Treinar a voz interior

Se há situação em que notamos logo como é a nossa voz interior, é quando “queremos” ir ao ginásio, mas na verdade não queremos.

No meio dos vou mais ao fim do dia”, “2019 é que vai ser”, “amanhã é que há uma aula boa” e o hoje está demasiado frio”, o nosso mindset está em tenho de ir ao ginásio”.

Quando não vou, sinto-me mal comigo própria, o que resulta em ainda menos idas ao ginásio. O “tenho de ir” tem a carga da obrigação e da falta de opção, o que despoleta uma falta de envolvimento da nossa parte.

Parece que alguma força exterior me está a obrigar a fazer algo que não quero, o que também nos leva inconscientemente à procura do culpado. A nossa atribuição de culpa soa mais ou menos a isto:

“Tenho de ir ao ginásio porque fartei-me de comer no Natal!”,
“Tenho de ir arrumar a casa porque vou ter cá um jantar mais logo”,
“Tenho de ir às compras porque o meu filho come que se farta”

Isto faz com que ao executar qualquer uma destas tarefas, seja bastante difícil encontrar a mínima alegria no processo. Sentimo-nos à mercê de tudo o que temos para fazer, sem a mínima escolha.

Quando trocamos o “eu tenho de ir” por eu escolho ir”, esse poder e responsabilidade são-nos devolvidos.

O nosso envolvimento cresce, e a nossa vontade também. Mesmo que ao princípio pareça um pouco estranho, quanto mais treinares mais habitual e natural fica o processo. É um clássico e poderoso “Fake it until you make it”.

“AH! Mas eu não escolho ir às compras. Se eu não for o que é que se come cá em casa?” 

Todas as escolhas têm consequências. Se eu não comprar a comida, de facto ela não aparece. Quer dizer pode sempre aparecer uma pizza com a morada errada… mas há várias formas de comprar. Posso comprar online ou comprar no dia seguinte, e fazer o jantar com o que há em casa. Posso fazer jejum intermitente, ou acabar com todos os restos perdidos no frigorífico.

Na verdade, tenho escolha entre várias hipóteses quando escolho ir às compras, apenas no momento não estou a tomar consciência das outras opções.

Esta mudança na forma de verbalizar e ver as situações, deve ser passada aos nossos filhos desde cedo.

Uma abertura de enquadramento e tomada de consciência das opções escondidas, que é a forma de os ensinar a terem um papel activo nas suas vidas. A envolverem-se, a importarem-se, a tomarem responsabilidade, a encontrarem novas soluções, a desenvolverem o seu potencial. Ensina-os a terem uma voz interior que os apoia, e uma autoestima saudável cheia de jogo de cintura.

Ao encontrarmos o poder da escolha em nós, a nossa motivação dispara. Imediatamente. Por exemplo, eu hoje já com o saco da ginástica à porta disse para mim “Eu escolho ir ao ginásio”. Aí percebi que também me apeteciam igualmente outras opções: fazer yoga na sala, fazer uma caminhada para apanhar este sol de Inverno catita, ou fazer nada no sofá. Mas quando acrescentei:

“Eu escolho ir ao ginásio… para tomar banho SOZINHA sem ouvir ó mãeeeeeeee!”, peguei no saco, imediatamente, e saí a correr de casa altamente motivada.

Afinal para que serve a Escola?

Há muita gente que casa por casar. Que vota por votar. Que anda cá por ver os outros andar. Há muita gente que vive por viver.

E a escola? Porque vão à escola os nossos filhos?

Às tantas vão à escola porque nós também fomos, porque “toda a gente vai”… Não será importante pensarmos as razões que nos levam a acreditar na escola? Até há uns anos, acreditávamos que a escola traria emprego.

Hoje, num mundo em mudança, sabemos que não é bem assim. Há muitos empregos que ainda nem foram inventados. E, por outro lado, cada vez mais empresas estão atentas a algo mais do que apenas “o currículo”, na hora de escolher colaboradores.

Quando nos colocamos em bicos de pés e exigimos dos nossos filhos apenas que tenham boas notas, estaremos a pensar verdadeiramente no futuro deles? Ou será que, como adultos, desejamos ter filhos com boas notas, numa espécie de competição com outros pais?

Há muita gente que diz que deseja filhos felizes. Mas depois, exige notas. Quadros de honra e afins.

