Sim, dependo de ti.

Dizem que dependo muito de ti, que às vezes não quero mais ninguém, que não devia andar tanto ao teu colo.

Foste a primeira voz que escutei, antes de conseguir ouvir a minha.

Foste o primeiro coração que ouvi bater, quando ainda estava longe de perceber que batia por mim.

Foste o primeiro aroma que senti, aquela fragrância de miminho e aconchego.

Foste a primeira separação (com o corte do cordão umbilical) que vivi e a prova de que existem amores que resistem a tudo.

Foste o primeiro colo que conheci, muito antes de saber que existiam outros disponíveis.

Foste a primeira mancha que tentei decifrar, quando estava longe de imaginar quão nítida se tornaria para mim a imagem do teu rosto.

Foste a origem da primeira canção que ouvi, não imaginas como cada tom me fazia sentir abraçado.

Foste a primeira fonte de alimentação que conheci. Na tua mama ou no biberão era ali que obtinha o que de mais básico precisava enquanto os nossos olhares cúmplices se cruzavam.

Foste a primeira forma de amor incondicional que conheci, ninguém imagina a dimensão daquilo que existe entre nós.

Sim, dependo de ti.

Sim, às vezes só te quero a ti.

Sim, quero estar ao teu colo.

Depois de tudo o que vivemos e continuamos a viver juntos, faria sentido ser de outra maneira?

 

“Quanto mais apegada a criança se sentir à mãe, mais segura se sentirá em relação a si e ao mundo. Quanto mais amor receber, mais amor conseguirá dar. O apego é tão importante para o desenvolvimento da criança como a alimentação, ou o respirar.” – Robert Shaw

 

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image@pixbayfree

 

 

Já ouviu falar do Apego Seguro?

Pois bem… O apego seguro vem confirmar que tudo é equilíbrio no Universo, e não seria diferente na relação de apego entre a mãe e o seu bebé.

O Apego Seguro trata da capacidade que a mãe (ou a figura principal de apego) tem em responder às demandas da criança de maneira sensível e estável.

Sensível: com percepção aguçada e atenta para as necessidades do infante;

Estável: de forma emocionalmente equilibrada e com presença constante.

Nem negligência às demandas dos pequenos, nem paranóia que sufoque, nem tampouco lançar sobre eles os nossos desequilíbrios emocionais… Ter a sensibilidade de senti-los ao ponto de dar respostas coerentes às suas questões. Dar-lhes a estabilidade da presença tranquila, que está sempre por ali, para quando a criança precisar.

O apego seguro é extremamente importante para o desenvolvimento infantil, pois resultada de uma alta sincronia entre as demandas biológicas e psicossociais do bebé e a resposta eficaz da mãe.

Pesquisas sobre os efeitos do apego seguro apontam para preditores importantes no desenvolvimento da criança, quando este vínculo positivo acontece, nomeadamente:

  • Melhor ajuste psicológico às situações de conflito;
  • Maior internalização das regras instituídas pelos pais e mães;
  • Raciocínio mais maduro e autónomo na adolescência;
  • Boa autoestima;
  • Ajuste social positivo, no estabelecimento de relações para além da família…

Outro fator muito interessante relativo ao apego seguro é o facto de oferecer à criança uma maior segurança emocional. Isto permite-lhe ter a capacidade de explorar novos espaços e situações. A criança não necessita dispender recursos cognitivos para comprovar a disponibilidade de algum adulto responsável durante sua atividade, porque já sabe e sente que pode contar com o seu cuidador. Dessa forma, pode canalizar a sua energia para outros processos cognitivos que poderão ocorrer no momento gerando novas descobertas, aprendizagem e crescimento.

Não é isso que queremos para os nossos pequenos?

Estejamos atentos, portanto, a como estamos a estabelecer a nossa relação de apego com nossos filhos.

E atenção: os processos de educação convergem sempre para a nossa autoeducação. Se estamos equilibrados internamente, as crianças serão equilibradas.  Pois terão esse modelo de ação como referência, ao longo de sua jornada.

 

Photo by Juliane Liebermann on Unsplash

Respirar Gratidão Pelas Crianças

Embora a gratidão tenha uma vibração própria, a gratidão pulsa na frequência do amor.

Quando respiramos gratidão, respiramos amor.

Um dos maiores motivadores de bem-estar, a gratidão é uma das fontes mais poderosas de conexão.

Como pais, podemos ser aprendizes incessantes, se estivermos dispostos a ouvir e a observar profundamente.

São-nos oferecidos dons preciosos e vulneráveis ​​que devemos respeitar com todo o coração, com todos os nossos actos.

