“É inegável que o irmão mais velho acaba por perder algum espaço quando nasce o mais novo. No entanto, vai ganhar um irmão mais novo e isso é algo extremamente importante.”

Como preparar uma criança para a chegada de um “irmão mais novo”

A passagem de uma criança de filho único para irmão mais velho é um momento de alguma ansiedade para os pais. Sabemos que irá implicar sempre algumas mudanças. No entanto, parece-me importante referir que, na maior parte das vezes, os adultos complicam bem mais do que as crianças. É óbvio que se trata de uma transição significativa, mas que geralmente se faz de forma mais ou menos pacífica. Para isso, aqui ficam algumas ideias e conselhos para reflectir.

1 – Antecipe as mudanças de rotina

Este aspecto é fundamental. Antes do bebé nascer (e sempre que possível), as rotinas do dia-a-dia (dar banho ou dormir, por exemplo) devem passar a ser realizadas regularmente pelo pai, pelo menos 1-2 meses antes do nascimento. Esta habituação vai fazer com que a criança não sinta que foi por causa do irmão que a mãe deixou de as fazer. Assim vai permitir que não exista tanta competição relativamente a esse aspecto. Como é lógico, a mãe pode e deve estar presente, mas se passar a ser um momento mais “do pai” acaba por facilitar a dinâmica familiar após o nascimento.

2 – Não exija demasiado

Por vezes, a vontade de que a criança se vá preparando para o facto de vir a ter um irmão mais novo faz com que os pais insistam muito na ideia de que isso vai trazer muitas responsabilidades ao mais velho.
É normal que se digam frases como:
-“vais ter que te portar bem, porque o teu irmão vai estar a ver”;
-“agora vais ter que ajudar, porque vais ser o mais velho”;
-“tens que aprender a fazer algumas coisas sozinho, porque já sabes que agora a mãe e o pai vão ter menos tempo”.
Na verdade não é necessário estar sempre a repeti-las. Claro que algumas dessas coisas vão acontecer e devem ser antecipadas, mas o tempo também ajuda a que se estabeleçam por si e se tornem gradualmente uma realidade.

3 – Tente gerir a gravidez com bom senso

A gravidez é um período de tempo interminável para grande parte dos casais e para as crianças mais ainda. Nove meses é muito tempo e essa espera acaba por ser muito longa. Assim, se a criança for pequena é preferível envolvê-la mais no fim da gravidez, para que seja mais perto do momento do nascimento. Assim o entusiasmo não vai esmorecendo e ela acaba por usufruir mais quando surgir o irmão.

4 – Mantenha a atenção especial ao filho mais velho

É inegável que o irmão mais velho acaba por perder algum espaço quando nasce o mais novo. No entanto, vai ganhar um irmão mais novo e isso é algo extremamente importante. Para tentar minimizar essa sensação de perda, pode tentar fazer o seguinte:
  • Comprar um pequeno presente para o bebé “dar” ao irmão mais velho quando nascer
  • Tentar que esteja sempre algum adulto (pai ou mãe) com o filho mais velho quando tiverem visitas em casa. Geralmente as crianças sentem que já não são a prioridade de quem vai a casa, pois passa a ser o bebé. Assim é importante manter sempre um atenção especial nesses momentos. A melhor opção é sentar-se no chão a brincar com ela quando for alguém a casa, para que esteja mais distraída nesses momentos
  • Ter sempre algum presente pequeno em casa para dar ao mais velho, se as visitas só levarem para o bebé (é um bom plano “B”)

5 – Crie momentos de “filho único”

Aproveite enquanto o bebé é pequeno para passar momentos a sós com o filho mais velho. Ele vai-se sentir importante e perceber que, mesmo após o nascimento do irmão, continua a ser especial. Ele precisa disso e os pais também.

6 – Seja tolerante, mas não abdique das regras

É muito importante que haja alguma condescendência para algumas chamadas de atenção que o irmão mais velho possa fazer. Não é o mais frequente, mas por vezes surgem regressões de comportamento como voltar a querer usar chupeta ou biberão, por exemplo. Nestes casos é preciso lidar com elas com alguma paciência. No entanto, o mais habitual é aumentar as birras e o nível de exigência para que os pais dêem mais atenção. Principalmente quando estão a pegar no bebé ou a tratar dele. É claro que se deve ser mais tolerante nessas situações, principalmente nas primeiras semanas, mas aos poucos deve tudo regressar à normalidade. As regras mais importantes devem sempre ser mantidas e nem tudo é aceitável para chamar a atenção. É fundamental que os pais e a criança interiorizem isso para que tudo funcione corretamente.
O principal conselho é que se deve tentar usufruir destes momentos o melhor possível, pois são alturas fantásticas na vida de toda a gente. E, mesmo que seja um pouco atribulado no início, vai ver que vale bem a pena!

Os ciúmes na criança. O segundo filho.

Os ciúmes, presentes durante toda a vida da criança, podem manifestar-se na idade adulta, mas não durante o aleitamento.

A explicação é muito simples: os ciúmes surgem sempre numa situação a três, e para o bebé, do ponto de vista afectivo, só existem duas pessoas – ele e a mãe.

O bebé, vai percebendo, a pouco e pouco, que a mãe também tem de dar atenção a outras pessoas e essas pessoas transformaram-se automaticamente em seus rivais na disputa do carinho materno.

O estabelecimento de novas relações com a mãe deve ser gradual, para evitar ao filho ciúmes desnecessários.

