Sim, dependo de ti.

Dizem que dependo muito de ti, que às vezes não quero mais ninguém, que não devia andar tanto ao teu colo.

Foste a primeira voz que escutei, antes de conseguir ouvir a minha.

Foste o primeiro coração que ouvi bater, quando ainda estava longe de perceber que batia por mim.

Foste o primeiro aroma que senti, aquela fragrância de miminho e aconchego.

Foste a primeira separação (com o corte do cordão umbilical) que vivi e a prova de que existem amores que resistem a tudo.

Foste o primeiro colo que conheci, muito antes de saber que existiam outros disponíveis.

Foste a primeira mancha que tentei decifrar, quando estava longe de imaginar quão nítida se tornaria para mim a imagem do teu rosto.

Foste a origem da primeira canção que ouvi, não imaginas como cada tom me fazia sentir abraçado.

Foste a primeira fonte de alimentação que conheci. Na tua mama ou no biberão era ali que obtinha o que de mais básico precisava enquanto os nossos olhares cúmplices se cruzavam.

Foste a primeira forma de amor incondicional que conheci, ninguém imagina a dimensão daquilo que existe entre nós.

Sim, dependo de ti.

Sim, às vezes só te quero a ti.

Sim, quero estar ao teu colo.

Depois de tudo o que vivemos e continuamos a viver juntos, faria sentido ser de outra maneira?

 

“Quanto mais apegada a criança se sentir à mãe, mais segura se sentirá em relação a si e ao mundo. Quanto mais amor receber, mais amor conseguirá dar. O apego é tão importante para o desenvolvimento da criança como a alimentação, ou o respirar.” – Robert Shaw

 

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image@pixbayfree

 

 

Eu sou a mãe perfeita que comeu sushi e marisco na gravidez!

Eu sou a mãe perfeita que não amou loucamente o filho no segundo em que nasceu (ainda que o ame loucamente agora)

A mãe perfeita que só amamentou até aos 4 meses, e ainda assim lhe deu leite adaptado!

Eu sou a mãe perfeita que foi a correr para as urgências quando ele teve a primeira febre! Que chorou baba e ranho nos primeiros 15 dias!

Eu sou a mãe perfeita que viu o filho cair com a cara no chão, a centímetros das minhas mãos! Que já deu frutas de boião do supermercado (tantas vezes)!

A mãe perfeita que de vez em quando o deixa comer bolachas, estrelitas e pipocas!

Eu sou a mãe perfeita que já se chateou à séria com ele!

Eu sou a mãe perfeita que tem, quase sempre, a casa por arrumar, pó nas prateleiras e loiça por lavar! Que veste calças só para não ter que fazer a depilação! Que já esperou que o pai chegasse a casa para mudar a fralda! (enquanto não chegar aos joelhos, vale tudo)

Sou a mãe perfeita que já fingiu não o ouvir enquanto estava no banho, para que o pai fosse lá!

A mãe perfeita que já ficou na cama a dormir, enquanto o pai e ele se levantaram e foram brincar para a sala! A mãe perfeita que já o deixou com a avó para ir jantar fora!

Eu sou a mãe perfeita que o deixa comer terra ou areia e perceber por si próprio que não é lá muito agradável! Sou a mãe perfeita que nem sempre tem paciência para brincar! A mãe perfeita que, por vezes, quer apenas ficar a ver televisão.

Eu sou a mãe perfeita que às vezes o deixa dormir na minha cama só para não ter que o ir pôr na dele! Que nunca atinei com um marsúpio/sling  (ou lá o que chamam àquilo)! Sou a mãe perfeita que já o deixei dormir no carro!

Eu sou a mãe perfeita! E para quem tenha dúvidas perguntem-lhe a ele, quem seria para ele a mãe perfeita!

Aposto que a resposta, sou eu!

Gosto da mãe até à lua. Infinitos de infinitos e voltar

É inquestionável o amor que sentimos pelos nossos filhos mas e o amor que eles sentem por nós? Quantas mães não ouviram já, ou leram em cartas e recados rasurados, gosto da mãe até à lua e voltar? Infinitos de infinitos?

O amor que os nossos filhos sentem por nós revela-se em cada pormenor do seu dia-a-dia e em cada acordar noite após noite. Felizmente, no que toca a noites, falo de barriga quase cheia. Os meus três filhos dormem quase todas as noites pelo menos cerca de 10 horas seguidas.

O amor deles apresenta-se de todas as formas de arte que  conhecem e dominam.

