A importância de ouvir as nossas crianças

Hoje trago-vos um tema um pouco diferente, que sai um tanto de dentro do nosso espaço terapêutico e abre antes as portas da sala de aula e da escola, mostrando a importância que tem escutarmos as nossas crianças no seu processo de ensino e de aprendizagem.

Mas antes de chegarmos à voz delas, importa compreender alguns conceitos primeiro.

O processo de ensino

Em primeiro lugar temos de compreender que o processo de ensino e aprendizagem não é algo tão linear e direto como poderia parecer. Numa primeira visão, temos um aluno, receptor, que escuta uma fonte de conhecimento, sendo ela o professor. No entanto, esta é uma visão unidirecional e que não reflete assim tanto o que realmente acontece numa sala de aula.

O espaço/local de aprendizagem

A sala de aula, ou escola, ou mesmo em casa e ainda a terapia, são espaços compostos por indivíduos, com as suas próprias características e oportunidades de intervenção.  No caso da escola, temos os professores, com as suas próprias características cognitivas e afetivas e com os seus atos pedagógicos e currículo para aplicar. Por outro lado, temos a criança, que tem também as suas próprias características afetivas e cognitivas, e que tem as suas necessidades de participação e as suas manifestações comportamentais.

Ou seja, temos efetivamente o professor que pretende ensinar, mas depois temos de ter em conta um conjunto de processos mediadores socioafetivos, cognitivos, motores, emocionais, até se chegar à aprendizagem da criança.

Características e envolvente

Estas características, tanto da criança, como do professor, ou do espaço e do próprio currículo podem levar a situações de maior stress ou de questionamento, sendo que algumas características podemos alterar e trabalhar, mas outras não. Ou seja, podemos mudar uma criança de lugar caso ela não consiga ver o quadro, mas dificilmente conseguimos alterar um diagnóstico que traga, ou o seu envolvimento social e económico.

Mais importante ainda, temos algumas questões que são visíveis e que reparamos logo, como por exemplo a criança ter uma cadeira de rodas, ou não vir asseada de casa, ou mesmo chegar notoriamente com fome; mas há questões que não são visíveis, que continuam a ser de extrema importância, como a briga que a criança assistiu antes de chegar à escola, ou a medicação que tem de tomar, algum diagnóstico relacionado com o seu comportamento, ou mesmo uma dificuldade que tenha na aprendizagem, e que se sinta inibida de dizer.

Neste caso, nós, enquanto adultos ou professores, temos várias escolhas.

Ser diretivo ou ouvir as crianças

Podemos optar por um processo mais fechado em que não partilhamos objetivos, em que decidimos tarefas e tempos, em que somos diretivos e em que decidimos tudo. Ou por outro lado, podemos optar por ouvir o que as crianças têm a dizer sobre as suas próprias histórias, dificuldades ou formas de alcançar os objetivos propostos.

Esta escolha, que não é linear e que não se situa no preto ou no branco, pode ser vista como uma opção por levar a criança a ser o foco do processo de ensino e aprendizagem, aumentando a sua motivação para a escola ou para a aprendizagem, e ainda tornando a mesma significativa para ela.

Criar objetivos em conjunto com as crianças

Assim, partilhando com a criança os objetivos que pretendemos que esta alcance e partilhando a tomada de decisões neste processo de ensino e aprendizagem, temos a oportunidade de apresentar tarefas que são mais desafiantes e diversificadas. Oferecemos opções de escolha e promovemos a autonomia e liderança da criança dentro do seu próprio desenvolvimento. Por outro lado, temos um processo de feedback que é individualizado e não por comparação. Aqui a própria criança também pode entrar e permite que o professor, pai, auxiliar ou terapeuta vão, junto com a criança, ajustar os objetivos intermédios e atividades consoante as suas próprias capacidades e necessidades.

Claro que este processo é um desafio, e claro que muitas vezes as próprias infraestruturas ou sistemas colocam em causa esta alteração. Mas pensemos, serve de muito pouco ensinar uma criança a escrever, se ela não vir a possibilidade que tal abre para a criação das suas próprias histórias. Serve de muito pouco aprender os números se a criança não conseguir contar as suas conquistas. E serve de muito pouco mandar uma criança sentar-se e calar-se, quando falamos do seu caminho e da sua história.

Por isso, fica o desafio:

Que consigamos ultrapassar-nos e ouvir as nossas crianças sobre algo que nos interessa mutuamente, o seu crescimento.

 

Image by mozlase__ on Pixabay 

O brincar é um importante meio de aprendizagem: é divertido, focado na atividade e tem uma forte componente social.

Ser divertido é uma característica essencial para motivar as crianças a se envolverem nas atividades de forma autónoma e sistemática. Por outro lado, o foco na atividade em si mesma e não nos resultados, atenua as repercussões negativas dos erros.

Por fim, a componente social, envolvendo adultos ou outras crianças, potencia o impacto positivo na atividade.

Através do brincar são criadas oportunidades para que a criança possa praticar e desenvolver competências para a aprendizagem. Com a abordagem lúdica, as situações de aprendizagem ganham significado e contextualização para a criança, respeitando a sua vertente social.

