Criar espaço e oportunidade para as crianças conseguirem dar os primeiros passos sozinhas é uma demonstração de amor e afecto verdadeiramente notável por parte de qualquer cuidador. Mas estimular a independência nos mais pequenos pode ser muito difícil, sobretudo quando esta parece representar simultaneamente uma ameaça ao território de domínio dos pais. Muitas vezes, na minha prática clínica, deparo-me com pais que insconscientemente alimentam esta dependência, como forma de garantir o controlo  dos seus filhos, numa espécie de “miminhos continuados”, que podem vir a custar um preço elevado no crescimento dos jovens.

Se queremos que as crianças de hoje se tornem adultos autónomos e responsáveis é conveniente ir fazendo pequenas atribuições de responsabilidade, de forma gradual e sem exageros! Uma criança que está sempre “colada” aos pais, sendo estes a resolver todos os problemas e questões que vão surgindo no dia-a-dia, ou tomando todas as decisões por si…  pode tornar-se um adulto inseguro, sem consciência da responsabilidade e muito dependente da opinião e aceitação dos outros.

Incentivar as crianças a crescer com segurança, implica abdicar do monopólio lá de casa e ir dando voz, responsabilidades e “poderes” aos mais pequenos… Porque mais cedo ou mais tarde os seus filhos precisam resolver problemas e tomar decisões sozinhos! Estarão realmente preparados? A autonomia e independência não é um processo imediato e biológico; pelo contrário exige um treino e desenvolvimento que muitas vezes não lhes proporcionamos.

Comece por pequenas tarefas em casa, como arrumar as suas próprias coisas (brinquedos, roupas, outros objectos…), até como uma oportunidade dos mais novos desenvolverem uma noção de organização e arrumação… atitudes que irão ajudá-los pelo resto da vida.

Tarefas domésticas, como arrumar o quarto, juntar a roupa suja, arrumar os livros, pôr e levantar a mesa, lavar a loiça. São pequenas atividades que fazem muita diferença na vida adulta dos filhos (sobretudo nos filhos rapazes que são tendencialmente mais poupados nestas tarefas… lembre-se que um dia, ele irá sair de casa e ser “desenrascado” vai ser-lhe muito útil!).

Ensine-o a ter opinião formada: converse com ele e discuta sobre assuntos da actualidade e que passam na televisão ou até mesmo sobre assuntos da escola. Incentive-o a falar sobre diversos temas e a dar sua opinião. Ouça com atenção, com curiosidade, sem julgamento, apenas questionando, com o objetivo de estimular a sua capacidade de pensar e reflectir os mais variados temas.

Não faça as coisas por ele (nomeadamente trabalhos de casa!). Orientar não é fazer por ele. A responsabilidade de fazer os trabalhos de casa é do seu filho, o seu papel é de “participante consultor”, apenas apoiando sempre que ele tiver uma dúvida ou esteja com dificuldade em entender uma questão… caso contrário que mensagem lhes estamos a passar? O que lhes estamos a ensinar?

Estabeleça regras e horários: ensine-o a ter responsabilidade quanto aos horários, por exemplo, não permita que chegue atrasado à escola, estabeleça horários para ver televisão, jogar e brincar. Isso faz com que a criança se discipline e se torne um adulto responsável;

Seja efectivamente um exemplo para o seu filho: as crianças copiam os modelos dos pais, portanto seja um exemplo de responsabilidade para ele.
Faça com que ele veja como deve ser quando adulto.
Não basta exigir… é importante mostrar como se faz.

Por Vera Lisa Barroso, para Up To Kids®
Todos os direitos reservados

 

Ter uma filha muda-nos de diversas maneiras, mas nunca teremos uma vida aborrecida ou rotineira. Um dia acordam com 2 anos e só querem comer na taça cor-de-rosa, vestidas de cor-de-rosa e se a papa ou o leite fossem cor-de-rosa ou roxo (também aceitável) seria perfeito. Desde esta idade começam a perceber que nem tudo é cor-de-rosa e as birras muitas vezes rebentam porque a mãe também não esta vestida de cor-de-rosa, nem de espírito porque já não vê o mundo através de lentes rosa ou roxas! Mas a mãe compreende, porque já esteve nessa posição e a coisa é chata.

No dia seguinte acordam com 6 anos, e arrependem-se de ter cortado o cabelo as Barbies numa das birras dos dois anos em que as Barbies não estavam vestidas de rosa! Agora quase carecas, as Barbies, as Monster High, as Violettas ou as Elsas têm que ser trocadas o quanto antes porque as amigas gozam, e nesta idade tudo é passível de ser trocado até a mãe, caso não ceda.

