Resistir à tempestade é não desistir de ser Feliz…. É criar instantes de vida que valham por si mesmos.

Vivemos num mundo moderno, em pleno século XXI, onde as exigências são enormes….

As mulheres com todas as suas conquistas, passaram a trabalhar fora de casa, sim porque antes também trabalhavam muito, mas dentro de casa, onde infelizmente não eram vistas nem apreciadas. Passaram a ter voz ativa, uma palavra a dizer, mas não deixaram de estar um pouco sozinhas da gestão doméstica e educação dos filhos. Alguns homens, justiça seja feita, adapataram-se e aprenderam não só a partilhar como a responsabilizarem-se pela dinâmica familiar, outros nem tanto…

As crianças estão mais sozinhas, com menos apoio familiar e em dinâmicas sociais vazias, num culto de imagem que torna as relações mais líquidas e quase sem vínculo…

Ensinamos desde pequenos que a vida é dificil e que a carreira se começa a desenvolver desde o nascimento, com um conjunto infindável de atividades extra-curriculares que pensamos serem úteis no seu desenvolvimento, mas que na verdade as impede de brincar e de serem simplesmente crianças.

A ansiedade e a depressão

A ansiedade e a depressão são as novas doenças do século, que avassalam todos sem dó nem piedade e cada vez mais as pessoas estão desesperadas, sem saber que caminho seguir. Na generalidade não compreendem a razão de estarem assim, mas sentem-se incapacitadas para prosseguir como antes. Não identificaram os sintomas que com certeza já iam aparecendo e quando finalmente não conseguem mais ignorar, porque o mal-estar é permanente e parece comandar as suas vidas, já não podem passar sem medicação. Infelizmente isto é verdade também nas crianças e jovens, que cada vez mais sofrem de distúrbios de ansiedade, que lhes retiram qualidade de vida.

Sofremos cada vez mais de hiperatividade mental! Sobrecarregamos o nosso pequeno computador, como se ele não se desgastasse e cansasse de tanto pensamento, tantos afazeres, tantas listas que inundam a nossa cabeça e não nos deixam dormir! Precisamos fazer tudo em tempo útil, estar em todo o lado, cumprir com as obrigações familiares e profissionais e ainda assim ter tempo para amar e ser feliz!

Parece que tem sido impossível completar essa tarefa que a vida moderna nos impõe. O custo tem sido a tristeza das nossas crianças, a nossa tristeza e todos os distúrbios e patologias que temos vindo a desenvolver.

O mar que em tempos beneficiava de períodos de tranquilidade, hoje está repleto de ondas ininterruptas, que batem com força na areia e por vezes fazem buracos complicados de tapar ou disfarçar. O mar está claramente bravo e difícil de navegar….

“A nossa mente é como a água, quando está calma e em paz, pode refletir a beleza no mundo. Quando está agitada, pode ter o paraíso em frente e não o reflete!”  – David Fischman

O que é que cada um de nós pode então fazer para resitir a esta tempestade?

Diria que antes de mais precisamos todos de Respirar!

Precisamos de sair do alheamento que a hiperatvidade nos confere para vivermos mais inteiros, mais conscientes, mais presentes em nós e nos outros. Precisamos criar tempo e espaço para simplesmente parar e Respirar!

Por parar não nos estamos a referir a meditações complexas logo pela manhã. Sabemos que existe um conjunto infindável de tarefas para completar antes de podermos sair de casa. Não! Basta acordar 15 minutos antes da hora fulcral, para poder executar todas as tarefas com calma e de forma consciente. Porque não tirar uns minutos para nós próprios para começar o dia respirando o seu dia, sem pensar… Praticar esse estado de presença consciente ou mindfulness, não é nada que requeira muito do seu tempo e muito menos da sua cabeça!

É um estado que possibilita a nossa autoregulação. Viver no momento presente e aliviar o excesso de energia na zona da cabeça, a hiperatividade mental, preocupação e confusão que nos esgota e nos obriga a ligar o piloto automático na execução das tarefas quotidianas, anulando a possibilidade de estarmos atentos e conscientes.

Quando vivemos com o piloto automático ligado é como se vivêssemos na estratosfera! Viver na estratosfera é o contrário do que o mundo exige de nós e todas as nossas tarefas ficam dificultadas.

Precisamos de Caminhar e sentir os nossos pés no chão! Precisamos de nos enraizar na vida, no aqui e no agora, na nossa capacidade de acção e concretização… Precisamos de nos apropriar do nosso corpo e do nosso sentir. Caminhar possibilita não só a nossa autoregulação como o nosso enraizamento. Quando estamos ligados à terra estamos centrados e conectados a receber e escoar a energia do nosso corpo. Esse porcesso dá-nos a segurança e a base para que possamos experimentar a vida sem medo e em plenitude.

Estar vivo não é um acaso inútil ou um lanche grátis, que nem nos soube assim tão bem! Estar vivo é uma responsabilidade para connosco, com os outros, com a nossa felicidade e o nosso caminho! Dizem que felicidade é um instante de vida que vale por si mesmo… Vamos produzir mais instantes aos quais possamos chamar de Felicidade!