Na arte da dramatização – com as birras de manhã para não ficarem na escola; na pintura –  com os desenhos que são, quase sempre sobre a mãe, que é, na maior parte das vezes, uma senhora alta, magra, de nariz largo e faces muito rosadas; na caça ao tesouro do conforto da cama da mãe em noites de pesadelos; no palco dos fins-de-semana por poderem ficar mais tempo na sala; na luta pelo lugar no sofá ao lado da mãe; na escrita criativa com as dedicatórias mais empenhadas e sobre avaliadas, confiantes que a mãe será sempre, ou pelo menos até serem adolescentes, a melhor mãe do mundo (esta parte da melhor mãe do mundo, sempre me deixou de consciência pouco tranquila, é só a mim?)

As manifestações de amor desaparecem com a idade

Naturalmente, com a idade, vão perdendo a vontade e o à vontade para grandes declarações de amor. Dos 3, o mais velho é o que, actualmente, menos se manifesta em relação aos sentimentos. Também eu, à medida que fui crescendo deixei de escrever notas aos meus pais a dizer o quanto gosto deles. E gosto tanto. Já não faço desenhos com a cara deles colada ao peito, os braços a saírem da cabeça e os olhos nas orelhas. Já não lhes peço colo no centro de saúde quando vou às vacinas. Nem chamo por eles em noites de trovoada. Também não lhes ligo de manhã a dizer que não me apetece ir trabalhar. Ou mesmo que gostava de ficar a dormir até mais tarde ou, simplesmente, a esborrachar o sofá lá de casa.

Na semana passada, uma criança, a um dia de fazer 4 anos, morreu nos braços da mãe, sufocada com uma bola saltitona. Não quero explorar aqui a tragédia da história em detalhes – sei que é a vida, que por oposição à morte, se revela com toda a efemeridade e fragilidade, com retalhos que não são fáceis de coser.

Basta um segundo para que tudo o que era, deixe de ser. Enquanto é, enquanto somos mães (e que o sejamos para sempre), enquanto somos filhas, netas, tias, enquanto somos sobrinhas, madrinhas e afilhadas, é dizer, falado, escrito e desenhado, as vezes que forem possíveis, com vontade e à vontade. Gosto de ti até à lua, ir e voltar, infinitos de infinitos. E mesmo depois, quando o que era já não é, vou continuar sempre a gostar de ti, até à lua e voltar, infinitos de infinitos.

imagem@MariaCarvão

Um estudo do Departamento de Psicologia da Universidade de Washington revelou que as crianças são 80% piores na presença das respetivas mães.

Em crianças com menos de dez anos, a percentagem sobe para  1.600%

Não era preciso um estudo para nos dar esta novidade. Mas é bom ter aparecido para termos a certeza que não somos nós que estamos a ficar malucas!

Quantas vezes deixamos os miúdos na cresce a chorar e a educadora diz que passados 5 minutos estavam óptimos? Ou vamos busca-los e conseguimos vê-los a brincar animadamente, até que dão pela nossa presença e está o caldo entornado?

Pois é, não estamos sozinhas.

O estudo da Universidade de Washington acompanhou 500 famílias. Avaliou em cada uma delas comportamentos como birras, gritos, tentativas de bater nos pais, carência e atos de começar a falar à bebé (crianças que já falam corretamente)… E  descobriram que as crianças de até aos oito meses de idade ficavam a brincar felizes de vida até verem a sua mãe chegar.

99,9% desta crianças demonstraram ter propensão para o choro e precisar de atenção imediata. Mesmo no caso de uma criança invisual que, a partir do momento em que ouviu a voz da mãe, começou a atirar coisas, e a querer lanchar (muito embora tivesse acabado de comer).

Um bebé de oito meses ainda se sente parte de sua mãe, o vínculo é fortíssimo. O fato de essa criança chorar, atirar as coisas ou “chamar a atenção” ao ouvir o som de sua mãe, é uma tentativa de voltar para perto de si!

Depois dos 2 anos, ou ainda nos 3 anos – idade da formação da sua própria identidade – as crianças tendem a confrontar mais aqueles em que eles têm maior apego e vêem como porto seguro, os pais, na procura das sua própria personalidade ainda em formação e ainda não conhecida por completo por eles. É algo complexo!

