A bronquiolite é uma inflamação da parte terminal do aparelho respiratório (bronquíolos) e geralmente é causada por uma infecção vírica.

 

No nosso país é extremamente comum, com um claro pico de incidência entre Janeiro e Fevereiro. É uma causa frequente de internamentos, particularmente em crianças pequenas e na maior parte dos casos não é uma doença muito grave (embora haja algumas excepções, principalmente quando estão presentes factores de risco, tais como a prematuridade, o baixo peso ao nascer e o convívio com outras crianças, entre outros).

Afecta crianças até aos 2 anos de idade e caracteriza-se por uma combinação variável dos seguintes sinais e sintomas:

  • dificuldade respiratória
  • “chiadeira” a respirar (espécie de “assobio” que se ouve na expiração)
  • tosse
  • dificuldade na alimentação
  • apneias (paragens respiratórias), particularmente em bebés pequenos
  • febre, geralmente baixa

 

Neste momento, o tratamento das bronquiolite é um tema de grande controvérsia em Pediatria. A maior parte dos estudos não comprovam a eficácia das nebulizações ou outros medicamentos, o que nos coloca com um problema para resolver: o que fazer?

Na prática, é costume testar-se as nebulizações e, por vezes, medicamentos da família da cortisona, pois muitas vezes aliviam parcialmente os sintomas e tranquilizam um pouco as crianças (e os pais!).

Os critérios de internamento para esta situação são os seguintes:

  • falta de oxigénio no sangue
  • dificuldade respiratória significativa
  • bebés pequenos (abaixo dos 3 meses de idade)
  • dificuldades marcadas na alimentação
  • ansiedade dos pais (esta é uma questão polémica, mas é sempre importante perceber se os pais estão capazes de lidar com o filho doente; se não estiverem, é preferível internar 1-2 dias e ensiná-los a lidar com esta situação)

Por fim, quero deixar apenas uma palavra para a relação entre bronquiolite e asma.

 

É também um tema que suscitou grandes debates há uns anos e neste momento parece mais ou menos consensual que a bronquiolite não pode evoluir para asma. No entanto, por vezes o primeiro episódio de falta de ar de um asmático pode ser falsamente rotulado de “bronquiolite”. Com o tempo essas crises vão-se repetindo e, a posteriori, percebe-se que afinal já era uma asma desde o início (só o tempo dá essa resposta).

O mundo do Gonçalinho

O Gonçalinho nasceu numa tarde solarenga, com um calorzinho agradável. Menos de 24h depois de ter nascido começamos a ouvir que era um bebé molinho. Mais tarde viemos a descobrir que era hipotonia e que, para além disso, tinha diversos outros problemas. Depois de uma semana passada na neonatologia viemos para casa e respiramos de alívio, mas a nossa história estava prestes a começar.

Diagnosticado com hipotonia aos 11 dias, o Gonçalinho começou a fazer fisioterapia com apenas 1 mês. Era uma “boneca de trapos” – mal se mexia. Não tinha tónus muscular e coisas básicas como segurar a cabeça tinham de ser ensinadas. Não se conhece a incidência de hipotonia em Portugal, mas sabe-se que inúmeras crianças são afectadas. Muitas delas são apelidadas de “preguiçosas” porque não atingem as metas de desenvolvimento motor no tempo previsto e isso acaba por atrasar o diagnóstico (são mais de 600 as doenças que podem causar hipotonia).

As terapias

À medida que passavam os dias, semanas, via-se que o Gonçalo estava cada vez mais atrasado relativamente ao padrão normal das crianças da mesma idade. À fisioterapia juntou-se a terapia ocupacional e a terapia da fala.

Neste momento faz terapias todos os dias, mais do que uma vez por dia. Perdemos a conta da quantidade de exames que fizemos para tentar determinar a causa do problema. Desde análises, a ecografias, a exames genéticos, corremos de tudo um pouco. Descobrimos durante este período de tempo que o Gonçalinho é também severamente alérgico a diversos alimentos (faz choque anafilático), o que veio dificultar ainda mais o percurso dele.

Aos 9 meses teve a primeira fractura visível (agora suspeita-se que a primeira terá sido quando nasceu), o que permitiu direcionar os exames genéticos.

O primeiro diagnóstico

Aos 11 meses recebemos o diagnóstico: uma mutação rara num gene ligado ao colagénio que provoca Osteogénese Imperfeita e Síndrome de Ehlers-Danlos, ambos sem cura. Esta mutação em específico é apenas o terceiro caso registado no mundo e a incidência da sobreposição destes dois síndromes é inferior a 1 para um milhão. É, portanto, como nós lhe chamamos, uma lotaria. As probabilidades eram extremamente baixas, mas aconteceram.

Fragilidade óssea, falta de tónus muscular (inclusive respiração e deglutição), hipermobilidade das articulações, problemas cardiológicos, problemas auditivos, dificuldades sensoriais, apneias do sono, alergias severas, entre outros, fazem parte do dia-a-dia do Gonçalinho. E do nosso.

Os cuidados a ter com o Gonçalo vão o mais básico, como limpar todas as superfícies onde possa ter estado um alérgeno, a não sair do lado dele porque um movimento em falso pode significar uma fractura.

Terá sempre limitações para a vida, limitações essas que nós tentamos minimizar e adaptar.

Lidar com uma criança que tem dois síndromes raros é uma ocupação a tempo inteiro.

Não só faz terapias todos os dias mas também tem diversas consultas e exames todos os meses. Temos de estar extremamente bem informados, logo estamos em constante actualização.

Através desta recolha de informação, ajudamos também outros pais e cuidadores não só a obterem mais apoios, mas também a terem acesso a esta informação.  Partilhamos tudo na nossa página – O Mundo do Gonçalinho (www.facebook.com/mundogoncalinho).

Porque o Gonçalo é o nosso filho, mas esta lotaria poderia ter saído a quaisquer outros pais. Pensemos nisso.

