Porque é que não me convidaste para a tua festa?

Todas as pessoas com filhos conhecem o drama das festas de aniversário.

Quem é  convidado? Quem tem que ficar de fora?

Hoje em dia as festas de aniversário tem vindo a perder o seu caráter pessoal. A festa do João pode ser a festa da Maria. Muitas vezes as festas são impessoais e delegadas a empresas de eventos o que aumenta o drama da escolha. Só podem ser 20, repetem os pais, porque senão fica mais caro. Paga-se por cabeça e é preciso escolher bem. Este número pré definido acaba por ser um drama tanto para os miúdos, como para os graúdos.

É óbvio que perante esta restrição numérica as crianças sejam obrigadas a escolher e gerir o stress de convidar a, b, ou c.

Quem escolher? Aquela miúda que até se gosta, mas que não é tão popular ou optar pela miúda menos simpática, mas que todos acham fixe. As crianças desde cedo são obrigadas a escolher e a tomar decisões. É difícil, sabemos disso. É lhes difícil chegar à escola e ter que ouvir de alguém de lágrima ao canto do olho “porque não me convidaste?” ou um “pensei que éramos amigas?”.

E quando quem fica de fora é aquela miúda ou miúdo que tem t21?

Talvez nem perceba, julgamos, pelo menos não se queixa, nem implora para ir e continua a ser simpático, como se nada fosse. É preciso escolher e este miúdo embora se goste imenso dele não é a escolha a, b, ou c, provavelmente será a escolha x. Os miúdos têm dificuldade. E os pais? Que tipo de pensamento terão ao deixar de fora o colega diferente? Acharão que  para esta criança ficar de fora não será tão mau como para outra qualquer?

Nestes últimos anos tenho ouvido muitos desabafos de pais.

Os filhos não são convidados porque as pessoas têm receio. Será que gosta de pizza ou  de bolo? Será que gosta de piscina? Saberá nadar? Há coisas que nos atingem profundamente, a nós pais de crianças com t21. Não porque não saibamos que existem, mas porque nos chegam quase sempre de pessoas que julgamos informadas.

A Maria queria convidar a Sara, a colega com t21, mas não sabia se a Sara gostava de bowling. Quem diz bowling, diz outra coisa qualquer. A solução encontrada foi não convidar a Sara, a Maria e os pais da Maria não sabiam. Este episódio contou-me a mãe da Sara há alguns dias. Fiquei a pensar nisto. Será que a Maria e os pais fazem isto com todas as pessoas ou apenas com quem não queriam convidar? É o que me ocorre. Teria sido fácil perguntar aos pais da Sara, se tinham dúvidas.

Que feio que é distribuir os convites e dizer àquela criança: “não te convidei porque não sabia se gostavas”. Que feio que é justificar-se desta forma aos pais da Sara. Maneira esquisita de ser (des)convidado. Sempre pensei que primeiro se convida e depois o convidado decide se quer ou não ir, se gosta ou não.

Os miúdos com t21 também sabem fazer esta escolha.

Sabiam? E  acreditem que não gostam de tudo.  Já pensou, se fizessem o mesmo com o seu filho sem t21. Se lhe dissessem “gostava de convidar o x ou y mas não sei se gosta, por isso optei por não convidar.”

Já não devia chatear-me com estas histórias, mas fico sempre sem saber o que dizer. Como chegar aos pais dos colegas? Como combater ideias pré-concebidas?

A minha filha Vera tem 14 anos e continua a ser convidada para as festas. “Isso vai deixar de acontecer, espera que ela cresça. Os colegas já não vão querer estar com ela”, dizem-me.

Será que vai ser assim? Confesso que este pensamento me causa alguma angústia, Por enquanto, esse momento ainda não chegou, mas sei que, tal como vocês,  nunca estarei preparada para ver a minha filha sofrer.

 

Marcelina Souschek, em Pais 21

 

A Associação Pais21 – Down Portugal é uma associação de pessoas com trissomia 21, famílias e sociedade civil que desde 2008 promove a informação e a partilha de novidades relativas  à trissomia 21. A nossa associação pretende  mudar o modo como a sociedade vê as pessoas com t21,  dar um apoio individualizado aos pais, dar informação atualizada sobre as suas capacidades reais  e apoio às novas famílias.

Estás a sair-te bem. Não importa o que os outros te digam nem o que pensam sobre as tuas opções, sobre o que deixaste  para trás ou a forma como vives a vida… Vai correr bem!

