Detestei amamentar. Começo assim o texto para não o lerem ao engano.

Nunca pensei que a amamentação fosse um momento mágico em que ouvimos música celestial, enquanto as pequenas crias sugam o leite das nossas mamas e que o vínculo entre mães e filhos só se desse assim, ou que fosse imprescindível para as defesas dos nossos filhos, ou que todas as coisas que nos tentam enfiar na cabeça fossem a preto e branco, mas imbuída do espírito de sacrifício que toda a mãe deve ter, amamentei (ou tentei amamentar) os meus filhos.

Tive duas experiências diferentes e detestei cada uma delas.

Com a Mariana foi tudo difícil, ela nasceu antes das 38 semanas, era minúscula e fazia da mama uma chucha. Eu não o percebi e os enfermeiros que chamei trezentas vezes, enquanto estive na maternidade também não. O primeiro que me viu quando fomos para o quarto parecia uma criança maravilhada com um brinquedo novo, juro, mexeu-me nas mamas, espremeu os mamilos, eu tinha imenso leite disse-me radiante. Fiquei estupidamente contagiada com tanto entusiamo, só podia correr bem. Não correu. A Mariana passava horas na mama e quando eu os chamava todos me diziam o mesmo, que eu tinha muito leite, para experimentar dar mama deitada para um lado, depois para o outro, depois com a cabeça dela numa almofada, depois sentada no cadeirão, depois em pé, depois a fazer o pino e nada. Ralharam comigo, exigiram-me paciência. E eu tive. Eram eles que me davam as drogas para as dores e eu obedecia. Passava horas sentada num cadeirão e a minha filha passava horas irritada a tentar mamar e não se ouvia música celestial em lado nenhum. Piorou no dia em que devíamos ter alta. A pediatra informou-me que ela tinha perdido muito peso e que estava desidratada. O mundo desabou na minha cabeça. Vi-me inundada em culpa. A miúda só tem quatro dias e eu já estou a fazer tudo mal. Ainda na maternidade dávamos Leite Adaptado para ela ganhar peso e insistíamos na mama, mas a mama era o nosso momento de irritação, de frustração e de culpa. Continuava a não mamar e eu acabava por lhe enfiar um biberão cheio de LA goela abaixo. Ela ficava feliz e eu também.

Quando ela fez um mês desisti e passou exclusivamente a LA.

Com o Tiago foi tudo fácil. No recobro, assim que a enfermeira o meteu na minha mama, eu senti sem qualquer dúvida que ele estava a mamar. Aliás, aposto que se eu deixasse ele ainda hoje mamava. O meu filho nasceu de 41 semanas e três dias, era grande, e eu tal como da primeira vez, tinha muito leite e o meu pequeno bezerrito mamava de duas em duas horas. Era mamar, arrotar, mudar a fralda, mamar, arrotar, mudar a fralda, mas apesar da aparente facilidade, continuei a detestar com todas as minhas forças. Amamentar é muito doloroso, eu sei que depois melhora um pouco, mas enquanto não melhora dói, os mamilos estão gretados, sensíveis, as mamas estão sempre inchadas. Eu tinha leite para alimentar uma ninhada de gatos. Não havia discos de amamentação que aguentassem. Acordava sempre com o pijama molhado, cheguei a tomar banho durante a noite, nos intervalos em que ele me largava as mamas. Que era pouco tempo, porque acordava quatro e cinco vezes para mamar durante a noite. Era desconfortável. Sempre detestei amamentar fora de casa, sentia-me sem privacidade. E era uma prisão. A primeira vez que tirei leite com a bomba para poder sair, fui com o meu marido a um concerto, passei o concerto com as mamas a rebentar e quando cheguei a casa estavam cheias de caroços e eu chorei de dor. Eu detestava, mas o miúdo gostava e crescia e eu aceitei as condições. A única vantagem era ser grátis.

Quando ele fez cinco meses precisei de começar a tomar uma medicação e não pensei duas vezes, comecei imediatamente a dar LA em exclusivo. Como castigo, o meu filho não me deixa dormir bem até hoje.

