Os bebés não comem só papas

Nos dias de hoje a correria é muita e a alimentação saudável e adequada dos nossos bebés nem sempre é facilitada. Aprender a mastigar bem os alimentos é crucial e só aprendemos com experiências e prática, mas já pensaram que é pela experiência que aprendemos?

Dentro da barriga da mãe

Vamos ao início de tudo quando os bebés ainda estão dentro da barriga da mãe. Aí experimentam diferentes estímulos, imprescindíveis para o seu desenvolvimento sensório-motor oral.  Por exemplo, sentem diferentes sabores e o cheiro de tudo o que a mãe come. A exposição a esses estímulos sensitivos e gustativos é fundamental para a programação sensório-motora envolvida nas funções orais, inicialmente na sucção, deglutição, respiração, mais tarde na mastigação e, por fim, na fala da criança.

Quando nasce

Durante o desenvolvimento intrauterino o reflexo natural para a sucção começa-se a desenvolver às 29 semanas e fica completamente maturado entre as 34 e 35 semanas. É o reflexo natural para a sucção que permite a sua primeira alimentação e é a sucção que estimula o crescimento adequado das estruturas oro-faciais (lábios, dentes, língua e músculos). Por vezes há bebés que apresentam alterações nas funções orais e necessitam de ajuda especializada. Por exemplo, de terapeuta da fala mesmo que ainda em internamento de neonatologia.

Só assim o bebé estará preparado para receber alimentos de novas texturas, período em que se inicia a fase da mastigação. Diversos estudos indicam que o bebé entre o 6º e o 12º mês apresenta movimentos rotatórios da mastigação, já sendo então capaz de comer a bolacha e o pão. Com os devidos estímulos, a mastigação é uma função aprendida e muito importante para o desenvolvimento facial da criança.

Afinal como podemos estimular a mastigação e promover uma boa diversificação alimentar?

E se dermos também fruta ou outros alimentos em tiras? Assim estarão a apresentar os alimentos em duas texturas distintas, contribuindo para uma maior aceitação dos mesmos, sendo que a aceitação é um fator indispensável para um bom desenvolvimento da ação mastigatória.

E se os incentivarmos a comer sozinhos, quer com a mão ou com a colher (sujar faz parte!). Estamos a proporcionar-lhe importantes experiências sensoriais que vão potenciar o seu desenvolvimento sensório-motor.

Importante saber que a partir de 1 ano de idade os bebés já são capazes de mastigar bem os alimentos de textura mole e que a partir dos 15 meses deverão aceitar já diferentes sabores, texturas e consistências. Continua a ser fundamental deixá-los tocar, brincar e explorar os alimentos antes de os levar à boca.  Aos 2 anos já conseguem aceitar duas texturas na boca, mastigar e beber autonomamente de forma adequada.

A reter

  • Fomentar o prazer em comer apresentando alimentos adequados nutricionalmente irá permitir uma dieta variada e equilibrada no futuro.
  • Oferecer às nossas crianças uma alimentação variada em sabor, textura, consistência, temperatura, aspeto visual e cheiro e permitir-lhes experiências sensoriais e orais diversificadas irá contribuir para um desenvolvimento adequado da musculatura oro-facial e dento-esquelética e prevenir assim futuras alterações nas funções da sucção, mastigação, deglutição e fala.

Por Terapeuta da Fala Joana Teodoro

Tirar a chupeta sem dramas, é possível?

A sucção é um reflexo oral inato e primordial que surge e se desenvolve ainda dentro da barriga da mãe.

Enquanto Terapeuta da Fala, nas consultas iniciais questiono necessariamente ‘’usa chupeta?’’, ‘’chucha no dedo?’’, ‘’bebe pelo biberão?’’. Na maioria das vezes a resposta a todas as questões é ‘’não, já deixou de usar há muito tempo’’. Quando o sentido da conversa muda e se questiona o reportório alimentar, pedindo que descrevam o que a criança come e bebe durante um dia, lá vem com alguma frequência o ‘’leitinho no biberão, na caminha de manhã’’. O cenário é semelhante quando se descreve a rotina do dia-a-dia ou a rotina do sono, quando chega a casa depois da escola lá vem o dito ‘’bocadinho com a chupeta’’ ou ‘’a chupeta só para se deixar dormir’’.

A realidade é que a maior parte dos encaminhamentos realizados para terapia da fala estão relacionados com alterações na articulação. Quando avaliamos, acabamos por verificar alterações estruturais, palato duro alto, alterações na oclusão como a mordida aberta, mastigação e deglutição adaptadas, respiração oral, assimetrias posturais e tudo isto muitas vezes decorrente do uso prolongado de chupeta, sucção digital e/ou biberão e que torna necessária uma intervenção multidisciplinar.

Começando pelo início… O que é a sucção e qual a sua importância?

A sucção é um reflexo oral inato e primordial que surge e se desenvolve ainda dentro da barriga da mãe. Nos prematuros, dependendo do tempo de gestação, a maturação deste reflexo é realizado fora da vida uterina. Nestes casos é pertinente a avaliação e intervenção do terapeuta da fala para a promoção da organização do padrão de sucção.

Quando pensamos em sucção, imediatamente vem a ideia de amamentação e alimentação do bebé. Para além da função nutritiva, o reflexo de sucção encaixa-se dentro das funções estomatognáticas, sendo um mecanismo neuromuscular complexo que contribui para o crescimento craniofacial e desenvolvimento neuromuscular das estruturas orofaciais utilizadas durante a mastigação, deglutição, respiração e fala.

É importante lembrar que os músculos e estruturas utilizadas quando a criança realiza sucção, são os mesmo que irá utilizar para falar, mastigar, deglutir e respirar.

Neste sentido, este reflexo prepara os músculos e estruturas da face – lábios, língua, bochechas, palato, mandíbula – para as etapas seguinte de diversificação e introdução alimentar, comer com a colher, beber pelo copo e falar.