“A brincar é que a gente também aprende!”  pretende favorecer o sucesso na aprendizagem, através de atividades lúdicas, atrativas, simples de dinamizar e pouco dispendiosas.

Os jogos a seguir descritos são exemplos de atividades dinamizadas, as quais podem ser realizadas em contextos formais e informais de aprendizagem, de forma autónoma ou coletiva e sistemática.

Spinner da Tabuada:

Objetivo: Promover a automatização de fatos numéricos.

Material: Dois spinners, 2 pratos de papel, autocolantes e caneta.

Como Jogar: Primeiro, divide-se cada um dos pratos de papel em 10 partes e escreve-se os números de 1 a 10 em cada uma das partes. Cola-se um autocolante numa das pontas de cada um dos spinners para serem as pontas indicadoras.
Coloca-se um spinner no centro de cada prato. Faz-se girar os dois spinners e, quando acabarem, pede-se à criança para dizer o resultado da multiplicação dos números indicados.

Jogo de Memória Ortográfico:

Objetivo: Promover a memorização da ortografia de palavras cujos sons assumem representações múltiplas.

Material: Folhas de papel, tesoura e caneta.

Como Jogar: Primeiro, selecionam-se 10 palavras que se representam de forma múltipla. Recortam-se 20 papelinhos de igual tamanho. Pede-se à criança que escreva cada uma das palavras duas vezes, em dois papelinhos. Distribuem-se os papelinhos em 4 linhas de 5 papelinhos, com as palavras escritas voltadas para baixo. Em cada jogada, a criança pode virar dois papelinhos: se encontrar o par joga novamente; se não encontrar o par, passa a vez à outra criança/adulto. No fim, ganha quem tiver mais papelinhos.

Leitura em Coro ou em Eco:

Objetivo: Promover a fluência leitora.

Como Jogar: Primeiro, selecionam-se os textos que irão servir de base para as leituras. Depois, formam-se pares (criança-criança ou criança-adulto).

Na leitura em coro, pede-se ao par para ler em voz alta um dos textos selecionados, como se fosse um coro. A leitura do texto selecionado pode ser repetida as vezes necessárias até conseguir uma leitura unânime. Na leitura em eco, enquanto que a uma das crianças é pedido para ler o texto selecionado por unidades de sentido, frases ou parágrafos, à outra criança pede-se
que repita como se fosse o eco, alternando depois os papéis.

Os jogos divertem as crianças, prendem o seu interesse e atenção, pela sua natureza e dinâmica. Quando se pretende promover o desenvolvimento de competências, deve-se então contemplar a complementaridade de estratégias, estruturadas e lúdicas, pois “A brincar é que a gente também aprende!”.

 

Gamificação (ou, em inglês, gamification) tornou-se numa das apostas da educação do século XXI. O termo significa usar elementos dos jogos de forma a engajar pessoas para atingir um objetivo.

Na educação, o potencial da gamificação é imenso: funciona para despertar interesse, aumentar a participação, desenvolver a criatividade e autonomia, promover diálogo e resolver situações-problema.

A brincar aprende-se melhor

A brincadeira é uma das atividades que está presente na natureza do ser humano desde o início dos tempos. Podemos brincar sozinhos ou em grupo, sentados em torno de um tabuleiro ou de pé, em casa ou ao ar livre. O como, não é relevante. Através da brincadeira, crianças e adultos aprendem, experimentam e compreendem a realidade ao seu redor.

A gamificação explora esta maneira natural de aprender, utilizando as dinâmicas do jogo em diferentes atividades cujo objetivo vai para lá do entretenimento. O principal objetivo é aumentar o engajamento e despertar a curiosidade dos usuários e, além dos desafios propostos nos jogos, na gamificação as recompensas também são itens cruciais para o sucesso.

Basicamente, este recente conceito consiste em usar ideias e mecanismos de jogos para incentivar alguém a fazer algo. A ideia é criar uma motivação intrínseca, em que o aprendizado acontece através das próprias brincadeiras, sem separar a teoria da prática.

Este movimento de “tornar lúdico” procura sobretudo a melhoria da experiência do usuário, seja ele um estudante ou um trabalhador. A ideia por trás deste tipo de iniciativa é que, se gostamos de um determinado jogo, através do mesmo podemos aprender mais e melhor.

A gamificação é uma resposta a diversos males que afetam a educação tradicional, sendo o maior deles o desinteresse dos estudantes.

Vantagens da Gamificação na aprendizagem

No âmbito do ensino, envolver os alunos em jogos aumenta a motivação e melhora a capacidade de atenção. Ao contrário dos métodos tradicionais (testes, perguntas, ditados etc.), o aluno não é tratado como um elemento passivo ou que apenas reage a estímulos prévios.

Recompensas, status e êxitos (superar certo nível de um jogo) são algumas das maneiras mais comuns de “gamificar” uma atividade.

Um excelente exemplo é Flipped Playground, uma iniciativa promovida pelo professor do 1º Ciclo Michael T. Bennett (do colégio Humanitas Bilingual School, em Tres Cantos, Espanha), que reinterpreta as brincadeiras infantis tradicionais, transformando-as em ferramentas educativas. Bennett dá suas aulas com a ajuda de jogos simples como a macaca, gincanas e um piano gigante.

