Meditação para grávidas e bebés com 3 meses de colo

A Meditação para grávidas e bebés com 3 meses de colo, conhecida por Baby Meditation surge como uma forma de cuidado com a mãe, o pai e o bebé.

No ventre materno ou em pós-parto nestas aulas, o bebé pode experimentar o bem estar físico e emocional da família.

Através da música e dos exercícios respiratórios vamos recriar o ambiente do ventre materno. Recriamos momentos de paz e qualidade, ensinando aos pais como se faz e quais os resultados. Se o bebe já nasceu, ele vai lembrar-se e ter uma boa reação, se está no ventre materno há um reconhecimento e momentos de felicidade.

Esta técnica reforça o vínculo materno. Vai proporcionar momentos de aprendizagem, paz, serenidade, autocontrole, diversão e descontração. Estes momentos serão essenciais durante a gravidez, no dia do parto e na recuperação pôs parto.

Mães mais serenas, trazem a casa um ambiente tranquilo e amoroso logo o bebe sente e responde na mesma medida. Toda a família ganha com esta técnica e com os seus resultados.

Após o parto há tendência, porque a grávida tem muito a que dar atenção, a desunião afetiva do casal. Esta situação poderá prejudicar enquadramento do recém-chegado. Com esta aprendizagem, a mãe percebe que há tempo útil para garantir tudo de maneira eficaz, organizada e com sucesso emocional.

O retorno à vida social depois do parto, os dias de afeto e aprendizagem com o bebe e a relação matrimonial, a regularização do peso e das horas de descanso entre outros tópicos são temas de importância e interesse para a mãe. As atividades e o apoio que o pai pode prestar na vida familiar e do bebe são aprendizagens importantes.

Fármacos e Gravidez

IODO, ÁCIDO FÓLICO E AFINS

Normalmente, na gravidez, o que está padronizado é apenas a toma das vitaminas normais para esta fase da vida da mulher. São elas o ácido fólico. O ácido fólico ajuda na formação correta do sistema nervoso do feto. O iodo foi introduzido como suplemento há bem pouco tempo atrás, pois chegou-se à conclusão, depois de alguns estudos realizados que, em Portugal tínhamos algum défice de iodo. A falta de iodo é prejudicial para o bebé.

ENJOO

Por vezes, existe a necessidade da toma de anti-eméticos. Quando há muitos enjoo, normalmente no primeiro trimestre da gravidez. Mas estes devem apenas ser adquiridos quando o médico assim o aconselha.

FERRO E MAGNÉSIO

Depois, em algumas situações existe a necessidade da toma de ferro ou magnésio. Existem médicos que prescrevem estes fármacos. Normalmente, isto acontece, depois de analisarem os resultados das análises de sangue da grávida. O magnésio é prescrito normalmente para cãibras e também outras funções mais específicas.

AZIA

Noutra fase da gravidez, podem acontecer sintomas de azia. Existem médicos que, por vezes, aconselham os anti-ácidos quando a azia é muito intensa e incomodativa.

OUTRO FÁRMACOS

Posso também focar aqui algumas situações muito particulares. Há alturas, em que pode ser necessário uma grávida tomar um antibiótico, por conselho médico. Como, por exemplo, quando tem uma infecção urinária grave. Mas isso deixemos para a parte médica. Aconselhem-se com eles, só eles saberão analisar o vosso caso em particular. Outra situação particular prende-se com o facto de algumas grávidas, já para o final da gravidez, sofrerem de obstipação neste caso podem precisar de algum fármaco para as ajudar a evacuar.

Por isso, o que aconselho sempre, é que não se auto-mediquem.

Mesmo que a outra pessoa que conhecem também esteja grávida e também esteja a tomar aquilo não quer dizer que vocês o possam tomar. O melhor será sempre que se dirigir a um profissional de saúde e tirarem todas as dúvidas.

O estado de gravidez é um estado transitório que o nosso organismo passa e por isso deve-se ter cautela e antes de tudo devemos-nos informar com alguém que nos possa aconselhar convenientemente e em quem confiemos.

Cada vez há mais informação acerca da toxoplasmose e o que ela implica contudo ainda há tantas dúvidas e mal-entendidos nesta temática.

A toxoplasmose é uma doença congénita que pode trazer problemas de saúde para o bebé se a mãe for infectada pela primeira por este parasita quando está grávida.