Resistir à tempestade é não embarcar na loucura que são as exigências da vida moderna. É criar espaços para Parar, Respirar e Conectarmos com nós próprios no dia-a-dia agitado do século XXI.

Resistir à tempestade é não desistir de ser Feliz…. É criar instantes de vida que valham por si mesmos.

As mães não são seres mágicos.

Eu confesso.
Todos os dias, ao fim da tarde eu deixo os meus filhos verem televisão para que eu consiga preparar o jantar.
Salto algumas palavras, ok na verdade eu salto parágrafos, quando leio longos livros infantis.
Perco a paciência com os meus filhos diversas vezes durante a semana.
Todas as manhãs eu coloco a tetina 1 no biberão do meu filho para que ele mame devagar e me de tempo de tomar café.
Eu odeio lavar a louça.
Quando não temos legumes e estou com preguiça de ir ao mercado, ponho tomates picadinhos na comida para me sentir menos culpada.
Já cortei o dedo da minha filha a cortar-lhe as unhas.
Quando estamos no carro e o meu filho chora porque quer sair da cadeirinha, digo que acabou de passar um macaco na rua para o distrair. Ou um tigre, ou um leão, ou seja lá qual for o animal favorito daquela semana.
Eu chego atrasada a quase todos os jogos de futebol do meu pré-adolescente.
Os meus filhos já caíram e magoaram-se mesmo debaixo do meu nariz.
Já me esqueci de trocar a fralda do meu filho ao ponto do gel começar a vazar.
Eu não tomo nem perto de 2 litros de água por dia.
Nunca me lembro de comprar meias para minha caçula e até hoje  usa as meias de recém nascido (está com quase 9 meses).
Eu já queimei a boca do meu filho porque não vi que a sopa estava muito quente.
Os meus filhos já ficaram dois dias sem tomar banho.

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A minha sala está sempre uma bagunça. Quem é que eu quero enganar? A minha casa inteira (não é só a sala) está sempre uma bagunça.

E os meus filhos, como são meus filhos? Bom, eles são normais. Eles estão bem, e estão felizes.

Ser uma boa mãe não pode estar relacionado com o número de horas que brincas com os teus filhos. E não pode ser medido através da quantidade de glúten que os deixas ingerirem.

As mães não são seres mágicos. Nós somos reais. Perdemos a paciência e ficamos cansadas. Cansadas da rotina, cansadas de ter que cozinhar todo-santo-dia. Cansadas de encontrar roupa limpa no cesto de roupa suja. Sim, nós ficamos cansadas. Mas também temos ataques de alegrias e gritamos alto quando presenciamos os primeiros passos. Ou quando sem querer fazemos cocegas no bebé e arrancamos aquela gargalhada deliciosa.

Ser mãe é muito difícil, e infinitamente gratificante.

Eu confesso, não sou uma mãe perfeita. Não é que eu não queria ser uma pessoa melhor. Pelo contrário. Mas admitir que não se pode abraçar o mundo todo de uma vez, reconhecer os próprios erros, e ter um pouco de amor próprio, também é um grande aprendizado.

E tu, o que confessas?

 

Por Rafaela Carvalho, em A Maternidade,
adaptado por Up To Kids®

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Todos já ouvimos, num ou outro momento, a expressão “ colhes o que semeias ”. É válido para quase tudo da vida, excepção feita às injustiças que por aí se multiplicam.

Se sairmos de casa irritados porque estamos atrasados, teremos muito menos tolerância para a pessoa que parece andar em câmara lenta a atravessar a estrada em frente ao nosso carro, ou àquele carro que não nos deixa entrar na faixa nem por nada.

Também com os filhos, em muitas ocasiões é assim. Somos, em muito, energia. E energia positiva cria energia positiva.

Se estivermos sem paciência, naturalmente os nossos filhos vão sentir isso mesmo e “provocar-nos” mesmo que sem se aperceber.

Se não estamos disponíveis para eles é quase certo que vão chamar a atenção e, maioritariamente, de forma negativa. Sabem que assim olharemos para eles, nos daremos ao trabalho de ir ver o que se passa, chegar perto, falar.

Se acordam mal dispostos da sesta a nossa maior prova de amor é tentar que essa indisposição passe. Brincando, rindo, distraído ou, muitas vezes, dando-lhes espaço para resolverem o que os está a perturbar ou deixá-los recuperar por si mesmos. Se, ao invés disso, nos deixarmos absorver pela má disposição e perdermos nós o bom humor, avizinham-se horas difíceis, em que tudo é uma chatice, em que fazem asneiras atrás de asneiras, em que queremos puxar os cabelos de tão desesperados nos sentimos.

Amor gera amor.

Paz gera paz.

Um sorriso provoca outro sorriso.

Procurarmos estar zen mais vezes traz a paz a nossa casa.

Para a próxima vez que estiver numa altura difícil tente lembrar-se de como gosta que lidem consigo quando se sente frustrado. Ou irritado por qualquer motivo. Aja com os outros e, principalmente com os seus filhos, como gostaria que os outros agissem consigo e com eles na sua ausência.

A serenidade é um estado de alma mas pode ser trabalhado para ser um modo de vida.

Baixe o tom da conversa.

Não se ria das fragilidades do seu filho.

