Um pedido de desculpas às minhas filhas com autismo…

Filha, filhas, desculpa, desculpem, ontem no gabinete do médico, não ter agido da forma mais correta e imediata…

Logo eu, que sou tão explosiva e que fervo em tão pouca água. Logo eu que sou tão bem falante e que domino determinados assuntos…

Peço-vos desculpa por terem assistido às críticas de um médico desinformado e alheado do vosso historial clínico. Historial esse que está escarrapachadinho, atualizado e em local de fácil acesso, nos ficheiros clínicos do programa informático que ele estava a utilizar.

Por terem ouvido duras críticas ao vosso comportamento. Por terem visto ser-vos atribuída uma responsabilidade para a qual vocês (ainda) não estão neurologicamente maduras para executar. Por terem visto esse mesmo médico afirmar que a vossa mãe não estava a educar-vos corretamente pois vocês “que já têm 11 anos, estão claramente a gozar connosco quando fazem esse tipo de coisas”. Esse tipo de coisas a que o tal jovem médico se referia era uma coisa banal para os outros. Assoar o nariz.

Filhas, desculpem termos ido ao médico confiando que seríamos seriamente atendidas e avaliadas e termos acabado por levar um sermão sem razão nenhuma.

E pior e mais grave ainda, sem o merecermos. Desculpem só ter conseguido reagir no momento em que, ainda tonta com tamanha desconsideração, eu informo o médico que de facto, há uns anos pedimos ajuda ao nosso terapeuta para nos ensinar técnicas para que conseguíssemos assoar-vos o nariz. E o máximo que vocês conseguiram foi fungar um vaporzeco da treta para um espelho. Obviamente que naquela altura e, mesmo agora, assoar o nariz não é uma das competências pelas quais vá batalhar. A linguagem, os comportamentos sociais, as questões sensoriais preocupam-me muito muito, mas muito mais do que saberem assoar um nariz.

Desculpem só ter dito ao médico nessa altura que tu e a mana têm autismo. Assumi que, o computador e a ficha aberta à frente poderia facilmente ter visto isso.

A reação dele não foi impagável mas vetou-se ao silêncio, o que já não foi mau. Ainda assim, considero que nos deve a todas um pedido de desculpas. Até porque a sua sensibilidade depois de eu ter dito qual o vosso diagnóstico não mudou. Mexeu na tua cara sem te avisar – eu sei o quanto isso te incomoda. Não te avisou que ia ver-te os ouvidos com aquela luzinha e que isso te fez reagir por impulso. O mesmo impulso que te levou ao vómito quando te meteu a espátula na língua sem explicações. O mesmo tipo de vómito quando conseguiste, sei lá como, assoar-te um bocadinho e viste o que saiu… e eu tive que intervir e explicar que tudo isso são questões sensoriais que te fazem agir assim.

Desculpa ter-te tratado como se fosses um bebé porque um médico, uma pessoa mais habilitada do que eu para tratar de ti, não soube como fazê-lo.

Piolhas, lamento mesmo muito que tenham que passar por estas peripécias tão negativas.  Lamento que mesmo estando ali à frente dos olhos de quem nos atende em letras pretas uma sigla como PEA (Perturbação do Espectro do Autismo), ainda seja necessário eu ter que falar pela vossa vez e explicar uma coisa que não deveria ser necessário explicar.

Prometo que neste campo, não volto a falhar-vos e não deixarei que vos tomem por algo que vocês, definitivamente não são.

Vocês são as crianças mais doces, meigas e educadas que conheço.

Tenho a certeza a absoluta que sestas são características vossas. E não há autismo, nem médico nenhum no mundo que me faça ver-vos de outra maneira.

Estamos a começar abril, o mês que a OMS escolheu para a consciencialização o autismo.

Em pleno século XXI, em plena era da informação e do fácil e rápido acesso, termos que sacar dos galardões e fazer disso uma medalha de mérito em batalha, não só dói quando o fazemos, como mostra que não podemos confiar naquele adulto seguro.

Consciencialize-se como vos manda a consciência, fale-se de autismo das formas corretas, não julguemos o que não sabemos.

O autismo não se vê mas está lá. Sente-se. Verifica-se naquelas pequenas coisas que os outros acham esquisitas ou estranhas.