Mesmo que às vezes tenhas dúvidas, sabes que a vida é um processo e, enquanto tiveres confiança em ti próprio, as coisas vão seguir o seu rumo com tranquilidade e harmonia.

É este o tipo de reflexão que frequentemente precisamos de ouvir da boca de alguém. Precisar não significa, que procures a aprovação alheia ou que duvides de ti. Por vezes, um reconhecimento, um simples reforço positivo no momento exato e no instante adequado, resulta como um carinho emocional e um impulso vital.

Por exemplo, a frase “Estás a sair-te bem” é essencial no universo pessoal de uma criança. Um elogio é na verdade muito mais do que um simples reforço positivo. É um modo de incentivar a criança a continuar, a seguir em frente, enquanto alimentamos a autoestima, a confiança e a sensação de segurança. Ao mesmo tempo, também se apresenta como uma expressão que se foca no processo, mais do que no próprio resultado

Os adultos também precisam desse tipo de interação positiva na qual por um lado, está o reconhecimento pessoal e por outro, o apoio. Por exemplo, a mãe e o pai que dia após dia realizam a complexa tarefa da criação e da educação de um filho. Uma pessoa que em determinada altura decide fazer uma mudança na sua vida e alguém do seu círculo próximo hesita em dizer-lhe que sua decisão é correta, que esse passo é um acto de coragem…

Os diferentes tipos de apoio pessoal que podemos encontrar no dia a dia

Nós já calçamos sapatos de adultos. Servem-nos perfeitamente e nós  sentimo-nos confortáveis. No entanto, as solas podem estar gastas do grande caminho que percorremos, pelas pedras e poças que encontramos ao longo do caminho. Mas esta viagem ainda está a meio, falta-nos viver uma série de experiências, e há um aspecto que ainda continua a afetar-nos de várias maneiras.

Falamos, sem dúvida, do apoio, da consideração e da proximidade que recebemos dos que nos rodeiam. Podemos dizer que “nada nos afeta”,  que já chegamos a um ponto do nosso desenvolvimento pessoal em que as palavras das outras pessoas são como ar viciado, e que “entram a 100 e saem a 200”…. Mas a verdade é que,  por mais que queiramos nem sempre funciona assim. O que os nossos pais ou irmãos nos dizem, às vezes, atinge-nos. Os comentários dos amigos e do nosso companheiro ou da nossa companheira têm importância.

Por isso é que, às vezes, ouvir um “Estás a sair-te bem” é tão gratificante e nos confirma que essa relação, esse vínculo, valioso é muito importante. Assim, ao longo da vida, teremos três tipos de apoio pessoal.

Pessoas que ajudam, pessoas que habilitam e pessoas que dificultam

Niall Bolger é um investigador do departamento de psicologia da Universidade de Columbia, especialista em realizar estudos sobre relações pessoais e seu impacto no nosso bem-estar psicológico. Num dos seus trabalhos, demonstrou que a forma como o nosso círculo mais próximo nos confere ajuda ou apoio pode basear-se em três tipos de dinâmicas.

  1. Pessoas que habilitam.
    Quem nos “habilita” não nos apoia. Quem habilita procura, acima de tudo, dizer-nos como fazer bem as coisas segundo os seus desejos, crenças ou valores. São amigos, familiares ou companheiros que, longe de entender a nossa perspectiva ou de aceitar os nossos desejos ou escolhas, tentam “habilitar-nos” para que nos encaixemos no seu universo pessoal.
  2. Pessoas que dificultam.
    São pessoas que estão constantemente a convencer-nos que querem o melhor para nós, mas ao mesmo tempo têm comportamentos que dificultam as coisas. Neste perfil não encaixam expressões como “Estás a sair-te bem, mas lembra-te que já agiste assim e correu mal, e é provável que aconteça outra vez. Só estou preocupado contigo” ou “sabes que te adoro e admiro, mas acho que é melhor acabares com essa pessoa”…
  3. Pessoas que ajudam.
    O doutor Bolger, responsável por este estudo, definiu um terceiro tipo de relação, tendo sido considerada a mais importante. São pessoas que não só têm a capacidade inata de dizer as coisas mais sensatas no momento certo, mas que também nos conferem um “apoio invisível”. Ou seja, às vezes não precisamos de ter a pessoa por perto para saber que temos todo o seu apoio, o seu interesse e preocupação…

Assim, o melhor apoio é aquele que “deixa ser” e que nos transmite a todos os momentos a sensação de eficiência, de segurança e de apoio constante.