Não o acuse.

Não seja implacável.

Pratique a paz de espírito.

Se lhe passar esta lição hoje, então pode esperar o mesmo tratamento da parte dele.

Agora e no futuro.

Seja o melhor exemplo que ele pode receber – mais tarde orgulhar-se-á da pessoa em que ele se tornou.

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Com três letrinhas apenas nos referimos ao ser mais complexo e completo do Universo.

A mãe consegue rir e chorar ao mesmo tempo devido a uma mesma emoção quando confrontada com uma proeza de um filho.

Só uma mãe entende o risco que é pintar as unhas em casa, à noite, depois de deitar um bebé. Aprendemos a rezar baixinho para que se aguente pelo menos até à segunda camada estar seca – mas não somos tão exigentes que vamos logo pedir que haja espaço temporal para a aplicação do brilho…

A mãe é enciclopédia, motor de busca, banco, amiga, depósito de segredos.

É capaz de fechar os olhos a uma asneira para não dar cabo de uma tarde perfeita. É incapaz de deixar passar uma injustiça.

É leoa, tigre, elefante, galinha – dependendo da ocasião.

É consultora de moda e, se a genética e os gostos assim o permitirem, mais tarde ou mais cedo tem o roupeiro atacado pelas filhas. E olhar crítico dos filhos em relação a uma ou outra roupa.

A mãe inventa histórias, canta canções, reaprende a matéria da escola quantas vezes for preciso.

Preocupa-se com as horas: de deitar, de comer, do banho, mais tarde com as horas de sair, de chegar a casa. Com os amigos, os namorados, os professores.

Só uma mãe acorda a meio da noite a jurar a pés juntos que ouviu um bebé chorar. Mesmo quando o seu dorme como um anjo ou já não é tão bebé assim.

Estranha se tem a casa de banho toda só para si.

Estranha se não a chamam de cinco em cinco minutos.

Estranha se há demasiado silêncio.

Estranha se acorda só com o despertador.

É estranha quando partilha isso com quem não tem filhos.

Compreende melhor, com mais ou menos julgamento, a sua própria mãe.

Lembra-se de todas as datas das etapas importantes, até que estas se misturam e já não sabe dizer com certeza se foi de um filho ou de outro.

Tem a sorte de aprender todos os dias.

Tem a responsabilidade de ensinar todos os dias.

Não pode simplesmente decidir que quer mudar de vida e arriscar. Mas já não faz mal.

Porque as mães gostam de ter raízes.

As que elas próprias plantaram.

As que elas regam diariamente.

As que um dia as regarão a elas.

Ser mãe nunca acaba.

Como o amor de uma mãe por um filho.

 

Feliz Dia da Mãe para todas as mulheres que têm o privilégio de o ser (força e coragem para as que tentam) e para as que têm sorte de ainda a ter – ainda que saibamos que o dia da mãe, esse sim, é todos os dias.

 

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História da receita:

O tempo que temos é curto e passa a correr. A seguinte receita procura devolver alguma normalidade ao caos, lembrar que por muito pouco tempo que se tenha, às vezes temos de o usar melhor. Só saímos a ganhar.

Receita de 60 minutos para ser feliz

Ingredientes (para famílias pequenas ou numerosas):

– Disponibilidade q.b.

– Atenção

– Muito amor

– Sentido de humor moderado

 

Dificuldade: Fácil/Moderada

 

Tempo: Acessível

 

Preparação:

Esta receita está dividida em três partes iguais de vinte minutos. O ideal será que consiga conciliar as três diariamente. A ordem apresentada é apenas uma sugestão.

 

Primeira parte:

Converse com o seu companheiro sobre o seu dia. Nada de televisão ligada, nada de consultar o telemóvel de dois em dois minutos para ver o e-mail, nada de ter o tablet na mão, nada de “deixa cá ver o que é que os miúdos estão a fazer que estão muito calados”, nada de falar sobre problemas. Converse apenas. Partilhe algo engraçado sobre o seu dia. Não se queixe do trabalho nem do tempo que perdeu no trânsito nem a birra que o mais velho fez quando o proibiu de sair com os amigos por causa das notas. Só importam vocês.

Se não tiver companheiro, vale fazer uma vídeo chamada para a amiga que imigrou, ligar à sua mãe (relembre que o tema problemas é proibido), conversar com o seu irmão. O que importa é que fale, converse, partilhe o seu tempo com alguém, alimente as suas relações. Diariamente.

 

 

Segunda parte:

Dedique tempo ao(s) seu(s) filho(s) – Ajude-o a resolver o trabalho de casa, oiça o que ele tem a dizer sobre o seu dia, sobre o que aconteceu com os amigos, deixe-o contar uma piada e ria-se pelo esforço que ele fez (provavelmente inversamente proporcional ao nível da graça), brinque com ele sem ralhar nem lembrar que deixou os legos espalhados, a televisão ligada na sala, demorou imenso tempo no banho ou custou a comer a sopa. Este momento é para ser vivido numa bolha. São vinte minutos de puro amor. Aproveite-os.

 

Terceira parte:

É chegada a altura de se dedicar a si. Não se esqueça que são vinte minutos em que não deve preocupar-se com mais nada.

