É feio ser uma mãe real

É feio uma mãe dizer que está cansada e que precisa de tempo para si,

é feio fechar-se na casa de banho para chorar quando momentaneamente se sente saturada,

afirmar que tem alturas em que dá por si a sentir que não se devia ter metido nisto (maternidade).

É feio uma mãe gritar, ameaçar e punir,

é feio admitir que por vezes cede porque não se quer chatear,

deixar de cuidar de si e de se reconhecer enquanto mulher.

É feio uma mãe deixar o filho ver TV para ter uns momentos de sossego,

é feio não estar com o pai da criança,

não assegurar que o filho larga rapidamente as fraldas e a chucha ou que não lê assim que entra na escola.

É feio uma mãe não ser capaz de criar filhos que nunca gritam, choram e expressam frustração,

uma mãe assumir que mesmo na companhia do filho por vezes se sente só.

Numa sociedade cada vez mais hipócrita, que exige dos outros o que não tem em si – a perfeição – é feio ser uma mãe real que se cansa, que se questiona, que erra, que chora, que precisa de mais tempo para si.

Felizmente não estás só. Tal como tu, sou essa mãe que carregada de realidade age da melhor forma que sabe – com o coração carregado de amor.

 

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Minudências dirão alguns, necessidades básicas digo eu.

Estou há mais de cinco minutos focada numa nódoa do tamanho de uma moeda de vinte cêntimos que descobri na manga da camisola branca que tenho vestida. Num dia normal já estaria a pensar qual o produto mais adequado para fazer o pré-tratamento. Mas hoje, não sei porquê, acho que esta nódoa não caiu aqui por acaso. Hoje acho que esta nódoa é a prova inequívoca da falta de glamour da minha vida pós-maternidade.

Confesso que às vezes invejo aquelas mães das redes sociais sempre muito bem-vestidas, de unhas arranjadas e com imensa vida para lá dos filhos. Como é que elas conseguem é que eu não sei. É que desgraçadamente pertenço de corpo e alma à classe de pessoas que limpa a própria sanita. Desde que os putos nasceram que o expoente máximo da minha vida social sem eles é ir à casa-de-banho e sentar-me na sanita a olhar para o Facebook.

O meu estado é grave ao ponto de ver fotografias de copos de vinho nas mãos dos pais que se sentam no sofá juntos, depois de adormecerem as crianças, e a primeira pergunta que me vem à cabeça ser como é que já têm a cozinha arrumada àquela hora. E depois penso que se calhar têm empregadas. E que eu sou a única mãe no mundo que gasta mais de metade do tempo a dobrar meias. A fazer máquinas de roupa, passar a esfregona no chão ou limpar a fritadeira.

Caraças! Sempre que ouço dizer que é preciso existir para além dos filhos tenho vontade de me deitar em posição fetal e chorar. É que o tempo que vou conseguindo sem eles gasto com tarefas muito pouco glamourosas, contudo, necessárias ao bom funcionamento cá de casa. E já sei que vão dizer que devia esquecer as tarefas domésticas e dedicar-me ao que realmente importa. Mas é capaz de ser chato não ter umas cuecas lavadas para vestir ou uma sopa para o jantar do puto. Minudências dirão alguns, necessidades básicas digo eu.

A verdade é que padeço de falta de tempo, pronto. E de falta de glamour. Em dias como hoje, despenteada e de nódoa na manga, sinto-me uma espécie de mãe de armazém chinês do Porto Alto num mundo de mães de lojas da Avenida da Liberdade.

E agora vou só ali tirar a loiça da máquina. Vou passar a ferro a roupa dos putos e fazer as camas com lençóis lavados. Tempo para lá dos filhos e da casa? Devo conseguir arranjar daqui a uns dez anos.

 

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Tornei-me mãe e esqueci-me de mim

Em boa verdade, não me esqueci… Permiti-me esquecer.

Sabia que era fácil…muito fácil.
Tinha em perfeita consciência de que após ser mãe seria muito normal esquecer-me de mim.

A mudança que um filho implica numa vida, faz com que seja muito provável que deixemos muitas coisas ficar para trás, como numa fila de espera. E nós, ficamos muitas (demasiadas) vezes no final dessa fila.