Os carinhos e mimos dados na altura própria, a demonstração de que o filho desempenha um papel da maior importância e a progressiva introdução de normas de conduta irão levando à superação do problema.

Os ciúmes dos irmãos representam um problema mais difícil.

O segundo filho, costuma chegar, quando o primeiro tem 18 meses a três anos e meio. A consequência é de que a mãe tem de dedicar a maior parte do seu tempo ao novo bebé. Para o filho mais velho é como se o mundo se desmoronasse.

A criança com ciúmes pode ter comportamentos exagerados nomeadamente:

  • A agressão física ao irmão,
  • A enurese (nova perda do controle dos esfíncteres), 
  • O retrocesso na fala,
  • Ou o regresso a comportamentos anteriores já superados.

De uma maneira geral, estes comportamentos costumam ser dirigidos em dois sentidos.  Anular o irmão, ignorando-o, e reconquistar a mãe, fazendo-se mais pequeno e procurando ter graça de qualquer modo.

Os ciúmes são uma das muitas crises por que passam as crianças e não se lhes deve dar excessiva importância. No entanto, deve procurar-se diminuí-los o mais possível e facilitar a sua superação.

Uma situação critica de ciúmes pode revelar comportamento incorrecto da mãe.

A superação desta crise passa pelo sentido materno de justiça, não significando aqui justiça dar igualmente a ambas as partes. Falar de partes iguais entre um bebé recém-nascido e uma criança de três anos é como dividir um peixe igualmente entre uma pessoa e um gato. O importante é dar a cada um aquilo de que precisa. E não tirar a um aquilo que não faz falta ao outro.

A criança desta idade costuma descobrir rapidamente que consegue atrair para si a atenção da mãe, se se aproximar do irmão. Deve-se estimular este processo, pois permite muitas vezes solucionar o problema.

Em qualquer caso, o que se deve fazer é distinguir as duas crianças, e não compará-las. Não quer dizer que um dos filhos é melhor que o outro. O  que se passa é que um deles é maior. Dar realce às possibilidades reais da criança maior e às limitações verdadeiras da mais pequena, salientar as diversas vantagens das suas diferenças pessoais e a possibilidade de se completarem, costuma ajudar a melhorar a situação.

Normalmente, o problema começa a solucionar-se quando a criança se relaciona com outras, nas suas brincadeiras, e dá escape às suas rivalidades, mais ou menos desportivamente, dentro do grupo.

Não devemos esquecer que o filho mais novo também pode vir a sentir ciúmes do mais velho.

Durante o processo de separação entre o bebé e a mãe, podem surgir ciúmes desse tipo após os dois anos.

Como é lógico, este tipo de ciúmes é mais atenuado. A criança viveu sempre com o irmão e a rivalidade pelo carinho da mãe já lhe é familiar. Todo este problema se costuma repetir do segundo filho para o terceiro, e assim sucessivamente, mas sendo cada vez mais atenuado quanto maior é o número de irmãos.

 

Paula Norte, psicóloga na Psicomindcare para Up to Kids

Como sobreviver às férias com irmãos ou, na perspectiva dos pais, como sobreviver às férias quando temos vários filhos

Entramos em férias com vontade de descansar, de aproveitar o tempo em família e de criar memórias felizes com muita diversão. É a altura do ano em que passamos mais tempo juntos e isso pode (e deve) ser tão especial! Então, e para que nenhuma briga ou conflito entre irmãos possa pôr em causa essa harmonia, aqui ficam 10 dicas para sobreviver às férias com irmãos, e  fazerem destas férias uma festa!

1. ½ dose de planeamento e ½ dose de improviso!

As férias envolvem geralmente alguma preparação. De forma a promover a cooperação entre todos, conversem e envolvam as crianças nessa organização. Onde vão, o que vão fazer, com quem vão estar, o que é que cada um quer levar. Meio caminho para se sentirem todos envolvidos e evitar “amuos”! E se alguma coisa não correr conforme planeado, é hora de gerir expectativas e frustrações, e toca a improvisar com sentido de humor! Isso é aventura!

2. Apostar em jogar!

É a altura para abusar dos jogos de tabuleiro, dos jogos ao ar livre, dos jogos nas viagens de carro, dos jogos nas toalhas de papel dos restaurantes. Levem os preferidos de casa, descubram novos e porque não criarem os vossos? E até que os irmãos tenham maturidade para saberem jogar um contra o outro, e aceitarem que para um ganhar outro tem de perder, promovam que eles façam equipa contra os pais. Dá-lhe um gozo enorme!

3. Digam não à competição!

“Vamos lá ver quem faz o castelo maior!” “Quem comer a sopa primeiro pode comer um gelado depois” Hum… não vai funcionar! Evitem promover a competição que já é tão normal que exista entre os irmãos e que origina tantos conflitos!

4. E a comparação? Também não!

“Ai o teu irmão com esta idade já sabia andar de bicicleta” “O teu irmão já fez os trabalhos das férias, e tu és sempre o mesmo a deixar tudo para a última!” Podemos pensar que os estamos a motivar, mas na realidade não estamos é a respeitar a individualidade de cada um, os seus ritmos, os seus gostos, e sim a promover a competição!

5. Cada um é um só!

Tentem ter um tempinho para cada um, uma ida aos gelados, um mergulho com conversa pelo meio, um passeio ao fim da tarde, acompanhem numa atividade que queiram fazer sozinhos… numa altura que é de intensa partilha, sabe bem uns momentos de filho único com cada um deles!

