Tirar a chupeta sem dramas, é possível?

A sucção é um reflexo oral inato e primordial que surge e se desenvolve ainda dentro da barriga da mãe.

Enquanto Terapeuta da Fala, nas consultas iniciais questiono necessariamente ‘’usa chupeta?’’, ‘’chucha no dedo?’’, ‘’bebe pelo biberão?’’. Na maioria das vezes a resposta a todas as questões é ‘’não, já deixou de usar há muito tempo’’. Quando o sentido da conversa muda e se questiona o reportório alimentar, pedindo que descrevam o que a criança come e bebe durante um dia, lá vem com alguma frequência o ‘’leitinho no biberão, na caminha de manhã’’. O cenário é semelhante quando se descreve a rotina do dia-a-dia ou a rotina do sono, quando chega a casa depois da escola lá vem o dito ‘’bocadinho com a chupeta’’ ou ‘’a chupeta só para se deixar dormir’’.

A realidade é que a maior parte dos encaminhamentos realizados para terapia da fala estão relacionados com alterações na articulação. Quando avaliamos, acabamos por verificar alterações estruturais, palato duro alto, alterações na oclusão como a mordida aberta, mastigação e deglutição adaptadas, respiração oral, assimetrias posturais e tudo isto muitas vezes decorrente do uso prolongado de chupeta, sucção digital e/ou biberão e que torna necessária uma intervenção multidisciplinar.

Começando pelo início… O que é a sucção e qual a sua importância?

A sucção é um reflexo oral inato e primordial que surge e se desenvolve ainda dentro da barriga da mãe. Nos prematuros, dependendo do tempo de gestação, a maturação deste reflexo é realizado fora da vida uterina. Nestes casos é pertinente a avaliação e intervenção do terapeuta da fala para a promoção da organização do padrão de sucção.

Quando pensamos em sucção, imediatamente vem a ideia de amamentação e alimentação do bebé. Para além da função nutritiva, o reflexo de sucção encaixa-se dentro das funções estomatognáticas, sendo um mecanismo neuromuscular complexo que contribui para o crescimento craniofacial e desenvolvimento neuromuscular das estruturas orofaciais utilizadas durante a mastigação, deglutição, respiração e fala.

É importante lembrar que os músculos e estruturas utilizadas quando a criança realiza sucção, são os mesmo que irá utilizar para falar, mastigar, deglutir e respirar.

Neste sentido, este reflexo prepara os músculos e estruturas da face – lábios, língua, bochechas, palato, mandíbula – para as etapas seguinte de diversificação e introdução alimentar, comer com a colher, beber pelo copo e falar.

Associado ao reflexo de sucção poder-se-á encontrar hábitos orais de sucção normais, como a amamentação e hábitos orais nocivos como sucção digital, chupeta, bruxismo (ranger os dentes), onicofagia (roer as unhas), mordida de objetos e padrão de respiração oral, por exemplo.

Quando o período de retirada de um hábito oral é tardio não acompanhando o desenvolvimento global da criança pode ser classificado como compulsivo.

Existirá alguma relação entre a amamentação, tetinas e chupeta?

É hoje geralmente defendido que a chupeta poderá interferir com a amamentação. A amamentação promove a respiração nasal, a oclusão normal e o crescimento facial.

Ainda que existam inúmeras tetinas que se assemelhem o peito da mãe, mamar no peito da mãe é muito exigente. O bebé tende a realizar mais forço e a dispensa de energia é maior comparativamente à amamentação com o biberão.  Caso o bebé ainda se esteja a adaptar à sucção no peito da mãe, se for introduzida chupeta ou biberão, poderá surgir a confusão de bicos. Torna-se comum que  quando colocado à mama o bebé se mostre irritado, chorando e recusando morder o bico. Isto acontece pela maior dificuldade em mamar comparativamente à sução da chupeta ou biberão.

Como nos primeiros dias, os pais ainda se estão a adaptar às novas rotinas, o stress, a ansiedade, a privação de sono, a subida de leite e mamilos gretados poderão fazer com que desistam da amamentação, por pensarem, por exemplo, que o leite não é suficiente. É importante que saibam que existem diversos profissionais devidamente formados em aconselhamento em aleitamento materno a que podem recorrer nesta situação, a amamentação não tem que ser um processo doloroso, por vezes pequenos ajustes são suficientes para ultrapassar algumas dificuldades.

Mas afinal, devem ou não as crianças utilizar chupeta? Chupeta sim ou não?

O uso de chupeta assim como a idade a partir da qual deve ser retirada continua a ser um tema controverso.

Os hábitos de sucção não nutritiva, chupeta e sucção digital, estão interligados com a satisfação afetiva, conforto e segurança da criança.

