Vá, agora com profundidade…

Vi que foi o máximo. Foi divertido. Queres voltar e tudo.
Encolheste a barriga para aquela foto (quem nunca?!), saíste de uma face rosada sorridente e fofinha, para um estado de histerismo em menos de um segundo (entre o clique da foto e o instante seguinte).
Vi que as gambas estavam lindas na foto, mas que passaste o tempo a “chorar” porque foram caras.
Vi a foto com mais “gostos”. E lembro-me de que nem querias ir àquele local.
Vi as frases todas.
“Não há bem que sempre dure.”
“ A recarregar baterias.”
“A minha dieta são Bolas de Berlim.”
“Paraíso escondido.”
“Também mereço.”

Agora com profundidade…

Olha para as tuas férias e identifica os momentos que te fizeram mesmo crescer, descansar…

Identifica as experiências proporcionadas à tua família, às tuas crianças…

Pensa com quem estavas. O que estavas a fazer. Pensa no que foi mesmo marcante.

Às tantas, aquela dor, ou o sacrifício de uma visita a alguém que estava longe, no fim de uma estrada sem holofotes, foi o que nunca quererás apagar. Foi o marcante. Nem foi, afinal, sacrifício.

Se não fizeres a reflexão, corres o risco de, para o ano, encheres as férias com nada.

Eu já fiz a minha.
Sei o que me cansou, no bom e mau sentido. Sei o que desejo repetir. Sei com quem tive os melhores momentos. E porquê.
Sei em que fotos encolhi a barriga. Metaforicamente falando, claro. Não tenho barriga.
Sei o que foi o máximo. Divertido. Sobretudo, sei o que não quero voltar a fazer. Também sei que há coisas inevitáveis.
E sei que há acasos difíceis de repetir. Mas o importante é estarmos abertos a esses acasos. E sermos flexíveis para enfrentar o inevitável.

Gostei das partilhas. Agora, partilha contigo mesmo. Com profundidade.

 

LER TAMBÉM…

Os grupos de mães do FB são um fenómeno que já tiveram um grande Boom mas que, apesar de estarem mais “mornos”, continuam a mover muita mamã, muita opinião e muita troca de galhardetes.

Cada cabeça sua sentença, costuma-se dizer. Agora imaginem aquilo a que já nos habituamos a ver, mas adaptado a grupos de mães de crianças com alergias alimentares! God! Não se aguenta!

Dez tipos de mães (de crianças com alergia alimentar…) dos grupos do Facebook

  • Lavoisier

Para esta mãe, nas redes sociais nada se cria, nada se perde, tudo se transforma. É vê-la criar grupos temáticos no Facebook alimentados, única e exclusivamente, por conteúdos produzidos por terceiros. It’s a piece of a cake!

  • Caps Lockiana

Há alguém que lhe explique onde se desliga o raio do Caps Lock ou que usá-lo assim é como se estivesse a gritar? ANAFILAXIA! ALERGIA! RISCO DE VIDA! ADRENALINA. Áááá. Hum, ninguém?

  • Viral

Esta mãe está para os grupos do Facebook, como o Influenza para uma sala de espera de um hospital, no pico da gripe. Dissemina os seus posts em tudo quanto é sítio. Naqueles dias mais inspirados nem o placard de avisos do condomínio do prédio lhe escapa ou a porta do WC, da área de serviço de Aveiras de Cima.

  • Sassá Mutema

É a salvadora da pátria por excelência. Tem grandes planos para o seu bairro, para a comunidade alérgica e, quiçá, para o mundo… o problema é que não conhece nenhum dos três tão bem como isso.

  • Forasteira

Da forasteira sabemos pouco, apenas que está nestes grupos com uma “agenda” qualquer, a maior parte das vezes de índole comercial/promocional. Por vezes, salta a pés juntos para dentro de alguns posts, a dizer barbaridades, mas não o faz muitas vezes porque caem-lhe todas em cima. Go mums!

  • Abnegada

É aquela que cheia de entusiasmo partilha, por exemplo, a foto de umas novas bolachas sem leite, sem ovos e sem trigo, o rótulo destas e a confirmação da marca, por escrito, que a linha de produção é benzida e higienizada 10 vezes ao dia.

