Este é um tema que gera muitas divergências de opinião. Se por um lado temos os defensores que acham que são uma tarefa bastante importante, por  outro temos os opositores, que acham que não ajudam em nada.

Mas para que servem os trabalhos de casa?

Quem defende, diz que o objetivo é consolidar os conhecimentos adquiridos ao longo do dia, encontrar um método de estudo, e promover a responsabilidade.

Esta prática, já antiga, conhecida por todos nós, que no entanto, nunca chegou a ser atualizada.

Hoje em dia, as crianças têm um horário mais prolongado, com muitas atividades, acabando por chegar a casa cansadas e sem qualquer motivação para se debruçar sobre os trabalhos de casa.

Esta tarefa, que deveria ser realizada com alguma estabilidade e motivação, acaba por ser executada com cansaço e consequentemente  encarada como um sacrifício.

As crianças, rapidamente ganham alguma aversão, e dificilmente criam empatia pela tarefa, e os resultados acabam por ser desastrosos.

Os pais, que por sua vez também estão cansados, vêem-se aflitos para conseguir ajudar os seus filhos, não conseguindo acompanhar da devida forma.

O ideal seria existir um equilíbrio. Trabalhos de casa, sim, aos fins-de-semana. Por exemplo, sob forma de responsabilizar a criança, fazendo com que possa consolidar os seus conhecimentos, mas em doses equilibradas.

É importante perceber que uma criança, precisa de brincar, precisa de ter tempo para ser criança, precisa de se sentir feliz e motivada.

Trabalhos de casa, podem ir muito além das fichas de trabalho. Podem ser feitos através de uma pesquisa, uma conversa com um adulto sobre um tema, a leitura de uma história, uma expressão dramática, uma ida a um supermercado.

Creio que existe uma grande preocupação em depositar conhecimentos numa criança, e não em ensiná-la nas suas mais variadas vertentes de uma forma mais prática e com empatia.

Uma das melhores maneiras de acompanhar o seu filho na escola é vigiar e rectificar a mochila do seu filho. É importante perceber o que é que se passa no seu dia-a-dia, conhecer a sua letra, se há ou não recados, se há trabalhos de casa, que matérias estão a dar, para que ele perceba que é importante ter essa responsabilidade incutida.
Desta forma, os pais estão mais presentes na educação escolar do do seu filho.

Vamos falar sobre os trabalhos de casa?

Vamos, mas não em frente aos miúdos, por favor.

Este é um tema recorrente e pouco consensual e, por esse motivo, é bastante falado nas reuniões escolares e fora delas, entre os pais.

No outro dia estava na companhia de duas mães de rapazes que frequentam o terceiro ano e que se cruzaram, com os respectivos filhos, à entrada do colégio.

– Então, hoje há trabalhos de casa?

– Há e não são poucos. Uma seca, aquilo nunca mais acaba, estou com os exercícios pelos cabelos.

Este diálogo aconteceu entre as duas mães. Com os filhos ao lado. Filhos esses que mais tarde iriam pegar nos ditos exercícios, sentarem-se à secretária e fazê-los.

Entendo a frustração das ditas mães e sei que nem sequer pensaram no que lhes estava a sair da boca naquele momento, mas como se podem motivas as crianças a fazer uma tarefa que muitas vezes não é divertida, quando ouvem os seus pais queixarem-se dela? Aquele tipo de comentários legitima que os próprios alunos sintam que os trabalhos de casa não só não servem para nada como é uma chatice terem de os fazer. E mesmo que essa seja a verdade absoluta para os pais, considero uma irresponsabilidade estarem a passar este tipo de mensagem aos filhos.

Não que as crianças não devam ser ouvidas quanto a este assunto. Eles são o objecto em discussão, não nos enganemos, mas existe uma diferença entre ouvir e condicionar a opinião. Numa conversa sobre o que sentem sobre os trabalhos de casa, a sua utilidade, os resultados que deles retiram, as palavras como “chatice” e “seca” não deviam ser proferidas.

Como antiga aluna e mãe tenho a minha opinião sobre os trabalhos de casa: nem todos os alunos precisam deles e a acontecer não devem ser em quantidade que faça com que as crianças passem o dia inteiro a estudar, mesmo quando chegam a casa depois de saírem da escola, onde deveriam passar o seu tempo com os pais a serem crianças e a estreitarem as suas relações. E esta minha opinião nunca me fará olhar para o caderno da minha filha com expressão de aborrecimento e nem ela ouvirá da minha boca “mas tu não precisas destes exercícios todos…” ou “o que é que a professora estava a pensar em mandar estes trabalhos todos para as férias”. O que irei fazer (digo eu, que quando a batata quente nos cai no colo é que sabemos como agiremos, mas quero acreditar que seguirei as linhas orientadoras das minhas atitudes até agora) será motivas a minha filha. Ajudá-la a tirar as dúvidas e tentar que os momentos em que tem de se sentar em casa a fazer os trabalhos de casa não sejam um suplício mas sim algo que tem de ser feito e tem a sua utilidade e por isso mais vale fazer tudo e o mais depressa possível para ter o seu tempo livre.

