Aprendemos a ser pais, desaprendemos de ser casal

Este é um assunto que afecta imensos casais, que é fortemente abordado na literatura, contudo na realidade parece não afectar ninguém pelo menos até se tornar público que a Maria e o João se separaram.

A diminuição da felicidade que a relação conjugal nos traz, habitualmente tratada por satisfação conjugal, continua a ser um tema tabu que funciona como uma pescadinha de rabo na boca – ao não ser falado faz com que as pessoas sintam que não é suposto falar sobre isto, logo ninguém toca no assunto.

Por que é que são poucos os casais que assumem que o nascimento do bebé os afastou? Penso que existem vários motivos – entre sentirem que estão a culpar o bebé, algo tão positivo nas suas vidas, por um acontecimento negativo; passando pelo sentimento de vergonha em admiti-lo (se ninguém fala no assunto é porque somos o único casal a passar por isto); até à crença que desenvolvemos de que as famílias têm de ser felizes quando nasce um bebé, tal como a Disney nos ensinou nas suas histórias.

São vários os estudos que confirmam que nos primeiros anos de vida o bem-estar do casal é inferior comparativamente a casais da mesma idade que não têm filhos. Não se preocupem, existem boas notícias: à medida que as crianças crescem o nosso bem-estar torna-se superior ao desses casais sem filhos (Toma! Vai buscar!). Resumindo, com o tempo vamos sentir-nos melhor, só precisamos disso mesmo – de tempo!

Nos primeiros tempos de vida do bebé dedicamo-nos quase em exclusivo a ser mães. Aprendemos a ser mães, a fazer actividades de mães, a conciliar as novas tarefas com outras (domésticas) que já desempenhávamos, a centrar o nosso tempo e recursos no bebé. Naturalmente, investimos tanto neste papel que deixamos de ter vontade, paciência e/ou energia para cuidar igualmente dos outros papéis que protagonizamos. Geralmente, a Mulher fica esquecida e com ela leva as memórias dos motivos pelos quais o nosso companheiro já nos fez tão felizes. Quanto mais permitimos que esse afastamento aconteça, mais sentimos que perdemos pontos em comum e passamos a vê-lo como o bebé o vê – apenas como pai.

Enquanto alguém que passou por tudo isto na “pele”, gostava de vos deixar algumas palavras de ânimo e dicas que talvez possam ajudar:

1- Vocês não estão sozinhos!

Acreditem que mais perto do que imaginam existe um casal a passar pelo mesmo, a sentir essa tristeza por já não sentir uma ligação tão forte entre si. Aceitem esses sentimentos, tentem perceber porque surgem, será mesmo que a pessoa mudou ou o meu estado de sonolência/cansaço/irritação é que não me permite vê-la da mesma maneira?

2- Conversem, conversem e conversem!

Claro que para as mulheres isto é mais fácil (um dia venho contar-vos porquê), mas existem timings em que falar se torna mais fácil, tentem encontrá-los e, sem apontar dedos e culpar ninguém, procurem dizer apenas o que sentem.

3- Partilhem, se possível, com alguém que vos aceite.

Por vezes, quando não exprimimos o que sentimos, nem partilhamos a nossa visão sobre as situações, tudo parece mais negro. Damos por nós a achar que não existem alternativas para o comportamento daquela pessoa (fez isto com aquela intenção, sem dúvida); este tipo de pensamento, conhecido por pensamento preto ou branco, leva-nos a ver as coisas de forma absoluta, quando por vezes existem outras justificações bastante razoáveis. Além disso, falarmos com outras pessoas ajuda-nos a perceber que como nós – numa fase menos boa – existem muitos.

4- Invistam em vocês como casal.

Confesso-vos que dei este passo com muitas reticências, só de me imaginar a ir jantar enquanto a minha filha, embora aos cuidados da excelente avó que tem, ficava a chorar, sem saber da mãe, partia-me o coração e trazia grandes sentimentos de culpa (que tipo de mãe és tu que faz isto à filha?). Na verdade, ela não só não chorou, como eu me diverti imenso. Durante o jantar quase que senti que estava a  conhecer o meu companheiro pela primeira vez; no meio de tudo esqueci-me de tantas características positivas que ele tem (se não há partilha de novos momentos, que por sua vez criam novas memórias, como podemos continuar a conhecer-nos?). Posto isto, apostem nestes momentos, mesmo que não tenham a minha sorte e o bebé chore durante 1 hora, acreditem que quando voltarem para junto dele se vão sentir pais mais felizes, revigorados e, por conseguinte, mais disponíveis para abraçar os desafios da parentalidade – vejam isto como um investimento.

5- Procurem ajuda profissional.

Se sentem que já tentaram de tudo e que a relação tende a piorar, procurem um psicólogo que faça terapia conjugal. Acreditem, imensas pessoas recorrem a este tipo de terapia, não tenham complexos. O que existe de errado em fazer de tudo para ficarmos com a pessoa que amamos?!

Espero que consigam continuar a aprender a ser pais, mas que possam, em simultâneo, reaprender a ser um casal, agora com mais papéis e desafios.

 

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Como con(viver) com o terrorismo

Vivemos em tempos de mudança.

Desde sempre me lembro de haver aquelas notícias que os meus pais evitavam que espreitássemos na televisão quando éramos crianças. Infelizmente desde sempre me lembro de haver cenários de guerra, espalhados um pouco pelo mundo, com as respectivas imagens de violência que naturalmente lhe estão associadas.

