És um quadrado ou um circulo?

Desde há uns anos que uso este vídeo (elaborado a partir do livro “Por quatro esquinitas de nada”, de Jerôme Ruillier, da Editorial Juventud, em algumas das minhas ações de sensibilização para o autismo, em especial, em escolas ou quando abertas à comunidade escolar.

 

É um vídeo fantástico que, muito sucintamente, nos remete para o “enquadrarmo-nos, fazermos parte de”. E, se nos permitirem interpretar, chegar à conclusão que, em muitos casos, o que precisamos de alterar – e, às vezes, são “umas esquinitas de nada” – é o caminho, o meio para atingir um fim, o que está ali entre um lado e o outro.

Eu sinto-me um quadrado, vezes demais…

E não tenho qualquer sombra de dúvida que as piolhas – e outros tantos indivíduos como elas – são uns quadrados. Os que nos rodeiam – os amigos, a família, os professores, os técnicos, os estranhos – são uns círculos. Os círculos não precisam de mudar pois são a maioria e, tal como em situações onde a maioria prevalece, as coisas estão construídas e preparadas à medida dos círculos. O que acontece, então, quando surge um quadrado ou até um triângulo?

Estes é que têm de se adaptar. Começa, então, toda uma maratona de idas a hospitais, a escolas, a serviços de recursos para a inclusão.  Uma incessante procura da melhor abordagem, da terapia que melhor resultados pode trazer, etc., para que estas figuras diferentes possam entrar naquelas áreas circulares.

Os círculos não precisam de trilhar estes caminhos e, muitos deles, nem fazem ideia de que estas maratonas existem. Não é por mal, apenas, nunca foi necessário olhar para além daquele aro em que vivem. Uma grande parte dos círculos quer estar com os quadrados e os triângulos, mas, a pressão da mudança acaba por recair nos que são diferentes. E porquê? Porque são diferentes, porque são uma minoria, porque a sociedade tal como ela é, está feita para a maioria, porque quem quiser que se adapte. Muitas vezes, nem é por mal, apenas nunca foi necessário olhar para além daquele aro em que vivem.

Ora que podemos então fazer?

Por que não “cortar quatro esquinitas de nada” para que, por esse aro, por esse círculo, possam passar não só os círculos, mas também os quadrados, os triângulos, os hexágonos, e outros? Não teríamos todos a ganhar se todos fizéssemos um pequenino esforço que, em tantas situações, são “umas esquinitas de nada” mas que vêm aliviar as tais maratonas que os quadrados têm que viver? Não podemos todos fazer “umas esquinitas de nada” e vivermos de forma inclusiva sem qualquer tipo de frete?

Ser um quadrado não é fácil.

Não cabe na maioria das áreas. Nem sempre há “esquinitas de nada” que permitam a passagem. Nem sempre há círculos compreensivos do outro lado. A questão social – e, mais além, o pensamento social – é tão mais complexo do que apenas estar com alguém ou dizer um simples “bom dia”. Quando nos sentimos como um quadrado – e somos um círculo -, estamos a experienciar uma ínfima parte daquilo que sente um quadrado ou um triângulo, todos os dias, em quase todas as situações. E custa sentir este “misplacement”, este “desenquadramento”, este “no fit in”, este “não me sinto bem aqui”.

Ontem senti-me o quadrado no mundo dos círculos na reunião de entrega de avaliações das piolhas. Estamos todos perfeitamente integrados e está tudo a correr bem. As “esquinitas de nada” foram as primeiras barreiras quebradas mas o esforço que os quadrados fazem para viver num mundo de círculos é imenso. Mesmo que, do mundo dos círculos, haja reciprocidade.

Isto tudo para dizer que, independentemente, da nossa forma, temos de conseguir colocar-nos no lugar do outro e tentar perceber o esforço que foi necessário para se chegar ali, se houve ou não “esquinitas de nada” ou se esse ainda é um caminho que precisamos de desbravar, por entre maratonas.

Sim, saímos sempre com as nossas filhas com autismo

“As nossas filhas serão pessoas autónomas com uma vida própria. Por isso, como todos os pais, queremos prepará-las ao máximo e daremos sempre o melhor que soubermos e conseguirmos.”

Muitas pessoas me têm indagado e questionado acerca das nossas saídas, em especial, no que toca à questão “piolhas”. E a todas respondemos: “não faz sentido, nesta fase, sairmos sem elas. Onde nós vamos, elas irão connosco, gostem ou não gostem.”

“Ah e tal, mas e não têm fins de semana a sós?”

Não. Para já, não faz sentido deixá-las algures para comemorar algo. Encaremos que deva ser comemorado em família. Além disso, quando elas tiverem aí uns 15 ou 16 anos não deverão querer andar com os cotas dos pais para todo o lado. Acreditamos que, nessa altura, já possam ficar com os avós sem lhes dar uma carga de trabalhos.