O uso de chupetas/ sucção digital, biberão de forma prolongada poderão ser considerados nocivos. Poderão comprometer crescimento craniofacial em termos ósseos e musculares, alterar a forma das arcadas dentárias, o posicionamento da língua, o contacto labial e, consequentemente, prejudicar as funções de fala, mastigação, deglutição e respiração. O grau de alterações funcionais provocadas pelos hábitos orais está diretamente relacionada com a intensidade, frequência e duração da sua utilização.

O uso de chupetas/ sucção digital, biberão de forma prolongada poderão ser considerados nocivos e comprometer crescimento craniofacial em termos ósseos e musculares

Apesar de se falar na maioria das vezes apenas nos malefícios da chupeta, esta também tem um papel regulador. Este poderá ser importante para o desenvolvimento da criança, na medida em que poderá contribuir para a estabilidade emocional, estimular a sucção e facilitar a digestão, mais significativo ainda se se tratar de uma criança prematura.

Atualmente, devido à inúmera quantidade e variedade de chupetas que existem no mercado, a escolha nem sempre é fácil. Na hora da escolha é importante optar por uma chupeta/ tetina com bico ortodôntico e com tamanho ajustado à boca do bebé. O tamanho do bico deve acompanhar o crescimento e desenvolvimento maxilofacial do bebé, de modo a evitar alterações. O material da tetina poderá ser látex ou silicone, sendo que o último exige uma força de sucção maior. O tipo de material vai depender da maturação e organização do padrão de sucção do bebé.

A utilização da chupeta, como quase tudo, deve ser com ‘’conta, peso e medida’’. Para além disso, é fundamental estar informado sobre as consequências que o uso prolongado destes hábitos poderão trazer para o desenvolvimento da criança.

Então, ‘’Quando e como tirar a chupeta / biberão?’’

Convencer uma criança a tirar a chupeta ou biberão ou chuchar no dedo nem sempre é fácil e pode tornar-se uma verdadeira batalha. De facto, estamos a querer acabar com um/a amigo/a, algo que a criança gosta e a acalma.

A idade da retirada destes hábitos é um assunto controverso, sendo geralmente referidos os 2/3 anos. Efetivamente, quanto mais cedo ocorrer a eliminação deste tipo de hábitos maior a probabilidade de corrigir ou atenuar as alterações. Principalmente se ocorrer ainda durante a fase de dentição decídua. No entanto é preciso não esquecer de olhar para a criança como um todo. Tendo em conta que estamos a querer acabar com algo que gosta e acalma. Estamos a querer tirar a chupeta. Por exemplo se tentarmos fazê-lo em simultâneo com o desfralde ou até na altura em que tem um irmão/ã poderá não ser o momento oportuno.

Estratégias para abandonar o uso de chupeta/ biberão:

Analise bem a altura em que vai iniciar a retirada. Evite retirar quando estão a acontecer outras mudanças (ex.: desfralde, mudança de rotinas, mudar de quarto, cirurgias, entre outros). Aproveite oportunidades em que note alguma redução/desinteresse pontual pela chupeta/biberão.

Converse com a criança e inclua-a no processo!

Explique que já está a ficar crescida e que a chupeta/biberão vão fazer mal aos seus dentinhos. Pode mesmo mostrar fotos de alterações dentárias causadas pelo uso prolongado.

Ideias e dicas para tirar a chupeta :

  • combinem que vão deixar a chupeta na árvore das chupetas (existe uma na Quinta Pedagógica dos Olivais);
  • oferecer a chupeta/ biberão ao pai natal, coelho da páscoa, à fada das chupetas, etc. Ou até uma personagem que a criança goste para dar a outro menino ou bebé que precisa. Como agradecimento a personagem pode deixar uma surpresa. Crie uma história criativa à volta desse acontecimento. “A fada das chupetas levou a tua durante a noite para dar a outro bebe porque tu já estás crescido/a”.
  • Preparar leite e bolachas para o pai natal e deixar a chupeta/ biberão para ele levar a outro bebe;
  • Pode substituir a chupeta por um objeto de conforto na hora que mais precise.
  • Diminua os períodos de utilização de forma gradual (ex.: só utiliza para dormir);
  • Dê reforço positivo quando a criança não utilizar a chupeta ou beber pelo copo (caso a retirada seja do biberão);
  • Tente que seja a própria criança a deixar a chupeta/biberão. Pode fazer, um pequeno corte ou furos na chupeta/tetina, para que perceba que a sua configuração está alterada, já não dá para chuchar e que está estragada;
  • Se a criança tiver alguns momentos de reação negativa, tente acalmá-la, abrace-a e transmita-lhe conforto. A chupeta não substitui o carinho dos cuidadores;
  • não usar o termo “vamos tirar a chupeta”

O hábito de sucção digital pode ser mais difícil de eliminar.  Não conseguimos fazer com que o dedo desapareça…. O primeiro passo será sempre conversar com a criança.