Das duas vezes tomei a decisão de deixar de amamentar de forma consciente e sem culpa, sabendo que não estava a prejudicar os meus filhos. A amamentação está sobrevalorizada. Amamentar é alimentar e não tem que ser necessariamente com as nossas mamas. Este é um tema que gera muita discussão, não raras vezes acéfala, acusadora e fundamentalista. Existe muita pressão dos médicos, dos enfermeiros, da família e dos amigos, para que a mãe amamente, chega a ser terrorismo psicológico e pode ser demolidor para quem não souber lidar com isso. Como toda a gente sabe, ser mãe é uma condição cheia de sacrifício e se tu não sacrificas as tuas mamas pelos teus filhos, não podes ser boa mãe.

Detestei amamentar e esta é a minha experiência, não é um manifesto contra a amamentação, o que desejo é que cada mãe possa ter a sua experiência, fazendo as suas escolhas, sem culpa, sabendo que não é a amamentação que a define enquanto mãe.

Amamentar é daquelas coisas que tem tanto de simples como de complicado. Se por um lado dispomos de equipamento para o efeito – leia-se mamas – por outro trata-se de uma actividade nova para as partes envolvidas – a mãe nunca usou as suas mamas como fonte de alimento, o bebé nunca precisou de fazer nada para se alimentar, limitava-se a receber o alimento necessário através do cordão umbilical.

No nosso caso, foi complicado. A Letícia nasceu quase prematura, tinha os valores da glicémia baixos (esteve quase a ir para a incubadora) e por isso, depois de ter mamado o meu leite, bebeu leite artificial (LA). Mais, tinha imensa dificuldade em permanecer acordada para mamar e em fazer a pega (colocava o lábio inferior para dentro). No hospital (privado) foram incansáveis, apareciam constantemente no quarto para assegurar que a pega estava a ser bem feita, para vigiar se o leite já tinha subido/descido (ao início produzes colostro, um líquido amarelado ou transparente) e para me motivarem.

Embora no hospital tenha dado sempre leite materno (LM) e de seguida LA, em casa decidi investir mais no primeiro. Dava LM, ela adormecia, acordava pouco tempo depois a querer mamar; na altura diziam-me que devia fazer intervalos, criar horários – tudo errado!

Na primeira consulta de pediatria a nossa filha tinha perdido peso, o que para um bebé que desde o nascimento se enquadrava no percentil 15 era péssimo. Chorei muito, senti-me a pior mãe do mundo por ter insistido no LM; a pediatra deu-nos duas alternativas: abandonar o LM ou continuar a dar entre o LA. Nos dias seguintes, com o aumento de consumo do LA, notava-se um desinteresse cada vez maior pelo LM, como resultado eu produzia cada vez menos; sentia-me triste porque adorava dar de mamar (aquele momento só nosso de pele com pele) e por acreditar que o meu leite era o alimento ideal para a nossa filha. Estava prestes a desistir quando recebi uma mensagem no facebook de uma prima do meu primo (daquelas pessoas simpáticas com quem raramente nos cruzamos) que dizia algo deste género: “Olá, Tânia! Espero que tudo esteja a correr bem. Não sei se sabes que me tornei conselheira de aleitamento materno, se precisares de alguma coisa, avisa“. Lembro-me de ter chorado de tão feliz que fiquei, aquela pessoa surgia no meu caminho na hora exacta.

A primeira sessão com a Cristina (a tal prima) foi fantástica – ouviu-me, acarinhou-me, sugeriu e deixou-me escolher o caminho que iríamos seguir. Contrariamente ao que me diziam, a Cristina explicou-me e provou-me (enviou material de apoio) as vantagens de amamentar em livre demanda (sempre que o bebé quer); tal também faria com que a minha produção aumentasse. Confesso-vos que as primeiras noites foram terríveis, enquanto com o LA ela mamava e dormia várias horas seguidas, com o LM tinha de acordar constantemente para dar de mamar (no início chegou a ser de 30 em 30 minutos). Gradualmente a produção foi aumentando, passei a ter de acordar menos vezes e a dar menos LA.