“Ah e tal, mas e por que não ficam com os avós?

Sim, ficam. Ficam com os avós umas horinhas ou um dia inteiro mas nunca passam a noite por lá para que nós possamos ir a algum lado. Nunca surgiu essa oportunidade. O marido trabalha por turnos, e, para já, não faz sentido.

“Ah e tal, como é que consegues que elas fiquem tão sossegadas e se portem bem?”

A verdade é que há aqui muito muito muito trabalho, muitos anos de treino e prática. Lembro-me que a primeira médica de desenvolvimento que nos acompanhou nos dizia em agosto de 2010 que, em dezembro iríamos conseguir ir a uma área de restauração com elas. E eu pensava que havia de ser dezembro mas sabia-se lá de que ano…

Mas há aqui três fatores chave: persistência e resiliência e negociação.

Nunca desistimos de as levar a todo (mas mesmo todo) o lado para que soubessem e conseguissem aprender o saber-estar em diversas situações e espaços diferentes.

Sim, saímos sempre com as nossas filhas com autismo

Inicialmente, levávamo-las nos carrinhos. Quando eu saía sozinha, iam num bengala com lugares lado-a-lado – parecia o circo, tudo a olhar – porque era-me impossível usar os meus únicos e insuficientes dois braços para as segurar. E trelas nem pensar – opinião do marido. Andámos nisto até quase aos 5 anos. Desenvolvi uns músculos dos braços fenomenais. Levava uma parafernália de brinquedos para que se sentissem acompanhadas por algo familiar. As suas mãos tinham de estar sempre ocupadas.

Depois começaram a ficar demasiado crescidas para andarem de brinquedos nas mãos e lá conseguimos negociar com o nosso telemóvel mas só quando se espera ou num local onde seja necessário muito silêncio. Com o passar do tempo e com aquele click maravilhoso da maturidade, até isso já se tornou desnecessário.

Passámos por muitas vergonhas, muitos espetáculos deprimentes, muitos apontar de dedo, muitos cochichos, muitos olhares de esguelha e sei eu o que mais. Passámos por muitos meltdowns nos momentos e locais mais inapropriados e pensámos que era daquela que nos fechávamos em casa até nos transformarmos em pó… Felizmente, o nosso mau feitio e teimosia não deixaram e levámos nós a melhor.

Agora sofremos da cura.

Se passarmos um dia num shopping, mesmo que depois fiquem rabugentas, estamos a dar-lhes a provar o sabor do arco-íris. O que acaba por nos facilitar a vida para outros contextos, como uma sala de espera num hospital ou uma repartição pública. As piolhas já estiveram na véspera de natal, durante 3h comigo, na loja do cidadão de Coimbra com gente até ao tecto… E no mês passado, com a avó, nos HUC, devido a um “problema no sistema” mais de 5h (só cedi o telemóvel quando uma delas começou a chorar de frustração, um choro baixinho e doloroso…).

Só as sujeito as estas esperas quando não tenho hipótese de as deixar com alguém. Mas não deixam de ser fatores de aprendizagem.

“Ah e tal, como é que fazes?”

Sempre que sei que vamos apanhar uma seca algures, vou preparando para o que se avizinha. No dia, reforço os nossos passos e o que faremos e preparo uma mochila com materias básicos de sobrevivência: cadernos, um estojo com lápis, borracha, canetas e afia, pequenos brinquedos do estilo Littlest PetShop ou Shopkins. O telemóvel com acesso à net e o  jogo Water Heroes de que tanto gostam só é dado em ultimo recurso.

Quando vamos de passeio, costumamos deixar que levem os tablets mas só podem usar em pequenas partes da viagem e só no carro (ou no quarto de hotel, por uns minutos, enquanto tomamos banho) e acedo a que levem, para dormir, uns My Little Pony miniatura de peluche. É algo que lhes traz conforto e familiaridade, por isso, para já, nesta fase, ainda não me importo e vamos cedendo.

“Ah e tal, e elas portam-se bem?”

Sim, na maioria das vezes, sim.

Mas é aí que entra a negociação: se souberem portar-se bem, se não houver birras nem fitas, se não fizerem barulho, no final, quando sairmos podemos… (exemplos: sair para comer um gelado, tomar um café fora, almoçar no Mc Donald’s, dar um passeio a pé, comprar um miminho, etc, dependendo da seriedade da espera/da saída/da situação). Há um incentivo e uma recompensa.

Nem sempre é fácil! Muitas vezes, passo o tempo todo tensa que nem uma tábua. Com mil olhos na cara e expressões de aviso que fariam um mimo morrer de inveja e chego ao final do dia cansadíssima.