Tinha a perfeita noção de que me estava a deixar ficar para o final da fila. Fui ficando bem lá para trás, sempre consciente disso. Para mim, eu não era importante.

Fui-me esquecendo de me arranjar, de pintar o cabelo, ou tão pouco do “tratar bem”… limitei-me ao tão prático coque ou rabo-de-cavalo.

Esqueci-me de mim.

Esqueci-me de arranjar as unhas das mãos e dos pés, e de ir passando um creme aqui e ali.

Esqueci-me de ter cuidado com a alimentação, com o peso, com a forma física e o bem-estar.

Esqueci-me de comprar roupas para mim, ou sapatos, acessórios, tanto que deixei os furos das orelhas fechar…

Esqueci-me de ler um livro, ouvir uma música e de ver uma série.

Esqueci-me de ir ao cinema, a um restaurante ou a um bar apreciar uma cerveja fresca.

Esqueci-me do sabor do chocolate, do vinho e do mel.

Esqueci-me de me divertir.

Por momentos esqueci-me de mim, de cuidar de mim e de me colocar mais à frente na fila.

Não faz mal! Não tenham pena de mim… Sou feliz! Muito feliz! Durante um tempo, tudo o que precisava estava nele e não em mim.

Mas com o tempo tudo muda e voltei a “entrar no jogo.”

Agora, voltei a precisar de mim, e descobri que tenho muito para recuperar.

Pus uma pausa no meu ser, fi-lo de consciência e se voltasse atrás faria igual novamente, porque em momento algum fiquei menos feliz por não me colocar em primeiro lugar.

O primeiro lugar não voltou a ser meu… Acho que nunca mais será, mas para já, preciso de passar à frente alguns lugares na fila.

Inscrevi-me no ginásio, pintei e soltei o cabelo e arranjei as unhas.
Comprei roupas novas (e consegui não comprar nada para ele) e ando a namorar umas botas que vou acabar por ir buscar.

Recomecei a ler, oiço música todos os dias, e ando a pôr em dia as séries.
Não fui ao cinema, mas fui há pouco tempo a um restaurante e a um bar, tudo numa só noite.
Provei chocolate, vinho e descobri que já nem gosto de mel.

Voltei a divertir-me e aos poucos a lembrar-me de tudo o que sou.

E permaneço feliz! Tão feliz como desejo a quem gosta de mim. Relembrei-me de mim, duma altura em que precisei esquecer-me. Foi de me esquecer que precisei, e agora é de me relembrar que preciso.

Mas no fundo, tudo o que importa, é ser feliz, e isso, nunca deixei de o ser! Porque às vezes, não faz mal esquecermos-nos um bocadinho, desde que voltemos a lembrar-nos de nós enquanto mulheres.

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Mais Mulheres, Melhores Mães

Quando a mulher se torna mãe

Amo ser mãe, quase todos os dias…

Amo o meu filho como qualquer mãe, tanto que dói! Sou completamente louca, apaixonada e obcecada por ele. Penso nele 24H por dia, e o meu objectivo de vida é vê-lo ser feliz!

Mas às vezes não me apetece….

Às vezes cansa… E não vale a pena culpar o stress dos tempos que correm ou a azáfama de ser mãe trabalhadora, porque a verdade é que não é nada disso.

A verdade, que eu admito aqui, e que tenho a certeza que muitas mães sentem é que às vezes quase que apetece nunca os ter tido. EU DISSE QUASE!

Há dias em que simplesmente não me apetece… Não me apetece ir busca-lo à escola sem sequer ter tempo para olhar de esguelha para uma montra na rua.

Não me apetece dar banho e sair da casa de banho como quem acabou de enfrentar um tsunami…

Não me apetece ter que ver aquela camisola que tanto gosto suja de baba, de ranho ou do esparguete à bolonhesa que ele decidiu atirar-me.

Não me apetece ver o panda, ou a patrulha pata ou a porra da Masha mais a merda do urso.

Não me apetece ter que ir para a cama às 21h da noite para passar 1h deitada a tentar que ele adormeça enquanto canta, bate palmas, grita, chora, ri – tudo menos dormir.

Não me apetece arrumar um monte de brinquedos e pisar três legos porque, se pudesse escolher, preferia andar descalça sobre brasas do que pisar aquela porra.