Neste post quero esclarecer todas as dúvidas falando para isso do ciclo de vida do parasita toxoplasma gondii.

Como se transmite?

A toxoplasmose pode ocorrer em diversos mamíferos que ingiram carne crua, especialmente através da caça que esteja infectada com o protozoário chamado Toxoplasma gondii. Este parasita unicelular tem um ciclo de vida um pouco complicado. Mas sabe-se que tem de passar por um hospedeiro intermediário e por um definitivo, que é sempre o gato e não o cão. Normalmente os felinos não exibem sintomas de toxoplasmose.

O ser humano serve de hospedeiro intermediário. Nele o parasita enquista nos músculos ou noutras partes do organismo. Mas esta infecção é geralmente sem sintomas. Muitas pessoas podem contrair toxoplasmose e não se aperceberem disso, mas caso tenham sintomas estes podem ser febre baixa, dores musculares, aumento do volume dos gânglios linfáticos, perda de apetite e dores de garganta. Nada de grave e que facilmente passa despercebido.

Uma vez exposto à doença, o ser humano desenvolve imunidade contra o parasita e raramente torna a adoecer com toxoplasmose. Isto é confirmado através de uma análise sanguínea que revelará se a pessoa é imune ou não.

Os gatos e as grávidas

Agora vamos aqui reflectir um pouco. Se vocês tiverem um gato já há algum tempo, que vive exclusivamente dentro de casa, e que jamais come carne crua, você não está em risco. De facto está cientificamente provado, que manusear carne crua ou trabalhar em jardinagem sem luvas é mais arriscado do mexer no seu gato.

Os gatos contraem toxoplasmose ao comer carne crua ou caça (por ex. ratos) que contenha algum dos 3 estados infectantes deste parasita. Neste caso os gatos excretarão pelas fezes oocistos infectantes de 3 a 10 dias após a ingestão de tecidos infectados. Esta excreção pode durar até 14 dias após a 1ª exposição do gato ao parasita. Mas depois deste período é raro que o gato possa de novo excretar pois, tal como nos humanos, o gato desenvolve imunidade contra o toxoplasma. Os oocistos excretados nas fezes transformam-se em infectantes apenas 1 a 4 dias após a excreção, e podem permanecer assim no meio ambiente por vários meses. Se tiver que limpar as areias dos gatos e usar luvas o risco de contrair toxoplasmose é mínimo.

Como minimizar o risco?

Existem muitas maneiras de minimizar o risco do gato contrair toxoplasmose. Mantenha o seu gato exclusivamente dentro de casa. Não permita que ele consuma o que caça nem lhe forneça carne crua. Alimente-o com rações comerciais apropriadas. Mesmo que o gato tenha acesso ao exterior isso não é razão de alarme. Deve deixar para outra pessoa a mudança das areias ou então fazê-lo de luvas e lavar sempre muito bem as mãos em todas as situações. É importante também não ter o hábito de levar as mãos à sua boca ou roer as unhas.

No meu caso, por exemplo, tenho quatro gatos e não sou imune à toxoplasmose. Os meus gatos têm acesso a toda a casa e dois deles vieram da rua. Contudo, os cuidados que tive durante a gravidez foram os que falei aqui e tudo correu bem. Mas sobre os cuidados mais específicos a adoptar pelas mães não imunes falarei mais à frente.

image@emaze

A solidão de ter um terceiro filho

Estou grávida. Estou grávida do terceiro filho.

Quando temos o primeiro filho a alegria é contagiante mesmo que não tenha sido planeado, mesmo que ainda tivesses planos para concretizar ou que não te sintas preparada,. Quando acontece ficas como que anestesiada, não sabes o que vai acontecer, não sabes como é, só sabes o que toda a gente à tua volta te diz, que é maravilhoso, que é lindo. Algumas pessoas assumem que não é fácil, mas todas elas concordam que é o melhor da vida. Quando ficas grávida pela primeira vez vives tudo intensamente, sentes-te acompanhada e nunca estás sozinha.

O segundo filho é sempre uma escolha tua, pode ser logo de seguida, podes esperar uns anos  mas é aquilo que  toda a gente espera de ti. O segundo filho. Acontece e novamente a onda de calor, de amizade de alegria gira à tua volta. É claro que tens medo, é normal. O primeiro ainda é pequeno, ainda precisa de atenção. Vais para a maternidade e deixas as gavetas etiquetadas e a roupa separada para um mês. Vais para a maternidade ter o segundo mas não consegues deixar de pensar no primeiro.