6. Antecipem situações de conflito!!

Nós já conhecemos bem os miúdos, e sabemos quais são os “gatilhos” que podem despoletar uma briga! É o sono, é a fome, o cansaço, o tablet ou o telefone, ou o simples botão do elevador. Então toca a fintar essas situações e estabeleçam regras e limites claros!

7. Diplomatas e negociadores

Aproveitem as férias para promover a gentileza (“podes pedir-lhe por favor?” “a tua irmã está com o balde de água muito pesado, podes ajudar?”) e ensinem-lhes técnicas de negociação e a serem criativos na resolução dos seus problemas! (que a técnica “um parte e outro escolhe” salve muitas partilhas de bolas de Berlim, sumos ao almoço e algodão doce à noite) e saberem que têm escolhas antes de brigar ou bater (perante uma discussão, podem chamar um adulto, pedir para parar, pedir ajuda, etc)

8. Stop! Parem, escutem, observem e avaliem se é mesmo necessário intervir.

Se nos metermos constantemente nas brigas dos nossos filhos estamos certamente a tomar partidos, a tomar decisões por eles e a não incentivar que resolvam os problemas entre si. Mas, por outro lado, não ignorem situações em que um deles possa estar a cometer uma injustiça contra o outro, ou exista agressão física e/ou verbal.

9. Mediação é a solução! 

Perante um desentendimento que seja necessário intervir, não tomem partidos. Dêem-lhes ferramentas para que consigam comunicar de uma forma positiva, respeitando-se e alcançando um acordo que seja bom para todos (escrevam mesmo os acordos e aquilo em que se comprometem – eles adoram).

10. Criem muitas memórias felizes e registem esses momentos!

Não há nada como depois conseguirmos reviver cada momento e partilhar histórias.

Boas Férias!

 

Por Joana Sardinha Zino, Pais e Mães Mediadores de Serviço

Hoje é o dia dos irmãos, e por isso em parceria com a Red Apple vamos oferecer uma entrada GRATUITA para o workshop Pais e mães mediadores de Serviço, da Joana Sardinha Zino, a realizar no dia 10 de Junho.

“O que se pretende é que os pais fiquem a conhecer, quem são os seus filhos perante o conflito, a mais-valia de desenvolver junto destes competências de cooperação para a prevenção de conflitos, o poder das técnicas de negociação, a comunicação positiva e dar algumas dicas criativas na resolução de “problemas” através das técnicas de mediação, ficando estes a conhecer o processo de mediação, como fazer acordos e como aplicá-lo em suas casas!” – Joana Sardinha Zino

Tendo sido a primeira em Portugal a aplicar a mediação na gestão de conflitos entre irmãos, o projeto ganhou asas, e neste momento já podemos encontrar nas redes sociais a Página “Pais e Mães Mediadores de Serviço”, para que todos possamos aprender a aplicar estas técnicas dentro das nossas casas.

“A educação para a gestão positiva dos conflitos contribui para o desenvolvimento de um espírito de cidadania baseado no respeito mútuo e fundado no diálogo e contribui para termos miúdos desencucados, abertos ao diálogo, criativos, confiantes e capazes de criar memórias muito felizes e fazer da vida uma festa!”

E este é o nosso objetivo comum. E é tão fácil de participar! Ora vê:

 

COMO PARTICIPAR

      1. Fazer like nas nossa páginas de facebook  Up To Lisbon Kids e instagram aqui
      2. Fazer like na página de Fb da Pais e Mães Mediadores de Serviço”
      3. Fazer Like na página de FB da Red Apple
      4. Partilhar esta publicação com todos os teus amigos e irmãos! Não te esqueças de deixar a partilha publica para a podermos seguir! Boa Sorte!

 

REGULAMENTO

O passatempo termina às 23h59 do dia 7 de Junho de 2018.

O vencedor será sorteado aleatoriamente através do programa Random.com, será anunciado tanto no site como no post do passatempo no facebook. Poderá ser pedido ao vencedor o link da partilha bem como o nome de utilizador de instagram.

Este passatempo não é patrocinado, aprovado, administrado ou associado ao Facebook, sendo da exclusiva responsabilidade da entidade promotora. O Facebook exonera-se de qualquer responsabilidade relativamente ao passatempo.

Up To Kids®

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Os pedidos de desculpa não tem prazo de validade

Quando contei à minha família que estava grávida, a reacção de maior felicidade veio da minha irmã. Gritou vezes sem conta “vou ser tia!”, saltou e chorou. Apesar desta alegria inicial, o desenrolar da gravidez trouxe outras questões.

A verdade é que, do alto dos seus 22 anos, a minha irmã não conseguia encarar a gravidez como mais do que um conjunto de alterações físicas. O nosso amor pela bebé crescia a velocidades distintas.

Desde o segundo mês de gravidez até dois dias após o parto fiquei longe do pai do bebé que estava em Angola a trabalhar (eu só regressei a Portugal depois de engravidar). Tal fazia com que tivesse necessidade de ter maior atenção de quem me rodeava; a verdade é que jamais me havia imaginado a passar por um processo de gravidez longe do meu marido. Eu tentava ter companhia e envolver a minha irmã no processo mas ela não percebia a emoção de momentos tão simples como ver uma barriga a tremer com os pontapés de um bebé ou de ouvir o bater do seu coração – estávamos em patamares díspares.