O professor Bennett transformou, por exemplo, o clássico jogo do Twister num cenário educativo adaptável. O docente modificou vários elementos do jogo tais como os círculos coloridos nos quais as partes do corpo são apoiadas, transformando-os numa série de figuras geométricas. Além disso, as instruções são dadas em inglês – “your left hand on the brown pentagon”. Deste modo, as crianças trabalham com um simples jogo de psicomotricidade, geometria e inglês. O pátio transforma-se numa ludoteca ao ar livre, onde professores e alunos convivem enqunto aprendem.

“O homem não para de brincar porque envelhece, mas envelhece por deixar de brincar” Bernard Shaw.

DO ANALÓGICO AO DIGITAL

Nos anos oitenta os jogos educativos saltaram dos pátios do recreio para os computadores. Inicialmente eram cópias de jogos tradicionais, como baralhos de cartas ou  xadrez transformados em programas de informática.

Mas rapidamente, a  gamificação evoluiu ao ritmo das novas tecnologias. A GlassLab é uma organização sem fins lucrativos que desenvolve jogos educativos utilizados em mais de 6.000 salas de aula dos Estados Unidos, segundos dados da SRI International. Alguns dos jogos da empresa, como SimCity EDU, são versões educativas de outros já famosos, mas existem os originais, como Ratio Ranchel.

Os professores recebem atualizações instantâneas sobre o progresso dos alunos, bem como sugestões sobre os temas que deveriam ser mais trabalhados. Estas avaliações quantificam o progresso em diferentes áreas: visão espacial, cálculo, capacidade estratégica e de argumentação.

Outro caso de sucesso entre as plataformas de jogos educativos é a Kahoot. Com mais de 50 milhões de usuários ativos mensais em mais de 180 países, segundo dados da própria empresa, é uma das plataformas que apresenta maior crescimento. Uma das vantagens que distingue esta plataforma norueguesa é que  permite que qualquer pessoa crie as suas próprias atividades.

O CINEMA TAMBÉM SERVE PARA EDUCAR

Outro programa de gamificação com bons resultados é o que se pratica na Universidade de Granada (Espanha), onde um professor do departamento de Educação Física, Isaac J. Pérez, aplica há vários anos esta técnica nas suas aulas.

Isaac J. Pérez utiliza séries e filmes populares como veículo de aprendizagem. Começou com Game of Thrones, e o objetivo era conquistar o Trono de Ferro. Assim, a turma dividiu-se em reinos, cada um deles relacionado a um tema da matéria: Físicor (condição física e saúde), Deporticia (jogos e desportos), Expresanto (expressão corporal) e Naturalia (atividades no meio natural). Em 2016, repetiu a experiência utilizando como fio condutor a trilogia Matrix. O professor mostra-se muito satisfeito com os resultados obtidos. “Os alunos, além de terem aprendido os conteúdos da matéria, melhoraram a sua condição física ao terem de fugir dos sentinelas”, explica.

Mas não se deu por satisfeito, e para este ano preparou um programa inspirado no filme O preço do amanhã. A atividade é baseada numa aplicação desenvolvida na própria universidade, que oferece uma referência constante do tempo que cada jogador conta para manter-se na partida. Os alunos, que têm um tempo disponível para o curso, enfrentam objetivos criativos e formativos para ganhar pontos, e também enfrentam outros alunos, os “rouba minutos”, que sobrevivem roubando tempo.

Seja com cartas, minutos ou videogames, a gamificação chegou para ficar.

 

Fontes The Dailyprosper, Infogeekie,

P A R A B É N S!

O vencedor do passatempo para ganhar este maravilhoso poster catita foi:

Marta Machuqueiro

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Obrigada por participar!

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O que é o Poster Abcatita?

O pequeno catita está a aprender a ler. Entre o “d”, “l” e o “p” a confusão instalou-se. Não sabia como o ajudar a decorar TODAS as letras e a sua diferença. Eram tantas. Maiúsculas e minúsculas, em manuscrito e à máquina… A cabeça dele andava à roda com tanta informação. E a minha também. Decidi meter as mãos à obra e nasceu o Abcatita, um super-poster com tudo o que o teu filho precisa para aprender a ler.

E qual é a melhor notícia para começar o ano? A Uptokids e a Mãe Catita vão sortear um poster Abcatita entre os mais divertidos comentários de A a Z.

alfabetocatita

COMO PARTICIPAR

1. Fazer like nas seguintes páginas de Facebook Mãe Catita e Up to Kids

2. Partilhar este post no vosso facebook.

3. Escrever um comentário, neste post, com o maior número características que te definem usando por ordem alfabética o maior número de letras. Por exemplo: “Sou adorável,brincalhona, criativa, divertida, elegante…” No final do comentário é só fazer link para 3 amigos!

 

REGULAMENTO

passatempo termina às 23h59 do dia 20 de Fevereiro de 2018. 

O vencedor será sorteado aleatoriamente através do programa Random.org, será depois anunciado no facebook.