– Tome um banho demorado sem ser interrompida;

– Veja parte do episódio da série que começou a seguir em 2013 (é muito mais emocionante ver os episódios repartidamente, aumenta o suspense, não é?);

– Pegue no livro que tem na mesa-de-cabeceira e dedique-lhe a sua total atenção;

– Olhe-se ao espelho e veja quem lá está, converse com ela sem críticas;

– Adormeça no sofá sem culpa;

– Passeie com o cão pelas redondezas para fumar aquele cigarro da semana e ver a vista da cidade à noite;

– Todas as anteriores, se for capaz e se for importante para si.

 

Nota:

Para servir basta apenas um sorriso no rosto… E agradecer as coisas boas que tem – de certeza que encontra umas quantas.

Já tem meio caminho andado para ser feliz.

O nosso amor tem espaço para a novidade mas não se importa nada com a mesmice das rotinas.

Surpreende todos os dias porque cresce, aconteça o que acontecer.

É repleto de beijos e abraços, mas sei que nem sempre procurarás o meu colo.

Guardo todos os nossos momentos numa memória que extravasa o disco rígido a que chamamos cérebro porque haverá alturas em que as memórias serão aquilo que nos apaziguará as saudades.

Sinto saudades tuas por mais absurdo que seja e faço-te saber disso.

Não sinto ciúmes e sei que sentes amor por outras pessoas e isso é bom (tão bom!).

Aproveito, mesmo que ensonada, quando é a mim que chamas porque sou eu quem tem a oportunidade de te abraçar a meio da noite e sussurrar-te ao ouvido como és amada.

Zangamo-nos e eu ralho, mas depressa volta tudo ao devido sítio. Não guardamos rancores, só guardamos o que é bom e que nos faz bem.

Limpo as tuas lágrimas e evito que vejas as minhas.

Às vezes surpreendes-me com carinhos que não foram pedidos e esses são os que sabem melhor.

Ensino-te o que sei e deixo-me aprender contigo.

Conversamos e conversamos e conversamos.

Dançamos juntas e cantamos sem música de fundo. (Enquanto não te sentes ridícula a fazê-lo. Comigo).

Conheço todos os teus amigos e eles conhecem-me, como devia ser em todas as relações. Dou-te espaço para que a nossa não interfira na vossa.

Faço-te rir e o teu sentido de humor enche-me o peito.

Passeamos e conhecemos sítios novos.

Não nos cansamos uma da outra.

Tenho orgulho em ti e isso deixa-me sentir também um pouco de orgulho por seres minha filha.

Conhecemos os gestos uma da outra.

Conversamos sem palavras.

Contrario-te. Faço-te crescer. Digo muitas vezes sim mas também digo não.

Porque nunca te vou dar tudo aquilo que queres mas tudo farei para te dar tudo aquilo de que precisas.

É este o nosso amor.

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Dizem que ser mãe muda tudo. Na verdade, a maior parte das coisas à nossa volta permanece exactamente na mesma – nós e a nossa percepção do mundo e da realidade é que mudam.

A maternidade, no fundo, é uma aprendizagem: em relação a nós, à nossa família alargada, à família mais restrita que estamos a criar.

Coisas que uma mãe aprende…

Aprendemos afectos. Os que nos foram negados, os de que nos fomos esquecendo, aqueles que sempre nos rodearam. Tornamo-nos um poço de afeição mais ou menos contida.

A visão dos problemas dá uma cambalhota e aprendemos a dar prioridade ao que realmente importa.

Verbalizamos o amor de outra forma. Vemos o amor de outra forma. Sentimos o amor de outra forma.

Aprendemos a deslocar-nos pela casa totalmente às escuras, como ninjas, em direcção ao berço dos nossos bebés.

Tomamos como adquirido que os «Parabéns» podem ser considerados a canção preferida de uma criança.

Não conseguimos escapar ao facto de que toda a gente (e aqui é mesmo toda a gente, desde a prima em segundo grau que vemos apenas no Natal ao porteiro do prédio) tem uma opinião a dar. E um conselho grátis também.

Sentimos a dor de outra pessoa como se fosse a nossa. Contemos as lágrimas quando há algo que provoca as lágrimas dos nossos filhos, por eles tentamos ser mais fortes… e tentamos mostrar que não faz mal ser também frágeis, de vez em quando.

Aprendemos que é mais importante estar do que ser.

Que gostamos que elogiem os nossos filhos. Que mexe connosco quando são os outros a repreendê-los.

Aprendemos a ser mais ambivalentes. A dormir menos e a fazer mais.

A fazer ginástica mental, financeira, criativa, física.

A brincar como se tivéssemos outra vez três anos.

A ensinar coisas que não nos lembramos de ter aprendido.

A descobrir-nos dentro de quem sempre fomos.

Aprendemos que o tempo é mais valioso que qualquer fortuna do mundo.

Que os tempos mudaram e há muita coisa que não se faz da mesma forma, mas que o amor de mãe nunca muda.

Compreendemos que mesmo que aprendamos tudo temos tudo para aprender.

E ainda bem.

Não estamos sozinhas nesta viagem.