Às vezes me apetece comer legumes nem peixe mas sim uma pizza, só que não porque “o menino também vai querer”.

Não me apetece acordar às 7h e ter que jogar à bola e cantar quando ainda tenho um olho meio fechado e o bafo da cama.

Não me apetece ter que repetir o seu nome pelo menos 15 vezes porque ele continua a não ouvir o que lhe digo.

Não me apetece ser literalmente atropelada, amassada e apertada quando ele decide fazer de mim um trampolim e saltar-me em cima durante o que me parecem ser horas.

Não me apetece ter que andar a sussurrar a partir das 22h como se vivesse num convento.

Não me apetece preparar roupa lavada e lanchinhos todos os dias, quando para mim nem um iogurte liquido sobra.

Não me apetece ir esfregar nódoas de relva, de comida e de lápis de cera e de sei lá eu mais o quê, porque na verdade mais parece que o puto andou a nadar num contentor de lixo…

Há dias em que simplesmente não me apetece… mas tem que ser.

Porque ser mãe é mesmo assim. Sem folgas, sem fins-de-semana, sem férias, sem feriados, sem pausas, sem descanso. É um trabalho constante e para toda uma vida.

E por mais que, na verdade, sejam muito mais as alegrias, a felicidade, o amor e os momentos bons, há sempre dias em que não me apetece.

image@imgrum

 

 

Sinais de que uma mãe precisa de férias

Quando coloca a chave do correio na do elevador.

Se dá por ela a fazer o risco nos olhos com um lápis da Caran D’Ache.

Aplica-se a fazer a mochila da natação dos miúdos e, mesmo assim, se esquece dos chinelos, da touca e do fato de banho.

Troca o nome dos filhos constantemente.

Adormece a meio de uma frase.

Usa os óculos de sol como disfarce para adormecer de olhos abertos.

Quando coloca protector solar no boneco preferido da filha e segundos depois percebe que esta a olha com estranheza.

Já só se consegue lembrar de uma canção para entreter os miúdos.

Responde “ok, mas sentados no chão” quando é desafiada para uma partida de futebol.

Adora que os filhos queiram apenas andar de baloiço vezes sem conta, durante toda a estadia no parque, sem precisarem de ser empurrados.

Se a box ameaça apagar os mil e trezentos episódios de séries que tem para ver.

Quando acumula livros que começou a ler, estrategicamente empilhados na mesa-de-cabeceira.

Faz riscos na parede a contar os dias para as férias, qual condenada.

Cria mentalmente cerca de sete listas do que é preciso levar, comprar, deixar feito, pagar, não esquecer mesmo quando sair de casa para os merecidos dias de descanso.

Personaliza atempadamente a mensagem automática de resposta do email do trabalho.

Se acenou com a cabeça em mais de três frases então é crónico: precisa de férias!

imagem@weheartit

As mães não são seres mágicos.

Eu confesso.
Todos os dias, ao fim da tarde eu deixo os meus filhos verem televisão para que eu consiga preparar o jantar.
Salto algumas palavras, ok na verdade eu salto parágrafos, quando leio longos livros infantis.
Perco a paciência com os meus filhos diversas vezes durante a semana.
Todas as manhãs eu coloco a tetina 1 no biberão do meu filho para que ele mame devagar e me de tempo de tomar café.
Eu odeio lavar a louça.
Quando não temos legumes e estou com preguiça de ir ao mercado, ponho tomates picadinhos na comida para me sentir menos culpada.
Já cortei o dedo da minha filha a cortar-lhe as unhas.
Quando estamos no carro e o meu filho chora porque quer sair da cadeirinha, digo que acabou de passar um macaco na rua para o distrair. Ou um tigre, ou um leão, ou seja lá qual for o animal favorito daquela semana.
Eu chego atrasada a quase todos os jogos de futebol do meu pré-adolescente.
Os meus filhos já caíram e magoaram-se mesmo debaixo do meu nariz.
Já me esqueci de trocar a fralda do meu filho ao ponto do gel começar a vazar.
Eu não tomo nem perto de 2 litros de água por dia.
Nunca me lembro de comprar meias para minha caçula e até hoje  usa as meias de recém nascido (está com quase 9 meses).
Eu já queimei a boca do meu filho porque não vi que a sopa estava muito quente.
Os meus filhos já ficaram dois dias sem tomar banho.