Hoje em dia mudaram-se os homens mas há muitas guerras que se mantém. Todos os dias nos chegam relatos de ataques suicidas, de bombas, de explosões, seja no Iraque, na Síria, no Médio Oriente. Lamentamos as mortes, consternamo-nos com o facto de serem uma presença diária na nossa existência, rezamos baixinho pelas famílias que perderam os seus, pelas tantas vidas que vivem tudo isto de perto sem lhe poder escapar e… continuamos a cortar os legumes para a sopa, esperamos pela música que vem a seguir na rádio, abraçamos um pouco mais os nossos filhos.

Desde 2011 que convivemos mais de perto com outro tipo de guerra, o terrorismo. E lamentavelmente ele tem vindo a ganhar terreno e a chegar mais perto, a deixar-nos a pensar duas vezes “e se”. Quantos de nós não conhecem alguém que esteve perto do inúmeros ataques que se têm vindo a desenrolar ao longo dos últimos anos, meses, semanas? Quantos de nós não pensaram que foi por uma questão meramente de calendário que não foram atingidos?

Hoje acordei com as notícias do ataque em Manchester. Mais uma vez, aqui tão perto. E as circunstâncias enojam-me porque consigo imaginar as famílias que estavam a sair do recinto do concerto, as crianças cujo sonho de ver o seu ídolo acabava de ser realizado. Tenho amigas cujas filhas ansiavam pelo concerto de Junho, em Lisboa, da mesma artista. Concerto esse que não vai acontecer. Ontem, numa noite que deveria ser de celebração centenas de famílias ficaram dilaceradas, perderam os seus. Hoje as minhas amigas terão de explicar às filhas menores por que motivo não vai haver concerto. Por que motivo a raiva de uns colide com a vontade de paz de outros.

Há dois meses, estava eu num concerto no Meo Arena e pensei para mim mesma: “se acontece alguma coisa é impossível sairmos daqui”. Conheço pessoas que viajam de avião quase semanalmente e tento afastar do pensamento as probabilidades de acontecer alguma coisa, porque estas já não são tão ridículas como há uns anos.

É exactamente assim que funciona o terrorismo. Espalhando medo, terror. Pondo-nos a olhar por cima do ombro, a evitar algumas coisas que faríamos com a maior das naturalidades. Fazendo-nos andar de metro correndo um risco enorme, obrigando à colocação de pilares de cimento nas comemorações do centenário de Fátima, para evitar um ataque através de camiões.

E tudo isto é tão triste, porque significa que mesmo nós dizendo que não temos medo, temos. E temos de educar os nossos filhos para uma realidade em que a guerra se faz de outra forma, com recurso a outros meios, em cidades e países em paz.

Temos de lhes ensinar a tolerância, o respeito, temos de os educar a conviver com a triste e dura realidade de que apesar de sermos bons haverá sempre quem seja mau e nos deseje mal simplesmente porque pensamos de forma diferente.

Há uns anos ponderava se faria sentido trazer filhos a um mundo cada vez pior, mas aí não venceu o terrorismo.

Porque o mundo pode lidar com novos desafios, mas é infinitamente melhor do que quando os meus bisavós cá estavam. E porquê? Porque o ser humano também faz e é capaz de fazer coisas fantásticas.

De amar ao próximo de uma forma que choca exactamente esses terroristas que se mantém à distância e enviam os outros em seu nome para se sacrificarem.

Somos mais e melhores.

Temos medo, sim, mas isso não nos fragiliza. Ajuda-nos a pensar em novas ferramentas. Ajuda-nos a pensar em como poderemos chegar ao dia em que o poder que importa é o do amor.

Um dia chegaremos lá.

Até lá, ensinemos as nossas crianças que o medo faz parte. A violência existe. Mas existe também o amor. A união. A fé num mundo melhor.

Diria que neste campo as contas estão saldadas.

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I HAVE A DREAM, Sérvia 2015

Crianças chegam sozinhas à Europa

 “Dá-me um abraço que seja forte,  E me conforte a cada canto, Não digas nada que nada é tanto, E eu não me importo (…)” –Miguel Gameiro

A História do abraço

Em Psicologia, o referido toque tem a função do contacto e da carícia, com um objectivo  terapêutico. A sua história tem como alicerce – antropológico, clínico e experimental – uma origem histórica. Jesus Cristo curava as pessoas com o toque das suas mãos; tradições da India davam importância às carícias (Tantra e Kamasutra). Antecedentes antropológicos evidenciam que, nas tribos,  o contacto corporal nas suas diversas funcionalidades, é uma necessidade primordial, tanto entre os animais quanto os humanos.

Por outro lado, e já enquadrados na clínica psicológica, Erik Fromm, Winicott, Carl Rogers, Freud Melanie Klein, e Piaget, demonstraram a importância do contacto e dos laços afectivos e emocionais na vida do ser humano durante o seu desenvolvimento, nomeadamente no concerne à relação mãe – filho.

Segundo Toro por exemplo, refere que na clínica médica existem várias evidências que fundamentam que, os transtornos dermatológicos na criança, como por exemplo a psoríase e os eczemas, entre outros, estão associados a doenças psicossomáticas, ou seja com origem emocional. É detectado uma relação tóxica com a mãe, medo do abandono, carência de afecto na primeira infância, fobias e ansiedade.

Do ponto de vista experimental, autores como Spitz (1983) e Montagu (1988) demonstraram, através de pesquisas cientificas, que o toque humano é responsável pela adaptação do ser humano ao ambiente onde se insere, pelo desenvolvimento motor, cognitivo, psíquico da criança, pelo desenvolvimento da linguagem e dos comportamentos saudáveis assim como de uma boa socialização.

O efeito de um abraço

Abraçar diariamente cria um movimento de cooperação que tanto promove o crescimento como a cura, para além de preencher o vazio dos nossos corações. Aquando de um abraço num momento de  compreensão, mostramos os nossos sentimentos ao outro e reafirmamos a nossa crença no que sentimos.