Associado ao reflexo de sucção poder-se-á encontrar hábitos orais de sucção normais, como a amamentação e hábitos orais nocivos como sucção digital, chupeta, bruxismo (ranger os dentes), onicofagia (roer as unhas), mordida de objetos e padrão de respiração oral, por exemplo.

Quando o período de retirada de um hábito oral é tardio não acompanhando o desenvolvimento global da criança pode ser classificado como compulsivo.

Existirá alguma relação entre a amamentação, tetinas e chupeta?

É hoje geralmente defendido que a chupeta poderá interferir com a amamentação. A amamentação promove a respiração nasal, a oclusão normal e o crescimento facial.

Ainda que existam inúmeras tetinas que se assemelhem o peito da mãe, mamar no peito da mãe é muito exigente. O bebé tende a realizar mais forço e a dispensa de energia é maior comparativamente à amamentação com o biberão.  Caso o bebé ainda se esteja a adaptar à sucção no peito da mãe, se for introduzida chupeta ou biberão, poderá surgir a confusão de bicos. Torna-se comum que  quando colocado à mama o bebé se mostre irritado, chorando e recusando morder o bico. Isto acontece pela maior dificuldade em mamar comparativamente à sução da chupeta ou biberão.

Como nos primeiros dias, os pais ainda se estão a adaptar às novas rotinas, o stress, a ansiedade, a privação de sono, a subida de leite e mamilos gretados poderão fazer com que desistam da amamentação, por pensarem, por exemplo, que o leite não é suficiente. É importante que saibam que existem diversos profissionais devidamente formados em aconselhamento em aleitamento materno a que podem recorrer nesta situação, a amamentação não tem que ser um processo doloroso, por vezes pequenos ajustes são suficientes para ultrapassar algumas dificuldades.

Mas afinal, devem ou não as crianças utilizar chupeta? Chupeta sim ou não?

O uso de chupeta assim como a idade a partir da qual deve ser retirada continua a ser um tema controverso.

Os hábitos de sucção não nutritiva, chupeta e sucção digital, estão interligados com a satisfação afetiva, conforto e segurança da criança.

O uso de chupetas/ sucção digital, biberão de forma prolongada poderão ser considerados nocivos. Poderão comprometer crescimento craniofacial em termos ósseos e musculares, alterar a forma das arcadas dentárias, o posicionamento da língua, o contacto labial e, consequentemente, prejudicar as funções de fala, mastigação, deglutição e respiração. O grau de alterações funcionais provocadas pelos hábitos orais está diretamente relacionada com a intensidade, frequência e duração da sua utilização.

O uso de chupetas/ sucção digital, biberão de forma prolongada poderão ser considerados nocivos e comprometer crescimento craniofacial em termos ósseos e musculares

Apesar de se falar na maioria das vezes apenas nos malefícios da chupeta, esta também tem um papel regulador. Este poderá ser importante para o desenvolvimento da criança, na medida em que poderá contribuir para a estabilidade emocional, estimular a sucção e facilitar a digestão, mais significativo ainda se se tratar de uma criança prematura.

Atualmente, devido à inúmera quantidade e variedade de chupetas que existem no mercado, a escolha nem sempre é fácil. Na hora da escolha é importante optar por uma chupeta/ tetina com bico ortodôntico e com tamanho ajustado à boca do bebé. O tamanho do bico deve acompanhar o crescimento e desenvolvimento maxilofacial do bebé, de modo a evitar alterações. O material da tetina poderá ser látex ou silicone, sendo que o último exige uma força de sucção maior. O tipo de material vai depender da maturação e organização do padrão de sucção do bebé.

A utilização da chupeta, como quase tudo, deve ser com ‘’conta, peso e medida’’. Para além disso, é fundamental estar informado sobre as consequências que o uso prolongado destes hábitos poderão trazer para o desenvolvimento da criança.

Então, ‘’Quando e como tirar a chupeta / biberão?’’

Convencer uma criança a tirar a chupeta ou biberão ou chuchar no dedo nem sempre é fácil e pode tornar-se uma verdadeira batalha. De facto, estamos a querer acabar com um/a amigo/a, algo que a criança gosta e a acalma.

A idade da retirada destes hábitos é um assunto controverso, sendo geralmente referidos os 2/3 anos. Efetivamente, quanto mais cedo ocorrer a eliminação deste tipo de hábitos maior a probabilidade de corrigir ou atenuar as alterações. Principalmente se ocorrer ainda durante a fase de dentição decídua. No entanto é preciso não esquecer de olhar para a criança como um todo. Tendo em conta que estamos a querer acabar com algo que gosta e acalma. Estamos a querer tirar a chupeta. Por exemplo se tentarmos fazê-lo em simultâneo com o desfralde ou até na altura em que tem um irmão/ã poderá não ser o momento oportuno.

Estratégias para abandonar o uso de chupeta/ biberão:

Analise bem a altura em que vai iniciar a retirada. Evite retirar quando estão a acontecer outras mudanças (ex.: desfralde, mudança de rotinas, mudar de quarto, cirurgias, entre outros). Aproveite oportunidades em que note alguma redução/desinteresse pontual pela chupeta/biberão.

Converse com a criança e inclua-a no processo!

Explique que já está a ficar crescida e que a chupeta/biberão vão fazer mal aos seus dentinhos. Pode mesmo mostrar fotos de alterações dentárias causadas pelo uso prolongado.