Mas se não for assim, como aprenderão?

Se não sairmos, se não nos / as sujeitarmos, como saberão o que fazer? Por isso, vou arriscando. Vamos arriscando, gostem os outros ou não. Não é por eles nem para eles que fazemos o que fazemos. As nossas filhas serão pessoas autónomas com uma vida própria. Por isso, como todos os pais, queremos prepará-las ao máximo e daremos sempre o melhor que soubermos e conseguirmos.

Para já, todas as nossas saídas e planos incluem as piolhas. A curto prazo, estamos a planear conhecer o Algarve de ponta a ponta e fazer a rota da EN2. Com as piolhas, de carro, com planos bem definidos.

Conhecer a Escócia, viajar para a Irlanda e conhecer tudo de lés a lés com mochilas às costas.

O jantar romântico em Paris, fica para depois. Um dia as piolhas hão-de pedir para ir dormir a casa da tia ou para ficar com os avós. Hão-se achar que andar com os cotas não é cool. Hão-de ter vergonha de ver a mãe e o pai aos beijinhos :).

Por enquanto não gostam nada de caminhadas nem de dias demasiado cheios de estímulos. Claro que, se quiserem, levamo-las a todo o lado. Nessa altura, acredito que seja mais fácil negociar.

Até lá, vamos passeando bastante pois, já se sabe, #agentegostaédelaró

imagem@americawolf

Adoramos fotografia!

E por gostarmos tanto, sempre que vamos de férias, levamos as máquinas todas atrás. Acabamos por tirar milhares e milhares de fotografias, tentando registar todos os momentos vividos.

Mas hoje, aconteceu algo de diferente. Um momento único. Ao final do dia, no quintal, durante o por do sol, com uma aragem morna e muito agradável, depois de uma tarde de banhos de mangueira, todos relaxados, a ouvir música, elas começaram a dançar. Algo muito normal, elas adoram dançar e aproveitam todos os momentos de música para o fazer. No entanto, de repente, a Matilde vem ter connosco, abraça-nos, e puxa a irmã para junto de nós. Um abraço entre todos, bem apertado. Um momento único que não consigo simplesmente descrever por palavras.

Em seguida, elas voltaram a dançar, mas na minha cabeça, parecia que o faziam em câmara lenta, e em silêncio.

De repente apercebi-me de que tinha vivido toda a minha vida para este momento. Um momento único, simples, genuíno, carregado de tudo aquilo que tem verdadeiramente importância. Caramba, como gostava de poder carregar no botão de pausa no filme da nossa vida, e ficar a comtempla-lo, tempos e tempos!

Dei por mim, mais tarde, a pensar em como não senti necessidade de fotografar este momento. Percebi que, por vezes, acontecem momento tão intensos, únicos e especiais, que a única forma de usufruirmos verdadeiramente deles, é, tão simplesmente, vivê-los!

Sem distrações!

E sem outros registos, senão aqueles que ficam gravados na nossa memória.

Escrevi sobre o tema quando as minhas filhas tinham uns 8 meses, agora com quase 2 anos o sentimento é o mesmo…queria ter mais um par de braços para as ter ao meu colo ao mesmo tempo.

Duas para uma… Injusto! Sinto-me com o coração em pedacinhos quando estou com uma ao colo e vejo a outra com o olhar de “gato das botas” a pedir colinho também.

Quando estamos os dois papás em casa é fácil, justo, e tão simples! Vai uma para cada colo, e surge instantaneamente um sorriso no rosto dos 4. Todos rimos, todos nos desmanchamos em gargalhadas fáceis. Mas quando está apenas um de nós é tão difícil! E parece tão injusto.

Já com a comida é igual, e pior mesmo é quando choram ao mesmo tempo. Também vos acontece a vós, mães e pais de gémeos?

Mas como temos de ser práticos, temos de inventar soluções. Com a questão do colo, normalmente coloco as duas juntas na cama, sofá ou mesmo no tapete e brinco com elas ao mesmo tempo, adiando o tão bom e aconchegante colinho para mais tarde, para quando o papá estiver em casa. Com a comida, a minha solução é dar às duas ao mesmo tempo e tem resultado bem, excepto quando estão com horários desencontrados pois nem sempre acordam, ou comem ao mesmo tempo. Quando assim é, demoro o dobro do tempo para tudo. Por vezes dou por mim a pensar que estou a trabalhar numa fábrica de montagem em série!

Quando choram ao mesmo tempo, sinceramente ja tive vontade de chorar e de fugir. Houve mesmo momentos que chorámos as três! Já me senti em pânico de não saber o que fazer, principalmente nos primeiros meses, mas agora é mais fácil. O truque é distraí-las 😉

Depois também vêm aquelas dúvidas parvas no final do dia, será que dei mais atenção a uma que a outra? Será que devia ter dado mais colo a uma delas? Isto atormenta-me todos os dias.