Se não concordar com o método escolhido pelos professores, há um lugar para discutir o assunto: a escola. E com os professores. Fazendo-lhes chegar a minha opinião e dando as minhas sugestões e aceitando ou não a sua forma de trabalhar.

É por este motivo que é muito importante que os pais e a escola estejam em sintonia, o que muitas vezes não acontece. Mas o trabalho que ambas as instituições desenvolvem são os mais determinantes nos primeiros anos dos nossos filhos. Deve ser um trabalho conjunto, não deve haver um “nós” e um “eles” e tudo deve ser feito para pensar no bem-estar e evolução dos nossos filhos.

Eles nem sempre vão dominar a matéria. Nem sempre serão os melhores alunos, os mais rápidos, os mais audazes.

Mas a forma como “pintarmos” as suas ferramentas na obtenção de conhecimento será essencial na sua formação enquanto adultos.

Muitas vezes, nas empresas em que vão trabalhar, terão de desenvolver tarefas que não acrescentam muito. Elas fazem parte. E eles, os nossos filhos, são parte de um todo. São parte importante de um todo importante.

Todos importam e devem ser ouvidos, mas não legitimemos os nossos filhos a virarem a cara às suas obrigações porque desabafámos em frente a eles.

É uma chatice ter os miúdos sentados a uma secretária no fim de semana quando poderiam estar a passear com os pais? Claro que sim, mas para muitos deles será nos trabalhos de casa que conseguem desenvolver algumas dificuldades com que se depararam durante a semana. Para muitos pais será esse o momento em que ficam a par do que estão afinal os filhos a estudar. Para outros será efectivamente uma seca, porque fazem os trabalhos com uma perna às costas.

Mas é importante que os nossos filhos entendam as suas obrigações, concordem ou não com elas.

É importante que aprendam e é muito importante que haja espaço para que continuem a ser crianças.

Vamos falar de trabalhos de casa?

Vamos, mas em frente aos miúdos não, por favor.

image@weheartit

 

Os TPC estão a destruir os nossos filhos: a pesquisa é clara. É urgente banir os trabalhos de casa no 1º ciclo.

“Não há nenhuma evidência de que qualquer tipo e quantidade de TPC melhore o desempenho académico dos alunos do ensino básico.”

Independentemente da opinião do leitor sobre o tema TPC, esta declaração do investigador Harry Cooper é reveladora. Será que as horas de brincadeira perdidas, as lágrimas e todo o esforço e empenho dos miúdos têm sido em vão? Que milhares de famílias andam há anos a reboque dos TPC para nada?

Os TPC são uma prática tão enraizada que só recentemente alguns pais e educadores começaram a questionar o seu valor. No entanto, quando analisamos os factos, concluímos que os TPC têm benefícios, mas esses benefícios variam de acordo com a idade da criança.

Para crianças do 2º ciclo, a pesquisa sugere que o estudo num ambiente de sala de aula obtém resultados de aprendizagem, e que os TPC são apenas trabalhos extra.

Mesmo no 3º ciclo, a relação entre os TPC e o sucesso académico é mínima, na melhor das hipóteses.

Já no secundário, os TPC trazem benefícios, desde que a quantidade atribuída pelos professores seja moderada. Duas horas por noite é o limite máximo (dos máximos). Passado esse tempo, os benefícios são escassos. “A pesquisa é muito clara”, refere Etta Kralovec, professora de Universidade do Arizona. “A nível da escola primária, os benefícios são nulos.”

Para começar, vamos dissipar o mito de que estas conclusões são resultado de um punhado de estudos mal construídos. Na verdade, é exactamente o contrário: Cooper compilou 120 estudos em 1989 e outros 60 estudos em 2006. Esta análise abrangente de vários estudos não encontrou qualquer evidência de benefício académico no 1º ciclo. No entanto, confirmou um impacto negativo nas atitudes das crianças relativamente à escola. Mais preocupante, é saber-se que os TPC sempre têm um impacto sobre os alunos, mas é um impacto negativo. Uma criança que está a iniciar a sua vida de estudante merece, no mínimo, ter a hipótese de desenvolver gosto pela aprendizagem. Em vez disso, os trabalhos de casa nesta idade, fazem com que muitas crianças percam o gosto pela escola, pelos TPC futuros e pela aprendizagem académica. Uma criança que entra para a primária tem pela frente 12 anos de trabalhos de casa à sua frente, por isso, espera-lhe um longo caminho que não queremos que seja percorrido com esforço e sem gosto.

Desgaste das relações parentais.

Em milhares de casas em todo o país, as famílias debatem-se com os TPC todas as noites. Os pais pressionam e persuadem. As crianças, cansadas, protestam e choram. Em vez de se criarem vínculos e conexões, de se apoiarem uns aos outros no final do dia, muitas famílias encontram-se encurraladas no ciclo “Já fizeste os TPC?“.