Estás a sair-te bem porque…

Sabemos que esses reforços verbais e emocionais por parte das pessoas mais próximas são úteis em muitas situações. Ajudam-nos a seguir em frente. No entanto, também não podemos esquecer-nos de que é impreterível que procuremos incentivar-nos, validar-nos, motivar-nos de forma a proporcionar-mos apoio emocional adequado para encontrar essa energia vital para enfrentar o dia a dia.

Nunca é demais refletir e interiorizar as seguintes frases:

  • Estás a sair-te bem porque, estás conseguir viver em harmonia contigo próprio, com os teus valores e necessidades. Não importa os momentos difíceis porque esse é o custo de seres coerente contigo próprio.
  • Estás a sair-te bem porque cada dia é uma pequena vitória onde alcanças algo novo e enriquecedor.
  • Estás a sair-te bem porque deixaste para trás o que te atrasava, pessoas e dinâmicas próprias que faziam mal, que não te ofereciam nem equilíbrio nem felicidade.
  • Estás a sair-te bem porque viver é arriscar, é pores-te em movimento e não parar. A felicidade é um processo e estás no bom caminho, o caminho que tu escolheste.

Vamos pôr em prática estas premissas.

Afinal de contas, não custa nada e traz-nos muitas coisas boas.

 

Publicado em A mente é maravilhosa, adaptado por Up To kids®

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O que eu quero para 2018

Chegando a esta época que aquece os corações todos nós fazemos votos, para nós e para os que nos são mais queridos.

Mas a verdade é que passamos um ano inteiro à espera dele e pufff, o Natal passa mais depressa que aquelas férias com que andamos a sonhar meses a fio.

Por isso, este ano, os meus votos serão alargados a todo o ano – o que está a terminar e o que se avizinha:

Menos coisas e mais tempo para estarmos uns com os outros.

Menos julgamento e mais capacidade de olharmos em volta e colocarmo-nos na pele de quem nos rodeia.

Mais elogios que vêm do fundo do coração, menos tendência para adiarmos para amanhã algo que pode fazer alguém feliz.

Ensinar aos miúdos que apesar de serem bombardeados com anúncios de bonecada, o mais importante é que saibam brincar entre si e até sozinhos, que nunca se cansem de explorar e se desafiar, que nenhum mal vem ao mundo por não ter o boneco A ou a princesa X e que o que as histórias têm de bom é o que aprendemos com elas.

Menos culpa, seja imputada a nós seja para nos livrarmos de alguma responsabilidade.

Não esperar dos outros mais do que aquilo que são capazes de dar e sermos agradecidos pelo seu esforço.

Valorizar o que vale realmente a pena e deixar o acessório ter, o seu pequeno, espaço no nosso dia-a-dia.

Dar sem esperar receber.

Abraçar sempre e nunca deixar para depois aquele “amo-te” que devia fazer parte de todos os dias.

Corrigir sem humilhar, agradecer as críticas construtivas que nos chegam de todos os lados se estivermos abertos para as ouvir.

Fechar os olhos e respirar fundo quando é preciso, dizer uma palavra ou outra mais dura quando os momentos assim o pedem e nunca, mas nunca, pedir desculpa apenas para terminar uma discussão – ou seja dizer o que se sente e sentir o que se diz.

Abrandar a correria, as pressas e ficar mais.

Agradecer mais.

Pedir menos.

Ser mais felizes com quem somos e com o que temos. Apesar do que temos.

Olhar para o futuro como aquilo que ele é: um manancial de coisas boas prontas a acontece.

Que venha o novo ano.

Estamos prontos.

imagem@wetransfer

Meu amor,

Ainda não completaste três anos e já dizes coisas que eu jamais seria capaz de te dizer.

Muitas vezes, nos últimos tempos, ao seres contrariada viras costas, fazes beicinho enquanto cruzas os braços e te afastas ao som de um já não sou mais tua amiga!.

Deixo-te estar, dou-te espaço para lidares com a tua frustração e quando sinto ser hora disso falo contigo. Explico-te que isso de sermos amigos é muito mais do que termos alguém que nos faz a vontade a toda a hora.

Um amigo, como irás concluir, mais tarde ou mais cedo na tua vida, é uma pessoa que gosta de ti como és. Que pode até tentar ajudar-te a seres melhor, mas aceita os teus defeitos. Mas isso não significa que gosta de tudo o que és e que por ser teu amigo tem de aturar as tuas piores características como um mártir.