  • DiY

Uma partilha de uma mãe abnegada dá sempre o mote para a intervenção de uma mãe Do it Yourself (DiY).

O quê? Já viu a quantidade de açúcar, corantes e conservantes que essas bolachas, que acaba de partilhar, têm? Eu cultivo os meus próprios cereais, colho-os, torro-os, moo-os e envolvo-os nos mais exclusivos ingredientes, para dar origem a umas não menos exclusivas e muitooo mais saudáveis bolachas”.

  • Sibila

Quando os posts já vão longos há sempre uma sibila que chega para esclarecer dúvidas e apaziguar espíritos inquietos… por mensagem privada (MP). Atenção MI6, NSA, SIS, KGB, Inspector Gadget. Esta mãe sabe “cenas”.

  • “Mama”

A “mama” é uma mamã que algures no processo de evolução perdeu a capacidade de colocar acentos nas palavras.  Darwin explica isto muito bem.

  • Attenborough

A mãe Attenborough é uma estudiosa destes fenómenos sociais. Está em todos os grupos dedicados ao tema das alergias alimentares, mas raras vezes se envolve. Tudo em prol do distanciamento que a análise social requer, obviamente.

Experiências digitais na Adolescência: “like” / “dislike?

As nossas vidas foram irrevogavelmente alteradas com o aparecimento da Internet, mas para os adolescentes da atualidade (que já nasceram online) a realidade é praticamente digital. Não é estranho usar o telefone ou ipad para acalmar um bebé que chora, não é estranho ver crianças de 2 ou 3 anos agarradas a smartphones, não é estranho oferecer o primeiro telefone a uma criança de 10 anos… não é estranho ver um adolescente mergulhado em aplicações e redes sociais.

Para os adolescentes do século XXI “a vida” acontece nas redes sociais! E por isso ou conhecem bem as suas regras e normas de funcionamento… ou ficam de fora! Façamos então uma visita de estudo pelas redes sociais mais populares entre os jovens.

O Instagram permite a partilha de fotos e aplicação de filtros digitais, bem como compartilhá-los com outras redes sociais, como o Facebook, Twitter ou Tumblr, por exemplo. Quando se publica uma fotografia no Instagram, o objetivo é provocar reações na plateia: gostos, comentários, emojis… Um adolescente que acompanhei em consulta contou-me que ele e os seus amigos competiam entre si pelo maior número de seguidores e reações nas suas postagens. Talvez por isso, a grande maioria dos adolescentes com 16 anos tem mais de 1000 seguidores na sua conta e muitos deles nem sequer conhece (isto acontece mesmo em contas privadas). Muitos destes ‘posts’ chegam a concentrar 300 gostos, o que significa a aprovação de uma grande fatia dos seus seguidores. Outras fotos são publicadas em segundas contas (com nomes diferentes), para que não fiquem associados a si comportamentos como o consumo de álcool, drogas… ou presença em determinados sítios. Online é possível construir o perfil que se deseja.

Depois, sempre que um amigo publica uma fotografia de si, existe uma ‘obrigação social’ de gostar e essa obrigação é tanto maior, quanto a proximidade desse mesmo amigo. Uma opção segura, sobretudo para a selfie de um amigo é o emoji com corações ou elogios diretos como “que lind@”! Não é necessário muito mais do que isso para carregar as baterias de auto-estima de quem a postou. Sim, baterias que ‘carregam’ quando vêem os outros confirmar que são bonitos, admirados, seguidos, foco de atenção e, por isso, aprovados pelos outro; ou baterias que ‘descarregam’ quando este cenário não acontece.

Mais do que uma moda, a exibição contínua de auto-retratos (ou outras fotografias pessoais) pode denunciar tanto excesso… como falta de amor próprio! A linha que separa uma realidade da outra está (de uma forma simples) nas sensações e/ou expectativas que o usuário tem aquando da publicação: uns são vistos como exibicionistas, outros como carentes de afirmação e aprovação pelo grupo… ambos podem ser tanto criticados pelos pares, como admirados ao jeito de celebridades! É por isto que a adolescência é uma fase tão exigente!