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Se o seu filho o tira do sério, isso pode ser sério
Na verdade as crianças não “tiram os adultos do sério”.
Os adultos já estão “fora do sério”.
Os adultos vivem “fora do sério” por questões pessoais!
Pelas suas próprias frustrações, preocupações, medos, mágoas, receios, pressa, pressões externas e internas. Os adultos estão constantemente fora de si, desarmonizados, encolerizados, contidos, como bombas prestes a explodir.
O que acontece é que mais facilmente se deixam explodir quando precisam lidar com alguém mais frágil, indefeso e que não precisam temer uma retaliação…
Por isso, antes de se permitir “sair do sério” com uma criança, reflita se você não está já “fora do sério” por outras razões na sua vida, razões que só você pode (e deve) tentar mudar!
Talvez seja a vida stressada, cheia de horários controlados por segundos preciosos, que não podem ser “perdidos” por causa de uma criança, que precisa de andar mais devagar para olhar para as pedras da calçada.
Talvez sejam as contas para pagar e os prazos para cumprir, que consomem, além da sua energia física, uma preciosa tranquilidade mental, tão necessária para desfrutar a companhia dos filhos.
Talvez sejam as expectativas pessoais, que visam sempre um futuro melhor, mas fazem esvair por entre os dedos qualquer possibilidade de viver o agora, e tal impossibilidade grita através do choro dos filhos, que imploram neste momento a atenção de hoje.
Os adultos estão constantemente “fora do sério” por causa das mágoas do passado, da pressa no presente e das angústias do futuro!
E as crianças, na verdade, precisam de muito pouco. No entanto, o pouco que precisam é algo que se tornou muito difícil para nós, adultos darmos! Precisam de tempo de qualidade, de olhar calmamente, de presença verdadeira, sem TV ligada, sem atender o telemóvel a meio da brincadeira, precisam de uma volta no bairro sem um “despacha-te”.
As crianças não nos tiram do sério, não nos cobram nada, é que nós, preocupados, ansiosos e infelizes, nos sentimos cobrados internamente, e quando uma criança nos pede algo simples, lá no fundo sentimos vergonha, pois descobrirmos que somos, ou estamos, incapazes de realizar até as coisas mais simples.
São as coisas simples que carregam em si as maiores alegrias. As nossas escolhas, conscientes ou não, determinam muitas coisas nas nossas vidas, e as crianças chegam depois de muitas dessas escolhas já estarem solidificadas; e chegam no meio de um turbilhão de preocupações, prazos, horários, dívidas e metas, chegam silenciosas no meio de mil vozes que nos dizem que são elas, as crianças, que precisam de se adaptar e de se encaixar. As crianças chegam e pedem-nos um pouco do nosso tempo, passos mais lentos, olhares mais atentos, abraços sem pressa, sorrisos sem limites…
Chegam e mostram-nos que nem nós deveríamos aceitar encaixar-nos na vida atribulada e vazia que nos consome na mesma medida que consumimos cada dia sem sentir, sem perceber.
As crianças não nos cobram. As crianças mostram-nos que estamos incapazes de desacelerar, de sorrir, de contemplar, de cantar ou dançar, de respirar e suspirar, de sentir alívio ou paz. E em vez de refletirmos sobre nossas escolhas, que podem não ter sido as melhores até então, mas que podem melhorar, ou até mesmo serem diferentes a partir de agora, nós “preferimos” ralhar com as crianças, bater nas crianças, “sair do sério” com as crianças!
Os filhos lembram-nos constantemente sobre o que realmente importa, especialmente quando não queremos que nos lembrem dessas coisas. Os filhos querem apenas um pouco mais de nós! Mas isso tornou-se quase impossível, porque perdidos entre as experiências do passado, a pressa no presente e o medo do que virá amanhã, nem tão pouco conseguimos lembrar-nos de quem somos, ou de quem queríamos ser…
Não nos lembramos de quem somos no meio de tantas preocupações e angústias!
Precisamos de refletir não só sobre os adultos que nos tornamos, mas sobre as crianças que nós um dia fomos!
Tentar lembrar-nos daquilo que sentíamos, o que desejávamos, o que era importante para nós quando éramos pequenos!
Não existem crianças que precisem de apanhar para aprender, o que existe, infelizmente, são adultos que precisam de bater, e que batendo, acreditam que estão a ensinar algo bom.
Bater, agredir, gritar, deixar chorar, apressar, negar, brigar, culpar, ignorar…
E isso tudo por causa das suas próprias questões pessoais.
É difícil e trabalhoso perceber se o problema no comportamento da criança pode ser a escola que ela é obrigada a frequentar, é muito difícil e trabalhoso perceber se o problema pode ser o ritmo acelerado da vida que nós escolhemos.
Pode ser trabalhoso perceber que o problema pode ser as pessoas que rodeiam as crianças.
Pode ser difícil e doloroso perceber que o problema podemos ser nós próprios.
Por isso, e por muitas outras coisas, decidimos que o problema é a criança, e por não conseguirmos mudar o contexto que nós vivemos, tentamos mudar a criança.
Romper com o passado, mudar o presente e temer menos o futuro, pode dar muito trabalho!
Então, decretamos que são as crianças que nos tiram do sério.
Quando cuidar e educar se limita a fazer dos filhos aquilo que nós queremos, quando se limita a enquadrá-los à força dentro de uma rotina alucinada, perdemos toda a leveza, a liberdade e a alegria.
Tudo se torna extenuante, e até aquilo que é natural é entendido como se fosse um problema.
Existem métodos, dicas de disciplina positiva que podem indicar o caminho, mas não há soluções prontas, especialmente se o que os pais procuram é um método milagroso que elimine todo e qualquer conflito.
As situações tensas, os embates, as crises, vão sempre existir, e são iguais em todas as famílias, o que difere é a capacidade que algumas pessoas tem de lidar com elas de uma forma mais leve e produtiva.
Não adianta querer resolver de imediato. E atualmente todos sofremos deste mal, queremos ser atendidos imediatamente, queremos que as encomendas cheguem o quanto antes, queremos que a fila ande o mais rápido possível, nós, os adultos, queremos que o link abra em um segundo, queremos o resultado já, agora, neste instante. E no que diz respeito a relações humanas, o tempo de resposta não está na velocidade de um clique, a resposta está na confiança que se planta a cada dia, mas se colhe num tempo que não podemos controlar. Criar e educar é uma construção diária, lenta, trabalhosa, que se prolonga por todo o tempo que durar a relação, ou seja: provavelmente a vida inteira.
O diálogo, a confiança e o respeito constroem-se no dia a dia, nas coisas simples, através dos detalhes.
Algo que aparentemente não deu certo numa determinada situação pode ter sido uma semente a germinar e gerar frutos benéficos num futuro próximo ou distante.
Nada se perde no que diz respeito aos cuidados com os filhos!
A maioria das situações de conflito que surgem, especialmente as rotineiras, as que se repetem, podem ser evitadas e contornadas.
Os momentos de crise, de embate entre pais e filhos, podem ser superados de forma harmónica e construtiva, isso se houver um pouco mais de paciência, boa vontade, autoconhecimento e tempo, coisas que dependem dos adultos e não das crianças.