A partilha que fazemos com alguém quando a abraçamos vai para além do mensurável. Partilhamos o nosso calor, parte do nosso corpo ao toque. Refira-se que podemos beijar alguém na face quando a conhecemos como parte de um cumprimento social, mas abraçar alguém….só o fazemos com quem mantemos uma relação realmente próxima, intima. Por vezes nem palavras são necessárias, o silêncio do momento fala por si.

Muitas vezes as crianças quando se magoam procuram instintivamente por um abraço, e nós adultos automaticamente lho damos. Nem pensamos no que fazer, oferecemos logo um abraço. Quando encontramos alguém em trauma emocional, oferecemos imediatamente um abraço, apertando e prolongado muitas vezes.

É quase que como se o abraço estivemos incorporado no nosso ADN, numa forma instintiva de diminuir o sofrimento em alguém, como se de uma cura se tratasse.

A psicologia do abraço

Do ponto de vista psicológico, inconscientemente, quando estamos em sofrimento psicológico e não temos ninguém com quem partulhar o mesmo, temos a tendência para abraçar uma almofada, um cão ou gato, um peluche… A psicoterapeuta Virginia Satir, refere que precisamos de quatro abraços por dia para sobreviver. Precisamos de oito abraços por dia para nos manter. Precisamos de doze abraços por dia para crescer. Segundo investigadores da Universidade da Carolina do Norte, ainda que breve (bastam 20 segundos) um abraço dado por um amigo, companheiro, ente-querido, pode ajudar não só a reduzir os níveis de cortisol que contribuem para o stress, mas também a reduzir a pressão arterial.

5 razões para abraçar diariamente os seus filhos e as pessoas que mais ama

  1. Abraçar liberta oxitocina no sangue.
    Esta hormona é responsável pelo fortalecimento de laços entre os entes queridos e assim como pelo aumento da resposta de solidariedade entre estranhos, levando a um aumento do bem-estar. Não tem efeitos secundários negativos!
  2. Abraçar reduz o stress e a pressão arterial.
    Não há nada melhor do que um abraço para reduzir a ansiedade, porque tem como consequência o fluidizar do sangue que contribui para a redução da pressão arterial.
  3. Abraçar é uma boa acção recíproca.
    Nunca sabemos quais as emoções pelas quais as outras pessoas estão a passar, porque tradicionalmente não demonstramos os nossos sentimentos, nem a nossa vulnerabilidade. Contudo, um abraço pode mudar a vida de qualquer pessoa ao quebrar o esquema mental de um dia menos bom, devolvendo-lhe uma sensação de felicidade.
  4. Abraçar faz a pessoa sentir plenitude e êxtase.
    Sabendo que os nosso corpos possuem muitas terminações nervosas, ao tocarmos noutro corpo estamos a permitir a satisfação de um desejo subconsciente que é o do toque.
  5. Abraçar permite realinhar a mente com o corpo.
    No stress do dia-a-dia fazemos as coisas de forma pouco consciente, dado o pouco tempo que tempo para viver a vida. O abraço dá a sensação de um novo fôlego, de um dia infinito e de uma satisfação plena gerada pelo realinhar do corpo com a mente

Devemos assim valorizar a possibilidade de partilharmos com o outro algo tão simples mas tão poderoso como um abraço.

Permitir parar um pouco neste stress do mundo, no nosso próprio stress, e olhar para quem está à nossa volta, para nós, e partilhar essa energia em pleno.

Comecem hoje a fazê-lo!

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Meu querido, ser mãe não é fácil. Nada mesmo.

Querer que tudo te corra na perfeição é uma aventura para toda a vida. Ao longo deste percurso, chamado maternidade, temos muitas duvidas e incertezas. Não te posso prometer que tudo será fácil. Aliás, os obstáculos fazem parte do crescimento, mas há coisas que quero que saibas que te prometo.

Prometo abraçar-te sempre que queiras. Sempre que precisares e que quiseres mesmo que seja por capricho. Vou abraçar-te com todo o carinho que tenho por ti, por todo o tempo que precises. Nada poderá interromper um abraço nosso.

Prometo secar-te todas as tuas lágrimas. Não as vou poder evitar, mas secá-las-ei todinhas, com beijos, abraços e consolo.

Prometo brincar contigo todos os dias. Para o resto da minha vida. Não há obrigações que me tirem esse momento de alegria. Vamos brincar juntos, todos e cada dia até que o corpo mo permita. Quando não permitir, brincaremos com palavras.

Prometo ouvir-te. Ouvir tudo o que tenhas para me dizer. Seja um pedido, uma justificação, um desabafo ou uma piada. Tudo aquilo que me queiras dizer, eu vou ouvir.

Prometo gritar, junto contigo, sempre que te sentires frustrado. Prometo ajudar-te a libertar tudo o que te chateia. Se for para gritar com o mundo, gritaremos em conjunto.

Prometo proteger-te. Ser um porto seguro. Fazer-te saber que comigo estarás sempre a salvo, porque eu derrubarei tudo e todos para te proteger.

Prometo dar-te colo. Mesmo quando fores maior que eu. Sempre que ambos quisermos, teremos estes momentos de mimo entre nós. E o meu colo, nunca será pequeno, nunca estará cansado, e estará sempre aqui para ti.

Prometo procurar sempre o melhor para ti. Procurar tudo o que te interesse, e tudo o que sirva melhor os teus interesses. Nunca vou desistir de querer para ti o melhor.

Prometo não te obrigar a fazer o que não queiras. Prometo compreender-te e ouvir-te assim como sei que me vais ouvir a mim. E se não queres, não será! Cumprirei a tua vontade.

