Todos somos mediadores da leitura

Há uns tempos a minha filha foi comprar uma garrafa de água e achou muita graça quando viu escrito no rótulo “és a melhor contadora de histórias mesmo que não saibas fazer as vozes” e claro que a guardou para me presentear com esta bela mensagem!

Adorei, rimo-nos todos, mas deixou-me a pensar.

Muitas vezes, nas minhas sessões com famílias, ou mesmo nas escolas muitas pessoas dizem-me “não tenho jeito para contar histórias”.

Eu sou contadora de histórias e mediadora da leitura por prazer, por vontade e com mais conhecimento, formação e experiência por o fazer profissionalmente. Mas, pais, educadores, professores e todos os adultos que contam histórias às crianças são mediadores da leitura.

Porquê?

Porque constroem pontes entre o livro e o leitor e todos aqueles que facilitam o acesso das crianças e jovens aos livros o são.

Uma das funções de um mediador da leitura é ajudar a ler por prazer, diferenciando a leitura obrigatória da leitura voluntária. Esta é uma tarefa sobretudo para pais, famílias, prestadores de cuidados, professores, educadores e comunidade escolar.

Como pais ou profissionais da educação há que estar atento na hora da escolha dos livros, escolher com critério e ter em atenção para disponibilizar às crianças e jovens livros diversificados e de qualidade. Mas, na hora de contar a história, é muito mais importante o empenho e a vontade com que se conta, o ambiente intimista e de afetividade que se cria, pois são essas as bases das pontes criadas entre o livro e o leitor. Mesmo que não saiba “fazer as vozes”, há que criar momentos de contacto entre a criança, o livro e o leitor, de afetividade e de partilha no dia-a-dia.

Boas leituras!

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Verdade, mentira ou imaginação?

“A mãe disse que vai comprar um mano para pôr na barriga. Depois eu vou pegar nele e brincar, tomar conta!.”

Como foi que disse? Não, a mãe não proferiu tal coisa. E posso garantir isso porque a mãe sou eu e desta boca jamais sairia tal coisa.

Pois é, mas quem assistiu à conversa não o sabe e olhou-me em pânico: que mãe é esta que diz este tipo de coisas à criança? Pois é, sou mãe de uma criança de dois anos, quase três. Como uma imaginação do tamanho do seu coração, ou seja, enorme.

Lembro-me de a minha mãe contar que passei por uma fase destas, mas um pouco mais crescida. Quando ela me perguntava sobre o meu dia dizia coisas como “foi lá um elefante azul à escola e tocou viola” e coisas do género.

Como se já fizéssemos pouco, ainda temos de saber distinguir a verdade da imaginação e, mais importante ainda, da mentira.

Percebi que se desse por uma ferida nova e perguntasse por ela a Mariana demorava uns segundos a dar-me um culpado. Foi o David. Foi o Matias. Foi a Bia. Era sempre alguém, nunca tinha sido ela que tinha caído, tropeçado, ou algo do género. Outro pai qualquer poderia ter começado a fazer contas à vida e ficado preocupado, afinal todos os dias havia alguém a maltratar a minha filha. E havia: ela própria, com a sua energia inesgotável, com a sua vontade de trepar a tudo, de não parar quieta. Claro que há dias em que alguém a arranhou, mordeu, puxou os cabelos, deu um pontapé. Infelizmente uns dias é ela quem recebe, nos outros dá. Tento corrigir o comportamento, explicar que não se faz, ensinar estratégias para quando lhe batem e para quando tem vontade de bater. Mas o cérebro dela ainda está a desenvolver-se e temos de dar um desconto. Eles acabarão por conseguir lidar uns com os outros e com as frustrações comunicando sem força física.

Depois há aquelas que os ingleses chamam de white lies, as mentirinhas sem grande importância e que detecto em meio segundo, quando lhe pergunto se já fez xixi e me responde que sim, mas com cara de malandra. Sei que daqui para a frente só vai piorar. Vamos passar pela fase do “sim, mãe, já lavei os dentes”, “sim, mãe, estive a tarde toda a estudar”, “sim, mãe, desculpa, tinha o telemóvel sem som quando ligaste”, “sim, mãe, almocei na escola e aquele peixe no forno com batatas assadas estava delicioso”, “sim, mãe, sabes que eu não fumo, o cheiro na minha roupa é delas, que estão sempre a fumar, mas eu odeio”.

Ainda só estou preparada para metade delas, mas tenho tempo quando lá chegar.