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A minha sala está sempre uma bagunça. Quem é que eu quero enganar? A minha casa inteira (não é só a sala) está sempre uma bagunça.

E os meus filhos, como são meus filhos? Bom, eles são normais. Eles estão bem, e estão felizes.

Ser uma boa mãe não pode estar relacionado com o número de horas que brincas com os teus filhos. E não pode ser medido através da quantidade de glúten que os deixas ingerirem.

As mães não são seres mágicos. Nós somos reais. Perdemos a paciência e ficamos cansadas. Cansadas da rotina, cansadas de ter que cozinhar todo-santo-dia. Cansadas de encontrar roupa limpa no cesto de roupa suja. Sim, nós ficamos cansadas. Mas também temos ataques de alegrias e gritamos alto quando presenciamos os primeiros passos. Ou quando sem querer fazemos cocegas no bebé e arrancamos aquela gargalhada deliciosa.

Ser mãe é muito difícil, e infinitamente gratificante.

Eu confesso, não sou uma mãe perfeita. Não é que eu não queria ser uma pessoa melhor. Pelo contrário. Mas admitir que não se pode abraçar o mundo todo de uma vez, reconhecer os próprios erros, e ter um pouco de amor próprio, também é um grande aprendizado.

E tu, o que confessas?

 

Por Rafaela Carvalho, em A Maternidade,
adaptado por Up To Kids®

imagem@fotocdn.de

O fim do ano letivo – Desabafos de uma mãe

Sento o final das aulas como o retirar das costas uma mochila carregada de livros e materiais escolares!
É certo que não carreguei livros, mas a tarefa de mãe de três filhos é redobrada quando assentamos no modelo de família monoparental.
O meu carro percorreu centenas de quilómetros, perdi a conta do número. Levar os miúdos à escola, ir buscar, os trabalhos de casa, os treinos de basquetebol, as idas ao ginásio e o ballet cansaram o meu corpo e o meu espírito.
O ritual do adormecer: “Já fizeram os trabalhos? têm testes? a mochila está pronta para amanhã? o equipamento? se chover telefonem quando saírem! vão almoçar a casa da avô? vou-te buscar à escola, vou-te buscar ao treino. Tens jogo? A que horas? onde? com quem?”
Perco o fôlego e quando chego à cama parece que o transportei um piano às costas durante todo o dia. É como se vivesse várias vidas dentro de mim e, no fundo,  acabo por viver.
No silêncio da noite, o meu cérebro percorre os caminhos das dúvidas parentais: “Serei a mãe que quero ser? Exigi demais? Baixei as espectativas ou será que fui equilibrada? Deverei estar, ainda, mais presente ou ausentar-me um pouco a fim de dar asas e sentido de responsabilidade?”
Dúvidas e mais dúvidas surgem… No entanto, o amor de mãe diz-me que o melhor para os meus filhos é a presença e o apoio incondicional independentemente dos resultados visíveis.
Nem todos serão o mais inteligente da sala de aula, mas poderão ser o mais realizado, ter um grau de maturidade que os ajude a enfrentar os novos desafios, ou ser os mais felizes.
O acordar do novo dia é o inicio da rotina. Os adolescentes dormem muito. Preferem as noites ao amanhecer. Foi desgastante acordar-vos durante estes meses! Cumprir horários, rituais de rotinas …
Perceber a importância do descanso para o sucesso do novo dia.
As atividades extra-curriculares foram o vosso escape, a vossa fuga ao stress. Bem ditas sejam as horas do basquetebol, do ginásio e do ballet.
Neles foram canalizados os vossos problemas, a vossa energia descontrolada, foi reencontrado o equilíbrio interno. Digamos que as atividades foram mei caminho andado para vos ajudar a conseguir alcançar os objetivos académicos.
Sinto me cansada! O ano letivo foi longo, estive ausente, estive doente… não pude estar presente a 100% … amadurecemos juntos, crescemos, unimos-nos!
Preciso de férias, como todas as outras Mães. O dever de missão cumprida trará novo ânimo para o próximo ano letivo e voltaremos a sentar-nos e a refletir sobre a nossa missão maternal!
Até lá, degustemos as férias, com mimos e abraços, sol e praia!
imagem@istock

Ser Mãe todos os dias cansa!