Para além de tudo isto, sinto ainda uma tristeza grande, por não poderem dormir juntas, pois uma acorda a outra e vice-versa. Por vezes tenho de adormece-las até em divisões da casa diferentes. Mas penso que tudo isto faz parte das rotinas de criar duas gémeas… 😉 Mas há dias em que dormem juntas porque elas têm essa necessidade e ainda há dias em que dormimos todos juntos, costumamos chamar a isso um acampamento familiar.

É difícil de gerir o cuidar por igual de uma e outra e de lhes dar o mesmo, mas de uma coisa tenho a certeza, o Amor que sinto pelas duas é igual!

Sem dúvida é bastante difícil ser pais de gémeos de primeira viagem e com poucas ajudas, mas o mais difícil sem duvida é poder dar colo as duas ao mesmo tempo, é ir busca-las a escola e enquanto coloco uma no carro a outra foge e o meu coração para de medo, é chorarem ao mesmo tempo e não conseguir consola-las as duas, é as horas que demoro para adormecer as duas quando estou sozinha, é o acordarem-se uma a hora ao meio da noite e começarem a brincar e já não quererem dormir, é o deitarem a comida, pratos e talheres para o chão na brincadeira, é as birras a dobrar, e tantas coisas faltam por dizer… é difícil mas tem sido a melhor aventura da minha vida. Amor a dobrar e ao mesmo tempo, e o melhor de tudo a cumplicidade entre elas…enche-me o coração.

Apenas para terminar, e em tom de desabafo, os pais de gémeos podiam ter mais um par de braços não acham??? 😉

Não é fácil ter filhos gémeos. É muito o trabalho que dá (costumo dizer que é bem mais que o dobro de ter dois filhos), muitas noites sem dormir, pouco tempo livre, e muito, muito cansaço! Com o cansaço, a disposição mental torna-se diferente, começa a existir menos paciencia, menos discernimento, e isso aumenta a probabilidade de discussões e conflitos. Mas é possível sobreviver! Para que as coisas resultem, se mantenham saudáveis e a felicidade esteja constantemente presente, ca vao as nossas dicas:

– Criar rotinas. Costuma-se dizer que a rotina não faz bem a um casal… Mas numa vida familiar com gémeos, acho que a rotina é fundamental! So assim as Marias conseguiram ganhar bons hábitos, e ter horários que nos permitam ter tempo para nós próprios. Deitarem cedo e acordarem cedo é fundamental (se bem que fugir à rotina de vez em quando sabe taaaaao bem… 😉 )

– Organizarmo-nos muito bem! São muitas as tarefas, e é muito importante que tudo esteja bem planeado e organizado, e que cada um de nós saiba muito bem quais as suas tarefas. Poupa-se muito tempo se assim for.

– Sermos práticos, e preocupar-nos apenas com o que verdadeiramente interessa. No nosso dia-a-dia damos atenção a muita coisa que não vale a pena, e que nos ocupa muito tempo. Com gémeas, o tempo é pouco, e começamos a tornar-nos bem mais práticos e a focar-nos apenas no essencial, no que verdadeiramente interessa.

– Cuidar de nós! Ter tempo para nós é fundamental! Se todas as dicas anteriores nos permitem ganhar um pouco de tempo, é muito importante saber onde o utilizar. Cuidar de nós é importante, mantermos aquela actividade de que tanto gostamos e que nos faz tão bem ao espírito e à mente, nem que para isso nos tenhamos que organizar muito bem e por vezes fazer algum esforço extra.

– Cuidar do outro! Se cuidar de nós é muito importante, cuidar do outro é mais importante ainda! E se gostamos de manter aquela actividade importante que gostamos, o outro também o quererá fazer, e só se ambos se esforçarem por isso será possível. Mais, é importante mimar constantemente o outro, fazer-lhe surpresas, dar-lhe mimos! Por vezes, apenas o preparar-lhe um banhinho quente e relaxante já pode fazer toda a diferença, e muitas vezes não é necessário mais que isso

– Ter tempo para namorar! Sim, este ponto é mesmo muito, muito importante! Os avós e outras ajudas são fundamentais neste ponto! Sair, namorar, passear, mimar-nos!Marias2

– Estar presente! Simplesmente isso, estar presente, com tudo o que isso significa. Estar lá para a nossa mulher e filhas, sem distrações. Ouvi-las, dar-lhes atenção, brincar, ensinar, aprender, amar!