No outro dia, acordam com dez anos e tudo o que é rosa, roxo ou que roce estas cores é super foleiro e nem acreditam que a mãe tenha cedido a tal piroseira e portanto a culpa é toda nossa!
Mea culpa, claro  que têm razão: estas mães de hoje gostam tanto de rosa e roxo. Adoram!…

Talvez porque, quando as mães de hoje, eram pequenas meninas nos anos 80, 70, 60, havia o rosa, mas também havia tantas outras cores e brinquedos que os pais ofereciam às filhas aos quais, nós filhas gratas e amigas, agradecíamos  com sorriso meio rosa/amarelo
“-obrigada adorei! Mesmo! Era mesmo isto!”,  quando na verdade queríamos dizer:
“-Este careca? só havia mesmo um careca de quase dois quilos, com roupa castanha? Não havia nada mais levezinho ou mais colorido como a primavera?! Não sabem que com 7 anos, carregar um careca com peso real vai-me dar cabo das costas?”.

OK a ultima parte não dizíamos nem pensávamos, porque não havia o que Google.

Não dizíamos nem pensávamos porque era o que havia e nos aceitávamos. Sabíamos que em África os meninos e meninas não comiam e que ter brinquedos era um luxo. Se não acreditássemos, bastava assistirmos as noticias ao jantar com a família enquanto comíamos abundantemente, e engoliamos em seco as imagens de fome em África que nos invadiam a sala de jantar. Mudar de canal para o único outro canal, a RTP 2, era chato porque ai tínhamos que engolir cultura à hora de jantar e para isso ninguém, nos anos 80, tinha estômago. Mas o resto é tudo verídico.

A vida era monocromática, com alguns laivos de cor aqui e acolá, mas era simples muito mais simples para os pais que quando acrescentavam filhos ou sobrinhos à família era bem mais fácil de passar adiante o que já não servia. Mas agora o que fazemos com tanto rosa, tanto roxo?
Agora que aos dez anos quase no final da infância e inicio da pré-adolescência com tanta informação e tanta escolha, quando deixa o rosa de ser uma possibilidade (ou obrigação)?

Filha, já não gostas de rosa? Mesmo, mesmo? Tens a certeza, olha aqui super giro e fashiontrendy, super top e tal?
OK, não é necessário esse olhar de desdém que me faz sentir mais velha além dos meros 38 anos fantásticos super fixes e jovens, ok? Humpf! (Longo, longo suspiro). Algumas mães vão para os sites de venda online tentar livrar-se de móveis rosas, cortinas rosas, algumas até adaptadores de sanita rosa tentam. Vale tudo, mas quando nem por 1 euro a coisa vai, tentam as amigas, essas com também filhas da mesma idade, com o mesmo problema, e para evitar conflitos todas partilham o mesmo numero de telefone, o de uma associação qualquer que ou faca reciclagem ou então distribua o rosa para uma menina algures em Portugal que tenha acordado com 2 anos e esteja a fazer birra porque a vida não lhe corre bem, nem cor de rosa. Então assim o ciclo da a volta completa e recomeça.

Para as mães que sobreviveram ao rosa, começa outra fase a de todas as outras cores. Agora a coisa piora porque com tanta cor, com tanta pré-adolescência e adolescência, com mudanças de estado de espírito, corações partidos, amizades começadas, outras interrompidas, modas quem vêm e outras que vão sem que nos nos apercebamos, a coisa vai mudando, diariamente. As vezes é só mensal, outras trimestral e se coisa correr bem, semestral. Porque hoje, eles podem tudo e nós, capitulamos, mesmo protestando entre dentes.

Por isso, querida, já não gostas de rosa? Tens a certeza?

Escrita com ironia, mas baseada em factos verídicos.

Por Sónia Pereira de Figueiredo, para Up To Kids®
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imagem@revistacrescer

Como mãe estou preparada, ou assim o espero, para ver a minha filha ganhar asas e voar livremente, sozinha, enquanto descobre o seu caminho por si.

Pretendo dar-lhe as ferramentas necessárias para que faça as suas escolhas, mas tenho alguns receios que acredito que são transversais à maior parte dos pais:

Não poder acompanhar o crescimento de um filho
Quero estar por perto para presenciar as conquistas, das mais pequenas às mais significativas, os erros em que todos caímos, as certezas que se irão solidificar, a pessoa em quem se vai tornar. A simples possibilidade de (uma de nós) estar ausente deixa-me um aperto no coração.