Prometo apoiar todas as tuas decisões. Por mais descabidas que possam parecer, se é o que decidiste em consciência, podes contar com o meu apoio.

Prometo tratar-te como igual. És meu filho, és a pessoa mais importante para mim, e nunca deixarei que sejas tratado de forma diferente. Como igual, tal como eu…

Prometo ser tua mãe acima de tudo o resto.

Ser o teu abraço, o teu consolo, a tua amiga, a tua confidente, a tua compincha, o teu porto seguro, o teu colo, o teu incentivo, o teu respeito, a tua igual, e tudo o mais que precises de mim.

Estarás sempre acima de tudo! E ser tua mãe, é o papel da minha vida!

Obrigada por mo permitires!

 

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Família não tem definição

Família é mais que pai e mãe, mas é sobretudo pai e mãe.

Família é a raiz, troncos e folhas de uma árvore que não pára de crescer.

Família sou eu e és tu todos dias ao alvorecer.

Família não é só sangue, família é quem cuida, quem cria, quem ama.

Família é a irmã que à noite que te aconchega na cama,

Família é um pai e sua filha pela mão,

E é também o menino que brinca no parque, com o seu irmão.

Família não tem definição,

Família é colo, é mimo, é aquele olhar…

É a palavra amiga que te permite sonhar!

É um sorriso, um beijo, um brilho,

A primeira vez que sentes o teu filho.

Família é mais que um momento.

É para sempre, não há argumento.

Família é coração,

E a forma mais simples de oração.

Família como o Amor é a mais pura indefinição.

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“Para uma família ser feliz, é necessário haver sedução. Os filhos têm de ser charmosos para encantar os pais, os pais têm de se esforçar para educarem convincentemente os filhos. E marido e mulher, caso queiram permanecer juntos, têm de passar a vida inteira a engatar-se. O mal da família é a facilidade. É pensar que aquele amor já é assunto arrumado.” – Miguel Esteves Cardoso

 

As mães são a espécie mais fascinante e intrigante que irás conhecer. Na verdade, chegam a ser um bocado estranhas, é preciso tornares-te parte da “manada” para as compreenderes melhor (e mesmo assim, ui ui!).

Existem 10 síndromes que quase todas têm e que justificam os seus comportamentos peculiares (talvez não existam, mas tenta acreditar que sim, torna-se mais fácil lidar com elas).

10 síndromes que caracterizam as mães

1 – Síndrome do Sono de Golfinho

Tal como os golfinhos, que por não poderem adormecer no meio do mar ao longo do dia vão desligando alternadamente cada hemisfério cerebral durante 17 segundos, as mães que se vêem impossibilitadas de dormir várias horas seguidas vão poupando recursos ao manter  um hemisfério cerebral activado de cada vez. Isto pode explicar o motivo de não saberem onde estão as coisas (“viste onde pousei o creme da cara do bebé?“), o facto de repetirem a mesma coisa dezenas de vezes (“já tinha dito isto?“), a emissão de grunhidos em vez de respostas (hummmm), e as respostas que não se lembram de ter dado (“eu tenho a certeza que nunca disse isso“). O cérebro não está a funcionar em pleno, apenas metade está activada de cada vez, por isso haja compreensão (ou então fiquem vocês acordados a cuidar do bebé e irão ver o golfinho virar sereia).

2 – Síndrome das Celebrações Bizarras

“Fez cocó até ao pescoço, fiquei mesmo feliz por o ver tão aliviado“, “Pus o soro e era ranho a sair por todo o lado, que bom!“. Estas e outras frases são ditas diariamente por mães, eu própria já fiz danças da vitória que envolviam a macarena e o moonwalk por motivos destes. Sejamos sinceras – para quem vê de fora estas comemorações são muito maradas.

3- Síndrome do “Nem Contigo Nem Sem Ti”

Ora queremos que os nossos filhos acordem pois estamos cheias de saudades, ora olhamos fixamente para o relógio enquanto torcemos para que seja hora da sesta; ora queremos que vão brincar sozinhos, ora nos vamos meter nas brincadeiras; ora queremos que comecem a ser mais autónomos, ora tentamos fazer com que voltem a precisar de nós; ora temos vontade de os atirar janela fora (salvo seja), ora choramos por termos pensado isso e nos agarramos a eles enquanto fazemos promessas de amor. A maternidade é assim, uma montanha russa em que vamos do ponto mais alto ao ponto mais baixo (e vice-versa) em segundos. Por vezes sentimos que não sabemos o que queremos, queremos tudo e ao mesmo tempo não queremos nada – deixem lá, é da síndrome!

4- Síndrome do “Over and Out”

A comunicação das mães nos parques é das coisas mais hilariantes que existem:

– Olá, tudo bem?

– Sim e com vocês? (entretanto já um dos bebés correu para a ponta oposta do parque)

(passado 5 minutos)

– Connosco também. Ontem vi uma reportagem muito gira era sobre…(lá o bebé a puxa para o baloiço)

(passados outros 5 minutos volta a conseguir aproximar-se da amiga)

– …era sobre a amamentação no primeiro ano de vida.

– Ah, não vi, deu em que canal? (já nem consegue ouvir a resposta, é puxada para ir atrás de uma bola)

Acreditam que conseguimos passar uma tarde nisto? É verdade, uma conversa que na esplanada de um café duraria menos de 10m, no parque rende 2 horas. Se têm dificuldade em arranjar assunto e manter uma conversa, arranjem uma criança e vão até ao parque mais próximo.

5- Síndrome do “Será que?”