Ideias e dicas para tirar a chupeta :

  • combinem que vão deixar a chupeta na árvore das chupetas (existe uma na Quinta Pedagógica dos Olivais);
  • oferecer a chupeta/ biberão ao pai natal, coelho da páscoa, à fada das chupetas, etc. Ou até uma personagem que a criança goste para dar a outro menino ou bebé que precisa. Como agradecimento a personagem pode deixar uma surpresa. Crie uma história criativa à volta desse acontecimento. “A fada das chupetas levou a tua durante a noite para dar a outro bebe porque tu já estás crescido/a”.
  • Preparar leite e bolachas para o pai natal e deixar a chupeta/ biberão para ele levar a outro bebe;
  • Pode substituir a chupeta por um objeto de conforto na hora que mais precise.
  • Diminua os períodos de utilização de forma gradual (ex.: só utiliza para dormir);
  • Dê reforço positivo quando a criança não utilizar a chupeta ou beber pelo copo (caso a retirada seja do biberão);
  • Tente que seja a própria criança a deixar a chupeta/biberão. Pode fazer, um pequeno corte ou furos na chupeta/tetina, para que perceba que a sua configuração está alterada, já não dá para chuchar e que está estragada;
  • Se a criança tiver alguns momentos de reação negativa, tente acalmá-la, abrace-a e transmita-lhe conforto. A chupeta não substitui o carinho dos cuidadores;
  • não usar o termo “vamos tirar a chupeta”

O hábito de sucção digital pode ser mais difícil de eliminar.  Não conseguimos fazer com que o dedo desapareça…. O primeiro passo será sempre conversar com a criança.

É, também, importante valorizar os períodos em que não está com o dedo na boca. Caso aconteça em meninas, uma ida à manicure pode ser motivadora. Nestes casos pode ser necessária a colocação por médico dentista de aparelho que impeça o hábito.

Lembre-se que o abandono da chupeta é mais uma conquista desenvolvimental e não tem que ser “dramático”. Tirar a chupeta não tem de ser um drama. É perfeitamente possível promovê-lo de forma pacífica!

 

Por Marta Marreiros, Terapeuta da fala

 

6 de Março – Dia Europeu da Terapia da fala

Acontece com alguma frequência receber pais de crianças que procuram Terapia da fala por identificarem sinais no seu filho/a de um desenvolvimento “atípico”, “diferente do dos meninos da sua escola”. Assim, é percetível que a Terapia da fala está a expressar a sua importância de dia para dia e que há preocupação na partilha de informação sobre a sua importância.

Sejam adultos ou crianças o Terapeuta da fala pode ajudar a melhorar a sua condição de vida. Se ainda existem dúvida sobre o seu papel ou em que áreas intervém é no dia de hoje “Dia Europeu da Terapia da fala” que desmistificamos o tema.

O Terapeuta da fala

Profissional responsável pela avaliação, diagnóstico, prevenção e tratamento das perturbações da comunicação humana, linguagem oral e escrita, compressão e expressão da linguagem. Engloba também outras formas de comunicação não-verbal, voz e deglutição. A Terapia da fala abrange indivíduos de todas as idades, desde os recém-nascidos aos idosos. Em bebé presta cuidados neonatais desenvolvendo competências comunicativas e de alimentação. Nas crianças promove competências de comunicação, linguísticas, vocais entre outras perturbações. Nos jovens ou crianças em idade escolar, tende a intervir em perturbações da leitura e da escrita. Na idade adulta interfere maioritariamente em perturbações de linguagem adquiridas ou deglutição.

No entanto, tem sempre como objetivo geral otimizar capacidades perdidas ou não adquiridas do indivíduo, melhorando, assim, a sua qualidade de vida (ASHA, 2007).

O papel do Terapeuta da fala na escola

Em contexto escolar o trabalho desenvolvido pelo Terapeuta da Fala centra-se na promoção da comunicação, intervenção em perturbações da linguagem oral, expressão escrita, perturbações da fala, perturbações da voz e Motricidade Orofacial.

Vejamos:

  • Perturbações da linguagem oral
    Atraso de desenvolvimento da linguagem, perturbação específica a linguagem, dificuldades de aprendizagem
  • Expressão Escrita
    Dislexia, disgrafia, disortografia
  • Perturbações da fala
    Articulação, gaguez, apraxia, disartria
  • Perturbações da voz
    Disfonia, afonia
  • Motricidade Orofacial
    Sucção, mastigação, respiração e a fala

Áreas de intervenção

 

A evolução da linguagem dos 2 aos 6 anos

Enquanto pais queremos perceber se o nosso filho se encontra dentro do que é expectável na sua faixa etária e como podemos estimulá-lo. São frequentes preocupações como o meu filho troca muitas sílabas/sons nas palavras, as outras pessoas não o conseguem perceber… Pois bem, é certo que cada criança tem o seu ritmo de desenvolvimento que deve ser respeitado, no entanto podemos e devemos estar atentos, conhecer mais sobre o percurso normal de desenvolvimento e saber como estimular da melhor forma em cada etapa.
Se houver dúvidas, fale com o seu médico de família, com o seu pediatra e não deixe de consultar um terapeuta da fala, estes são os profissionais a quem deve recorrer para que sejam efetuados os despistes necessários e para que, em caso de necessidade, a intervenção seja o mais precoce possível.

2 – 3 anos

Características
• Brinca ao faz de conta, por exemplo dar de comer a um boneco.
• “Idade dos porquês”.
• Diz o nome e a idade.
• Canta músicas simples e faz os gestos.
• Grande expansão de vocabulário.
• Nomeia e diz para que servem objetos comuns.
• Identifica imagens de ações.
• Responde a perguntas simples Quem? Onde? O quê?
• Identifica grande, pequeno e muito.
• Produz frases com 4 palavras (ex.: Eu quero um gato!; Hoje vou à escola!; Eu gosto de gelado!) e já começa a produzir frases coordenadas (ex.: “Eu quero um gato e um cão.”).
• Utiliza predominantemente substantivos mas também já utiliza verbos, adjetivos, determinantes, pronomes pessoais, alguns advérbios e preposições.
• Já começa a fazer a variação em género e número.

Atividades

• Reserve tempo para ouvir a criança e responder-lhe.
• Expanda os seus enunciados, por exemplo se a criança disser “comer”, diga “Vamos comer a sopa”.
• Envolva a criança nas atividades do dia-a-dia.
• Explore os brinquedos e os objetos do dia-a-dia com a criança: nome, características, para que servem.
• Explore livros.
• Façam jogos em que cada um joga na sua vez (lotos de imagens, de identificação de sons, de associação de pares, cores…)
• Se a criança ainda usa o biberão e/ou a chupeta, encoraje-a a deixar de usar!