Que um filho fique verdadeiramente doente
Sempre admirei os pais que acompanham filhos doentes – seja qual for a doença – a sua devoção, fé, coragem, mesmo quando as perspectivas são más. Ninguém está preparado para não conseguir proteger um filho de algo grave, que foge ao seu controlo, ninguém ensina como se deve agir. A minha consideração é gigante e desejo do fundo do coração não ter de passar por isso e que um dia esta realidade seja uma raridade.

Ver um filho fazer (más) escolhas que lhe condicionem a vida
Os nossos filhos, por mais que sejam parte de nós e tenham o nosso sangue a correr nas veias, são (ou serão um dia) seres pensantes independentes, com as próprias dúvidas, convicções e vontades. Todos nós, mais tarde ou mais cedo, tomamos más decisões. Torço para que sejam sempre lições – para os filhos e para os pais – e que no fim haja sempre uma luz para iluminar o caminho.

Ter uma má relação com um filho
É daquelas ideias que parecem impossíveis, mas se olharmos em volta vemos todos os tipos de relações, das mais cúmplices às mais esvaziadas de sentimentos. Nenhum pai sonhou um dia não ter uma relação próxima com um filho, não ser procurado numa situação de aperto, não ser um bom ouvinte, um bom companheiro. A vida às vezes encontra maneira de dar a volta ao que tínhamos como certo e torço para que se consiga sempre dar a volta à vida e alimentar da forma mais saudável e verdadeira a relação mais importante das nossas vidas.

Ter um filho cobarde
A cobardia tem muitas faces: está na violência doméstica, está no bullying, na cumplicidade e silêncio de quem assiste a uma injustiça e nada faz, está no seguir os outros porque não temos coragem para mostrarmos quem realmente somos, etc. Espero que os princípios mais importantes fiquem sempre gravados na cabeça e no coração dos meus filhos, para que por mais que errem, nunca sejam os cobardes que infligem sofrimento propositado a quem os rodeia – e em si mesmos.

Não conseguir ajudar um filho
Seja em que situação for, por falta de dinheiro, de tempo, de sabedoria, de “ferramentas”… Que nunca falhe a um filho meu.
Não controlamos nada. Somos pais mas continuamos a ser filhos e temos uma rede de relações que se deve basear no amor. Acredito profundamente que quando há amor se encontra a força necessária para ultrapassar tudo. Os dias menos bons. Uma notícia inesperada. As saudades. Aquele telefonema que andamos para fazer há uma série de tempo. A falta de paciência nos dias longos, o cansaço nos dias mais intensos.

Tenho muitos mais medos do que os que aqui admiti, mas não deixo que estes condicionem a forma como vivo a minha vida. Quanto muito permito que me ajudem a valorizar o que tenho e a investir no que não quero perder.

Porque nenhum medo deve ter o poder de nos impedir de sermos melhores: pais, amigos, namorados, filhos, colegas, seres humanos.

Porque nenhum medo deve ser maior que a esperança.

Nenhum medo deve ser maior que o amor.

Por Marta Coelho, para Up To Kids®
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imagem@weheartit

 

