Todas as crianças sofrem com o divórcio. 4 Dicas para pais preocupados

Seja qual for a idade dos seus filhos todos sofrem de alguma forma com o divórcio. Quer seja no momento ou uns anos depois.

Apesar de todos os desencontros que a vida possa trazer, o único que não deve ocorrer é com eles mesmos, por esse motivo, seguem alguns conselhos/dicas para todos os pais preocupados:

1- Comunicar eficazmente com os filhos

Os filhos devem ser informados do que se está a passar, afinal, serão os principais afetados de todo o processo. Inevitavelmente um dos pais passará a estar mais ausente. O filho deve entender que a culpa não é sua e que o pai ou mãe não passa a gostar menos dele por não estar a viver debaixo do mesmo teto;

2- Os filhos em primeiro lugar

Independentemente de todas as alterações, seja na morada, seja uma nova companheira do pai ou companheiro da mãe, sejam irmãos, o filho deve sempre sentir que é amado e não foi esquecido no meio de todas as alterações na vida dos pais;

3- Uma boa relação entre todos.

É importante que todos se deem bem! Apesar do que possa ter ocorrido e da mágoa que possa ter trazido, há alguém que é fruto de algo que já existiu e que com certeza quererá que todos se deem bem. Que todos estejam presentes nas suas ocasiões especiais, sem rancores ou mau ambiente;

4- Sintonia na forma de educar

É importante que todos estejam em sintonia com a educação e decisões dos seus filhos. Os assuntos devem ser discutidos em particular para apresentar uma força unida apesar da rutura, de forma a não confundir os filhos e não criar situações em que se possa ouvir a frase “se fosse o pai/mãe deixava”.

O divórcio é uma mudança na vida dos pais, das famílias mas também dos filhos. Isto não deve ser esquecido pois é necessário dar-lhes a entender que a culpa não é deles e que são igualmente amados pelos dois.

Não se deve esquecer:

o divórcio é muitas vezes a ruptura necessária para a construção de uma estrutura mais firme no futuro.

 

Por Catarina Marques Lobo, Assistente Social

Gerir o divórcio com filhos: dicas para pais preocupados

Seja qual for a idade dos filhos, todos sofrem de alguma forma com o divórcio. Poderá ser no momento da separação ou uns anos mais tarde.

Apesar de todos os desencontros que a vida possa trazer, havendo filhos o divórcio deve ser sempre gerido em torno deles. Assim, seguem alguns conselhos/dicas para todos os pais preocupados:

1 – Comunicação – Fortalecer o diálogo

Os filhos devem ser informados do que se está a passar. Afinal, serão eles os principais afetados de todo o processo. Inevitavelmente um dos pais passará a estar mais ausente (nem que seja de forma alternada). Os filhos devem entender que a culpa não é sua e que os pais não passam a gostar menos deles por não estarem a viver sempre debaixo do mesmo teto;

2 – Os filhos em primeiro lugar: redobrar a atenção

Independentemente de todas as alterações, seja na morada, seja uma nova companheira do pai ou companheiro da mãe, sejam irmãos, o filho deve sempre sentir que é amado e que não foi esquecido na vida dos pais;

3 – Evitar discussões e ambientes de tensão

É importante que todos se dêem bem! – Apesar do que possa ter acontecido e da mágoa que possa ter trazido, há alguém que é fruto de um amor que já existiu e que com certeza quererá que os pais consigam ter uma relação cordial e que estejam presentes nas suas ocasiões especiais, sem rancores ou mau ambiente;

4 – Sintonia na educação

É importante que todos estejam em sintonia com a educação e decisões dos seus filhos. Os assuntos devem ser discutidos em particular para apresentar uma força unida, de forma a não confundir os filhos e não criar situações em que se possa ouvir a frase “se fosse o pai/mãe deixava”.

O divórcio é uma mudança na vida dos pais, das famílias e dos filhos. É necessário explicar-lhes que a culpa não é deles e que são igualmente amados pelos dois.

Não se deve esquecer: o divórcio é muitas vezes a rutura necessária para a construção de uma estrutura mais firme no futuro.

 

Por Catarina Marques Lobo, Assistente Social

Quando os pais se divorciam…

Como fica a criança, quando os pais se divorciam?

Os pais são o melhor do mundo para as crianças, é como se fossem assim uma entidade superior comparando com todas as outras.  Mas, quando o pai e mãe se separaram, como fica a criança? Qual é o seu lugar?