– Ter tempo para uma filha, e ter tempo para a outra, em separado!!! A atenção que damos às nossas filhas, é uma atenção partilhada. Mas por vezes é importante estarmos apenas com uma das nossas filhas, sem a presença da outra. Assim, naquele momento, aquela filha recebe a nossa atenção a 100%, por inteiro, sem nenhum tipo de distrações! Acreditem que ela dará muito, muito valor a esses momentos!

– Amar e ter orgulho no nosso parceiro/a. A pessoa que nos acompanha nesta aventura será sempre o nosso maior apoio. Será com ela que partilharemos tudo, as coisas boas e as menos boas! Será sempre ela a nossa maior fonte de energia e inspiração. Uma vida a quatro, proporciona momentos de alegria indescritível, e proporciona um Amor e Admiração crescentes, todos os dias, cada vez mais e mais e mais!!!!!

– Amar e ter orgulho nos nossos filhos! Eles são o melhor de nós! E é tão fácil amá-los!!! Apesar do esforço e cansaço que implica ter gémeas, o Amor, a calma, a tranquilidade e a paz que nos transmitem é tão, mas tão grande! E é tão gratificante ver um sorriso deles. Todos os pais compreenderão de certeza aquilo que digo.

– Ter paciência! Em muitos momentos (quando tentamos dar-lhes comida e elas não querem, quando teimam em não dormir apesar de já serem 2 ou 3 da manhã e nós estarmos completamente esgotados, quando acordam às 4 ou 5 da manhã e não querem voltar a dormir, etc) o desespero quererá tomar conta de nós. Em todos esses momentos, a paciência é talvez a maior virtude que podemos ter.

– E finalmente, ter a noção de que, por muito que tentemos, haverá sempre momentos em que as coisas não correrão tão bem, em que o cansaço será muito, e a paciência pouca… Nesses momentos, devemos pensar em tudo o que de bom temos! A nossa família é o nosso maior tesouro! Devemos ser gratos por tudo o que a nossa família nos dá! A minha mulher e as minhas filhas são quem mais me ensina, quem mais me mima, quem mais me dá, quem mais me inspira, e acima de tudo, quem mais me obriga a ser melhor pessoa, a cada momento!

Se é cansativo ter gémeas, é, mas não o trocaria por nada deste mundo!!!!!

imagens@isabelsaldanha

Primeiro o choque, a estupefação. Dois? Não pode ser. Há um engano de certeza!  A seguir… é uma sensação de felicidade que nos invade.

Estar grávida de gémeos é uma experiência única, um privilégio que apenas algumas mulheres podem ter. “Milagre da natureza” para alguns, “bênção de Deus” para outros, o que é certo que se a chegada de um filho à família é um desafio de proporções monumentais, o nascimento de dois filhos ao mesmo tempo compara-se a uma verdadeira competição e requer um treino tão intenso como aquele que necessitamos se nos inscrevermos numa maratona ou numa escalada.

Eventualmente acabaremos especialistas em embalar dois bebés, um no marsúpio e outro na espreguiçadeira, enquanto passamos a ferro, mexemos a sopa na panela e marcamos por telefone as próximas consultas no médico… E se porventura houver mais filhos, como há no meu caso, podemos acrescentar a esta cena mais uma criança ali por perto com quem vamos conversando para saber como foi o dia no infantário, enquanto a ajudamos a abrir o pacote das bolachas e o iogurte.

As mães de um único filho olham para nós e arrepiam-se só de imaginar. “Se só o meu filho já dá este trabalho”… E há pessoas que nos estranham como se fossemos extraterrestres e dirão que ter gémeos é muito bonito… mas é nos outros! Pessoalmente, continuo a achar que é bonito na minha família. Apesar do caos. Mas toda a mãe de gémeos, num abrir e fechar de olhos verá que, com mais ou menos apoio, dará conta do recado e poderemos vê-la por aí… esgotada mas feliz!

Quando finalmente nos adaptamos ao ritmo e a rotina se instala, as mães de gémeos acabam por aprender que:

– Não é grave que das vezes que entrarmos em piloto automático, tipo zombies pela casa, não saibamos afirmar com certeza qual dos gémeos já bebeu o leite ou comeu a papinha… Vai acontecer mais vezes do que as que desejaríamos. A solução passa por preparar um biberão ou uma papa extra e tentar que algum dos dois lhe pegue. Mais problemático é trocar-lhes os nomes e aquela a quem demos o nome de Beatriz passar a chamar-se Carolina e a Carolina passar a chamar-se Beatriz, mas isso, a nós, nunca nos aconteceu… Esperem, pensando bem… Não, nunca aconteceu.