Dois dos meus filhos têm pele atópica. Também eu, quando era mais nova costumava ter algumas crises de eczemas, tendo sido diagnosticada numa crise mais severa na adolescência, como dermatite atópica. Por este motivo, reconheci os mesmos sintomas nos meus filhos quando ainda eram bebés, e começaram a ser acompanhados pelo dermatologista pediátrico desde muito cedo.

O que é a Dermatite Atópica?

Estima-se que 20% das crianças em todo o mundo têm pele atópica*, sendo a principal doença tratada pela dermatologia infantil. Também conhecida como Eczema Atópico, a Dermatite Atópica (DA) é uma doença de pele que pode ser alérgica ou crónica.

Caracteriza-se por secura, comichão e zonas avermelhadas durante períodos mais ou menos longos.

Os meus filhos faziam eczemas nas dobras (como sabemos, os bebés têm muitas pregas), na zona do pescoço, no peito, nas axilas, atrás dos joelhos, interior das pernas e parte inferior das costas, especialmente nas zonas da fralda.

Possivelmente alguns dos vossos filhos já tiverem eczemas, e eu que já sofri do mesmo mal posso dizer-vos que dá muito incómodo pois dá uma espécie de comichão e ardor em simultâneo. Lembro-me de haver alturas em criança, em que me coçava até fazer ferida.

Agora imagino nos bebés, que não têm a capacidade de se queixar, nem de ser coçar ou massajar para aliviar os efeitos.

Por isso, é normal que crianças com dermatite atópica apresentem um comportamento irritado que, muitas vezes, se confunde com uma birra de sono ou de cocó na fralda, com choro à mistura. Esta é a sua forma de comunicarem. De se queixarem e dizer-nos que estão desconfortáveis. É também normal que apresentem padrões de sono mais irregulares, uma vez que, quando estão com irritação na pele, se sintam extremamente desconfortáveis.

Nos meus filhos foi desaparecendo com a idade, até que numa crise de asma, a minha filha voltou a ficar com eczemas grandes, agora mais concentrados apenas em duas zonas, e que me fez andar outra vez à volta deste assunto.

Por isso, para melhor perceber o que é a dermatite, deixamos 12 perguntas e respostas que esclarecem algumas das dúvidas mais comuns:

1. Em que idade surge?

Normalmente, as crianças são mais vulneráveis e a doença surge antes dos cinco anos de idade, havendo uma grande percentagem de incidência em crianças com menos de um ano. Verifica-se em muitos dos casos, o desaparecimento parcial e por vezes total dos sintomas com a idade.  No entanto, pode aparecer em qualquer altura da vida, sendo que, quando aparece mais tardiamente, os efeitos tendem a ser mais duradouros.

2. Quais são os sintomas mais comuns?

Apesar de nenhum organismo ser igual, as queixas mais comuns são:

  • Pele seca;
  • Manchas vermelhas;
  • Comichão.

Para qualquer um destes momentos mais inquietantes, poderá ter um aliado apaziguante, pronto para atuar sobre qualquer tipo de pele, seja em que idade for, com manteiga de Karité, madecassosside e Glocunato de Zinco antibacteriano, uma fórmula tripla de peso que vai querer ter sempre à mão.

 

3. Tem cura?

Assim como outras doenças crónicas, a DA não tem cura, mas tem forma de ser controlada. E a verdade é que com a idade, a maioria das crianças tendem a sentir um alívio considerável dos sintomas e uma diminuição dos episódios de crise.

4. Quais as suas causas?

Pode existir uma predisposição genética (eczema atópico) e alguns factores ambientais que contribuem para o seu aparecimento, como os elevados níveis de poluição. De facto, quando um dos pais sofre de atopia, existe uma maior probabilidade de a criança também desenvolver esta patologia. (Agora percebo onde é que os meus filhos foram buscar isto!)

Por outro lado, existem também causas alérgicas, isto é, quando a pele entra em contato com ingredientes reativos, provocando uma reação de sensibilidade (eczema de contacto alérgico).

5. Quais os factores do nosso dia-a-dia que podem agravar a doença?

  • Banhos demorados
  • Água muito quente
  • Sabonete com ingredientes agressivos
  • Cosméticos não indicados para pele com tendência atópica
  • Roupas sintéticas, transpiração,
  • Alguns detergentes mais agressivos
  • Alimentação.

6. É contagioso?

Nem pensar, a DA não se transmite pelo contato direto. Podem continuar a dormir todos na mesma cama e abraçar-se como antes que não existe qualquer contágio direto.

7. O estado emocional tem influência no aparecimento de sintomas?

Sim, a parte emocional tem um papel importante nas crises de dermatite atópica. Nos bebés é muito fácil de perceber esse desenvolvimento: quando não os ajudamos a acalmar a comichão, eles choram muito, e verifica-se um aumento grande de um dia para o outro da vermelhidão. Depois torna-se numa bola de neve.

Também é possível que o stress dos pais passe para os filhos por isso, em situações destas (e também outras do quotidiano) é impreterível que os pais consigam controlar a sua ansiedade perante os filhos, para que estes não se tornem também crianças nervosas/inquietas, aumentando os sintomas da crise.

8. Uma criança com Dermatite Atópica deve consultar um psicólogo?

Não se tratando de uma doença psicológica, o eczema e os seus sintomas podem ter alguns impactos na qualidade de vida do paciente. Posto isto, pode ser importante ter um acompanhamento profissional, nalguns momentos, sobretudo nos casos mais severos.

9. Como é feito o tratamento?

A melhor forma de lidar e cuidar da sua pele é, nada mais, nada menos, do que através da hidratação.  Quando a pele está seca e desidratada, a sua barreira de proteção está incompleta o que gera mais episódios e crises. Procure sempre nutrir a pele com cuidados emolientes, ricos em óleos e adequados à pele com tendência atópica.

Não descure a importância do banho e restaure o seu equilíbrio cutâneo com os aliados certos.