Ora, por entre uma discussão e um fazer de malas, uma criança muitas vezes sente-se apenas sozinha. Quando, de repente, uma criança é confrontada com a separação dos pais, pode acontecer que reaja de várias formas, sendo que, não raras as vezes, reagem com indiferença, raiva ou tristeza. Isto é, ou a criança reage com uma aparente indiferença, como quem diz “não tenho nada a ver com a vossa vida, não quero saber”, ou reage com uma revolta canalizada para os progenitores, como quem diz “vocês são culpados de todos os males e é uma injustiça”. Ou em alternativa, a criança reage cheia de efeitos especiais, com choro e uma tristeza profunda, como o quem diz “se se separarem a minha vida acaba e nunca mais vou ser feliz!”.

Perante tudo isto, nem o pai, nem a mãe se devem sentir fragilizados e voltar atrás numa decisão tão importante e tão pensada como um divórcio. Sim, porque quem se divorcia, não o faz de ânimo leve, habitualmente é uma decisão pensada e repensada.

Os pais enquanto pais e enquanto indivíduos

Nunca os pais devem evitar uma separação apenas com a ideia de que é melhor para as crianças. Pois, um pai e uma mãe com uma má relação entre si, serão seguramente piores pais, do que, um pai e uma mãe que, com sensatez e cuidado, decidem divorciar-se, tornando-se assim, mais felizes cada um deles a nível pessoal e, por consequência, melhores pais.

Os pais são tão melhores, quanto mais tempo tiverem para si e mais felizes forem, enquanto pessoas. Apesar de quando nasce um filho, os pais sentirem que aquele filho pode representar todo o mundo para eles, nunca se devem esquecer da sua individualidade e de cuidarem de si, isto, se querem ser bons pais.

Desta forma, o que devem fazer os pais com as reacções dos filhos ao divórcio?

Devem ser capazes de aceitar e suportar a reacção da criança, isto é, é natural que a criança se zangue, ou fique triste com uma separação dos pais. Esse assunto nunca deve passar a tabu, e deve ser falado com a criança de forma a que os pais a ajudem a ligar tudo dentro dela. Se a criança tiver necessidade de chorar ou temporariamente ficar triste, devemos permitir-lhe que o faça e que expresse tudo aquilo que está a sentir relativamente à nova situação familiar.

Ora, assim sendo, o essencial numa separação é que a criança nunca se sinta culpada e que nenhum dos pais, ou avós, sejam culpados pela separação. Isto é, o divórcio dos pais só acontece porque os dois pais em conjunto tomaram essa decisão que nada tem a ver com o comportamento ou postura de algum dos filhos.

Onde está a culpa quando os pais se divorciam?

É ainda essencial, que os pais não se culpem mutuamente. Não são raras as vezes, em que o pai ou a mãe culpam o outro progenitor da separação e o fazem deliberadamente para obter uma simpatia superior dos filhos, ou a compaixão da outra figura paterna. Também nos cruzamos várias vezes, com situações em que os pais culpam os avós pelo desfecho da relação. Mesmo que efectivamente exista um culpado, o essencial é que os pais percebam que para a criança ambos são figuras de referência e como tal, todas as crianças têm o direito a uma figura parental positiva. Assim, mesmo que o pai ou a mãe tenham um conjunto de características que o outro progenitor reprova, a criança tem direito à protecção da imagem dos pais. A criança não pode ser colocada num conflito de lealdades, como quem para estar com a mãe não pode gostar do pai e para estar com pai tem de deixar de gostar da mãe.

Um pai e uma mãe com sensatez, devem permitir que a criança goste e pratique o amor para com o outro progenitor. O mesmo deve acontecer perante os avós.

O pais devem reagir em conformidade com a protecção da criança, assumir a decisão em conjunto, sem culpas para ninguém. Se comunicarem a decisão com firmeza, com a certeza de que convictamente sabem que esta decisão é o melhor para todos e com afecto, mesmo que haja um período inicial difícil, as crianças irão aceitar. As crianças irão adaptar-se e compreender todos os lados da decisão dos pais e destas novas circunstâncias.

Por Cátia Lopo e Sara Almeida Psicólogas Clínicas

Homens com filhos vs Mulheres com filhos

Há uns tempos falava com uma amiga sobre uma pessoa que ambas conhecíamos e que era agora pai. A conclusão a que se chegou, sendo a pessoa em causa um pai carinhoso e extremoso é que era “muito sexy um homem que é bom pai”. E por sexy entenda-se apelativo, as mulheres gostam de ver, de ficar a observar, há algo dentro delas que se desmancha e que lhes transmite uma tranquilidade, algo que as faz pensar que é boa pessoa, sem qualquer sombra de dúvidas, porque afinal, é bom pai.