Nos primeiros tempos de vida da sobrinha o problema persistiu. Embora comprasse imensa roupa e miminhos, a minha irmã dizia não conseguir ligar-se a ela por ainda haver pouca interação. Além disso, não compreendia o que eu vivia (o pai da bebé só regressou definitivamente quando ela tinha quase quatro meses), pelo que não colaborava muito na rotina, não me acompanhava nos longos passeios solitários pelo parque e não abdicava de sair para estar comigo.

Os meses passaram, a bebé cresceu e começou a sorrir, a palrar, a interagir de forma mais clara. Tia e sobrinha tornaram-se inseparáveis e até hoje são as melhores amigas.

O pequeno Alex

Quase 2 anos depois, a minha irmã engravida. Infelizmente foi um período duro da sua vida em termos pessoais. Desliguei-me do mundo e dei o máximo para suavizar esta fase mais amarga.

Com apenas 35 semanas de gravidez as águas rebentaram. O nosso Alex nasce prematuro e com um quadro de dificuldade em respirar e em alimentar-se. Penso que conhecerão a dureza da realidade dos bebés prematuros e por isso não me irei alongar. Deixo-vos apenas a noção de que nunca passei tantos dias num hospital esmagada pelas incertezas. Acompanhei de perto a minha irmã e o meu sobrinho. Era a primeira a chegar e das últimas a sair, ligava-lhe constantemente durante a noite, tratava do que era necessário.

Numa das nossas visitas à Neonatologia, depois de estarmos juntas a tentar que o Alex mamasse, a minha irmã olhou para mim e de lágrimas nos olhos disse: “Tânia, tenho pensado imenso em tudo o que tem acontecido e queria pedir-te desculpa. Sem o teu apoio isto estaria a ser muito pior para mim, não imagino como deve ter sido para ti passar por estes primeiros tempos sem o meu. Fui egoísta, só pensei em mim e por isso quero que saibas que me arrependo e que se voltasse atrás faria tudo de forma diferente”.

Chorámos, abraçamo-nos de forma sentida e fortalecemos laços.

Ainda que este não fosse um assunto mal-resolvido para mim, pois entretanto tia e sobrinha desenvolveram uma relação fantástica, foi incrivelmente libertador receber aquele pedido de desculpa tão sincero. O facto de ultrapassarmos as questões não significa que se apaguem. Por vezes apenas se esbatem ligeiramente. Por isso, mexer nelas, ainda que possa doer ao início, pode trazer-nos uma paz indescritível.

Por muito que o tempo passe, um pedido de desculpa pode fazer toda a diferença. Sim, os pedidos de desculpa não têm prazo de validade! Mais, ainda que nos incutam a ideia de que é um acto de fraqueza e submissão tenho aprendido com a vida que só os mais fortes, corajosos e altruístas são capazes de o fazer, mesmo que levem o seu tempo.

A solidão de ter um terceiro filho

Estou grávida. Estou grávida do terceiro filho.

Quando temos o primeiro filho a alegria é contagiante mesmo que não tenha sido planeado, mesmo que ainda tivesses planos para concretizar ou que não te sintas preparada,. Quando acontece ficas como que anestesiada, não sabes o que vai acontecer, não sabes como é, só sabes o que toda a gente à tua volta te diz, que é maravilhoso, que é lindo. Algumas pessoas assumem que não é fácil, mas todas elas concordam que é o melhor da vida. Quando ficas grávida pela primeira vez vives tudo intensamente, sentes-te acompanhada e nunca estás sozinha.

O segundo filho é sempre uma escolha tua, pode ser logo de seguida, podes esperar uns anos  mas é aquilo que  toda a gente espera de ti. O segundo filho. Acontece e novamente a onda de calor, de amizade de alegria gira à tua volta. É claro que tens medo, é normal. O primeiro ainda é pequeno, ainda precisa de atenção. Vais para a maternidade e deixas as gavetas etiquetadas e a roupa separada para um mês. Vais para a maternidade ter o segundo mas não consegues deixar de pensar no primeiro.

Aquilo por que não esperavas é que a intensidade de amor que tens pelo teu primeiro se multiplique pelo teu segundo. Não conhecias em ti a capacidade de amar tanto.  E não conhecias em ti a capacidade de aceitar o amor sem fronteiras, sem limites, sem prerrogativas que todos os dias recebes das pequenas criaturas de quem cuidas.

Voltas à rotina.

Ao trabalho, foco na carreira agora, aquela que deixaste em suspenso, tentas  ser o que eras mas nunca mais serás a mesma. Porque inevitavelmente as tuas prioridades mudaram. E aceitas. Aceitas que não consegues ser excelente, que talvez a tua evolução profissional seja mais lenta do que desejavas. Mas não sentes rancor. Tens a família que sempre imaginaste.

Um dia chegas a casa e percebes que alguma coisa está diferente e como que intuitivamente fazes um teste de gravidez. Positivo. Estás grávida outra vez. O choque é demasiado grande e choras, choras porque não planeaste, choras porque não querias, choras porque não queres deixar a tua vida perfeita para enfrentar mais desafios. Choras não sabes por quê. Pensas o que vais fazer e as opções que tens mas muito antes de tomar uma decisão o universo toma por ti, e assim de um dia para o outro, sem mais nem porquês o que encaraste como um problema deixa de existir. E assim, de um dia para o outro o que encaravas como um problema era, afinal,  tudo o que querias na vida. Um terceiro filho.

A partir desse dia passas a viver com essa ideia no coração e tu sabes que as ideias que se cravam no coração são sempre as que mais dificuldade tens em esquecer.