Quando as crianças têm trabalhos de casa desde o 1º ano, é difícil de perceberem os objetivos de forma independente e, por isso, precisam da ajuda de um adulto para os realizarem. As crianças acabam por criar hábitos de estudo que dependem sempre do apoio de um adulto.  Muitas vezes, os pais assumem o papel do polícia dos trabalhos de casa, o que é uma função chata e não desejada, e que frequentemente acaba por perdurar ao longo dos anos do ensino básico. Além do mais, quando os pais assumem este papel, um dos propósitos dos TPC fica automaticamente comprometido: a responsabilidade.

Os defensores do método, referem que os TPC aumentam o sentido de responsabilidade, reforçam a matéria dada nas aulas, e criam uma ligação casa-escola com os pais. No entanto, os pais podem envolver-se, se quiserem, consultando livremente os cadernos diários e conversando com os filhos sobre o que aprenderam na sala de aula.

A responsabilidade é uma aprendizagem contínua, e que pode ser adquirida de diversas formas. Os animais de estimação são óptimos para desenvolver esta competência. A responsabilidade faz com que uma criança de 6 anos traga a lancheira e o casaco diariamente para casa. A responsabilidade faz com que uma criança de 8 anos se vista sozinha e faça a própria cama.

Quanto ao reforço das matérias dadas, há outras formas de o fazer sem ser com TPC obrigatórios e excessivos.

As prioridades não académicas, nomeadamente as relações familiares, a brincadeira livre e as horas de sono, são vitais para o equilíbrio e bem estar da criança. Estes factores têm um impacto direto na memoria, concentração, comportamento e aprendizagem da criança. A matéria é ou pelo menos deve ser reforçada diariamente na escola.

O tempo depois das aulas é preciso e essencial para o descanso da criança. O que resulta melhor do que trabalhos de casa é a leitura. Até podem ser os pais a ler em voz alta para os filhos numa fase inicial, e depois criar hábitos de leitura. A chave, é garantir que esta se torne numa actividade prazerosa. Se, depois de um dia de escola, a criança não quiser praticar a leitura, deixe-a ouvir uma história.

Quaisquer outros projetos enviados para casa devem ser ocasionais e opcionais. Se estes projetos não promoverem o interesse em aprender e consequente gosto pela escola, então não têm lugar no dia a dia de uma criança do 1º ciclo.

Sem qualquer benefício académico, há definitivamente coisas melhores para fazer no tempo a seguir às aulas.

Artigo publicado em Saloon, trazido e adaptado por Up to Kids®

imagem@emaze.com

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Transformar a educação em Portugal. De uma vez por todas

Ao longo dos anos surgem, no nosso sistema de ensino, inúmeras mudanças e alterações que não reflectem uma verdadeira mudança de paradigma na educação. São quase sempre ajustes ou remendos a um funcionamento que está, por si só desgastado, antiquado e obsoleto. É preciso reconstruir, colocar em causa toda uma base que está frágil, virar do avesso, utilizar os avanços científicos e experiências diferenciadoras ao serviço de práticas educativas actualizadas, eficazes e que vão ao encontro das crianças e do respeito pelo seu desenvolvimento integral.

ASSIM, ambiciosamente mas realisticamente:

  • Queremos que as escolas e os professores tenham autonomia e liberdade para adequar as suas práticas às necessidades e características dos alunos, com a prioridade de seguir os seus interesses e motivações, por oposição ao seguimento cego de metas curriculares(…)
  • Queremos que as salas de aula deixem de ser mesas e cadeiras alinhadas, viradas para um quadro onde o professor é acima de tudo um transmissor inquestionável de conhecimentos. A evolução no acesso à informação faz com que as crianças não precisem que lhes transmitam saberes mas que as ajudem a estimular a criatividade, o pensamento crítico e a flexibilidade de pensamento. As crianças precisam de ficar viradas umas para as outras, em grupos heterogéneos dentro da sala de aula, de forma a aprenderem umas com as outras com o material que lhes é fornecido. (…)
  • Queremos que as avaliações sejam qualitativas, sem rankings ou exames que levam à comparação do que é incomparável, à frenética procura de melhorar a posição de uma escola e à destruição completa da intencionalidade educativa com números e médias. Os professores sentem-se obrigados a modular as suas aulas de forma a corresponderem a uma série de tópicos previamente estipulados e que fazem com as nossas escolas pareçam fábricas de conhecimentos que são iguais de Norte a Sul. (…)
  • Queremos que todos os espaços escolares deixem de ser edifícios rodeados de cimento, estéreis, demasiado planos e arranjados, sem terra, árvores ou elementos naturais que não respeitam as necessidades motoras e simbólicas das nossas crianças, tão essenciais para a integração das aprendizagens mais formais. Os recreios são pobres e cinzentos, sem riqueza de estímulos, possuindo apenas escorregas ou baloiços que levam à brincadeira programada e não permitem que as crianças acedem ao imaginário. (…)
  • Queremos que se pratique uma comunicação positiva por parte dos profissionais de educação. Não acreditamos em castigos, gritos, ausências de recreios, mesas viradas para a parede, tabelas de bom ou mau comportamento ou “palmadas pedagógicas”. A punição ensina a punir, não ensina a mudar. Acreditamos na autoridade do adulto, e não no autoritarismo, enquanto responsável pelo bem-estar da criança mas envolvendo-a no seu processo de socialização como um ser independente e com voz activa, nomeadamente construindo-se as regras do espaço escolar em conjunto com elas, com a nomeação do que é necessário para uma convivência saudável entre todos e com as consequências previsíveis quando isso não acontece.(…)
  • Queremos que a escola faça realmente parte da comunidade e que seja uma extensão das famílias. Que os pais que querem e têm disponibilidade para participar, possam ser envolvidos em actividades do quotidiano e que o acesso à mesma não lhes seja vedado. (…)
  • Queremos que os profissionais de educação tenham estabilidade profissional. Que sejam oferecidas condições para exercerem, sem concursos que os fazem leccionar longe da família e dos filhos e que a satisfação decorrente disso se reflicta na motivação para ensinar. Que seja retirada a carga burocrática e que se dê tempo e espaço para que possam fazer formação, nomeadamente tendo contacto com outras pedagogias alternativas. (…)
  • Queremos que as turmas sejam mais pequenas e que as crianças com necessidades especiais ou com dificuldades de aprendizagem tenham um acompanhamento diário no contexto de sala de aula e equipas multidisciplinares (psicólogos, terapeutas da fala, terapeutas ocupacionais, assistentes sociais) com um rácio de alunos adequado para que possam intervir significativamente. Os professores de ensino especial passam muito pouco tempo com as crianças e estas acabam por não conseguir atingir o seu potencial pela impossibilidade do professor titular chegar a todos os alunos, que são numerosos e muito diferentes entre si.(…)
  • Queremos apostar nas competências sociais e emocionais dos nossos alunos, tanto quanto nas disciplinas propriamente ditas – não nos interessa formar crianças tecnicamente competentes que não se sabem relacionar e que saem de um sistema educativo que promove cada vez mais o individualismo;
  • Queremos dar mais foco a actividades artísticas, musicais, manuais e desportivas numa proporção semelhante à matemática, português ou ciências, mesmo porque as disciplinas estão todas interrelacionadas, e com vista a terminar gradualmente com as disciplinas fixas e estanques.(…)
  • Queremos cargas lectivas mais reduzidas e menos actividades programadas fora do tempo lectivo. Que o tempo livre seja isso mesmo, assente em brincadeira livre.(…)
  • Queremos afastar os argumentos constantes de que o ensino funciona melhor noutros países, nomeadamente nos países nórdicos, porque a cultura e mentalidade são diferentes e que não seria possível replicar no nosso país. (…)
  • Queremos que as famílias tenham maior liberdade de escolha na educação dos filhos, legislando-se práticas que actualmente não têm enquadramento legal mas que estão a proliferar pelo país, como as comunidades de aprendizagem constituídas por grupos de pais e/ou profissionais que querem oferecer às suas crianças uma maior diversidade de opções educativas. (…)
  • Queremos preparar e formar cidadãos para a vida prática, para a empatia, para a comunidade, para a honestidade social e empresarial – se formamos para a competição, formamos para o umbiguismo, para a acumulação de riqueza, para o fosso cada vez maior entre ricos e pobres, para o insucesso interior, para a noção de que a felicidade está intimamente relacionada com bens materiais e estatuto social.

Se concorda com o exposto, não continue de braços cruzados. 

Leia a petição completa aqui, e assine aqui.

Pelo futuro dos nossos filhos.

Esta petição foi criada por Ana Rita Dias e Membros do Grupo “Escolas Alternativas e Comunidades de aprendizagem em Portugal”

 

Há muito tempo que os pais se queixam do excesso de TPC que as crianças trazem diariamente para casa. Se pensava que era um mal do ensino português, desengane-se, porque mesmo aqui ao lado no país vizinho os trabalhos de casa ocupam aos alunos uma média de 6,5 horas/semana, colocando-o como um dos países em que os professores sobrecarregam mais os alunos com os deveres.

Em reação ao cansaço extremo e falta de tempo em família e para brincar, a Confederação Espanhola de Associações de Pais e Mães de Alunos, Ceapa, que representa cerca de 12 mil associações, convidou as famílias das várias comunidades autonómicas espanholas a fazerem uma greve aos TPC´s durante o mês de Novembro.

Os argumentos da Ceapa é que os trabalhos de casa “invadem o tempo das famílias” e “violam o direito ao recreio, à brincadeira e a participar nas atividades artísticas e culturais”, tal como vem descrito no artigo 31 da Convenção dos Direitos da Criança.

O presidente da Ceapa, José Luis Pazos, declarou ao El Mundo que os pais querem “recuperar o tempo familiar dos fins-de-semana”. “Também queremos que o modelo mude e que se dê um salto qualitativo no sistema educativo. Escolas de outros países funcionam sem trabalhos de casa, sem livros de texto e sem exames e obtêm resultados magníficos“, realçou.