Este passatempo não é patrocinado, aprovado, administrado ou associado ao Facebook, sendo da exclusiva responsabilidade da entidade promotora. O Facebook exonera-se de qualquer responsabilidade relativamente ao passatempo.

 

Educar uma criança significa conduzir a criança, o que prossupõe uma relação entre um adulto, que sabe conduzir, e uma criança, que precisa de ser conduzida, de um patamar de saber insuficiente para um de conhecimento aumentado. Esta relação deve ser benéfica para a criança e não deve ser assente na crença de que o adulto conduz altivamente a criança e que esta se deixa conduzir passivamente.

Aprender tem origem na palavra apreender que implica o uso das mãos. Aprender vem de prender, isto é, de ligar, unir o que estava separado. Com as mãos se estabelece ligações afectuosas, o primeiro aprender que temos na vida veio do agarrar afectuoso das nossas mães.

As primeiras aprendizagens são feitas pelas interacções afectuosas entre a mãe e o seu bebé.

Para uma criança estar disponível para as aprendizagem escolares e para que possa ter sucesso, os saberes básicos tem de estar consolidados. Estes saberes assentam no diferenciar entre o que é presença e o que é a ausência; entre o bem-estar e o mal-estar; entre o feio o belo; entre o bom e o mau, entre o amor e o ódio, entre construir e destruir; entre verdade e mentira; entre liberdade e opressão; entre mulher e homem; entre pais e filhos; entre gratidão e inveja; entre o que causa mal-estar e o que causa alivio, entre outros.

Os saberes básicos transformam-se em aprenderes fundadores que devem ser feitos sempre através de interacções afectuosas, pois são saberes que provocam muitas angústias e se estas não forem contidas, em vez de estimularam o crescimento paralisam-no. Em vez de termos um aprender claro que promove o crescimento saudável das crianças temos um aprender confuso que vai comprometer o crescimento e o desenvolvimento saudável da criança. Esta vai ficar presa nesse nível onde surgiu a confusão.

Quando os aprenderes da vida ou aprenderes fundadores ficam bem consolidados, a criança está preparada para os aprenderes escolares. Se houver uma falha num aprender isso implica que houve falhas anteriores nas dimensões de acolhimento, suporte, contenção, organização e estimulação no processo educativo da criança.

Não podemos esquecer que existe uma ligação entre a saúde mental e a saúde pedagógica e aceitar que para aprender bem é preciso pensar bem, e para pensar bem é preciso estarem completos os aprenderes fundadores baseados em distinções de afetos.

Quando as confusões da criança diminuem, as angústias ficam suportáveis, a tristeza atenua-se, o pensar torna-se mais claro e eficaz, os aprenderes quer escolares quer os básicos, acontecem. A criança que consegue pensar bem aprende bem e o aprender bem leva a um pensar ainda melhor.

Segundo João dos Santos a educação deve inspirar-se numa pedagogia de relação. A escola se proporcionar um ambiente de pedagogia de relação poderá criar condições para desbloquear aprenderes fundadores que ficaram bloqueados. João dos Santos e os seus educadores acreditavam que quando criavam um ambiente de acolhimento em que a criança, desvalorizada e bloqueada, sentia que existia um interesse real por ela enquanto pessoa, fazia com que a criança se valorizasse aos seus próprios olhos centrando-se nas suas habilidades e capacidades atuais, e não nas suas dificuldades, insuficiências e insucessos. Este bom acolhimento permitia retomar a aprendizagem dos aprenderes fundadores que falharam ou ficaram bloqueados.

Uma pessoa só aprende quando encontra suporte e contenção suficiente e sobretudo se se sentiu estimulado. As crianças na escola precisam de encontrar professores que lhe ofereçam suporte, contenção e estimulação.

A escola deve ser vista pela criança como um local de aventura onde o professor é o guia.

A família e a primeira responsável pela consolidação dos aprenderes fundadores quando estes falham vai ser difícil para a criança aprender os saberes escolares. Por isso família e escola devem caminhar lado a lado.

Joana Duarte, psicóloga clínica

imagem@rte.it

“Então as aulas acabam as 16.30, correto?”

“Sim, mas depois ele segue para o ATL”

“Certo, e se marcássemos a sessão para as 18.00 então?”

“Não pode ser, ele a essa hora está a ir para a natação…”

“Então, a que horas poderia ser?”

“Não sei, mas provavelmente entre a aula, o balneário e o trânsito… Por volta das 19.30?”

“A essa hora o serviço já está a fechar e possivelmente fica muito tarde para depois o menino sair daqui as 20.30 e ainda ir jantar, brincar um pouco e dormir… Se calhar a outro dia da semana, o que acha?”

“É um pouco indiferente sabe, é que tem a natação as terças e quintas, depois tem o futebol às quartas e sextas, e tem dias em que depois ainda tem o piano e a explicação… Normalmente só estamos a jantar as 21… E é sempre uma correria, fica impossível a correr de um lado para o outro… Estar na cama às 22.00 é sempre um desafio…”

“Então quando é que ele brinca?”