Carl Gustav Jung já dizia que se encontrar algo que gostaria de mudar numa criança, deveria antes questionar-se se não há algo que deveria mudar em você mesmo.

Antes de erguer a voz a uma criança, reflita sobre o quanto está a ouvir a sua própria voz interior, e se está a ser capaz de compreender o que esta voz lhe diz.

Antes de levantar a mão a uma criança, reflita sobre o quanto está a levantar a mão para mudar o que não está bom, dentro e fora de si… Que nos sirva apenas de alerta, ou como um convite para refletirmos, que há sempre muito a mudar em nós próprios, quando temos o ímpeto de mudar algo numa criança!

Por Luzinete R. C. Carvalho (Psicanalista), psicanalista, em Visão Clara
Adaptado por Up To Kids®

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As crianças sentem tudo muito intensamente, muito apaixonadamente. E há algumas que as sentem ainda mais intensamente do que outras.

O córtex frontal de uma criança pequena ainda não está suficientemente desenvolvido de forma a que consiga controlar-se quando está aborrecida. E por isso chora, explode, entra no loop de pranto. Simplesmente não tem ferramentas para gerir sozinha as suas emoções. E é aí que mais precisa da nossa ajuda. Da nossa calma. Do nosso auto-controlo. Do nosso amor. Da nossa empatia. Da nossa amizade.

Mas muitas dessas manifestações podem ser evitadas, uma vez que são expressão de impotência, de frustração, de uma necessidade, de um medo, de necessidade de controlo. Mesmo que não o entendamos. Chamo-lhe manifestações porque não me parece que as pessoas sejam rótulos ou categorias e porque não acredito na simplificação das emoções a termos tão redutores como birras. As emoções são um sistema bastante mais intrincado do que meramente uma categoria ou um rótulo. E é preciso acabar com os rótulos antes que os rótulos acabem com os nossos filhos.

As crianças que sentem algum controlo sobre as suas vidas, que se sentem compreendidas e aceites nas suas emoções mais fortes, nos seus erros, nos seus momentos mais difíceis, em vez de serem castigadas ou repreendidas, manifestam-se desta forma com muito menos frequência.

A chave está em observar, prevenir as situações ou dar-lhes a volta. Assim como a água contorna os seus obstáculos em vez de enfrentá-los, assim nós devemos agir nos momentos menos bons dos nossos filhos.

Por exemplo, crianças que estão cansadas, com sede ou com fome tem muito menos recursos internos para lidar com a frustração. Se elas sentirem que podem ter o seu tempo para recuperar, se souberem que nós estamos lá para lhes dar espaço ou colo, se lhes mostrarmos empatia e amor, isso vai dar aos nossos filhos ferramentas para que consigam lidar com os seus sentimentos e aprender a regular as suas próprias emoções. Com o tempo. É preciso semear e colher com paciência.

Conhecendo bem os nossos filhos, apesar das imprevisibilidades inerentes ao ambiente, ao desenvolvimento cognitivo, físico e afectivo, sabemos bem o que desencadeia essas manifestações.

Há passos que podemos seguir para que consigamos, nestas alturas, regular as nossas emoções para não perdermos o controlo da situação e não entrarmos nós próprios, numa montanha russa de emoções.