Crianças portam-se pior na presença das mães

O estudo revelou ainda que, nada mais nada menos do que a totalidade destas crianças se revelaram mais sensíveis às instruções passadas num tom de voz normal se provenientes de alguém que não a sua mãe. Para receber resultados comportamentais semelhantes, as mulheres tiveram de falar num tom de voz muito alto, como se alguém tivesse a ser atacado por um animal feroz.

Paul Olsen, pai de três crianças e participante no estudo, ficou chocado com os resultados.  “Eu nunca percebi porque é que a minha mulher nunca conseguia fazer nada quando estava com os miúdos: ela é literalmente o íman e a kriptonite deles. No entanto, comigo eles são totalmente diferentes.”

 

Artigo de momsnewdaily, adaptado para Up To Kids®

 

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A todas as Marias do mundo

Em tempos tive uma colega de trabalho que me parecia totalmente desorganizada e talvez um pouco obsessiva.

Na altura eu não tinha filhos e ela tinha dois em idade escolar.

Nunca chegava a horas. Aparecia sempre com alguns minutos de atraso, o que na minha cabeça não fazia qualquer sentido. Todos os dias havia um drama; ou eram as notas dos putos, o carro avariado, o ex-marido que não colaborava, uma consulta médica, a mãe ou a avó ou o cão ou o gato….

Hoje, por um comentário de uma colega de equipa percebi que agora sou eu a Maria.
Não chego atrasada porque felizmente tenho a ajuda do meu marido, mas nunca, nunca mais vou desvalorizar 30 segundos que seja.

Uma birra matinal, um xixi à última da hora, um abraço mais prolongado na despedida no colégio.
E sim, eu sou a pessoa que treme quando recebe um telefonema da educadora, mesmo quando é só para dar um recado.

Sou a pessoa que todos os dias tem mil e quinhentas coisas em que pensar. Almoço, escola, férias (meu Deus as férias!) horários, roupa, calendário das festas de anos, prendas para as festas de anos…
E muitas vezes tenho de sair mais cedo – são consultas médicas, festas de fim do ano, avaliações (e o mês de Agosto!?).

Eu sou a Maria!

A que coloca os filhos em primeiro lugar. A que tinha uma carreira e agora tem um emprego. A que saía todos os fins-de-semana e tinha uma vida social preenchida e agora foi promovida a motorista em part-time.

Eu sou a Maria! A que às vezes está perfumada e maquilhada e outras usa o cabelo apanhado porque não teve tempo de se pentear.

Eu sou a Maria, a que suporta os olhares reprovadores dos colegas sem filhos ou daqueles que já não se lembram quando tiveram filhos pequenos.

A que se contenta por ter um emprego. Porque eu sei que a minha verdadeira carreira, o que faço bem e que me dá maior retorno e prazer não acontece no horário das 9:00 às 18:00.
Eu tenho duas filhas e sei que, um dia, também elas terão esta capacidade maravilhosa de serem mulheres, mães, amantes, terem um emprego (com sorte uma carreira), gerir uma casa, controlar o choro, os nervos, a vontade de gritar ou desistir…, porque todos os dias ao acordar também elas serão Marias no seu tempo, e vão poder olhar para o rosto de seres maravilhosos e pequeninos e ter um grande motivo para sorrir e viver.

 

A maternidade consiste numa série de eventos infelizes que une as mulheres no mais ingrato e revoltante trabalho do mundo.

Ok, é muito mais do que isso, mas os eventos infelizes fazem, definitivamente parte desta experiência universal.

Quando me cruzo com uma mãe, quer seja a Angelina Jolie ou uma mãe solteira adolescente, sinto uma ligação instantânea com ela, porque sei que ambas já tivemos um puto a vomitar na nossa cama ou um bebé a arder de febre pela noite dentro.

Quando era miúda, pertenci aos escuteiros e ganhei algumas medalhas de mérito que na altura serviam basicamente para me gabar de feitos como boa desportista/atleta, voluntária para uma boa causa etc. Tenho andado a pensar em procurar esse cinto, e criar as minhas próprias medalhas de mérito: As medalhas da maternidade!

  1. Medalha Melhor Engenho: Apanhar vomitado no ar com as próprias mãos
  1. Medalha melhor estátua: Fazerem-nos xixi para cima e nem sequer pestanejarmos
  2. Medalha Disney: Conseguir não perder um dos miúdos no parque
  3. Medalha melhor Voluntário: Sobreviver a uma tarde com miúdos chatos, mal criados, irritantes e que não são os meus.
  1. Medalha Melhor Magia: Desaparecer com uma fralda suja em público, num carro em andamento, ou quando estamos ao telefone sem perder pitada da conversa.
  2. Medalha de Pesca: Pescar bolas de cocó da banheira sem te engasgares
  3. Medalha de sobrevivência: Tens de conseguir descansar tudo em três horas de sono
  4. Medalha da Versatilidade: Usar a casa de banho como esconderijo, pequeno escritório e, em caso extremo, quarto.