Não estou, de forma alguma, a fazer a apologia das “más notas”. Mas sei que há crianças e jovens infelizes nas nossas escolas. Sei que há crianças e jovens infelizes por causa das nossas escolas. Sei que há professores que desejavam fazer diferente. Debater mais. Falar mais da vida nas entrelinhas do currículo escolar. E sei que há pais a “apertar” com os professores por causa dos exames.

Sabemos que as máquinas, as tecnologias, estão a chegar.

Se queremos crianças com um futuro, com uma ocupação, com um trabalho, não será importante reforçar neles as características que nos distinguem das ditas máquinas? É fundamental saber. As matérias são, no geral, importantes.

E ser? E entender? E compreender o mundo? E saber pensar? E criar? Se é importante saber, então se pensarmos nestas outras competências, teremos um caminho diferente a percorrer.

Queremos que eles tenham boas notas. Neste exame que é a vida

Estaremos a preparar os filhos para a adolescência?

Pensando nesta viagem entre o planeamento do nascimento (quando o há)  até à vida adulta dos nossos filhos…

Já pensaram nesta questão em voz alta? Ou mesmo em silêncio?

Acredito que a maternidade e paternidade são muito mais do que dois cromossomas unidos e sobre isso já teci várias considerações .

A primeira infância

A primeira infância passa a correr. Entre mudas de fraldas, as primeiras colheres de sopa, algumas quedas e visitas frequentes ao centro de sáude. As febres, viroses e afins, as birras e as noites sem dormir. Passa a correr. E quando finalmente desacelaramos, a criança atingiu os dois primeiros anos de vida. Se o trabalho de casa foi bem feito (e deve ter sido), ela tem em si muitas ferramentas que facilitarão a etapa seguinte. Estou, evidentemente, a falar da estimulação do desenvolvimento global do bebé, que é crucial para o desenvolvimento futuro.

Apercebi-me, há alguns dias, que está novamente em desuso contar histórias em ambiente familiar, falar com a criança ou cantar. Permitir a brincadeira ao ar livre, as quedas, o sujar e o brincar…

Isto preocupa-me.

Entrada para a escola e 1º ciclo

Numa segunda fase, a criança transita entre o pré escolar e o primeiro ciclo e inicia-se a fase das aquisições consideradas importantes. A educação do currículo evedencia-se em detrimento das artes. Pintar, desenhar, dançar ou cantar são atividades de preenchimento de horários. Com sorte, terão pais e mães atentos que lhes permitirão trabalhar estas áreas de expressão em casa ou noutros contextos.

Surgem as atividades extra-curriculares que dão aso à liberdade da criança quando estas têm a possibilidade de as escolher por iniciativa própria e não por imposição de elites sociais, caindo no erro de não contribuírem efetivamente para as necessidades da criança.

A adolescência

O tempo passa a correr e logo o segundo e terceiro ciclo chegam e o bebé, é de repente, adolescente. E agora?
Foram criados os laços afetivos necessários na infância?
O jovem adolescente  sente a sua casa como um lar onde poderá partir e voltar, sendo acolhido nas suas escolhas?
Poderá partilhar as suas ansiedades, dúvidas e questões?
Irão respeitar o seu espaço, a sua integridade física e moral? Os seus silêncios…

Às vezes sim , outras não…E assim vamos modelando adultos que nunca ouviram um Acredito em ti , És capaz, Estou aqui se não der certo, Tenho orgulho em ti, Gosto de ti, Apesar do teu comportamento estou aqui contigo!

O verbo amar nem sempre se resuma a: tens fome, tens sede, tens escola, tens roupa, tens dinheiro…

O tic tac do relógio está a contar, já pensou neste caminho?

É igual ao seu? Talvez sim, talvez não!

“O meu filho não tem motivação para nada”.

Esta é uma das frases que mais oiço por parte de pais de adolescentes.

Do lado de cá, compreendo-lhes a angústia, tal como sou solidária com o lado de lá, que usa a inércia para mascarar o medo, a vergonha ou a incerteza de não se saber bem quem se é ou de não se estar à altura daquilo que esperam que se seja.

Quando nos nasce um filho, nasce-nos um sem fim de desejos, de projetos, de finais felizes, que servirão como uma luva (achamos nós) àquele pequenino ser. Nasce, ainda, a oportunidade única de nos redimirmos do nosso lado lunar, esperando que deles, seres de luz, venha sempre sol.