Pensava eu sobre este assunto e deparei-me com a diferença de julgamento que a sociedade faz em relação as homens e mulheres com filhos no geral e, em particular, quando esses homens e essas mulheres são solteiras (divorciadas, separadas, solteiras de “raiz”).

A verdade é que hoje em dia muito menos casamentos/relações se mantém por causa dos filhos, em comparação com o que acontecia na geração dos nossos pais. É certo que em alguns casos parece a quem está de fora que as pessoas mandam a toalha ao chão com demasiada facilidade, quando antigamente se “lutava”, mas acredito que cada caso é um caso. E as pessoas sentem menos dependência financeira e tomam mais decisões com vista ao seu bem-estar, ao bem-estar e felicidade dos seus filhos, procuram ser verdadeiros consigo e com os outros. E por isso há homens e mulheres relativamente novos que têm filhos.

Tenho uma amiga que tem três filhos, cada um de um pai diferente. Se eu contasse a quantidade de vezes que ouvi comentários depreciativos em relação a essa questão já tinha perdido o fôlego. Não sejamos cínicos, olha-se ainda de “dedo apontado” para estas pessoas, principalmente se forem mulheres. Se teve um filho com cada homem é porque não deve ser coisa boa, quem é que a atura, vai fazer filhos com o primeiro que mete dentro de casa. Se for um homem é porque não encontrou a companheira certa, a pessoa que o fará assentar. Que sabemos nós sobre a vida das pessoas? Quem somos nós para julgar?

Eu também julgo, sou humana, mas acontece-me mais sentir uma certa admiração por estas pessoas. Uma pessoa que quis ir em frente, que acreditou que tinha encontrado a pessoa certa ao ponto de ter um filho com ele, uma pessoa cujo valor é independente das escolhas que faz porque quantas e quantas vezes a vida nos acontece mesmo quando fazemos tudo certo, quando só queremos o nosso bem, o bem dos nossos filhos, um futuro estável?

Se se fala a uma amiga solteira de outro amigo mas avisamos que tem filhos, que passa tempo com eles, que é um pai dedicado, então a amiga pensa: “deve ser maduro”. Pensa “é altruísta”. “Mesmo tendo filhos quero conhecê-lo, pode ser complicado, mas dá-se um jeito, logo se vê”.

Se falamos de uma amiga que tem filhos a um amigo franze logo o cenho. “ As mães são muito complicadas, trazem muita bagagem. De certeza que põe os filhos em primeiro lugar (spoiler alert: se uma mulher que é mãe não puser os filhos à frente de um desconhecido que a quer levar a jantar fora então é caso para ficar de pé atrás, digo eu), não vai ter tempo para mim”.

Ainda que muito do que foi filtrado em ambas as conversas possa ser verdade, no caso dos homens os filhos são um atrativo, no caso das mulheres um obstáculo.

Talvez seja por ser mãe, mas defendo sempre uma mulher que, apesar de ter filhos, quer continuar a ser uma mulher. E se já é absolutamente fantástico uma mulher conseguir ser amiga, inteligente, interessante, culta, boa no seu trabalho, boa mãe, então se essa pessoa decide encontrar espaço para a sua felicidade e a procura então passa de fantástica a épica.

Felizmente ainda há homens que as vêem assim, que decidem arriscar, que apesar do medo que sentem, das inseguranças que todo um passado traz para uma relação, dão um passo em frente.

E há mulheres também que se apaixonam e se dedicam a fazer as coisas funcionar com homens que apesar de serem bons pais têm histórias complicadas com a família e, mesmo assim, não fogem.

Porque se um pai ou uma mãe deixar entrar uma pessoa nova no seu círculo, a deixar chegar perto dos filhos, então é porque também ele/ela fez uma escolha e para o bem de todos espera-se que tenha sido das boas.

Hoje em dia é tramado encontrar alguém bom.

E ser pai ou ser mãe é uma característica, não um defeito.

Oh, se está longe de ser um defeito…

Mas que sei eu? Sou simplesmente uma mãe.