10. Pode uma pele com Dermatite Atópica frequentar uma piscina?

Sim. No entanto, sem estar demasiado tempo. E assim que sair, deve passar-se por água corrente e hidratar-se devidamente. O cloro e outros desinfetantes colocados nas piscinas, até mesmo o sal, pode ser prejudicial para uma pele atópica, se não lavada de seguida.

11. Os animais de estimação são proibidos?

Muitas crianças sonham com o momento em que têm o seu primeiro animal de estimação. Não é preciso abolir de todo a ideia, mas infelizmente é necessário haver vários cuidados para que não agrave esta condição. A título de exemplo: a animais com pêlo, como cães e gatos, não deve ser permitido o contacto com a cama do mais pequeno, evitando também o sofá. A casa também deve ser aspirada, pelo menos três vezes por semana. Em todos os casos, uma conversa com o dermatologista deve ser o primeiro passo.

12.Quais devem ser as rotinas essenciais de uma pele com Dermatite Atópica?

  1. Hidratar a pele todos os dias.
  2. Banhos rápidos e com água pouco quente.
  3. Utilize produtos de limpeza e sabonetes adaptados à pele sensível e com fórmulas hipoalergénicas.
  4. Prefira sempre roupas de algodão.
  5. Fuja de produtos com muitos químicos e de amaciadores na lavagem das suas roupas.

 

[1] *Nutten, S. Atopic Dermatitis: Global Epidermology and Risk Factors. Ann Nutr Metab 2015; 66 (suppl 1): 8-16

A febre no bebé e na criança é um sintoma extremamente comum e o principal motivo de consultas médicas de urgência em Pediatria. Por ser tão frequente, é importante perceber porque surge e quando é realmente preocupante.

Febre no bebé e na criança – o que fazer?

O primeiro conceito a reter é que a febre não é uma doença. É um sintoma, que geralmente surge associado a algum tipo de “agressão” externa, mais frequentemente uma infecção. A definição de febre depende do local onde a temperatura é medida, podendo ser utilizados os seguintes valores:

  • rectal (medida no rabinho) – acima de 38 graus
  • timpânica (medida no ouvido) – acima de 37,6 graus
  • axilar (medida debaixo do braço) – acima de 37,5 graus
Trata-se de um mecanismo de defesa do organismo, que serve essencialmente para ajudar a combater essa “agressão”, através dos seguintes mecanismos:
– melhoria da capacidade de resposta do organismo. Alguns dos nossos mecanismos de defesa ficam optimizados com a subida ligeira da temperatura corporal
– inactivação de alguns microrganismos. A elevação da temperatura faz com que alguns microrganismos percam agressividade, ajudando assim a combatê-los

Assim, é fácil perceber que, apesar de causar muitas preocupações aos pais, a febre em si pode até ser benéfica. Por esse motivo, há até quem defenda que não precisa de ser tratada, caso a criança esteja bem disposta. Na verdade, não se deve tratar a febre em si, mas sim o desconforto que esta provoca. A temperatura corporal não sobe indefinidamente e, mesmo sem tratamento, acaba por voltar a descer.

Quando se dá algum tipo de medicamento nessas situações, é importante realçar alguns aspectos:

  • o tempo médio para começarem a actuar é de 30 minutos a 1 hora, pelo que não é esperado que haja uma resposta imediata
  • a resposta esperada é que a temperatura desça 1-1,5 graus, pelo que não é suposto que desça sempre para os 37 graus

Relativamente aos tradicionais banhos de água tépida e outras medidas de arrefecimento corporal:

– Convém reforçar a ideia de que nem sempre são boa opção.
– Só devem ser utilizados quando a temperatura já está a baixar, o que geralmente se percebe porque a criança fica com a pele mais vermelha, quente e transpirada.
– Devem ser evitados quando a temperatura está a subir, ou seja, quando a criança está com as mãos frias, a pele mais pálida, os lábios arroxeados e com tremores
Sempre que alguma partícula estranha (microorganismo, poeira, líquido, expectoração, …) chega aos brônquios ou pulmões, a primeira resposta do organismo é tentar eliminá-la.
Para isso, é desencadeado o reflexo da tosse. Em que ocorre uma saída de ar forçada pela boca, a alta velocidade, arrastando consigo o que conseguir.

Tosse
Na maior parte das vezes é causada por infecções respiratórias e, apesar de surgir em poucas horas, demora muito mais tempo a desaparecer. De um modo geral, dura cerca de 2-3 semanas, período ao longo do qual vai melhorando lenta e progressivamente.

Características e tempo de evolução da tosse

No início surge, habitualmente, uma tosse seca e irritativa, seguida ao fim de 3-4 dias por tosse produtiva e com expectoração. Ao fim de cerca de uma semana a tosse volta novamente a ser seca e só depois vai desaparecendo.
É muito importante conhecer estas características e tempo de evolução da tosse. Só assim se consegue distinguir uma evolução típica de uma evolução atípica, sendo que esta última implica sempre observação médica e, eventualmente, realização de exames para investigação.

O que fazer?

Uma vez que se trata de um mecanismo de defesa, não requer tratamento na maioria das vezes. De qualquer forma, há alguns procedimentos que devem ser adoptados e que podem ajudar a aliviar o desconforto provocado pela tosse, tais como:
  • Fazer uma boa higiene nasal. Com ajuda de soro fisiológico ou um spray de água do mar e, eventualmente, utilizando também um aspirador nasal;
  • Fraccionar as refeições nos casos em que as crianças vomitam com a tosse. Ou seja, dar mais vezes de comer, mas menos quantidade de leite/alimentos em cada refeição.
De um modo geral, a administração de medicamentos para “parar” a tosse deve ser evitada. Estes acabam por retirar alguma capacidade de resposta do organismo e boicotar a principal forma que temos de limpar os pulmões.
Já em relação aos remédios mais tradicionais ou “caseiros”, tais como os xaropes de cenoura ou mel, a sua eficácia é, no mínimo, bastante duvidosa e devem também ser evitados, uma vez que possuem demasiado açúcar e podem ser mais prejudiciais do que benéficos.