– Ouviremos muitas vezes a pergunta se são “verdadeiros” ou se são “falsos”. Independentemente do caso dos nossos filhos gémeos, convém substituirmos estas expressões por “idênticos” e “fraternos” e sabermos explicar às crianças, à medida que elas vão crescendo, que os chamados “falsos” também são de confiança e que se trata apenas de uma expressão para distinguir os gémeos que não são assim tão parecidos um com o outro… No meu caso, quando respondo a alguém que as minhas filhas gémeas são verdadeiras, noto nas duas um certo ar de superioridade como quem pergunta: “Então? Não estavam à espera que fossemos falsas, pois não?!”

– Quando os gémeos estão na mesma sala na creche, sobretudo se forem tão idênticos que ninguém os distingue um do outro, acontecerá com frequência dizerem-nos ao final do dia, quando os formos buscar: “Esteve tudo bem com os gémeos. Houve um que se queixou da barriga (ou dos dentes, ou da cabeça, ou que não quis comer)… que foi o…o… o… [enquanto aponta, indecisa, com o dedo para um e depois para outro] Agora não sei. Mas está tudo bem”, enquanto nos despeja “o pacote” de gémeos no colo. Pois a verdade é que as mães de gémeos só podem preocupar-se quando não há mesmo outra alternativa. Tudo o que é digno de nota acaba por ficar registado nos boletins de saúde (que convém não perder porque de vez em quando havemos de ficar na dúvida em relação a qual dos dois é que sofria de otites quando era bebé ou qual dos dois teve varicela!).

– Também acontece algumas prendinhas do dia do pai ou da mãe serem uma espécie de dois em um: uma caixinha que é oferta dos gémeos, porque para que quereria lá a mãe lá ter duas caixas que não servem para nada praticamente iguais? Também não é grave: marca-se uma reunião com o/a educador/a para falarmos de cada filho ou então opta-se por pôr cada um na sua sala, para que seja efetivamente tratado como a criança única e especial que é.

– Outro aspeto muito importante, mas que normalmente quando aprendemos “já vai tarde”: toda a mãe acaba por aprender que devia ter escrito o nome dos filhos nas fotografias, sobretudo quando são gémeos idênticos. Cá em casa acontece com alguma frequência situações deste género: -“Vejam esta fotografia da Beatriz quando era bebé. Tão querida a brincar na areia!” -“Sim, mas não é a Beatriz, é a Carolina.” -“Não é nada… Não vês a Carolina lá atrás à beirinha da água?!” -“Lá atrás é que é a Beatriz”… É que os anos passam, as feições das crianças mudam e a informação que julgámos impossível vir um dia a baralhar, baralha-se mesmo!

– Para terminar, quando um diz “mata”, o outro diz “esfola”! Essa dupla que os irmãos gémeos formam desde que se conhecem dentro da barriga da mãe, veio para durar. Para o bem e para o mal. Por isso, dois gémeos juntos são como uma equipa de guionistas a escrever a melhor história de infância de sempre. E a melhor história tem de ter mil e uma aventuras que têm o poder de pôr o cabelo de qualquer mãe em pé!

Mas todas as mães de gémeos acabam por aprender que o melhor a fazer nessas alturas é respirar fundo… contar até três… e relaxar…

A infância só se vive uma vez, mesmo que seja a dobrar!

imagem@huffpost

Férias são sempre férias e são sempre muito esperadas e muito bem-vindas. As nossas foram igualmente aguardadas e planeadas com algum tempo, pois a logística a 4 é diferente do que a dois.

Mas antes das aguardadas férias a 4, tirámos férias a dois. Sou apologista de que os pais precisam de férias dos filhos e os filhos dos pais, o marido da mulher e vice-versa. É importante fugir a rotina, sentir aquela saudade boa, ganhar independência e ganhar ânimo e ainda mais amor e valor à família que se tem.

Fomos 4 dias para a Madeira sozinhos e deixamos as meninas com os avós e com a tia, não podiam ficar melhor e fomos descansados. Importante deixar os filhos com quem sabemos que ficam felizes e bem cuidados. Foram poucos dias, pois a saudade também não deixava mais, mas deu para namorar, um bem precioso numa relação e por vezes tão esquecido quando se tem filhos. Deu para passear e acima de tudo para descansar e dormir. Quando regressamos estávamos cheios de saudades e ainda com muito mais amor e energia para lhes dar. Carregamos a nossa bateria de energia e de Amor, não é fácil cuidar de gémeos sem grandes ajudas por perto, os meus pais estão a 385 Km e os do meu marido a 50Km. Já sonhava com estes dias de descanso.

Depois veio as férias do mimo a quatro. Fomos em rumo a casa dos avós, uma vez que estamos longe aproveitamos para estar com eles e também de alguma forma nos ajudarem.