É, também, importante valorizar os períodos em que não está com o dedo na boca. Caso aconteça em meninas, uma ida à manicure pode ser motivadora. Nestes casos pode ser necessária a colocação por médico dentista de aparelho que impeça o hábito.

Lembre-se que o abandono da chupeta é mais uma conquista desenvolvimental e não tem que ser “dramático”. Tirar a chupeta não tem de ser um drama. É perfeitamente possível promovê-lo de forma pacífica!

 

Por Marta Marreiros, Terapeuta da fala

 

A minha filha Frederica de dois anos e meio adora a “mimi” dela.
E temos várias lá em casa: a maioria são cor-de-rosa [todas de borracha, as mais básicas da Chicco, que são as únicas aprovadas pela bebé lá de casa], mas a preferida da minha filha continua a ser a chupeta verde herdada do irmão.
Mas, na verdade, o que me traz aqui hoje não são as chupetas.  Mas sim a intromissão de pessoas estranhas ao uso ou não uso das mesmas.

Na chupeta da minha filha manda ela [e eu, na medida em que regulo a sua utilização].

Não é a primeira vez que ao final da tarde, porque está muito cansada, ou numa situação em que se magoa a Frederica me pede a chupeta durante o dia. Eu, quando vejo que o assunto é sério para ela, dou.
E também já não é a primeira vez que, as senhoras do supermercado ou a velhinha que passa pela rua diz coisas como:
que feia… uma menina tão bonita de chupeta” ou “dá-me a tua chupeta para eu entregar aos bebés“.

Ora aqui vai um recado: O uso da chupeta é um assunto privado e privativo de cada família.

Depois de vos contar a minha experiência pessoal, vale a pena irmos mais a fundo no que toca às recomendações. Lembrando sempre que, lá está, cada criança é uma criança e cada situação familiar ditará os timings. Tudo pronto?

1 – É recomendável abandonar o uso da chupeta entre os 18 meses e os 3 anos.

[com grandes benefícios sobretudo nos primeiros anos de vida- mas disso falamos noutra altura]

A recomendação reúne um largo consenso entre pediatras e terapeutas da fala. Isto porque o uso de chupeta pode comprometer, a longo prazo, a saúde oral [má oculsão e dificuldades de mastigação são os problemas mais comuns] e também o desenvolvimento adequado da linguagem, à custa de problemas de dicção.

2- Devemos começar por retirar [ou reduzir] o uso da chupeta de dia e só depois de noite.

Ou seja, a regra anterior deve ser aplicada de forma gradual. A chupeta é uma ferramenta de autocontrole da criança.  

Nesta medida, é importante que a criança vá aprendo a fazer essa autoregulação sem precisar da chupeta. Este movimento deve ser comunicado à criança, conversado e debatido. A chupeta é da criança e ela deve, portanto, ser tida e achada neste processo.

3- A chupeta não é uma moeda de troca.

E esta é uma opinião muito pessoal. O Vicente não deu a chupeta ao Pai Natal, não a entregou aos bebés e MUITO MENOS recebeu um brinquedo em troca. O abandonar a chupeta é um processo natural de crescimento, conversado [e às vezes demorado] entre pais e filhos e onde não cabem chantagens nem toma lá-dá-cá.

Isto não quer dizer que eu estou de acordo com o uso de chupeta aos 4, 5, 6 anos. Não estou, de todo. Quer apenas dizer que num processo de crescimento – seja ele qual for – não há contrapartidas nem verdades absolutas.

A alínea anterior não deita por terra a ideia, proposta por alguns autores, de encontrar outra ferramenta de auto controle como seja um peluche, uma fralda de pano ou outro objeto com que a criança estabeleça ligação afetiva.

4- Se a chupeta é importante para os nossos filhos e…

Se até nós, pais, achamos que o uso/não uso da mesma é importante, nada de misturar este processo com outras mudanças na vida da criança. E aqui cabe tudo o que possa interferir com a estabilidade emocional dos nosso filhos. Mudança de casa, a vinda de um irmão, uma nova escola, o desfralde, etc. Combinado?

5- Ninguém é feio por usar chupeta.

[Quanta dureza!].

Não são os nossos filhos, nem são os primos, nem o amigo da escola que com 5 anos usa chupeta. Se dentro do nosso seio familiar, gostamos que respeitem as nossas opções e os nossos timings, não deveríamos fazer o mesmo com os outros? Não devíamos ensinar isso aos nossos filhos?