Porque nem todas as “Madrastas” são como a da Cinderela

Os meus pais separaram-se quando eu tinha quatro anos. Na altura, era muito pequena para entender o que se estava a passar, por isso, acho que até aceitei bem essa situação. A minha mãe tem uma profissão que a faz viajar muito e, naquela altura, eu fiquei a viver com o meu pai. Viver com o meu pai era como estar a viver num castelo encantado. Eu era a princesa dele, fazíamos tudo juntos: cozinhávamos, passeávamos, víamos televisão e muitas vezes dormíamos juntos. O meu pai era o meu herói! Durante anos, fomos só nós os dois e eu era muito feliz assim.  Quando tinha nove anos de idade, fomos ao jardim zoológico e o meu pai perguntou-me se podia levar uma amiga. Eu estranhei, pois o meu pai nunca me tinha falado em tal amiga, mas para ele não ficar triste, acenei dizendo que sim. Ela foi ter connosco à porta do jardim zoológico, era alta, magrinha, muito gira e tinha um sorriso enorme – parecia que ia matar saudades de alguém, facto este que não me agradou. Passámos o dia todo juntos e houve coisas que eu não “curti” nada: trocas de olhares; sorrisos; gargalhadas; vi-os a darem as mãos, coisa que eu não permiti e fui logo a correr para tentar separá-los. O dia terminou e finalmente chegámos a casa. Eu tentei entreter o meu pai com mil e uma coisas, para não ter de ouvir a única pergunta que eu tinha estado o tempo todo a evitar: “Então o que achaste da minha amiga?” Naquele momento pensei em muitas coisas horríveis para lhe responder, mas acabei por responder apenas: “É simpática, mas prefiro quando estamos só nós os dois.”

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O tempo foi passando e para minha infelicidade, o meu pai começou a levá-la para alguns passeios que fazíamos juntos. Até que um dia, convidou-a para jantar lá em casa. Ele fez a minha comida favorita (até aí tudo bem), vestiu-se como um príncipe e o jantar até correu bem, mas depois o meu pai disse para eu me sentar no sofá porque eles tinham uma coisa para me contar (como se eu não soubesse que eles eram namorados): “Eu e a… gostamos muito um do outro e estamos a pensar viver todos juntos.” O QUÊ ?! Eu pensava que me iam contar que eram apenas namorados, não que aquela “senhora” ia viver connosco.

Naquele momento, eu respondi que não queria, fui a correr trancar-me no quarto e chorei até adormecer. No dia seguinte, o meu pai foi falar comigo e prometeu-me que nada na nossa relação ia mudar.  No fim-de-semana a seguir, ela foi lá para casa e eu não reagi muito bem. O meu pai disse que nada entre nós ia mudar, mas para mim tudo estava a mudar, tudo era bem diferente. Ao contrário das minhas amigas que tinham pais separados, eu não sentia que ela ia ocupar o lugar da minha mãe e muito menos que o meu pai estaria a trair a minha mãe, até porque eu já tinha superado a situação de separação dos meus pais e a minha mãe também já tinha um namorado. O que eu senti foi que tinha perdido toda a atenção do meu pai, ou melhor, que tinha de dividir a atenção com ela. Pior, senti ainda que o meu pai já não gostava de mim como antes e isso irritou-me muito!

Details

Querido pai,

Sei que nunca sonhaste ter filhos, não fizeste planos nesse sentido e hoje, tantos anos depois, tens três. Deixa-me dizer-te que para quem não ambicionava tal coisa, fizeste-a bem.

O mano e eu chegámos e mudámos a tua vida. Não me lembro dessa fase, mas sinto que a vivo um bocadinho através das fotografias que vejo, das histórias que me contam.

Lembro-me vagamente da conversa que tivemos e em que explicaste que ias viver para outra casa. Na altura não o entendi, hoje aperta-me o coração entendê-lo mas tranquiliza-me saber que correu tudo bem. Que a mãe e tu fizeram um trabalho incrível em tentar que a nossa vida (minha e do mano) continuasse o máximo possível como a conhecíamos. Hoje, essa foi a vida que vivemos e mal nos lembramos de quando éramos os quatro debaixo do mesmo tecto.

Pouco importa, porque sei que a vida é assim mesmo. Tomam-se decisões, a vida avança, faz-se o melhor que se pode.

E eu sou quem sou porque vivi tudo isso, porque cresci rodeada de amor, porque, ao contrário de tantas crianças, nunca fui infeliz por ter os pais separados.

