Sabia que a música tem uma grande influência no desenvolvimento da linguagem das crianças?

Muitos estudos demonstram a importância da estimulação precoce em aulas de músicas, mas também no quotidiano da criança, tanto em casa como no jardim de infância, tendo um grande potencial nos vários níveis de desenvolvimento infantil.

A conexão estabelecida entre as pessoas e os sons é tão primordial que se inicia antes mesmo do nascimento. Sabe-se que a formação das estruturas auditivas no bebé se dá por volta do 5º mês de gestação. Nesse período, o bebé tem contato com a sua primeira referência de ritmo musical: o batimento cardíaco materno.

Antes de nascer, ele já reconhece o timbre da voz da mãe e já responde a estímulos sonoros: Após o sistema auditivo estar formado, já aprecia todo o reportório musical e os sons com os quais a mãe tem contacto.

Como reage o nosso cérebro à música

O nosso cérebro parece ser moldado pelas experiências proporcionadas nos primeiros anos de vida, e o cérebro de um músico tem características diferentes do cérebro de uma pessoa que não tenha tido contacto com a música na infância.

Muito se tem investigado acerca da influência da música no desenvolvimento da criança, bem como na possibilidade de ajudar na recuperação de lesões no cérebro, tanto em crianças como em adultos.

Esses estudos comprovam a influência da música nas capacidades comunicativas da criança, verbais e não verbais, na sua autoconfiança, nas suas capacidades espácio-temporais, no desenvolvimento cognitivo e motor, nas funções executivas, na memória e na aprendizagem de línguas estrangeiras.

Ao fazer música ativamos sinapses dos sistemas sensorial, cognitivo (simbólicos, linguísticos e da leitura), motivacional, sinapses que veiculam a aprendizagem, a estimulação da memória, o planeamento de movimentos, etc.

Várias investigações sugerem que a música altera a forma como o cérebro processa os componentes da linguagem, melhorando a perceção dos sons, incluindo os sons da fala e, consequentemente, a sua relação com a leitura e escrita.

A música e a aprendizagem

Para aprender a ler, a criança deverá já ter desenvolvido a consciência de que as palavras são constituídas por sílabas e estas por sons (consciência fonológica). A criança deve ser capaz de se abstrair do significado das palavras para pensar, discriminar, comparar e manipular os sons que as compõem e, dessa forma, conseguir realizar tarefas:

  • Dividir frases em palavras.
  • Encontrar ou evocar palavras que rimam.
  • Dividir palavras em sílabas.
  • Encontrar palavras que comecem pela mesma sílaba ou som, entre outras.

Estas atividades são fundamentais para a aprendizagem da leitura e da escrita mais tarde, no seu percurso escolar. Deverá ter desenvolvido também a percepção auditiva e este é um processo complexo, que depende do processamento auditivo e é constituído pela receção e interpretação dos padrões de fala; discriminação entre sons (espectro, características temporais, sequência e ritmo) reconhecimento, memorização e compreensão da fala.

A música e a linguagem

A música e a linguagem são dois estímulos auditivos, estruturados de uma forma semelhante (ambas consistem num determinado número de sons que se organizam segundo determinadas regras) e que utilizam o mesmo sistema auditivo e aparelho vocal.

A aprendizagem destes elementos musicais e linguísticos parece ser semelhante, recorrendo aos mesmos processos auditivos e a partilha destes mecanismos parece ser responsável pela influência da música no desenvolvimento das capacidades de consciência fonológica.

A música e os seus elementos (som, ritmo, melodia e harmonia) podem ser utilizados para estimulação da linguagem pelos pais e/ou educadores, mas também como método de intervenção nas perturbações de leitura e escrita, perturbações fonológicas, perturbações do processamento auditivo, entre outras. Podem ser feitas diversas atividades tendo sempre em conta os objetivos delineados para trabalhar com a criança. Beneficiando não só o desenvolvimento da consciência fonológica, mas também a perceção/sensibilidade auditiva, o processamento (motor e auditivo), a atenção e a comunicação verbal e não-verbal.