À medida que crescem e se tornam gente, vão dando pequeninos passos no sentido de nos ensinar a ajustar expectativas, a tropeçar nas certezas que criámos e a perceber que afinal por ali mora, tal como em nós, a lua, o sol e até a chuva intensa. E é precisamente aqui, nesta espécie de microclima tropical que é a adolescência, que tudo aquilo que sonhámos que seriam, dá lugar a tudo o que podem vir a ser e à necessidade de o perceber através de um caminho próprio, único e irrepetível.

O que se segue, é muitas vezes uma dança difícil entre pais e filhos, marcada pela tensão natural entre quem exige e quem é exigido e tantas vezes, pelo desejo secreto de que as coisas pudessem resolver-se outra vez com um pronto  “Anda cá que a mãe ensina…”.

E agora?” – perguntam vocês. “Como é que se ajuda a sair da tempestade, molhados, mas com vontade de enfrentar as próximas?” E eu respondo, outra vez: “Sendo porto de abrigo”, sempre que possamos tentar os passos seguintes:

Dar espaço.

Conviver com um filho que não parece interessar-se por nada, que não estuda, que não cumpre, que se perde nas horas do dia, pode ser extremamente desafiante para os pais, correndo-se o risco de transformar a sua inércia no tema de conversa preferido de toda a família (não que o prefiram, mas ele está sempre lá). Passa então a falar-se sobre isto constantemente, à refeição, na chegada a casa, antes de dormir, no carro à porta da escola… E com o tempo, a desmotivação passa a definir a sua atitude geral perante a vida e o que era passageiro, instala-se e perdura. É por isso importante desligar o modo “sermão” e centrarmo-nos naquelas que são as suas características positivas. Valorizar todas as oportunidades que possam tornar-se acendalha para lhes atear a chama outra vez. E é importante, sobretudo, deixar de falar deles e passar a falar com eles.

Compreender.

A falta de empenho é muitas vezes apenas a parte visível do iceberg. Um recurso para se defenderem de algo com o qual não se sentem capazes de lidar. Não liga nenhuma à escola porque acredita que os outros serão sempre melhores do que ele. Não investe no exame final porque acha que nunca vai conseguir ter uma nota que satisfaça a família. E assim, por evitamento, se vão confirmando todas as profecias, as dos pais e as do próprio.

É assim fundamental compreender que a desmotivação pode ser um sinal de alterações emocionais ou de uma baixa auto estima que, alimentadas por sentimentos de incapacidade ou de maior vulnerabilidade, acabam por impedir os jovens de explorarem as suas capacidades e de correrem atrás daquilo que desejam. Ouvir o que tenham para dizer (evitando o rótulo fácil), procurar ser empático com o que estão a sentir e partilhar quem fomos em momentos semelhantes, pode ajudar a desbloquear emoções associadas ao momento de impasse, tornando-as menos pesadas e logo, mais passíveis de transformação.

Exigir.

Compreender o que sentem e os desafios que atravessam. Isto não significa que sejamos coniventes com a distância afetiva que aumenta sempre que chegam tarde a casa por sistema ou sempre que evitam a todo o custo qualquer programa de família. Na adolescência, a experimentação de uma maior autonomia e independência, natural e altamente desejável, não pode sobrepor-se em larga escala ao tempo de todos e às regras de funcionamento do espaço familiar (horários, rotinas, divisão de tarefas…). Quer isto dizer que são de compreender e tolerar algumas escapadelas, mas o essencial deve manter-se, por mais contrariedade que às vezes provoque.

Acreditar.

Saber que a adolescência é um período de  aprendizagens riquíssimas e de aquisições determinantes para o resto da vida, ainda que às vezes a navegação pareça fazer-se ao sabor do vento, ajuda a não perder de vista a importância de valorizar e a incentivar todos os pequenos passos que possam dar em direção ao crescimento. Estimulá-los a que se envolvam ativamente nas diferentes alternativas de solução para os problemas com que se deparem, fá-los também sentir também que confiamos na sua capacidade para superar todos desafios, ajudando a agir.

Quando um filho nos diz que não tem motivação, pode estar a dizer-nos que precisa que o ajudem a compreender-se melhor. Que precisa que olhem para si tal como é (e não como as histórias que se contam sobre ele) . Que precisa, enfim, que lhe digam, muitas e muitas vezes, que a vida vale a pena e que neles mora tudo o que é preciso para conquistar o mundo.