Aquilo por que não esperavas é que a intensidade de amor que tens pelo teu primeiro se multiplique pelo teu segundo. Não conhecias em ti a capacidade de amar tanto.  E não conhecias em ti a capacidade de aceitar o amor sem fronteiras, sem limites, sem prerrogativas que todos os dias recebes das pequenas criaturas de quem cuidas.

Voltas à rotina.

Ao trabalho, foco na carreira agora, aquela que deixaste em suspenso, tentas  ser o que eras mas nunca mais serás a mesma. Porque inevitavelmente as tuas prioridades mudaram. E aceitas. Aceitas que não consegues ser excelente, que talvez a tua evolução profissional seja mais lenta do que desejavas. Mas não sentes rancor. Tens a família que sempre imaginaste.

Um dia chegas a casa e percebes que alguma coisa está diferente e como que intuitivamente fazes um teste de gravidez. Positivo. Estás grávida outra vez. O choque é demasiado grande e choras, choras porque não planeaste, choras porque não querias, choras porque não queres deixar a tua vida perfeita para enfrentar mais desafios. Choras não sabes por quê. Pensas o que vais fazer e as opções que tens mas muito antes de tomar uma decisão o universo toma por ti, e assim de um dia para o outro, sem mais nem porquês o que encaraste como um problema deixa de existir. E assim, de um dia para o outro o que encaravas como um problema era, afinal,  tudo o que querias na vida. Um terceiro filho.

A partir desse dia passas a viver com essa ideia no coração e tu sabes que as ideias que se cravam no coração são sempre as que mais dificuldade tens em esquecer.

Mas falta-te a coragem, falta-te o apoio.

Ninguém fala sobre isso, ninguém imagina que o queiras, ninguém sabe do teu coração. Só tu.

Passam uns dias e fazes outro teste, e outro e dali a uma semana mais um… só para garantir. Dás a noticia ao teu marido num tom seco, confuso, não esperas foguetes, não esperas música, marcas consulta no médico e vais, sozinha. E é  a partir desse momento que a tua terceira gravidez te torna solitária. Solitária nas tuas escolhas, solitária nos teus pensamentos, nas tuas culpas, nos teus anseios.

Consideras todas as opções, fazes tantas contas à vida, à segunda casa que vais ter de vender, às escolas privadas que não vais conseguir pagar. Mas o amor não tem preço e não há suborno possível para a vontade do teu coração. E decides. Não sabes se bem ou se mal. Mas decides.

E suportas os enjoos, a má disposição, as quebras de tensão. Sozinha. E quando chega a hora começas a dar a notícia. Quase ninguém te dá os parabéns, quase ninguém te felicita. Mas não faz mal, ninguém sabe quando são as tuas consultas, não querem pormenores, afinal , já é a terceira. Devem pensar que foi um deslize ou que estás doida. O terceiro filho…

E nessa solidão caminhas grávida e orgulhosa. Só tu sabes.

A propósito desde meu artigo sobre a Rubéola uma mãe questionou-me relativamente ao seu caso em particular, pois descobriu que não estava imune à rubéola e estava grávida. Para saberem mais sobre esta patologia podem ler o artigo. A questão é? Deve ou não a grávida ser vacinada? Embora existam várias maneiras de pensar e também porque cada caso é um caso gostava na mesma de esclarecer sobre esta temática explicando alguns conceitos.

Imunidade

Primeiro de tudo convém entendermos o que é a imunidade e que influência tem na nossa gravidez.

Tipos de vacinas

Alguns exemplos de tipos de vacinas pois elas não são todas iguais nem na sua forma de actuação nem na composição.

Vacinas atenuadas

 O Microrganismo (bactéria ou vírus vivos), obtido a partir de um indivíduo ou animal infectado, é atenuado por passagens sucessivas em meios de cultura ou culturas celulares, diminuindo assim o seu poder infeccioso. Como exemplo deste tipo de vacina existe a vacina contra rubéola, BCG, varicela, etc.