Sinais de Alerta

• Só produz palavras simples.
• Não junta 2 palavras em frases simples (ex.: “dá pão”).
• Não responde a perguntas fechadas sim/não.
• Não aponta para partes do corpo a pedido.
• Não executa uma ordem simples.

3 – 4 Anos

Características

• Utiliza habitualmente uma linguagem compreensível para desconhecidos.
• Diz “eu” quando se refere a si.
• Compreende perguntas com os pronomes Porquê? Quanto? Como?
• Compreende os locativos: à frente, atrás, dentro, fora.
• Descreve acontecimentos do dia-a-dia.
• Conta pequenas histórias com apoio de imagens.

Atividades

• Converse diariamente com a criança.
• Deixe-a realizar atividades adequadas à sua idade e que desenvolvam a sua independência.
• Leia histórias em conjunto, deixe-a ajudar a contar a história e peça no final que conte a história para si.
Sinais de Alerta
• Utiliza um discurso ininteligível para estranhos.
• Utiliza mais os gestos que as palavras.
• Não executa ordens de duas ideias.
• Não responde a perguntas: O que é? Onde?
• Não faz trocas de turnos num diálogo.
• Fala só sobre um tópico específico.

4 – 5 Anos

Características

• Exprime-se de forma fluente.
• Pergunta o significado das palavras.
• Cumprimenta e pede desculpa.
• Fala sobre os seus sentimentos.
• Compreende ordens complexas.
• Usa frases completas.
• Começa a produzir frases subordinadas.
• Fala do passado e do futuro.
• Articula corretamente quase todos os sons.
• Identifica sílabas de palavras di e trissilábicas.
• Faz rimas.

Atividades

• Estimule a imaginação (ex.: teatro de fantoches).
• Cante canções.
• Brinque com a divisão silábica (ex.: dividir as palavras em bocadinhos – sílabas com recurso a palmas).

Sinais de Alerta

• Não comunica com estranhos.
• Não faz diálogos.
• Não descreve acontecimentos do dia-a-dia.
• Não responde a perguntas: O que é? Porquê? Como?
• Omite consoantes finais.
• Troca o /g/ por /d / (ex.: “dato” em vez de “gato”) ou o /k/ por /t/ (ex.: “tão” em vez de “cão”).

5 – 6 Anos

Características

• Participa em discussões de grupo e espera a sua vez para falar.
• Percebe críticas e comentários sobre si.
• Conta histórias complexas.
• Compreende perguntas complexas.
• Compreende os opostos.
• Articula de forma correta praticamente todos os sons da sua língua, pode ter dificuldade em articular palavras com grupos consonânticos.

Atividades

• Explore rimas, lengalengas, trava-línguas em canções e livros.
• Pergunte as sílabas inicias das palavras que aparecem durante um jogo.

Sinais de Alerta

• Não conta histórias nem descreve o seu dia.
• Utiliza frases mal estruturadas.
• Exprime-se de forma pouco fluente.
• Pronuncia mal as palavras.

Não se esqueça que a criança precisa de crescer e aprender e os adultos são o modelo, só através deles aprenderá a usar a linguagem adequadamente.

Por Terapeuta da Fala Rita Costa

Sabia que….

– mais de 68 milhões de pessoas no mundo têm gaguez, o que corresponde a 1% da população mundial

– em Portugal estima-se que cerca de 100 mil pessoas têm esta perturbação

– a gaguez é mais comum nos homens do que nas mulheres (4 homens para 1 mulher)

– 60% dos gagos tem um familiar com gaguez

Em situações de ansiedade, nervosismo ou cansaço, é normal todos nós “gaguejarmos” um bocadinho. A estas alterações pontuais no ritmo da fala chamamos disfluências normais. Quando estas alterações são marcadas por frequentes bloqueios (pausas longas com esforço muscular: “O….João caiu”), prolongamentos (“Joooooão”) e repetições (“ca-ca-ca-ca-caiu”) ao longo do discurso, estamos perante disfluências gagas.

O discurso da pessoa com gaguez é caracterizado por alguns ou todos os tipos de disfluências gagas e pode ocorrer associado a movimentos físicos distratores para o interlocutor (por exemplo piscar repetidamente os olhos, abanar a cabeça, entre outras). Todas estas características involuntárias podem ser mais ou menos evidentes ditando assim o grau de severidade da gaguez.

“O meu filho tem 3 anos e está a gaguejar há dois meses”

Durante o desenvolvimento da criança, até aos 3 anos e meio, admite-se a possibilidade de surgir uma gaguez chamada transitória, caracterizada por hesitações, repetições de palavras ou sílabas (até 2 repetições). Tal como o nome indica, a gaguez transitória poderá desaparecer entre 6 a 12 meses desde a data de surgimento. Caso não se verifique, é possível estar perante uma gaguez não transitória.

“A minha filha tem 10 anos e gagueja desde os 8… Pensei que nesta idade isso já não fosse possível.”

A gaguez pode surgir até à pré-adolescência (dos 3 aos 12 anos de idade). Independentemente da idade da criança é importante procurar um terapeuta da fala que o ajudará a perceber melhor estas dificuldades.

“O meu pai teve um AVC e começou a gaguejar”

Após AVC (Acidente Vascular Cerebral) ou TCE (Traumatismo Crânio-Encefálico) pode surgir uma gaguez neurológica que se caracteriza por repetições, bloqueios e prolongamentos, à qual poderão estar associados alguns movimentos secundários.

Mitos e lendas sobre a gaguez

Uma pessoa NÃO gagueja porque…

…pensa mais rápido do que fala

Todos pensamos mais rápido do que falamos e nem todos gaguejamos. Esta não pode ser uma causa da gaguez.