Sem tempo para recuperar o fôlego nem conseguir respirar fundo, saímos do bloco de partos e num segundo mudamos de estatuto.

Somos MÃES!
Aliado ao que já tínhamos na nossa vida, passamos agora a ter que dar conta de uma quantidade de coisas que se tornam efectivamente reais na nossa nova vida. A realidade da amamentação, das fraldas, dos banhos, do colo, do choro, das cólicas, das birras, das noites sem dormir. O peso da responsabilidade de ter alguém totalmente dependente de nós.
Somos levadas pelas hormonas, pela emoção do parto, pela ansiedade de ver a cara que imaginamos durante meses. Pela excitação de segurar pela primeira vez no colo aqueles que dizemos ser NOSSOS. Pela chapada de amor, pela grandeza deste acontecimento de nos termos tornado Mães.No meio deste estado meio alterado de consciência, por conta das hormonas, das emoções, do novo ritmo e das exigências, não damos conta dos dias e das noites, não damos conta do passar do tempo.

A nova rotina é levada pelos acontecimentos e pelas necessidades do bebé. Pensamos pouco, apenas vamos agindo. Vamos agindo como se sempre tivesse sido assim. É uma mudança radical mas num simples instante já não conseguimos conceber a nossa vida sem eles.

Os filhos chegam e instalam-se.

Instalam-se, curiosamente, no lugar daquilo que parece ser agora, o essencial para vivermos.  A partir desse momento torna-se impossível imaginar a nossa vida sem eles. Parece que tudo sempre existiu desta forma.

Parece simples…
Parece fácil…

Mas nem tudo é cor de rosa. Ser Mãe todos os dias cansa!

Há um momento em que o cansaço toma conta de nós. Um corpo cansado, uma cabeça exausta, um sono descontrolado e atrasado, ritmos e rotinas diferentes, o isolamento do mundo pela dedicação em pleno e em exclusivo a estes seres que nos engolem na nossa plenitude, a constante exigência e, às vezes, as Mães cansadas também choram.  Choram de amor, choram por não saber, choram por insegurança, choram de medo, choram de preocupação, choram de cansaço.

Mas às vezes as mães não contam.

Não contam que choram, não contam que é difícil, não contam que ser Mãe é cansativo. Os timelines de fotografias felizes e bonitas, a pressão social de que tudo na maternidade é maravilhoso e de que as Mães têm que estar sempre felizes, tende a falar mais alto.

Confesso que tenho dias que me apetece sair a correr, bater com a porta, deixar para alguém tratar e só chegar quando já estiverem a dormir.

Confesso também que, por vezes, um simples sorriso desfaz como que por magia este cansaço. Um olhar cúmplice que me enche de força para estar outra vez pronta para tudo, mas no entanto, uma coisa não anula a outra.

O amor, a felicidade e a alegria da maternidade não impedem que o corpo e a cabeça façam tilt, não impedem que tenhamos dias difíceis, dias cansativos demais.

O cansaço é legitimo, porque as Mães são humanas, e nós as Mães também nos cansamos.

imagem@babble.com

Quando tiveres filhos, não sejas esse tipo de mãe. Não sejas a mãe que…

Eu ainda não tenho filhos, mas adoro crianças e faz parte do meu plano de vida um dia constituir família. Não preciso de me casar de véu, grinalda e flores de laranjeira. Basta que encontre o amor verdadeiro. Claro que, não significa que seja para toda a vida! Eu adoraria, mas sejamos realistas… vivemos, cada vez mais, numa época em que tudo é tão efémero, instantâneo, ao momento, à flor da pele, que já não ponho as mãos no fogo por relação nenhuma. Exepto as relações mãe/pai e filhos. Essas acredito que sejam eternas. Mesmo quando há zangas, mesmo quando vivem separados, mesmo quando estão à beira da exaustão.

Porque o amor pelos filhos é (dizem) incondicional.