Em Scary Mommy, traduzido e adaptado com autorização por Up To Kids®, Todos os direitos reservados

História da receita:

O tempo que temos é curto e passa a correr. A seguinte receita procura devolver alguma normalidade ao caos, lembrar que por muito pouco tempo que se tenha, às vezes temos de o usar melhor. Só saímos a ganhar.

Receita de 60 minutos para ser feliz

Ingredientes (para famílias pequenas ou numerosas):

– Disponibilidade q.b.

– Atenção

– Muito amor

– Sentido de humor moderado

 

Dificuldade: Fácil/Moderada

 

Tempo: Acessível

 

Preparação:

Esta receita está dividida em três partes iguais de vinte minutos. O ideal será que consiga conciliar as três diariamente. A ordem apresentada é apenas uma sugestão.

 

Primeira parte:

Converse com o seu companheiro sobre o seu dia. Nada de televisão ligada, nada de consultar o telemóvel de dois em dois minutos para ver o e-mail, nada de ter o tablet na mão, nada de “deixa cá ver o que é que os miúdos estão a fazer que estão muito calados”, nada de falar sobre problemas. Converse apenas. Partilhe algo engraçado sobre o seu dia. Não se queixe do trabalho nem do tempo que perdeu no trânsito nem a birra que o mais velho fez quando o proibiu de sair com os amigos por causa das notas. Só importam vocês.

Se não tiver companheiro, vale fazer uma vídeo chamada para a amiga que imigrou, ligar à sua mãe (relembre que o tema problemas é proibido), conversar com o seu irmão. O que importa é que fale, converse, partilhe o seu tempo com alguém, alimente as suas relações. Diariamente.

 

 

Segunda parte:

Dedique tempo ao(s) seu(s) filho(s) – Ajude-o a resolver o trabalho de casa, oiça o que ele tem a dizer sobre o seu dia, sobre o que aconteceu com os amigos, deixe-o contar uma piada e ria-se pelo esforço que ele fez (provavelmente inversamente proporcional ao nível da graça), brinque com ele sem ralhar nem lembrar que deixou os legos espalhados, a televisão ligada na sala, demorou imenso tempo no banho ou custou a comer a sopa. Este momento é para ser vivido numa bolha. São vinte minutos de puro amor. Aproveite-os.

 

Terceira parte:

É chegada a altura de se dedicar a si. Não se esqueça que são vinte minutos em que não deve preocupar-se com mais nada.

– Tome um banho demorado sem ser interrompida;

– Veja parte do episódio da série que começou a seguir em 2013 (é muito mais emocionante ver os episódios repartidamente, aumenta o suspense, não é?);

– Pegue no livro que tem na mesa-de-cabeceira e dedique-lhe a sua total atenção;

– Olhe-se ao espelho e veja quem lá está, converse com ela sem críticas;

– Adormeça no sofá sem culpa;

– Passeie com o cão pelas redondezas para fumar aquele cigarro da semana e ver a vista da cidade à noite;

– Todas as anteriores, se for capaz e se for importante para si.

 

Nota:

Para servir basta apenas um sorriso no rosto… E agradecer as coisas boas que tem – de certeza que encontra umas quantas.

Já tem meio caminho andado para ser feliz.