Preocupa-me, isso sim, quando não conseguimos distinguir a mentira da imaginação e a tomamos como uma verdade. Devemos confiar nos nossos filhos, mas temos acima de tudo de os conhecer. De reconhecer as suas fragilidades, os seus defeitos, o seu modo de lidar com as coisas.

De os ouvir.

De perguntar até percebermos realmente tudo.

De lhes mostrar que nos podem contar sempre a verdade, por menos boa que ela seja.

Esperar que não se habituem à mentira fácil.

Desejar o melhor.

Sempre.

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O mundo necessita cada vez mais e mais de criatividade compassiva para que sejam resolvidos os problemas com que somos confrontamos no dia a dia. A criatividade e as pessoas criativas podem não ter sempre todas as respostas, mas colocam em causa, questionam as situações e pensam em alternativas e melhorias. Descobrem e desenvolvem possíveis respostas. Habitualmente fazem questões pertinentes, de qualidade e interesse para todos. São otimistas e combinam a criatividade com a compaixão e a empatia para que o resultado seja pleno de força positiva e boa.

O ensino com e através da criatividade é muito importante se desejamos uma boa vida para todos os que nos rodeiam. A criatividade é geralmente vista como uma característica ou disposição inata. Na verdade todos temos este princípio, resta desenvolvê-lo. Muitos pais e professores desacreditam que tal seja verdade. Têm por hábito ver a criatividade como um dom artístico, material é palpável. Em verdade, boas ideias para resolver problemas ou conduzir a vida de modo saudável e harmonioso também usam a criatividade. Ensinar a criança que a criatividade está presente e como a desenvolver, oferece em paralelo um bónus interessante, ou seja o desenvolvimento da auto estima, a auto afirmação que é poder pessoal. Se a criança cresce com sentimento de poder pessoal, rapidamente percebe o seu potencial inato e criado pelas matérias da escola, entende as suas melhores características inatas e desenvolvidas e firma com coragem e certeza o que quer fazer. É uma criança destemida, valente, confiante e que quer aprender, desenvolvendo a cada dia mais valências e participando em experiências de aprendizagem sem medo ou recusa.

Felizmente o conceito está a mudar, mas em muitos locais do mundo a cultura de ensino e desenvolvimento apoia-se em bases negativas de repetitividade, coação ou autoridade. Se as crianças crescem num ambiente altamente controlador, cheio de proibições e pressões é natural que as crianças retardem as suas características inatas, nomeadamente a expansão de criatividade. As tendências naturais da idade, como a aventura,  a espontaneidade e as experiências tornam-se suprimidas e apagadas.

Algumas crianças mais hiperativas ou de carácter mais vincado resistem a esta educação restritiva e controladora, mas cedo serão apontados como crianças problema. Tragicamente muitas crianças, por medo ou respeito à autoridade imposta acomodam-se e nunca desenvolvem o seu mais alto potencial. Aceitam tudo o que lhes é dito como verdade, aceitam todas as situações e ao final de alguns anos verificam o quanto este ambiente os levou a escolhas e opções de vida completamente afastadas da vontade das suas almas. O equilíbrio é necessário, a metodologia educacional quer em casa quer na escola deve abrir, reformular e aceitar novos rumos.

A criatividade oferece boa disposição, abre a mente, aceita a diferença e promove a apreciação individual e de grupo. A criatividade deve ser, no meu ponto de vista, transversal a todos os itens da educação da criança e do jovem, seja pela mão dos pais e em família, seja através dos professores e na escola. Quem fala, ensina, e pode fazê-lo de várias maneiras, de certo com a criatividade incluída tudo fica mais leve e mais positivo: é assim perto da natureza da criança. Esta é a diferença que faz oferecer o nosso tempo com qualidade e conteúdo seja em que situação ou profissão. Cada pedido que uma criança faz, cada momento que se comporta de um modo diferente que não estamos preparados para receber, cada dificuldade que um jovem apresenta e não realiza o que lhe é pedido é sempre um desafio à nossa criatividade.

As limitações abrem a porta a criatividade pois esta é uma das melhores maneiras para ultrapassar a questão e com boa disposição. Os limites são um reino onde cada uma poderosa operar, mas também encarar como um desafio a ser ultrapassado com criatividade, seja uma dificuldade criança, jovem ou adulta. Podemos copiar e seguir estratégias já expostas por aqueles que tiveram dificuldades e as ultrapassaram com criatividade ou podemos utilizar o nosso caminho mais pessoal e que alegria a transformação e soluções.

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Uma criança não nasce para estar sentada a ver televisão ou agarrada aos gadgets. Uma criança não quer estar calada o tempo todo.