Ainda que o passo firme e o brilho no olhar possam vir depois, e se instalem, para não mais os deixarem sair.

imagem@wapmia

Meditação para crianças

A meditação é uma das técnicas mais simples das terapias complementares. Durante os momentos meditativos o cérebro trabalha na sua forma mais subtil e correspondente ao estado de descanso. É neste estado mental que nos encontramos mais calmos, serenos, controlamos melhor as nossas emoções e sentimentos.

Muito breve seremos um planeta onde a regeneração será automática, o Ser humano com consciência que é ou seja, luz e energia, todos os seus habitantes deixarão de evoluir pelo sofrimento. Para que tal aconteça uma reforma implacável que pode até ser dolorosa para alguns, está já em movimento.

Respeitar a vida e ter bom controlo da sua própria vida é fundamental. Crianças que fazem Meditação trabalham o magnetismo, como resultado ficam mais fortes. É resultado do bom trabalho energético que começa a crescer e estar presente na aura. Desta forma, a criança atrai para si melhores situações e melhores pessoas.

A meditação aplicada as crianças é cada vez mais recomendada por todo o mundo. A meditação ajuda a minimizar ou mesmo transformar questões hoje tão faladas como falta de aproveitamento escolar, hiperactividade, défice de atenção, mau comportamento, distúrbios depressivos, dificuldades ou perturbações do sono e fortalecimento da auto-estima e auto-afirmação.

Sempre que o estado meditativo é exercitado, o estado criativo abre e é desenvolvido. Por este motivo além do exercício de meditação pode acontecer um conjunto de algumas actividades como construção de mandalas, pintura, moldagem, ou canto. Esta é uma área onde o Ser pode desenvolver a sua criatividade e tirar partido dela.

A respiração é vida, saúde, bem-estar, alegria e boa disposição. Aprende por isso respirar bem pois pode ser útil em situações de emergência, acidentes, medo, stress, choro, ou qualquer desorientação.

Gostar e estimar o corpo físico, comendo bem, dormindo bem e tendo cuidado com uma disciplina regular de exercício é fundamental para que se sinta bem consigo mesmo. Na meditação são explicadas algumas técnicas de postura que facilitam a concentração e reduzem o stress. Para respirar bem e manter o corpo saudável este deve ter uma postura correcta e direita para que a coluna vertebral seja respeitada.

As crianças precisam de exemplos activos e de boa consciência. Nascem mais inteligentes que nunca. Com maior visão e sabem enquanto almas mais do que os pais e professores. A Meditação pode colocar todos no mesmo patamar de conhecimento e consciência facilitando assim o processo de relacionamento.

É difícil para uma criança conseguir meditar por muito tempo seguido. Meditar por breves momentos mas regularmente é mais eficaz. O importante é a aprendizagem da disciplina e saber respeitar momentos de interiorização e de silêncio. O esforço do adulto em acompanhar a criança vale imensamente a pena. A criança torna-se mestre de si, da sua vida, fica mais independente e mais alegre.

O desenvolvimento gradual que ocorre com as aulas de Meditação tornam o carácter da criança mais sólido e ajuda por isso a que ela atinja mais facilmente os seus objectivos. Um Ser que consegue atingir os objectivos que o faz feliz e que são necessários, como boas notas na escola é mais confiante e tem mais tempo para criar e pesquisar outras actividades ou conhecimentos.

Crianças que Meditam encontram dentro de si a segurança e a firmeza de propósitos já não dependem tanto dos adultos. Torna-se mais independentes e mais sábia nas suas escolhas. Ouve a sua intuição com facilidade por esse motivo estão mais protegidas. O amor desenvolve-se à medida que temos mais confiança, mais estabilidade.

As crianças reagem por medo ou por reconhecimento. O reconhecimento marca, tal como o medo, mas pela positiva. Fazer Meditação pode ser em casa, no jardim, na escola. São viagens a tua procura e para a tua educação. Mergulhos no escuro que se faz claro.

As crianças precisam de disciplina e parâmetros para saber como viver neste planeta, esta é a função do adulto. A Meditação pode trazer esta educação e funcionar ainda como uma excelente forma de auto conhecimento.

Saber quais as suas reais capacidades e fazer uso delas, aperfeiçoar o que é mais difícil, não só o torna um Ser mais completo, como constrói a auto estima e magnetismo.

Na escola

A escola é um local de crescimento e criatividade deve por isso ser um aparelho flexível e enquadrar novas formas de pensar e de trabalhar. Quem orienta as linhas de organização da educação deve meditar e recordar como foi quando era criança. Professores devem meditar e assim alcançar paz para conseguir novos dias, novos métodos uma renovação que aguarda dias de criatividade e boa vontade para nascimento de uma nova escola.