  • que fosse adorar o cheiro a cocó do bebé. – Sim, do bebé. Importante dizer de quem, para não haver mal entendidos. Não ficamos loucas por cocó no geral. Não começa a ser um fetiche e começamos a querer chafurdar-nos nuas na areia dos gatos. Gostamos quando eles fazem cocó (já sei que nem todas) e, principalmente quando não comem peixe e ainda estão a leitinho, o cheiro é bom. Cheira a iogurte.
  • que me passasse o mau feitio de ser acordada tão cedo. – Ser acordada às 5h da manhã e não ser mais ordinária ainda que o Fernando Rocha? Ou ter uma cara de tão mau feitio quanto o Miguel Sousa Tavares quando lhe falta o tabaco? Só mesmo com uma criança e minha. Se fosse a criança do vizinho, talvez me tentasse espetar contra os botões do fogão.
  • que fosse passar a adorar andar. – Eu? Andar? Ui. Até no trabalho designávamos uma pessoa para ir buscar o almoço de todos ou, então, eu nem ia almoçar só para não ter que andar uns metros. Agora é maravilhoso. Calma, não “maravilhoso” como aquela primeira sensação de que emagrecemos quando experimentamos umas calças de ganga e nos ficam mais largas, mas aquele “maravilhoso” de… “olha… não morri!”.
  • que fosse passar a ter tanta fruta e vegetais em casa. – As minhas refeições resumiam-se a cereais (porquê “cereais” e não assumir logo Chocapic?) ou a Bolas de Neve ou a um bife de frango/perú (nunca os consegui distinguir até estarem descongelados) com imensa massa. De repente, tenho pêssego, manga, courgete, abóbora, gengibre em casa. O meu frigorífico está em choque.  Não tanto quanto todas as esteticistas nacionais com o bigodinho da Mariana Mortágua (e não é que também se nota no cartaz? É um statement? Percebo pouco de política…).
  • que achasse graça ter alguém a chamar o meu nome 43 vezes num minuto. – Ui! Se fosse um colega de trabalho a fazer-me isso, era espetar logo com metade de um bloco a3 de papel cavalinho pelo esfíncter anal (ou outro qualquer à escolha) acima ou abaixo, depende se estiver a fazer o pino ou não.
  • que fosse por as minhas mamas de fora na rua. – Nunca tinha feito topless, muito à conta de ter umas mamas assim para o feiosas. Digamos que não me punham num calendário do barbeiro sem ser vestida com um kispo da Duffy. Agora, não quero saber. Mesmo quando a Irene não está em casa, faço questão de andar com as mamas de fora, fico mais fresca. A verdade é que, amamentando, não sinto que esteja a despir-me, sinto que estou a alimentar a minha cria. Nem me lembro que são as minhas mamas. Até porque já não o são. Digamos que são… as suas vizinhas de baixo. Muito de baixo.
  • que fosse ter sempre uma pessoa a todas as horas na minha cabeça.  – E que essa pessoa não fosse a filha da “dona” da Zara que deve ter um armário do caraças. Passa a ser uma constante no nosso cérebro. Somos nós mais um bocadinho, não parece ainda ser separado de nós. É incrível. É como se fosse um furúnculo, mas mais amoroso e sem nada a ver.
  • que voltasse a querer estar grávida um dia. – Mesmo depois das últimas semanas tãaaao chatas do final da gravidez, mesmo depois de estar prestes a rebentar, das dores, dos xixis, das contracções, do parto, das noites mal dormidas, das preocupações, do cabelo a cair, dos pontos no pipi, do baby blues, das crises de choro, das crises de cansaço… querer repetir tudo e acreditar ser capaz de ser ainda mais feliz.

Ler também Se, antes de ter filhos, eu soubesse

Por Joana Gama, no Blog A mãe é que sabe,
autorizado para Up to Kids®

 

 

Como o próprio nome indica, esta disciplina não é mais do que a versão para crianças da arte marcial que dá pelo nome de Aikido. Não cabe aqui descreve-la detalhadamente, mas interessa-nos conhecer, à partida, uma ou outra característica geral desta arte que teve a sua aparição já no Séc. XX.

É quase um lugar comum, quando se fala de Aikido, descrevê-lo como “a forma de aproveitar a força do ataque de um adversário para o derrotar”. E estaria quase certo, não fossem os conceitos  de “adversário” e “derrotar”, na verdade, deslocados no contexto da prática. Mas a frase é verdadeira quando refere implicitamente a não oposição à força do ataque do “parceiro” (é esse o termo usado nas aulas) para o derrubar ou imobilizar (o que não implica uma derrota). Na fluidez de movimentos está a chave para o conseguir. O resultado de um dado ataque será a projecção ou a imobilização do atacante, sempre executadas tendo em conta a integridade física dos dois parceiros.

É importante também salientar que a originalidade do Aikido está na resposta que oferece à violência. O conflito é encarado como um processo de comunicação durante o qual não se procura a destruição do contrário, mas sim “domar” a agressividade e a libertação da espiral de violência. O método de aprendizagem em Aikido permitirá ao praticante desenvolver, para além da resistência física, aspectos como a auto-estima, confiança, concentração ou espírito de cooperação (por oposição ao espírito de competição).

Não é pois difícil de perceber os benefícios que esta prática tem para os mais pequenos. As crianças aprenderão a proteger-se sem serem agressivas e a crescer tirando partido do seu próprio esforço. As aulas são orientadas para o desenvolvimento das capacidades dos alunos, tanto físicas como mentais ou sociais. O Aikido tem um curriculum próprio, que é adaptado à idade dos praticantes. Aos movimentos específicos da arte, cuja base é comum ao dos adultos, são acrescentados exercícios próprios para a idade e retirados os movimentos de luxação ou que constituem esforço demasiado para as articulações, ainda em desenvolvimento nas crianças. No Aikido, ao contrário de grande parte das artes marciais modernas, não existem competições.