Mas falta-te a coragem, falta-te o apoio.

Ninguém fala sobre isso, ninguém imagina que o queiras, ninguém sabe do teu coração. Só tu.

Passam uns dias e fazes outro teste, e outro e dali a uma semana mais um… só para garantir. Dás a noticia ao teu marido num tom seco, confuso, não esperas foguetes, não esperas música, marcas consulta no médico e vais, sozinha. E é  a partir desse momento que a tua terceira gravidez te torna solitária. Solitária nas tuas escolhas, solitária nos teus pensamentos, nas tuas culpas, nos teus anseios.

Consideras todas as opções, fazes tantas contas à vida, à segunda casa que vais ter de vender, às escolas privadas que não vais conseguir pagar. Mas o amor não tem preço e não há suborno possível para a vontade do teu coração. E decides. Não sabes se bem ou se mal. Mas decides.

E suportas os enjoos, a má disposição, as quebras de tensão. Sozinha. E quando chega a hora começas a dar a notícia. Quase ninguém te dá os parabéns, quase ninguém te felicita. Mas não faz mal, ninguém sabe quando são as tuas consultas, não querem pormenores, afinal , já é a terceira. Devem pensar que foi um deslize ou que estás doida. O terceiro filho…

E nessa solidão caminhas grávida e orgulhosa. Só tu sabes.

No outro dia estava a trocar mensagens com uma amiga que me confidenciou que estava a tentar engravidar do segundo filho e numa pergunta que foi já em si uma afirmação, disse-me: será boa ideia? Fica o dobro mais difícil?

Eu gostava que a minha amiga não me tivesse feito aquela pergunta. Todo o cansaço que ela sente agora não é nada comparado com o cansaço que ela vai sentir, todas as birras que ela agora atura são poucas comparadas com as que ela vai aturar, todos os berros que ela agora dá são poucos comparados com os berros que vai dar e o pouco tempo que agora tem para ela vai-se transformar em ainda menos tempo para ela.

Não queria ter de lhe dizer estas coisas, quando ela está naquele lugar mental em que o segundo filho ainda só é uma ideia que não dá trabalho. E eu que não sou dada a floreados e a paninhos quentes, que prefiro mil vezes uma chapada da verdade à surpresa do desconhecimento, senti-me culpada por lhe dizer que sim que vai ficar difícil, muito mais difícil, incrivelmente difícil.

Penso nos meus filhos e lembro-me como foram duros os primeiros tempos. As birras que a minha filha fazia quando eu estava a amamentar o irmão. Subia móveis, deitava tudo para o chão, pedia coisas que não lhe podia dar naquele momento e chorava, chorava muito. Queria que eu lhe desse colo ao mesmo tempo que amamentava, queria segurar-me na mama para ajudar, para fazer parte de tudo. Lembro-me como ainda é difícil quando estou sozinha com os dois. Despachar os miúdos de manhã, deixá-los na escola, o final do dia a correr, os banhos, a hora do jantar e o terror de ter de os adormecer, a minha maior inabilidade enquanto mãe. As birras e os choros vezes dois, as guerras pelos mesmos brinquedos ou porque um quer ver uma coisa na televisão e outro quer ver outra e a mais velha sempre a querer mandar no mais novo e ele a resistir. E os gritos deles.

A verdade é que fica mesmo tudo mais difícil e mais cansativo, chega a ser desesperante às vezes, mas pensando mais uma vez nos meus filhos, fica também tudo muito, mesmo muito melhor. Mais completo e mais feliz, apesar do caos.

A minha filha amou o irmão desde a primeira vez que o viu. Os olhos brilham quando fala dele e trata-o muitas vezes pelo “nosso menino”. Sempre me quis ajudar, desde mudar a fralda, ao banho e a dar-lhe o biberão. É protetora e preocupada, está sempre atenta e faz o relatório de tudo o que aconteceu na escola. Já estão naquela fase em que brincam muito um com o outro, a outra, em que os irmãos mais novos são uns bebés desinteressantes que só comem e dormem, ficou lá atrás. São companheiros apesar dos gritos, adoram-se e não se largam, irritam-se e aprendem um com o outro e nada me emociona mais que vê-los sentados lado a lado a lerem um livro.

À minha amiga, não lhe mentindo sobre a dificuldade e o cansaço, não posso deixar de lhe dizer o maravilhoso que vai ser, a felicidade e o amor a dobrar que vai sentir e a certeza inabalável de que os irmãos são o melhor presente da vida.

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Querido último filho (aka bebé número 5)

Eu olho para ti e sinto que te devo um pedido de desculpas. Os pais estão cansados, caso não te tenhas apercebido.

Os teus irmãos mais velhos sugaram-nos a energia toda, e tu acabaste por ficar por tua conta. Não sabes, mas em tempos nós éramos rigorosos com as rotinas de sono, não permitíamos que fast food fosse uma opção alternativa de jantar e censurávamos os canais de televisão que não considerávamos apropriados para as idades dos teus irmãos. Não sabes o que perdeste, porque esses pais desapareceram há dois filhos atrás.

Tu andas a reboque dos teus irmãos. Eles muitas vezes ficam acordados até mais tarde, e tu também. Quando te vi ferrado no sofá, ontem às 10h da noite, com o Star Wars a passar em plano de fundo, fez-me parar para pensar… Não deverias estar na cama? Mas infelizmente nós estávamos cansados de mais para te levar. Em vez disso, aconcheguei-me contigo, abracei-te e fiquei a admirar as tuas pestanas. Eu sei que tens 5 anos, e deixei de fazer isso com os teus irmãos quando tinha dois anos, por isso, desculpa-me. Eu simplesmente não consigo parar de ver-te como o meu bebé e manter-te assim enquanto posso. Parecias estar ali bem, até que o pai te levou ao colo para uma breve passagem pela a tua cama, até que acordaste e foste para a nossa.