Vacinas inativadas

Os microrganismos são mortos por agentes químicos ou físicos. A grande vantagem das vacinas inativadas é a total ausência de poder infeccioso do agente, mantendo as suas características imunológicas. Ou seja, estas vacinas não provocam a doença, mas têm a capacidade de induzir proteção (estimular produção de anticorpos) contra essa mesma doença.
 Estas vacinas têm como desvantagem induzir uma resposta imunitária subóptima, o que por vezes requer a necessidade de administrar várias doses de reforço.
Alguns exemplos das inativadas são hepatite A, hepatite B, influenza e HPV.

Vacinas conjugadas

As vacinas conjugadas são produzidas para combater diferentes tipos de doenças causadas por bactérias chamadas encapsuladas (que possuem capa protetora composta por polissacarídeos, substâncias parecidas com açúcares).
Exemplo: vacina pneumocócica 23 (protege contra 23 tipos de pneumonia).

Vacinas na gravidez

Muito se tem falado sobre as vacinas na gravidez. As vacinas são diferentes entre si nas suas composições e origens como vimos atrás.
Na gravidez, como a vacinação pode afetar o bebé o risco tem que ser muito bem medido. Pois também há risco da mãe contrair a doença e aí ainda será mais prejudicial para o bebé. Para isso deverá falar com o seu médico e saber qual a opinião dele neste caso.

CASO DA RUBÉOLA

  • A vacina contra rubéola é composta de vírus vivo atenuado, e portanto, é contra-indicada na gravidez.
  • Toda a mulher em idade fértil deve realizar uma colheita de sangue para saber o seu estado imunológico contra rubéola. Naquelas com resultado negativo (IgG negativo), deve-se aplicar a vacina e depois aí aguardar uns meses para ter a certeza que fica imunizada.
  • Uma única dose da vacina contra rubéola é eficaz para criar imunização permanente em mais de 95% dos casos.
  • A presença do vírus causador da rubéola na mulher que pretende engravidar ou grávida aumenta o risco de ocorrer um aborto espontâneo ou causar alterações ao feto.
  • Não há problemas em receber a vacina durante a amamentação. Também não há problema em ser revacinada.

O QUE REPRESENTAM AS IGG E AS IGM?

IgG (Imunoglobulina G) e IgM (Imunoglobulina M) são anticorpos que o organismo produz quando entra em contato com algum tipo de micro-organismo invasor.

A diferença entre eles é que o IgM é produzido na fase aguda da infecção, enquanto que o IgG, que também surge na fase aguda, é mais específico e serve para proteger a pessoa de futuras infecções, permanecendo por toda a vida.

Quando pesquisamos IgG e IgM temos o objectivo de detectar o estágio de diversas doenças, entre elas a toxoplasmose, rubéola e a infecção pelo citomegalovírus:

  • IgG negativo (não reagente) e IgM negativo (não reagente): nunca entrou em contato com o patógeno (nunca teve a doença ou nunca tomou vacina) e está susceptível a ter a doença, ou seja, se estiver em contacto com o microorganismo poderá ficar doente.
  • IgG negativo e IgM positivo: infecção aguda (dias, semanas), ou seja, esteve em contacto com a doença há pouco tempo e ainda está a reagir.
  • IgG positivo (reagente) e IgM positivo (reagente): infecção recente (semanas ou meses), ou seja, esteve há poucas semanas em contacto com a doença e já está a criar defesas.
  • IgG positivo e IgM negativo: infecção antiga (meses ou anos) ou sucesso da vacina, ou seja, o seu corpo quando estiver em contacto de novo com a doença tem agentes que reconhecem e que a vão eliminar rapidamente.

Concluindo, o exame sorológico da rubéola é feito durante a gravidez e tem com objectivo detectar a presença de anticorpos contra a rubéola na corrente sanguínea (anticorpos IgG e IgM). A presença de anticorpos pode revelar se a mulher é imune ou entrou em contato com o vírus da rubéola recentemente. Para assim fazer um despiste e actuar em conformidade com os resultados obtidos.

image@yeutre

 

A maternidade é como a idade – bonito é fingir que não passamos por ela

Recordo-me perfeitamente de estar no final da gravidez da nossa filha – inchada, com asma resultante da gravidez, um refluxo que só me permitia dormir sentada, pés que pareciam batatas – e de repente aparecer na televisão a Kate Middleton, poucas horas depois de dar à luz pela segunda vez, em pé, na rua, com o recém-nascido ao colo, num maravilhoso vestido amarelo, com ar sereno de quem não tinha feito nada de especial nas últimas horas.