Apesar do síndrome de golfinho, as mães dedicam tempo e recursos à procura de respostas para várias questões criadas por si: “Será que ele devia entrar mais cedo/tarde para a creche? Será que lhe estou a dar uma boa educação? Será que devia dar-lhe mais/menos colo? Será que devia praticar outro tipo de alimentação? Será que sou boa mãe?Será…será…será?“. Estas e outras questões assombram a maioria das mães, surgem repentinamente e entram na festa sem serem convidadas; algumas causam um sentimento enorme de angústia e frustração. Embora de início seja difícil lidar com tantas incertezas, com o tempo vamos conseguindo responder com convicção a cada uma destas perguntas.

6- Síndrome de Doraemon (ou para quem se lembra, Sport Billy)

Lembram-se do Doraemon? Aquele gato azul vindo do futuro que tinha uma bolsinha mágica de onde tirava todo o tipo de objectos e engenhocas para ajudar o seu amigo humano Nobita. Pois é, as mães também têm este poder. Faz o teste – experimenta pedir um objecto qualquer a uma mãe, como uma chave estrela ou um palito, vais ver que depois de ela revirar a bolsa do bebé irá encontrar o que acabaste de pedir. Pensando bem, começo a achar que estas bolsas devem ter um fundo falso.

7- Síndrome do Nervo Óptico Latejante

“Já não mama? Ai, eu tinha leite suficiente para alimentar 5 bebés”.

“Ainda não fala? Os meus começaram a falar ainda eu estava no recobro”.

“Faz birras? Eu sempre consegui educar os meus para que não me fizessem passar vergonhas”.

Se repararem, enquanto as mães ouvem estas pérolas um dos olhos começa a ficar semicerrado e vai tremendo, enquanto aumenta e diminui de tamanho (não consigo escrever sobre isto sem que a síndrome dê um ar de sua graça). Esta síndrome é activada com questões descabidas, comentários inoportunos e comparações desnecessárias. Solução: não chatear as mães com conversas da treta.

8 – Síndrome do “Vou só comprar umas calças mas afinal volto com um saco de roupa de bebé”

Um título gigante mas que capta a essência da síndrome. Quantas de nós abrem o armário, reparam que precisam urgentemente de ir comprar umas calças, deslocam-se até ao centro comercial com esta missão e voltam cheias de sacos com roupa para o filho e sem uma única peça para si, inclusive sem as tais calças que tanto precisavam? Tão típico que até dói!

9 – Síndrome de Culpa

Infelizmente, a maternidade e a culpa andam frequentemente de mãos dadas. Essa culpa resulta da própria apreciação das mães, mas também lhes é frequentemente apontada pela sociedade. A criança come pouco? A culpa é da mãe que não faz sopas saborosas. A criança atira-se para o chão no hipermercado? A culpa é da mãe que não a soube educar. A criança adoeceu? A culpa é da mãe que não a agasalha convenientemente.  Os nossos filhotes têm cérebro e, consequentemente, vontade própria, logo nem tudo depende de nós. Além disso, “a culpa” também é nossa cada vez que eles sorriem, que cantam alegremente, que brincam livres, que mostram que são felizes – esta sim é uma “culpa” que nos vai marcar eternamente.

10- Síndrome do Sorriso Babado

Experimentem olhar para uma foto do vosso bebé e tentem não sorrir. Impossível! O mesmo se passa quando os vemos dormir, quando nos olham nos olhos, quando passam aquelas mãos gulosas pelos nossos rostos ou até enquanto se espremem para fazer cocó. Ao falarmos deles, até das coisas que nos agradam menos, acabamos por ficar com os olhos brilhantes e lá vem o sorriso babado. Nós amamos tanto estes seres pequeninos que quase tudo o que fazem nos enche de felicidade, às vezes nem conseguimos explicar o motivo de tanta alegria. Sinceramente, nunca sorri (e ri) tanto como desde que sou mãe.

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A capacidade de raciocínio é um puzzle complexo que mistura componentes genéticos e o ambiente onde crescemos.

Resolver uma equação. Compor uma sinfonia. Escrever um romance. Ganhar uma partida de xadrez. Inventar a cura para uma doença rara. O que têm todas estas situações em comum? São átomos de uma anatomia complexa: a inteligência. E, contudo, não me lembro da última vez que resolvi uma equação, não me sinto capaz de compor uma sinfonia, não me interesso pelo xadrez, sinto-me ainda longe de escrever um romance e muito mais ainda de encontrar a solução para uma doença rara. Nunca tinha pensado nisto desta forma e começo a ficar inquieto: serei menos inteligente do que pensava? Como podemos aferir a nossa inteligência?

O genoma, o ambiente e a comida como influenciadores do QI

Ainda que a alquimia da inteligência permaneça em grande parte um mistério, há dois ingredientes que sobressaem: a genética e o ambiente. Primeiro a biologia, depois a cultura ou a educação.

“Qual das componentes é mais importante? É uma falsa questão”, responde o biólogo da Universidade de Coimbra Hamilton Correia, que se tem dedicado ao estudo da inteligência e da sua importância na salvaguarda da espécie. “Se uniformizarmos os factores ambientais, então o que vai determinar a diferença de inteligência entre as pessoas é sobretudo o genoma. Se uniformizarmos a componente genética, então o que irá distinguir os indivíduos em relação à inteligência serão os factores ambientais”. O biólogo dá um exemplo: “Imagine que existiam dez bebés clones, com a mesma constituição genética. A partir deles podemos ‘criar’ dez indivíduos com uma diferença abismal nos resultados dos testes de QI. Isto porque os factores ambientais variaram significativamente entre eles durante o desenvolvimento.” Por exemplo, o tipo de alimentação durante os três primeiro anos de vida é fundamental para o “desenvolvimento da inteligência”.

Quem nasce lagartixa nunca chega a jacaré?