SINAIS DE ALARME

A tosse é muito frequente e todas as crianças têm vários episódios em que tossem durante o ano.
A maior parte dessas situações são “comuns” e pouco graves.

Mas há alguns sinais de alarme que os pais devem conhecer, tais como:

– mau estado geral da criança
– febre alta, difícil de controlar
– falta de ar
– sinais de dificuldade respiratória. (o nariz a abrir e fechar ou a pele entre as costelas a ir “para dentro e para fora” durante a respiração)
– tosse com mais de 3 semanas de duração, sem noção de melhoria
– vómitos persistentes
– dificuldade na alimentação
– guincho inspiratório entre acessos de tosse
É muito importante estar atento a estes sinais, porque a sua presença implica sempre uma observação médica mais urgente.

O meu filho não consegue fazer cocó. E agora?

Calma. Em primeiro lugar temos de perceber que o organismo das crianças não funciona como o de um adulto. É normal uma criança ficar 3 dias sem ir à casa de banho. Apenas quando este período de tempo é ultrapassado sistematicamente é que convém pedir ajuda médica. Pode tratar-se de um caso de prisão de ventre que requeira acompanhamento.

No entanto, ainda que aconteça por períodos mais curtos e de forma não sistemática, pode ser extremamente doloroso e desconfortável para a criança, e consequentemente para os pais (já sabem que, quando se trata dos nossos filhos, sofremos por tabela).

Como identificar a prisão de ventre numa criança

São vários os sinais de prisão de ventre infantil. Embora alguns sejam mais difíceis de associar, tais como a irritabilidade e mau humor e a falta de apetite, outros são mais evidentes. Destacamos especial atenção às dores de barriga constantes, barriga inchada e rija, cocó muito duro e seco, sinais de cocó meio líquido que suja a fralda ou a roupa interior e sinais de sangue no cocó ou no papel higiénico (normalmente devido a fissuras)

Reconhecendo estes sintomas, resta dizer que uma situação de prisão de ventre nunca deve ser desvalorizada, e deve ser tratada com método, e muita calma, pois pode facilmente tornar-se num ciclo vicioso!

O Ciclo Vicioso da Prisão de ventre

O ciclo vicioso da prisão de ventre desenvolve-se em 4 fases. Dor, medo, retenção e cocós duros, secos e mais volumosos.

Muitas vezes, as crianças com prisão de ventre associam a dor ao acto de ir à casa de banho. Quer seja devido a uma alteração alimentar, ao stress (especialmente em determinadas alturas do ano lectivo), ou a não conseguirem adaptar-se a fazer cocó fora de casa, estes miúdos criam uma barreira psicológica que os impede de ter um funcionamento regular do intestino.

Consequentemente começam a ter medo de ir à casa de banho, adiando sempre que possível esta acção, dificultando, ainda mais o processo.
A dor vai aumentando devido à retenção e acumulação de cocós no intestino. Isto leva a que a criança evite por completo a ida à casa de banho.
A retenção vai resultar em cocós duros, secos e grandes (sorry) por permanecerem muito tempo no intestino. Torna-se então ainda mais difícil ir à casa de banho, e recomeça o ciclo vicioso.

Tudo isto gera um elevado nível de stress não só para os nossos filhos, mas também para nós. 🙁

É possível quebrar este ciclo?¹²

Claro. É possível e essencial não só a nível de saúde física, mas também emocional. Em primeiro lugar a criança precisa de se sentir bem e sem dores para poder estar bem em família, na escola e consigo própria. Depois, é imprescindível que não se deixe crescer uma fobia em torno do assunto, correndo o risco de se instalar o ciclo vicioso novamente, dificultando a regularização intestinal.

Como quebrar o ciclo vicioso?

Há diversos fatores que podemos alterar no dia a dia dos nossos filhos para tentar regularizar um problema de prisão de ventre.

Alimentação

Comecemos pela alimentação: é importante que haja rotinas e horários certos para as refeições, e que se mantenha uma dieta rica em fibras solúveis. Estas encontram-se nos frutos com casca, nas hortícolas, nas leguminosas e nos alimentos contendo aveia, cevada ou centeio. Sementes como linhaça, e chia são ótimas e podemos colocá-las nas sopas. Ao lanche, iogurtes, especialmente com probióticos e sementes de abóbora, são um ótimo empurrão para evitar cocós duros. E claro, deve-se evitar alimentos ricos em açúcar e ricos em gorduras e beber muita água.

Alimentos que combatem a prisão de ventre

Alimentos que combatem a prisão de ventre

Alimentos que causam prisão de ventre

Rotinas

As rotinas são extremamente importantes, não só no que refere à alimentação, mas também, nas idas à casa de banho. Podemos por exemplo, encorajar a criança a ir à casa de banho regularmente, 15-30 minutos depois das refeições. É muito importante que a criança tenha os pés bem assentes quando está sentada (na sanita/bacio). Se for necessário, podemos colocar um banco de apoio aos pés.

Para crianças que ainda estão a aprender a utilizar a sanita/bacio, é importante que este momento não seja tenso nem apressado. Podemos até arranjar um reforço positivo, como por exemplo um sistema de recompensas.

Nunca, em caso algum, devemos criticar ou julgar a criança por ir ou não ir à casa de banho. Devemos sim controlar o desenvolvimento da situação e tentar ajudar de forma positiva e construtiva. Oferecendo soluções em vez de criar mais obstáculos.
Por vezes, pode também surgir um vestígio de líquido acastanhado na roupa interior, como já tínhamos referido. Neste caso, é importante não castigar ou culpar a criança. Devemos explicar-lhe que pode acontecer a qualquer pessoa que esteja na mesma situação de forma a não a rotular de “bebé”.

Intervir

Quando as medidas anteriores não são suficientes, a utilização do produto adequado – exemplo: que permita o amolecimento das fezes, facilitando a evacuação – pode ser importante para evitar complicações, diminuir a dor e consequentemente o stresse estabilizando assim a relação da criança com o acto de ir à casa de banho!