Mas outra parte da realidade escondida nas fotografias que se publicam, são os comentários que se fazem. Que tipo de relações sociais estamos a construir na rede? Verdade que muito do que aqui lemos é transversal a adultos, mas quando pensamos em adolescentes a grande diferença consiste no facto de estarem em pleno processo de formação. Sabemos, por exemplo, que algo tão simples como a utilização de abreviaturas nas mensagens tem consequências no processamento cerebral e na linguagem.

Quando vemos adolescentes comunicarem grande parte do tempo em chat, jogarem online, namorarem através de aplicações, conviverem em grupos virtuais… quando vemos adolescentes constantemente atrás de um ecrã será pertinente questionar quais as consequências ao nível das competências emocionais e sociais? Dificuldade na expressão e leitura das emoções nos outros, falta de empatia, maior agressividade… Já em 2012, um estudo publicado pela Universidade de Coimbra alertava para uma percentagem significativa de cyberbullying nas camadas jovens através de SMS e redes sociais, mas sobretudo para a elevadíssima percentagem de jovens que admitiam ter presenciado casos de agressividade e humilhação pública na rede.

Instagram, Snapchat, Pokémon Go-Pro, chat’s de jogos online… há um mundo de interação adolescente que gera trilhões a nível mundial e muito contribui para esta falência socioemocional das futuras gerações. A comunicação mudou: antigamente, os adolescentes precisavam de conversar ‘na rua’ ou por telefone com os seus amigos. Hoje em dia, os adolescentes comunicam de forma vaga para uma legião de seguidores e desconhecidos e por esta razão é fundamental cuidar da imagem na net. Alguns adolescentes chegam mesmo a apagar posts que não atingem um número mínimo de gostos. O tempo de espera para chegar a 40 gostos, por exemplo, é de cerca de 2h… a partir daqui o post é apagado ou guardado para ser novamente publicado em melhor hora (normalmente, após o horário escolar). As selfies são ótimas oportunidades para mostrar uma roupa gira, um acessório novo, uma comida de fazer água na boca, um local diferente ou uma atividade interessante. Depois espera-se a reação dos seguidores, que é bem diferente se vem de um usuário masculino ou feminino, através de um sistema de comunicação emoji bastante desenvolvido! São mesmo muitos os adolescentes escravizados pela imagem perfeita, como principal impactante no bem-estar emocional e qualidade de vida.

O Snapchat é outra plataforma de publicação de fotos e vídeos, mas com a particularidade das postagens desaparecerem 24h depois. Isso diminui significativamente a pressão sobre todos (os que publicam e os que são alvo de publicação), mas também justifica as muitas horas que os adolescentes dispensam diariamente ao seu telefone, a produzir material novo para a web (excepto facebook que, para os adolescentes, é um currículo público, logo um aborrecimento atualizar) e a tentar gerar conversas em chat, muitas vezes sem a intenção de obter uma conexão real posteriormente. O que não é surpreendente, porque em chat, uma conversa que não gere interesse rápido pode terminar sem qualquer explicação, o que em conversas ao vivo será mais difícil de acontecer. Estamos mergulhados na cultura do rápido… do “fast relationship”.

Os adolescentes estão em constante mudança e a melhor forma de os conhecer ainda é interagindo com eles, observá-los com atenção, questioná-los sobre gostos, interesses, sentidos… Para os adolescentes watsapps, snaps e chamadas de vídeo são a vida real… Contudo, a capacidade de usar a tecnologia de forma segura, aproveitando todos os seus benefícios depende em grande parte da relação que tem com os seus filhos!

Nunca tivemos uma geração tão “social” e, simultaneamente, tão carente de pessoas.

Repitam comigo: “no meu tempo não era assim”. E notem que não era mesmo. Do que falo? Bom, de ter alunos em sala de aula, com nove anos, a perguntarem-me se tenho instagram. E a olhar para a minha camisola, com um passarinho azul (o Larry) e a dizer: “tens uma camisola com twiter”. Vai-se a ver e os pais deles seguem a  minha página no facebook e estão agora, do lado de lá do écran, a ler este texto.