Um amigo diz-te a verdade, mas só quando és capaz de a ouvir. Sabe que há momentos em que não vale a pena que se una uma frente fria, que achamos que nada nos vai derrubar. Nem a mais pura das verdades. Um amigo sabe respeitar os ritmos, os tempos, e no que toca à verdade isso conta e muito.

Um amigo conhece-te como ninguém, lembra-se de ti nos momentos mais inusitados mas não tem de te ligar todos os dias para provar como és importante para ele.

Um amigo está lá sempre que precisas, mas não podes exigir que coloque a sua vida em pausa e venha a correr só porque sentes o teu mundo desabar. Haverá alturas em que isso é possível e outras em que não dá. Terás de aprender a aceitar as duas com igual reconhecimento.

Um amigo é alguém em quem confias, mas também te pode deixar mal, mesmo que sem essa intenção.

Um amigo é, afinal de contas, humano.

Lembra-te que também tu, para alguém, serás esse amigo. E esperas que tenha a mesma consideração, a mesma paciência, o mesmo amor que exiges quando estás do outro lado.

A amizade és dos laços mais importantes que vais desenvolver. Vais ter amigos na família, na escola, no trabalho, no sítio onde passas férias, no clube onde fazes desporto.

Vais fazer muitos amigos e manter apenas alguns.

Faz com que aqueles que manténs do teu lado sejam bons. Te façam bem. E sê boa para eles. Faz-lhes bem também porque as relações são feitas de dar e receber.

Quanto a mim, por mais que faças, nunca te virarei costas dizendo que já não sou tua amiga.

Teremos os nossos conflitos e teremos de aprender a ser suficientemente amigas uma da outra para não deixar que destruam o que de melhor temos: o nosso amor.

Conta com isso.

imagem@weheartit

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Já não és minha amiga

Ser mãe de crianças de ambos os géneros dá-me uma visão bem diferente da forma de se estar na vida e da convivência social de cada um. Com os rapazes tudo é ou parece simples. Na grande maioria das vezes, para além da competição de macho, pouco mais existe para discutir. Nas meninas é tudo mais complicado e dramático. “Já não és minha amiga”, “já não te convido para ires à minha festa”, “já não gosto de ti”, etc e etc.

 Quem é mãe de menina já passou por isto.

De início tentamos não dar importância. Mas quando as queixas são persistentes e de forma sofrida começamos a achar que a nossa princesa possa estar em sofrimento, a ser excluída e/ou até a ser vitima de bullying. (Lembrando todos os casos expostos nos meios de comunicação social em que os pais não deram conta ou importância). Decidimos então intervir de alguma forma, normalmente pedindo ajuda a professores. Mas quando o fazemos apercebemo-nos de que tudo já foi esquecido e já estão totalmente “amiguinhas” ou “BFF” (best friend forever).

Nós, adultos, não esquecemos tão repentinamente.

Por mais que sejam coisas de miúdos, mais cedo ou mais tarde somos confrontadas com o pedido para a amiga ir brincar lá a casa. Acompanhada de uma birra ou amuo se dizemos que não, e temos de lidar com a presença de uma miúda que ainda há minutos era o foco de sofrimento e choro da nossa filha ( e o risco de voltarem a zangar-se repentinamente). É aqui que começamos a estar atentas à autoestima e capacidade de sociabilização da nossa filha! Será que devo transmitir-lhe ferramentas de defesa psicológica para que não se deixe pisar ou rebaixar? Tenho reforçado sempre a compaixão, humildade, bondade e respeito para com os outros. Na verdade, tanto é atacada e é a presa como é ela que ataca e se transforma na vilã.

Para se ser uma boa amiga precisamos de perceber e dar a entender que apesar da brincadeira, das gargalhadas, do suporte e do carinho, por vezes, podemos encontrar conflitos, mal-entendidos ou tristeza.

E que ferramentas poderão precisar, elas e nós, para contornar estas situações:

  1. Antes de ser amiga de alguém precisa de ser a melhor amiga de si própria;
  2. Ter em nós mães um bom modelo e exemplo;
  3. Conversar sobre o comportamento e características que uma amiga deve ter. Explorar o que é uma má companhia e o que faz. O que espera de uma amiga. (sou da total opinião que não devemos ser nós a dar respostas, mas ajudar a traçar o caminho da descoberta)
  4. Falar sobre as suas qualidades que a fazem especial e única.
  5. Ensinar alguns recursos para lidar com conflitos. (ex: pode fazer perguntas ou pedir explicações, às vezes o tom pode ter sido mal entendido ou as palavras terem um duplo sentido, e o que é escrito então… )
  6. E por fim, o que para mim é uma regra de ouro, tratar os outros como gostariam de ser tratadas.