Uma possível solução é Dulcosoft®.  –  um dispositivo médico que proporciona um alívio suave da prisão de ventre e pode ser tomado por grávidas, mulheres a amamentar e crianças a partir dos 2 anos.

Através da substância ativa de Dulcosoft,  Macrogol 4000, ajuda a reter água no intestino, o que ajuda as fezes a ficarem mais moles, facilitando assim a sua evacuação. Este acto passa a ser mais confortável e menos doloroso. Dulcosoft® tem um sabor neutro e pode ser misturado em qualquer bebida quente ou fria, como água, sumo de fruta ou chá. Deve ser tomado preferencialmente numa única dose, pela manhã. Se o problema persistir durante mais tempo, então, deverá ser investigada a sua causa.

Para toda a família

DulcoSoft® pode ser tomado durante a gravidez ou amamentação, pois a absorção do Macrogol 4000 é mínima. No entanto, convém consultar o seu profissional de saúde (exemplo, farmacêutico) porque, como sabemos, cada caso é um caso. Pode ser tomado por crianças a partir dos 2 anos, no caso de DulcoSoft® líquido (solução oral 250ml). A partir dos 8 anos de idade, para o DulcoSoft® em saquetas (pó para solução oral 10 gr, 20 saquetas).

Diabéticos e doentes celíacos também podem tomar descansados esta solução pois não contém açúcar nem glúten.

Dulcosoft® é uma solução que ajuda a reter água no intestino, tornando as fezes mais moles, facilitando a vida às pessoas que sofrem com este problema. Se tem rotinas alimentares equilibradas, se bebe bastante água e se o seu intestino continua a não colaborar, não faz sentido deixar chegar a um ponto de acumulação de fezes duras que podem tornar o seu dia num inferno. Dor e desconforto ao ir à casa de banho? Evite tudo isto e experimente Dulcosoft. ®

Mais informações aqui

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DULCOSOFT® Pó para Solução Oral e DULCOSOFT® Solução Oral são dispositivos médicos para amolecer as fezes duras e secas e facilitar a evacuação. A administração a grávidas e crianças com menos de 8 anos deve ser preferencialmente supervisionada por um profissional de saúde. DULCOSOFT® não deve ser tomado durante mais de 28 dias. Não tome DULCOSOFT® no caso de alergia ao macrogol 4000 ou a qualquer outro ingrediente, se tiver alguma doença intestinal inflamatória grave ou megacólon tóxico, perfuração digestiva ou risco de perfuração digestiva, íleus, suspeita de obstrução intestinal, estenose sintomática ou síndromes abdominais dolorosas de causa indeterminada. Leia com atenção a rotulagem e instruções de utilização. (5.0) [SAPT.DULC8.18.05.0329]

 

[1] Nadeem A Afzal, et al. Constipation in children. Ital J Pediatr. 2011; 37: 28.

2 Nurko S., et al, Evaluation and Treatment of Constipation in Children and Adolescents. Am Fam Physician. 2014 Jul 15;90(2):82-90.”

Nesta época do ano aprecem as gripes, constipações e tantas outras doenças que se podem fazer acompanhar por febre.

E quando a febre surge, acaba muitas vezes por ser quase um drama para os pais, quando não sabem exactamente o que fazer.

Nesse sentido, e sendo este um tema tão comum nesta época do ano, este post vem tentar dar uma pequena ajuda. Não se pretende substituir nenhuma observação médica, apenas tentar capacitar um pouco mais os pais para este tema, e transmitir algumas noções importantes.

Ainda para mais porque as ajudas existem, nomeadamente normas e folhetos da Direcção Geral de Saúde (sobre este e outros temas) dirigidos aos pais, e onde foi baseada a maior parte da informação deste post (podem consultar o folheto da DGS aqui )

Então, vamos por partes.

Primeiro, o que é a febre?

De forma simplista, a febre, não é uma doença, mas sim uma manifestação do organismo, que resulta na elevação da temperatura corporal habitualmente em resposta a uma infecção.

A partir de que temperatura consideramos febre?

A temperatura varia consoante a localização onde é medida.

– Assim, se for avaliada a temperatura rectal, considera-se febre quando acima dos 38ºC.

– Quando se avalia a temperatura axilar, apenas se considera febre acima de 37,6ºC.

– Quando avaliada a temperatura timpânica (no ouvido), considera-se febre acima dos 37,8ºC.

Como deve ser medida a temperatura?

É importante ter a noção de que existem vários termómetros no mercado e que é fundamental uma utilização adequada dos mesmos. Apesar de já existirem outras opções no mercado, os mais frequentes, e por isso aqueles que irei abordar, são o  termómetro galinstan, o termómetro digital, e o termómetro timpânico (habitualmente utilizado nos serviços de urgência por maior rapidez e comodidade). Atenção que em seguida estão resumidas as principais indicações de uso, no entanto é fundamental lerem sempre primeiro o folheto informativo que acompanhe o termómetro que adquirirem.

Termómetro digital
Termómetro Galinstan

 

Termómetro timpânico

 

TEMPERATURA RECTAL
Quando se avalia a temperatura rectal,(já agora, é este o método mais rigoroso para avaliação da temperatura corporal), deve introduzir-se a ponta flexível do termómetro  em cerca de 3 cm no ânus, num trajeto paralelo às costas da criança. Se usado o termómetro digital, a temperatura é avaliada ao sinal sonoro. Quando utilizado o termómetro galinstan, a temperatura deve ser avaliada após 3min.

TEMPERATURA AXILAR
Quando se avalia a temperatura axilar, o termómetro deve ser colocados na axila, mantendo-se o braço firmemente encostado ao tronco. Se usado o termómetro digital, a leitura, mais uma vez, é dada aquando do sinal sonoro. Quando utilizado o termómetro galinstan, a leitura deve ser realizada ao fim de 5 minutos.