Contra todas as expectativas, a nossa filha mamou até aos 12 meses, altura em que, com muita pena minha, fez o desmame natural.

Dar de mamar foi das experiências mais maravilhosas e duras da minha vida. Gostava de ter sido avisada sobre alguns aspectos desde o início, de dispor de várias alternativas que só mais tarde descobri. Posto isto, deixo-vos uma lista com as aprendizagens que fui fazendo (sobretudo com a ajuda da conselheira em aleitamento materno) e que poderão fazer a diferença entre uma amamentação feliz e uma amamentação abandonada precocemente.

1 -Prepara-te para que não acertar à primeira.
O bebé está programado para mamar, a tua mama está programada para dar leite, ainda assim nem tudo flui imediatamente. O bebé pode ter dificuldade em fazer a pega, pode ter tendência a adormecer assim que começa a mamar, entre outros; os teus mamilos podem ter um formato que não facilita a amamentação (com ajuda tal poderá ser contornado, evita recorrer de imediato aos bicos de silicone que tornam a sucção mais complicada e podem reter o leite), podem ter mais tendência a formar gretas, etc. Com o tempo (pode demorar!) vais dominar isto e perceber o que resulta com vocês.

2 – Dá de mamar sempre que o bebé quiser.
Não te foques em horários, em criar intervalos e rotinas, tudo isso surgirá naturalmente. O teu bebé necessita de se alimentar e, tal como todos nós, terá o seu ritmo de o fazer – há quem coma pouco em cada refeição, e por isso coma mais vezes ao dia, há quem coma mais em cada refeição, e por isso coma menos vezes ao dia. Além disso, o bebé mama de acordo com as suas necessidades em cada fase e será deste modo que as tuas mamas irão perceber a quantidade de leite que precisam de produzir.

3 – “As mamas não são armazéns, são fábricas”.
Esta frase da Cristina é mágica e libertadora! Quando começares a amamentar irás reparar que nos segundos que antecedem a mamada as tuas mamas parecem ter silicone de tão grandes e rijas que ficam; no final apenas te restarão duas uvas passa, moles e sem graça. Quando o bebé pede novamente para mamar e as tuas mamas ainda estão em modo uva passa sentirás que estás a produzir pouco, que ainda não tens leite suficiente para o alimentar, o que é altamente stressante. Eis que surge a Cristina com a explicação de que as nossas mamas não funcionam como armazéns, elas vão produzindo leite enquanto o bebé mama, pelo que uma mama aparentemente vazia não é uma mama inútil.

4 – Quanto mais os bebés mamam, mais leite produzimos.
Este princípio é básico mas menos óbvio do que se possa imaginar. Se sentes que estás a produzir pouco, permite que o bebé mame mais vezes ou, em último caso, recorre a uma bomba tira-leite (deverás ter muito cuidado para não começares a produzir demasiado leite e entrares num círculo vicioso em que por produzires demais tens de tirar com a bomba e ao tirar  vais produzir ainda mais).

5 – O vosso conforto é fundamental.
Apanha as almofadas todas que andem aí por casa e constrói um castelo de almofadas que te permitam (e ao bebé) sentir confortável enquanto amamentas – nas costas, por baixo dos braços, no colo, vale tudo.

6 – Respira, relaxa e aproveita o momento.
Enquanto a prolactina é a responsável pela produção de leite, a ocitocina, conhecida pela hormona do amor (é a que está também ligada aos orgasmos) é responsável por estimular a produção de prolactina e permitir que o tecido mamário se contraia de forma a que o leite passe pelas glândulas mamárias; traduzido por miúdos, a amamentação será mais fácil se estiveres relaxada pois a produção de ocitocina acontecerá de forma mais natural. Andares preocupada por teres “pouco leite” contribui para que tal aconteça.

7 – Não existem leites fracos, nem insuficientes, nem que alimentam pouco.
Vais ouvir esta frase várias vezes, sobretudo quando o bebé chora, mesmo que por  outro motivo. O teu leite é óptimo, tem tudo o que o teu bebé necessita, nas quantidades exactas. Como referi, existem bebés que precisam de comer mais do que outros, que querem mamar como forma de consolo, entre tantas outras opções que em nada colocam em causa a qualidade do teu leite.