No meu tempo não era assim. As redes sociais estão aí, fazem parte da nossa vida, miúdos e graúdos e todos nós devemos utilizá-las de forma segura e com moderação. Há professores e educadores que o fazem de forma inteligente e divertida, potenciando as boas práticas em sala de aula.

Ler também Com as novas tecnologias, onde fica o convívio social?

Eu tenho por hábito fotografar sempre o quadro da sala onde trabalho. Confesso que preciso muito do quadro, durante as aulas ou as oficinas de filosofia. Quando não tenho esse recurso, uso folhas para tomar notas e registar, de certa forma, o fluxo do nosso pensamento.  E sabem como é: no final da aula há sempre alguém que pede para apagar o quadro.  Nos primeiros tempos eu tinha que pedir encarecidamente para nunca apagarem o quadro sem que eu tirasse a fotografia. Agora são eles que perguntam “já tiraste a fotografia para eu apagar o quadro?”.  O meu telefone está sempre comigo em sala de aula, no bolso das calças, em cima da mesa, ao pé do quadro. Os alunos sabem que fotografo os trabalhos do pensar – no quadro ou nos seus cadernos. Às vezes pedem-me para tirar selfies.  E perguntam-me se tenho jogos, no momento em que há tempo livre. Falam com muita naturalidade do facebook . Discutem os modelos dos smartphones com um conhecimento e propriedade tais que nesse momento eu sinto que sou a aluna.

Para esta nova geração o mundo tem tudo aquilo com o qual eu me habituei a crescer – e  écrans, de tamanhos diferentes, com possibilidades de trabalho, de brincadeira que nós nem imaginamos.

Os alunos de hoje estão a ser preparados para profissões que talvez nem existam. Falo por experiência própria: quando tinha 9 anos não tinha sequer a noção de que poderia ser professora de filosofia para crianças ou community manager (outra das minhas ocupações profissionais).

Preocupa-me sempre a utilização que possa ser feita deste mundo  à distância de um click, de um sign in, de um like, retweet ou share. E essa preocupação relaciona-se com a ilusão de proximidade que possa criar – nos miúdos e também nos graúdos. Numa conversa que tive com a escritora Alice Vieira – e que ficou registada na Revista Gerador #7 – falamos sobre “as maquinetas a que [as crianças] têm acesso” e da sensação que temos de que os vidros é que as estão a educar.

Há dias fui almoçar com um amigo num restaurante. Olhei à minha volta e o cenário era o seguinte: numa mesa, dois adultos e uma criança a comer. Os adultos conversavam e a criança olhava para uns desenhos animados, num tablet poisado de forma hipnótica à sua frente (a verdade é que a criança não conseguia não olhar para ali). Outra mesa: Dois adultos e duas crianças, sem dispositivos móveis em cima da mesa, a conversar e a almoçar, tranquilamente. E ainda uma criança e dois adultos: estes teclavam nos seus telemóveis (estariam a fazer like na fotografia que o outro publicou do almoço que estava mesmo à sua frente?) e a criança olhava para cada um deles e puxava a camisola, a chamar a atenção. E isto são coisas que me obrigam a parar para pensar, sem rotular uns ou outros de maus ou bons pais. No meu tempo eu levava livros para os restaurantes, para me entreter. Nessa altura não havia tablets ou smartphones. O resultado é que hoje vos escrevo num escritório de trabalho onde há sete armários com livros de cima a baixo. E a verdade é que, no tablet, também se podem ler livros.  AH! E também podemos partilhar os livros que estamos a ler nas redes sociais – e quem sabe se isso não é o início de uma bela conversa com a pequena Clara, que “esteve a ver-me no instagram” durante as férias da páscoa?

Querida mãe perfeita dos comentários no FB :

Em primeiro lugar quero agradecer-te por apareceres para nos dizer que tu e os teus anjinhos fofos são tão melhores do que nós, as mães desmazeladas, preguiçosas, indisciplinadas, cujos filhos são insuportáveis e descontrolados.

