

As mães desnecessárias não deixam que o amor incondicional, que sempre existirá, crie vício e dependência nos filhos. Como uma droga ao ponto de não conseguirem ser autónomos, confiantes e independentes. Prontos para traçar o seu rumo, fazer as suas escolhas, superar as suas frustrações e cometer os seus próprios erros.

Em cada fase da vida, vamos cortando e refazendo o cordão umbilical. Em cada nova fase uma nova perda é um novo ganho para os dois lados. Para  a mãe como para o filho. Porque o amor é um processo de libertação permanente e esse vínculo não pára de se transformar ao longo da vida.

Até o dia em que os filhos se tornam adultos, constituem a própria família e recomeçam o ciclo.

O que eles precisam é de ter a certeza de que estamos lá, firmes, na concordância ou na divergência, no sucesso ou no fracasso, com o peito aberto para o aconchego, o abraço apertado, o conforto nas horas difíceis. Mas no dia a dia somos mães desnecessárias.

Pai e mãe solidários criam os filhos para serem livres.

Este é o maior desafio e a principal missão da parentalidade. Ao aprendermos a ser “desnecessários”, transformamo-nos no porto seguro para quando eles quiserem atracar.

 

Por Márcia Neder, Psicanalista e Psicóloga Clínica

Carta aos pais no parque infantil

Encontrei uma avó no parque, cujo lema era “quando as crianças brincam os adultos não interferem”. Advogava que assim é que as personalidades dos miúdos têm oportunidade de florescer e os pais podem ver, sem se meterem, se os filhos se defendem ou se agridem.

Concordo até certo ponto, porque já passei por situações de todos os tipos no que toca a parque infantis.

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Por isso, caros pais com quem me cruzo:

  1. Se os miúdos estiverem a correr divertidos, não se metam na brincadeira e deixem-nos estar – a não ser que estejam a incomodar alguém.
  2. Estejam atentos porque muitas vezes o vosso filho, com a desculpa de que vocês têm mais interesse no que se passa no telemóvel do que no que ele faz, empurra com força as crianças mais pequenas pelo escorrega abaixo.
  3. Se os vossos filhos chamarem nomes às outras crianças – “És mesmo parva, não é assim que se brinca!”- ou forem desagradáveis com elas -“não brincas connosco, ouviste?!”-, por favor interfiram e corrijam a atitude.
  4. Se a minha filha estiver a colocar pedrinhas no escorrega comigo a dez centímetros é porque eu autorizei e não vale a pena virem ralhar com ela dizendo que não se faz. Faz-se como em todas as brincadeiras: desarruma, arruma, não incomoda os outros e não tem de ser chamada à atenção por alguém que não a mãe. Pensem como gostariam que acontecesse se fosse o vosso filho.
  5. Deixem os miúdos sujar-se, explorarem novas texturas e brincadeiras, observar os outros para, eventualmente, os copiarem, apreciem o facto de eles estarem ali em vez de estarem com um tablet no colo e a atenção completamente focada em algo em que não participam verdadeiramente.
  6. Não comparem o vosso filho com os outros, principalmente em voz tão alta que se oiça no outro extremo da cidade e desmerecendo a vossa criança – porque o outro já se segura sozinho, porque os outros não querem ajuda para subir ou companhia dos pais para brincar.
  7. Acima de tudo estejam lá. De corpo e alma. Não precisam de estar fisicamente no recinto, mas é importante que os vossos (nossos!) filhos sintam que há regras para brincar. Que têm de respeitar o ritmo dos amigos, a vontade dos outros miúdos, o espaço que partilham.

Para que não ajam como se o que fazem não tem consequências.
Para que façam o que foram ali fazer: brincar e ser felizes.

Obrigada,

Uma mãe que está suficientemente perto para amparar as eventuais quedas da filha de vinte e um meses quando sobe ao escorrega sozinha, mas que lhe dá espaço para explorar o parque e conhecer novos amigos – tratando-os bem (quando não o faz ali estou eu, a emendá-la para que tudo continue como deveria ser).

O equilíbrio da relação parental

Acredito que há uma relação direta entre o que fazemos como pais, os nossos hábitos, as nossas ações, e o comportamento e desenvolvimento dos nossos filhos. A forma como pensamos e nos comportamos influencia diretamente e molda o pensamento e o comportamento deles.

Acredito que o equilíbrio da relação parental e dos filhos depende em primeiro lugar, do equilíbrio e bem-estar emocional, psicológico, físico, espiritual e social dos pais.

Estas são as minhas bases.

relação parental equilibrada

Se eu estou bem, internamente e externamente, relaciono-me de forma equilibrada comigo e com os outros. Se eu estou bem, consigo manter-me presente e equilibrada nos momentos críticos e consigo assim ajudar os meus filhos a equilibrarem-se também. Se eu estou bem, os meus filhos estão bem.