A música tem então um papel muito importante no desenvolvimento da criança, em especial na aquisição e desenvolvimento da linguagem. Portanto incentive desde cedo ao gosto pela música, oiça e explore a música em família.

O seu filho já ouviu musica hoje?

Marta Nunes, terapeuta da fala

10 coisas simples que podem mudar completamente o futuro dos teus filhos

O que vai fazer a maior diferença no futuro dos teus filhos?

Todos queremos ver os nossos filhos crescerem e tornarem-se adultos felizes e bem-sucedidos.

É divertido vê-los crescer, desenvolver traços de personalidades e interesses diferentes. Como pais, queremos dar aos nossos filhos o melhor futuro possível. Mas isso não significa que precisemos de lhes dar tudo o que querem ou passar férias de luxo.

Aqui estão 10 coisas simples que podem mudar completamente o futuro dos teus filhos:

1. Um livro

Os livros são queridos ao coração. A maioria de nós lembra-se de uma história favorita, uma leitura emocionante ou daquele personagem que estava ao nosso lado quando não estava mais ninguém. Um livro pode ajudar uma criança a decidir uma carreira ou estilo de vida.

Um estudo do National Endowment for the Arts, diz que o envolvimento de uma criança com livros afeta a vida futura de formas muito amplas. Habilidades de leitura fracas tendem a equiparar-se a salários mais baixos, falta de emprego ou maus empregos, e menos hipóteses de progresso. Pessoas com dificuldade na leitura têm menos probabilidade de serem ativas na vida cívica, voluntariam-se menos e votam menos do que bons leitores.

É importante que as crianças tenham um bom arranque para se engajarem com a palavra escrita. Isso fará a diferença para o resto da sua vidas.

2. Levar o lixo

O guru financeiro Dave Ramsey defende:

Deves encarar o acto de ensinar os teus filhos a trabalhar, da mesma forma como vês o acto de ensiná-los a tomar banho e a lavar os dentes – Uma habilidade necessária para a vida.

Atribuir tarefas às crianças prepara-as para serem capazes de assumir e cumprir obrigações no futuro para com seus empregadores. Ensina-lhes a relação entre trabalho e sucesso. Além disso, dá-lhes confiança e um senso de comunidade à medida que contribuem para o bem-estar da família.

3. Um professor

A criança terá muitos professores ao longo dos anos, mas às vezes cria uma ligação especial com um que irá mudar a sua vida. Seja por acender uma paixão por determinado assunto/tema ou ajudando-a num momento difícil da sua vida. Um(a) professor(a) pode ganhar um lugar especial na mente e no coração do seu aluno.

4. Um amigo

Um amigo pode ter o mesmo lugar para uma criança que a sua família. Os “amigos errados” podem empurrar o teu filho por um caminho descendente e os “amigos certos” podem apoiar e elevar o teu filho a um maior sucesso.

5. Tempo com o pai

Um estudo publicado em childwelfare.gov descobriu que “Desde o nascimento, as crianças que têm um pai envolvido nas suas vidas, são mais propensas a ser emocionalmente seguras, ser confiantes para explorar os arredores e, à medida que crescem, têm conexões sociais melhores com seus colegas. Estas crianças também são menos propensas a ter problemas em casa, na escola ou na vizinhança.” Ter um pai envolvido, é melhor indicador social de sucesso futuro, do que ter dinheiro ou status social. Isto diz o tudo.

6. Um instrumento

Tocar um instrumento musical tem inúmeros benefícios para as crianças. Desde melhorar a memória a desenvolver habilidades matemáticas, até à criatividade, autoexpressão e alívio do stress. Se o teu filho participar numa banda ou orquestra isso pode melhorar as suas habilidades sociais e ampliar o seu grupo de amigos. Alguns músicos iniciantes acabam mesmo por seguir carreiras musicais.

7. A cidade onde vivem

Ao longo das suas vidas os adultos vão-se identificar com a sua cidade natal, mesmo depois de viver longe por vários anos. Onde moras afeta as oportunidades educacionais e recreativas do teu filho. Cada lugar tem a sua própria cultura, que irá influenciar os pensamentos e ideias do teu filho. A maneira como falas e te sentes relativamente ao teu bairro também vai influenciar a forma como se integram.