Senti de imediato a pressão para ter um pós-parto igual, até me senti uma drama queen por estar estatelada no sofá a respirar com dificuldade, quando aquela mulher depois de um parto estava ali firme e hirta, penteada e maquilhada.

Quando a nossa filha nasceu voltei a sentir que era menos capaz do que a Kate – no dia seguinte ainda precisava de uns bons 10 minutos para me levantar, arrastava-me pelo quarto, usava uma mola que mal prendia o cabelo, estava pálida e olheirenta e o único vestido que me apetecia usar era o vestido de noite largo e manchado de leite da noite anterior. Estava exausta, não queria tirar fotos nem esboçar sorrisos forçados, apenas permanecer encostada à nossa filha, a apreciá-la, com direito a dormitar pelo meio.

Estive rodeada de pessoas fabulosas, mas com o regresso a casa começaram os zumbidos de “agora tens de recuperar a tua forma“, “em breve a tua vida vai voltar à normalidade“, “tens de voltar a cuidar de ti como antes”.

Por que é que temos de fingir que não mudámos, que não nos tornámos mães? Por que é que temos de “voltar à normalidade” como se nada tivesse acontecido? A que se deve tanta pressa?

A maternidade e o pós-parto tornaram-se uma espécie de capítulo curto na vida das mulheres que deve ser rapidamente lido e encerrado, sem tempo nem espaço para o viver. É como se existisse uma competição subtilmente incutida de “ganha quem recuperar mais rápido a forma, retomar a sua rotina e transparecer não ter sido mãe!”.

Ser mãe não é um capítulo, é a própria história, um aspecto que estará presente em nós pela vida fora, diria até uma característica. Não é uma fase passageira, é um modo de vida, uma escolha que fizemos e que merece ser plenamente experienciada. Ser mãe é uma eclosão! Como qualquer mudança de vida significativa, exige tempo para lidarmos com todas as transformações inerentes, emoções mais e menos positivas, certezas e dúvidas, derrotas e vitórias. Por que nos levam a pensar que devemos passar por cima disto todas apressadas? Desde quando uma mudança tão importante deve ser vivida com ligeireza?

Sou mãe, jamais serei a mesma, não me peçam para fingir que nada mudou! O meu corpo ganhou um novo formato, aquele que permite à nossa filha encaixar-se perfeitamente nele, a minha vida ganhou outras prioridades, o meu coração cresceu desmedidamente, o meu pensamento foca-se em fazer a nossa filha feliz pois essa é para mim uma fonte de satisfação.

Claro que aos poucos me vou recuperando enquanto mulher, ganhei vagar e motivação para cuidar mais de mim, para esporadicamente sair a dois. Ainda assim, nada será igual, não é suposto ser! A nossa filha existe e faz parte de nós SEMPRE, mesmo quando não está presente.

Sou uma menina-mulher que se tornou mãe e que dois anos depois continua a aprender a desempenhar este papel. Estou em constante reconstrução, ganhei responsabilidades e a bênção de criar uma família.

Onde quer que me vejam, irão ver uma mulher que nunca mais descansou o mesmo, que se questiona sobre as suas práticas parentais, que cuida menos de si, mas que transporta nos seus olhos o brilho próprio de quem reconhece o valor da honra de ser mãe – não nos tentem tirar isto!

Desculpa filho, não foste planeado

Já estava doente há duas semanas. Todos os dias tinha diarreia. Hipocondríaca como sou, sabia que estava à beira da morte, só era preciso descobrir qual a doença que me iria matar. Farta de estar à espera, numa segunda-feira de manhã, depois de chegar ao trabalho e de me sentir cada vez mais fraca, fui às urgências do Hospital da Luz.

Fui atendida por uma médica que, entre várias perguntas, quis saber se eu poderia estar grávida. Respondi logo que não, acho até que gritei. Nem pensar, eu tomava a pílula. Notei-lhe um ligeiro ar de gozo. Imagino que já tivesse ouvido a mesma resposta centenas de vezes. Fiquei irritadíssima, não sou uma adolescente, caraças, eu sei o que é o planeamento familiar, tomo a pílula desde que me conheço mulher.