Informemo-nos antes de partirmos para um ataque, seja onde for, venha ele de onde vier.

Não só em abril, mas também em maio, em julho, em setembro, em outubro, o ano todo.

Querida mãe perfeita dos comentários no FB :

Em primeiro lugar quero agradecer-te por apareceres para nos dizer que tu e os teus anjinhos fofos são tão melhores do que nós, as mães desmazeladas, preguiçosas, indisciplinadas, cujos filhos são insuportáveis e descontrolados.

Quando Deus te criou, deve ter partido o molde.  Nem sempre podemos vislumbrar a perfeição. Os teus comentários típicos de “Os meus filhos nunca fariam isso”, ou “Eu não sei o que isso é” ou “Os meus bebés sempre dormiram a noite toda” ou “Podias ser melhor mãe se…” acrescentam imenso às conversas de mães e realmente são uma inspiração. Obrigada.

Eu só tenho uma pergunta a fazer-te: tens algum problema? Alguma necessidade de diminuir os outros? Achas mesmo que és melhor que as restantes mães?

E já agora gostava de perceber se tens amigos na vida real, ou se a tua vida social se limita a largar bombas no meio de estranhas. Só pergunto porque tens uma sensibilidade social de um camião tir a despistar-se.

Isto pode parecer um choque para ti, mas criticar outras mães quando:

a) Não tratam mal os filhos;

b) Estão a dar o seu melhor;

c) Desabafar, pode ser e, é um pedido de ajuda;

… faz de ti uma idiota. Dar palpites que não ajudam é desnecessário e idiota. Sabias que ser-se idiota é ainda pior do que ser-se uma mãe inexperiente a tentar melhorar e aprender?

Vou só atirar uma para o ar: será que só tens um filho?

Sabias que é possível teres um ou dois filhos que não dão trabalho nenhum e de repente teres um diabo da Tazmania nas mãos?

A comunidade de mães do FB está morta para que sejas presenteada com um filho que te desafie de alguma maneira, só para perceberes o quão desesperante é alguém te apontar o dedo quando estás a fazer o teu melhor.

*Para aquelas mães que lhes “calhou” um terrorista logo à primeira: respect. Aguentem-se, força. Há-de melhorar.

Querida mãe perfeita,

se o teu anjinho amoroso tem menos de 1 anos de idade, pára de fazer comentários. Os bebés não se comparam com crianças de 2 anos ou com crianças mais velhas, quando falamos daquilo que te podem (literalmente) atirar à cara.

Qualquer mãe de 3 ou mais filhos pode explicar-te que há crianças que nascem completamente zens e a sua primeira palavra é Ghandi, e outras rebentam as águas num golpe de Karate e fazem logo xixi para cima da primeira enfermeira que lhes pega ao colo.

Isto é mais complexo do que Natureza Vs Genética: sabes que pareces uma cabra mal-intencionada quando largas as tuas bombas nos comentários dos posts?

Não és interpretada como um ser superior ou óptima mãe, mas sim como mesquinha e idiota. Todos os pais têm dias bons e dias maus. A diferença é que estas a atirar os teus dias bons à cara da mães que estão a ter um mau dia. Essa é que é essa.

Eu só estou a tentar ajudar…” Yeah right. Se quisesses mesmo ajudar ou dar alguma sugestão construtiva, conseguias fazê-lo.

Continua a julgar e a dizer ao mundo o quão maravilhosa és enquanto mãe.

Lembra-te apenas que, na verdade, estás realmente a dar-nos uma lição sobre parentalidade: nós não queremos que os nossos filhos cresçam como tu.

Caso não tenhas filhos faz-nos um favor e esbofeteia-te. Dares palpites baseando-te no que vês na TV, ou baseado na experiência que tens com primos e sobrinhos, ou até nas tuas memórias de infância, é como achares que podes desvendar um crime porque costumas assistir ao CSI.

Todos nós temos as nossas opiniões silenciosas sobre a forma como as outras mães gerem a educação dos seus filhos. Mas as pessoas inteligentes conseguem não opinar, porque, no limite, não sabemos como é a vida destas mãe e não estamos lá todo o santo dia.

A não ser que queiras realmente ajudar positivamente, não cagues sentenças só para te enalteceres.