8. Um animal de estimação

Ter um animal de estimação tem mostrado que ajuda a manter a pessoa saudável física e emocionalmente. Os animais de estimação podem ensinar responsabilidade e compaixão às crianças. Um estudo comparou crianças que tinham um cão com crianças que não tinham, e descobriu que as primeiras eram significativamente mais empáticas e pró-sociais. Os animais de estimação podem também proporcionar uma sensação de segurança e reduzir a ansiedade. Por isso, os animais são muitas vezes utilizados em terapias com crianças. O estudo também concluiu que crianças com níveis mais altos de apego aos animais de estimação tinham sentimentos mais positivos em relação à sua família e ao lar, do que as com baixo apego a seus animais.

9. Uma caminhada

O exercício físico regular traz inúmeros benefícios para a saúde do teu filho. Sair ao ar livre é particularmente importante. Ajuda a impulsionar o sistema imunológico, estimula a imaginação, promove habilidades para resolver problemas, ajuda na síntese da vitamina D (através da luz solar) e melhora o humor. Além disso, também há a conexão que podes criar/fortalecer com o teu filho enquanto caminham juntos. Este é um ótimo momento para conversar longe de distrações. Algumas das vossas conversas mais importantes e significativas podem acontecer durante uma caminhada.

10. Os avós

Ou avô, tia, tio ou primo. Estudos têm demonstrado que crianças com fortes laços familiares tendem a sair-se melhor quando confrontadas com um problema.

“Quanto mais as crianças sabiam sobre a história da sua família, mais forte era o seu senso de controle sobre as suas vidas, maior a sua autoestima e mais elas acreditavam que suas famílias eram atuantes”, de acordo com um estudo da Universidade Emory.

Muitas vezes são elementos da família que dão apoio quando um dos pais não está disponível, ou intervêm em conflitos entre pais e filhos.

Quando se trata de criar os filhos, não são as viagens à Disneylandia, os gadgets topo de gama ou nem mesmo as melhores escolas que têm a maior influência sobre o futuro.

São muitas vezes as pequenas coisas que acabam por fazer toda a diferença.

 

Adaptado da tradução de Sarah Pierina do original 10 little things that can completely change your child’s future

 

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A Musicoterapia aplicada a crianças e jovens com necessidades educativas especiais.

O Som da Essência

A musicoterapia é a utilização da música e/ou dos seus elementos (som, ritmo, melodia e harmonia), exercida por um técnico habilitado, em ambientes hospitalares, educativos, clínicos ou institucionais, com um ou mais pacientes, num processo relacional que facilita e promove a comunicação, a relação, a aprendizagem, a mobilização, a expressão, a organização do pensamento e outros objetivos terapêuticos relevantes no sentido de ir ao encontro das necessidades físicas, cognitivas, emocionais e sociais dos pacientes (Federação Mundial de Musicoterapia, 1996, 2011).

Em Musicoterapia, o poder da música é utilizado para atingir objetivos terapêuticos mantendo, melhorando e restaurando o funcionamento físico, cognitivo, emocional e social do indivíduo. É a partir desta relação que a Musicoterapia estabelece a sua base de trabalho. Trata-se de uma abordagem que utiliza toda e qualquer manifestação sonora para produzir efeitos terapêuticos. Através do uso da música, de sons e de movimento, estabelece-se uma relação de ajuda, onde a Musicoterapia tem como objetivo auxiliar o paciente a vários níveis, como a prevenção, a reabilitação, o desenvolvimento, bem como na melhoria da sua interação com a sociedade. A música e o som são o canal de comunicação.

A musica com fins terapêuticos

A música vem sendo utilizada com fins terapêuticos desde os primórdios da humanidade, mas estabeleceu-se como ciência somente após a Segunda Guerra Mundial. Atualmente, o investimento da ciência tem sido galopante no que diz respeito à investigação sobre a relação e o impacto direto da música a vários níveis, mas, essencialmente, a nível neurológico. A Associação Portuguesa de Musicoterapia, existente desde 1996, é a entidade de referência, reconhecida pela Federação Europeia de Musicoterapia, que regula e orienta o processo da acreditação dos musicoterapeutas em Portugal.