Silêncio…

Esta conversa não é nenhuma conversa em particular, mas podia ser tanta conversa que tenho tido com diversos pais neste início do ano. Praticamente todos. Quase todos os pais que contactei no início deste ano letivo me disseram que o horário que preferiam seria o horário das 19.00 às 20.00, dado à indisponibilidade das crianças.

Então decidi fazer algumas contas: a maioria das crianças está na escola a ter aulas entre as 8.30 e as 16.00, sobrando depois o lanche que dura até as 16.30. Após este período costumam ir diretos para o centro de estudos ou para o ATL onde ficam, de novo a estudar, a fazer TPC ou outras tarefas académicas, até as 18.00. Após este período quase todos eles costumam ter atividades desportivas ou culturais que se prolongam até as 19.30. Se analisarmos bem estamos a pedir às nossas crianças que tenham um dia de trabalho entre as 8.30 e as 19.30. Isto significa 9 horas de trabalho intensivo, a crianças que frequentemente não têm mais do que 10 anos.

Pior, ainda pedimos isto às nossas crianças obrigando as mesmas a estar a maioria do tempo em silêncio, paradas e concentradas. E quando no final do dia a energia extravasa questionamos sobre o porquê.

A realidade é que algures no tempo nos esquecemos do que significa ser criança e da sua principal obrigação: brincar. Hoje tenho crianças em consulta que não sabem escolher uma brincadeira, que não sabem dizer qual o seu jogo preferido ou qual a parte da semana que gostaram mais.

Apesar de termos anos de investigação em educação e desenvolvimento infantil, continuamos a querer a toda a força que as nossas crianças sejam pequenos adultos que obedecem a horários laborais.

Compreendo e aceito perfeitamente a necessidade de praticar atividades extracurriculares. Aliás, enquanto terapeuta até aconselho diversas segundo o perfil das crianças e comprometo-me a falar deste tema com mais calma futuramente.

Mas temos de nos lembrar que estas atividades, junto com um ATL e uma escola não podem roubar o tempo de exploração de uma criança. Como já aqui disse, a criança aprende a explorar o ambiente, e esta estará altamente condicionada se  não lhe for permitido sair para o meio envolvente.

Outro problema prende-se com a formação da personalidade da criança. A criança precisa de não fazer nada. Este tempo é fundamental para que ela aprenda a tomar decisões sobre o que quer fazer. É preciso deixar as crianças aborrecerem-se para que estas mesmas crianças aprendam do que gostam de fazer e o que gostam de explorar, sem que isto lhes seja imposto por um horário rígido e sem tempo para ela própria.

Ainda, é impossível pedirmos a crianças que aprendam quando o cérebro delas está constantemente em esforço. A nós adultos acontece o mesmo. Quando temos um dia inteiro de frente para um ecrã torna-se altamente difícil estar concentrado e ser produtivo e nós já temos mecanismos que nos permitem lidar com esse tipo de frustração. Mas se para nós é difícil, imaginem para uma criança que ainda está a aprender a regular-se.

Sei que as obrigações do quotidiano e dos nossos horários condicionam os das crianças. Mas vamos permitir que as crianças tenham o direito a ser crianças, ou teremos uma geração de adultos que não vai compreender o quão bom é brincar.


Veja o vídeo: Melhores recreios, melhor rendimento escolar!

Em busca do puzzle esquecido!

Quem já não brincou com puzzles? Mais ou menos complexos, com mais ou menos peças, de madeira ou de cartão,… as alternativas são imensas e intemporais. E para todas as idades!

Mas montar um puzzle é mais do que uma boa forma de passar o tempo. As competências necessárias para o fazer envolvem aspectos importantíssimos para o desenvolvimento de uma criança:

  1. Ajudam a aumentar o conhecimento do mundo em redor
    Os motivos de um puzzle podem ser tantos e tão diferentes que, frequentemente, o único critério de escolha dos pais é o seu grau de complexidade. No entanto, o tema deveria ser escolhido tendo em atenção que pode (e deve) ser um veículo de transmissão de conhecimento. Uma paisagem, uma profissão, um cenário do dia-a-dia, um animal, uma obra de arte, o abecedário,… todas as imagens podem ser utilizadas como pretexto para explicar e ensinar a uma criança aspectos do mundo que nos rodeia.Puzzles
  2. Melhoram as capacidades cognitivas
    Os puzzles ajudam a desenvolver e a melhorar o raciocínio. É uma excelente forma de descobrir relações e de perceber o espaço, aumentando percepção visual e espacial.
  3. Permitem o desenvolvimento de capacidades motoras finas
    Ao brincar com um puzzle, uma criança está, de forma divertida, a aperfeiçoar suas capacidades motoras finas, pois a tarefa implica pegar, apertar, agarrar, mover e manipular peças de diferentes formas. Estes são aspectos que assumem uma importância acrescida na fase em que a criança aprende a escrever, em que necessita de conseguir pegar correctamente num lápis.
  4. Desenvolvem a capacidade de resolver problemas
    Mesmo o puzzle mais simples implica trabalhar para atingir um objectivo: pensar, desenvolver uma estratégia mais ou menos complexa, tentar, falhar, ter sucesso são aspectos presentes na brincadeira e que estão envolvidos em operações de resolução de problemas. As capacidades assim desenvolvidas pela criança podem ser transferidas para a sua rotina diária.
  5. Melhoram as competências de “coordenação olho-mão”
    Os processos de tentativa-erro presentes na brincadeira com puzzles envolvem a necessidade de coordenar a visão com a mão. É com base no que vê que a criança irá tentar encaixar cada uma das peças.
  6. Desenvolvem capacidades sociais
    Os puzzles podem ser uma excelente ferramenta para melhorar e promover o jogo cooperativo. Ao brincar em conjunto para completar um puzzle, as crianças discutirão sobre o local certo para colocar uma peça, decidem sobre quem a colocará, partilham victórias e apoiam-se mutuamente em situações onde surge a frustração.
  7. Aumentam a auto-estima
    O acto de alcançar um objectivo com a resolução de um puzzle traz satisfação à criança. As sensações de realização e orgulho fornecem um impulso para a sua confiança e auto-estima, preparando-a para outros desafios.