Em conclusão…

Todos são unânimes em dizer que vivemos momentos de crise mundial. Momentos de crise tornam o homem mais sábio, mais responsável, mais criativo. O interior de uma criança é suave e original, momentos de sabedoria para quem está atento. Aprenda com eles. Faça Meditação em família, aprenda a ouvir os mais novos, cresçam em conjunto e deixe-se contagiar.

 

“Passei então a marcar, com uma caneta verde os grafismos mais perfeitos para que se pudesse concentrar nas suas vitórias e não nas derrotas.”

Princípio da caneta verde

A minha filha não foi para a escola na infantil e pré-primária como a maioria das crianças. Ficou comigo em casa, e eu própria desenvolvi diariamente os conteúdos pretendidos, em casa.

Quando começamos a trabalhar os grafismos na motricidade fina, apercebi-me de que, ao corrigir os seus trabalhos com uma caneta vermelha estava a valorizar os seus erros, e não aquilo que estava correto. Aquilo que tinha conseguido realizar com esforço e concentração.canetavermelha

Passei então a marcar, com uma caneta verde os grafismos mais perfeitos para que se pudesse concentrar nas suas vitórias e não nas derrotas.

Ela gostou muito disso. Queria sempre melhorar e quando acabava de preencher uma linha com um grafismo ou uma letra, perguntava-me qual era a letra mais bonita da linha. E ficava ainda mais feliz quando me via a rodear a letra perfeita com a caneta verde.

Qual a diferença entre as duas abordagens?

No primeiro caso estamos a concentrar-nos no erro. Ora, uma criança com uma memória visual aguçada está a reter uma imagem errada no seu subconsciente e a assimilar que é errado, para não voltar a repetir. Ou seja, a criança vê-se obrigada a ter uma atitude diferente daquela que memorizou e que sabe estar errada. Vai da próxima vez, tentar evitar o erro. Mas há infinitas maneiras diferentes de errar… A aprendizagem nem sempre funciona por exclusão de partes.

No segundo caso estamos a concentrar-nos no objetivo. A criança memoriza o símbolo ou letra, e tenta reproduzi-la o mais idêntico possível. Ou seja, em vez de tentar evitar um erro, irá tentar alcançar um objetivo.
Parece a mesma coisa, mas a emoção e perceção da criança é totalmente diferente. Trata-se de uma motivação própria e não o desejo de evitar um erro. Se procurarmos estimular a criança a repetir algo bem feito, os resultados serão muito positivos.

Como é que esta abordagem de evidenciar os erros pode (e vai) influenciar futuramente na vida de adulto?

A resposta é óbvia: desde crianças que somos habituados a concentrar-nos naquilo que está errado. Na escola corrigem-nos os erros a caneta encarnada, em casa somos chamados a atenção quando não arrumamos os brinquedos, e quando crescemos, sabemos que se falharmos seremos apontados por isso. No entanto, raramente somos parabenizados por tudo o resto que fazemos corretamente.

 

Veja a última linha da imagem acima: das 18 bolinhas desenhadas, a tendência é marcamos apenas uma. Ou seja, 19 estavam corretas e apenas uma não estava. Vale a pena concentrarmo-nos nela?

Destacar o erro

Destacar o erro é uma abordagem que está tão intrínseca na nossa cultura e educação, que dificilmente nos livramos dela na idade adulta.  Esta é uma das razões da nossa sensação de insatisfação na vida. 

Este exemplo pode ser extrapolado para a vida de um casal, por exemplo. O seu marido tem 19 características incríveis, mas vão acabar por discutir porque você está constantemente a destacar aquela que não gosta, e que acha errada. Esta é uma das causas do insucesso das relações e do aumento exponencial dos divórcios.

É normal moldamos a vida dos nossos filhos com o mesmo molde que usaram connosco, sem pensar muito na questão e isso nem sempre é positivo.

Se colocar em prática o método da ’caneta verde’, vai ver que não precisa de mostrar aos seus filhos os erros dados, pois por vontade própria, com esforço e dedicação da criança, estes acabarão por desaparecer pouco a pouco. Notará diferenca ao níel do empenho e da auto-estima deles. Experimente!

 

Por Tatiana Ivanko, publicado originalmente em Real Parents

Traduzido e adaptado por Up To Kids®.
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