A OCDE alerta que os trabalhos de casa “reforçam a disparidade socio-económica entre os estudantes” e “aumentam o intervalo entre os ricos e os pobres”.

TPC – Vantagens e desvantagens

Os famosos Trabalhos Para Casa são muitas das vezes sentidos pelos pais como deveres da escola, no período pós-aulas. Quando assim é, os filhos acabam por passar mais horas na escola (privadas) para cumprir esse dever. Aqui pode logo encontrar-se uma desvantagem para a criança. Ao fim de um dia de “trabalho”, a criança precisa tanto de regressar ao seu porto de abrigo, quanto os adultos.

“Os trabalhos de casa servem para consolidar conhecimento, treinando dessa forma o que se aprende nas aulas”, é o argumento dos professores. Pergunta: “o que treinam nas aulas, aquando da aquisição desse conhecimento, não será suficiente”? Naturalmente que será para uns, mas não para todos. Nesse caso, os trabalhos serão necessários e úteis quando individualizados, na sua grande maioria das vezes, isto é, quando aplicados a cada criança de forma personalizada, para treinar, e com isso consolidar, uma matéria mais difícil de apreender (não descurando a necessidade de uma explicação diferenciada, naturalmente).

Um dos grandes problemas dos TPC é serem muito regulares, normalmente diários, pelo que o foco não parece ser propriamente a sistematização do conhecimento dos seus alunos, mas antes uma (talvez) preocupação excessiva com o desenvolvimento cognitivo, a rápida aquisição de conhecimento, alienando o desenvolvimento emocional.

  1. Ao fim de um dia de trabalho a criança está cansada – logo a consolidação de conhecimento não é necessariamente um objectivo atingido.
  2. O excesso de horas na escola (das 9h às 17h – horário de trabalho de um adulto), com trabalhos extra horário escolar, promove não raras vezes um sentimento próximo à aversão a estas mesmas matérias
  3. A criança tem necessidade de brincar – os TPC retiram-lhe (ou condicionam-lhe) essa possibilidade

É a brincar que a criança aprende a lidar com a realidade, descobrindo assim o mundo que a rodeia, pelo que é igualmente a brincar que a criança desperta a curiosidade pelo saber, pelo conhecimento, motivando-se para investir emocionalmente – e saudavelmente – nas matérias escolares. Precisa, assim, de tempo disponível para brincar.

Em suma, os TPC são úteis e necessários quando servem o propósito de cimentar um conhecimento que gera maior dificuldade, pelo que se espera que seja, tanto quanto possível, individualizado /personalizado e de evitar o registo diário.

Férias escolares – descanso total vs TPC de férias

Quando se aproxima o mês de Junho, pais e filhos começam a sentir as mochilas a cair das costas e, com isso, o alívio da carga de testes, trabalhos e aulas. Aproxima-se a passos largos o fim de um longo ano lectivo. Crianças e adolescentes trabalham tantas ou mais horas do que adultos e as férias traduzem-se num merecido descanso. E é merecido por todos os meses antecedentes de luta, mas também porque é reparador de energias para o ano seguinte.

Acontece que, cada vez mais, as escolas, sempre focadas no desenvolvimento cognitivo, no alcance das metas (ou, idealmente, na superação dessas metas), contaminam o ambiente leve e descontraído que as férias devem ter, com mais Trabalhos Para Casa, neste caso os TPC de férias.

Entrámos num ritmo frenético de estudo, de conhecimento, de atividades, de saber-fazer e superação de capacidades, que tudo se quer antes do tempo. Antigamente, as aulas começavam em Outubro. Agora é em Setembro. O ano lectivo inicia-se em meados de Setembro, nalguns colégios privados começam logo no início. Aprendia-se a ler a partir dos 6 anos. Agora, muitas das vezes, é aos 5. Desenhava-se a figura humana a partir da representação mental que cada um desenvolvia dentro de si. Atualmente, as crianças são ensinadas a desenhar, passo a passo, cada detalhe e… sem esquecer de desenhar sempre um sorriso nos lábios (como se a felicidade fosse mais um membro do corpo e não um estado de espírito flutuante). E, com tantos objetivos a cumprir, não há tempo para relaxar! Há que trabalhar!

Dizem os defensores dos TPC, que as metas curriculares são muito exigentes e que, se não houver estudo durante as férias, “os miúdos” esquecem. Argumentam os opositores que, se as férias não servirem para esquecer a tensão do ano letivo e pôr em prática a socialização, com brincadeiras individuais e conjuntas, e entretenimento diferenciado (do que é possível fazer durante o ano), não se repõem energias suficientes para abarcar o novo ano, as novas responsabilidades e tarefas. Inicia-se o ano já com algum desgaste e, não raras vezes, já em desânimo. Logo, faz-se um crescimento em desequilíbrio emocional e deficiente em interação e conhecimento do mundo envolvente.