Já estive do outro lado, do lado infeliz, do lado cansado… ao mesmo tempo que, por uns minutos, tinha laivos do lado feliz da maternidade. Esta mudança deveu-se muito a dormir melhor, mas também a tratar da minha ansiedade e a voltar a trabalhar.
Coisas que noto em mim, agora que está tudo mais calmo:
(não sei quanto tempo durará, mas sei que não será assim sempre e para sempre)
  • Quando a Irene me chama de manhã para acordar, vou cheia de vontade de a ver e entro no quarto com alegria e a brincar com ela e cheia de vontade de a mimar. – Dantes entrava triste, cabisbaixa, sem lhe passar alegria nenhuma por estar tão cansada e até zangada por ter sido acordada.
  • Consigo arranjar estratégias mais criativas para contornar problemas temperamentais. Dantes, assim que ela me dissesse que não queria trocar a fralda (assim que acorda), ficava logo enervada. Agora, brinco e lá se muda a fralda até de uma maneira divertida.
  • Tenho mais vontade de a integrar nas minhas tarefas. Em vez de a privar de ver a mãe a cozinhar (como se  eu cozinhasse) ou a maquilhar-se, tenho vontade de lhe mostrar o que são batons, as cores, etc. Dantes ela ficaria excluída e dir-lhe-ia só “isto é dos crescidos“.
  • Preparo-lhe os lanchinhos (e para mim também). Ontem lavei e cortei os morangos todos para, sempre que ela quiser, ser só servir.
  • Presto mais atenção aos detalhes dela. Às vezes ela anda com as unhas mais tortas ou com o cabelo menos penteado ou, quando vamos à rua, visto-lhe a primeira coisa que me aparece à frente. Agora, até as unhas limei, tive finalmente paciência para inventar uma brincadeira para lhe conseguir secar o cabelo, ponho-lhe creminho da cara na cara, faço-lhe massagens nos pés depois do banho e escolho com imenso gosto e carinho a roupa que ela vai usar (se depois resulta, isso é outra coisa).
  • Menos ipad e mais livros. Estou mais disponível para lhe dar de comer e para lhe contar histórias e ler coisas que impliquem paciência e não a despacho para o ipad.
  • Mais dança! Mais vontade de por música a tocar, inventar coreografias, mais actividade física.
  • Mais gosto em adormecê-la. Adormecê-la deixou de ser uma tortura e passou a ser um momento maravilhoso em que contemplo e saboreio e depois sinto um prazer enorme em que ela se “entregue ao sono” por se sentir protegida pela mãe que está ali ao lado dela.
  • Mais carinho físico. Acaricio-a mais vezes, dou-lhe mais mimos, olho mais para ela, sorrimos mais juntas. Há mais silêncio.
  • Maior vontade de fazer planos diferentes. Principalmente agora que o tempo não tem estado grande espingarda, apetece-me ensiná-la a descascar a banana para os bolos, a mexer nos ovos cozidos, a experimentar aulas de natação (ainda tenho de ir ver disto).
  • Vejo-a mais como ela é e o crescimento dela. O tempo abranda um bocadinho e consigo vê-la a crescer, que qualidades tem, como será a personalidade dela…
Isto tudo para vos dizer: se tiverem algo que vos esteja a impedir de serem felizes, resolvam! Ajam! Cada dia que passa é mais um que poderia ter sido muito mais fabuloso. E o bom disto é que, assim que descubramos como é bom quando as coisas correm assim, não queremos outra coisa e facilmente voltamos ao nosso equilíbrio.
Assim, sim!

Nos dias que correm parece-me correcto dizer que a culpa é o nome do meio da maior parte dos pais.

Sentem culpa porque trabalham demais, porque estão cansados demais, porque perdem a paciências vezes a mais do que gostariam, porque sentem que não estão tão presentes quanto deveriam.

Este facto faz com que tantas, mas tantas coisas que acontecem sejam atribuídas exactamente à falta de tempo, ou paciência, ou por aí fora.

No outro dia, no jardim com a minha filha, cruzei-me com uma mãe que tinha uma menina mais velha que a minha. A menina, de cerca de dois anos e meio ou três, quando via a minha filha a querer subir para o escorrega ou para o baloiço dizia “é meu!”. A mãe chamou-a várias vezes à atenção, com cuidado e sensibilidade e conversou um pouco comigo. Explicava-me que aquilo se devia ao facto de ela e o pai da menina se terem separado recentemente, de esta estar uma semana com cada um e de estar a receber mimo extra. Pedia desculpas, estava a tentar encontrar a melhor maneira de gerir tudo aquilo porque, dizia, “são muitas emoções, muitas mudanças, mas quem errou fomos nós, não ela. E somos nós que temos de fazer com que ela cresça bem. Mas não podemos deixá-la ficar perdida entre uma casa e outra, a achar que pode tudo só porque agora é uma espécie de vítima desta situação”. Ainda que nada tivesse a ver com o assunto, achei que devia dizer alguma coisa. Achei que aquela mãe precisava de conversar, mas acima de tudo de ouvir que estava no caminho certo. E foi o que lhe disse, que me parecia que estava a fazer as coisas equilibradamente, mas… E aqui ela olhou-me com algum receio. Senti que devia dizer-lhe que todas as crianças passam pela fase do “é meu”. Que é natural, que têm de passar por ela para perceberem que o mundo se espraia para além do seu umbigo e que apesar de serem muitas vezes o centro do mundo de alguém, este mundo maior que está à sua volta não ser curva perante eles. E esse “é meu” passará a ser um “também é meu, é nosso”. Com calma, com tempo, com acompanhamento.