Muito menos consensual é a teoria do antigo inspector das escolas públicas britânicas Chris Woodhead, que no seu mais recente livro, “The Desolation of Learning”, coloca todo o peso da balança da inteligência no comportamento dos genes. Segundo o autor, os rapazes e as raparigas tendem a ser mais inteligentes se forem filhos de professores, advogados ou académicos. Quem foi menos bafejado pela genética será pouco inteligente, mesmo que tenha a melhor educação do mundo. “Porque é que temos a pretensão de pensar que conseguimos tornar uma criança mais inteligente do que aquilo que Deus a fez?“, perguntou durante uma entrevista ao diário britânico “The Guardian”.

Herdamos a nossa inteligência da mãe e não do pai (Outch!)

Segundo Correia, a influência da hereditariedade na inteligência faz-se sentir sobretudo pelo lado da mãe. “A maioria dos genes descobertos que quando mutados dão origem a deficiências cognitivas encontram-se no cromossoma X. Por esta razão, o sexo feminino é mais importante que o sexo masculino na transmissão da inteligência para a geração seguinte”.

Este facto explica uma realidade que pode parecer surpreendente: segundo um estudo realizado pelo biólogo no Departamento de Antropologia da Universidade de Coimbra, “os homens tendem a casar com alguém mais inteligente que eles, pois terão mais probabilidades de terem filhos inteligentes”. Ainda que o façam inconscientemente, a inteligência acaba por ser um importante critério de selecção sexual na espécie humana.

 

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Era uma festa. Para um pequeno catita de 5 anos, uma das suas coisas preferidas (tirando comer uma banana, claro). Ele adora ver gente junta, feliz e de preferência rodeada de comida. Se no meio conhecer meia dúzia de pessoas novas, aí fica mesmo eufórico.

No meio de toda aquela alegria, apareceu na sala a chorar profundamente. Corri para ele e abracei-o. Estava a tentar perceber o que lhe tinha acontecido. Enquanto ele soluçava sem parar, entre meias palavras, consegui perceber que o seu chapéu colorido tinha voado para qualquer lado. Ele estava triste, mesmo triste. Do nada, apareceu uma senhora, cheia de boas intenções “Não precisas ficar assim! É só um chapéu. Vá, já chega de chorar. Deixa-me ver o teu lindo sorriso!” disse-lhe.

O pequeno catita ainda chorou mais. Ao ouvido dele, enquanto o abraçava, sussurrei “Chora. Chora tudo o que precisares. Eu percebo que estás mesmo triste, era o teu chapéu das aventuras, não era?” Ele chorou mais um bocadinho e quando estava preparado, fomos procurar o chapéu no jardim.

Ver alguém chorar faz disparar algum alarme bem profundo dentro de nós. Só queremos que pare. Mas chorar é um mecanismo que temos para libertar a emoção que estamos a sentir. É uma espécie de cura, de transformação do que nos aconteceu. É quando a emoção está a sair do corpo. O que a senhora lhe disse foi, de certa forma, que a emoção que ele estava a sentir não era adequada à situação. Era uma espécie de “o que estás a sentir não está certo”. É assim tão desconfortável para nós assistirmos às emoções “menos sorridentes” dos outros?

Os pensamentos, emoções e comportamentos da criança devem ser reconhecidos e, não engolidos. Devem ter espaço para existir. Porque eles estão lá na mesma. Se não vêm para fora…vão para dentro. Ficam lá, paradinhos à espera de uma nova oportunidade, mais segura, para saírem cá para fora.

Porque é que acham que muitos pais ouvem que os filhos são fabulosos na escola e em casa só fazem pilharias? Eles estão a exprimir todas as emoções que durante o dia tiveram de ficar escondidas. Estão a trazê-las cá para fora para serem transformadas.

E sabes porque o fazem apenas contigo?

Porque se sentem seguros. Porque sabem, bem lá no fundo, que gostas deles da pontinha das unhas dos pés ao cabelo mais comprido.

Sabem que não precisam de usar a máscara da menina bem comportada ou do melhor aluno da primeira fila. Podem ser simplesmente eles, com tudo o que vai lá dentro.

Como as pessoas falam pouco dos seus sentimentos, muitas vezes sentimos que somos os únicos que temos emoções que nos deixam assoberbados. Sentimos que estamos sós nisto tudo e, que talvez não seja certo sentirmos o que sentimos.

Se permitirmos aos nossos filhos sentir e comunicar o que vai lá dentro, damos-lhes a possibilidade de gostarem de cada cantinho seu, do mais escuro ao mais luminoso. Só assim podemos fazer crescer a sua autoestima, a sua capacidade de empatia e a inteligência emocional.

Ao não negar o que sentimos, tomamos consciência de que não somos as nossas emoções. Elas apenas ficam um pouco, e vão. Como uma nuvem que passa ou uma chuvada que dura apenas alguns minutos antes do sol brilhar de novo.

Se tivermos curiosidade em descobrir o que os nossos filhos estão a sentir, sem tentar resolver o problema, julgar ou controlar, apenas deixando que eles se exprimam, estamos a dar-lhes a oportunidade única de compreender e aceitar o seu mundo interior.

Tu tens um papel MESMO muito importante aqui. Sabes, quando eles são pequeninos, o seu cérebro ainda não está totalmente desenvolvido. As zonas do cérebro correspondentes à relativização das emoções e ao colocar os acontecimentos em perspectiva ainda estão no início da construção. O que domina é a parte do cérebro reptiliana, essa sim, totalmente desenvolvida, responsável pelas emoções mais cruas, como o medo, a raiva, a alegria e o choro.