A conexão profunda às vezes pode parecer um desafio. A maneira como somos programados para entender as crianças – influenciadas pela nossa própria cultura e criação – bloqueia a verdadeira percepção do reino das crianças.

Todos os dias, tentamos ao máximo orientar nosso barco na direcção amorosa e gentil, mas às vezes nosso piloto automático engana-nos e leva-nos de volta ao tipo de pais que não queremos ser.

Há momentos em que questionamos as nossas capacidades como pais, sentimos arrependimento, culpa, vergonha. Às vezes, simplesmente não entendemos porque é que não podemos ser sempre os pais que queremos ser. De tempos em tempos, experimentamos momentos de desespero. Mas, de alguma forma, temos que encontrar uma maneira de voltar e segurar o volante. Às vezes é apenas uma fracção de segundo que temos.

A gratidão ajuda-nos a colocar nosso barco de volta à nossa rota. A gratidão ajuda-nos a reconectar com nossos filhos. E com a situação com que estamos lidar.

E à medida que praticamos mais e mais gratidão, essas reconexões não são fragmentadas. Eles começam a acontecer instantaneamente.

A gratidão tem poderes profundamente misteriosos e infinitos.

Orientar os nossos filhos faz parte de nossa missão como pais. No entanto, orientar os nossos filhos também significa permitir que as crianças liderem o caminho. Permitindo-nos aprender com a sua sabedoria. As crianças sabem muito mais do que se manifestam para o  exterior.

Praticar a gratidão ancora soluções construtivas ao lidar com nossos desafios. Exercer gratidão diariamente ajuda-nos a reformular e crescer a partir de nossas experiências.

A gratidão encoraja aceitação e flexibilidade.

Uma vez que recebamos a gratidão junto com nossa respiração natural, a gratidão renova sua pulsação como um movimento abstrato puro e simples, e expande seu poder em uma parte intrínseca do nosso DNA.

Então a gratidão expande-se no ar que inspiramos e expiramos espontaneamente. E quando respiramos gratidão, amplificamo-la em todo o nosso ambiente.

Escreva ou apenas pense, neste momento, em cinco coisas sobre seus filhos pelos quais você é grato. E todos os dia pratique esse exercício.

Quando começamos este simples hábito, começamos a compreender a mudança imediata que acontece no nosso cérebro. Quando somos gratos, tornamo-nos mais conscientes das coisas verdadeiramente importantes. As nossas prioridades da vida prática são reformuladas.

Quando somos gratos, tocamos a energia do amor. E conectarmo-nos com o amor é conectarmo-nos com bondade e sabedoria. E é aí que começamos a libertar-nos da necessidade de controlo.

Quando sentimos um profundo apreço por termos os nossos filhos nas nossas vidas, os nossos olhos mudam. Os nossos olhos mudam de uma forma que acabamos por expandir a nossa percepção da verdade sobre as crianças. Sobre o que eles estão a tentar comunicar. Começamos a perceber que quando choram ou se revoltam, há sempre uma motivação para essa emoção. Mesmo que nós não a consigamos ver. E passamos a perceber que a criança precisa de ajuda. E não de uma repreensão ou de um castigo.

O nosso trabalho como pais é aceitar os nossos filhos como eles nos são apresentados.

O nosso trabalho como pais é nutrir quem os nossos filhos são.

É incentivá-los a serem sempre fiéis a si mesmos.

E essa é outra das lições que a gratidão nos ensina. A gratidão ensina-nos a aceitar o que é. Como é. Apesar do que é. O que nos faz sentir bem. O que nos deixa desconfortáveis. O que move nossas emoções mais profundas. O que move o núcleo de nossas crenças.

Tudo começa a fazer sentido no momento em começamos a respirar gratidão. O que lemos aparece-nos no momento exacto em que precisamos de lêr. Com quem nos cruzamos, aquilo por que passamos traz consigo uma lição secreta a ser aprendida.

Primeiro temos que SER. Então estaremos prontos para DAR. Só então podemos RECEBER.

Os nossos filhos são coração, corpo e alma. Assim como nós somos. E sermos gratos por eles ajuda-nos a enxergar os desafios com uma mentalidade diferente. Ajuda-nos a olhar para eles de uma perspectiva diferente.

Sermos gratos pelos nossos filhos ajuda-nos a perceber que há coisas sobre as quais temos pouco controlo.

Respirar gratidão pelos nossos filhos estimula-nos a ser mais amigos e parceiros, sermos mais pacientes, resilientes e mais gentis nos momentos mais desafiadores.

Quando inserimos o ato de sermos gratos por tudo o que acontece nas nossas vidas, começamos a abraçar cada experiência como uma oportunidade de crescer e evoluir. Isso traz à consciência coisas que precisamos de trabalhar dentro de nós mesmos.