A minha indignação não durou as três horas que esperei pelos resultados das análises que a médica me tinha mandado fazer. Quando me recebeu no gabinete com um sorriso de orelha a orelha, já eu tinha esquecido a pergunta que me tinha feito. Mas ela não. Como não tinha ficado convencida da minha certeza absoluta e como poderia ser preciso fazer mais exames, entre as várias análises que pediu, estava um teste de gravidez.

– Parabéns, está grávida!

Raio da médica, eu estive três horas na sala de espera a ler revistas cor-de-rosa e ela esteve três horas nos copos.

Eu tomava a pílula, que parte é que ela não percebeu? Ela insistiu que o resultado era aquele e eu insisti que não podia ser. Farta de mim, ligou para a obstetrícia para confirmar se o que ela estava a ver era mesmo o que ela estava a ver, disseram-lhe que sim, ela deu-me as análises e, novamente com aquele ar de gozo, mandou-me ir à obstetrícia que já estavam à minha espera.

Enquanto eu pensava se devia ir ou fugir daquele manicómio, uma assistente segurou-me o braço e, com um sorriso típico dos hospitais privados, levou-me à obstetrícia.

Lá se tinha ido a minha hipótese de fuga.

Na obstetrícia, para não restarem dúvidas, fizeram-me uma ecografia e lá estava a confirmação: um saquinho bem redondinho dentro do meu útero. A minha cara de felicidade devia ser tão evidente que a médica me disse para ter calma, que ainda estava no início e que a decisão de continuar com a gravidez seria minha.

Eu estava calmíssima, ou pelo menos fingi bem o suficiente para me deixarem sair do hospital rapidamente.

A primeira coisa que fiz foi ligar para o meu marido. Pouco tempo antes tínhamos falado sobre ter mais filhos e ambos concluímos que dificilmente isso iria acontecer. Gostávamos de dar mais um irmão à nossa filha, (ela já tinha o mano mais velho, o meu enteado), mas ter filhos é caro, a mensalidade da creche, as fraldas, as vacinas, o pediatra, a renda da casa, a pensão de alimentos, bla, bla, bla, bla. Tomem lá e embrulhem.

O meu estado de espírito era o de quem estava a comunicar uma fatalidade, um olha não sei como é que isto aconteceu, desculpa lá qualquer coisinha e o meu marido do outro lado a rir, genuinamente feliz, que venha com saúde, disse ele. Também esteve a beber com a médica, só pode. Então e as contas? Nós fizemos contas, como é que vamos conseguir?

Quando desligámos, liguei para a minha mãe e chorei, chorei, chorei, chorei tanto. Só pensava na minha filha. Era tão pequenina, ainda era tão bebé. O que é que eu lhe fui fazer? E a minha mãe ria, genuinamente feliz e eu só me lembro de andar dentro do Colombo às voltas a chorar e a dizer-lhe para não estar feliz.

Nesse dia senti-me atropelada pela vida. Não era nada disto que eu tinha planeado, mas desde esse dia, em que a vida mandou as minhas certezas absolutas para as urtigas e escolheu outro caminho, que eu sou ainda mais feliz.

imagem@anapnoes

LER TAMBÉM…

Eu fui feita para amar assim

7 segredos para criar crianças mais felizes.

Se, antes de ter filhos, eu soubesse;

Sim, tu aí, tu a minha barriga, ficas a saber que não gosto de ti! Pronto, já disse!

Há muito quem aceite a barriga, quem diga que carrega a marca de um amor maior, quem diga te chame genética ou metabolismo, ou o almoço de há bocado.

Eu, pura e simplesmente não gosto de ti! Desiludiste-me! 


Nunca foste modelo de revista, eu sei… Sempre gostaste de te acumular mais um bocadinho aqui e outro ali. Nunca exibiste uns abdominais exemplares, ou uma total ausência dos doces que como.

Mas eu não fui assim tão má para ti. Nunca abusei assim tanto da alimentação, besuntei-te sempre de cremes e coisas dessas. Tentei deixar-te sempre nutrida e saudável.

Portaste-te lindamente quando carregaste o meu bebé! Agradeço o teu esforço. Esticaste até mais não e nunca cedeste. Mas lamento, não gosto de ti! Não gosto do que te tornaste!