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As nossas melhores amigas

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Valorizo as amizades mas escolho passar mais tempo com a família

 

Eu preservo e valorizo as amizades. Mas prefiro quase sempre passar o meu tempo com a minha família do que com qualquer outra pessoa do mundo…

Eu gosto da minha família.

Eu sei que passo mais tempo com eles do que com qualquer outra pessoa do mundo, e é uma opção minha.

Eu passei muito tempo e gastei muita energia para escolher o homem com quem queria partilhar a vida e ele é a pessoa de quem mais gosto no planeta inteiro. E também invisto muito tempo para garantir que os meus filhos se tornem no tipo de pessoas com quem eu quero e gosto de estar. Somos definitivamente um projeto em andamento, mas ainda assim,

eu vou sempre escolhe-los.

Eu escolho estar com eles em vez de ir sair e ir beber um copo com adultos vivos e reais, porque à sexta-feira à noite fazemos um programa de Tv e pipocas em família.

Escolho passar o sábado de manhã com eles em vez de ir a um brunch com amigas. Eu passo a semana toda a correr de um lado para o outro, a manda-los fazer os TPC, arrumar a mochila, a dar banhos e refeições, e quero aproveitar esse nanosegundo do fim de semana para poder estar presente a 100% antes de nos enfiarmos em mais uma semana louca.

Eu escolho estar com eles porque, sejamos sinceros, para estar com as minhas amigar tenho de me vestir à séria.

Eu escolho ir de férias com eles, porque mesmo nos piores momentos, quando estão a fazer birras, a chorar ou implicar, entendo-os. Eu sei quem tem fome, quem está com sono e quem está em baixo e precisa de ser animado. E sim, normalmente sou eu. Eu sei que um de nós está proibido de se descalçar no carro e que outro precisa de comer poucos segundos depois de acordar da sesta. Nós conhecemos os nossos ritmos e particularidades como se fossem as nossas.

Eu escolho-os porque eles são exactamente tudo o que eu sempre quis mesmo antes de saber o que é que queria.

Eu escolho-os porque eles me entendem. Eu sou alegre mas irritante de manhã e normalmente adormeço a meio de um filme ao serão. Eles sabem que adoro manteiga de amendoim, que sou uma versão ansiosa de uma mãe helicóptero quando os vejo a nadar, que eu odeio ter frio e que a desordem me tira do sério. Eles conhecem as minhas falhas todas e amam-me incondicionalmente, na mesma.

Eu escolho-os porque, apesar das suas piadas serem secas, de estarem constantemente a implicar, terem as mãos e caras muitas vezes pegajosas, e cantarem pessimamente a versão do “Take Me Home, Country Roads,” a minha família diverte-me mais do que qualquer concerto, programa fashion, ou qualquer filme no cinema.

Eu escolho-os porque, meu Deus, este tempo está a passar a voar. Pestanejei. Ele fez 10 anos. Ela tem 5. Até tenho medo de pestanejar novamente. Fico aqui com palitos nos olhos a aguentar as pálpebras. Obrigado.

Eu escolho-os porque, nos divertimos à grande a viajar e a fazer ski todos juntos mas também gostamos de ficar um dia em casa, na ronha, sem fazer nada de especial. Estamos juntos apenas e esses são os meus dias favoritos. Os dias de preguiça total que nos enfiamos no sofá confortavelmente com livros, filmes e snacks. Eu escolho este programa a qualquer outro.

Eu escolho-os, porque nesta fase também eles me escolhem. Pelo menos por mais uns tempos, porque assim que tenham carta de condução  vão escolher o mundo inteiro menos a mãe, e isso é normal. Talvez agora chore um bocadinho.

Eu escolho-os porque eles são meus. Tal como as restantes famílias, nós não somos perfeitos, mas estamos a crescer em conjunto. Eles são a minha família.

Por isso os meus amigos que me desculpem por andar a perder algumas coisas. Provavelmente muitas coisas. Mas entendam, eu só tenho este curto período de tempo para escolher os meus filhos, porque brevemente, eles não me escolhem a mim.

E eu quero aproveitar esta fase ao máximo.