Isto não é um concurso.
As mães agradecem.

 

Bunmi Laditan, para Scary Mommy
traduzido e adaptado com autorização por Up To Kids®

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LER PRIMEIRO |  A VERDADE SOBRE TER UM TERCEIRO FILHO

A derradeira verdade sobre ter um quarto filho

Quando engravidamos do quarto filho, os mais velhos já são completamente autónomos mas o terceiro é ainda um bebé apesar dos seus quase 4 anos. Não sabemos que estamos grávidas até percebermos que aqueles 3Kg a mais não são por estar a entrar nos 40. Curiosamente sentimo-nos com a energia de uma adolescente, e aguentamos tudo com poucas horas de sono. Parece que estamos grávidas de 6 meses, no dia antes de parir. Já ultrapassamos a fase do stress, e agora adotamos uma postura zen, menos quando estamos a dormir que temos sempre um olho aberto por causa dos outros filhos.

Nesta fase somos super-heroínas

Nada nos afeta, e os enjoos nem tiveram coragem de se manifestar. Não há tempo para nada e mal descansamos por isso, quando é hora de refeição é hora de refeição, e não nos privamos de comer sobremesa sempre que nos apetece. O álcool sabe-nos lindamente até descobrirmos que estamos grávidas. A partir daí voltamos a enfrascarmo-nos em baldes de leite com chocolate. Compramos vitaminas no dia em que descobrimos que estamos grávidas e tomamos religiosamente todos os dias. Tudo o que ajudar a aguentar este ritmo é bem vindo. Redefinimos o conceito de tempo. É a gravidez mais curta da história e é contada em períodos escolares e férias grandes.

Ninguém se dá ao trabalho de nos dar conselhos ou informações sobre bebés

Preocupam-se a dar conselhos sobre contraceptivos. Todos assumem que somos loucas e que só pode ter sido um acidente. As pessoas acotovelam-se a apontar para nós no meio da rua, normalmente de sorriso na cara. Fazem questão de nos contar histórias sinistras sobre o terceiro filho que deixou de falar, comer ou fazer cocó quando nasceu o quarto. E sentiu-se incompreendido toda a vida por isso nunca conseguiu ter uma relação estável. O obstetra já nos conhece de ginjeira e falamos várias vezes por whatsapp.

Como a gravidez se pega, três ou quatro amigas também estão grávidas. As restantes, batem na madeira e continuam com uma vida social agitada.

Perguntam-nos, onde quer que vamos “É o primeiro?” Quando dizemos que é o quarto, ficam com cara de Mona Lisa, e acabam por soltar uma bojarda qualquer tipo:

“- Eh lá, isso é que é! Grande coragem… tinha só rapazes, era?”

– “Não, já tínhamos dos dois sexos, por isso devemos ser mesmo estúpidos por fazer mais uma criança!”

Lemos artigos sobre maternidade nas redes sociais e nos blogues e tiramos dúvidas nos grupos de mães.

A Criança vai ficar com o nome do pai ou da mãe ou do periquito. Montamos o berço ao lado da nossa cama e esperamos que o bebe caiba lá até aos 2 anos porque não há quarto para ele.

Já não temos quase nada de enxoval, mas as coisas vão aparecendo através de amigas e familiares. Mesmo assim fazemos questão de comprar cueiros e outras peças que duram um mês, porque na verdade estamos cheias de saudades de roupa tamanho zero.  Os miúdos passam a vida a ver televisão e já mal controlamos as gravações que fazem. Já não se fala sobre pierciengs e tatuagens: eles não falam sobre isso, nós temos tanto com que nos preocupar, que se algum aparecer com um mamilo furado é um mal menor. A Dora e o Ruca já desapareceram da nossa casa, e na verdade, até preferíamos que voltassem porque, pelo andar da carruagem, este bebé vai ser fã de DragonBall e Violletas aos 18 meses.

O bebé nasce. E sentimo-lo como se fosse o primeiro filho.

Este filho vai fazer-nos perceber a quantidade de amor de que um coração humano é capaz. Vamos olhar para os mais velhos com outros olhos, e perceber o doloroso que é estar longe deles. Vamos perceber que eles continuam a precisar de nós tanto como o bebé. Vamos ter de gerir o nosso tempo, porque a capacidade de amar multiplica-se, mas o tempo não!