Desculpa por andares sempre com uma comitiva a proteger-te em cada movimento. Eu sei que os teus irmãos só me tiveram a mim e ao pai a dizer-lhes o que fazer, mas tu tens-nos a nós e a eles. Deve ser frustrante receber ordens de 6 pessoas, digo eu. Todos querem estar contigo, o irmão bebé, a toda a hora.

Mal tocaste com os pés no chão até aos dois anos, de tanto que andavas de colo em colo. E agora tens sempre alguém a querer dar-te a mão, ou um abraço, ou a ajudar-te a chegar às guloseimas que escondi no topo do frigorífico. Uma das tuas primeiras frases foi “Tanto amor”, e nós sabemos que é verdade. O que faz uma criança com tanto amor?

Desculpa-me pelas roupas que tens. Enquanto os teus irmãos tiveram outfits completos tu tem uma pilha enorme de coisas para escolher. Metade herdaste, metade trouxe das promoções do outlet quase sem escolher. Também tens lá disfarces de Carnaval à mistura. E para ajudar à festa, normalmente estou cansada de mais para te mudar de roupa quando vestes o equipamento de futebol para ir para o colégio, e deixo-te ir assim.

Tens sempre tantos ajudantes para te calçar, que ainda não o fazes sozinho. Estamos a trabalhar nisso, mas agora eu sei que a maternidade não é nenhuma corrida, por isso terás o teu tempo. Não me preocupa quando irás aprender a apertar os atacadores, desde que o saibas fazer antes de saires de casa para não andares a pedir aos colegas na faculdade. Normalmente sentes-te bastante feliz com as roupas que escolhes, especialmente quando vestes o fato de Willy Wonka que a tua irmã te ofereceu no Natal, por isso às tantas o teu vestuário é uma vitória minha.

Peço desculpa por saberes falas de filmes e séries que não são para a tua idade. E que tenhas um episódio favorito no “The Office”.  Provavelmente deixámos de controlar o que vês e o que ouves. Na verdade estás a ser criado como uma criança dos anos 80: nós assistíamos às novelas com as nossas mães, se calhar posso criar aqui um movimento “retro-parenting”.

Já te foi mostrado muito mais do mundo do que à tua irmã mais velha quando tinha 5 anos. Para compensar, acabas por ser o miúdo mais “à frente” na mesa de almoço, ao contrário da tua irmã que só percebeu quem eram os Kardashian quando o reality show estava na 7ª temporada. Peço desculpa por estar tão empenhada e preocupada com a educação dos teus irmãos mais velhos, e nem me ter apercebido que quem iria acabar por ser chamado ao gabinete do director da escola eras tu. Prometo ir lá arcar com as culpas.

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Tu és a última carruagem deste comboio, o nosso último filho, o nosso “grand finale”. E a boa notícia é que a única coisa que nunca te faltou foi amor. Aprendemos muito com os filhos que vieram antes sobre o quão rápido tudo passa, sobre a velocidade em que irás crescer e o quanto temos de aproveitar todos e cada um dos momentos contigo. Quanto te abraçamos com força, te deixamos que ainda sejas o nosso bebé e te sufocamos, sabes que é por te porque te amamos mais do que o coração aguenta.

Crescerás rodeado de amor, e esperemos que comer fast food mais vezes do que deverias, ver TV sem limites e deitares-te a horas completamente impróprias para a tua idade não deixem cicatrizes que não possam ser suavizadas pelo facto de seres o nosso último filho, o último grande amor das nossas vidas.

Dos teus pais exaustos, mas que muito te amam.

Por Amy Betters-Midtvedt, publicado em Scary Mommy, traduzido e adaptado por Up To Kids®

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A importância dos irmãos mais velhos no desenvolvimento dos irmãos mais novos

Os primogénitos são os mais inteligentes, e de acordo com um estudo efectuado, há uma razão para tal.

O site Today revela que um novo estudo conclui que os pais dão a mesma quantidade de amor e carinho aos filhos, mas o irmão mais velho recebe mais estímulos cerebrais que os restantes. Este estímulo vai-se perdendo de filho para filho.

O estudo concluiu que os pais passam menos tempo a ler para os outros filhos e a ensinar conceitos com as letras e o alfabeto. Também não proporcionam aos mais novos tantas actividades e jogos didácticos.

Esta pesquisa conclui que os primogénitos são preparados mais cedo para o sucesso académico e intelectual. O Jornal Human Resources afirma que, é provável que seja por esta questão que os irmãos mais velhos apresentam, regra geral, resultados superiores aos mais novos nos testes cognitivos.

Os pais de primeira viagem preocupam-se em fazer tudo “by the book”, e normalmente investem mais e têm maior consciência quando interagem com o filho mais velho”, diz Jee-Yeon K. Lehmann, economista do Grupo de Análise em Boston e co-autor de o estudo. “Com cada criança subsequente, os pais tendem a relaxar com o que não consideram essencial para os seus filhos.

Além disso, o estudo desmontou o mito de que a ordem de nascimento molda a personalidade de uma criança. Lehmann e seus colegas descobriram que não há impacto sobre o temperamento de uma criança, excepto os primogénitos demonstrarem-se mais confiantes no seu desempenho académico.