Por isso, vão lá tirar o pó aos puzzles talvez já esquecidos! Façam-no em família e divirtam-se!

Boas Brincadeiras!

imagem_capa@huffington_post

“No liceu fui sempre um aluno razoável – nunca fui um aluno extraordinário. Estive sempre na Turma A (a dos melhores alunos) e nunca chumbei um ano. Mas também nunca fui o melhor da turma, longe disso, nem nunca tive essa ambição.

Estudava o suficiente para ter notas entre o 12 e o 14. Só excecionalmente chegava ao 16. Mas também era raro ter menos de 10.

Devo confessar que a maioria das aulas não me interessava nada. Era um sacrifício suportar os 50 minutos que duravam e um alívio quando ouvia a campainha que assinalava o intervalo. E o que aprendia nos livros, nas vésperas das provas ou dos exames, também raramente me entusiasmava.

Eu estudava basicamente para passar de ano e não para aprender.

Não percebia por que se estudavam certas matérias – e ainda hoje não percebo, porque nunca me fizeram falta nenhuma.

Para que me serviu aprender as equações de 2.º e 3.º grau, ou os integrais, na matemática? Ou saber resolver aqueles problemas complicadíssimos na física ou na química? E a gramática? Para quê saber identificar o sujeito e o predicado e o nome predicativo do sujeito? Nunca soube isto. Sempre ignorei a gramática. Mas isso não me impediu de ser bom aluno a português, desforrando-me na redação e na interpretação, provando que a gramática não fazia falta nenhuma.

Inversamente, hoje percebo como é importante saber história, e gostaria de saber mais do que sei. História universal e história de Portugal. Como é importante saber geografia, conhecer o mapa-mundo e certos fenómenos da atmosfera. Idem no que respeita à zoologia, à botânica e à geologia: é importante conhecer os animais, as plantas e os minerais.

Mas tudo isto era ensinado de uma forma enfadonha, sem vida, que tornava a aprendizagem uma chatice.

Aliás, há uma coisa básica no ensino que nunca se fez: motivar os alunos para aprender.

Dou um exemplo.

Quando dei aulas no Centro de Formação da RTP, nos anos 70, apareceram por lá uns nórdicos que tinham o seguinte método de ensino: punham câmaras nas mãos das pessoas e mandavam-nas para a rua filmar. As pessoas não sabiam para que serviam os botões, nem como se focava, nem como se enquadrava, mas iam experimentando e tentando perceber como aquilo funcionava. Ora, quando chegavam às aulas e o professor explicava o funcionamento da câmara, os alunos eram verdadeiras esponjas – porque estavam a ouvir as respostas para as dificuldades que tinham sentido. E nunca mais esqueciam as explicações.

Todos nós já passámos por situações parecidas. Quando vamos buscar um carro novo ao stand, o vendedor dá-nos montes de explicações – sobre o rádio, o GPS, as variadíssimas funções, os programas automáticos, a abertura do capot, etc. – mas quando pegamos no carro e começamos a andar já não nos lembramos de metade das explicações.

Porém, se uns dias depois voltarmos ao stand e o vendedor repetir a lição, absorvemos tudo – porque estamos a obter respostas para aquilo que não conseguimos fazer.

O ensino devia ser assim: haver um período de preparação para aprender. As aulas seriam muito mais produtivas, os alunos perceberiam o porquê de estarem a aprender certas matérias.

Há no ensino coisas que se ensinam a mais e outras que se ensinam a menos. Talvez não acreditem, mas no curso de Arquitetura não havia nenhuma cadeira sobre a história da arquitetura portuguesa. Ou seja: nós, jovens candidatos a arquitetos, não tínhamos nenhuma ideia sobre a arquitetura que se fazia em Portugal nem sobre a sua evolução ao longo do tempo. Como não havia visitas a obras nem a ateliês de arquitetos. E, no entanto, aprendíamos pormenores ínfimos sobre maneiras de construir na Idade Média.

Julgo também que deveria haver uma muito maior articulação entre a escola e a vida.