Traz consciência de que cada circunstância é um presente.

Quando respiramos gratidão pelos nossos filhos, criamos uma nova consciência. Também aprendemos a ser mais cuidadosos com as nossas palavras, com o nosso tom. Com as nossas acções.

Mas além de tudo isso, ensinamos os nossos filhos através do nosso exemplo, a sermos gratos e a valorizar-se a si mesmos como indivíduos, apreciando as suas experiências como uma contribuição para quem eles são.

Respire gratidão pelos seus filhos todos os dias.

E isso trará benefícios para sua vida e para sua família durante toda a sua vida e além dela. Porque isso fará parte do legado que seus filhos transmitirão ao mundo e que, esperamos, se espalhe pelas próximas gerações.

A gratidão pulsa na frequência do amor.

E quando respiramos gratidão, respiramos amor.

A combinação de Outubro com Outono faz-me sempre pensar em babywearing. Primeiro, porque é em Outubro que se celebra a Semana Internacional de Babywearing. Segundo, porque o tempo começa a arrefecer e carregar os nossos bebés coladinhos a nós sabe ainda melhor. Terceiro, porque aproxima-se o Natal e é sempre uma boa altura para comprar um novo porta-bebés.

Mas qual?

Há tantos que às vezes parece complicado. Mas não é. Há dois tipos de porta-bebés:

  • Os panos, que são porta-bebés sem estrutura e nos quais temos que fazer uma amarração (em inglês: carry) para receber e suportar o bebé;
  • As mochilas, que são porta-bebés estruturados que incluem alças e que já têm formas definidas e preparadas para receber o bebé.

E qual deles o melhor?

A resposta é aquele cliché do depende. Os dois têm vantagens e desvantagens e cada um de nós é que tem que eleger qual é, para si, o rei dos porta-bebés.

E há vários tipos de panos?

Afirmativo. Se preferimos um porta-bebés sem estrutura, temos vários tipos disponíveis, adequados a diferentes utilizações:

  • Panos elásticos, são uma peça de pano tricotado com alguma elasticidade. São particularmente adequados para recém-nascidos,
  • Panos tecidos, feitos através de um processo de tecelagem, com nenhuma elasticidade e que podem ser usados desde que o bebé nasce até… este querer ser carregado. São duradouros e versáteis, mas exigem alguma dedicação para aprender as amarrações.

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  • Slings de argolas, pano sem elasticidade com argolas metálicas, que permite o transporte do bebé na anca, em posição assimétrica e também barriga-a-barriga para bebés pequenos. São muito práticos pela rapidez de colocar e tirar o bebé. Não são recomendadas para caminhadas longos, pois a assimétrica distribuição do peso pode criar desconforto na anca, costas e lombar;

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  • Pouch sling – uma espécie de faixa cilíndrica fechada, muito fácil de colocar e adequada a transportes rápidos. Têm a desvantagem de poder ser usadas só desde quando a criança consegue sentar se sozinha.
  • Híbridos, que misturam as opções, como por exemplo, panos elásticos com argolas

 

Então significa que também há diferentes tipos de Mochilas?

Correto. Optar por um porta-bebés com estrutura abre-nos um outro leque de opções, cada uma com diferentes valências:

  • Meh dai (mei-tai), originário da China, é um porta-bebé com quatro alças abertas para ajustar e amarrar. Duas passam por cima dos ombros e duas criam o cinto. É muito simples de usar e rápido de aprender. A desvantagem é que mesmo os evolutivos não são adequados para recém nascidos;
  • Mochilas ergonómicas com cinto com fivelas e com alças ajustáveis, também com fivelas. Este é o porta-bebés mais conhecido e o que temos em mente quando alguém diz “mochila ergonómica”. Simples e rápido de aplicar e ajustar, é muito confortável e é tipicamente o preferido dos papás, pois não tem nada que enganar. Tem a desvantagem de não ser adequado para recém-nascidos e se for partilhado pelo pai e pela mãe, vão ter que estar constantemente a ajustar e reajustar as fivelas;

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  • Podaegi, inspirado em tradições coreanas, um pano com duas alças abertas para ajustar e amarrar, sem cinto. Ao princípio parece um pouco estranho a ausência de cinto, mas é cómodo e seguro e é uma opção excelente para viagens, pois ocupa muito pouco espaço. Porém, não é confortável para carregar os bebés durante períodos mais longos.
  • Onbuhimo, originário do Japão, com duas alças ajustáveis, seja com argolas ou com fivela, mas sem cinto. Também muito cómodo e adequado para viagens por ser compacto, mas também desadequado para períodos mais longos a carregar os bebés porque o peso fica todo só por cima dos nossos ombros.