A idade ideal para o início da prática do Aikido, considera-se por norma ser os seis anos. No entanto, e dada a não uniformidade no desenvolvimento psicomotor da criança, esta é só uma referência que terá de ser verificada caso a caso e as primeiras aulas serão fundamentais para avaliar a coordenação motora do aluno. Apesar de poder ser uma ajuda no desenvolvimento físico, o Aikido não poderá nunca substituir o trabalho da natureza em cada criança, pelo que um mínimo de maturidade é necessário para uma prática segura.

Quase como um resumo, diria que a pratica do Aikido para Crianças deve ser orientada em função de três factores fundamentais: a relação com o seu próprio corpo, com “o outro”, e com o mundo.

A relação com o seu corpo — Através dos movimentos circulares próprios do Aikido, a criança aprenderá a coordenar e controlar melhor os seus movimentos, bem como a descobrir as suas capacidades e limites físicos. Aprenderá a cair e levantar-se em segurança e que a queda é uma oportunidade para começar um movimento de novo. Aperceber-se-á do corpo de uma forma diferente e aprenderá a usá-lo de novas maneiras.

A relação com o outro — Os alunos perceberão, a par da sua, o valor da integridade física do parceiro de prática. Perceberão que um ataque, no Aikido, não é mais que uma oferta que alguém nos faz para podermos evoluir. Os alunos mais velhos serão encorajados a “olhar pelos mais novos” (não substituindo evidentemente a atenção do professor), e todos eles aprenderão a dosear o seu esforço em função do colega diante de si.

A relação com o mundo — Tentar-se-á transmitir à criança noções como a de que cada um tem o seu lugar no tapete e este é independente da força física, coragem ou destreza, que cair ou ser controlado não é uma derrota, que todos têm algo a ensinar ou aprender.

 

Como em qualquer outra actividade em que a formação da criança enquanto indivíduo é um objectivo, a assiduidade é um factor fundamental para que o Aikido “faça o seu papel”. Os pais têm por isso aqui um papel importante, não só de um ponto de vista logístico mas também percebendo a importância da regularidade e valorizando “cá fora” o que os mais pequenos aprenderam no dojo*. É também fundamental que acompanhem os filhos na sua primeira aula que, na maioria dos locais de prática, poderá ser feita a título de experiência. Sendo o Aikido uma arte que lida com a gestão da violência em cada indivíduo, é pois muito importante que os pais conheçam o ambiente que rodeará a prática das suas crianças.

 

*Dojo: Local onde se estudam as artes marciais. Do japonês local (jo) da via (do).

imagem@sayanouchi

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No outro dia fomos a uma festa infantil num parque público. O parque era enorme, tinha areia por todo o lado, árvores, muitas sombras, alguns bancos corridos e a festa tinha pais e crianças de idades próximas.

A minha filha adorou a festa. Querem saber porquê? Brincadeiras ao ar livre. Esse é o segredo. Ela brincou muito com os outros meninos, riu com vontade, rebolou na areia vezes sem conta, deu umas quedas sem grande perigo, trouxe umas pedras dentro dos sapatos e alguma areia no corpo e na roupa, mas quem se importa com isso. Estava tão divertida a brincar que quase não ligou aos doces e aos bolos da festa. No final do dia estava boa para ser enfiada na banheira (ela e a roupa que trazia vestida) e trazia um sorriso enorme.

Notamos que ela fica verdadeiramente feliz e bem-disposta quando está a brincar assim, na rua, em contacto com a terra e com outras crianças, sem grandes barreiras de espaço ou demasiadas regras.

Claro que gosta de bonecas e brinquedos cheios de truques, mas notamos que ela não precisa disso para se sentir bem. Estar em contacto com outros miúdos, seja qual for a idade, e ter espaço para correr e dançar é suficiente para a deixar feliz.

Ela não se importa nada de ficar suja, estragar os sapatos ou desarrumar a roupa, comer uns grãos de areia cada vez que cai de boca aberta enquanto vai a correr atrás de alguma coisa, ficar com o cabelo desalinhado, molhar-se com a água das bolas de sabão. É do mais simples e despreocupado que podemos encontrar.