8 – Inicia a mamada na mama em que terminaste.
Não me irei alargar em explicações técnicas, até porque não estou qualificada para isso, só quero transmitir a ideia de que enquanto amamentas a composição do leite vai-se alterando – inicialmente produzes um leite mais aguado, destinado a saciar a sede do bebé, ao passo que no final da mamada o leite torna-se mais rico em gordura e possui mais nutrientes e calorias. Se o bebé não esvaziar a mama e iniciar a mamada seguinte na outra mama poderá não chegar novamente à fase do leite mais rico em gordura; para evitar que tal suceda, deverás começar pela mama em que mamou da última vez.

9 – Existem dezenas de posições para dar de mamar.
Recordo-me perfeitamente do dia em que a Cristina me perguntou se já tinha experimentado dar de mamar noutras posições – “como assim, outras posições?!”, perguntei eu completamente baralhada. Sim, existe uma espécie de “mamasutra” a que podes recorrer, com posições que poderão ser mais confortáveis do que a posição tradicional que sempre nos foi imposta. No nosso caso, a Leti mamar sentada (posição cavalinho) permitia que ficasse mais desperta e bolsasse muito menos no final

10 – Cuida bem dos teus mamilos.
Dares de mamar com mamilos feridos/gretados pode tornar-se impossível. Deste modo, coloca algumas gotas do teu próprio leite ou usa um creme adequado.

11 – A amamentação nocturna é importante.
Conheço alguns casos de mães que decidiram “saltar” as mamadas da noite, dando LA, o que rapidamente condicionou a sua produção de leite. Durante a noite os níveis de prolactina atingem o seu pico, pelo que é fundamental dar de mamar neste período.

12 – Não laves as mamas antes de amamentar.
A mama tem um cheiro próprio que incentiva o bebé a mamar, retirá-lo não é proveitoso.

13 – Podes sentir o útero a contrair durante a amamentação.
Não te preocupes, é desejável que assim seja! Amamentar facilita a contracção do útero, isto é, que regresse ao seu tamanho original (já não precisas de um útero todo dilatado).

14 – “Passei o dia a dar de mamar”.
Poderão existir dias em que andarás de mamas ao léu por saberes que dentro de momentos darás de mamar de novo, em que sentirás que passaste o dia a dar de mamar, em que te questionarás se amamentar é assim tão importante – é natural, senti o mesmo. Não obstante, são momentos de cansaço que passam, contrariamente aos benefícios da amamentação que duram uma vida inteira.

15 – Pede ajuda, não serás menos mãe por isso.
Sem ajuda provavelmente a nossa aventura no mundo da amamentação teria durado menos de 1 mês. Se tens dúvidas, se notas que a amamentação poderia correr de forma diferente, procura ajuda profissional. Existem grupos no facebook dedicados ao aleitamento materno (embora alguns deles sejam compostos por pessoas fundamentalistas), a rede amamenta, as Cam’s de Portugal  e as conselheiras em aleitamento materno em carne e osso.

16 – Amamentar deverá ser prazeroso para ambos.
Não o será todos os dias, em todos os momentos, pelo menos convém que seja na sua maioria. Se chegaste a um ponto em que já tentaste de tudo, em que sentes que realmente não está a ser proveitoso nem para ti nem para o bebé, tens direito a não querer prosseguir (na verdade tens direito logo desde o início). O LM é fundamental para o bebé, mas a felicidade e o bem-estar da mãe são mais.

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O leite materno é o alimento mais adequado ao seu bebé, pois é o mais adaptado às necessidades do pequeno corpo que está em desenvolvimento.

É o único alimento que foi naturalmente criado para responder às suas necessidades. Contém os nutrientes que o bebé precisa, nas quantidades adequadas sendo de fácil absorção. A sua composição varia à medida que o bebé cresce.

As vantagens do leite materno são essencialmente nutricionais, anti-infecciosas, cognitivas e imunológicas.