Vi-te desenrascar-te na cozinha para que o mano e eu tivéssemos as melhores refeições, as mais saudáveis e completas. Vi-te ajudar-nos nos trabalhos de casa sem os fazeres por nós. Vi-te organizares os fins-de-semana para que fizéssemos sempre qualquer coisa juntos, já que era “o nosso tempo”. Vi-te levar-nos às compras e explicar-nos o que valiam, o que custavam. Vi-te passares as tuas férias repleto de actividades que eram boas e divertidas para nós sem nunca te queixares. Nunca. Vi-te ser um bom filho e, sem saberes, a incutir-nos esses valores de respeito para com os avós. Vi-te ser um bom irmão mais velho para os teus irmãos, a ajudar sempre, a estar presente e a não deixar transparecer a dor quando a vida te roubou a oportunidade de continuares a fazê-lo para sempre. Vi-te voltar a ser pai sem que isso te fizesse descurar os filhos que já cá estavam. Vi-te ensinar a mana a comer, a falar, andar, a brincar. Vi-te protegê-la e cuidares dela, mais perto do que fizeste connosco, mas com o mesmo amor. Vi-te preocupares-te comigo e com o mano, com o nosso futuro. Vi-te ficares feliz com as nossas conquistas, com as nossas escolhas. Vi-te ajudares como podias sempre que as coisas não corriam como planeado. Vi-te sonhar os teus netos. Vi esse dia chegar uma e outra vez. Vi-te ser avô, um avô tão brincalhão e divertido como sempre foste como pai. Tão sério e correcto nas alturas certas. Tão babado que nos deixa, ao mano e a mim, babados também.

É por tudo isto que não tenho pudor nenhum em dizer que sou filha de pais separados. Tive um pai mais presente (tenho) do que muitas pessoas têm a sorte de ter, mesmo com os pais juntos.

Tenho um pai que me conhece, que não precisa de muito para saber o que se passa comigo – seja bom ou mau.

Tenho um pai como todas as crianças, independentemente do casamento dos seus pais, deveriam ter. Tenho a sorte de ter um pai. Ponto.

 

Querido pai da minha filha:

A nossa Mariana já começa a saber a sorte que tem por te ter como pai. Quer fazer as coisas em conjunto, em família. Sabe-lhe bem ter-nos aos dois presentes sempre que possível. Gosta de nos dar a mão, uma a cada um, enquanto andamos na rua. Porque é isto que nos espera: um caminho em que o ideal é caminharmos lado a lado – a três, enquanto não formos mais.

Ambos vimos de casamentos que terminaram, ambos tivemos de aprender a gerir as saudades, as expectativas. Ambos queremos que a Mariana nunca tenha de o fazer (por mais positiva que tenha sido a nossa experiência).

Sei que ela vê aquilo que eu vejo:

Um pai que, acima de tudo, é todo amor.

Um pai que a conhece e sabe como brincar com ela.

Que ensina, mas é flexível.

Que canta mesmo sem conseguir acertar nas melodias.

Que usa os truques certos nas alturas exactas.

Que tem uma cumplicidade como vemos poucas.

Que a inclui e não a trata como tontinha, que sabe que ela compreende tudo, dentro das suas capacidades.

Que a vê como uma extensão sua: com os sonhos ainda a desabrochar, com um sentido de humor apurado, com uma perspicácia incrível.

Que é um companheiro perfeito.

Está a ser uma viagem e tanto. Graças aos meus pais (ao meu e ao da minha filha) sou uma pessoa melhor. Uma mãe melhor. Uma filha melhor.

Sou, toda eu gratidão.

Obrigada, meus amores.

 

P.S. – Sei que nos processos de separação nem sempre os adultos agem como devem. Por incapacidade, por indiferença, por mágoa. O essencial, na minha experiência, é parar para pensar: se fosse connosco como gostaríamos que as coisas acontecessem? Pode fazer toda a diferença. Se se está a separar e tem filhos, procure ouvi-los. Se ainda não são capazes de se exprimir, procure compreendê-los. Procure não lhes “roubar” mais do que aquilo que inevitavelmente terá de acontecer. Se é filho, procure compreender os seus pais. Faça-se ouvir: sem exigências, sem julgamentos, sem os deixar com peso na consciência. O diálogo é a chave. E na ausência de palavras, deixemos o amor falar mais alto.

Alienação Parental!?!?

Hoje sinto-me triste, angustiada e com medo….

Que mundo é este em que em nome do amor, ou melhor, de um suposto amor que não consigo compreender, não se olha a meios para atingir fins e como se fossem máquinas trituradoras, as pessoas vão destruindo tudo o que está à volta!?

Que justiça é esta que em vez de actuar como guardiã dos direitos das crianças, protegendo-as e prevenindo o seu desgaste emocional, age com base em ideias e conceitos pré-concebidos!?

Afinal o que é isto da Alienação Parental!?