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  • Híbridos, que misturam essas configurações e características, como por exemplo mochilas de cinto com fivela e alças de amarrar.

Prontos para escolher um?

*imagens fornecidas pelo autor

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A perspetiva da criança sobre o babywearing é uma perspectiva imediata. Não tem curto, médio nem longo prazo, só tem o agora. Considerar o babywearing no dia-a-dia sem equacionar a perspetiva da criança, incorre-se o risco de rapidamente olhamos para esta prática apenas como uma rotina para ter mãos livres ou para adormecer as crianças.

O mundo dos graúdos

Uma das vantagens do babywearing é trazer a criança para o nosso plano. Vê o mundo da nossa perspetiva, cá de cima. Vê coisas que não vê lá de baixo, e vê o lá de baixo cá de cima.

Mas também permite à criança interagir com o mundo na vertical, e aproximar-se ou mesmo participar em atividades com os pais, como arrumar a louça, cozinhar, limpar o pó e aspirar. E também é assim ao sair à rua. Vê os carros de forma diferente e chegam às árvores e as sebes do jardim já não são uma parede, são um obstáculo superado.

Um esconderijo

Além de virem cá para cima para experimentarem o mundo ao máximo, encontram no babywearing um esconderijo para repousar, um porto seguro.

Quando o cansaço aperta ou quando o sono está a chegar ou simplesmente porque estão menos pacientes, o porta-bebés ajuda-os a acalmar. Mas onde está a perspetiva da criança aqui? É que muitos de nós iremos ficar surpresos quando repararmos que frequentemente os nossos miúdos vêm ter connosco a pedir para ir para o pano, para descansarem um pouco, conscientes do bem que lhes faz e de como os acalma e os faz sentir melhor.

Um hábito

O repetir da rotina vai criando hábitos e a criança vai interiorizando esses hábitos, tomando-os como dela. O mesmo acontece com o babywearing. Ao introduzir esta prática na família e ao repeti-la com regularidade, vamos também marcar a rotina da nossa criança com esse momento. E vamos perceber que na hora da sesta vai resistir estoicamente contra o pano ou à mochila, mas no momento de ir dar um passeio ao parque, o porta-bebé é o seu melhor aliado e quase que salta para dentro do pano.

Por Nuno César Nunes

Artigo elaborado com base em recolha de informação feita no grupo do FB Babywearing Love Portugal 

imagem@Kristi Hayes-Devlin

Babywearing no dia-a-dia, uma perspetiva familiar: pai

A perspetiva do pai é bastante diferente da de uma mãe. Tanto os pais que praticam babywearing como aqueles que preferem não o fazer têm uma abordagem muito pragmática, muito focada no resultado a curto prazo: carregamos os bebés para atingir algo dali a poucos minutos. Mas todos, carregadores ou apoiantes, reconhecem os benefícios e afirmam ser uma atividade fascinante.

Alguns pais não carregam

As razões para não carregar os bebés podem ser variadíssimas e todas absolutamente legítimas. A razão pode ser um mero encolher de ombros. Ou porque parece ser coisa de mulher. Ou porque não gosta destas coisas. Ou porque dá demasiado nas vistas. Ou porque o pai não se ajeita. Ou porque têm medo de se enforcar em tanto pano. Ou porque para trajetos curtos, não justifica fazer uma amarração. Ou porque têm carrinho-de-bebé. Ou porque a mãe carrega. Ou porque tentou uma vez e o menino chorou.

É natural que as famílias não ajam da mesma maneira e que existam objeções que sustentem que o babywearing possa não ter um papel central na vida familiar.

Outros fazem-no, desde que seja simples

Mesmo os que decidem acompanhar as mulheres na prática do babywearing, por vezes fazem-no apenas em trajetos mais longos, passeios ou caminhadas, quando a mãe está cansada, ou  à espera de outra criança e precisa de ajuda do marido, ou simplesmente porque a mãe insistiu muito e lá cedemos.

Estes procuram essencialmente a liberdade para fazer coisas, como passear o cão, despejar o lixo ou ter as mãos livres para executar tarefas, bem como a facilidade de acalmar as crianças, lidar com as suas birras em alturas em que estão mais cansados ou rabugentos e até pô-los a dormir. Usam mochilas ergonómicas ou mei-tais, por serem fáceis e rápidos de colocar.

Outros tomam-lhe o gosto

Quando saem de casa habituam-se a carregar os seus miúdos ao ponto da mãe ter quase que implorar para os poder levar. Têm sempre um porta-bebés no porta-bagagens do carro e quando os miúdos crescem e começam a insistir ir pelo próprio pé, ficam tristes. Usam qualquer porta-bebés, mas quando experimentam um pano, não há retorno.