Vamos confirmar que temos a capacidade de amar cada um deles. E que temos a capacidade de sofrer por cada desgosto deles. E  fazêmo-lo alegremente até ao último sopro. Ao nosso último sopro, esperemos.

Quando engravidamos do nosso quarto filho, as pessoas julgam-nos e criticam-nos.

Mas eu vejo sempre o copo meio cheio. E trazer uma vida a este mundo não é garantia de incertezas e tristezas ao longo de toda a existência. Para mim, é garantia de certezas (cada vez mais) e alegrias ao longo de toda a existência.

Eu fui mãe por amor. Amor ao meu marido, amor à nossa vida, amor ao nosso amor. Por querer estender e partilhar este amor. E sim, não planeei tudo, se querem saber… Mas isso nunca fez com que os meus filhos fossem menos desejados ou menos amados.

Se somos felizes assim?
Somos, felizes e completos.

Por Ines Pinto Correia, Todos os direitos reservados

No dia em que te vi pela primeira vez eu ainda não sabia que ia passar noites a aninhar-te nos meus braços a sussurrar-te ao ouvido “o papão foi embora”… Nem que, por fim quando adormecesses, apesar de fatigada, eu ia continuar a vigiar o teu sono para garantir que afugentava esse monstro que nasce do escuro para assustar os bebés pequeninos…

Eu ainda não sabia que ia chorar mais do que tu no dia em que te deixasse pela primeira vez no berçário, por não poder continuar a ser eu a acordar-te da sesta com mimos de mãe e papas morninhas, como tu tanto gostavas e eu tão bem sabia fazer…

No dia em que te vi pela primeira vez eu ainda não sabia o quanto custava ver-te febril, com cólicas ou com qualquer outro mal-estar que eu não pudesse transferir para mim, para te poupar a ti das tuas primeiras dores do mundo…

Nem como seria o desespero por deixar de te ver por um segundo no supermercado, nem que esta sensação apenas se dissiparia quando eu te visse ao colo do teu pai ou mesmo atrás de mim, meu docinho, que o medo de te perder é capaz de cegar uma mãe…

Eu ainda não sabia que viria a sentir uma vontade secreta de dar um beliscão àquele miúdo da tua sala que te mordeu e puxou o cabelo, deixando-te a chorar e com medo de voltar à escola no dia seguinte…

Eu desconhecia que a cada queda que desses seriam também os meus joelhos a ficar esfolados.

Eu desconhecia que por cada vez que me falasses acerca dos teus medos, também o meu coração ficaria pesado com receios e inseguranças por não poder ser eu a enfrentar por ti tudo de mau que a vida traz…

Eu ainda não sabia nada disto no dia em que te vi pela primeira vez.

Tal como agora também ainda não sei o que está para vir.

Mas desde o primeiro dia que te vi eu soube que, para o bem e para o mal,  irei estar sempre ao teu lado para te dar a mão cada vez que a vida não seja tão justa como deveria ser.

Que por ti vou afugentar todos os monstros que surjam da escuridão, vou chorar ao teu lado sempre que sentires uma ponta de tristeza, vou suportar todos os apertos que o meu coração de mãe sentir, vou esfolar os meus joelhos e o meu coração também… Porque tu estás em primeiro lugar e não há ninguém no mundo inteiro que seja tão especial para mim como tu és.

Hoje e sempre.

Coração da minha vida.

Dedicado a cada um dos corações da minha vida, para quem todos os dias olho como se fosse a primeira vez.

Tem circulado pela Internet um texto sobre as 11 regras de vida proferidas por Bill Gates num discurso numa escola secundária nos EUA. Diz-se que chegou de Helicóptero entrou na sala, e em menos de 5 minutos, leu as onze notas que teria escrito no seu notebook A plateia teria aplaudido de pé ao longo de 10 minutos sem parar. Bill Gates teria agradecido e abandonado a sala.

Na verdade, essas regras foram escritas por Charles Sykes, autor do livro “50 Rules – Kids Won’t Learn in School”, um educador preocupado em preparar os nossos filhos para um futuro real. Charles Skyes defende que a proteção excessiva das crianças e o ensino politicamente correto normalmente aplicado nas escolas, tem criado uma geração de crianças sem noção da realidade e acredita que devemos prepará-los-los para o fracasso no mundo real.