Nos dias de hoje há muita gente a viver sozinha. E já não há ‘criadas de servir’, como havia no passado. Então, por que não incluir no ensino aulas de culinária, noções básicas de cozinha? Seria utilíssimo para todos. E não seria bom conhecermos melhor o funcionamento das casas que habitamos? Havendo cada vez menos gente para fazer certos serviços, por que não ensinar aos alunos noções básicas de trabalhos domésticos: como arranjar uma torneira, como usar um berbequim, como pendurar um quadro, como consertar uma tomada elétrica, etc.? Ao longo da vida todos poderiam experimentar a utilidade destes ensinamentos. Tal como certas noções de bricolage.

E conselhos de alimentação. Ou noções básicas de economia: juros, impostos, dívida soberana, inflação, balança comercial, etc . Estamos constantemente a ouvir estes palavrões na TV; ora, não seria mais útil aprender isto do que as equações de 2.º e 3.º grau?

Finalmente, há uma disciplina que deveria ser enormemente valorizada: o desenho. Em certas situações, é mais importante saber desenhar do que saber escrever. Quantas vezes já não ouvimos dizer: «Eu desenho muito mal, mas vou tentar…»? Saber exprimir ideias através de desenhos e outros elementos gráficos valoriza imenso a capacidade de comunicação de uma pessoa.

Em abono do atual ensino, diz-se que muitas destas coisas que aprendemos e nunca voltamos a usar são importantes porque dão ‘ginástica mental’. Discordo. As outras coisas que aprendêssemos em vez destas também dariam essa ginástica, com a vantagem de adquirirmos conhecimentos que se encaixariam na vida quotidiana e que estaríamos sempre a usar.

Um ensino mais ligado à vida, em que os alunos percebessem a utilidade do que estão a aprender e fossem previamente estimulados para absorver, que lhes desse competências mínimas para seguir uma especialização profissional mas também para funcionarem melhor no quotidiano, para serem mais auto-suficientes, menos dependentes, seria muito mais útil e motivador.

Mas caminhamos em sentido contrário. A introdução do computador na escola, por exemplo, parecendo um avanço, é um disparate – como explicava um dia destes Castro Caldas no SOL. Há certas zonas do cérebro que, quando não se desenvolvem na altura própria, morrem. Os jovens, com as calculadoras e os computadores, qualquer dia não sabem fazer de cabeça contas básicas de somar e dividir.

Ora saber a tabuada é uma daquelas coisas de que se percebe imediatamente a utilidade.

Todos os dias, quando vamos ao restaurante com colegas ou amigos e temos de dividir a conta, recorremos à cabeça para fazer o cálculo – e constatamos a importância de saber de cor a tabuada.

É isto que se pede ao ensino: dar ao nível básico conhecimentos que estejamos constantemente a utilizar, que nos permitam agir melhor e compreender melhor a realidade em que vivemos.

Depois, cada um desenvolverá esses conhecimentos de acordo com as suas capacidades, ambições e preferências.”

Por José António Cabritajas@sol.pt, publicado no Sol, a 19.11.2015

imagem@cdn2.bmag

Muitas vezes os pais preocupam-se porque os filhos manifestam baixo rendimento escolar desde o início do 1.º ano a par de dificuldades em manter a atenção e alterações de comportamento, tal como a recusa.

Antes de qualquer outra coisa, é importante perceber qual a causa destas dificuldades:

Imaturidade? Muitas vezes as crianças não estão preparadas para integrar o 1.º ciclo por questões que se prendem com terem interiorizado e definido as suas motivações para a aprendizagem e terem cumprido as tarefas de desenvolvimento necessárias para tal.
A idade para integrar o 1.º ciclo não é consensual. Em Portugal, entendemos que aos 6 anos as crianças estão aptas, ao passo que na Alemanha defendem que deve ser aos 7 anos.

Para além disso, as crianças desenvolvem-se a ritmos diferentes e é de crucial importância para o sucesso educativo que seja feita uma avaliação cuidada caso a caso. O insucesso pode refletir-se na autoestima e dar origem a ciclos de recusa e resistência que tendem a perpetuá-lo.

Dificuldades específicas de aprendizagem? Esta hipótese nunca deve ser descartada com leviandade. Frequentemente, e por imperativos diversos, a escola é pensada para a maioria, recorrendo-se a estratégias que servem ao grande grupo. Contudo, cada criança privilegia uma forma específica de aprender, pelo que a estratégia da maioria pode não ser a que lhe serve.

Perturbações específicas da aprendizagem, como é o caso da dislexia, manifestam-se desde cedo. O seu diagnóstico precoce é fundamental.

As hipóteses não se esgotam aqui. Por este motivo, é fundamental que as crianças sejam avaliadas tanto no domínio cognitivo como emocional.

Só assim poderemos apurar causas e, claro, definir estratégias que visem a promoção do sucesso educativo.

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Desde sempre que o processo de aquisição e desenvolvimento da linguagem tem sido alvo de inúmeros estudos, não fosse a linguagem vista por muitos como “a janela do conhecimento humano”. Muitos foram os que a consideraram como uma capacidade inata. No entanto, actualmente sabe-se que o seu desenvolvimento depende de questões neurobiológicas e sociais, isto é, da interacção entre as características neurobiológicas de cada criança e a qualidade dos estímulos do meio em que está inserida (Mouzinho et al, 2008).