Sou o tipo de tia que sempre que posso fico com os meus sobrinhos. Gosto de passar tempo com eles. Sei que a mãe muitas vezes não consegue dar-lhes a atenção que gostaria… na verdade é muito injusto: quando se tem tempo disponível, ainda não se tem filhos; depois dos filhos nascidos, as mães não têm tempo para nada. E vivem numa roda viva a fazer das tripas coração para conseguirem o que elas próprias consideram os mínimos diários para o bem estar dos miúdos e da família. São as mães “heróis”.

Eu ainda não tenho filhos, mas adoro observar as dinâmicas de uma família.

Sei que, um dia, quando também eu for mãe, terei uma perspectiva totalmente diferente sobre o assunto. Sei que agora não sei nada sobre maternidade e que, provavelmente, um dia hei-de engolir estas palavras. Eu espero que um dia eu leia estas linhas e aprenda com o meu “eu” antes de ser mãe. Por isso, aqui deixo, de uma mulher sem filhos para as mães experientes, polivalentes e exaustas, as minhas reflexões para reler dentro de uns anos, quando também eu for mãe.

Quando tiveres filhos, não sejas esse tipo de mãe

1. Não sejas a mãe que está sempre agarrada ao telemóvel.

Se há coisa que me inquinita é uma mãe numa fila de espera com crianças, e a jogar/falar no telemóvel. Sim, é uma seca esperar… por isso, para os miúdos também é. Aproveita para conversar com eles, fazer jogos de mãos, aprender aquela música que cantam no colégio, ou ensinar-lhes um jogo qualquer. Treinem rimas, digam o nome dos países ou das cores ou de animais. Para cada idade um comportamento diferente. Aproveita os tempo mortos para conectar com os teus filhos.

2. Não sejas a mãe que entrega o telemóvel de mão beijada, só para sossegares a cabeça.

Claro que é na sequência da situação anterior: é tão mau uma mãe pôr-se a jogar deixando os filhos a olhar para o tecto, como entregar-lhes o telemóvel, para poder ficar a olhar para as unhas, sossegada.

3. Não sejas a mãe que promete e não cumpre

As crianças acreditam piamente no que as mães dizem. Se não consegues fazer qualquer coisa não prometas. As expectativas criadas pelas crianças são bastantes elevadas, e a desilusão torna-se muito grande. Eu que o diga.

4. Não sejas a mãe que exige demais dos filhos

As crianças, em primeiro lugar, precisam de ser crianças. Precisam de brincar, de fazer disparates, de rir de patetices, de sonhar, de vestir as calças ao contrário, e de entornar o copo de água ao jantar mais vezes do que aquilo que querias. Dá-lhes tempo. Quando crescerem nunca voltarão a ser crianças. Aproveita o agora.

5. Não sejas a mãe”Eu avisei-te!”

Tenta ser a mãe que previne de forma positiva e que consegue de facto evitar o acidente. Gritar “Pára de correr que vais cair” , entra a 100 e sai a 200 nos sensores de uma criança com a adrenalina a fervilhar. Experimenta ir ter com o teu filho e pará-o. Acalmá-lo. Explicar-lhe que se continua a correr  pode cair e magoar-se. Ou então não digas nada. Deixa-o estar. Deixa-o correr. As crianças precisam de aprender quais os seus limites e para isso, por vezes têm de cair. Mas em qualquer uma das situações, diz-lhe que se cair estarás lá para o apoiar.

6. Não sejas a mãe que grita com os filhos por dá cá aquela palha

Todos temos maus dias. Mas vejo, muitas vezes, as mães a descarregarem nos filhos por tudo e por nada. Se chegam atrasados à escola, é porque ele demorou muito a vestir-se. Se te enganas no caminho quando vais no carro, é porque ele ia a conversar. Se não trouxeste o troco do café, é porque ele não parava quieto. Esquece, assume as culpas. Tu é que tens de acordar mais cedo; tu é que tens de pensar antes de arrancar com o carro e definir o caminho; Tu é que tens de levantar o troco do café independentemente de tudo! Tu, Tu e Tu. Ok, eles desestabilizam? Deal with it! Mas sem gritos.

7. Não sejas a mãe que avia 3 palmadas à criança para aliviar a tensão de cima dos ombros

Os filhos têm o condão de tirar as mães do sério. Mas tenta responder com atitudes positivas. Explica o bem e ensina-o a agir corretamente. As crianças aprendem através do exemplo, e mais facilmente com amor do que com palmadas. Dá uma chance aos abraços. Mesmo quando te apetece avançar para o disparate. Verás que a atitude deles será diferente e irá ao encontro da tua.