TEMPERATURA TIMPÂNICA
Quando se avalia a temperatura timpânica, a sonda deve ser orientada para a membrana do tímpano e não para a parede do canal auditivo. Devem ser sempre realizadas 3 determinações seguidas e deve adotar-se o valor medido mais elevado.

Já agora, a “mão da mãe” acaba por ser também um método muito fiável para perceber se existe ou não febre, apesar de não conseguir quantificar a mesma.

Sinais de alerta

Quando uma criança tem febre, quais são os “sinais de alerta”?

Existem sinais que, apesar de nem sempre traduzirem doença grave, nos alertam, e que obrigam, quando presentes, a que a criança seja rapidamente observada por um médico.

Assim, é importante estar atento a:

– Sonolência excessiva ou incapacidade em adormecer;

– Face/olhar de sofrimento;

– Irritabilidade e/ou gemido mantido;

– Choro inconsolável; não tolerar o colo;

– Dor perturbadora;

– Convulsão;

– Aparecimento de manchas na pele nas primeiras 24 a 48 horas de febre;

– Respiração rápida com cansaço;

– Vómitos repetidos entre as refeições;

– Recusa alimentar completa superior a 12 horas;

– Sede insaciável;

– Lábios ou unhas roxas e/ou tremores intensos e prolongados na subida da temperatura;

– Dificuldade em mobilizar um membro ou alteração na marcha;

– Urina turva e/ou com mau cheiro;

– Febre com duração superior a 5 dias completos.

Na presença de um ou mais destes sinais de alerta, a criança deve recorrer a um serviço de saúde.

Sinais “Tranquilizadores”

Quando uma criança tem febre, quais os sinais ”tranquilizadores”?

Estão de seguida descritos aqueles sinais que habitualmente nos tranquilizam dado que estão, em regra, associados a doença que, apesar de poder ser incomodativa e poder necessitar de observação médica, habitualmente não se faz acompanhar de grande gravidade:

– A criança brinca e tem atividade normal;

– Come menos mas não recusa os alimentos líquidos;

– Tem sorriso aberto ou fácil;

– Acalma ao colo e fica com um comportamento quase habitual;

– Tosse seca e irritativa muito frequente, sendo o sintoma que mais perturba a criança, mas sem quaisquer outros sintomas respiratórios nem sinais de dificuldade respiratória;

– Dor a engolir associada a congestão nasal, a olhos vermelhos e/ou a tosse;

– Diarreia ligeira (ou moderada) sem sangue, muco ou pus e sem vómitos;

– Manchas vermelhas dispersas que desaparecem quando comprimidas, que surgem só a partir do 4º dia de febre.

O que fazer para ajudar a criança/adolescente com febre?

– Oferecer água e/ou leite; adequar o vestuário e a roupa da cama à sensação de frio ou de calor; respeitar o apetite;

– Se está confortável não é preciso baixar a temperatura, mas sim vigiar se surgem os “sinais de alerta” anteriormente descritos;

– Se está desconfortável, deve tomar um antipirético (que também é analgésico, pelo que também aliviará a dor);

– Não se deve fazer arrefecimento (banho, compressas, ventoinhas) para baixar a temperatura dado que não contribui nem para a resolução da doença nem para o bem estar da criança;

– Se necessário, contactar a linha 24 (808 24 24 24), ou requerer observação médica.

Antipiréticos

No que concerne aos antipiréticos a administrar, habitualmente são administrados, segundo a posologia e indicação prescritas pelo médico, paracetamol ou ibuprofeno. Não me vou debruçar muito sobre este tema, mas gostaria no entanto de deixar duas informações importantes.

  1. Não se deve dar ibuprofeno nas seguintes situações:

– idade inferior a 6 meses;

– na varicela;

– perante diarreia e vómitos moderados a graves;

– se a criança tiver uma alergia a qualquer medicamento anti-inflamatório;

  1. O objetivo do antipirético é acima de tudo aliviar o desconforto da criança e não eliminar a febre a todo o custo. Mesmo não medicada, a temperatura acabará, em regra, por baixar espontaneamente algumas horas depois. Mas voltará a subir ao fim de poucas horas, e assim sucessivamente, até a doença passar.

Quando é que uma criança/adolescente deve recorrer a um serviço de saúde em caso de febre, sem outros sintomas acompanhantes?

– Se idade inferior a 3 meses de idade (de idade corrigida se nasceu prematura);

– Se idade inferior a 6 meses com temperaturas rectais iguais ou superiores a 40,0°C;

– Em qualquer idade se tiver temperaturas axilares superiores a 40,0°C ou retais superiores a 41,0°C;

– Na presença de um ou mais “sinais de alerta”;

– Se tem uma doença crónica grave concomitante;

– Se tem febre há 5 ou mais dias, ou se a febre reaparecer após 2 a 3 dias de temperaturas normais.

Esperemos que este post vos tenha ajudado. Um bom resto de estação a todos, e sem febre!!!!!

O que é a meningite?

A meningite é a infecção das meninges, que são uma espécie de capa que reveste o cérebro e a medula espinal. Pode ser provocada por vírus ou bactérias e o seu prognóstico é completamente diferente nessas situações. No primeiro caso, trata-se de uma situação mais “tranquila”, com uma taxa de complicações extremamente baixa. No segundo, há um risco muito maior para os indivíduos afectados, podendo levar a situações de extrema gravidade.

A maior arte das meningites bacterianas em Portugal são provocada por um microorganismo chamado meningococo.

O que é o meningococo?

O meningococo é uma bactéria que pode ser muito agressiva para as nossas células. Existem 13 estirpes deste microorganismo, mas a quase totalidade das infecções são provocadas pelas estirpes A, B, C, W, X e Y.

O Homem é o único ser vivo que funciona como reservatório desta bactéria, que pode habitar na garganta de pessoas saudáveis por períodos variáveis de dias a semanas. A maior parte destes portadores assintomáticos são os adolescentes e adultos jovens, sendo que o meningococo pode depois disseminar-se para outras pessoas através de goticulas respiratórias.