Nestas pequenas coisas mostramos aos nossos filhos valores maiores como o Respeito, a Diferença e a Compreensão.

 

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A nossa filha já foi alvo deste comentário várias vezes. Geralmente vira a cara, encosta-se a mim e tente ignorar o interlocutor; são claros os seus sinais de desconforto. Para muitos, estes sinais são interpretados como um incentivo para continuar pois estão a ter na criança o efeito desejado.

Acredito que a maior parte das pessoas profere este género de comentários com a melhor das intenções, querem que a criança se livre da chucha e acreditam que ao repreenderem-na estão a ajudar os pais nesta árdua tarefa. Contudo, tal não funciona.

Irei dividir as minhas observações em duas partes: 1) Para os outros; 2) Para os pais.

1) Para os outros

Quantas vezes fumaram um cigarro e alguém vos disse que deviam “largar isso pois faz mal à saúde”?; quantas vezes vos disseram que se deviam afastar daquele/a amigo/a pois é uma má influência nas vossas vidas?; quantas vezes comerem fast food e alguém vos alertou que dessa forma iriam engordar? Em termos concretos, que resultados isso provocou em vocês? Atiraram o cigarro fora e nunca mais fumaram? Enviaram uma mensagem ao/à amigo/a dizendo que pretendiam terminar a amizade? Cuspiram o alimento que estavam a ingerir e desde então detestam-no? Provavelmente não. Nada mudou com os comentários que vos foram feitos ou eventualmente ainda se ligaram mais “ao fruto proibido” exactamente por isso.

Não existe mudança sem motivação e esta última tem de ser intrínseca, isto é, tem de partir do próprio, caso contrário a mudança será temporária. Comentários negativos, que muitas vezes enfatizam a incapacidade de auto-controlo da pessoa e mexem com a sua auto-estima (como quando dizemos a uma criança que é feia por determinado comportamento) podem conduzir à manutenção do comportamento por o outro se sentir incapaz de mudar.

“Devo então incentivar ou ignorar?”, perguntarão alguns. Nem uma, nem outra; podemos encaminhar para a mudança num registo positivo. Quando eu digo: “acredito que vais ser capaz, levarás o teu tempo mas acredito que irás conseguir”, sobretudo quando é dito em frente aos outros, estou a deixar uma semente potente de expectativa que o outro se sentirá tentado a concretizar; mostro que o aceito, que o compreendo, que não o irei pressionar e que confio nas suas capacidades (afago-lhe a auto-estima).

Criticar de forma negativa sem deixar uma linha orientadora ou é improfícuo ou pura maldade.

2) Para os pais

Sejamos sinceros, a maior parte dos comportamentos dos nossos filhos, sobretudo quando são pequenos, resultam de escolhas nossas, ainda que nos arrependamos delas ou que não as reconheçamos a 100%, estamos na origem.

A nossa filha não escolheu usar chucha, na verdade quando nasceu ela até a rejeitava. Acabei por insistir por sentir que isso a iria acalmar e servir de consolo. Hoje, com 2 anos e meio, não a quer largar, se eu permitisse passava o dia todo com ela na boca.

Temos conversado sobre o assunto, sem pressões. Não a comparo com o menino x ou y que não usa chucha pois ela também não me compara com a mãe x ou y Mostro-lhe que vários desenhos de que ela gosta não usam chucha (sem comparar), digo-lhe que não percebo o que ela diz com a chucha posta, explico que a chucha precisa de descansar e por vezes guardamo-la.

Em momentos de crítica em público eu JAMAIS me junto ao outro para a criticar/fazer troça dela. Geralmente coloco-me ao nível dela e respondo que um dia, quando lhe apetecer, irá largar a chucha e evidencio os esforços que já faz: “ela tem usado muito menos, noutro dia até a guardou no quarto durante a manhã toda, fiquei mesmo feliz! Em breve iremos conseguir passar menos tempo com a chucha na boca, vamos com calma”; se tiverem dito que ela é feia, ainda acrescento um “estás tão crescida e LINDA, filha!”.

Não acho que tenhamos sempre de defender os nossos filhos, eles erram tal como nós. Não obstante, acredito que os assuntos se resolvem entre nós e ainda que possa dar razão à pessoa que o repreende, não é saudável juntar-me a ela numa sessão de linchamento público.

Como referi, a nossa filha não queria usar chucha, foi um hábito criado também por mim. Assim, assumo essa responsabilidade, aceito que sou parte activa na sua resolução e defendo a nossa filha de qualquer julgamento exterior feito em tom negativo, mostrando que este não é um problema só dela, é nosso, e como tal iremos resolvê-lo JUNTAS, ao nosso ritmo.