Agradecemos muito por ela ter este espírito livre e despreocupado. Acredito mesmo que todas as crianças necessitam destes momentos de liberdade, em contacto com a natureza e sem grandes barreiras. Acho que nós, mães, temos de perder o medo de os deixar brincar livremente, dar algumas quedas e voltar para casa com uma ferida ou outra, porque isso os deixa mais autónomos, mais confiantes e, pela experiência que vou tendo em casa, mais felizes.

 

Por Tânia Almeida para Up To Kids®
Todos os direitos reservados

imagem@sobrepeso.com.br

Crianças tolerantes são filhos de famílias tolerantes. A educação para a tolerância, no espaço mais lato da educação para a cidadania, é fundamental para a construção de uma geração diferente.

Princípios para educadores tolerantes:

– Promover o respeito pelos colegas na escola, compreendendo as diferenças.

– Explicar as formas de discriminação (idade, género, raça, cultura, religião, entre outras).

– Explicar os acontecimentos históricos reveladores de princípios de intolerância e suas consequências.

– Praticar a empatia: saber colocar-se no lugar do outro.

Em casa:

– Estabelecer limites.

– Desenvolver espírito crítico fundamentado em fatos e não em estereótipos.

Não recear questões.

– Dividir tarefas igualmente (ensinar fazendo).

– Explicar as notícias que passam nos meios de comunicação social, relativas a todas as formas de discriminação.

– Utilizar os livros, o cinema, os brinquedos, como forma de interiorização dos conceitos fundamentais de igualdade.

– Promover a convivência intergeracional natural.

– Respeitar as diferenças, sempre e sem exceção.

Sugestão de leitura:

Guião de Educação Cidadania e Género 1º Ciclo, Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género (CIG), 2011, disponível em http://www.cig.gov.pt/wp-content/uploads/2013/12/guiao_educa_1ciclo.pdf

 

Por Patrícia Ervilha, para Up To Kids®
Todos os direitos reservados

Os primeiros meses de um filho com os pais são de um enamoramento constante, é a criação do ninho, estabelecimento de laços, de sentimentos, de um amor que vai crescendo dia apos dia. Para a mãe são 4 ou 5 meses de puro namoro diário com o seu filho. Mas estes meses passam a voar, e de repente, estamos de volta ao trabalho. Infelizmente são poucos meses que podemos estar a usufruir do maior amor que a vida nos dá a tempo inteiro…injusto não é?

Deixar o bebé em casa, ou na creche, na ama ou com os avos, seja qual for a situação, deixar um filho e ter de ir trabalhar custa sempre.

No meu caso, estive sem as minhas filhas 109 dias, pois estiveram internadas nos cuidados intensivos neonatais a sobreviver à grande aventura que é a prematuridade e a delas foi de 25 semanas com pouco mais de 600gr. Durante esse tempo estive de baixa por assistência à família, posso dizer que foram os 4 meses mais longos da minha vida. O tempo parece que dói a passar, ia para casa com o maior vazio do mundo, mas quando elas foram para casa a felicidade chegou. Estive de licença 6 meses e mais um de férias. Depois ainda consegui pôr licença de maternidade prolongada por mais três meses. Ainda assim soube a pouco! Esses sim foram os meses mais felizes, mas mais intensos e trabalhosos também.

Estive bastante tempo com elas em casa, foram dias e dias só para elas. E confesso que no final já precisava de sair, de ir trabalhar. Foram muitos meses fechadas em casa, dado que, pela prematuridade, não podíamos ter muitas visitas nem sair muito de casa. Trabalhar não era assim tão assustador mas e ao mesmo tempo sentia que ia fazer-me bem. Mas… um mês antes de voltar ao trabalho a ansiedade chegou, não me conseguia imaginar a sair de casa e estar sem elas. Passava o dia a imaginar como iria ser, e a fazer questões a mim própria, será que vão sentir a minha falta? Será que eu vou conseguir? Será que vou passar o dia a olhar para o telemóvel, ou ligar de 10 em 10 minutos para saber se estão bem? Como é que vou ter energia para trabalhar sem dormir “quase nada” (elas sempre deram más noites), como vou gerir a casa, o trabalho e cuidar delas???… Tantas e tantas questões que me passavam pela cabeça.

O dia chegou, acordei mais cedo que o normal, tomei o pequeno almoço, fiz questão de lhes dar os leitinhos e de lhes dar um grande beijinho e dizer “a mamã vai trabalhar e daqui a pouco  chega a casa para brincar muito com vocês”. Sorri para elas e la fui eu, fecho a porta e cai a primeira lagrima…ia com o coração nas mãos mas feliz por regressar ao trabalho. Apenas liguei uma vez, e quando cheguei a casa vinha ainda com mais vontade de brincar com elas. Posso ter menos tempo, mas é tempo de qualidade só para elas e para elas com muita brincadeira, muitos abraços, sorrisos, passeios, muitos sorrisos e muito amor. O tempo é uma das melhores prendas que podemos dar a um filho.