É incrível a capacidade do ser humano de, sem esforço e em apenas 40 meses, evoluir de um simples choro (como forma de comunicar que tem fome) para a frase “Gostava tanto de comer um gelado!”, provida de sofisticação gramatical e pragmática. Embora rápido, é um processo dotado de grande complexidade (Sim-Sim, 1998). Mas afinal, o que é isto da linguagem? Entende-se por linguagem “um sistema complexo e dinâmico de símbolos convencionados, usado em modalidades diversas para [o homem] comunicar e pensar”(A.S.H.A., 1983). Se pensarmos bem, falar implica uma vasta diversidade de processos. Necessitamos de ouvir, processar o que ouvimos, pensar, recorrer a símbolos para expressar o nosso pensamento, escolher as palavras adequadas, construir frases, utilizar de forma correcta os músculos para articular as palavras e ainda regular a capacidade respiratória… E tudo isto numa fracção de segundos.

À semelhança do que sucede no desenvolvimento das outras áreas, também na linguagem o desenvolvimento é gradual e o ritmo não é o mesmo em todas as crianças. No entanto, existem alguns marcos deste processo. Assim:

  • 1/4 meses
    Começa a palrar, produzindo vogais e posteriormente algumas consoantes como p, b, k, g. Reage aos sons e dirige o olhar e/ou cabeça na direcção dos mesmos;
  • 4/6 meses
    Começa a reconhecer o próprio nome e entende quando está a ser chamado. Começa a distinguir os rostos conhecidos dos rostos estranhos. Responde com tons emotivos à voz materna e inicia a fase do balbucio. Produz uma maior variedade de vogais e consoantes, produzindo sílabas do tipo consoante-vogal sem mudar a consoante (por ex: “dudadá”);
  • 6/8 meses
    Começa a fazer jogo vocal, aumenta o reportório de sons e experimenta diferentes combinações de sílabas (por ex: “pabada”);
  • 8/12 meses
    Começa a tentar repetir e imitar tudo o que ouve, desenvolve a sua intenção comunicativa e começa a utilizar um discurso aproximado do real, usando a entoação e um conjunto de sílabas com diferentes funções comunicativas (chamar a atenção, questionar e protestar) e já reconhece algumas palavras do seu quotidiano (por ex: bola; carro; rua; não);
  • 12/18 meses
    Uso repetido do mesmo som para um determinado significado, produz as primeiras palavras, reconhece o nome de pessoas próximas, objectos e partes do corpo, compreende ordens simples (por ex: diz adeus; dá o carro). No final desta etapa, a criança já imita palavras e os sons de objectos e animais e utiliza cerca de 8/10 palavras relacionadas com o seu dia-a-dia;
  • 18/24 meses
    Utiliza uma linguagem simples e directamente ligada às descobertas sensório-motoras, começa a utilizar algumas regras de comunicação (entoação e turnos de comunicação) e recorre a diferentes formas de comunicação não verbal para chamar a atenção (apontar, olhar e tocar). Utiliza a linguagem enquanto brinca, frequentemente fazendo monólogos com uma linguagem própria e de difícil compreensão. Compreende e responde a perguntas simples (por exe: tens fome?; o que é aquilo?), faz pedidos e o seu vocabulário aumenta de forma explosiva.No final desta etapa, surgem as primeiras combinações de palavras, dando origem a um discurso telegráfico (por ex: “João rua”; “João dá”);
  • 24/36 meses
    Compreende cerca de 300 palavras e a cada dia que passa o seu vocabulário aumenta, começa a adquirir regras e padrões básicos da organização da estrutura frásica da linguagem, utiliza frases de duas ou três palavras e começa a generalizar enunciados de três palavras, formando frases na ordem correcta (sujeito/verbo/objecto), como por exemplo “Maria quer água” ou “mãe dá colo”;
  • 3/4 anos
    Utiliza frases mais complexas com 3 ou mais palavras, adquire regras de concordância (número e género), começa a questionar tudo (idade dos “porquê’s”);
  • 4/5 anos
    Expressa-se bem através de um discurso mais complexo, utilizando frases mais elaboradas. A articulação verbal pode ainda não ser totalmente correcta.Embora todo este processo de aquisição e desenvolvimento da linguagem seja natural, podemos e devemos estimulá-lo.
    Como? Proporcionando experiências interactivas mais ricas.
    Eis algumas ideias:

    • Falar e associar alguns gestos do quotidiano (por ex: olá; adeus; vem cá; ali; em cima);
    • Dizer o nome do que está à vossa volta, para que serve e alguma característica observável (por ex.
      cor, tamanho);
    • Descrever as actividades do dia-a-dia, diversificando e adequando o vocabulário;
    • Ler livros e contar histórias;
    • Incentivar o brincar e o cantar;
    • Ir ao teatro ou ao cinema e depois discutir a história.Em síntese: Fale! Fale muito com a sua criança!Se identificar uma criança cujo desenvolvimento da linguagem não esteja de acordo com a sua idade, deverá recomendar uma avaliação em terapia da fala.

 

Por Joana Firmino, Terapeuta da Fala, para Up To Kids®
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