…apanhou um susto

A gaguez é uma perturbação neurofisiológica causada por mau funcionamento de algumas áreas cerebrais, havendo também uma predisposição genética para algumas pessoas. Assim, as pessoas que gaguejam iriam gaguejar mesmo não apanhando um susto.

…é muito nervosa, tímida ou stressada

As pessoas que gaguejam podem, de facto, parecer ansiosas e inseguras. No entanto, estes são sentimentos consequentes da gaguez e não causadores! Devido às quebras que apresentam no discurso, podem ficar frustradas perante situações de comunicação e esses sentimentos poderão então agravar as disfluências.

…ouviu outros a gaguejar e ficou gaga

Apesar de termos alguma tendência para gaguejar quando a pessoa com quem falamos é gaga, não ficamos gagos. É frequente um pai pensar que o filho mais novo ficou gago porque estava a imitar o irmão que tem gaguez, porém, há efetivamente um fator genético para esta perturbação. A disfluência não se “pega” por ouvirmos outros a gaguejar.

…os pais são muito rígidos e autoritários

Os pais não são responsáveis pelo aparecimento da gaguez. A gaguez tem uma etiologia multifactorial – genética, neurológica e psicossocial. Contudo, a pressão que colocam na criança poderá agravar a gaguez. É fundamental criar um ambiente propício à fluência.

…são menos inteligentes

Não há qualquer tipo de relação entre a inteligência e a fluência. A gaguez é uma perturbação da comunicação que não afeta o QI das pessoas.

Outros lendas

Ajuda dizer à pessoa para ter calma e para respirar fundo.

Estes conselhos apenas fazem com que a pessoa se sinta mais consciente das suas disfluências, ficando muitas vezes mais ansiosa e frustrada, levando assim ao agravamento da gaguez.

Vamos ignorar, pode ser que desapareça com o tempo.

Se a gaguez existe há mais de 1 ano, é provável que não desapareça. Independentemente de há quanto tempo persiste a gaguez, consulte um Terapeuta da Fala, ele poderá ajudá-lo com várias estratégias. Ignorar, não intervir e deixar prolongar poderá valorizar e desenvolver a gaguez.

Quando canta ou imita outra voz não gagueja, significa que consegue ser sempre fluente.

Quando cantamos ou utilizamos uma voz que não a nossa, são ativadas outras zonas do cérebro diferentes da fala espontânea, levando assim o próprio a gaguejar menos. Contudo, a gaguez é involuntária, como o nome indica, não é controlável e varia perante cada situação.

 

Estratégias para falar com uma pessoa que gagueja

  1. Mantenha o contacto ocular natural e de forma interessada. Espere com paciência que a pessoa acabe de falar.
  2. Não interrompa a pessoa que gagueja, nem termine as palavras ou frases. Dê-lhe o tempo necessário.
  3. Não perca o interesse na conversa, dê importância ao conteúdo, seja ativo e escute com atenção.
  4. Não faça comentários do tipo – “Fala mais devagar”, “Respira” ou “Tem calma”, a maior parte das vezes só irá aumentar as disfluências.
  5. Responda de forma calma e sem pressa, sem parecer artificial.

A gaguez não se cura, é uma perturbação da comunicação que permanece com a pessoa que gagueja, no entanto, o terapeuta da fala pode ajudar a compreendê-la melhor e a lidar com ela através de estratégias práticas!

Por  Márcia Filipe e Susana Belo – terapeutas da fala

Bibliografia
Gaiolas, M. (2010) Gaguez da Infância à Adolescência. Vogais & Companhia: Cascais.
Rombert, J. (2013) O Gato Comeu-te a Língua? A esfera dos Livros: Lisboa.
Associação Portuguesa de Gagos – http://www.gaguez-apg.com/

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Terapia da Fala | Todas as respostas

Mitos de desenvolvimento da Linguagem

O bichinho da ansiedade

 

“Ele tem uma maneira muito própria de falar mas quando entrar na escola vai ficar melhor… com o meu filho foi assim!”

Muitas vezes, pais, educadores e professores são capazes de detetar que uma criança apresenta uma dificuldade, ainda que ao fazer referência a esta, não consigam identificar qual a área exata onde esta dificuldade se insere.

É importante compreender que existem diferenças entre estes três conceitos, por fim a ajudar a identificar a área em questão.

Ao falar de comunicação falamos de um processo complexo onde ocorre a troca de informação que visa influenciar o comportamento do outro. Por exemplo: o bebé chora quando tem fome ou sono, ainda que inicialmente não o faça de forma intencional, os pais acabam por dar um significado àquele comportamento. A comunicação pode ser realizada de diversas formas e através de combinações verbais (uso da linguagem – oral ou escrita) e não-verbais (olhar, expressão facial, postura, gestos e linguagem corporal).

Por sua vez, exclusivamente humana, a linguagem é o instrumento de comunicação mais importante e poderoso. É através da linguagem que conseguimos desenvolver competências linguísticas de receção, transformação e transmissão de informações. Para haver receção de informação tem de se conseguir compreender a linguagem – linguagem compreensiva; e para que haja transmissão tem de ser capaz de formular a linguagem – linguagem expressiva. A linguagem diferencia-se em três componentes principais: a forma – regras que gerem os sons, bem como todas as suas possíveis combinações (fonologia), formação e estrutura interna das palavras (morfologia), e organização das palavras numa frase (sintaxe); o conteúdo – significado das palavras e interpretação das suas combinações (semântica); e o uso – adaptação e adequação da linguagem ao tipo de contexto social (pragmática).

A fala é o ato motor que permite que ocorra a transmissão de sons, de palavras e de frases, é o modo verbal oral de transmitir mensagens que envolve coordenação neuromuscular, e que permite que se realizem movimentos orais para que se produzam sons em unidades linguísticas. A fala pode ser caracterizada quanto à articulação – produção de sons realizada pelos articuladores; quanto à ressonância – equilíbrio do fluxo aéreo entre o nariz e a boca; quanto à voz – vibração produzida pelas pregas vocais na laringe; quanto à fluência – débito; e quanto à prosódia – que diz respeito à acentuação e à entoação das palavras e das frases.