Transcrevemos aqui as 11 regras de vida (das 50 regras) que Charles Sykes recomenda que ensinemos aos nossos filhos:

  1. A vida não é justa, habitua-te…
  2. O mundo não está preocupado com a tua auto-estima. O mundo espera que alcances objetivos independentemente de te sentires bem ou não contigo próprio.
  3. Não vais ganhar 40 mil €/ano quando acabares o curso. E não vais ser vice-presidente de uma empresa e ter carro de serviço, a não ser que trabalhes para os merecer.
  4. Se achas que o teu professor é mau, espera até teres um chefe. Este sim, não terá pena de ti.
  5. Virar frangos ou hamburgueres nas férias não é nenhuma vergonha. Os teus avós chamavam a esses part-times oportunidades!
  6. Se fizeres asneira e fracassares em qualquer objetivo da tua vida, os teus pais não têm a culpa. Não te queixes dos teus erros, assume-os e aprende com eles.
  7. Antes de nasceres, os teus pais não eram tão chatos como agora. Eles só ficaram assim depois de terem contas por pagar, depois de terem de arrumar o teu quarto e ouvir-te dizer o quão idealista és. Antes de tentares salvar a floresta virgem, experimenta arrumar primeiro o teu quarto.
  8. Na faculdade tentam minimizar as diferenças entre vencedores e perdedores, mas na vida real não é bem assim. Na faculdade dão-te o máximo de oportunidades até conseguires a resposta certa, a nota positiva, o passar de ano. Podes até ter de repetir um ano. Na vida real, se errares és despedido.
  9. A vida não é dividida em semestres. Não terás sempre os Verões livres, e muito poucos (ou nenhuns) empregadores estarão interessados em ajudar-te a “encontrares-te”. Faz isso na idade certa.
  10. O que vês na televisão é completamente diferente daquilo que acontece na vida real. Na vida real, as pessoas têm que sair do café e ir trabalhar.
  11. Sê simpático com os Nerds. Há uma grande hipótese de vires a trabalhar para um deles.

Traduzido e adaptado por Up To Lisbon Kids®. Todos os direitos reservados

Eu sou uma mãe bastante descontraída. Não espero muito mais dos meus filhos do que serem cumpridores das regras básicas de educação, e deixo-os fazer quase tudo que não implique jorrar sangue e amputar os membros uns aos outros.

Como qualquer mãe sabe, se o nosso filho está feliz, nós estamos felizes. Mas as crianças não compreendem que a estrada da felicidade tem dois sentidos. Os nossos dias seriam muito melhores se eles fizessem algum esforço nos fazer felizes!

Resolvi enumerar uma lista, e não pensem que estou a pedir demais, de 10 coisas para fazer uma mãe feliz:

  1. Acorda depois das 6h30. Vocês não fazem ideia o quanto feliz eu fico se dormir pelo menos até às 8h30 da manhã. É que tal como o vinho, quanto mais me deixarem descansar, melhor eu fico.
  2. Come tudo à refeição. Tudo bem, não é preciso comer tudo. Uma dentada pelo menos. Não sabes se não gostas se não provares. Tocar com a ponta da língua, cheirar e empurrar com o dedo esticado não é provar. Uma dentada! Aliás, o ideal seria uma garfada, mas isso é pedir demais!
  3. Pára de comer lápis de cera. E stickers, e giz, e plasticina e lixo. Eu sei que não te vai fazer qualquer mal a longo prazo, mas qualquer dia eu tenho um ataque por mudar fraldas coloridas!
  4. Dorme uma sesta sem birra. Nem sequer é preciso dormir. Fazemos assim: vais para o berço e ficas lá duas horas em silêncio. Eu até desligo o monitor para não te ver a tirar a fralda e a pintar o berço com cocó
  5. Não faças birras no supermercado. Já é mau o suficiente ires para lá de pijama independentemente da hora do dia, por isso, por favor, não chames a atenção. Sejamos discretos.
  6. Não ponhas objectos pelo nariz acima. Eu sei que parece divertido espirrar cinco milhões de vezes até que o peão cónico de plástico salte e me bata no meio da testa, mas qualquer dia não conseguimos tirar e temos que ir para as urgências. E depois, não só é embaraçoso para mim, como ainda teremos que ir buscar dinheiro para a despesa às poupanças da tua festa de aniversário. Pensa bem nisso.
  7. Pára de lamber pessoas. É nojento e simplesmente estranho.
  8. Não refiles por causa da cor do copo que te dei. Eu sei que querias o copo azul, mas sempre que te dou o copo azul queres o encarnado que dei à tua irmã e eu estou farta da birra das cores dos copos. É um copo, não um parceiro para a vida, certo?
  9. Deixa-me lavar o ó-ó só mais uma vez. Eu sei que é o teu melhor amigo e que vai contigo para todo o lado, mas não é um todo-o-terreno. Não está destinado a prender várias chuchas, a ser uma capa, umas asas, um chapéu, ou qualquer outra coisa. Está sujo, e vais sobreviver 2h00 sem ele, quer queiras quer não. Esqueço o drama!
  10. Dá-me um abraço sempre que eu pedir. Estás a crescer tão depressa, e eu quero saborear o teu carinho inflexível durante o tempo que me apetecer. Até te dou um gelado de pastilha elástica ao pequenos almoço se me deres mais um beijo!