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Umas das das primeiras funções que o bebé apresenta é a capacidade de sugar tanto na mama como na tetina, no dedo ou na chucha, a sucção é um reflexo inato e está presente desde a vida intrauterina. É através dela que a criança tem os primeiros contactos com o mundo exterior, satisfazendo, além da nutrição, as suas necessidades afetivas, ajudando o bebé a acalmar-se e promovendo o seu desenvolvimento emocional. Para além disso, é também através do movimento de sucção que o bebé desenvolve os músculos orais, e que ajuda o crescimento da face.

É importante referir que quando o bebé suga na mama esta molda-se naturalmente à boca do bebé e quando suga na tetina é a boca do bebé que terá de se adaptar a esta. Se optar pelo uso de chucha convém saber que para cada faixa etária existe um tamanho recomendado, que deverá corresponder ao tamanho da boca da criança.

O aleitamento natural é a forma mais eficiente para proporcionar a plena satisfação da criança, funcionando como um factor de proteção, uma vez que o bebé sentirá uma menor necessidade de chuchar, no biberão, chucha ou dedo, para além de que também possibilita um adequado desenvolvimento da mastigação, respiração, deglutição e fala.

O uso prolongado da chucha, do biberão ou chuchar no dedo podem trazer alterações no crescimento facial, na arcada dentária e na mobilidade dos lábios ou da língua, necessária para a produção de fala. Além disso, podem ainda alterar a forma como a criança respira, mastiga, engole ou respira.

Existe então uma altura certa tanto para tirar a chucha e o biberão para evitar risco de prejudicar o desenvolvimento normal da criança.

O biberão poderá ser retirado por volta do oito ou nove meses de idade, que é quando começam a aparecer os dentes de leite. Como alternativa ao biberão pode ser utilizado o copo com bico, caneca ou a colher.

Já a melhor altura para a retirada da chucha é entre os dois anos e meio e os três anos fase em que normalmente as crianças abandonam a necessidade de sucção e completam a dentição de leite.

Quando esses hábitos persistem após a idade recomendada, principalmente depois da erupção dos dentes maior será o risco de alterações como:

  • Alterações dentárias (mordida aberta anterior, mordida cruzada, espaço entre os dentes, etc.)
  • Alterações no desenvolvimento craniofacial (reduzido desenvolvimento da mandibula, palato alto e esteito)
  • Alterações das funções estomatognáticas (alterações na mastigação, fala, deglutição e respiração)
  • Alterações na musculatura da língua, lábios e bochechas;
  • Maior probabilidade de desenvolvimento de otites médias.

Estas alterações irão depender das características faciais da criança, da frequência, duração e intensidade com que chucha.

Estratégias para prevenir o uso prolongado da chucha ou chuchar no dedo:

– Definir horários e critérios de utilização da chucha: até aos 6 meses pode utilizar a chucha de forma continua, mas depois dessa idade só pode usar para dormir ou para acalmar.

–  Substituir o hábito de chuchar no dedo por mordedores  ou a chucha até aos 18 meses.

– Durante a noite os pais podem estar atentos e ir tirando o dedo da boca ou dar um boneco para a mão.

– Ocupar as mãos da criança com jogos ou brinquedos sempre que leve o dedo à boca, para a distrair.

 

Marta Nunes, Terapeuta da Fala

 

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Qual a altura certa para retirar a chucha? – É possivelmente uma das maiores dúvidas que surgem durante a paternidade.

Muitos pais adiam o momento de retirar a chucha aos seus filhos por receio de que possa traumatizar a criança ou privá-la do seu único meio de conforto. No entanto, após os 2 anos, as consequências do seu uso começam a surgir em força e  dependendo da criança e da frequência com que a usam, poderão instalar-se de forma quase permanente e só corrigível com recurso a várias especialidades da área da Saúde.

Referimo-nos, sobretudo, ao aparecimento de quatro grandes alterações que habitualmente não associamos ao uso de um objeto que parece tão inofensivo como a chucha – o objeto de conforto mais utilizado por milhões de crianças por todo o mundo.

São estas as quatro grandes consequenciais do uso prolongado da chucha:

  1. Alteração da dentição e do palato (céu da boca)
    A consequência mais fácil de detetar é a alteração da dentição e do palato (céu da boca) que o formato da chucha provoca. A presença prolongada de um corpo estranho na boca molda todas as estruturas à sua volta, nomeadamente os dentes e o palato, e provoca uma posição incorreta dos lábios (não lhes permite fechar na totalidade) e da língua, que adota uma postura à volta da chucha. Estas alterações nas estruturas causam uma das consequências mais difíceis de detetar – a respiração oral.
  2. Respiração oral
    Quando o bebé começa a respirar pela boca, devido às alterações estruturais que já ocorreram, o seu sono começa a ter menor qualidade devido à fraca oxigenação (que, por vezes, também desperta mais vezes os bebés) e a falta da correta “filtragem” do ar respirado no nariz, também levará a infeções das vias aéreas.
  3. Musculatura
    Outra alteração que surge muito frequentemente, ocorre ao nível da musculatura. Devido aos movimentos repetitivos da sucção, as estruturas perdem tónus – os músculos ficam enfraquecidos – e, com a perda de força dos lábios, bochechas e língua, poderemos também estar a provocar futuras dificuldades na alimentação.
  4. Aparecimento de alterações na articulação
    A consequência mais comum do uso prolongado de chucha e que, diariamente, leva várias famílias a procurarem um Terapeuta da Fala – ainda que nem sempre sabendo qual a causa das dificuldades dos seus filhos – é o aparecimento de alterações na articulação. Esta consequência, por ser notória apenas por volta dos 5/6 anos, quando já esperamos que as crianças articulem perfeitamente as palavras, é também a mais perigosa, pois aparece de forma “silenciosa”. Surge devido a todas as outras alterações estruturais que se desenvolveram ao longo dos anos e faz com que a criança precise de um acompanhamento especializado para conseguir articular vários sons que, habitualmente, distorce. Surgem assim – mas não exclusivamente – os conhecidos “sopinha de massa”, dificuldade que só pode ser corrigida após terapia e, muitas vezes, com a junção de um tratamento ortodôntico. Também as dificuldades de alimentação – por falta de força na musculatura das várias estruturas da boca -, terão de ser corrigidas com terapia.

Como forma de evitar todas estas consequências, e de prevenir a necessidade futura de acompanhamento em várias áreas, aconselhamos a remoção da chucha do seu bebé até aos 2 anos – e prontificamo-nos a ajudá-lo se precisar de algumas dicas sobre como fazê-lo!

Por Inês Peres Silva Terapeuta da Fala Ipsis Verbis®

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Chupeta em inglês diz-se “pacifier” – pacificador – e na realidade é exactamente isso: um pacificador.

A necessidade de lidarmos com as emoções existe desde que a Humanidade existe e de alguma maneira todos nós arranjamos maneira de as gerir, ou eu não estaria a escrever e vocês não estariam a ler-me.

Diz-se que os bebés em África não choram e quando choram isso é visto como não habitual, porque a proximidade entre mãe e bebé é tão grande (pelo menos tradicionalmente) que as suas necessidades são satisfeitas à medida que surgem, sem recurso a uso de, por exemplo, chupetas.

Antigamente usava-se uma “boneca” – pequena bola  de  pano  com  açúcar ou mel,  que  se dava  às  crianças  para  elas chuparem – com o objetivo de as acalmar. Mais tarde surgiram as chupetas de látex e de silicone, usadas com o mesmo fim.

O Bebé e a comunicação

Quando um bebé chora, o que está a acontecer é comunicação. O bebé diz-nos que tem uma necessidade não satisfeita e cabe-nos a nós mães, pais, cuidadores satisfazê-la. Os bebés são tão bons comunicadores que quem deles cuida consegue distinguir os seus choros, os seus ruídos, a forma como se movem, como abrem os olhos (ou não), etc., e satisfazer a necessidade específica comunicada. Na realidade, o choro comunica algo e a eliminação do choro sem satisfazer a necessidade da criança serve para pacificar os pais que sentem dificuldade em gerir as suas emoções perante o comportamento dos filhos.

Com a agitação das nossas vidas, é preciso muito foco na nossa intenção como pais e educadores. É essencial não nos distrairmos, deixando de perceber como  satisfazer as necessidades das nossas crianças, garantindo o seu desenvolvimento de forma natural e que proporcione aprendizagem.

A escolha das formas que usamos para pacificar as crianças ao nosso cuidado deve ser feita com consciência, não perdendo de vista uma das grandes intenções na educação e que é, como atrás referido: promover aprendizagem. Se de cada vez que uma criança chora lhes oferecemos uma chupeta e essa é a resposta imediata para todas as necessidades, para todos os choros, para todas as birras, estamos a dizer-lhe que não precisa de ser tão específico na comunicação da necessidade porque a resposta será no imediato aquela e é quase como se também lhe disséssemos: “eu é que sei o que se passa contigo… o que precisas é de uma chupeta”. É neste processo, em que, apesar de fazermos o nosso melhor, investimos muitas vezes muito pouco na ligação, em que as nossas crianças aprendem o que lhes ensinamos sem satisfazer objetivamente as reais necessidades, que os tornamos ávidos por tudo o que lhes satisfaça de forma mais plena as necessidades que apenas foram apaziguadas.