Em caso de dúvida o Terapeuta da Fala é o profissional competente que o pode ajudar a compreender, e identificar qual a área onde se insere a dificuldade observada.

Quando procurar ajuda especializada?

Se na sua família, ou mesmo no seu dia-a-dia convive com uma criança que não consegue:

  • olhar na direção que é chamada;
  • manter ou iniciar um tópico de conversa;
  • fazer ou responder a perguntas;
  • estabelece relação/conversa apenas com pessoas conhecidas;
  • evita falar optando por apontar;
  • fala de maneira diferente;
  • utiliza palavras próprias;
  • escreve à sua maneira…

então é aconselhado que procure ajude especializada!

 

Por Drª Joana Lopes, Terapeuta da Fala

imagem@fototlia

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Terapia da fala em crianças: sinais de alerta

Terapia da fala em crianças; Sinais de alerta dos 3 aos 6 anos

Quando Procurar um terapeuta da fala?

Terapia da fala em crianças: Sinais de alerta dos 3 aos 6 anos

Se até aos 2 anos a necessidade de Terapia da Fala em crianças pode não parecer clara para as famílias, quando a criança ingressa na creche ou no pré-escolar, os sinais de alerta começam a ser bastante mais evidentes.

Entre os 3 e os 4 anos, já é esperado que a criança tenha um vocabulário expressivo superior a 500 palavras, utilize, pelo menos, algumas frases simples e seja capaz de compreender ordens e pedidos complexos. Devem também começar a compreender o significado de pouco/muito ou grande/pequeno e responder, como também perguntar, questões “o quê?” e “onde?”.

Numa fase anterior, muitas crianças utilizam muito os gestos como uma forma de suporte ao discurso, algo que já não deverá acontecer nesta faixa etária. O mesmo acontece com os monólogos que as crianças muitas vezes fazem e que, nestas idades, já deverão passar a ser conversas em que é respeitada a regra de turnos de conversação – primeiro fala uma pessoa, depois a outra.

Um dos grandes sinais de alerta que também surge nesta fase é o facto de os estranhos não compreenderem a criança. É normal que a família e os amigos próximos já tenham aprendido a “decifrar” o que a criança diz – muitas vezes, nem se apercebendo de que ela não fala corretamente – mas, quando alguém que não lida frequentemente com a criança, não é capaz de a perceber, podemos estar perante a necessidade de intervenção em Terapia da Fala.

Entre os 4 e os 5 anos, a criança já deverá ser capaz de utilizar a Linguagem em contexto social, dialogando com a família mas também não sendo oposta ao contacto com estranhos. Já é esperado que saibam nomear as cores primárias e que respondam a questões mais complexas, como “o que é?”, “porquê?”, “como?” e “quanto?”.

Na faixa etária dos 5 aos 6 anos, encontramo-nos na fase de início do 1ºciclo, altura em que, caso existam ainda dificuldades, é absolutamente crucial que sejam superadas o mais precocemente possível, sob o risco de criar mais dificuldades futuramente, como na aprendizagem da Leitura e da Escrita. Nestas idades, é muito comum que a criança ainda não articule corretamente todos os sons da fala (ou acrescente/omita/troque por outros). No entanto, é por volta dos 5 anos que todos os sons devem estar adquiridos e, quando a criança não faz esta aquisição sozinha, pode precisar de um apoio profissional.

Quando a criança ainda não é capaz de contar histórias ou explicar como foi o seu dia, ainda não usa frases complexas, não usa pronomes possessivos (“é meu/é teu”) ou não compreende noções de espaço e tempo, também estamos perante a possibilidade de dificuldades ao nível da Linguagem.

Nesta, como em todas as idades, a prevenção é a palavra de ordem, permitindo à criança fazer todas as aquisições sem chegar a ter repercussões. Através de uma “brincadeira” estruturada, com vista aos objetivos traçados, a criança vai tomando consciência dos sons e das diversas componentes da Linguagem, também com a ajuda dos pais, que recebem estratégias personalizadas e direcionadas para as dificuldades específicas do seu filho, para que o trabalho tenha continuidade em casa.

Se reconhecer algum destes sinais de alerta, a Ipsis Verbis oferece a realização de um rastreio gratuito em que, de forma imediata, os pais ficam a saber se existe necessidade de uma avaliação e posterior intervenção. Todas as sessões são completamente personalizadas, baseadas no gosto da criança e, sempre que possível, realizadas com base na “brincadeira”.

A Ipsis Verbis atua ao domicílio e em escolas, no distrito de Lisboa.

Por Inês Peres Silva Terapeuta da Fala Ipsis Verbis®

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Importância dos Rastreios em Terapia da Fala

Qual a altura certa para retirar a chucha? – É possivelmente uma das maiores dúvidas que surgem durante a paternidade.

Muitos pais adiam o momento de retirar a chucha aos seus filhos por receio de que possa traumatizar a criança ou privá-la do seu único meio de conforto. No entanto, após os 2 anos, as consequências do seu uso começam a surgir em força e  dependendo da criança e da frequência com que a usam, poderão instalar-se de forma quase permanente e só corrigível com recurso a várias especialidades da área da Saúde.

Referimo-nos, sobretudo, ao aparecimento de quatro grandes alterações que habitualmente não associamos ao uso de um objeto que parece tão inofensivo como a chucha – o objeto de conforto mais utilizado por milhões de crianças por todo o mundo.