A Musicoterapia tem inúmeras aplicações, a várias populações e tipologias, entre elas síndromes genéticas como Down, Turner e Rett, distúrbios neurológicos, distúrbios emocionais, deficiências sensoriais, visuais e auditivas, autismo, dificuldades de aprendizagem, entre outras.

Este tipo de abordagem possibilita um enquadramento não-verbal através do qual as pequenas diferenças de comportamento se tornam evidentes nos processos intra ou inter pessoais em crianças com perturbações da relação e da comunicação. Essas diferenças podem ser encontradas no comportamento musical. O musicoterapeuta pode a este nível contribuir para a avaliação e diagnóstico global dos pacientes em musicoterapia ao nível da avaliação específica das capacidades sensoriomotoras, cognitivas (atenção, memória, jogos de antecipação e sequência lógica) perceção visual e auditiva e comunicação interpessoal.

Objetivos e plano terapeutico

Em Musicoterapia, existe um plano terapêutico, elaborado pelo musicoterapeuta, em consonância, ou não, com os técnicos da equipa multidisciplinar. Os objetivos gerais variam de acordo com as características do grupo ou indivíduo, das suas necessidades e peculiaridades. Contudo, alguns objetivos da musicoterapia com crianças ou jovens com necessidades educativas especiais são: Estimular a comunicação (verbal e não verbal); Estimular a expressão corporal, vocal e sonora; Melhorar a autoestima; Explorar as potencialidades e a conscientização dos próprios limites; Estimular a coordenação motora grossa e fina através de atividades musicais, utilizando instrumentos musicais de percussão simples; Desenvolver a orientação espacial e corporal através de vivências musicais; Desenvolver a capacidade de atenção e concentração; Estimular a imaginação e criatividade; Promover um melhor relacionamento intra e interpessoal.

A importancia e influencia da música nos seres humanos

A importância e influência da música e dos seus elementos sonoros no desenvolvimento do ser humano, tem-se tornado cada vez mais evidente. A investigação sobre esta temática vem comprovando a sua importância na relação simbiótica entre o indivíduo, desde a sua forma mais precoce, e o meio envolvente.

Independentemente das necessidades provenientes de cada patologia, a Musicoterapia valoriza a expressão de cada indivíduo, respeitando as suas particularidades e auxiliando-o nas suas dificuldades, como um ser global.

Por Rita Maia, Mestre em Musicoterapia, Doutoranda em Ciências da Educação, Especialização em Necessidades Educativas Especiais, Licenciatura em Educação de Infância | maia_rita20@hotmail.com

A música e as emoções

Se por um lado a interação com os outros e com o que nos rodeia envolve emoções, por outro lado, as nossas emoções são o reflexo dessa interação. Todas as experiências nos provocam uma determinada emoção, que vai condicionar essa mesma experiência.

O nosso estado emocional determina a nossa qualidade de vida. Influencia a forma como agimos e as decisões que tomamos. Podemos então dizer que o comportamento é impulsionado pela emoção.

As emoções fazem parte da nossa vida, sendo fundamental perceber o que estamos a sentir e porque o estamos a sentir.

Não devemos evitá-las, mas sim entende-las e aprender a viver com elas. Sendo todas necessárias, algumas têm um papel muito importante na nossa proteção. Por exemplo, sentir medo protege-nos de ameaças e prepara o nosso corpo para reagir e se não sentíssemos medo, provavelmente, atravessaríamos a estrada sem olhar, porque não temíamos ser atropelados. Todas as emoções são essenciais e estão associadas à nossa vivência.

O nosso corpo é o palco de atuação das nossas emoções e, por isso, as reações fisiológicas são uma das formas de percebermos como nos sentimos, é o nosso “termómetro de sentimentos”.