Uma criança saudável é espontânea, barulhenta, inquieta, emotiva e colorida

As crianças gostam de se mexer, de explorar, de experimentar coisas novas, criar aventuras e descobrir o mundo que as rodeia. Estão a aprender e são como esponjas, são brincalhonas natas, caçadoras de tesouros e potenciais furacões.

As crianças são livres, são almas puras que tentam voar e não querem ficar num canto amarradas ou com algemas. Não as façamos escravas da vida adulta, da pressa e da nossa escassez de imaginação.

Não as apressemos para o nosso mundo de desencanto. Tentemos potencializar a sua capacidade de se surpreender. Precisamos de garantir que tenham uma vida emocional, social e cognitiva rica de conteúdos, de perfumes de flores, de expressão sensorial, de alegrias e de conhecimentos.

O que se passa no cérebro de uma criança quando brinca?

Brincar traz benefícios para as crianças a vários os níveis (fisiológico-emocional, comportamental e cognitivo).
De facto, podemos falar de diversas repercussões inter-relacionadas com o brincar:

  • Regula o estado de ânimo e ansiedade das crianças
  • Favorece a atenção, a aprendizagem e a memória.
  • Reduz a tensão dos neurónios, favorecendo a tranquilidade, o bem-estar e a felicidade.
  • Magnifica a motivação física, e graças a esse factor, os músculos reagem dando mais motivação para continuar a brincar.

Isto favorece um estado ótimo para a imaginação e a criatividade, ajudando-as a aproveitar a fantasia que as rodeia.

A sociedade tem vindo a alimentar a hiperparentalidade, ou seja, a obsessão dos pais para que seus filhos alcancem habilidades especificas que garantam uma boa profissão no futuro. E enquanto sociedade e educadores, acabamos por nos esquecer de que o valor humano não se mede pelas avaliações escolares, e que se não abrandarmos o nosso empenho de priorizar os resultados, estamos a descuidar algumas habilidades de grande importância para a vida.

Os nossos filhos são pessoas pequenas que precisam de ser amadas independentemente de tudo. Não se definem pelas suas conquistas nem fracassos, mas sim por elas mesmas, únicas por natureza.

Enquanto crianças não somos responsáveis pelo que recebemos na infância mas, como adultos, somos totalmente responsáveis pelo que proporcionamos aos nossos filhos.

Simplificar a infância da criança, educar bem

A expressão “cada pessoa é única” precisa urgentemente de ser interiorizada. É uma expressão muito aplicada, mas na prática o que se verifica é uma tentativa de educar todas as crianças segundo as mesmas regras.
Este erro é muito generalizado, muito comum e nada coerente com a expressão oral aplicada.

Kim Payne, professor e orientador norte-americano, afirma que estamos a criar os nossos filhos com base em quatro perigosos pilares:

  • Excesso de Informação
  • Excesso de coisas
  • Excesso de Opções
  • Excesso de Velocidade

Impedimo-los de explorar, refletir ou libertarem-se da pressão imposta pela vida quotidiana. Estamos a empanturra-las de tecnologia, de brinquedos e de atividades escolares e extracurriculares.
Estamos a distorcer a infância e, o que é mais grave, é que estamos a impedir os nossos filhos de brincarem e de se desenvolverem.

Atualmente, as crianças passam menos tempo ao ar livre (muito menos). Por quê? Porque as mantemos “entretidas e ocupadas” noutras atividades que achamos mais necessárias, procurando que fiquem limpos e não se sujem de barro. Isto é inaceitável e, acima de tudo, extremamente preocupante. Analisemos algumas razões pelas quais precisamos mudar:

  • O excesso de higiene aumenta a possibilidade de que as crianças desenvolvam alergias, tal como demonstrou uma pesquisa do hospital Gotemburgo, na Suécia.
  • Não permitir que brinquem ao ar livre é uma tortura que enclausura o seu potencial criativo e de desenvolvimento.
  • permitir que se mantenham colados aos gadgets é tremendamente prejudicial a nível fisiológico, emocional, cognitivo e comportamental.

Podíamos continuar, mas realmente neste ponto, acredito que a maioria de nós já tenha encontrado inúmeras razões que mostram que estamos a destruir a magia da infância.