Desde que comecei a acompanhar um caso onde a “suposta síndrome de alienação parental” era referida em todos os documentos e pronunciada em voz alta como justificativa de todos os comportamentos do menor e ajudava a camuflar as acusações a que os progenitores estavam sujeitos, dei por mim a pensar muito sobre este tema….

Antes de mais sou uma convicta defensora dos direitos quer dos pais, quer das mães ao convívio com os filhos e considero que uma criança deve crescer com a presença de ambos os progenitores na sua vida, mas acima de tudo sou uma defensora dos direitos das crianças! São poucas as situações de divórcio que decorrem com a integridade, serenidade, altruísmo e bom senso que o momento exige e infelizmente são poucos os adultos que conseguem colocar de lado o seu bem-estar pessoal, as suas angústias, medos, culpas, raivas e tantos outros sentimentos que se misturam nestas ocasiões, em benefício dos menores, na proteção das suas emoções, do seu equilíbrio e da sua felicidade.

É nesta conjuntura de desarmonia que surgem conceitos como o da alienação parental – Disfunção nos relacionamentos estabelecidos no sistema familiar com ação abusiva de um dos progenitores que influencia e manipula a criança a desenvolver uma imagem negativa ou mesmo repúdio pelo outro progenitor

Este conceito introduzido por Richard Gardner em 1985 é tão complexo que a Associação de Psiquiatria Americana na sua última e recente revisão do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, não aceitou, para já, incluir esta “síndrome” nos vários transtornos que o manual reconhece e caracteriza. No entanto, e embora não existam ainda critérios de diagnóstico definidos pela comunidade científica que nos permitam identificar e determinar a sua ocorrência, este conceito, tem sido amplamente utilizado pelo sistema judicial, muitas vezes com claro prejuízo das averiguações necessárias na real defesa do interesse dos menores.

Será que a Justiça Portuguesa viu neste novo conceito uma solução mais fácil e linear de resolver problemas complexos e simplificar o processo de decisão? Será que é uma forma mais simples de deliberar sobre casos para os quais na realidade não temos recursos necessários, ou não despendemos os recursos necessários, para concluir e decidir com segurança pelo bem-estar do menor?

Na verdade, aquilo que poderia parecer como algo facilitador do processo legal tem sido um obstáculo à seriedade e à verdade e temos assistido a deliberações jurídicas verdadeiramente arrepiantes. Quanto mais cresce esta moda da “Alienação Parental” mais parece que tudo encaixa nesse enorme e subjetivo conceito e pior porque parece que possibilita uma certa desresponsabilização dos diferentes intervenientes no processo, que avaliam e decidem de forma rápida, assuntos sérios e de difícil averiguação.

Alienação Parental, infelizmente existe sim, mas nem tudo é alienação parental! 

A relação terminara há muito. Nada voltaria a ser como antes e a cada dia que passava o mal-estar aumentava arrastando tudo à volta de ambos…Já não dormiam em sono profundo, já não sentiam vontade de estar um com o outro mas quando se separavam parecia que alguma coisa faltava…Os dias corriam e ninguém tomava a decisão que ambos sabiam que teriam que tomar.

A vida seguia e não era suposto viverem assim…

Ele deu o primeiro passo. Não quis conversar muito sobre o assunto, apesar de ela insistir em esclarecer aquilo que ambos conheciam de trás para a frente.

A diferença entre homens e mulheres estava muito visível neste momento. Ele poupava-os a mais conflitos, pensava… Ela ficava no vazio do silêncio.

Entrou no consultório e a primeira coisa que disse foi que não sabia viver assim… Conheciam-se de miúdos, namoraram muitos anos e o casamento era o que mais queriam naquela fase distante. Diz que com a chegada dos filhos e as responsabilidades profissionais tudo se complicou e desencontraram-se até hoje…

Acha que ainda o ama, mas não tem a certeza de saber o que isso quer dizer. Se por um lado não imagina a vida longe dele, por outro não sabe o que seria de ambos se continuassem juntos. Há anos que deixaram de fazer as coisas que os uniam, porque cresceram e os interesses mudaram ou porque simplesmente deixaram de pensar no que lhes dava prazer fazer.

Já não sabe do que gosta realmente, e acha ridículas as escolhas dele no que toca aos tempos livres. Diz que ele parece que não quer crescer…será?

Isto não é um casamento, pois não? – pergunta angustiada, sabendo de antemão a resposta.

Quando se acalma confessa que sabe que sente falta, não desta relação, mas daquela que ambos projetaram.