8. Não sejas a mãe que diz mal dos outros à frente dos filhos

Vais no elevador com a vizinha de cima, e a criança pergunta “Oh mãe, é esta a gorda que anda de saltos altos em casa?”
Cuscar e dizer mal à frente das crianças não só é um péssimo exemplo como é uma má jogada: os miúdos não têm filtros, e à primeira oportunidade vão falar onde não devem, criando situações, obviamente muito desagradáveis (Ver ponto 6. – A culpa é tua porque falaste demais)

9. Não sejas a mãe que ignora os filhos

Um coisa é criar crianças autónomas e dar-lhes espaço e ferramentas para tal. Outra coisa são as mães que no pretexto da sua atitude “prá frentex” de deixar que a criança faça tudo sozinha, se acomodam numa maternidade preguiçosa. Se a criança pede ajuda para colorir o desenho ou acabar de montar o Lego, dá-lhe atenção. Mesmo quando sabes que eles conseguem concluir a tarefa sozinhos. Muitas vezes estão cansados e precisam de atenção. Dá-lhes essa atenção.

10. Não sejas a mãe que não tem tempo para os filhos.

Os teus filhos precisam de ti. Não é dos avós, da professora, dos carros de bombeiro e das bicicletas. Não é das viagens, dos chocolates do aeroporto, nem dos passeios de barco ou mota de água. É dos pais.  Eu sei que também precisas de ti e mereces esse tempo. Para sair com amigos, ir ao cinema, aos concertos e beber um copo.

Precisas disso para estar bem, e se estiveres bem terás mais disponibilidade emocional para os miúdos. Mas podes fazer tudo isso e conversar diariamente com os teus filhos, apoia-los incondicionalmente, beijá-los de manhã e à noite, confortá-los sempre que preciso, e dizer-lhes que os amas até ao fim dos teus dias.

Se não, corres o risco de amanhã acordar e teres um desconhecido de 14 anos dentro de casa.

Por isso, lembra-te:

de alguém que não tem filhos e ainda vive muito o papel de filha; de uma tia que ama os seus sobrinhos como se não fosse possível gostar de alguém mais que isto, não sejas a mãe que acaba de ler isto e desvaloriza cada palavra porque eu ainda não tenho filhos.

Faz um pequeno exercício: conta quantas das alíneas anteriores correspondem às tuas atitudes com os teus filhos, e faz o balanço.

E quando eu tiver os meus filhos, espero que haja alguém de fora que me de um abanão sempre que for preciso, e me digam: não sejas “A mãe que…nunca quiseste ser”

 

 

 

 

 

Pura e simplesmente Mãe. Mãe cansada.

Ontem à noite o meu filho de 4 anos foi para a minha cama.
Dormiu lindamente.
Eu não dormi, claro. Dormir com um miúdo de 4 anos é como dormir com uns ponteiros de relógio. À medida que a noite avançava, acordava inevitavelmente com um pé na cara, depois uma mão, e passado uma hora outra vez os pés!
Acordei cansada. Aliás, mais do que cansada, acordei de rastos.
Ele acordou feliz.
“Adoro-te mãe!”
Ele não tem noção de quão cansada eu fico por ele vir dormir comigo, nem como ficam as minhas costas, e que na verdade quando acordamos eu só queria dormir mais cinco minutos.
Ele só fica grato e feliz por olhar para mim.

E tu?Também és uma Super Mãe cansada?

Acordas a desejar que o dia tivesse mais horas? Fazes tudo até à exaustão extrapondo aquilo que julgavas ser os teus limites?

Trabalhas? Lidas com miúdos que passam a vida a discutir sobre de quem é a vez de jogar? Questionas-te se aquilo que fazes diariamente faz ou não a diferença na tua família? Estás farta de viver diariamente a mesma rotina?
Às vezes ser mãe significa, simplesmente, estar sempre cansada.
Às vezes ser mãe significa sentir um vazio de solidão. Como se ninguém se apercebesse daquilo que fazes. Do teu trabalho “invisível”. Na verdade ninguém sabe que eu dormi uns sólidos 43.7 minutos de sono a noite passada, a não ser vocês, e porque eu escrevi aqui.