Por fim, os mais entusiastas, acabam por ser eles a assumir a liderança do assunto. São eles que pesquisam as opções e analisam os vários tipos de porta-bebés, logo durante a gravidez. Por vezes acabam por sofrer um pouco com o nível de dependência da criança à mãe porque querem envolver-se no dia-a-dia e não conseguem esse espaço. Acabam por praticar para equilibrar essa balança e fazer uma ligação forte ao bebé, logo desde a nascença. Usam vários tipos de porta-bebés e não perdem uma oportunidade para dizer “isto existe e é o melhor para os bebés”

Simples e prático

Seja para dar uma pausa à mãe, para evitar a confusão dos carrinhos nas ruas e espaços mais apertados ou seja para ter maior liberdade de movimentos, desde que seja confortável, simples de usar e prático os pais vão aderindo. Alguns sentem que tiveram de perder a vergonha, mas outros afirmam que até mesmo o mei tai rosa com padrão de sereia lhes fica a matar. E as mães concordam! Qualquer que seja o porta-bebés, fica-nos sempre a matar.

Por Nuno César Nunes

Imagem@Stefanie Archer

E aqui estou eu, melindrada, a divagar sobre uma teoria que talvez criei, já que nunca ouvi falar acerca de tal. Mas sai-me das entranhas, do coração, e da alma lavada. É isso mesmo, seguindo o meu instinto de Mãe leoa, este meu bebé, sendo muito provavelmente o último, ainda não cortou o cordão maternal. Já fez 9 meses mas ainda está a mamar, de manhã e à noite.
Ainda acorda a meio da noite e vem para a nossa cama. Sim, chamemos-lhe co-sleeping, ou whatever, àquela hora da noite, e com dois miúdos que acordam às sete da manhã com a maior energia do mundo, nem sequer penso que o ZM tem de aprender a adormecer sozinho na sua cama (e será que tem mesmo?)
Não sou de ferro, e para mim estes momentos valem ouro.
Colo ou mimo a mais, a verdade é que os meus filhos são uns miúdos felizes, livres e íntegros. Por terem muito mimo (do bom), não faz deles mais incumpridores do que os outros. Regras sim. Limites? Sem dúvida. Mas sempre com muito amor, muito acompanhamento, muita compreensão.
O Zé Maria ainda é um bebé. Ainda é o meu bebé (são todos…). Não quero que cresça (quem quer?), e muito menos quero que sofra. Se para adormecer pede um colo, uma mão, um lullaby, pois muito bem, é isso mesmo que dou. Se adorava conseguir pôr em prática todas essas teorias que se falam acerca do sono? Talvez sim, talvez não.
Tenho há meses na minha mesa de cabeceira um livro acerca desse tema tão polémico, mas ainda nem o abri. Com os meus filhos mais velhos foi assim, e hoje em dia adormecem sozinhos, seguros e confiantes, dormindo toda a noite, sem pestanejar.
E o desmame? Ai o desmame. Já ouço quem me diga que está na hora de cortar com este vínculo. Mas é um ato de amor tão forte, tão poderoso! E agora pergunto eu: Porquê? Se o bebé está ótimo, se é o nosso momento, se corre tudo tão bem? Se é tão prático, tão saudável, tão fantástico? Ok, ok, podem achar que é o síndrome do último filho, que estou assim porque sei que nunca mais vou viver esta experiência única de Mãe. E se calhar até é mesmo isso! Mas sabem que mais, não me importo de sofrer deste síndrome tão bom. Antes fossem todos assim.
Continuar a dar de mamar ou não, co-sleeping, colo a mais, para mim é tudo uma não questão.
Conselho de  Mãe: Acima de tudo e de todos, sigam sempre o vosso coração.  Esqueçam as teorias, as opiniões, as outras experiências, as sugestões, e deixem bem claro aos vossos filhos que os amam de paixão.

Para quem não está familiarizado com o termo Parentalidade com apego (Attachment parenting), é um estilo de parentalidade caracterizado por praticar a disciplina positiva, o co-sleeping (filhos e pais partilharem uma cama) ter uma resposta rápida ao choro e alimentar em livre demanda sempre que possível. Se a parentalidade com apego não é para si, então este artigo também não é. E não há problema. Isto não é nenhuma manifestação contra a parentalidade convencional (nem qualquer outra!) De certeza que os outros estilos de parentalidade terão vantagens para os pais e os filhos, mas eu não sei nada sobre elas, por isso não posso falar nem comparar.

Mas sobre a parentalidade com apego, eu sei.