Nós, pais, somos o sistema nervoso externo dos nossos filhos enquanto o outro ainda está em construção. Eles precisam de nós para os ajudarmos a lidar com os grandes sentimentos que os invadem. Somos nós que temos de lhes dar a mão e os ajudar a passar de um overload emocional para uma zona mais calma.

Passo a passo, enquanto ouvimos com empatia o que está acontecer com eles, vamos criando a ponte entre uma zona e outra. Uma ponte que um dia eles vão, finalmente, ser capazes de atravessar sozinhos.

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O “castigo” faz parte do processo educativo de qualquer criança.

É fundamental a criança perceber que, quando faz algo que quebra as regras sociais impostas pela cultura e pelos pais, estas ações têm de ter uma repercussão. Essa função serve para que ela possa apreender o que deve e pode, ou não deve e não pode fazer, sempre com a finalidade de vir a sentir-se integrada na sociedade enquanto adulta. Mas será que a palavra castigo terá realmente este valor na cabeça de uma criança em formação?

Quando nos debruçamos sobre o valor linguístico da palavra castigo deparamo-nos com o seguinte significado:

“punição que se inflige a um culpado; mortificação, tarefa penosa ou grande dificuldade; dar castigo; punir; obrigar (fonte: in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa, 2008-2013) que, por si só, é já penoso e negativo.

A criança sabe que a mãe, o pai ou o educador a vai pôr de castigo se fez algo negativo e errado, sendo que na cabeça de muitas crianças isso até pode ter um efeito aterrador, potenciando a mentira como um fator de fuga ao castigo (se eu não disser que  tive má nota, não irei ser castigado, por exemplo).  Contudo, se usarmos a palavra consequência, encontramos como significado: “resultado natural, provável ou forçoso, de um facto; dedução tirada por meio de raciocínio de um princípio ou de um facto; conclusão dimanada das premissas; [Figurado]  importância, alcance (fonte: in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa, 2008-2013)  que tem um valor mais educador, construtor, digamos assim, potenciando a aprendizagem.

Castigo ou Consequência – O peso da palavra

O valor e o peso da palavra têm muita importância no entendimento do significado da mesma, ainda mais para uma criança. Dito isto, a utilização da palavra consequência cumpre mais o objetivo já referido, fazendo com que a criança aprenda que o que acabou de fazer não está certo, por forma a que ela não volte a realizar a mesma ação, apreendendo a razão pela qual não deve voltar a fazê-la. Assim, a palavra consequência, porque se alia a coisas mais construtivas, permite à criança sentir que para qualquer situação há consequências, positivas e negativas, com as quais ela tem de lidar, enquanto que o “castigo” tem um valor muito limitado porque a criança não reage por compreensão mas sim por medo.

Uma criança em situação de castigo não reflete, apenas reage emotivamente e sente a reação do castigador (zangado, furioso, chateado…).

Por isso, o castigo não pode atuar adequadamente, porque não exige entendimento. Em vez de se “castigar “deve-se levar a criança a sofrer as consequências do seu agir percebendo o que a levou a cometer a ação, e permitir-lhe um movimento de reparação. Pedir desculpa ou consertar o que estragou podem ser medidas eficazes, não culpabilizam e aliviam a criança da pressão do ato. Em suma, queremos acima de tudo que a criança compreenda o que fez e porque não deve voltar a fazer, não apenas que ela tenha medo da consequência, sem refletir sobre o que fez.

O envolvimento dos pais ou educadores

Há contudo um pormenor que pode ou não ajudar a criança neste processo construtivo: a existência ou não de uma relação/disponibilidade entre a criança e o adulto. Para que a criança consiga fazer este percurso de entendimento das consequências das suas ações, o adulto tem de estar em relação com ela, demonstrando disponibilidade afetiva e capacidade de empatia.

E isto porquê?

Porque, muitas vezes, quando um adulto atribui uma consequência negativa, essa consequência vai refletir apenas uma defesa do adulto face ao que tem de investir na relação com a criança ou adolescente. Ou seja, muitas vezes a tal consequência é mais uma reação de raiva ou frustração do próprio adulto face ao acontecimento, sendo até muitas vezes desmedida essa reação. E, quando isto acontece, quando os adultos atuam sob o sentimento da raiva ou da vingança pela impotência que sentem face à criança ou adolescente que desautorizou ou infringiu alguma regra, ele passa a estar presente na vida da criança, mas de forma negativa. Isto porque ou a ignoram ou reagem de forma desmedida.

Chamadas de atenção

Certamente que já observaram a cena em que adultos se divertem e conversam, esquecendo-se das crianças ao lado. De repente uma criança parte algo para chamar a atenção dos adultos.

Esta ação inconsciente da criança ( fazer uma asneira como chamada de atenção) na verdade, pretende castigar a atitude dos adultos que a ignoraram. Tal como um objeto que a criança partiu para reclamar atenção do adulto, também o comportamento indesejado, por exemplo mentir, roubar, fazer xixi na cama, agressividade entre outros, tem sempre motivos inconscientes (pese embora a noção de que essa mesma asneira tem um objectivo concreto na cabeça da criança).

É fundamental que o adulto esteja disponível para perceber por que a criança teve uma reação descontextualizada.

Se não estiver disponível, a consequência não tem o seu valor, a  criança não aprendeu nada e o adulto lavou as mãos. Não se envolveu. E passa uma mensagem de desamor, o que pode ter  consequências catastróficas para a vida social futura da criança. Não se pensa, apenas se reage ou age! E como podemos pedir a uma criança que consiga controlar o seu comportamento, quando o adulto não o consegue fazer? É igualmente importante refletir sobre o facto de o mais forte levar o outro apenas a calar-se mas só depois de ter perdido a razão, passando-se assim a uma não relação.