Em 2002 foi introduzida no mercado português uma vacina contra o meningococo C, que passou em 2006 a ser incluída no nosso Programa Nacional de Vacinação. Desde então, a taxa de infecção por esta estirpe diminuiu drasticamente, sendo hoje em dia praticamente inexistente no nosso país. Actualmente, a estirpe mais frequente em Portugal é a B, sendo responsável por mais de 60% dos casos.

Quais são os sintomas da meningite?

Os sintomas clássicos de meningite são a febre elevada, dores de cabeça, vómitos e mau estar geral. Podem ainda surgir manchinhas na pele, que caracteristicamente são escuras e não desaparecem quando se carrega.

No entanto, estes sintomas nem sempre são evidentes logo no início do quadro, o que pode dificultar o seu diagnóstico. Trata-se de uma doença que pode evoluir muito rapidamente e que, se não tratada, pode causar a morte ou deixar sequelas graves.

O tratamento assenta num diagnóstico precoce e o estabelecimento urgente de tratamento antibiótico endovenoso adequado. Só assim e consegue evitar a progressão da doença e as suas consequências.

É possível prevenir esta infecção?

A única forma de prevenir a infecção pelo meningococo é através da vacinação. A vacina contra o meningococo C já está incluída no Programa Nacional de Vacinação, mas a vacina contra o meningococo B não. No entanto, encontra-se disponível no mercado português e pode ser adquirida por quem tiver essa vontade. Trata-se de uma vacina que está recomendado pela Sociedade Portuguesa de Pediatria e que deve ser dada a todas as crianças abaixo dos dois anos, dado ser o principal grupo de risco para desenvolver este tipo de infecção. Acima desta idade, está também recomendada, como forma de proteção individual. Para além disso, existem estudos para tentar avaliar se interfere também com o estado de portador. Se se comprovar esse efeito, consegue-se impedir a disseminação da bactéria é bloquear a propagação da doença, mas é algo que não está ainda estabelecido. Neste caso, a vacinação dos adolescentes e adultos jovens seria ainda mais importante, visto serem os principais vectores de disseminação do meningococo.

 

Por Hugo Rodrigues | Pediatra no Hospital de Viana do Castelo, autor do blogue Pediatria para Todos e autor dos livros Pediatra para Todos e Primeiros Socorros – Bebés e Crianças

15 DE FEVEREIRO É DIA INTERNACIONAL DA SÍNDROME DE ANGELMAN

Da iniciativa de um grupo de associações de pais de todo o mundo surgiu a ideia de se criar um Dia Internacional dedicado à Síndrome de Angelman, atualmente celebrado em mais de 40 países. O dia escolhido foi 15 de fevereiro: 15 pois é o cromossoma afectado na SA e fevereiro por ser o mês Internacional das Doenças Raras. A ANGEL associou-se mais uma vez a esta iniciativa, promovendo uma campanha de anúncios de imprensa para sensibilização desta patologia, para que haja um diagnóstico mais célere e, por consequência, uma abordagem de tratamento correta e mais imediata de cada caso.

Sabe o que é a Síndrome de Angelman?

Descoberta em meados da década de 60 pelo médico Harry Angelman, esta síndrome é causada, na maioria dos casos, pela ausência ou imperfeição do cromossoma 15 herdado da mãe. A doença manifesta-se por volta do sexto mês de vida, ao verificar-se nas crianças um atraso severo no desenvolvimento psicomotor, dificuldade na fala, distúrbios no sono, convulsões, movimentos desconexos e sorriso frequente, razão pela qual os portadores são conhecidos como “anjos”.

Em Portugal existem cerca de 60 casos referenciados mas estima-se que sejam cerca de 200, por dificuldades de diagnóstico.

Este é um dos principais objetivos da ANGEL – Associação Síndrome de Angelman Portugal, constituída em 2012 por um grupo de pais de portadores de SA, que sentiram a necessidade de reunir esforços para oferecerem uma vida melhor aos seus filhos.

Principais Sintomas

  • Severo atraso do desenvolvimento
  • Incapacidade de falar, com nenhum ou quase nenhum uso de palavras
  • A criança comunica mais pela capacidade compreensão de seus atos do que pela expressão verbal
  • Problemas de movimento e equilíbrio
  • Crises convulsivas
  • Incapacidade de coordenação dos movimentos musculares voluntários ao andar e/ou movimento trêmulo dos membros
  • Frequente combinação de riso e sorriso, com uma aparência feliz – embora este sorriso permanente seja apenas uma expressão motora
  • Personalidade facilmente excitável, com movimentos aleatórios das mãos, hipermotricidade e incapacidade de manter a atenção
  • Atração/fascínio pela água (by wikipedia)

No ano passado a Associação lançou um livro infantil que retrata a Síndrome de Angelman a partir dos olhos de um menino que conhece um “anjo” pela primeira vez.

Pode ser encomendado por qualquer pessoa através do link https://pt.surveymonkey.com/r/XYN8ZGB.

JÁ É POSSÍVEL APOIAR A ANGEL ATRAVÉS DA REDE MULTIBANCO

Desde o dia 1 de fevereiro, a ANGEL passou a ser uma das instituições beneficiárias do serviço Ser Solidário da SIBS. Com este serviço, qualquer cidadão detentor de um cartão bancário pode transferir donativos de forma totalmente gratuita, fiável e segura para apoiar a missão da ANGEL, através das 12 mil caixas automáticas da rede Multibanco. Basta selecionar a opção Transferências, seguida da opção Ser Solidário e finalmente selecionar a ANGEL. Os donativos são elegíveis para dedução fiscal, usando como comprovativo o recibo impresso no Multibanco, com o NIF inserido pelo utilizador.

síndrome de angelman

Saiba mais em www.angel.pt e no facebook e instagram

 

Como falar sobre o cancro às crianças

A doença chega muitas vezes sem avisar e a oncológica não escapa à regra. Instala-se matreira, à socapa e muitas vezes é detetada já num estágio avançado.