A Logística é terrível, tudo a duplicar (roupa, fraldas, cadeiras do automóvel, cadeiras de alimentação, carros, brinquedos, etc.). A viagem difícil e longa, mas fomos após o almoço e dormiram quase o caminho inteiro. As rotinas alteram, por muito que possamos tentar mantê-las, há sempre mais pessoas, ambiente diferente, casa, cama tudo diferente e o sono, alimentação e padrão intestinal fica logo tudo alterado. Os mimos dos avôs, tão bom mas depois acabam por fazer birra connosco. O tempo estava terrível, saíram pouco à rua mas quando saíram queriam correr até mais não. Fase das descobertas e testar os limites, é terrível mas muito emocionante para todos.

Podemos dizer que foi mais um mudar de ares que propriamente férias. Mas a parte boa foi o poder estar com elas sempre, passar o dia com mimos, poder ensinar-lhes e mostrar-lhes coisas novas, observa-las e tentar compreende-las com o tempo que lhes é devido, sem pressas, sem regras… afinal são férias.

Alguns conselhos para férias quando se tem filhos, principalmente gémeos:

– Tirem uns dias de férias dos seus filhos;

– Namorem muito;

– Durmam bem e alimentem-se bem;

– Relaxem e não stressem, lembrem-se que estão de férias;

– Planeiem as férias com antecedência;

– Vão para locais que consigam descansar por curtos períodos;

– Fujam um pouco à rotina, as crianças também precisam de um pouco de aventura;

– Mimem os vossos filhos;

– Dêem-lhes tempo, observem-nos e ensinem-nos a conhecer e a explorar o mundo;

– Durmam pelo menos uma vez todos juntos;

– Brinquem muito.

Se no fim das férias se sentirem cansados…é normal.
As crianças têm mais energia que nós e nós que o digamos.

As manas, as gémeas… tantas vezes que ouvimos chamarem assim as irmãs gémeas, se por um lado, é querido e amoroso, por outro, esconde-lhes as suas individualidades (ou poderá esconder).

A singularidade de cada criança é algo fundamental no seu crescimento, assunto que preocupa os pais, mas arrisco-me a dizer, especialmente os pais de gémeos. A roupa surge neste contexto como um dos aspectos que pode contribuir para a afirmação da individualidade de cada criança. É assim que nos apresentamos ao mundo, a roupa é como que a nossa primeira capa.

Sempre pensei que quando as minhas filhas nascessem, não as vestiria de igual, sempre quis deixar muito marcada esta posição.

Mas depois elas nasceram, e eram tão diferentes, cada uma com traços distintos, com carinhas lindas, mas diferentes. E então como que a justificar a minha contradição, fui vestindo as irmãs de igual, afirmando: “afinal elas são tão diferentes”, “distinguem-se tão bem que não faz mal”. E a verdade é que ficam umas bonecas lindas as duas de igual, por vezes, lá ia alternando com uma cor diferente, ou um ou outro apontamento que diferia. Posso admitir que sim, que achava piada em vê-las as duas tão giras de igual, mas o motivo não era apenas esse. As pessoas à volta, adoram presenteá-las com peças de roupa iguais, talvez porque gostem, ou porque achem mais simples, ou até porque não querem, de maneira nenhuma, fazer diferenciações.

Eu, como mãe tenho de confessar que é muito mais fácil vesti-las de igual. Mas depois surgem as questões: Será que estarei a fazer mal? Será que estou a anular as suas diferenças ao pô-las de igual? E se estas questões enquanto bebés talvez não sejam tão prioritárias, quando os bebés se tornam crianças e se começam a olhar ao espelho, aí, talvez seja importante voltar a equacionar este aspeto.

Com dois anos feitos, e já na escola, decidi tentar, a pouco e pouco, vesti-las de forma um pouco diferente, começando por diferir na cor ou no modelo, ou mudando só a camisola ou só o casaco. Mas rapidamente percebi, que elas próprias olhavam uma para a outra e questionavam a roupa diferente: “mãe nônô estelas, madaeuna bolas não” “mãe nê tem cão (na camisola), nô cão”.

Será que fomos nós que as formatámos para pensarem assim?
Será que são elas que se sentem tão seguras na sua individualidade que não precisam da diferença na roupa?
Não sei, o que sei é que as deixo irem escolhendo e dando a sua opinião nestas questões, na forma como se mostram ao mundo e se acharem que querem igual vestirão igual, mas se preferirem diferente, porque não?

O mais importante é deixar que ambas expressem as suas individualidades, com espaço para se afirmarem como únicas que são.

Afinal de contas será assim a roupa tão importante?