A maternidade é tão entregue a si própria e tão fechada nas nossas casas que é geralmente subvalorizada.

Nós trabalhamos. Nós passamos o dia a cozinhar, e às vezes pratos diferentes para as idades diferentes dos filhos. Às vezes cozinhamos mais que uma vez o mesmo prato porque deixamos queimar o primeiro.

Apanhamos pequenos brinquedos e peças de lego do chão, e perguntamo-nos de onde vem tanta coisa. Dobramos toalhas, emparelhamos meias, marcamos consultas e falamos com os médicos. Limpamos impressões digitais das paredes. Primeiro com um toalhete, e se não sair vai de esponja mágica, ou detergente em spray.

Lavamos caras e mãos pegajosas (também pode ser primeiro com um toalhete para disfarçar), ajudamo-los com os TPC, arrumamos a cozinha, limpamos o micro-ondas depois de um miúdo de 9 anos aquecer qualquer coisa durante tempo de mais. Saímos para trabalhar, voltamos do emprego, apanhamos miúdos no colégio, trabalhamos em casa, somos mães todo o dia, fazemos tudo o que nos compete, e depois vamos para a cama dormir.
Podem sempre argumentar que a maternidade é assim, e que ao longo dos tempos todas as mães fizeram isto.
Mas sabem que mais? Pois fizemos. Desde o princípio dos tempos, as mães sempre se levantaram de manhã, tiveram de lidar com os assuntos dos seus filhos, com problemas financeiros, com problemas das escolas, problemas de saúde, e por aí fora.

Mas lá porque sempre foi assim, não significa que a maternidade não seja honrada e celebrada.

A Maternidade e a paternidade são algo extraordinário. Não são só arco-íris e dias de sol, e póneis cor-de-rosa a saltar de mãos dadas nas nuvens. É algo real, que acarta muita responsabilidade e que é diariamente difícil e desafiante. Pequenas coisas que achávamos não valorizar muito, podem por vezes levar-nos aos limites – basta meter um filho nosso ao barulho. Como é que uma “coisa” que que nos dá tantas alegrias e nos pões constantemente de sorriso na cara a soltar umas gargalhadas parvas do nada,  de repente nos faz querer arrancar o cabelo da própria cabeça?

Saímos de casa de manhã para ir trabalhar. Fazer aquilo que somos. Sorrimos para outras mães da pré-escola e pedimos os nossos cafés cheios ou pingados ou como gostamos de tomá-los e sorrimos. Pegamos no carro ou vamos de transportes para o nosso local de trabalho e cruzamo-nos com outras mães com crianças e sorrimos.

A questão é: não estás sozinha. Ouviste? Não. Estás. So – zi – nha.

As outras mães no pré-escolar, no café, nos transportes, no supermercado, nas consultas médicas, em todo o lado que andas e passas podem estar tão cansadas como tu. A questionarem-se sobre a maternidade. E no entanto, a fazer das tripas coração pelos seus filhos.

Então, hoje eu levanto-me para homenagear todas as mães cansadas e no entanto fantásticas na maternidade.

A mãe que sofre de privação de sono.

A mãe que precisa de ser encorajada.

A mãe que trabalha, e trabalha, e trabalha para a sua família e no entanto ninguém dá valor.

A mãe com 3 crianças com menos de 4 anos.

A mãe do recém-nascido que não que comer ou dormir.

A mãe dos adolescentes que fica acordada até tarde à espera que cheguem.

A Ti mãe. Pura e simplesmente Mãe.

A maternidade é uma viagem dos bravos. Sempre foi um acto de bravura criar crianças independentes que esticam os limites, que nos derretem o coração e que amaremos para sempre mesmo quando nos levam à loucura.
Porque é isto que andamos a fazer. Mesmo nos dias mais cansativos.
Tu. A mãe incrível, brava, poderosa, que sofre de privação de sono, fantástica e cool, andas a criar Humanos.

Haverá algo mais importante e gratificante no planeta?

Aliás, quem precisa de dormir, certo?

(Hoje o melhor é pedir logo dois cafés e beber de penalty….)

 

imagem@tumbrl

Por Rachel M. Martin, no blog Findingjoy, publicado por Huffingtonepost

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