Como adulto, tenho a grande responsabilidade perante mim e perante os outros de assegurar o meu próprio equilíbrio. Como Mãe tenho a tremenda responsabilidade de puder influenciar a balança da relação que tenho com os meus filhos (pelo menos até eles se tornarem aptos para funcionarem como adultos equilibrados e maduros).

Quando os meus filhos estão em desequilíbrio (estão chateados, frustrados, cansados etc.), alterando assim a nossa relação, a minha resposta é decisiva! O que penso e faço em consequência deste desequilíbrio, define para que lado vai a balança e quão grande será a oscilação dela. Ou seja:

  • Se escolho reagir de forma automática, sem pensar ou compreender a situação, deixando o meu cérebro escolher o meu comportamento por mim, normalmente com base em padrões pré-existentes (por ex. os aprendidos durante a nossa infância, com os nossos próprios pais), o resultado mais provável será desequilibrar ainda mais a balança. A intensidade da minha reação fará com que este desequilíbrio seja maior ou menor.Equilibrio filhos

     

  • Se escolho manter-me presente, observar e compreender a situação, tentar descobrir o que a provocou e procurar agir de forma que me parece mais eficaz para a resolver, ajudo a repor o equilíbrio. A calma e eficácia da minha ação podem diminuir rapidamente a oscilação da balança.Equilíbrio paisVou dar-te um exemplo:

    Fim do dia, estamos no carro, no caminho de regresso da escola para casa. A minha filha de 5 anos começa a queixar-se – ora porque o sol está sempre do lado da janela dela, ora porque está demasiado calor ou porque nunca mais toca a música que ela quer.

    Eu estou a conduzir e está trânsito. Preciso de me concentrar e já estou a pensar nas próximas coisas que tenho para fazer assim que chegarmos à casa (banhos, jantar, etc.). Estou meio presente, meio ausente.

    Ao ouvi-la, posso pensar e reagir de várias formas. Para exemplificar vou concentrar-me apenas em duas essenciais:

    • Posso pensar que ela está a ser “chata” e está a incomodar-me com coisas sem importância. Este julgamento do comportamento dela vai levar-me à reagir de forma a afastar esta “melga”, dizendo de forma ríspida e pouco educada: “Pára de te queixar! Nada te agrada! Não vês que está trânsito? Preciso de me concentrar!
      Qual achas que será a reação dela? Muito provavelmente vai desatar a chorar porque se sente rejeitada, incompreendida e porque o problema dela está a ser ignorado.
    • Posso pensar que ela está realmente incomodada com algo e está a precisar de apoio para acalmar. Afinal, só tem 5 anos e acabou de passar 8h numa escola cheia de barulho e longe do seu conforto. Esta observação pode levar-me à ativar a minha concentração no momento presente, e enquanto conduzo com atenção, procurar focar a minha atenção nela. Observar, pensar, aceitar o que a está a incomodar e tentar ajuda-la calmamente. Posso dizer, por exemplo: “Oh, gostavas muito de ouvir aquela música, não é? Estás sempre a cantar quando ela toca. Queres tentar canta-la comigo?…” ou “Ah, hoje está mesmo quente, não é? Também estou cheia de calor. Gostavas de abrir um pouco a janela ou achas melhor aumentarmos o ar fresco?” Desta forma, abro à porta da comunicação e da empatia, e ela saberá que estou a ouvi-la e estou aí para a ajudar.
      Qual achas que será a reação dela? Muito frequentemente vai acalmar gradualmente, porque está a sentir-se compreendida e apoiada.

    O resultado deste momento depende, em grande parte, de mim. Depende da forma como eu o encaro, como penso sobre o que acontece, da minha presença, do meu equilíbrio e da minha disponibilidade em repor a balança no seu nível de equilíbrio, para ambas.

    Quando EU estou em desequilíbrio, o meu comportamento pode provocar o desequilíbrio da nossa relação e, consequentemente, dos meus filhos. Neste caso, não posso esperar que sejam eles a calibrarem a balança por mim, pois obviamente, do ponto de vista de desenvolvimento ainda não têm a maturidade emocional e cognitiva necessária para tal. Mas eu tenho. Ou, pelo menos, é suposto ter.

    Também acredito que a vida não é um equilíbrio constante, mas um conjunto de pequenas/grandes oscilações, pois para conseguirmos ficar em equilíbrio, temos que aprender a lidar também com o desequilíbrio.

    E, à medida que os nossos filhos cresçam, a nossa responsabilidade em assegurar a balança torna-se cada vez mais partilhada. Cabe-nos ensinar aos nossos filhos ao longo do tempo como podem equilibrar a nossa relação e como podem assegurar o seu próprio equilíbrio. Uma competência que, mais tarde, vão usar para assegurar o equilíbrio da sua própria relação parental.

 

 

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