Já passaram 3 meses desde que regressei ao trabalho, e não posso negar, tenho muitas saudades de passar os dias inteiros com elas, tenho saudades desse tempo maravilhoso. Durmo menos, tenho menos tempo para mim, ando sempre a correr, mas o tempo que estou com elas e com o meu marido é de qualidade! Mas sim, é muito cansativo, e o cansaço é diário. Faço questão de quando chego a casa, esse tempo ser para brincar com elas até a hora do jantar, depois quando adormecem (nem sempre é fácil adormece-las) é quando eu e o meu marido tentamos fazer o jantar e almoço para o outro dia, arrumar a casa e tentar dormir (se elas deixarem).

É difícil conciliar o trabalho, casa, os filhos, marido e ainda ter tempo para nós, mas acabamos por conseguir sempre, as mulheres são sem dúvida seres com super poderes, então quando viram mães são capazes de tudo, porque amam mais e quando há amor tudo se faz e tudo se consegue.

 

Dicas para quem esta prestes a terminar a licença de maternidade e regressar ao trabalho:

– Não ligar mais do que 1 ou 2 vezes para quem esta a cuidar do seu filho;

– Quando estiver muito cansada lembre-se que vai chegar o fim-de-semana;

– Divida as tarefas com o seu marido;

– Rotinas são importantes, organização de tarefas, e refeições com antecedência são fundamentais;

– Quando esta no trabalho envolva-se no que esta a fazer;

– Quando regressa do trabalho dedique-se a 95% aos seus filhos e marido, os outros 5% são para se dedicar a si própria, para ter tempo para si!

– As saudades são normais, mas tente ver isso como uma coisa boa;

– Lembre-se que quando terminar o trabalho vai encontrar o melhor sorriso e abraço do mundo!!!

 

Por Débora Barroso, para Up To Kids®

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Quando eu era criança, os pais esforçavam-se para sustentar as suas famílias e pouco mais. Com ostentação ou sem, as pessoas eram mais preocupadas com o trabalho do que com ser feliz. Talvez por isso, já que filhos querem  fazer sempre tudo diferente dos pais, agora a principal preocupação dos pais é fazer os filhos felizes.

Isso explica os valores escandalosos que se paga hoje em dia por uma festa de aniversário, a quantidade de brinquedos que as crianças têm e a ida, quase obrigatória, à Disney em família.

Claro que existe a culpa de muitos pais que trabalham demais e tentam compensar os filhos de alguma forma. Mas reflexo da culpa ou não, as crianças de agora nasceram para ser felizes. Será que estamos a agir corretamente?

Vamos pensar na nossa infância. Eu pelo menos, era muito feliz. Brincava com a minha amiga que morava na casa ao lado, passávamos horas a pentear o cabelo uma da outra, ou a fazer papas com as plantas do jardim. A maior aventura de que me recordo era brincar à apanhada com o meu cão.

Muito básico para si? Acontece que meu cão se transformava numa puma que na verdade era uma Medusa, e com um simples olhar, podia transformar-nos em pedras. Por isso estávamos sempre equipadas com frascos de shampoo que enchíamos de água e explodiam como granadas quando caiam ao chão. Pois é, as crianças trazem a imaginação do berço . Por isso não é preciso ir a Orlando ou Paris ver os espetáculos de fogos de artifício para ficarem maravilhadas. Aliás, cá entre nós, já estive na Disney 3 vezes (2 em Orlando e 1 em Paris) e nunca vi tantas crianças tristes num parque. Cansadas, a chorar, angustiadas, com as mães e os familiares stressados. Claro, já viu o tamanho do Parque? E a quantidade de informação? E de sorrisos maquilhados, brilhos e purpurinas, e alegria explosiva? Somos humanos. Isto não é um filme. É a vida real. Não somos super heróis, nem princesas. O seu filho vai comer um cachorro quente naquela roullote linda com várias coisas a girar, e pode ser que passe mal. E depois? Ninguém pode passar mal na Disney! Têm de aproveitar. Têm que ser felizes.