Como pais, pensem como provavelmente foram obcecados para mostrar tudo ao vosso filho primogénito: as cores, as formas, as letras, etc, e comparem com o segundo, terceiro, quarto ou quinto filho. A novidade desaparece depois de algum tempo. Para além de que as exigências da maternidade com cada criança subsequente são simplesmente desgastantes e consumidoras do nosso tempo.

A lição aqui para os pais é que os tipos de investimentos que são feitos com os filhos são muito importantes, especialmente aqueles nos primeiros anos de vida das crianças“, diz Lehmann. “Todas essas atividades de aprendizagem que fizeram ‘Com o primeiro filho, tão animados, nervosos e com excesso de zelo parecem ter algum impacto positivo a longo prazo, no desenvolvimento da criança

Sem ofensa para os investigadores, que de certeza são todos os primogénitos brilhantes, mas ninguém que viva a paternidade nos dias de hoje, poderia ter atestado este fenómeno.

O nosso tempo e os nossos recursos estão mais limitados do que os de qualquer outra geração anterior. O nosso estilo de vida vida desenfreado dos dias de hoje, impossibilita-nos de ter o tempo que precisávamos e muitas vezes, a calma e a paciência que gostávamos para estimular os nossos filhos através de actividades, brincadeiras e tempo de ócio em família, como queriamos.

Quer gostemos quer não, este estudo aponta para uma dura realidade: estamos a adaptar a nossa atitude e comportamento parental à velocidade do nosso dia a dia para conseguirmos andar com a nossa vida, o que poderá ter um impacto negativo no desenvolvimento dos nossos filhos.

Bom, pelo menos dos mais novos.

 

Por Sarah Hosseini, Scary Mommy

Traduzido, adaptado e autorizado para Up To Kids®

 

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Quando dizemos que “um irmão é um presente que se dá a um filho” estamos, naturalmente, a simplificar e a idealizar uma realidade que, a bem da verdade, normalmente é sentido como “presente envenenado”.

Se pensarmos bem, com a chegada de um irmão, a criança vê o seu “reino” ameaçado, quando uma criatura pequenina, enrugadinha e que (diga-se de passagem), numa fase inicial come, dorme, chora e pouco mais, se vem instalar na sua casa e pior, nos braços da sua mãe! Antes do nascimento do irmão, são muitas as pessoas que lhe dizem “agora vais ter um mano para brincar” e, na sua fantasia, a criança imagina que vai nascer um irmão prontinho para a brincadeira.

E assim, a relação começa logo marcada por uma grande desilusão.
Este ser que é um estranho, inicialmente, ainda que activando na criança já alguns receios (p.e. perder a mãe e o pai, perder a exclusividade, perder a propriedade dos seus brinquedos e roupas),  pode até beneficiar de um enamoramento inicial. Fase em que a “guerra”, ainda não foi formalmente declarada.

Depois, por vezes de forma gradual, outras de forma mais violenta, surgem os primeiros sinais de desconforto, com as regressões, birras, choros e agressividade com o recém chegado. Ainda assim, justiça seja feita, depois de ultrapassado o reboliço “inicial” (que pode durar alguns tempo), criam-se as condições para que se manifestem todas as coisas boas que um irmão pode trazer à vida de uma criança, em termos de aprendizagem, cumplicidade e companheirismo. Mas primeiro, há que ultrapassar as dificuldades.

Antes de intervir, compreender

Com a chegada de um irmão, “baralham-se os amores” e, por essa razão, inicialmente, mais do que gerir a relação, será importante ensinar os seus filhos a lidarem com as suas próprias emoções. As queixas dos seus filhos, por mais estranhas ou afastadas da realidade que lhe pareçam, são formas dele exprimir o que sente e, principalmente, os medos que o perturbam naquele momento.

Por essa razão, é importante que as oiça, e que as considere como válidas, reagindo com empatia. Durante estes períodos de “crise”, é muito importante que escute com particular atenção para que possa ajudar o seu filho a elaborar, ao seu ritmo, esta nova realidade.

Hoje sabe-se que os sentimentos são sempre melhores manifestos do que reprimidos. No entanto, quando ralhamos, argumentamos ou pressionamos uma criança a deixar de ter determinados comportamentos (de agressividade por exemplo), estamos precisamente a levá-la a reprimir a manifestação e não o sentimento que lhe é subjacente. Este tende até a intensificar-se. Por outro lado, sempre que fazemos juízos de valor acerca da forma como a criança está a reagir, punimos e/ou censuramos, estamos a atingir a criança na sua auto-estima, o que virá confirmar os seus receios de que está a “perder” o amor dos seus pais.

Alguns autores, consideram que a rivalidade entre irmãos, se deve a uma ameaça à sua individualidade.

“Eu devo ser como sou, ou devo ser como o meu irmão?”, “se formos diferentes, seremos igualmente amados?” são algumas das questões que, ainda que não seja de forma consciente, inquietam a criança. Respeitar as diferenças e ajudar os seus filhos a desenvolver a sua individualidade terá um papel muito importante no processo de aceitação.

Cada um é, e deve ser, como é! Se o seu filho sentir que ser ele próprio não é bom e que, o melhor é ser como o irmão, vai, inicialmente, tentar mudar. Deste movimento podem surgir as regressões como por exemplo, pedir chucha, gatinhar ou querer voltar ao biberão, ou a imitação de gostos, brincadeiras, entre muitas outras coisas. Com o fracasso da tentativa de ser como o irmão (porque de facto não é possível, nem desejável) vem a zanga, a frustração e a rejeição.