A semana que antecede o início das aulas poderá servir para rever alguns conceitos base. Agora, fazer das férias uma rotina diária que, como dizem os professores amigos dos TPC, “são só 30 minutos a 1 hora por dia”, é ensinar os miúdos a “não desligar da ficha”. E esta é a postura que se condena, durante o ano letivo, quando algumas crianças se revelam mais agitadas. E critica-se também, na idade adulta, quando observamos aqueles a quem chamamos workaholic ou, simplesmente, “fuga para a frente” (pessoas que não conseguem parar e se envolvem em actividades constantes).

À laia de sugestão, quando a escola sugere o livro de fichas a comprar, para que o trabalho seja entregue no início do ano letivo (e, enquanto Encarregado de Educação, concorda ou está num registo de “se não podes com eles, junta-te a eles”):

  1. Defina um número de páginas a fazer por dia
  2. Evite deixar para os últimos dias para que não haja um grande volume de trabalho acumulado
  3. Reserve uns dias que sejam de puramente de férias, idealmente um mês completo

Para os pais que discordam destes trabalhos e estão dispostos a remar contra a maré:

  1. Aceite a sugestão do livro escolhido pela escola
  2. Desse livro, escolha os exercícios que sabe poderem suscitar mais dúvidas, e peça que sejam feitos, em dias definidos, na semana que antecede o início do ano letivo. Servirá para treinar as matérias essenciais e recordar conceitos chave.
  3. Explique, ao seu filho, que discorda de completarem o livro de trabalho durante as férias, para que tivesse a possibilidade de descansar mas que, o ano está a iniciar e a decisão sobre os trabalhos a executar regressa ao poder da professora / escola.

imagem@forbes

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Trabalhos para casa no 1º Ciclo

Hoje é quarta-feira, dia de ir à psicóloga. Para mim é mais um dia em que chego a casa às 20h, mais um dia em que tenho quatro páginas de trabalhos de casa para fazer, sem saber se os vou conseguir fazer e com medo de levar mais um recado na caderneta. Sinto-me triste e irritado porque até me esforço para tirar boas notas, mas cada vez que chego a casa estou tão cansado que já nem consigo pensar direito. Muitas vezes não percebo o exercício e acabo por pedir ajuda à minha mãe, que depois de olhar e ficar a pensar sobre o que lá está escrito, responde que não me consegue ajudar porque não percebe como se ensina a matemática de hoje em dia. Nesta altura, penso: “como faço isto?”. Já frustrado por não perceber, passam-me duas coisas pela cabeça: invento uns números para fingir que fiz as contas ou deixo os exercícios em branco. Acabo por escolher a primeira opção.

Hoje estou então, nervoso e com medo de não conseguir fazer os trabalhos todos, mas principalmente de não os conseguir fazer bem. Quando dou por mim tinha acabado de contar tudo isto à minha psicóloga, à frente dos meus pais que ficaram espantados a olhar para mim.

A minha psicóloga esteve a contar as horas que passo na escola e chegou à conclusão que passo cerca de nove horas por dia na escola. Cinco dias por semana dá um total de quarenta e cinco horas por semana. Ela disse que até compreendia que fosse importante e necessário fazer os trabalhos de casa, que servem para consolidar os conteúdos dados na aula, para desenvolver a memória de trabalho (ou lá o que isso quer dizer), esclarecer dúvidas e trabalhar a autonomia. Depois, ela disse aos meus pais que ia falar com a minha professora e colocar-lhe algumas questões importantes (vou tentar escrever tal e qual como a minha psicóloga disse):

  • “Como é que às 20h da noite uma criança consegue ter disponibilidade mental, disposição ou capacidades (e.g. raciocínio, memória, atenção/concentração) para consolidar algum conhecimento dado na aula? “
  • “A realidade é que os trabalhos para casa que a maioria dos professores manda, são as fichas do livro que as crianças estiveram a fazer todo o dia na sala de aula. Não podem as crianças fazer essas fichas no dia seguinte?”
  • “Os professores não podiam apenas escolher um dia por semana para mandar umas atividades relacionadas com a matéria dada, e depois no fim-de-semana enviavam então as ditas “fichas” ?”
  • ”É um facto que a maioria dos pais não consegue ajudar os filhos com os trabalhos de casa, ou porque não têm tempo e estão cansados, ou já não se lembram, ou porque a maneira de ensinar e até os conteúdos das disciplinas de português e matemática são diferentes da forma como eles aprenderam. Vão os pais constantemente à escola pedir explicações da matéria à professora para depois poderem ajudar os filhos em casa?”
  • Ela ainda disse que ia colocar um desafio aos professores da minha escola: “Fica a questão de saber, se os professores estão dispostos a cumprir os desafios que esta nova realidade (carga horária) impõe para alcançar o sucesso escolar dos alunos. Se conseguem transformar as horas em que os alunos estão na escola, em horas de verdadeira aprendizagem e motivação, de forma a que não seja necessário tanto trabalho extra de segunda a sexta-feira. Pelo menos, só enquanto as crianças ainda estão no primeiro ciclo e só têm entre a seis a nove anos de idade.”