São estas as quatro grandes consequenciais do uso prolongado da chucha:

  1. Alteração da dentição e do palato (céu da boca)
    A consequência mais fácil de detetar é a alteração da dentição e do palato (céu da boca) que o formato da chucha provoca. A presença prolongada de um corpo estranho na boca molda todas as estruturas à sua volta, nomeadamente os dentes e o palato, e provoca uma posição incorreta dos lábios (não lhes permite fechar na totalidade) e da língua, que adota uma postura à volta da chucha. Estas alterações nas estruturas causam uma das consequências mais difíceis de detetar – a respiração oral.
  2. Respiração oral
    Quando o bebé começa a respirar pela boca, devido às alterações estruturais que já ocorreram, o seu sono começa a ter menor qualidade devido à fraca oxigenação (que, por vezes, também desperta mais vezes os bebés) e a falta da correta “filtragem” do ar respirado no nariz, também levará a infeções das vias aéreas.
  3. Musculatura
    Outra alteração que surge muito frequentemente, ocorre ao nível da musculatura. Devido aos movimentos repetitivos da sucção, as estruturas perdem tónus – os músculos ficam enfraquecidos – e, com a perda de força dos lábios, bochechas e língua, poderemos também estar a provocar futuras dificuldades na alimentação.
  4. Aparecimento de alterações na articulação
    A consequência mais comum do uso prolongado de chucha e que, diariamente, leva várias famílias a procurarem um Terapeuta da Fala – ainda que nem sempre sabendo qual a causa das dificuldades dos seus filhos – é o aparecimento de alterações na articulação. Esta consequência, por ser notória apenas por volta dos 5/6 anos, quando já esperamos que as crianças articulem perfeitamente as palavras, é também a mais perigosa, pois aparece de forma “silenciosa”. Surge devido a todas as outras alterações estruturais que se desenvolveram ao longo dos anos e faz com que a criança precise de um acompanhamento especializado para conseguir articular vários sons que, habitualmente, distorce. Surgem assim – mas não exclusivamente – os conhecidos “sopinha de massa”, dificuldade que só pode ser corrigida após terapia e, muitas vezes, com a junção de um tratamento ortodôntico. Também as dificuldades de alimentação – por falta de força na musculatura das várias estruturas da boca -, terão de ser corrigidas com terapia.

Como forma de evitar todas estas consequências, e de prevenir a necessidade futura de acompanhamento em várias áreas, aconselhamos a remoção da chucha do seu bebé até aos 2 anos – e prontificamo-nos a ajudá-lo se precisar de algumas dicas sobre como fazê-lo!

Por Inês Peres Silva Terapeuta da Fala Ipsis Verbis®

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Sabia que…

  • a boca é o órgão com maior número de recetores sensitivos, com várias funções, como a receção dos alimentos e a proteção e controle do sistema respiratório e digestivo?
  • o comportamento de levar a mão à boca, que está presente a partir da 9ª semana gestacional, constitui uma das primeiras demonstrações da existência de integração sensório-motora precoce, através da qual o bebé irá obter não só uma forma de alimentação e de fala adequadas, como também reconhecer o seu próprio corpo e discriminar as características dos objetos?
  • as experiências sensoriais obtidas, quer durante a alimentação através da ingestão de alimentos com diferentes consistências, texturas, sabores e temperaturas, quer na exploração oral de objetos e da mão contribuem para um adequado desenvolvimento da musculatura orofacial e dento-esquelética e previnem a ocorrência de alterações no sistema estomatognático?
  • entre 25% a 35% de crianças com desenvolvimento normal apresentam dificuldades alimentares? Esta percentagem aumenta exponencialmente (65% a 75%) quando falamos de crianças com patologias do neurodesenvolvimento. – (Rudolph & Link, 2002)

As etiologias destas dificuldades são variadas, mas entre as mais comuns temos a predisposição genética, as complicações durante a gravidez, a prematuridade, a insuficiente estimulação ou experienciais táteis e orais desagradáveis. (- Dias, 2015)

O desenvolvimento sensório-motor oral (SMO) inicia-se no período intra-uterino, no qual o feto experimenta diferentes estímulos. A exposição a diferentes estímulos neste período é fundamental para a programação sensório-motora envolvida nas funções orais como a sucção, deglutição e respiração do neonato e posteriormente, na mastigação e na fala da criança. O desenvolvimento SMO irá depender das experiências sensoriais intra-uterinas, da maturação do sistema nervoso central (SNC), da herança genética e dos estímulos ambientais ao longo da vida, sendo os primeiros anos essenciais. (Medeiros, 2007)

O desenvolvimento SMO tem vários marcos importantes:

  • Entre 3º e o 6º mês de vida
    Há uma maior dissociação entre sucção e deglutição e
as competências motoras orais e globais facilitam a introdução da colher;
  • Do 6º ao 9º mês de vida
    Surgem os primeiros dentes; o bebé baba-se muito;
há uma participação do lábio superior na retirada do alimento na colher e surge a integração do reflexo de morder na mastigação;
  • Do 9º ao 12º mês de vida
    Começa a beber pelo copo com ajuda, come a bolacha e o pão sozinho, fazendo um prévio reconhecimento táctil dos alimentos;
  • Do 12º ao 15º mês de vida
    Tenta comer sozinho com a mão e com a colher; mastiga bem alimentos que não sejam muito duros; nesta fase ainda pode apresentar dificuldades na mistura de texturas dos alimentos;
  • Do 15º mês ao 18º mês de vida
    Baba-se frequentemente por não conseguir controlar várias tarefas simultaneamente; alimenta-se pela colher e pelo copo, com pequenas ajudas;
aceita alimentos com diferentes sabores, texturas e consistências com possibilidade de os manipular (importante para a integração sensorial);
  • Do 18º ao 24º mês de vida
    Há um aperfeiçoamento das capacidades miofuncionais orais; mastiga e bebe autonomamente de forma adequada; aceita duas texturas na boca. (Dias, 2015)

Alimentação Restritiva? Alimentação Seletiva? Alimentação exigente? Recusa Alimentar Crónica? Neofobia de alimentos? Qual o perfil alimentar? Dificuldades alimentares de base sensorial? Defensividade Oral? E agora?!