Como afirma o educador Francesco Tonucci:

“A experiência das crianças deveria ser o alimento da escola: a sua vida, as suas surpresas e as suas descobertas. O meu professor pedia sempre que esvaziássemos os bolsos antes da aula começar. Porque estavam cheios de testemunhas do mundo exterior: bichos, cordas, cromos, berlindes, etc que seriam potenciais distratores durante a aula. Atualmente devíamos fazer o oposto: pedir às crianças esvaziassem os bolsos na mesa da sala de aula. Assim seria possível integrar as crianças com os seus conhecimentos e trabalhar à sua volta”.

Esta, sem dúvida, é uma forma muito mais sadia de trabalhar, de educar e de garantir o seu sucesso. Se em algum momento nos esquecermos, deveríamos ter a seguinte nota mental muito presente: “Se uma criança não precisa de tomar banho com urgência mal entra em casa, é porque não brincou o suficiente”.

Esta é a premissa fundamental de uma boa educação.

 

Por Raquel Brito, publicado em A mente é maravilhosa

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Escrita criativa para crianças, o despertar do potencial interno e o sucesso na escola

Escrita criativa é uma disciplina que existe para adultos e crianças.

Em ambos os casos oferece desenvolvimento do potencial interno ao nível criativo e dos dons que cada um tem por nascimento. Ensina os motivos e benefícios que a escrita oferece, como comunicar bem e nos 2 sentidos, ou seja, o que escreve exprime-se de modo que se entenda e o que lê, entende perfeitamente a mensagem. São momentos de ensino e aprendizagem de Português e de apoio escolar num modelo sério e divertido.

A escrita criativa pode ser utilizada para entretenimento ou aprendizagem ajudando assim o aluno a interiorizar os conceitos mais rápida e facilmente. Outro dos aspectos igualmente importante é o trabalho ao nível das emoções uma vez que através desta técnica é possível ajudar a criança a exteriorizar os sentimentos que verbalmente não consegue exteriorizar ajudando-a, assim, a entender-se mais e melhor bem como a todos que a rodeiam. Uma vez colocadas em palavras as emoções ganham outra leveza e podem até desaparecer se não forem positivas. 

É possível escolher um conjunto bastante alargado de temáticas que servem de apoio à estas aulas, como por exemplo, a família, o reino animal e seus benefícios no mundo da criança, o reino vegetal, os afetos, a criatividade, as disciplinas extra curriculares em especial o teatro, entre outras.

Com este trabalho alargamos o universo cultural da criança, ajudamos a trabalhar positivamente as suas crenças e emoções, desenvolvemos a capacidade de escrita, desenho e pintura como meio de expressão e exteriorização do seu Ser e servimos como incentivo para desenvolver e promover a capacidade e aproveitamento na disciplina de Português (este último para idades que frequentam esta disciplina).

Com esta técnica a criança aprende bastante sobre emoções positivas e como as usar na grande maioria dos casos, aprendendo que crianças alegres tem sempre melhores opções e resolvem tudo mais facilmente, bem como as emoções negativas, para que aprendam a ajudar os colegas quando algo acontece. Aprender a estar em grupo e em empatia ajuda cada um individualmente e todos em geral proporcionando um crescimento para simpático e eficaz.

Momentos alegres a contar histórias, usar palavras fora do comum, entender as emoções associadas, usar metáforas, jogar, fazer mini-teatro, entreter os demais, exteriorizar sentimentos e emoções, desenvolver a verbalização, resolver bloqueios, cultivar a auto estima, brincar e aprender, descobrir dons e socializar são alguns dos pontos fortes destas aulas, Escrita Criativa.

As aulas ocorrem em ambiente de:

1-paz, tranquilidade, música ambiente

2- exercícios de aprendizagem e lúdicos

3-partilha de grupo

4-avaliação individual 

Os exercícios possíveis e em termos práticos são:

1 – escrever uma peça de teatro, com mínimo de duas personagens, que transmita uma ideia muito importante que a criança considera relevante na vida do planeta terra e de sua família (animais incluídos). Este exercício é adequado para crianças com sete ou mais anos de idade. 

2 – escrever uma noticia curta que revele uma demonstração de afeto com impacto na família da criança, mas que sirva também de exemplo em outras famílias. Este exercício é adequado para crianças ente os cinco e os sete anos. Pode haver e orientação ajuda do professor.

3 – colorir um desenho. o desenho é entregue a criança pre-desenhado e deve refletir amor pela natureza. Do desenho faz parte uma frase curta e demonstrativa do tema e as letras devem estar abertas em escrita de impressa para poderem ser pintadas. Este exercício é adequado para crianças dos dois aos cinco anos.