Na nossa ânsia de cumprir calendário e de sermos altamente funcionais para proporcionar o melhor às nossas crianças, esquecemos muitas vezes que o melhor, o essencial, somos nós próprios, é a ligação que criamos, é o porto seguro que construímos, é a comunicação que se estabelece muitas vezes sem necessidade de palavra e que promove o maior ensinamento de todos: o de saberem que são vistos, que são ouvidos e que nós estamos naquele momento disponíveis.

Uso dos equipamentos digitais como forma de acalmar as crianças

Hoje temos à nossa disposição muitos pacificadores para além da chupeta: a televisão, o computador, as consolas, os smartphones (sempre à mão) e, em simultâneo, temos pais e cuidadores que, devido às exigências do ritmo de vida dito moderno, nesta agitação, fazendo o melhor que podem, escolhem “controlar” as suas crianças com um dos pacificadores disponível, muito mais eficaz que uma chupeta. Têm imagem, som, são sensíveis ao tato, são interativos, são quase uma ama eletrónica e satisfazem muitas necessidades ao mesmo tempo e por isso são tão populares.

A Humanidade está, neste momento, ligada aos equipamentos digitais e aos benefícios que nos trazem, sendo a quantidade de uso que deles fazemos uma escolha nossa, que deve ser feita com consciência das suas implicações e da sua real utilidade.

Por um lado, sabemos que os equipamentos digitais, ou melhor, os jogos, as redes sociais, o youtube, etc., podem causar dependência equiparável à do álcool ou das drogas, no entanto, sabemos também que a dependência surge quando existe espaço para tal. Quando existem necessidades não satisfeitas de alguma outra forma alternativa.

Sabemos que a maioria das crianças e adolescentes sente um enorme apelo pelos jogos, pela internet, pelas redes sociais, etc., tal como eu senti pela televisão quando apareceu e os meus avós sentiram pelo rádio e tudo isto é natural e, arriscaria até desejável. O nosso mundo está construído sobre a premissa da simplificação através da utilização de meios eletrónicos, logo, quando as crianças os usam, estão a treinar competências que lhes serão necessárias quando forem adultos e quando começarem a comandar autonomamente as suas próprias vidas. Então qual é o problema?

O problema é que vemos os gadgets, a serem utilizados como pacificadores e, como agravante, desde muito cedo, sem que sejam oferecidas muitas vezes alternativas reais que promovam ligação entre pais e filhos, porque também nós andamos constantemente a utilizar os nossos equipamentos. E nesta azáfama digital perdemos o contacto connosco e com os nossos filhos se não mantemos a consciência e foco na nossa intenção de aumentar sempre a conexão, a partilha, a interacção e a cumplicidade.

Então, afinal, sim ou sopas? Eu diria que sim e sopas! Ou seja, os equipamentos digitais fazem parte do nosso mundo, da forma como nos relacionamos, da forma como aprendemos e da forma como produzimos e isto é um facto. Mesmo que decidamos ir viver para uma comunidade afastada dos avanços do mundo e da produção em série, provavelmente, vamos pesquisar na net algo sobre permacultura, sobre eco-sanitas, sobre como fazer sabonete e champô, ou sobre a forma natural de resolver este ou aquele problema. No entanto, os equipamentos só em caso de necessidade extrema devem ser usados como pacificadores.

O que é que acontece quando usamos os equipamentos digitais como pacificadores?

O que é que acontece quando os oferecemos às crianças nos momentos em que têm de ser confrontadas com a necessidade de ter paciência, de gerir a frustração ou outra emoção dita negativa? O que acontece é que estamos a criar uma associação entre essas emoções e distração. Estamos a ensinar ao seu cérebro que é muito mais tranquilo distrair-se, pois não tem de gerir a paciência ou a frustração. Estamos programados para escolher as respostas que nos permitem gastar menos energia, e assim, a distração passa a ser a resposta preferida para gerir as emoções mais desafiantes. Esta fórmula pode ser usada sempre que sentimos desconforto… estou triste, então distraio-me porque sei que diminuo a intensidade da emoção que estou a sentir, estou farto de estar numa aula de noventa minutos e a minha resposta a essa insatisfação é… a distração. Neste processo, estamos a perder a oportunidade de aumentar a literacia emocional das crianças e de as ensinar a gerir as emoções, ao escolhermos não ativar o modo cuidador, mas sim o modo coexistente.