Não há emoções positivas ou negativas, devemos qualifica-las como agradáveis ou desagradáveis, como algo que faz de nós a pessoa que somos…

A música e as emoções

Se pedissem para me definir emocionalmente em apenas duas palavras, diria que sou uma Pauta Musical, onde as notas se podem organizar e fazer fluir o som e o ritmo, como expressão das minhas emoções.

Determinadas por um espaço e por um tempo, as emoções surgem como notas que se unem para dar corpo a uma música, pronta a ser tocada por um qualquer instrumento.

Se estou triste, sou pauta pronta para que uma guitarra me toque e faça gemer nas suas cordas um fado nostálgico e por vezes angustiado.

Quando me surpreendem, o compasso é perfeito para que os pistões do saxofone façam soltar num sopro, um jazz maravilhoso.

Se a irritação me assola, aí sou metálica, música pesada e pronta para os break`s de um qualquer baterista audacioso.

Mas se o stress me invade, o ritmo acelera, como se semicolcheias se organizassem freneticamente sob a forma de Jive.

Em momentos de paz, as notas desfilam suavemente e das teclas de um piano pode surgir uma rumba.

Se me apetece estar só, a observar o mar… podem ouvir-se violinos a tocar “We are free now” (Enya)

Mas por vezes o ritmo aquece, a sedução abraça-me e a paixão pode ser refletida num tango.

Também são muitos os momentos de festa e alegria, nesses instantes eu sou samba!

Mas se a felicidade me absorve, deixo de ser uma simples pauta e passo a ser partitura. Onde as notas se estruturam para que vários instrumentos de uma orquestra toquem em sintonia numa harmonia absoluta. E é nessa altura que percebemos que o todo é muito mais que a soma das partes.

Afinal, sou uma pauta onde as notas se organizam. Onde os ritmos e os compassos se alteram em conformidade com as emoções que sinto e faço sentir. Porque eu não sou apenas eu, sou também o reflexo do que o que me rodeia me faz sentir.

 

Contributos da Música na Maternidade

A utilização da musicoterapia, não é uma terapia nova. A sua existência remonta à antiguidade, embora não sejam precisas as suas origens.

Nos meados de 1800, Florence Nightingale reconheceu o poder da música nos hospitais. Pretendia ajudar os soldados (atingidos na guerra da Crimeia) no seu processo de recuperação. Ela observou os efeitos que os diferentes tipos de música provocavam nos doentes. Utilizou instrumentos com um som contínuo, que geralmente provocavam um efeito benéfico nos pacientes e instrumentos que produziam outros tipos de som provocando o efeito oposto.

Quer em França, quer nos EUA, a musicoterapia é uma prática muito divulgada, no entanto no nosso país ainda é pouco utilizada.

A terapia através da música pode ter vários efeitos no organismo. Por exemplo: anti-neurótico, anti-stress, sonífero, tranquilizante, regulador, analgésico, anestésico, equilibrador do sistema cardiovascular e do metabolismo.

Está demonstrado através de estudos científicos que os efeitos da musicoterapia podem ser utilizados nas diversas áreas da saúde, nomeadamente na área da maternidade.

O nascimento é o momento em que se dá a separação de dois seres. Dois seres que partilharam uma relação de intimidade durante nove meses. Assim o parto não é somente um processo fisiológico mas também um processo social.  Neste processo existem alterações nas relações entre mulher/família e o meio onde está inserida. (Martins; Mira; Gouveia; 2007:46).

Estudos realizados com a ajuda da ecografia e sob a análise de psicanalistas, revelaram que o feto é um ser que ouve, compreende, sente e reage. Demonstra ser sensível ao tom de voz, suave ou agressiva, reage também aos barulhos intensos e ao estado emocional do ambiente externo. Às vinte semanas este responde ao som e á melodia.

Quando a mãe comunica com o feto, este reconhece o timbre emocional da voz da desta.

Assim, ao ouvir musica calma, o desenvolvimento do feto é influenciado de uma forma positiva.