O ideal será então que os pais reforcem as diferenças, mostrando que todas as formas de ser, sexo e idades, são importantes e têm lugar na família. Mostre que essas diferenças são precisamente o que torna a família especial, pois assim, ser como ele é, é ser especial. Ultrapassar os ciúmes de um irmão corresponde a uma conquista gradual de auto-estima, segurança e individualidade.

A criança percebe que é amada como é, e independentemente do que faça. E pode, a partir daí, passar a amar livremente e sem medos este pequeno “invasor” que, rapidamente, se pode tornar no seu melhor e mais especial amigo.

Conselhos para lidar com o ciúme entre irmãos

1. Escute sempre as queixas do seu filho de coração aberto, sem julgamentos e agindo de forma empática.

Diga coisas como “percebo que estejas triste, a mamã tem estado muito tempo com o mano e tu gostarias que pudesse estar esse tempo todo contigo também” e “compreendo que seja muito chato ter um irmão mais novo”. Note-se que dizer “ter um irmão é chato”, é diferente de dizer “o teu irmão é chato”.

2. Nunca tome partido nos conflitos e evite interferir.

Se não for mesmo possível, então separe-os. Não com forma de castigo mas para os levar a fazer actividades diferentes. Se se tiverem magoado, então envolva os dois na reparação de igual forma.

3. Não condene o mais velho por ter uma atitude hostil ou exprimir sentimentos negativos.

Eu sei que é difícil resistir à tendência fortemente enraizada para dizer coisas como “isso é feio!”, “não digas isso do teu irmão que ele gosta tanto de ti”, “temos que gostar dos irmãos e tratar bem deles”, etc.

Ao invés disso, experimente “traduzir” as acções, revelando os sentimentos que estão por detrás do comportamento, usando frases como “compreendo que estejas irritado porque o teu irmão está a estragar a tua brincadeira” ou “vejo que estás zangado porque o teu irmão está a precisar da atenção da mamã”, “se neste momento não te apetece brincar com o teu irmão, não brinques”.

4. Não tente, de forma alguma, convencê-lo que gosta mais do irmão do que o que pensa.

O seu filho está zangado e é só nisso que está focado. Se tentar convencê-lo do contrário, vai fazê-lo sentir-se culpado e isso pode agravar ainda mais a situação.

5. Promova actividades com o filho mais velho.

Para lidar com as regressões, promova actividades com o mais velho que estejam de acordo com a sua idade (brincar com os amigos, fazer jogos mais complexos e que lhe dêem prazer, ir passear só com o pai ou só com a mãe).

6. Se o seu filho acha que o irmão está a ser beneficiado relativamente a alguma coisa, não negue.

É assim que ele está a sentir a situação e, para já, não consegue analisá-la sob outro ponto de vista. A negação só vai aumentar o sentimento de injustiça e incompreensão. Explique apenas que as coisas não são, nem têm que ser sempre feitas de forma igual e que, isso nada tem a ver com o que sentimos pelas pessoas.

Pode dizer coisas como “quando nasceste também recebeste muitos presentes como o teu mano está a receber. Não sei se foram mais, se foram menos. Só sei que foram muitos, muitos” e “é chato quando sentimos que estamos a ser prejudicados. Eu lembro-me de sentir isso quando era pequenina”.

7. Dê exemplos práticos.

Para o ajudar a lidar com as diferenças e respectivas vantagens e desvantagens, pode dar exemplos que o ajudem a perceber que também ele já viveu as etapas pelas quais o irmão está agora a passar. Alguns exemplos seriam “as pessoas gostam muito de olhar e falar com os bebés na rua. Quando tinhas a idade do teu irmão também era assim contigo”, “quando eras pequenino, não podias brincar no parque como fazes agora. Só podias passear no carrinho como o teu irmão”.

8. Promova a individualidade e diferença nos seus filhos.

Dê exemplos de formas de ser diferentes como “o papá adora lavar o cabelo. Já eu sou como tu, não gosto nada”. Evite comprar roupas iguais ou a combinar. Quando já for possível, peça para que sejam eles a escolher e ajude-os a fazê-lo de acordo com os seus gostos individuais.

Se possível, evite as heranças “passivas” de roupa e brinquedos. Pergunte ao mais velho o que é que já não quer para ele e que queira dar ao mais novo. Depois, confirme se o mais novo o quer receber ou se interessa.

9. Auto-estima e auto-confiança

Se os níveis de agressividade são muito intensos, então pense em ajudar o seu filho a desenvolver uma boa auto-estima e auto-confiança e leve-o para actividades ao ar livre e físicas que o vão ajudar a descarregar alguma energia.

Do lado dos pais

Lembre-se de como foi a sua infância. Muito da forma como reagimos aos ciúmes dos nossos filhos, passa pelo que nós próprios experienciámos em criança. Foi filho/a único/a ou tem irmãos? Tem tendência para defender o mais velho? O mais novo? Irrita-se e desvaloriza as queixas? Age passivamente ou é demasiado interventivo/a?

O que é que sente em cada um dos momentos de ciúme com que é confrontado/a? Espreite dentro de si mesmo/a. Depois de encontrar estas respostas, tente separar o que é seu e o que é dos seus filhos. Cada um deles é um ser único e especial e vão viver a existência de um irmão de forma igualmente única e especial.

 

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