Por Rita Lopes Gouveia, Mãe da Madalena e da Leonor,
para Up To Kids®

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E sempre fui demasiado cético! Nunca acreditei em Deus ou em Deuses! Nunca acreditei em milagres! Nunca acreditei em nada que não pudesse ver, palpar, medir, quantificar! E nunca acreditei no destino! Sempre acreditei que eramos aquilo que fazíamos, e que o nosso presente e o nosso futuro dependiam exclusivamente de nós! Um homem constrói o seu próprio destino! E tudo o que acontece, acontece porque algo ou alguém assim o quis ou assim o fez! Sempre acreditei que as coincidências existiam realmente! Alguém teve um pressentimento de que algo iria acontecer e aconteceu mesmo?! Coincidência apenas! E Deus? Que é isso? Deus não existe! Não existe mais nada para além daquilo que conseguimos ver, ouvir, sentir, cheirar, saborear! São 5 os sentidos que temos, não 6!

Mas a vida tem traços deliciosos de ironia! E prega-nos partidas a cada momento! Partidas que não estamos à espera, e que têm a capacidade de nos transformar, de nos fazer mudar a forma como pensamos.

Vou contar-vos uma história:

No dia 11 de Março de 2014, fui pai de duas meninas prematuras! Muito prematuras, com 25 semanas de gestação. Quando elas nasceram, acompanhei-as até aos cuidados intensivos, mas quando aí chegámos, não consegui entrar. Fiquei à porta, do lado de fora, e enquanto ouvia mil e um alarmes, sem saber se elas sobreviveriam ou não, sentei-me no chão, desesperei, e chorei!

Escondi-me num corredor ao lado, escuro, deserto. Sentei-me no chão, tapei com força os ouvidos para não ouvir os alarmes, e deixei-me ali ficar! Junto a duas plantas que repousavam sobre uma mesa! Tantas ironias! Tantos sinais! Tantas… coincidências!

Sou um homem da ciência, e estava rodeado dela! Num local com a melhor tecnologia possível no que diz respeito a cuidados intensivos neonatais, e com os melhores profissionais do mundo! Sou um homem de ciência! Mas nesse momento, foi a Deus a quem eu pedi ajuda!

Curioso como, até os mais céticos, quando não encontram nenhuma outra solução, olham para Deus! Foi com ele que falei, foi com ele que desabafei, foi ele o único que esteve ali a meu lado, que me amparou, que não me deixou cair! Foi ele que me fez pensar que não me tinha sentado ali por acaso! As duas flores que ali repousavam, era o sinal que eu pedia, de que as minhas filhas ficariam bem! Foram elas o meu único apoio, o meu único consolo, a minha única companhia!

Os minutos pareceram-me horas! E após uma longa espera, que não faço ideia de quanto tempo tenha sido, surgiu a primeira cara diante de mim, uma enfermeira que me trazia notícias. Assim que a vi, a primeira pergunta que me saiu sem sequer pensar: “elas estão vivas?”, e a resposta que nunca irei esquecer: “tem calma, elas estão vivas e estão bem”.

Naquele momento, tive um pressentimento, um feeling, uma certeza! Uma certeza de que tudo correria bem! A escuridão deu lugar à luz, o medo deu lugar à esperança, à alegria, à Fé!!!

Não sei de onde veio essa certeza, essa Fé! Mas veio de algo superior, algo que desconhecia até então! Nesse momento, acreditei em mais que 5 sentidos! Nesse momento, acreditei em mais que aquilo que víamos e que palpávamos! Nesse momento, acreditei que existia algo mais, muito maior que tudo o que conhecia até àquele momento!

Transformei-me, naquele momento, num Homem de Fé!

E como homem de Fé, fui a Fátima com a minha Mulher, ela sim, uma verdadeira Mulher de Fé, durante toda a vida! Uma Mulher com valores, ideais e princípios humanos, mas com a simplicidade e humildade que me faltavam até aí, e sem o cinismo e o cepticismo de quem não acredita em algo superior.

Quando lá cheguei, falei com Nossa Sra, e pedi-lhe, também a ela, um sinal! Depois de conversarmos com ela, a minha mulher insistiu para entrarmos numa loja para comprar tercinhos para as nossas meninas. Assim foi. Era a loja da Jacinta. Pouco depois, antes de partirmos para Lisboa, como que por impulso, como se alguém nos guiasse até ali, fomos visitar a sepultura de Jacinta, e arrepiei-me quando vi a sua data de nascimento: 11 de Março!!!! Coincidência? Ou o sinal que tinha pedido?

Bem sei que desde então, toda a ciência, toda a tecnologia e acima de tudo todos os profissionais maravilhosos que cuidaram das nossas filhas foram fundamentais para que elas conseguissem lutar e vencer todos os desafios enormes que se lhes foram deparando, mas não duvido por um segundo que a força do nosso Amor, do nosso Acreditar, da nossa Fé, foram também eles muito importantes!!

Hoje sou um homem de Ciência! Hoje sou um homem de Fé!!!

Por  André Pedras, de Nós e as Marias
para Up To Lisbon Kids®

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