No fim, perguntou o que eu achava.

Fiquei de boca aberta com tantas horas que passava na escola, nem fazia ideia…com tantas perguntas que ela ia dizendo aos meus pais, até me baralhei. Fiquei um pouco confuso, mas lembro-me de lhe ter perguntado se podia acrescentar mais uma pergunta.

A minha pergunta é simples: Nesta vida de adulto, quando tenho tempo para ser criança?”

Faz parte do grupo de pais que todos os anos se questiona sobre o assunto?

Se na verdade o seu filho estuda, mas as notas continuam baixas, parece que o estudo não rende. Na época dos testes diz que correu bem mas depois tem resultados baixos, ou simplesmente diz “tive uma branca”. E depois todo este desempenho começa a fazê-lo estudar cada vez menos e ficar mais resistente às aulas?

Se isso acontece, pode ser o caso de alguma dificuldade de aprendizagem não diagnosticado, como Discalculia, Dislexia e Disortografia ou outras Perturbações Linguísticas, ou ainda alguma Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção. Caso tenha essa dúvida, deverá procurar uma equipa especializada para o despiste.
Caso não seja quaisquer nenhuma das dificuldades de aprendizagem especificadas, anteriormente, muitas das vezes pais os rotulam o filho como preguiçoso, quando na verdade pode-lhe estar a faltar um bom método de estudo e o crucial de tudo – MOTIVAÇÃO.

Por norma, todo o jovem sente-se motivado para aprender, porque isso faz parte da sua constituição. É intrínseca essa exploração inata, onde precisam descobrir coisas novas e, consequentemente, precisam de ajuda para isso. Não é por acaso que os processos de aprendizagem iniciam-se e desenvolvem-se em ambientes onde os jovens possam tocar, experienciar e perguntar tudo.

No entanto, a aprendizagem não depende, nem só do educador/professor, nem só do aluno, depende também de factores psicológicos, cognitivos, motivacionais e acima de tudo da relação que os pais e familiares têm com o seu educando e da sua participação académica.

Deixamos aqui algumas das muitas orientações e estratégias que podem desenvolver com os vossos educandos, para que estudar seja um eficaz momento de aprendizagem:

  • Consciencializar da importância do estudo – criar a necessidade de aplicar a matéria académica no seu dia-a-dia ou no seu futuro; criar a necessidade de o jovem aprender para atingir outros objetivos;
  • Tornar mais produtivo o estudo:
  1. Começar por estudar a matéria que menos gosta;
  2. Incentivar o estudo porque irá aprender mais e não pela nota;
  3. Procurar criar interesse para o aluno em todas as matérias leccionadas e apreeendidas;
  4. Não estudar sequencialmente as áreas de conhecimento parecidas, uma pode confundir a outra. Ex: Intercalar Português – Matemática; Ciências – História;
  5. Refazer as atividades dados em sala, diariamente – a prática autónoma desenvolve a aprendizagem.
  • Organizar o horário de estudo:
  1. Reservar pelo menos 2h de estudo diário;
  2. Procurar estudar os conteúdos apresentados pelo professor o mais cedo possível após a aula;
  3. Fazer um intervalo de dez minutos a cada 50 minutos de estudo;
  4. Estudar primeiramente os conteúdos mais difíceis – estudar alternadamente conteúdos onde haja mais ou menos dificuldade.
  5. Não esperar sentir vontade para começar a estudar na hora marcada; Seguir o plano de estudo até formar o hábito;
  6. Utilizar o domingo como dia de descanso, no máximo usá-lo para a leitura.
  7. Não esquecer de deixar espaço para o lazer, diversão e atividades motoras e ao ar livre fazem muito bem e estimulam o cérebro;
  • Tentar desmistificar o factor ”decorar”/“memorizar”, o importante é entender a ideia do conteúdo apresentado, seja através de esquemas visuais, seja através de tópicos e respetiva descrição;
  • Estudar antecipadamente e nunca na véspera de um teste – ter tempo para debater dúvidas e conhecimentos adquiridos;
  • Utilizar métodos e estratégias variadas e propostas de atividades desafiadoras e multi-sensoriais – quebrar a rotina em aprender sempre sentado numa cadeira, a ouvir, a escrever numa folha ou a ler num livro;
  • Manter sempre um bom relacionamento com o educando, e consequentemente, um clima de harmonia;
  • Oferecer-lhe segurança para que se sinta à vontade quando tiver dúvidas – dar abertura para que se expresse por meio do diálogo;
  • Evitar punições e ameaças, educar não se baseia só com castigo, porque senão o fracasso académico acaba por ser algo ainda mais negativo para o educando; Opte pelo reconhecimento do esforço, com elogios e recompensas (evitar as monetárias, e optar por recompensas construtivas, como um livro que queria muito ou até um passeio ou viagem);
  • Tente ser o exemplo, mostrando ter hábitos de leitura, incentivar atividades familiares educativas (como ida a museus, jogos educativos, leituras);
  • É importante que os pais disponham de algum tempo para auxiliar os filhos nas suas atividades escolares, demonstrando interesse e apoio pelos estudos, estimular o pensamento e reflexão do jovem, para identificar e analisar, ajudando-o a pensar com autonomia, ensinando critérios para filtrar as informações recebidas diariamente;
  • Os pais podem estudar com o filho, mas é importante que o auxilie a aprender a estudar sozinho. Cada sujeito desenvolve a sua capacidade de aprendizagem, nenhum filho tem que ser comparado a outro, pois cada um tem um ritmo diferente aliado as diferentes estratégias.