E se para um adulto o diagnóstico chega acompanhado dum enorme pesar, rodeado de porquês e emoções difíceis de compreender, explicar à criança esta doença é uma missão extremamente difícil para qualquer pai ou mãe, por várias e compreensivas razões.

Numa fase inicial após o diagnóstico é comum surgirem as grandes preocupações: “será que tem cura?” “como vai ser com os meus filhos ?” serão talvez as questões que mais passam pela cabeça de quem recebe o diagnóstico, associadas sentimentos de medo e de profunda tristeza.

De forma protetora a pessoa pode então fazer alguma dissociação da situação, distanciando-se do problema. É como se estivesse a ver um filme, algo que não é real e em que não é o(a) protagonista. Este evitamento da doença pode perdurar mais ou menos tempo, mas a confrontação com a necessidade de tratamento ou de intervenção cirúrgica vem deitar por terra este provisório faz de conta.

E se até então por vezes se esconde das crianças a doença, é aqui que se revela inevitável comunica-la e falar com os filhos. Vêm as noites em branco ou mal dormidas a ensaiar mentalmente o que se vai dizer.

O primeiro cuidado que qualquer pai ou mãe deve ter antes de falar com os seus filhos sobre a doença é informar-se previamente, recolhendo dados de forma realística e científica, mas tendo presente que o que é verdade em ciência hoje pode não ser amanhã. Quer isto dizer que, um diagnóstico reservado pode vir a não ter o desfecho inicialmente previsto e nos moldes teoricamente esperados. Fale claramente com o seu médico, informe-se sobre o delineamento do tratamento, o que é suposto acontecer e esclareça o mais possível todas as suas dúvidas.

Quando sentir que está preparado, explique então às crianças “traduzindo” os conceitos e ajustando a linguagem e a terminologia usada à idade e à capacidade de entendimento. E se não existe uma receita padronizada sobre a melhor forma de explicar a doença oncológica para cada faixa etária, é fundamental que o que dizemos e como o dizemos seja compreendido pela criança. Dito de outra forma, não será necessário inundar a criança com informação excessiva e que ela não consegue processar, mas há que garantir que não ficaram dúvidas, fazendo-o com a maior tranquilidade possível. Não há melhor alimento do medo que a incerteza.

É igualmente importante evitar o contágio emocional. Se o progenitor estiver assustado ou demasiado ativado emocionalmente isso irá ser passado à criança. É certo qua a situação não é fácil, mas é importante manter a esperança e a fé possível num desfecho menos complicado.

Em função do estágio de desenvolvimento da criança assim o diálogo deve ser ajustado. Até cerca dos 3 ou 4 anos a criança não consegue conceptualizar esquemas complicados sobre o que é uma doença. Explicar que tem um “doi-doi” ou que a mãe ou o pai tem um “doi-doi” e que é preciso tomar remédio para ajudar a ir embora será a abordagem mais adequada. Mais do que grandes explicações e por muito aterradora que a doença se imponha, é importante que a criança se sinta segura e muito amada, como, aliás, em qualquer idade.

Para crianças um pouco mais velhas a explicação pode ser um pouco mais detalhada, ainda que com recurso a conceitos simples. Podem ser descritos alguns problemas e sintomas associados à doença, como por exemplo, a necessidade de ir com uma determinada frequência ao hospital para tratar a doença, a necessidade de repouso, as indisposições, o desconforto. Um dos pontos que mais impacto pode ter, pelas consequências no visual da pessoa, é a perda de cabelo. Permita-se encarar com a leveza possível este acontecimento e use a sua criatividade para “dar a volta” á situação. As explicações podem ser complementadas com vídeos ou com literatura infantil. Atualmente já existe algum material de qualidade e que é facilitador neste processo.

A partir dos 7 anos a criança já começa a conseguir entender os conceitos mais concretos associados à doença. Por outro lado começa a desenvolver características emocionais e relacionais mais sólidas. Pode, então, ser mais explicativo mas prepare-se, também, para mais perguntas e para o soltar das emoções. Esta fase é talvez a mais difícil para as crianças, em termos de compreensão, quer se trate da sua própria doença ou de um familiar.

Em tempos, numa festa do dia da família de uma escola, reparei numa criança que chorava. Alguns colegas estavam junto a ela, dando-lhe carinho e ajudando da forma que sabiam e conseguiam. Dirigi-me até ela e na medida em que me permitiu aproximar abracei-a e procurei perceber a razão de estar a chorar. No meio dos soluços, lá explicou que estava triste porque as mães dos outros meninos estavam lá e a mãe dela não porque estava doente. Falámos um pouco sobre a doença e expliquei-lhe que se ela quisesse mãe poderia estar sempre com ela, pois o amor da mãe estava no seu coração. Sim, a presença não é só física e aquela criança percebeu que apesar de a mãe não estar ali, ela poderia sentir a sua presença e o seu amor quando pensava nela com carinho.

Na adolescência o problema pode ser explicado com mais detalhes técnicos e de forma menos fantasiosa. Nesta fase da vida o entendimento da doença oncológica já é relativamente próxima da compreensão e da lógica do adulto. Pode até resultar numa maior aproximação e união entre os vários elementos da família. É comum os jovens passarem a estar mais presentes e a valorizar mais os momentos passados em conjunto.

Tenha presente que, atualmente, a informação está acessível á distância de um clique, mas que nem sempre é a mais adequada ou com a qualidade desejável. Por isso não omita o essencial e o fundamental dentro das possibilidades de compreensão da criança. Tenha atenção às conversas paralelas ou com outros adultos na presença das crianças. As crianças, mesmo a brincar, têm as “atenas sincronizadas” na conversa dos adultos. Evite que sinta que se passa algo que lhe estão a ocultar.

E permita-lhe que questione e que expresse as emoções. Fazer de conta que não se passa nada de grave é, no mínimo, ambíguo e confuso. Dê “colo” e receba o “colo” que, também, precisa. E se possível, permita-se sorrir e fazer sorrir. Uma atitude facilitadora pode fazer a diferença na aceitação consciente da doença por toda a família.

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