A palmada na hora certa

Daí a ideia de que, muito embora possamos naturalmente dar uma palmada (refiro que jamais uma chapada, porque tem um peso ofensivo e pessoal) em situações em que a criança se comporta de forma desadequada, na verdade não é elemento fundamental à educação de uma criança. Podemos, e até arrisco dizer que devemos, educar sem usar a força física e naturalmente a verbal.

As crianças refugiam-se no seu cativeiro da imaginação, da solidão e reagem segundo a sua personalidade e a sua relação com os educadores.

O amor e a estima, são fundamentais para toda a educação, e são muitas vezes ignorados.

O amor e a admiração adquirem-se por identificação e não por consequências. O educador que dá consequências de forma desmedida e não explicada, não sabe amar nem serve de modelo positivo para que a criança tenha um crescimento mental saudável. Nestes casos acontece muitas vezes que a adoção de regras e limites se façam por interiorização e imitação das atitudes e dos valores de um outro que não o educador, de uma figura de referência mais próxima, pais, educadores, professores, ídolos da juventude, entre outros.

Se os adultos, pais ou educadores têm atitudes repressivas em vez de educativas, até podem conseguir resultados, mas será sempre pela via do medo (castigo), onde a criança tem medo de perder o amor do adulto e reprime o comportamento. Torna-se pois, fundamental, mudarmos de paradigma. É necessário abandonar os modelos de educação pela força, pela lei do mais forte! É urgente educar num ato construtivo positivo, pela compreensão e pela atenção e disponibilidade interna dos educadores para escutarem ativamente as crianças e os seus apelos!

Acima de tudo, educar com amor e humildade.

imagem@vix

Revisto por Babelia Traduções para Up To Kids®

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Quando se pensa em realizar atividades que exigem maior concentração tais como estudar, aprender, conceber, criar e trabalhar pensa-se num espaço limpo e organizado para o fazer. A sabedoria convencional diz-nos que precisamos de ordem para fomentar a produtividade, mas isto não é necessariamente verdade.

Diversos cientistas e investigadores já relacionaram o caos e a desarrumação a estados intensos de criatividade.

Albert Einstein sempre foi assumidamente desarrumado. O físico costumava dizer a propósito da desordem do seu espaço de trabalho: “Se uma mesa desarrumada é sinal de uma mente desordenada, uma mesa vazia é sinal de quê?”.

A ordem é um conceito criado e desenvolvido pelo homem e pela necessidade de viver em sociedade.

A natureza está em constante mudança e desordem, o que se reflete nas nossas casas. Como dizia o físico Adam Frank: “É uma lei da Física. A dura verdade da vida é que o universo é em si um caos. Como poderias deixar em ordem tudo em tua casa se isso contradiz a natureza do universo?“.

Talvez devêssemos aprender a aceitar a natureza caótica do universo.

Obviamente que não devemos deixar que todos os aspectos da nossa vida caiam num completo caos. A organização pode ser necessária, conveniente e até estabilizadora. Mas também é sobrestimada, e os que vivem na desordem são muitas vezes injustamente julgados. As pessoas desarrumadas são frequentemente estigmatizadas como indivíduos apáticos e desequilibrados, o que não é verdade.
As pessoas desarrumadas não são preguiçosas, são realmente imaginativas e ousadas e nunca se tornam escravas  da exactidão e convenção.

Pessoas com quartos, escritórios e mesas desarrumadas tendem a ser mais criativas, inteligentes e originais.

Os autores Eric Abrahamson e David Freedman publicaram o best-seller “A perfeita desarrumação: os benefícios ocultos da desordem” ( “A Perfect Mess: The Hidden Benefits of Disorder”)  onde revelam que uma mesa desarrumada pode indicar que a pessoa trabalha tanto que não tem tempo para arrumar o espaço. E que é tão criativa que, o que para os outros parece um caos, para o próprio é a organização dentro da sua desorganização.

Segundo os autores a desarrumação não é necessariamente a ausência de ordem. Uma mesa desarrumada pode ser um eficiente sistema de prioridades, onde o trabalho mais urgente e importante tende a estar perto e no topo da pilha, enquanto o material seguramente ignorável tende a ser enterrado no canto ou por baixo, o que faz todo o sentido.  É a tal organização dentro da desarrumação.
Por outras palavras, uma mesa desarrumada pode realmente ajudar a aumentar a eficiência, dependendo da pessoa.

Já experimentou mudar algo de sítio numa mesa de trabalho de uma pessoa desarrumada? Pois…

“Eu estou interessado em tudo sobre revolta, desordem, caos… Parece-me ser o caminho em direcção à liberdade.” – Jim Morrison

Os estudos revelaram ainda que ser ou não ser desarrumado não tem apenas a ver com a criatividade, mas também com características genéticas e hereditárias, e ainda com o meio onde cada indivíduo cresceu. O exemplo durante a infância e os hábitos criados pelos pais  vão ajudar a determinar a forma de gerir o espaço (e tudo o resto à sua volta) em adulto. Existe uma linha muito ténue entre as crianças desorganizadas por ainda não terem sido habituadas e ensinadas a organizar-se, e as crianças desorganizadas por serem efetivamente criativas. As segundas, apesar do caos aparente, por norma sabem onde deixaram cada objeto ou brinquedo.

Nem todas as pessoas estão preparadas para viver em desordem.

As pessoas desorganizadas são inerentemente espontâneas. Preferem preocupar-se com as coisas mais importantes do que com os minúsculos detalhes da vida do dia-a-dia. São pessoas criativas e sensoriais que seguem o fluxo em vez de nadarem contra a corrente.

É preciso coragem para abraçar o caos e aceitar o constante criticismo.

 

Imagem@Thetelegraph

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