O Terapeuta da Fala pode ajudá-lo com as dificuldades alimentares do seu filho.

A Estimulação Sensório Motora Oral (ESMO) realizada pelo Terapeuta da Fala, quando introduzida precocemente e de forma a garantir o sucesso no aleitamento materno, favorece a introdução dos semi-sólidos e sólidos na idade adequada e de forma prazerosa e proporciona a realização de determinados tipos de movimentos dos órgãos fonoarticulatórios, essenciais para a maturação e desenvolvimento do sistema sensório-motor oral da criança.

O desmame precoce da amamentação pode levar à rutura do desenvolvimento motor-oral adequado, provocando alterações na postura e na força dos órgãos fonoarticulatórios e das funções da mastigação, deglutição e respiração, que estão diretamente relacionadas com a introdução complementar após os 6 meses. (Ferreira et al, 2014). Assim, deve ser dada a devida importância à amamentação no desenvolvimento das competências orais do bebé e esta forma de alimentação deve sem dúvida ser privilegiada.

A ESMO no neonato e/ou a integração sensorial na criança:

  • previne a falta a privação sensorial;
  • contribui para o adequado desenvolvimento do sistema sensório-motor oral do bebé;
  • possibilita que o bebé beneficie de todas as vantagens do aleitamento materno;
  • proporciona o planeamento e coordenação oro-motoras para o desenvolvimento das funções orais ( mastigação, deglutição e fala);
  • permite ao bebé responder a cada estímulo de modo cada vez mais adequado e eficiente, organizando, assim, as suas experiências sensoriais e desenvolvendo, de forma sucessivamente mais complexa, as suas capacidades motoras, sociais e cognitivas. (kutscher & Glick, 2011).

Deste modo, na presença de qualquer dificuldade na amamentação e/ou na resistência da criança na introdução da alimentação sólida, deve sempre procurar o parecer de um Terapeuta da Fala – técnico especialista habilitado para trabalhar as funções em causa -, que poderá ajudá-lo respondendo a questões, sugerindo estratégias facilitadoras ou, se for o caso, realizar intervenção direta com os pais e com o neonato/criança.

 

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“O meu filho ainda não fala – ou fala mal -, porque é muito preguiçoso” ou “basta dar-lhe tempo e ele vai começar a falar sem ajuda” são dois mitos muito comuns e que, com certeza, já disse ou ouviu alguém dizer.

Hoje em dia, ainda há uma grande tendência para desvalorizar as questões da Comunicação, Linguagem e Fala, colocando-as num patamar inferior ao do desenvolvimento motor e à saúde em geral. No entanto, estas três áreas são da maior importância já que, quando existem dificuldades, podem prejudicar o bem-estar da criança e da família, as relações com os pares e com os adultos, a autoestima e mesmo as aprendizagens escolares (ainda que, à data das dificuldades, a criança ainda não frequente a escola).

É também comum a ideia, disseminada por alguns profissionais de Saúde, de que “fazer Terapia da Fala antes dos 3 anos – por vezes, quando a criança ainda praticamente não fala, não dá resultado”. No entanto, devemos pensar exatamente o oposto – é importante que a intervenção seja precoce, de forma a não agravar, ou mesmo criar novos problemas.

Existem sinais de alerta que podem ser observados a partir do nascimento mas, para efeitos de Terapia da Fala, os pais deverão estar progressivamente mais atentos à Comunicação e à Linguagem do seu filho a partir dos 12 meses. Nessa altura, o bebé já deverá brincar (de forma adequada à sua idade) e reagir quando brincam com ele – sorrindo ou imitando – e produzir alguns monossílabos. A partir dos 18 meses, é esperado que já compreenda instruções simples, que diga palavras simples e que faça alguns pedidos, ainda que de forma rudimentar.

A partir dos 2 anos surge a maioria das capacidades linguísticas logo, nesta idade, os pais deverão procurar um Terapeuta da Fala quando a criança:

  1. tiver um vocabulário muito inferior a 50-200 palavras
  2. usar apenas vogais ou uma sílaba para dizer quase todas as palavras
  3. disser uma palavra uma vez e raramente a repetir
  4. não apontar para partes do corpo
  5. não fazer nem responder a perguntas sim/não
  6. não juntar duas palavras para formar uma pequena frase
  7. tiver dificuldade em imitar gestos simples ou mesmo comunicar maioritariamente por gestos.

É exatamente nesta faixa etária, dos 2 aos 3 anos que, atualmente, surgem mais crianças para intervenção. Por atribuirmos um grande valor à prevenção e à Intervenção Precoce, cada vez mais surgem famílias preocupadas em resolver todas estas questões para que não haja repercussões mais tarde.

Nesta fase, o trabalho é maioritariamente aquilo a que chamamos “de chão”. Utilizando brinquedos adequados à idade, ou mesmo os brinquedos da criança, são feitas pequenas “brincadeiras”, sempre divertidas e muito dinâmicas, com a finalidade de atingir os objetivos que pré-estabelecemos. Para uma maior continuidade do trabalho, e porque este tem de ser feito em equipa, são sempre dadas estratégias aos pais para irem pondo em prática em casa. A família é sempre membro integrante da equipa!

Quando as crianças já são mais velhas, os pais deverão estar sobretudo atentos a dificuldades de Articulação, Linguagem ou Leitura e Escrita. Quando existem queixas na escola relativamente a alguma destas áreas, a forma mais simples de saber se existe algum problema que deva ser trabalhado é através da realização de um rastreio.

A Ipsis Verbis oferece rastreios gratuitos ao domicílio e em escolas, no distrito de Lisboa onde, de forma imediata, diz aos pais se existe necessidade de uma avaliação e posterior intervenção. Todas as sessões são completamente personalizadas, baseadas no gosto da criança e, sempre que possível, realizadas com base na “brincadeira”.

Por Inês Peres Silva Terapeuta da Fala Ipsis Verbis®

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