Desiludiste-me porque demoras a voltar ao que eras, se é que algum dia vais voltar. Não gosto de ti, porque vais-me obrigar a esconder-te no verão, e escondo-te porque, lamento dizer-te: És feia!

Não gosto de ti, porque apesar de não me definires de forma alguma, fazes parte de mim, e eu não consigo mudar-te.
Não sejas presunçosa, porque não és a marca de um amor maior. Sim, carregaste o meu filho, mas qNão gosto de tiuem o ama é o coração, não tu! Tu foste uma mera ferramenta, e como estou danada contigo, vou-te chamar obsoleta!

Há quem aceite e diga que se sentem bem com o corpo que têm. Pois eu não. Não me sinto bem, não gosto de ti, e não te acho de forma alguma bonita.

A vantagem no meio disto tudo, é que não mandas em mim.  
Vou-te odiar enquanto te mantiveres assim, e vou-te deixar bem escondida.

Porque não és tu que vais definir quem sou. Não és tu que me dás alegrias, e não és tu que me vais fazer feliz. 

Sabes, no final de contas, és só uma barriga, e eu vou continuar a esconder-te e a ser feliz, longe da tua vista!

Mas ficas a saber, que não gosto mesmo nada de ti!

imagem@mdig

LER TAMBÉM…

Carta a uma mãe de primeira viagem

Um bebé incomoda muita gente

A recuperação abdominal após o parto

O dia 4 de Maio de 2012 calhou a uma sexta-feira, eu estava grávida e fazia as doze semanas na segunda-feira seguinte.

Estava a trabalhar, fui ao wc, limpei-me e vi o sangue no papel higiénico. Não sei quanto tempo fiquei ali a olhar para o sangue. Era sangue vivo, era abundante.

Vesti-me, fui ter com uma colega, das poucas que sabia que eu estava grávida e pedi-lhe para ir comigo à Maternidade Alfredo da Costa. Pelo caminho liguei ao meu marido, que em pouco tempo estava lá.

Abraçámo-nos.

Existe aquele mito de que não devemos contar que estamos grávidas antes das doze semanas. Eu já tinha estado de baixa, porque às 6 semanas o feto não estava a evoluir, mas depois disso parecia tudo normal, um coração que batia forte, as medidas supostas para o tempo e eu esqueci aquele pesadelo. Estava feliz, estava grávida e notava-se.

Quando cheguei à MAC tudo me pareceu demorar uma eternidade. Eu estava a perder sangue e a calma dos outros parecia-me uma ofensa. Fazer o registo, mostrar o cartão do cidadão, o cartão de saúde, dar a morada, contactos, por favor, eu só quero ouvir um coração a bater.

Entrei para a triagem e depois das explicações habituais, mandaram-me deitar numa maca. Ali fiquei deitada, num corredor, sozinha. Ao longe ouvia o som de outros corações, portas a abrir e fechar. Uma enfermeira passava de tempos a tempos e pedia-me para ir ver se ainda perdia sangue.

Depois do que me pareceu serem cem anos, fui chamada por uma médica sorridente. Deitei-me, fez-me uma ecografia, o sorriso desapareceu e disse-me que eu tinha sofrido um aborto espontâneo.
Não percebi nada. Eu continuava a querer ouvir um coração a bater.

Rapidamente me explicou que o feto teria parado de se desenvolver por volta das nove/dez semanas e só agora o corpo estaria a tentar expulsá-lo.
É muito comum, disse-me. Alguma coisa não estaria bem com o feto e o próprio corpo impediu que se desenvolvesse, era bom sinal. Falou em percentagens, casos de sucesso após aborto e mandou-me para casa esperar que o corpo fizesse o resto do trabalho.

Contei ao meu marido, à minha mãe, mas eu só pensava que o meu corpo tinha dentro dele o que foi um filho muito desejado e tudo tinha acabado.

Não sei se chorei muito ou pouco, ou o quão dolorosa foi esta perda. Todo o processo demorou um mês, entre idas ao hospital, colocar comprimidos e mais comprimidos para provocar a expulsão, contracções dolorosas e ecografias e mais ecografias, que mostravam sempre restos, que tudo se resumia a essa necessidade de tirar o feto de dentro de mim. Não havia lugar para a dor psicológica.

Fui maltratada no hospital por não querer fazer uma raspagem, não tinha filhos, não queria arriscar. Li de tudo na internet. Tomei banhos de água quente, bebi chá de canela, perdi a conta aos comprimidos, às dores, ao sangue que perdi.