Os meus quatro filhos foram criados assim, e quero tranquilizar os pais que enquanto observam os filhos a dormir nas usa cama se questionam se os estarão a “estragar”. Eu estou a falar para a mãe que está a amamentar não só para alimentar mas também para tranquilizar ou adormecer, e se questiona se deveria deixar os filhos chorar para aprenderem a acalmar-se sozinhos. Eu estou a falar para o casal que não tem um fim-de-semana desde que o bebé nasceu porque tu estás a amamentar, e questionas-te se valerá o esforço. Se és esta mãe, então sim, o artigo é para ti!

Nós não planeamos ser este tipo de pais. Nunca houve um momento de reflexão que nos levasse a decidir ser pais com apego. Aliás, quando tivemos o nosso 1º filho nunca tínhamos pensado muito sobre o assunto. A parentalidade com apego aconteceu naturalmente, simplesmente fez sentido.

Quando o bebé ficava na nossa cama dormia melhor e consequentemente nós dormíamos melhor. Então passamos a praticar o co-sleeping. Não com o intuito de dar resposta a horários, era simplesmente mais fácil e mais natural já que estava a amamentar em livre demanda dia e noite. Como o bebé estava sempre comigo, quando o punha na alcofa ou no carrinho ficava impossível, e rapidamente descobri a maravilha dos slings. Muito mais fácil de transportar, e ele ficava feliz.

Em pouco tempo tornamo-nos em pais com apego a 100%. E apesar de ter sido tudo natural e agradável para nós e para o nosso filho, eu continuava a ter dúvidas quanto às nossas escolhas e a quanto a explorarmos caminhos menos convencionais da parentalidade.

Foram essencialmente algumas fases e etapas de desenvolvimento dos nossos filhos que nos fizeram questionar as nossas escolhas: quando o meu filho mais velho fez 4 anos desenvolveu uma intensa ansiedade de separação dos pais. Será que estávamos a torna-lo muito dependente? Com 5 anos, o meu segundo filho arrastava-se invariavelmente para a nossa cama a meio da noite. Seria normal? O meu terceiro filho até aos 18 meses só queria andar ao colo. Recusava-se a caminhar. Estaria tudo bem? E o bebé começou a falar muito mais tarde que as outras crianças. Será que o tínhamos mimado demais, que lhe tínhamos dado tudo antes sequer que ele nos pedisse?

Eu só gostava de saber na altura o que sei hoje: que os meus filhos se iriam desenvolver bem. Que iriam crescer e tornar-se em adultos responsáveis. Não quero falar antes de tempo, porque ainda não são todos adultos. Só um é que já saiu de casa, e o “bebé” tem 12 anos.

Mas correu tudo bem. E eu não atribuo tudo ao tipo de pais que fomos, porque acredito que grande parte da personalidade deles é de nascença, mas acredito que tê-los criado com tanto amor e tanto a apego teve um profundo efeito positivo nos meus filhos.

Da minha experiência, estes são alguns dos resultados a longo prazo da parentalidade com apego:

Miúdos criados com apego são gentis.
Os meus filhos não são perfeitos, mas são genuinamente gentis uns com os outros, connosco, e com miúdos que têm problemas na escola. Estes miúdos crescem a acreditar na gentileza alheia. Quando choram, alguém gentilmente lhes dá atenção. A disciplina é gentil. O resultado de serem gentis para as pessoas é que, geralmente, lhes respondem mesma forma.

Miúdos criados com apego são independentes.
Uma das críticas da parentalidade com apego é que cria crianças dependentes. Esta constatação não podia estar mais longe da verdade. Eles não eram independentes aos três ou quatro anos de idade, ou mesmo até aos seis ou sete anos (e ainda bem). Mas na pré-adolescência e depois disso os meus filhos e outras crianças que conheço que foram criadas pelos mesmos princípios, tornaram-se completamente confiantes e autónomos. Eu acredito que a segurança profunda que é transmitida na parentalidade com apego promove a independência.

Miúdos criados com apego são afectuosos. Já há muito tempo que não ouvimos aqueles passos de criança no corredor à noite em direcção à nossa cama (sim, cada um dorme na sua cama hoje em dia). Mas os meus filhos gostam de se aconchegar. A minha filha de 12 anos gosta de estar aninhada connosco quando vemos um filme juntos. As minhas filhas adolescentes riem-se juntas e abraçam-se com frequência quando estão a ver alguma coisa no computador. Os meus filhos raramente entram ou saem de casa sem esperarem um abraço. Os miúdos criados com apego sentem-se confortáveis a demonstrar afecto mesmo quando é suposto serem “fixes”!

Miúdos criados com apego são apegados – num nível saudável. Apesar de todas as advertências sobre os pais não serem amigos dos filhos, nós somos. Isso não significa que não sejamos responsáveis ou que os tratemos como se fossem adultos. Mas nós gostamos genuinamente de passar tempo com eles e vice-versa. Já reparei que se passa o mesmo com outras famílias apegadas. Há uma facilidade e ligação na relação pai/filhos que contraria o estigma da adolescência difícil.