  1. A primeira coisa a fazer, chamo-lhe, passo zero é respirar. Respirar muito ao longo de TODA a situação, de TODO o momento. Lembre-se que são os seus filhos que estão a ter um momento difícil e que simplesmente não conseguem controlar as suas emoções. É nestes momentos que os nossos filhos mais precisam de nós e que estejamos calmos. Respire e pense: Os meus filhos NÃO SÃO este momento que estão a ter. Os meus filhos ESTÃO A TER um momento difícil e eu estou aqui para ajudá-los. Apenas ajudá-los a lidar com este momento.

Isto irá colocar-nos no mindset certo para conseguir não apenas gerir melhor os seus filhos como também gerir as nossas próprias emoções. Depois de respirar, respire ainda mais e mantenha um tom calmo.

  1. Redireccione os seus filhos para outra coisa em vez de alimentar a situação negativa. Nem sempre é fácil, mas foque-se no positivo. Diga que precisa de ir ali beber um copo de água, porque está com sede. Não deixe que as suas próprias emoções tomem conta de si. Redireccione para outra coisa. Pura e simplesmente.
  1. Observe e tente aperceber-se se os seus filhos estão cansados ou com fome. Deixe de lado as lutas de poder. Não temos de provar que estamos certos só porque somos pais. Podemos – e devemos – ser flexíveis. Os nossos filhos têm direito a manifestarem-se e a mostrar-lhe que são pessoas com capacidade e poder no mundo. Não é nenhum erro nem falha ser flexível, apesar de a maioria de nós termos sido ensinados que os pais não podem ceder. Podem ceder –  devem ceder – se sentirem que o pedido dos filhos, no cenário geral do seu crescimento – e não naquele momento em particular – não compromete a saúde, a segurança ou os direitos dos outros.
  1. Quando uma criança fica zangada ou perde o controlo, lembre-se que toda a raiva é uma defesa contra outros sentimentos desconfortáveis, como a vulnerabilidade, o medo, a mágoa, tristeza. Se conseguir chegar a esses sentimentos que estão escondidos a raiva dissipar-se-á. Pode perguntar: “Pareces zangado. Estás?” Deixe o seu filho responder. Escute. Com atenção. “O que posso fazer para te sentires melhor?” E o que quer que ele responda, devemos ouvir e aceder. Desde que – mais uma vez – não comprometa a segurança, a saúde ou os direitos dos outros. Provavelmente irá ouvir respostas como “um abraço” “um beijinho” ou “que brinques comigo”.
  1. Aceite os sentimentos dos seus filhos. Aceite a tristeza tal como aceita a alegria. Ensine os seus filhos que todos os sentimentos são válidos. Apenas a manifestação, a forma como expressamos esses sentimentos é que podem – e devem – ser trabalhados. Ensine os seus filhos a explicar o que estão a sentir.
  1. Tente controlar a situação antes que ela escale. Antes de estabelecer o limite ou antes de se preocupar em estabelecer uma consequência, reconheça o que os seus filhos lhe estão a pedir. “ Eu sei que tu querias muito….” E que ficaste triste/zangada porque …. Não foi? Precisas de um abraço?” ou “Como é que tu achas que podemos resolver esta situação?”
  1. Dê-lhes colo, se lhe pedirem ou ofereça-lhes o seu colo se vir que precisam.

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Quanto mais valorizadas as crianças sentirem que são as suas opiniões, menos necessidade terão de manifestar-se negativamente. Não somos assim também?

As palavras têm muito poder. E o que dizemos, a forma como dizemos ecoa na cabeça dos nossos filhos por toda a sua vida.

As flores não crescem em jardins de pedras. Precisam da ternura,  da suavidade, da magia das gotas de água da chuva para crescerem fortes e  saudáveis. É a chuva que faz com que cresçam bem. Não a trovoada. Lembre-se disto sempre.

Por isso, use estas dez pequenas gotas de água  – mágicas – para regar os vossos pequenos diariamente, ajudando-os assim, a  desenvolverem-se com a cabeça limpa.a sentirem-se amados. Compreendidos.  Conscientes, preparados, mas com a cabeça saudável para que consigam chegar onde querem nas mais pequenas coisas. E saber lidar com as emoções é talvez o exercício, o teste, o desafio mais complexo de toda a vida. E quanto mais praticarmos, melhor. Um passo de cada vez. Um momento de cada vez.

As crianças sentem tudo muito intensamente, muito apaixonadamente. E há algumas que as sentem ainda mais intensamente do que outras. E é aí que mais precisam do nosso amor.  Com estas pequenas frases mágicas estarão a semear a semente mais valiosa, aquela que vos vai envolver com os vossos filhos nos seus momentos mais difíceis. Para que consigam ser o melhor que podem ser. Sem serem perfeitos. Porque todos cometemos erros, temos acidentes, sentimos medo,  muitas vezes nos sentimos desmotivados, cansados ou com fome.

E as crianças são iguaizinhas a nós. Apenas com uns centímetros a menos. E isso é fundamental lembrar sempre.
Tente aplicar as 10 frases mágicas que ajudarão os seus filhos:

Juntos conseguimos!”