Quando Deus te criou, deve ter partido o molde.  Nem sempre podemos vislumbrar a perfeição. Os teus comentários típicos de “Os meus filhos nunca fariam isso”, ou “Eu não sei o que isso é” ou “Os meus bebés sempre dormiram a noite toda” ou “Podias ser melhor mãe se…” acrescentam imenso às conversas de mães e realmente são uma inspiração. Obrigada.

Eu só tenho uma pergunta a fazer-te: tens algum problema? Alguma necessidade de diminuir os outros? Achas mesmo que és melhor que as restantes mães?

E já agora gostava de perceber se tens amigos na vida real, ou se a tua vida social se limita a largar bombas no meio de estranhas. Só pergunto porque tens uma sensibilidade social de um camião tir a despistar-se.

Isto pode parecer um choque para ti, mas criticar outras mães quando:

a) Não tratam mal os filhos;

b) Estão a dar o seu melhor;

c) Desabafar, pode ser e, é um pedido de ajuda;

… faz de ti uma idiota. Dar palpites que não ajudam é desnecessário e idiota. Sabias que ser-se idiota é ainda pior do que ser-se uma mãe inexperiente a tentar melhorar e aprender?

Vou só atirar uma para o ar: será que só tens um filho?

Sabias que é possível teres um ou dois filhos que não dão trabalho nenhum e de repente teres um diabo da Tazmania nas mãos?

A comunidade de mães do FB está morta para que sejas presenteada com um filho que te desafie de alguma maneira, só para perceberes o quão desesperante é alguém te apontar o dedo quando estás a fazer o teu melhor.

*Para aquelas mães que lhes “calhou” um terrorista logo à primeira: respect. Aguentem-se, força. Há-de melhorar.

Querida mãe perfeita,

se o teu anjinho amoroso tem menos de 1 anos de idade, pára de fazer comentários. Os bebés não se comparam com crianças de 2 anos ou com crianças mais velhas, quando falamos daquilo que te podem (literalmente) atirar à cara.

Qualquer mãe de 3 ou mais filhos pode explicar-te que há crianças que nascem completamente zens e a sua primeira palavra é Ghandi, e outras rebentam as águas num golpe de Karate e fazem logo xixi para cima da primeira enfermeira que lhes pega ao colo.

Isto é mais complexo do que Natureza Vs Genética: sabes que pareces uma cabra mal-intencionada quando largas as tuas bombas nos comentários dos posts?

Não és interpretada como um ser superior ou óptima mãe, mas sim como mesquinha e idiota. Todos os pais têm dias bons e dias maus. A diferença é que estas a atirar os teus dias bons à cara da mães que estão a ter um mau dia. Essa é que é essa.

Eu só estou a tentar ajudar…” Yeah right. Se quisesses mesmo ajudar ou dar alguma sugestão construtiva, conseguias fazê-lo.

Continua a julgar e a dizer ao mundo o quão maravilhosa és enquanto mãe.

Lembra-te apenas que, na verdade, estás realmente a dar-nos uma lição sobre parentalidade: nós não queremos que os nossos filhos cresçam como tu.

Caso não tenhas filhos faz-nos um favor e esbofeteia-te. Dares palpites baseando-te no que vês na TV, ou baseado na experiência que tens com primos e sobrinhos, ou até nas tuas memórias de infância, é como achares que podes desvendar um crime porque costumas assistir ao CSI.

Todos nós temos as nossas opiniões silenciosas sobre a forma como as outras mães gerem a educação dos seus filhos. Mas as pessoas inteligentes conseguem não opinar, porque, no limite, não sabemos como é a vida destas mãe e não estamos lá todo o santo dia.

A não ser que queiras realmente ajudar positivamente, não cagues sentenças só para te enalteceres.

Isto não é um concurso.
As mães agradecem.