Por Joelle Wisler, publicado em Scary Mommy

imagem@shutterstock

Minha querida,

ao longo da tua vida vais conhecer pessoas que serão muito importantes para ti, mas só algumas delas se vão manter até ao fim. E é mesmo assim. Serão poucos aqueles a quem podes chamar de Amigos, mas esses ficam para sempre no teu coração e não precisam de estar para sentires a sua presença.

Por vezes vais ficar confusa, triste e desiludida também. Já falámos sobre a desilusão, não já? Sabes que o truque é não esperar nada, não sabes? Faz o que tens de fazer com o coração aberto e não esperes nada em troca.

As coisas boas acontecem às pessoas boas.

Um dia vais encontrar-te presa numa rotina em que já não tens tempo para telefonar ou estar com alguém de quem gostas muito. Arranja tempo. Vai fazer-te bem e a amizade tem de ser reciproca, lembra-te disso.

Vais ter amigos antigos e novos amigos. Quando isso acontecer ficarei tranquila por saber que tens capacidade para dar o melhor de ti a quem amas e a bondade de te dares a quem não conheces.

Não fiques triste se um ou outro amigo se afastar. Não releves o facto de se ter afastado, mas sim a amizade que o fez voltar. Recebe-o com um abraço. Há alturas na vida em que precisamos de estar sozinhos. Respeita isso.

Vai haver um dia em que os teus sentimentos estarão confusos, em que a amizade se vai parecer tanto com amor e o amor com amizade. Não tenhas receio, tudo ficará claro dentro de ti. De uma grande amizade pode nascer um grande amor e um grande amor será sempre, antes de tudo, uma grande amizade. Dá tempo ao teu coração.

Respeita-te e faz-te respeitar. Os amigos não são cruéis, não se aproveitam das tuas fraquezas, mas se acontecer, perdoa. Os amigos sabem perdoar.

Dá-te a conhecer realmente. Não escondas o pior de ti nem mostres só o teu melhor. Os Amigos gostarão de ti como tu és.

Não julgues um amigo por uma atitude, tenta compreendê-lo e ouve o que tem para dizer.

Vive a tua vida e nunca a dos teus Amigos, a Amizade sabe coexistir.

Fica feliz com as suas vitórias assim como ficarão felizes com as tuas, se for preciso ajuda-os a ganhar e se precisares pede ajuda.

O mais importante é seres sempre a melhor pessoa que podes ser e que sejas feliz com as tuas escolhas.

As pessoas felizes vivem amizades felizes.

A amizade é benéfica para a saúde e bem-estar, especialmente se for presencial, segundo um estudo hoje divulgado.

Através das relações de amizade as pessoas riem-se mais, exprimem mais emoções positivas, sentem-se mais apoiadas e otimistas e sentem que têm alguém em quem confiar em momentos difíceis.

Nas relações indiretas (através das redes sociais) há também uma sensação de pertença que promove o bem-estar, diz o estudo do Centro de Investigação e Intervenção Social do ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa.

O estudo inquiriu 803 pessoas e concluiu também que quem mais usa as redes sociais (Facebook por exemplo) sente-se mais só, sente que tem menos apoio em caso de necessidade e que está menos ligado aos que o rodeiam.

Realizado por uma equipa do ISCTE, o estudo “Amizade e Saúde” procurou perceber se os amigos “virtuais” têm o mesmo impacto positivo do que a amizade ao vivo. E a conclusão é que o impacto é maior nas amizades presenciais.

De acordo com as respostas, na “vida real” 55 por cento dos inquiridos tinha mais de dez amigos, 59 por cento tinha três ou mais amigos íntimos e 48 por cento convivia pessoalmente com eles pelo menos uma vez por semana.

Segundo a amostra 58 por cento disse que raramente se sentia só, 70 por cento disse achar que teria pessoas a quem pedir ajuda se necessário, 45 por cento disse que se sentia socialmente bem integrado e 56 por cento que sentia uma forte conexão social.

Quanto à “vida virtual”, 90 por cento dos inquiridos disse ter Facebook e destes 45 por cento disse ter mais de 300 amigos, ainda que a maioria (80 por cento) tenha reconhecido que apenas 50 ou menos eram amigos verdadeiros.

Diz o estudo que, apesar de a dimensão de amigos nas redes sociais se associar a uma maior integração social, a frequência de contactos no Facebook pode ser um fator de risco para as amizades ao vivo.

fonte 15 mai (Lusa)