Para existir a possibilidade de uma reconciliação tem que haver uma vontade de ambos em reconstruir o que se perdeu aos poucos.

Com o tempo conclui que talvez tenha que investir em si própria, em recuperar o seu “eu” perdido e confessa que ainda quer ser feliz.

Ele tem feito de tudo para manter uma relação cordial com ela. Também ele está a tentar reencontrar-se. Não consegue exteriorizar o que sente da mesma forma mas vai fazendo o seu caminho. Sabe que vão ter que comunicar a bem dos filhos.

Saiu de casa e está a organizar-se para ter um espaço onde possa pela primeira vez cuidar e estar com as crianças sem o apoio dela. O primeiro fim-de-semana com os miúdos correu melhor do que esperava. Tantas vezes lhe disseram que ia ser complicado que acabara por acreditar, mas afinal percebia que não tinha que ser assim.

Sentem ainda um vazio, mas no fundo sabem que é reflexo apenas da mudança de rotinas.

As crianças estão bem. Desde que pararam as discussões parecem estar mais leves e tranquilas. Há dias em que falam abertamente sobre a separação e parecem mais adultas do que os adultos…

Ambos, ele e ela, oscilam entre dias em que acordam convictos de terem tomado a decisão certa e outros em que apetece pegar no telefone e dizer: ” Vamos fazer de conta que nada disto se passou? ”

Com o tempo encontram cada um o seu rumo. Percebem que dentro das suas cabeças existem “duas pessoas”. Uma que luta para ser feliz, andar para a frente e encontrar um equilíbrio. Outra, que insiste no ideal de um passado projetado, mas ilusório.

Quando um dia tomam consciência plena e se sentem mais fortes, escolhem ficar com a primeira, escolhem ser a primeira, escolhem viver!

imagem@themes

Divorciados mas não separados

De facto deixámos de viver na mesma casa. Não partilhamos a nossa vida pessoal um com o outro desde que tomámos a decisão de nos divorciarmos.

Nunca poderemos dizer que da nossa relação restou pouco já que ela durou uma grande parte das nossas vidas, do nosso crescimento, das nossas experiências.

Para além disso, o mais importante – dos dias melhores da nossa vida nasceram os nossos filhos.

Além da existência real destes, ainda pequenos seres, ficará para sempre a memória conjunta do dia em que soubemos que iam nascer. Dos momentos em que festejámos e partilhámos com os mais próximos o grande mistério das suas vidas.

Eles não nos permitem uma separação efectiva, nem forçada nem imaginada, menos ainda desejada.

Contrariar ou negar um tempo passado com esta qualidade é o mesmo que fugir de si próprio. Fugir da sua própria vida, passado, presente e obviamente futuro…

Quando tomámos a decisão de nos divorciarmos, toda a dor sentida nos fez, eventualmente, rever os momentos maravilhosos que vivemos.  E também pôr em questão tudo o que aparentemente desaprendemos ao longo do tempo. Em vez de um rumo naturalmente esperado de evolução como um todo, sentimos que deixámos de controlar o que juntos planeámos.

Por muita dor, mágoa e arrependimento que possam ficar, ainda nos resta a possibilidade de seguirmos o rumo da parentalidade que ambos sonhámos viver. É verdade que com algumas diferenças substanciais do modelo que tínhamos interiorizado, mas a possibilidade existe!

O caminho não será tão linear, não será tão amparado; mas com amor, equilíbrio, respeito e altruísmo é um caminho possível e com tendência a evidenciar-se como positivo.

O que é ser pai hoje? Qual é o papel da mãe nos dias que correm?

E ser filho? O que é ser filho neste mundo louco em que corremos atrás da felicidade e da perfeição!?

Conseguir olhar para um filho como aquele ser que nos é colocado no trajeto de vida para encaminharmos, protegermos e prepararmos para um caminho que será só seu.

Olharmos para um filho com a responsabilidade de o vermos como um ser independente de nós. Um ser que sente por si, que vive uma experiência de vida que não deve ser a nossa, mas sim a dele.

Percebermos a importância de partilhar decisões com a pessoa com quem decidimos gerar esta vida. Trabalharmos diariamente as competências pessoais que nos permitam não nos separarmos de quem connosco partilha um papel, um lugar, uma missão que o coloca no mesmo lugar do pódio.

Partilhar para sempre o 1º prémio, sem lugar a disputas, a bem daqueles de quem nunca nos divorciaremos – os filhos!

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Residência Alternada – A instabilidade pré-concebida ou o Altruísmo equilibrado?