A forte ligação entre o som/música e memória/aprendizagem pré-natal tem sido demonstrada em experiências formais, observação dos pais, relatórios clínicos e relatos na primeira pessoa. A música, o som e o desenvolvimento humano estão intimamente ligados.

Na memória de um bebé são guardadas todas as sensações que lhe foram transmitidas pela mãe ao longo da gravidez. O feto ao ser sensível às ondas sonoras, sentir-se-á mais calmo se no decorrer do trabalho de parto, a mãe lhe proporcionar melodias que lhe são familiares. Compositores clássicos, tais como Bach, Vivaldi, Mozart e Strauss são os mais solicitados devido às suas melodias orquestradas e agradáveis. No caso do rock e Samba os seus sons fortes e agressivos dificultam a interacção da mãe e bebé.

O ambiente da sala de partos para os casais poderá ser considerado como estranho. Assim a música (principalmente a escolhida por estes) poderá reduzir o stress e a ansiedade. A utilização da música poderá ser considerada como um fenómeno que ajuda a encontrar no trabalho de parto uma experiência menos traumática e o mais agradável possível.

Para Browning (2000), a utilização da música durante o trabalho de parto traz benefícios. Ou seja, ajuda na respiração, relaxamento, distracção/controle da dor.

Phumdoung, Good (2003) acrescenta que a música pode ser utilizada no início do trabalho de parto, tendo como objectivo ajudar as mulheres a encarar as contracções de uma forma mais relaxada.

A música escolhida pelos pais torna todo o processo mais pessoal.

Assim, o bebé chega e este mundo com música, sons e vozes que lhe são familiares. O nascimento torna-se um momento especial e o som musical preferido dá-lhe mais beleza. Todo este processo é vivenciado de uma forma única e estimulante.

A dor e o prazer aparecem como duas formas distintas e relacionadas no decurso do nascimento. Assim a música pode revelar tanto o esforço físico como a alegria do momento. Os benefícios da musica podem ser empregados tanto durante o parto vaginal, com ou sem analgesia, como durante uma cesariana.

Em suma, a utilização da musicoterapia é um aspecto importante para a distracção e o relaxamento da mulher. Focar a atenção na música faz com que se abstraia do ambiente envolvente, encarando o trabalho de parto como um fenómeno de tempo limitado que lhe irá oferecer alegria e felicidade.

 

Por Ana Filipa Ferreira,  Enfermeira Especialista em Saúde Materna e Obstetrícia

A importância da arte na educação infantil

Enquanto profissional em Educação de Infância, questiono-me várias vezes no quanto é importante o investimento no trabalho que me proponho realizar, pelo prazer em ensinar crianças, pela satisfação em sentir que o contributo educativo terá os seus frutos…!

Numa das minhas reflexões, ponderei na importância da arte na educação infantil, visto que o meu trabalho direto, é uma forma de expressão artística em pleno!

4 RAZÕES PELAS QUAIS A ARTE É TÃO IMPORTANTE NA EDUCAÇÃO DE INFÂNCIA

“As crianças adoram música, dançar, pintar, jogar, e expressar-se de formas criativas. Adoram dar sentido ao mundo ao seu redor.

No entanto, como se essas razões não fossem suficientes para incluir componentes como arte e música na educação infantil, a pesquisa indica que as artes, incluindo a educação musical para as crianças, têm impactos significativos no desenvolvimento cognitivo, aumenta a autoestima, e envolve ativamente todos os agentes envolvidos na aprendizagem: as crianças, os pais e os professores!

As artes criativas envolvem as crianças através de um ensino multissensorial

É importante que a criança tenha oportunidade de aprender num formato multissensorial, tais como a música e as artes visuais. Isto porque, cada um dos cinco sentidos (visão, olfato, audição, tato, paladar), ativam neurónios específicos no cérebro.

Para as crianças, atividades multissensoriais proporcionam mais oportunidades de aprendizagem do que as atividades individuo-sensorial, uma vez que o cérebro se torna envolvido no processo de apreensão da “matéria”. Por exemplo, numa aula de música, as crianças experimentam a aprendizagem multissensorial quando ouvem e imitam sons de animais, quer seja vocalmente ou através de um instrumento, quando vêm os animais na história, e depois se movimentam como eles.