Há uns dias, um pai dizia-me que geria o tempo e os momentos em que permitia que o filho usasse o seu smartphone, o tablet e o computador. Disse-me que à mesa, durante as refeições nunca permitia, nem quando estava a brincar com a criança, que a tecnologia se interpusesse na sua relação. Curiosa, perguntei a idade da criança… tinha dois anos e meio…

Muitos estudos têm sido feitos, e com resultados quase opostos, sobre a utilização dos equipamentos, sobre os seus benefícios e prejuízos e, na falta de ciência inquestionável. O que é, no entanto, inquestionável é que a chave da nossa felicidade e da dos nossos filhos, a chave do seu desenvolvimento harmonioso a par de uma autoestima saudável reside na ligação que com eles estabelecemos, no nível de conexão que resulta da forma consciente como nos dispomos a estar presentes nas suas vidas.

Por Maria José Pita, coach e facilitadora de Parentalidade Consciente

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Dizem que aos 3 anos as crianças não podem usar chucha

“Não te dou a chucha, ai que feio ficas com a chucha, é minha, queres ser bebé?” – toda a conversa à volta da chucha tão frequente e sistemática leva a que a criança centre muito mais da sua atenção neste pequeno objeto do que aquilo que seria necessário.

A chucha é um elemento de conforto muito importante desde que bem utilizado.

Conselho da Semana. Tips For Parents.

Se o seu filho usa chucha deixe que seja ele a pedir quando sente necessidade, não a use como arma e não deixe que a criança fale com a chucha na boca. Para tal não é preciso criar confusão, basta com um ar convicto dizer-lhe que não percebe o que ele diz, tem é que o fazer sempre que ele tente falar com a chucha na boca. Não se esqueça que cada caso é um caso e a decisão de continuar a usar chucha ou não deve ser analisada de acordo com questões de saúde como deformação dentária, otites frequentes e questões emocionais.

Todas as crianças têm ritmos de crescimento diferentes e não é por terem feito 3 anos naquele dia que passam automaticamente a ter outras atitudes e comportamentos. A verdade é que com compreensão e calma os objectivos acabam por ser atingidos.

Não conhece ninguém que use chucha aos 18 anos, pois não? Então, desde que não seja um problema para a saúde, não desespere, pode  fazer esta transição de forma natural, sem frases humilhantes ou pressas desmedidas.

 

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Hábitos orais – Uso da chucha, sim ou não?

Definidos como comportamentos repetitivos, os hábitos orais oferecem uma agradável sensação a quem os pratica, e encontram-se relacionados com as funções do sistema estomatognático – sucção, deglutição, mastigação, respiração e fala. Prova disso é que ainda na vida intrauterina, é possível observar que o bebé já chucha no dedo, pois este comportamento dá-lhe conforto e segurança.

Desta forma, podemos considerar que após o nascimento a chucha pode ter um efeito calmante, ajudando o bebé a autorregular-se perante alguma situação mais desagradável, ou até mesmo a reconfortá-lo. Não é por acaso que em inglês é chamada de pacifier. Para além disso, estimula as competências dos bebés, preparando-os para as atividades de sucção do leite – hábitos orais nutritivos, sejam eles feitos através do seio da mãe ou do biberão nos primeiros meses de vida.

No entanto é importante ter em conta que a chucha, é considerado um hábito oral não-nutritivo – assim como a sucção digital, a sucção da língua, das bochechas e dos lábios, o bruxismo (ranger os dentes) e a onicofagia (roer as unhas) – que poderão assumir sérias implicações no desenvolvimento das estruturas orofaciais da criança tendo em conta a intensidade, frequência e duração deste hábito, bem como a idade da criança. As estruturas orofaciais – lábios, língua, bochechas, palato e dentes, são fundamentais na mastigação, na deglutição, na respiração e na articulação dos sons da fala.

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CHUCHA GELADA | Aliviar a dor de dentes nos bebés

Todos sabemos o que sofrem os nossos filhos com o nascimento dos dentes.Por mais que tentemos, parece não haver nada que alivie de imediato. Por isso, deixamos aqui um truque que eu usei com os meus filhos e resultava de imediato. Experimentem, e digam-nos se conseguiram aliviar a dor de dentes nos bebés

Preparação

1. Apertar a chucha para tirar o ar;
2. Soltar dentro de um recipiente com água, para encher a chucha;
3. Guardar no congelador.

Quando o bebé estiver a chorar de dores, dê-lhe a chucha.
Ponha-lhe um babete, porque conforme for derretendo o gelo, poderão escorrer umas gotas de água pelo pescoço fora.
O material da chucha é tão bom isolante, que apesar de conter gelo,  não queimará a língua ou boca ao bebé.

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Por vezes o bebé estranha por estar muito rija e acaba por rejeitá-la: neste caso experimente dissolver umas gotas de aero om em meio copo de água para encher a chucha. O bebé vai sentir o doce, e ficar entretido a chuchar, enquanto o frio lhe alivia a gengiva. Acalma rápidamente o choro.
Em alturas de dentes a romper, tenha sempre uma preparada no congelador, pronta a sair!

imagem@Housemix