Publicado in Scarymommy
Traduzido e adaptado por Up To Lisbon Kids®

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Imaginem um cego, como é que escolhe a pessoa que ama quando não a pode ver?

A “química” de que tanto se fala parte de outros factores: o timbre da voz, o tema de conversa, a empatia, a simpatia, etc. Isto, em vez de reparar na maneira como as maminhas não mudam de posição quando ela faz o pino, devido ao silicone muito bem posto ou no seu corpo super bem trabalhado pelas horas passadas no ginásio.

Através do toque também se pode aperceber dos atributos físicos, mas por mais suave e lisa que seja a pele, não podem ver a cor. Por mais límpida que seja a gargalhada, não sabem quantos dentes lhe falta ou se tem um nariz de batata. Claro que qualquer cego preferia ver, mas na verdade vê coisas que a maior parte dos outros não vê.

O cego apaixona-se pela verdadeira beleza.

Amigos e amigas (isto também serve para “elas”), podem ir contrariando a gravidade – não sou contra plásticas desde que funcionem para melhorar a nossa auto-estima ( que melhore mesmo!) – why not? Um dia quando, e se, estiverem incontinentes ninguém reparará no peito no lugar ou na ausência de rugas. Mas se o intuito é agradar aos outros, preparem as carteiras e a queda:

Lembrem-se que há sempre alguém mais novo, mais em forma ou mais atractivo. Ficam as perguntas para os casais: O que é que vos mantém juntos? É a aparência, a ausência dos sinais do tempo que passa, ou é muito mais do que isso? Vão abandonar alguém porque está com rugas? São tão insuportáveis que não podem tolerar?

Aos mais novos: um dia, quando escolherem alguém para casar, imaginem essa pessoa cheia de rugas, velha e toda nua, sentada na retrete de porta aberta… se quiserem casar na mesma, é AMOR… ou loucura, mas o AMOR é LOUCO! Não digo para largarem as massagens, o ginásio, as plásticas ou os “botoxes”, digo para tratarem de vocês por vocês e por mais ninguém.

Amarem-se acima de todas as coisas para poderem amar de volta. Cliché ou não, é isto mesmo!

Ouvi da boca de um “conhecido”: “Os filhos estragaram-na toda…” Não gostei por duas razões: 1) Se alguém “estragou” o corpo não foram os filhos de certeza! 2) Engordar, para alguns, parece ser quase como “morrer para a vida”… Que gostem de nós pelo que somos, com o nosso feitio e maneira de estar na vida, não por uma imagem que um dia não poderemos manter! Até lá, tomem conta da vossa saúde, sem exageros.

Os gordos, escanzelados, cabelos em pé ou colados à cabeça, desdentados ou com cremalheiras gigantes, também amam e são amados. Até a pessoa mais fantástica fisicamente se desgasta com o tempo e depois … morre, como todas as outras!

Por Inês de Santar,
para Up To Lisbon Kids

imagem @RFM, Café da Manhã