Atividades de arte, podem estimular o sentido do olfato e do paladar através de obras de arte comestíveis, como por exemplo fazer um arco-íris em cereais coloridos ou mesmo usar tintas de dedo comestíveis para as crianças mais jovens. Além do mais, as experiências que integram vários sentidos simultaneamente são responsáveis por impressões duradouras e com maior retenção.

Atividades musicais estimulam o desenvolvimento em todas as áreas do cérebro.

Enquanto a aprendizagem multissensorial envolve crianças e proporciona maior retenção, a educação fornece benefícios cognitivos comprovados pela investigação. Incorporando música e movimento na rotina de aprendizagem da criança consegue-se estimular todas as áreas do cérebro, incluindo a visão, o equilíbrio, a audição, a fala, o comportamento, a sensação, a cognição, o movimento e as emoções

Deixo este vídeo que aborda de forma acessível, quais os benefícios para o cérebro da reprodução musical.

Aulas de arte e música ensinam as crianças a gostar de aprender e da escola.

Professores e pais concordam. Todos queremos crianças a adorar a escola e a aprender.
Quando perguntamos:
Qual foi a coisa que mais gostaste na escola hoje,”  – a arte e a música são consistentemente classificadas no topo da lista para as crianças. Por quê? Porque é divertido!

Com o passar dos anos, as crianças carregam o amor e o interesse em aprender e ir à escola, para os anos elementares e superiores. Além disso, as matérias aprendidas nas aulas de música podem ser aplicadas ao longo do dia. As crianças que participam ativamente em aulas de música coletivas, aprendem a trabalhar em equipa, a partilhar, a ouvir e a incorporar as ideias dos outros. Aprendem o valor das suas próprias ideias! Além disso, as atividades musicais podem ajudar as crianças a aprender a autorregulação, a capacidade de regular pensamentos, sentimentos e ações.

Estas competências traduzem-se em estar pronto para aprender e ter sucesso na escola.

 

Adaptado de mindsonmusic,
by Kindermusik para Up To Kids®

imagem@googleplus

2014 chegou ao fim, e a Up To Lisboa Kids quer agradecer a todos os leitores por terem feito parte desta nossa aventura. Obrigada por nos lerem lido, seguido e partilhado. Obrigada por gostarem de nós. <3

Em 2015 continue connosco. Saia mais. Veja mais espetáculos. Leve os miúdos a workshops. Não perca uma exposição. Siga os programas gratuitos. Participe nos nossos passatempos. Desça um escorrega. Aplauda uma peça de pé. Vá a um concerto infantil. Passeie de elétrico. Suba ao Padrão dos descobrimentos. Perca-se em Alfama. Vá ao Planetário ao Domingo de manhã. Ande de bicicleta na promenade de Belém. Coma um pastel. Façam pizzas ao almoço. Compre mais livros. Observe as boas ilustrações. Vá ouvir um conto. Ou vá ver uma curta. Descuide a rotina. Seja espontâneo. Vá a uma exposição de banda desenhada. Dê pão aos peixes no lago à frente do Aquário Vasco da Gama. Vá a um bailado. Coma castanhas na rua. Uma fartura nos carrosséis. Grite numa peça de improviso. Salte no parque. Veja um clássico na Cinemateca Júnior. Continue connosco. Estas são apenas algumas das sugestões que irá encontrar nas nossas páginas. Inspire-se nos nossos artigos. E se gostar partilhe. Nós agradecemos.

Os nossos números e os mais lidos

Em 2014 tivemos 2 milhões e meio de visitas, ao longo de 491 posts. O post mais visto foi publicado no dia 25 Fev’14 e teve 79,349 visualizações.

Fomos lidos em 196 países do mundo, sendo Portugal o grande líder das nossas audiências, seguido pelo Brasil, Uk, Angola, Moçambique, EUA, Austrália, etc.

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Fomos convidados para ir à TV duas vezes. E fomos.

Construímos ligações, criamos parcerias, fizemos amizades.