 

Bunmi Laditan, para Scary Mommy
traduzido e adaptado com autorização por Up To Kids®

Todos os direitos reservados

imagem@Shutterstock

Existe um fenómeno social no FB que é a adesão aos grupos de mães. Para quem não é mãe e para quem anda a dar os primeiros passos nas redes sociais desde que elas existem, os grupos de mães são grupos secretos e restritos dos quais só podem fazer parte, como o nome indica, mães.

As mães são muito críticas com as opções das outras mães – não fossemos todas mulheres… – mas se por um lado criticam pelas escolhas de cada uma, por outro, apoiam-se incondicionalmente quando uma cria está em perigo. Independentemente de quem seja a cria. É a síndrome Mãe-galinha.

É preciso ser mãe para compreender outra mãe. As mães são como uma seita secreta em que os membros se reconhecem por um qualquer sinal que os identifique. Neste caso, são as olheiras, cansaço e rabugice. E os grupos on-line. Muitas são as mães que se vão (re)conhecendo do ecrã para a vida real.

Os grupos de mães do FB são grandes fóruns onde estas guerreiras se apoiam. Para o bem e para o mal, na saúde e na doença, na fartura e na miséria até que as crianças cresçam (depois disso as preocupações serão outras)

mom

Com o avançar do tempo, os grupos foram ganhando dimensão. As mães criaram amizades com outras mães. Fizeram-se festas, arraiais, jantares, piqueniques. Criaram-se novos grupos, novas marcas, negócios, contactos e parcerias. Já houve discussões, já se perderam amizades.

Já se movimentou muita gente para ajudar alguém. Já se criaram correntes de oração. Já se chorou em conjunto a dor de outra mãe. Já se alteraram fotografias de perfil em massa e acenderam-se centenas (milhares?) de velas, na mesma noite, cada uma em sua casa.

Já houve burlas (e grandes), já se deram reportagens.

Trocaram-se impressões, mezinhas, receitas, palpites, dicas, galhardetes e bitaites.

Os grupos, têm funcionado como um par de muletas para muitas das mães. Para outras, é um pagode sem fim.

Temáticas e especificidades à parte, a verdade é que em todos eles encontro um comportamento padrão de algumas mães, que eu acho que precisam de parar imediatamente.

Será mau feitio ou alguém está comigo?

  1. Perfis falsos.
    Nunca consegui perceber porque é que alguém cria um perfil falso, mas calculo que não seja por um bom motivo. Esconder-se atrás de um computador a opinar sobre tudo e todos é pior do que a porteira bucal e sorrateira que veio lá da terra, para cochichar sobre a vida dos outros.
  2. Diminutivos e nomes fofuxos para tudo
    Filhotes são os cães, menino é o Jesus, o Senhor está no Céu, a Dona é a da frutaria, o bebecas é bebé, e namorido… nem sei o que dizer. Ou casa ou não casa, esquece lá esses termos intermédios. Os nomes certos para cada coisa por favor. Mesmos que não pareça tão divertido, tá fofuxa? Xau bebecas.
  3. Partilhar mais do que queremos saber.
    Querida mãe: quando fazes um post a dizer que o teu bebecas caiu da cama porque estava a chorar e não foste lá à 1ª nem à 10ª porque estavas tão entretida a espremer as borbulhas das nalgas do teu namorido, que desde que fez a depilação integral cria estes furúnculos dolorosos,… por favor…!Pergunta logo qual é o raio do gel para as contusões, e poupa-nos os pormenores.
  4. Charadas e enigmas para quem quiser andar à pesca
    A mãe que está sempre a fazer posts enigmáticos, à espera de uma réstia de atenção das demais: – “Não acredito nisto” – Já está! Agora fica toda a gente a pensar que estás grávida de quíntuplos!Se precisas de atenção mais vale dizeres diretamente o que aconteceu. A não ser que seja “Apanhei o meu marido com o meu fio dental tigresse.” -Nesse caso, voltar ao número 3.
  5. Posts em catadupa.
    Eu adoro ler os teus comentários e os teus posts (juro, és a rainha da festa). Mas também gosto de ler os das outras mães. Não queiras ser aquela mãe bloqueada por toda gente.
  6. A idade dos bebés em semanas.Já não aguento fazer mais contas. O teu bebé tem 32 semanas? E Nasceu em que ano? É que estou meia perdida! Ou estarás grávida ainda?
  7. Fotografias sem censura
    Fotografias tuas, dos teus filhos, do teu cão e do periquito em alta definição, daquela parte do corpo onde o sol não chega, não partilhes sff. A gerência agradece!
  8. Escrever com demasiados erros ortográficos, gramaticais ou linguísticos
    Gralhas há em todo o lado. Se tens um teclado estrangeiro ou és emigrante, vá…. Mas nós temos net, temos dicionários on-line, temos dicionários instalados nos nossos computadores. No caso de dúvida,  pergunta. Se deste um erro e te chamaram a atenção: agradece e aprende com isso. O saber não ocupa lugar, e não há idade para aprender!
    BTW: quando tiveres duvidas: lambes-te, refere-se a ti própria; lambeste é algo que já passou! Se não tem nada a Haver, é porque não há troco, e mamas são no soutien!
    De nada.