Pedem-me com cada vez maior frequência que me pronuncie sobre o Regime de Residência Alternada.

Que explique porque é que agora parece estar “na moda”. Porque é que de repente tem tantos defensores e parece ser um modelo ideal após a decisão de separação por parte dos progenitores.

A Residência Alternada pressupõe que após a separação dos pais, os menores estejam com ambos por períodos de tempo equiparados.

Não falamos de apenas “dar” o mesmo tempo ao pai e à mãe.

Mas falamos idealmente de uma rotina em que os menores convivam com o pai e com a mãe. Possibilitando ambos os progenitores estarem envolvidos no seu dia-a-dia, como alegadamente acontecia enquanto eram casados.

Pressupõe que as crianças vivam por períodos de tempo iguais e alternados em casa da mãe e em casa do pai.

Se à partida este cenário parece ser o ideal?

– Sim, sem dúvida – diremos todos.

Mas fora idealismos cabe-nos a consciência da realidade. Aquela que cada uma das nossas crianças vive no seu dia-a-dia, de facto.

Da experiência no trabalho diário com crianças e com os pais observo grandes dificuldades de manutenção de rotinas adequadas e equilibradas em famílias ditas “estruturadas”…

Observo muitas dificuldades de comunicação nos casais cuja missão de educar se torna cada vez mais complexa com as exigências profissionais e com a multiplicidade de tarefas que a sociedade “impõe” a cada elemento da família desde os mais novos aos mais velhos…

Observo cada vez mais a fragilidade emocional dos pais. Pais que confrontados com a necessidade de darem resposta a todas as áreas da vida pessoal, familiar e profissional delegam para ultimo plano, de forma inconsciente, aquilo que de mais relevante se apresenta para o pleno desenvolvimento das crianças – a estabilidade relacional e emocional familiar.

Ora, perante a separação/divórcio, toda a dinâmica se torna ainda mais complexa. Quando sou questionada acerca da Residência Alternada, invariavelmente caio do pedestal do ideal para a dura realidade do concreto.

Defendo que a Residência Alternada tem que ser uma opção e um ponto de partida sempre que os adultos envolvidos se dediquem a um permanente exercício de altruísmo,. Onde deixam de parte as “raivas” e se predispõem a educar em “equipa”. Deixa de haver espaço à tradicional educação em casal mas mantém-se a necessidade de um trabalho coordenado com o outro progenitor. A bem dos filhos, a bem da sua estabilidade.

Exige que ambos acordem em rotinas diárias semelhantes e que ambos comuniquem entre si de forma assertiva; exige que consigam estabelecer e manter com os seus filhos uma relação de confiança e segurança que os conduza de forma estável.

O que cria instabilidade não é o facto de passarem a viver alternadamente em duas casas, estou convicta.

O que desestabiliza é a alternância de rotinas e de expectativas; é a oscilação entre ambientes securizantes e outros desorganizados ou confusos.

Com isto, quero apenas concluir que na minha perspectiva a Residência Alternada pode e deve ser um ponto de partida. Muito mais exigente do ponto de vista da organização e da disponibilidade dos progenitores.

Será sempre bom partirmos do princípio que as crianças se adaptam bem a novas dinâmicas familiares e a novas rotinas. Sempre que os adultos estejam bem seguros dos seus papéis, e não podemos defender um modelo único para todas as Famílias, pois cada uma delas é singular.

O pai e a mãe separam-se e para agravar tudo atribuíamos um papel de pouca competência à figura paterna. Como se o pai tivesse perdido a capacidade de o ser, só porque deixou de viver na mesma casa que a mãe…

Agora que estão separados, ambos têm que proporcionar aos filhos o seu pleno direito a manterem os laços. A sentirem-se acompanhados por ambos, pai e mãe, independentemente das exigências que as novas rotinas possam trazer. Cabe aos pais definirem em conjunto em que condições.

A casa da mãe e a casa do pai podem muito bem ser o equilíbrio que antes nenhum dos elementos da família conhecia; mas para que este modelo funcione é preciso que seja desejado por ambos, pai e mãe. E da experiência que tenho é quase que obrigatório que esta adaptação se faça com acompanhamento especializado. Acompanhamento que oriente e guie os pais neste novo desafio.

Sempre que não haja a capacidade de cumprir estas regras básicas a opção pelo modelo de Residência Alternada fica comprometida. E com ela toda a possibilidade de êxito no pleno desenvolvimento dos menores.

 

Por Maria Portugal, Divórcio.com.pt

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