Muitas das crianças hoje em dia têm dificuldades em puxar pela criatividade e encontrar temas sobre os quais brincar, escrever, desenhar ou falar. Noto isso diariamente, seja em crianças que frequentam o 1º e 2º Ciclo, ou até adolescentes.

Isto pode dever-se ao excesso de estímulo visual dos jogos, da televisão, e até dos próprios brinquedos. Os brinquedos actuais não dão grande margem para imaginar para além do que ali está.

Antigamente pegávamos num ramo de uma árvore e construíamos uma fisga, ou uma varinha mágica, ou construíamos uma casa em lego e imaginávamos as diferentes divisões, onde seria a cama, a mesa, e até as portas.

Hoje em dia os brinquedos já vêm com todas estas partes incluídas, que nos dão espaço para a construção, mas pouco para a imaginação do contexto e do brinquedo em si.

As bonecas e todos os brinquedos são incontáveis, com vestidos elaborados, pormenores físicos em detalhe e todos os acessórios necessários à disposição.

Quem é que ainda faz vestidos para as suas bonecas?

Quem é que ainda faz casinhas com paus ou ramos, ou panos a fingir de tendas para brincar aos índios?

Quem é que ainda recorta caixas de cartão, usa revistas velhas ou faz uma papa de terra e folhinhas para fingir que é uma bela sopa?

Quem é que prefere inventar estas brincadeiras em vez de brincar com os brinquedos que já estão feitos?

Tenho a certeza que há muitas crianças que gostariam de o fazer, e algumas provavelmente já o fazem. No entanto, quando chega à parte da imaginação, muitas delas têm dificuldade em desenvolver um tema específico.

E isto torna-se muito evidente em contexto escolar.

Hoje proponho a realização de duas actividades muito simples, em que podemos utilizar um brinquedo ou objecto, ou simplesmente puxar pela imaginação sem nenhum suporte.

São duas actividades que estimulam a criatividade e ao mesmo tempo desviam o pensamento de pormenores que podem estar a influenciar de forma negativa o dia-a-dia, ou podem mesmo reflectir a emoção ou pensamento da criança numa determinada altura:

  1.  Pedir à criança que pense num local que seja sinónimo de tranquilidade e segurança para si. Depois pedimos para fechar os olhos e imaginar que se encontra nesse local (ex: a praia, o campo, a escola, casa, etc). O pensamento positivo pode ser explorado “até à exaustão”. Isto é, como se sente nessa altura (física e emocionalmente), o que tem vestido, com quem está, quais são os sons que ouve, as formas e cores que vê, o que sente na pele (o que consegue tocar com as mãos ou os pés, se está frio ou calor…), os cheiros à sua volta, se consegue saborear alguma coisa. O objectivo é redireccionar os cinco sentidos para um momento de relaxamento e criatividade, para que a criança perceba que pode imaginar aquilo que quiser dentro da sua cabeça, sendo o pensamento um momento só seu. Os detalhes não precisam de ser verbalizados pela criança, mas a orientação do adulto neste tipo de tarefa é importante.
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  2. De seguida podemos experimentar ir um pouco mais longe. Vamos pegar numa imagem ou objecto simples (por exemplo uma maçã, uma goma, um desenho de um animal, ou uma planta, uma paisagem, ou uma pessoa) e criar/ contar uma história a partir da mesma. As perguntas podem ser várias, sendo o objectivo, a criação de uma história original. Podemos pedir para pensar no nome da personagem ou objecto, quantos anos tem, onde vive, a quem pertence, o que gosta de fazer, o que come, o que bebe, quem são os seus amigos, se anda na escola, o que esteve a fazer antes e o que irá fazer a seguir, o que está ali a fazer, em que estação do ano está… Enfim, todas as perguntas possíveis que permitam criar um ambiente que rodeie aquela imagem ou objecto. Podemos no final sugerir um desenho que envolva a imagem/objecto, tendo em conta os pormenores que foram dados.

Ao realizar estas actividades simples, estamos a promover a criatividade na criança, a vontade e o desejo de imaginar para além do que lhe é imposto diariamente.

Este ou outro tipo de brincadeira pode ser muito útil para tarefas futuras, em que a criança deve puxar pela imaginação para escrever uma história ou simplesmente para brincar num mundo que é só seu.

Todos os pais estão convidados a experimentar fazer o mesmo para si próprios.

Todos os pais estão convidados a voltar ao seu tempo de infância, a dar largas à imaginação e a brincar com os seus filhos de forma livre e descontraída.

Vamos ver como se sentem no final.

Afinal, o exemplo é o melhor caminho para a educação!

imagem@institutoinsight