Miúdos criados com apego têm ligações fortes com os irmãos. Os meus filhos lutam. Os filhos das ouras pessoas também lutam. Mas para lá disso, existe um amor duradouro e persistente que supera tudo, provavelmente derivado da criação de um vínculo familiar forte.

Miúdos criados com apego são miúdos felizes. Todas as crianças que conheço criadas com apego, incluindo os meus filhos, são crianças felizes. Viveram uma infância e primeira infância literalmente nos braços das pessoas mais importantes da sua vida, os pais. Foram inundados de amor e carinho. Atenção, afeto e a segurança de terem pais presentes são tão importantes como uma necessidade básica nas crianças. Uma criança criada com apego é bem nutrida de amor. O resultado é uma criança saudável e feliz.

Para nós, a criação com apego é o único caminho para a parentalidade. Os meus filhos estão longe de ser perfeitos. E eu fiz mais do que a minha conta de erros como mãe. Mas eu gosto das pessoas em que se tornaram. Gosto da sua essência.

Não sou, nem pretendo ser, uma especialista de parentalidade. Mas quando era uma mãe inexperiente não foram especialistas que me deram respostas às minhas dúvidas e preocupações. Foram outras mães – mães que me contaram como tinham feito, o que tinha resultado com elas.

A parentalidade com apego resultou connosco e com os nossos filhos. Por isso, se estás a ter dúvidas, relaxa. A parentalidade com apego por vezes é muito exigente, mas o tempo é curto e passa a voar, por isso aproveita. Estás a criar momentos inesquecíveis e miúdos incríveis.

Por Laura Hanby Hudgens para Huffingtonpost

O que é o Attachment Parenting, ou Criação com Apego?

Durante a gravidez a mãe e o pai imaginam o futuro bebé. Carregam a sua imagem com as suas expetativas e fantasias e, no dia do nascimento, confrontam-se com o bebé real.

Desde a gravidez que se inicia o processo de ligação emocional ao bebé e chamamos de vinculação a esta relação que se estende entre o bebé e os pais. A investigação na área da vinculação sugere que os bebés nascem com fortes necessidades de ser alimentados e de permanecer fisicamente próximos do cuidador principal, normalmente a mãe, durante os primeiros anos de vida. O desenvolvimento emocional, físico e neurológico da criança é amplificado quando as necessidades básicas são atendidas consistentemente e apropriadamente. Daqui surge um estilo de parentalidade, chamado de attachment parenting, que se baseia neste importante acontecimento, a vinculação.

O attachmente parenting baseia-se em oito princípios básicos que passo a descrever sucintamente.

  1. Em primeiro lugar, é fundamental preparar a gravidez, o parto e a parentalidade. Isto implica refletir acerca das experiências próprias da infância, trabalhando a ambivalência relativamente à gravidez e preparando o parto. Adquirir conhecimentos nesta fase pode prevenir algumas dificuldades, assim como preparar o parto e tomar opções acerca de escolhas importantes que envolvem todo o processo.
  2. O segundo princípio aborda a alimentação, salientado a importância de o fazer com amor e respeito. Relativamente aos bebés, reforça-se a importância da amamentação. A amamentação satisfaz as necessidades alimentares e relacionais do bebé, mais do que qualquer outro tipo de alimentação, com o bebé a ser amamentado em horário livre. Paralelamente, a amamentação conforta naturalmente o bebé. A amamentação continua a ter benefícios para além dos 12 meses de vida, sendo o desmame um processo natural. Paralelamente a alimentação sólida nunca deve ser forçada à criança.
  3. Responder com sensibilidade. Isto significa que os bebés precisam de ajuda externa para se acalmarem. O adulto pode dar uma resposta consistente e sensível às necessidades do bebé, sendo o contacto físico benéfico e é natural que os bebés o solicitem muitas vezes. Deixar um bebé a chorar não é útil para o seu desenvolvimento.
  4. Usar o contacto afetivo é o quarto princípio, pois para o bebé este contacto estimula a hormona do crescimento, melhora o desenvolvimento intelectual e motor e ajuda a regular a temperatura corporal, batimentos cardíacos e padrões de sono. O contacto pele-a-pele é especialmente eficaz e algumas formas de o promover são: massagens ao bebé, banhos em conjunto, amamentação e babywearing.
  5. Em quinto lugar, importa promover um sono seguro do ponto de vista emocional e físico. Os bebés necessitam de cuidados noturnos, de forma semelhante ao período diurno. Desta forma, cada família deverá encontrar a forma que melhor responde a estas necessidades noturnas, tendo presente que é natural que os bebés acordem de noite, necessitem de contacto físico e de ser alimentados.
  6. A promoção de um cuidado consistente significa que em vez de tentar fazer com que o bebé se adeque a uma rotina que existia antes da sua chegada, se encontrem formas criativas para desenvolver novas rotinas que envolvam o bebé. Quem cuida do bebé deve ser consistente, não incluindo muitos cuidadores diferentes. Ou seja, o pai, a mãe, os avós e, se necessário uma pessoa externa, é o ideal.
  7. A utilização de uma disciplina positiva é o sétimo princípio e envolve o uso de técnicas como prevenção, distração e substituição para guiar gentilmente os filhos para longe do perigo. Disseminar medo nos filhos não tem qualquer utilidade, e cria sentimentos de vergonha e humilhação. O medo leva a um risco maior de comportamento anti-social no futuro, incluindo a prática de crimes e abuso de substâncias. A investigação sugere que bater ou aplicar outras técnicas de disciplina física podem criar problemas emocionais e comportamentais.
  8. Finalmente, é fundamental o equilíbrio entre a vida pessoal e familiar. Os pais são encorajados a aproveitarem o dia de hoje e a aceitarem o facto de que ter filhos muda as coisas. É importante que tracem metas realísticas e que não tenham medo de dizer “não”. Transformem deveres de pais que são “desagradáveis” em coisas agradáveis e sejam criativos para encontrar maneiras de ter um tempo a dois.
    Dentro da família, cada um deve reservar um tempo para si mesmo.