O post mais visto teve 281,112 visualizações, e caso lhe tenha escapado ou queira reler algum artigo fica aqui a lista dos mais lidos em 2014:

7 atitudes dos pais que irão impedir os seus filhos de se tornarem lideres

Carta de um pai para a sua filha

A verdade sobre ter um terceiro filho

Se, antes de ter filhos, eu soubesse…

Carta às mães mais que perfeitas

A influência dos elogios no desempenho das crianças

7 segredos para criar crianças mais felizes

És definitivamente uma mãe quando

O que deve saber uma crianças de 4 anos

Estamos em contagem decrescente para o Natal.

É altura de estar com a família, mimar as crianças e repensarmos o ano que passou. Mas numa altura em que somos inundados por anúncios de brinquedos qual o melhor presente que podemos oferecer às crianças?

Alvin Toffler, futurista e escritor americano previu a Terceira Vaga de revolução em que nos encontramos há mais de 30 anos. Vivemos uma era competitiva em que mais do que o trabalho físico ou industrial, o conhecimento tornou-se a arma mais poderosa de inovação e desenvolvimento. O mercado de trabalho está saturado e a licenciatura outrora uma mais valia já não é, em muitos casos, suficiente. É preciso ser melhor que todos.

Estudar, terminar de estudar e voltar a estudar. Frequentar especializações, mestrados e mantermo-nos actualizados numa era que tudo se desactualiza e passa de moda a cada instante.

A educação é a chave para um futuro de sucesso. Este é o melhor presente que poderemos oferecer aos nossos filhos. Uma educação completa que lhes permita acesso a um mercado de oportunidades. Um excelente domínio de línguas que lhes abra portas para outros países, outras realidades.

Há que investir hoje para um melhor amanhã. É preciso brincar, sorrir e amar mas é preciso também educar, ensinar, proporcionar e desenvolver.

Por Mariana Torres, Helen Doron National Franchisor Portugal
para Up To Lisbon Kids®

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Os benefícios que a atividade de música promove nos bebés e crianças:

1. Dançar, balançar ao som e ritmo musical favorecem o sistema vestibular da criança, ou seja, é o sistema responsável por auxiliar o cérebro a entender a gravidade, a adquirir equilíbrio e a desenvolver a consciência espacial.

2. O “steady beat” ajuda a criança a adquirir capacidade de caminhar sem esforço, falar expressivamente, ler com fluidez e regular movimentos repetidos.

3. A utilização de instrumentos musicais promove o desenvolvimento das competências psicomotoras finas, ou seja, o movimento de segurar utilizando os dedos polegar e indicador vão permitir uma futura utilização correta do lápis, da caneta, da tesoura…

4. Jogos de vocalização colocam os bebés em contacto com sons da língua utilizada e ensinam-lhes a estrutura da comunicação verbal.

5. A música desenvolve habilidades de escuta discriminatória dos bebés, através da audição de sons de vários instrumentos e de vozes que cantam. A capacidade de detetar e distinguir sons, colocam os bebés no caminho de receção e aperfeiçoamento da linguagem.

6. Dançar e movimentar-se com música proporciona ao bebé e à criança adquirir consciência espacial, coordenação óculo-manual e coordenação visual, que é um processo fundamental para a escrita e leitura.

7. Participar em atividades musicais em grupo favorece o desenvolvimento social e emocional da criança, pois quando cantamos, batemos palmas, saltamos ou dançamos com os bebés em grupo, proporcionamos experiências facilitadoras do vínculo socio-emocional.

8. Ouvir música suave ajuda a criança a relaxar.

9. Incorporar a palavra com o movimento aumenta a compreensão da criança, sobre o conceito introduzido, mesmo antes que o bebé possa falar.

10. Os benefícios da música são tão grandiosos, como permitirem que o cérebro da criança processe e retenha mais facilmente a informação, saiba regular o comportamento e fazer as suas escolhas, saiba resolver problemas, planear e adaptar- se às novas exigências intelectuais.

Por Ana Almeida, Kindermusik with Ana & you
para Up To Lisbon Kids®

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