Somos capazes de resolver problemas. Vamos encontrar uma solução.”

“Nós nunca desistimos”

“Posso ajudar-te?”

“O que posso fazer para te sentires melhor?”

“Porque estás a chorar, querida? O que aconteceu?”

“Não há problema. Deita tudo cá para fora, meu amor. Falamos depois.”

“Vamos respirar um pouco para nos conseguirmos acalmar os dois.”

“Pareces zangado. Estás?”

“Vejo que estás aborrecido. Será porque…?”

“Toda a gente fica nervosa. É natural e é ok.”

“Vamos tentar outra vez, agora de forma mais calma para te conseguir ouvir melhor, sim?”

imagem@flickr

Eu tenho um sonho. Um grande sonho. Um grande desejo para todas as crianças. Um desejo para toda a humanidade. Um sonho que vive comigo desde que eu própria era uma criança. Um desejo que se tem agitado mais e mais e mais rápido dentro do meu coração, bem lá enraizado, no fundo do meu espírito, ao longo dos anos.

E eu estou certa, tão certa como estou de que as estrelas brilham no céu da noite escura, que este sonho, como qualquer outro sonho, é possível. Este sonho, este grande, este enorme desejo que vive comigo desde que me lembro, pode tornar-se realidade.

O universo movimenta-se tantas vezes de forma misteriosa e sempre consegue colocar diante de nós situações, pessoas e desafios para nos ajudar a evoluir. Situações, pessoas e desafios com a finalidade específica de fazer- nos crescer. De mostrar-nos uma perspectiva diferente da vida.

Situações, pessoas e desafios com a finalidade específica de ajudar-nos a colocar tudo o que vimos, acreditámos ou pensámos até agora, em causa. E é maravilhoso quando temos realmente a coragem suficiente para nos questionarmos.

Para questionarmos o que sempre considerámos certo, é preciso coragem e audácia. Somos forçados a deixar a nossa zona de conforto e dar um salto no escuro para terreno desconhecido.

No entanto, para mudar, para evoluir, temos de ser fortes e corajosos. Todos nós podemos aceitar e abraçar a mudança, se estivermos dispostos a mudar por dentro.

Eu tenho um sonho. Um sonho que orienta a minha jornada ao longo da minha passagem. Um sonho que toma diariamente controlo total da minha vida. Um sonho que cresce a cada dia de cada vez que eu abro os olhos de manhã. E é ainda maior quando fecho os olhos para dormir. Um sonho que me trouxe aqui. Até hoje. Até este momento. Até estas palavras. Até si.

E não há sonho que se possa tornar realidade de forma mais rápida do que o meu sonho. Porque é um sonho de paz. É um sonho de amor. E todos nós possuímos essas qualidades dentro dos nossos corações. Nós todos temos paz e amor dentro de nossos corações.

Ninguém nasce com o potencial para qualquer outra coisa, a não ser para o amor. Ele pode estar escondido ou ainda não ter sido descoberto. Mas ele está lá. Eu sei que ele está lá. Basta olhar para dentro de nós mesmos para encontrá-lo.

Eu tenho um sonho.

Um sonho para que a paz reine em cada casa e em cada espaço onde crianças estejam presentes. Um sonho de ver as crianças livres de desrespeito, agressividade e violência. De qualquer espécie. De todos os tipos. Total e completamente livres. Um sonho de ver sorrisos nos olhos que não escondam dor, vergonha ou mágoa, mas sorrisos nos olhos que irradiem felicidade, paz e cabeças limpa de despojos.

Eu sonho que todos os adultos aprendam a baixar a voz e a guardar as mãos para si de todas as vezes que estejam na presença de uma criança. Eu sonho que cada criança seja educada com respeito pela sua individualidade. Para que cada criança seja criada com amor.

Eu desejo a todas as crianças do mundo uma educação pacífica. Eu sonho apagar os danos, a dor e o constrangimento das mentes, corpos e almas de todas as crianças. Eu sonho para que todos os adultos aprendam a parar, a admirar, a honrar, a respeitar, a confiar, a ser compassivos, tolerantes e solidários para com as  crianças. Porque é isso que é o amor.

Estou certa de que este sonho pode tornar-se realidade tão rapidamente como cada um de nós está disposto a fazer uma mudança no nosso próprio espírito. No nosso próprio coração. Na nossa própria casa. A cada acordar. A cada adormecer. A cada palavra. A cada gesto.

O meu sonho pode tornar-se realidade tão rápido quanto estivermos dispostos a crescer e a fazer a diferença na vida dos nossos próprios filhos. Apesar dos desafios. Independentemente das contingências. Apesar das condições ou das situações da nossa vida.

Nós somos os únicos responsáveis ​​por criar almas, mentes e corpos saudáveis ​​e seguros, conscientes de que cada uma das nossas acções, cada uma de nossas palavras têm uma repercussão sobre toda a formação emocional das crianças. E nós somos responsáveis ​​por passar um legado de amor às novas gerações.

Vamos abraçá-lo como nosso dever. Como o nosso propósito de vida. Independentemente de tudo o que possa surgir no caminho.

Que Todos Os Seus Sonhos Se Concretizem,