Eu trabalhei para a Disney como tradutora durante 4 anos. Adoro a empresa e o negócio em si. Gosto de lá  ir porque moro a 300Km de distância e temos o passe anual. Para nós, é um programa barato num lugar super organizado e bonito na maioria das vezes. Só estou a usar o exemplo porque sei que é uma viagem muito cara para se fazer do Brasil, mas isso não está a impedir cada vez mais brasileiros de fazerem. A minha pergunta usando este exemplo é: será que precisamos fazer tanto pelos nossos filhos? (Viagem de 8 horas de avião, filas intermináveis, Km e mais Km de parque de diversão) Eu suponho que não. E considero errado os pais sentirem que são responsáveis por fazer dos filhos, pessoas felizes.
De onde tiramos essa ideia maluca?

O que eles precisam na verdade é de adultos para educá-los. E como adultos, é claro que, estamos ocupados. Com a família, com o trabalho, com as funções da casa. Se nesta lista se somar “a felicidade dos meus filhos” alguém vai ficar muito sobrecarregado e frustado. Talvez seu filho, talvez você, talvez toda a gente. É chato tentar e não conseguir. Pense como se sentem os pais que pagaram a viagem em 6 prestações, passaram 8 horas no vião tipo sardinha em lata, mais 1 hora num brinquedo se o filho sair do brinquedo aos gritos e a chorar?

Uma vez eu li o livro Encantador de Cães e fiquei fascinada com o raciocínio simples que o genial Cesar Millan escreve ali: ele diz que os  cães só obedecem quem respeitam. E para ganhar respeito, é preciso ser a autoridade, é preciso impôr ordem antes do amor. Agora tente trocar a palavra “cães” por “filhos”, dá no mesmo. A autoridade é o contrário de democracia. Os pais não podem estar sempre abertos “o que querem comer?, o que vamos fazer hoje?, onde vamos passar as férias?”. Compreende como é complicado para a criança ouvir isso? Sentir que não existe uma ordem? Ela no auge dos seus 4 anos (ou por volta disso) é que precisa saber, querer e lidar com seus desejos.

Quando eu era criança, a minha mãe interrompia a brincadeira e trazia uma bandeja com limonada fresca e bolachas Maria. Lembro-me sempre desta cena (que aconteceu várias vezes) e na minha memória,  ela aparece iluminada como uma fada. O que eu sentia era: a mãe é mágica! Como é que a mãe sabe que estamos com fome e com sede? Teria sido bem diferente se  tivesse aparecido e perguntado: querem lanchar? vão querer gelado ou podem ser bolachas Maria? Estava a pensar  fazer uma limonada, vocês vão querem? Ou é melhor eu trazer um sumo de laranja?

Infelizmente não estou a escrever isso por já ter aprendido a lição. Ainda estou a aprender. E só estou escrever sobre isso porque descobri que tenho errado bastante. Desde que nos mudamos para Miami, fico com pena e compaixão por qualquer expressão de sofrimento que meus filhos tenham. Porque sei que é difícil para eles. E até me esqueço que é difícil, também, para mim. Minha vida mudou completamente. Mas nem penso nisso. Só penso neles. A consequência? A minha filha de 4 anos todos os dias faz uma coisa para me irritar. Percebi que, também eu, a ando a irritar . E porque? Porque estou disposta todos os dias a ouvi-la, e a tentar perceber o lado dela. Não parece errado a princípio. Mas está errado. As crianças precisam de um adulto, alguém que tenha um norte, e ela sente-se frustrada porque percebe que estou a tentar adaptar-me também. A vida é para evoluir. Vamos tentar evoluir como pais antes que eles cresçam. Imagine como deve ser frustrante a adolescência de uma criança que tem sempre várias pessoas a responder aos seus pedidos?

Educar dá mais trabalho do que servir o gelado antes do jantar, já que seu filho quer tanto. Educar envolve mais compromisso do que pagar as 6 prestações da viagem mágica. Educar é para adultos. Deve ser por isso que as crianças não podem ter filhos. Porque os filhos precisam de adultos. Aparentemente esse é o grande problema da minha geração, não queremos ser adultos. Outro dia vi um post sobre a crise dos 25 anos. Nem queria acreditar! A maioria das pessoas que conheço estão nessa crise aos 35 ou 40 anos. Está na hora de dar esse passo. Parar de focar só na diversão e na felicidade e evoluir, amadurecer. Todo grande passo na vida acontece quando fazemos aquilo que é desconfortável. Já aprendemos muito sobre diversão e entretenimento, que tal agora aprender a viver?

Por Cristina Leão, Blog Antes que eles Cresçam
Adaptado por Up To Kids®

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