 

Por Laura Figueiral, para Up To Kids®
Todos os direitos reservados

Passamos a vida a criticar o método (de vida) do vizinho. A facilidade com que se entra no bullying apenas com o intuito de ficar a olhar de “CIMA”, e de nos sentirmos seres todos poderosos. Há mesmo quem só tenha graça a falar mal dos outros.

As redes sociais vieram aumentar fenómenos de grupo perigosos. As pessoas unem-se para apontar o dedo a um pobre coitado que errou. Errou na cor das cuecas, ou na quantidade de sopa que dá aos filhos, errou porque gasta o dinheiro onde bem lhe apetece. ERROU! O estúpido ERROU!!!

E merece que todos os outros que “nunca erraram”, demonstrem desagrado e até que aproveitem para achincalhar a pessoa em questão. Depois de o verem espezinhado e completamente nu, aparecem as vozes protectoras com o intuito de demonstrar que também sabem ser bons samaritanos. No dia seguinte já ninguém se lembra de nada. Passou! Aquilo que parecia ser algo de extrema importância, deixou de ser assunto de conversa. ACABOU!

Mas, o ciclo começa de novo e repete-se vezes sem conta. Atenção! Por vezes não houve erro da parte da “vítima”, só não fez aquilo que toda a gente faz: leva os miúdos ao colégio no seu desconfortável topo de gama da ferrari; dorme em lençóis de seda de tal forma bons que quando entra na cama sai a escorregar pelos pés; convida a Madonna ou o Tony para animar a festa do filho de 3 anos; passa a vida a partilhar fotografias dos pés cheios de calos, em praias paradisíacas; não sabe andar de saltos agulha, mas anda; expôs-se demais; porque lhe pedimos a opinião e não ia de encontro à nossa… Discutir este tipo de coisas é importante! E leva-nos a … quer dizer… é bom para???? Ahhh! Exactamente! NADA! Enche-se o ego, vomita-se umas palavras lindas de morrer (muito convincentes) e dá-se umas sovas em pessoas que não são como nós. Sim, inteligente! Quando tantas vezes se escondem atrás de um ecrã, de um perfil falso ou de uma religião (que me perdoem esta da religião, mas ultimamente é com cada beata sonsa, achei que esta geração era mais evoluída neste aspecto). Apenas para poderem deitar cá para fora e inundar o mundo com toda a sua raiva e inveja. Única e exclusivamente por não conseguirem viver as suas aborrecidas vidas.

Meus amigos, não me estou a excluir… também eu já caí nesta estupidez! Partilhei a minha opinião, igual à de outras 20 pessoas… como se a minha opinião trouxesse algo de novo. Neste caso é apenas mais uma pedra que se atira! Todos temos alguma maldade dentro de nós …. é verdade. Mas também temos um lado bom que nos leva a ser auto-críticos e a descobrir estes erros que vamos cometendo.

Exigimos dos outros aquilo que nunca poderíamos exigir de nós próprios? Qual o objectivo?

“A primeira página do jornal de hoje embrulha o peixe de amanhã”

 

Imagem capa@shifter.pt