Este estilo de parentalidade tem por objetivo promover a ligação emocional entre pais e filhos, focando-se na vinculação e prevenindo dificuldades no futuro. As crianças mais amadas e compreendidas são as mais felizes e transformam-se em adultos saudáveis emocionalmente e resilientes face ao exterior, pois sabem com segurança de onde vieram.

 

Por Marta Russo, Psicóloga Clínica /Psicoterapeuta

 

Crianças, pais e cama própria é um assunto tantas vezes abordado, mas sempre com questões intermináveis para os pais. Há mesmo quem afirme que os seus filhos não são capazes de dormir / adormecer sozinhos “eu sei que outros conseguem, mas o(a) meu (minha) não dá… já tentei e não funciona.”.

Todas as crianças conseguem adormecer sozinhas! Precisam de treino, de ser ensinadas – umas demoram mais tempo; outras demoram menos, mas todas são capazes. Muitas das vezes a dificuldade está nos pais. É aos pais a quem mais custa deixar os seus filhos sozinhos no quarto até adormecerem ou mesmo a dormir sozinhos. Quer por pensarem que os filhos podem não estar bem, sem companhia; quer por os próprios pais (entenda-se os dois ou só a mãe ou só o pai) não quererem estar sem a companhia da criança.

A questão principal deve centrar-se em “é importante a criança ter o seu próprio quarto / cama para dormir?”; “é importante a criança adormecer sozinha ou posso fazer-lhe companhia até adormecer?”.

As respostas: As crianças devem ter o seu próprio quarto, cama própria e adormecer sozinhas. É importante e saudável que assim seja. Naturalmente que poderão reclamar a presença dos pais; reagir por não quererem estar sozinhas; chorar, chamar… Os pais devem ir, apoiar, mostrar que estão presentes e atentos, mas voltar a sair até que a criança consiga adaptar-se ao seu quarto e ao facto de adormecer sem companhia. Os pais devem “aguentar” este choro / chamamento / reclamação sem cederem a passa-los para a cama dos pais ou a ficarem junto da criança até que esta adormeça.

O “contacto” com os seus medos, com o desconforto que poderá provocar a noite e o estar sozinha, proporciona à criança a possibilidade de poder confrontar-se com isso mesmo, aprendendo a geri-los interiormente e ultrapassá-los. Esta conquista favorece a sua autonomia emocional, o que é de extrema relevância no desenvolvimento emocional infantil. Isto proporciona à criança perceber que é capaz; que consegue transpor barreiras (neste caso as do medo, por exemplo) e a sentir-se segura, sem precisar para tal da presença constante do adulto. Isto é, neste confronto entre os seus receios, o estar sozinha num espaço e perceber que a presença do adulto é uma certeza – ainda que sem contacto visual – a criança cresce de forma mais autónoma e, portanto, necessariamente mais saudável. Este poderá ser entendido como um dos caminhos pelo qual os pais dão aos seus filhos ferramentas para se alicerçarem numa confiança e segurança evolutivas que vem de dentro, ao invés de crescerem a pensar que precisam sempre de um apoio; de uma bengala exterior (os pais, por exemplo), tal como acontecia quando nasceram.