Mudei de médico, encontrei a calma, era só esperar e não fazer mais nada. E assim foi.
A 27 de Junho de 2012 tudo terminou e eu chorei de alívio.

Durante o processo percebi que a médica da MAC tinha razão, uma grande percentagem de mulheres sofre abortos espontâneos, mas não falam sobre isso. Regra geral acontecem antes das doze semanas de gravidez e a sabedoria popular diz que dá azar contar, agoira, é preciso ter cuidado com o mau olhado e as mulheres sofrem sozinhas, como se fossem culpadas ou estivessem estragadas.

Não estão e devemos falar abertamente sobre o assunto. Desmistificar.

A 12 de Setembro de 2012 voltei a ouvir um coração a bater e dessa vez a história foi feliz.

imagem@guu.vn

 

LER TAMBÉM…

O silêncio de um coração que não bate

E se não Correr Tudo Bem?

Vitaminas a não esquecer no Pré-parto | Alimentação saudável.

 

 

Não me levem a mal. Não me levem mesmo a mal. Mas o que querem as pessoas dizer realmente com “Vai Correr Tudo Bem”?

Fiquei grávida pela primeira vez há, quase, três anos. Depois de duas perdas estou agora a poucas semanas de conhecer a nossa primeira filha, a Joana. Nestes três anos, na sequência de muitas outras experiências que me ajudaram a aprender a desfrutar tudo na vida – o bom e o mau – continuo a ter muita dificuldade quando me dizem: “Vai correr tudo bem”.

Cada vez mais acredito que a vida é mesmo assim. Avançamos com uma nova aventura e aparecem-nos percalços. Desta vez foram três anos de contratempos consecutivos que se mantêm ainda hoje, cada vez que vou a uma consulta na maternidade e surge mais uma dúvida, mais um problema. Hoje, na ida habitual à farmácia para aviar medicamentos para os vários obstáculos que surgiram nesta terceira gravidez, a pessoa que me atendeu dizia-me “você tem aqui um quadro clínico complicado. Para além disso, está a correr tudo bem?” Rimo-nos tanto porque, sim, além desta lista gigante de dificuldades na gravidez, está tudo bem.

“Vai correr tudo bem…”

Se calhar é má interpretação minha. Quando uma mãe que nunca perdeu um filho, que teve uma gravidez sem impasses, que deu de amamentar sem dificuldades, que teve um parto simples me diz “Vais ver, vai correr tudo bem”, não é de todo o que quero ouvir.

A forma como escolhi lidar com este percurso e que tanto me tem ajudado em tudo o resto na minha vida é saber que, corra bem ou mal, eu vou ficar bem. Vou chorar e vou ficar sem chão como tantas, mas tantas vezes nos últimos anos, e ainda assim o meu coração saberá sempre recuperar. Aprender com a situação. Isso sim, que delícia tem sido. Descobri fortalezas dentro de mim que desconhecia totalmente. Até físicas. Vou poder dizer à minha filha que a mãe, que tinha medo de toda a dor física, agora lhe pode garantir que também ela terá capacidade de lidar com tudo o que a vida lhe trouxer neste aspecto.

Nichiren Daishonin, o fundador de uma escola budista japonesa, escreveu “Sofra o que tiver que sofrer. Desfrute o que existe para ser desfrutado. Considere tanto o sofrimentos como a alegria como fatos da vida.” Como isto é verdade. Não fugir do sofrimento com ilusões permite-nos sempre estar preparados para tudo. Sabendo que no fim vamos sempre ficar bem.

Agora…vai correr tudo bem…? Sempre?  Nem pensar. Aqui acredito estar a raiz de tanto sofrimento desnecessário. Não é preciso. Para todas as futuras mães, mulheres, crianças e homens, nós caímos as vezes que forem precisas. Mas sabendo que tudo faz parte da vida.

Mais uma vez, não me levem a mal. Sei que a intenção é boa.

imagem@mama66

Por Ana Calha, Blog Prá Vida Real

LER TAMBÉM…

O silêncio de um coração que não bate

Aconselhados a abortar após o rompimento da bolsa às 20 semanas de gestação, eles arriscaram e presenciaram um milagre

Vitaminas a não esquecer no Pré-parto | Alimentação saudável.