Estudar é aprender, é desenvolver-se, é tornar-se um jovem mais maduro e mais capaz. Então é algo bom e os educandos precisam ver isso de uma maneira positiva.

 

Por Patrícia de Sousa Teixeira

Carta de um pai ao Diretor da Escola

Caro Senhor Diretor

Muito se fala de alunos ou professores e pouco dos diretores de escola. Parece-me injusto pois creio serem eles quem define o caminho que a escola deve seguir e a maneira como ela deixa uma marca na vida dos nossos filhos. Para além disto, gerir tantas sensibilidades deve ser complexo. Não compreendo o desinteresse pela sua atividade e até aceito que lhe sobrem poucos momentos de reflexão.

Espero que esta mensagem lhe chegue no arranque de mais um ano letivo. Reconheço que o número de currículos, faturas e e-mails o devem ocupar bastante. Quando tentar lê-la, também sei que o vão interromper umas três vezes, e que cada pessoa que lhe bater à porta vai trazer um problema novo para resolver. Pode ser da delegação de saúde para conferir as vacinas, ou, cruzes canhoto, a caldeira da escola a dar problemas novamente. Essas pessoas confiam em si para resolver problemas, é melhor abrir a porta. Logo, quando a escola estiver fechada, depois de verificar que ficou tudo limpo e desligado, poderá voltar ao gabinete para pegar nos assuntos que precisam de silêncio para resolver.

Ultimamente têm acontecido coisas na escola que me parecem estranhas. Peço que me ajude a compreender, Sr. Diretor.

Não me parece bem ver o meu filho passar tanto tempo à secretária, nem sei se isso nos garante que aprenda melhor. Não sou especialista em ensino, mas tenho a noção que na minha vida aprendi mais a fazer do que a ouvir, mais em grupo do que isolado.

Estou quase com quarenta, e no escritório, para pensar melhor, ainda preciso de dar uma volta de vez em quando, ou de vaguear pela sala quando o telefone toca. 

Para tentar perceber porque é que o meu filho resiste a sentar-se comigo a fazer os trabalhos de casa, resolvi atuar. Obriguei-me a ficar após o trabalho, mais uma hora e meia sentado numa cadeira. O resultado foi surpreendente: após a primeira meia hora comecei a suspirar frequentemente, a esticar as pernas, os braços e a coluna.

Ainda não tinham passado 45 minutos, quando reparei que o meu pensamento desacelerou (não porque estivesse cansado, pois saiu de mim a correr). Quando o voltei a apanhar já tinha passado uma hora e remexido articulações que nem sabia que tinha. Na fase seguinte, voltei à juventude: consegui equilibrar a cadeira em apenas duas pernas e espraiei o tronco todo no tampo da mesa.

Senhor diretor, sou adulto.

O médico diz que estou ótimo e é da minha natureza estar mais quieto do que uma criança. Se no final de um dia inteiro de escola me convidassem a resolver uma ficha durante 1.30h em casa, resistiria como um rebelde.

Desde que prolongaram a duração das aulas e diminuíram o tempo de recreio na escola, que há cada vez mais crianças medicadas na sala do meu filho. Tenho reparado, outros pais também, e não aceitamos que a modernidade seja a responsável. Realidades como esta preocupam-nos a ponto de afastarmos a ideia de ter mais filhos por ser arriscado. As instituições educativas são demasiado coniventes com as orientações do currículo que contrariam a natureza dos mais novos. Nós também já fomos crianças e ainda nos lembramos disso.

Sei que o Sr. Diretor também já deve ter pensado nisto. Assim, este ano, venho pedir-lhe que faça diferente. Confio na sua capacidade para moderar problemas sérios que precisam do nosso tempo e inspiração. Se abdicar dos trabalhos de casa por completo não é uma opção no ensino. Podem existir outros caminhos: será que precisam de marcar-se todos os dias da semana, seguindo repetidamente a mesma direção? Planear tarefas que valorizem e respeitem o tempo escasso que as famílias passam em conjunto, é possível. E devia praticar-se mais nas escolas.

Brincar é uma condição essencial para aprender mas também para ensinar.

Aplicar este princípio no caderno do tpc seria um passo determinante para aumentar a participação dos pais na educação dos filhos e para reafirmar a certeza de que a escola proporciona experiências positivas, mesmo à distância de um bolso da mochila, antes da hora do jantar.

O que me diz, Sr. Diretor?

imagem@paiefilho