No fundo, aquela mãe estava a culpar-se por algo que não era, em absoluto, culpa sua. Baralhava uma fase do desenvolvimento da filha com uma consequência de uma mudança na sua vida. E fazemos muitas vezes isso. Demasiadas vezes. E é por isto que acho que é importante conversar. Partilhar experiências, vivências, sem as impor. Passar informação. Opiniões. Sem julgar. Ajudar, deixar ajudar. Ouvir.

Porque muitas das vezes o problema não somos nós, são mesmo os outros. E esses “outros” podem ser muitas coisas.

Estamos a fazer o melhor que sabemos e podemos.

Ler também Amor de Mãe

E tal como não devemos sacudir a culpa para as outras pessoas também não devemos apropriar-nos dela por termos algo menos bem resolvido.

É essencial procurar uma vida de meios termos, de equilíbrios.

Para nosso bem, para bem dos nossos filhos. Eles serão pais no futuro. Que possam dizer que são uma versão nossa melhorada.

imagem@weheartit

Acredito que cada mãe é a melhor mãe do mundo ou, dito de outra fora, cada mãe é a melhor mãe que consegue ser. Não é perfeita, nem tem de ser.

Na procura incansável de ser uma “boa mãe”, você lê todos os artigos sobre o tema, sabe na teoria o que deve ou não fazer mas, na hora H, acaba por “perder as estribeiras” e….

Depois vem a culpa, aquele “bichinho” de tamanho varável, que “vive dentro de nós”, que nos “aponta o dedo” e diz: és mesmo estúpida, não vales nada, o teu comportamento foi vergonhoso. No fundo, isso resulta do saber, da consciência que podia ter agido de outra forma, mais positiva e mais saudável. Mas como, como fazer?

Ler também Não és má mãe!

A resposta é simples: procure sentir-se feliz!
Não há boas mães, há mães felizes!

Pessoas que se sentem bem com elas próprias, sentem-se melhor com os outros, são mais compreensivas, tolerantes e assertivas. Tem dúvidas? Faça este simples exercício:

Respire fundo duas ou três vezes, feche os olhos e pense num dia muito feliz com os seus filhos…

Ler também: Continuas aí: és mais que uma mãe

O que estava a fazer? Recorde, calmamente, cada momento bom… como se sentia?

Mas, afinal o que foi diferente de tantos outros momentos que parecem “um pesadelo”? Provavelmente o seu estado de espírito. Claro que as crianças “esticam”, vão testando os limites, fazem birras. Mas não é sempre assim? Afinal, faz parte do processo de aprenderem a crescer emocionalmente.

Bom, agora vem a pergunta difícil – como ser mais feliz?

Não há uma receita única, cabe a cada pessoa perceber o que valoriza, o que tem mais significado para si e o que a faz sentir bem. Mas há condicionantes que são comuns e frequentes para a maior parte das pessoas. Se estiver atenta, vai percebe os sinais que o seu corpo vai dando e o tipo de pensamentos que vão alimentando as suas emoções. Ficam algumas sugestões que ajudam a conhecer o que sente e o que estará associado a esse sentir:

– registe diariamente os acontecimentos positivos e menos positivos. Nesse registo será útil incluir: quando foi (manhã, tarde, hora jantar, etc.), o que aconteceu, como se estava a sentir, que impacto teve;

– em que dias há episódios mais críticos ou de maior bem-estar;

– para cada sentimento ou estado emocional, procure descrever o que estava a pensar, o que andou a “fervilhar” na sua mente o dia inteiro ou nos dias anteriores;

– como estava o seu corpo : calmo, relaxado, tenso, como se tivesse corrido uma maratona?

Semanalmente, ou com a frequência que se justificar, reveja os seus registos. Verá que encontra padrões de comportamento vs situações.

O passo seguinte é encontrar estratégias internas para mudar, para quebrar esses padrões. Não há mães ideais, há mães que se sentem bem com elas próprias, que conhecem as suas limitações, que se aceitam e que, acima de tudo, se sentem felizes.

imagem@imworld