A sua composição proteica é adaptada à imaturidade renal e digestiva do recém-nascido. Contém menor conteúdo proteico que os outros leites e os aminoácidos contêm a proporção ideal para as diferentes fases de crescimento. A quantidade de caseína é menor, logo torna-se mais fácil de digerir.

A amamentação ajuda a proteger o seu bebé das infecções, pois os anticorpos passam para o leite. No leite materno existem proteínas que tem uma função anti-infecciosa principalmente a IgA secretora, lisozima, alfa lactoglobulina e lactoferrina. O principal hidrato de carbono no leite materno é a lactose que se encontra numa quantidade duas vezes maior que no leite de vaca. A lactose é fundamental na absorção do cálcio e para o crescimento dos lactobacilos.

O seu bebé será menos vulnerável a doenças do que os que são alimentados com leite artificial. Assim as propriedades do leite materno reduzem a incidência de otite média aguda, bronquiolite, gastroenterites agudas, infecções respiratórias baixas, infecções urinárias.

Os bebés amamentados têm menos probabilidades de ter alergias, pois o leite materno não contém proteínas alergénicas.

Também foi estudado que o aleitamento materno tem um papel fundamental no desenvolvimento da linguagem devido à estimulação da musculatura orofacial.

Para a mãe amamentar faz com que haja uma maior quantidade de ocitocina em circulação, prevenindo uma hemorragia pós-parto e uma rápida involução do útero. Verificou-se também uma recuperação mais rápida do peso anterior à gravidez e o aparecimento mais tardio da ovulação que leva a uma menor probabilidade de uma nova gravidez.

Amamentar proporciona grandes benefícios de ordem social e económica através da melhoria do estado de saúde. Os custos são menores e contribui para a protecção do planeta em termos ecológicos pela menor quantidade de produtos não biodegradáveis que posteriormente vão deixar de ser utilizados.

Por Ana Filipa Ferreira, Enfermeira Especialista em Saúde Materna e Obstétrica

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Não deve haver nenhuma Mãe que não esteja a par dos benefícios da amamentação. Conhecer, todas conhecem. Depois são livres de optar. Eu fiz das tripas coração para conseguir dar de mamar. Não foi fácil, tive dores alucinantes, incertezas marcantes, e dias triunfantes. Mas aqui estou eu, já na terceira rodada, depois de essa primeira tentativa não falhada!
É claro que não critico quem não dá! Aqui sim, a escolha é da Mãe, mais do que nunca. Até porque acredito que, em muitos casos, é mesmo impossível, e não vale a pena a Mãe e o Bebé andarem a sofrer, quando a amamentação não tem de acontecer.

Agora, o contrário também tem de ser. As pessoas têm de se deixar de tabus injustificados! Com 3 filhos pequeninos, e um bebé que tem fome, às vezes, de 2 em 2 horas, mau era se não pudesse dar de mamar fora de casa. Teria de me tornar numa eremita, sem sair do casulo. Os meus filhos mais velhos precisam de apanhar ar, sair de casa, passear, e esta Mãe tem de ir atrás, porque lá bem no fundo, tudo se cria, tudo se faz.

Mas a verdade é que no outro dia, quando estava a dar de mamar numa esplanada de um café – devidamente resguardada e tapada, claro! -, reparei que duas mesas estavam a olhar para mim com ar de espanto. Por favor! Isto é um acto de amor! Não é nenhum atentado ao pudor… É certo que as pessoas em causa estavam já na casa dos 70 anos, altura em que as Mães não davam de mamar em público, mas adivinhem…os tempos mudam! As Mães de hoje em dia são mais práticas, mais flexíveis, mais facilitadoras. Porque para além de Mães também são trabalhadoras! Dentro e fora de casa! O que seria se tivéssemos deixar de sair só porque temos de dar de mamar. A vida parava. A casa ia abaixo. O nosso mundo não aguentava.
Com peso e medida tudo bate certo. Não estou a falar daquelas Mães que não se escondem e que escolhem qualquer sítio para dar de mamar. Isso também não…agora, quando nem sequer se vê o bebé, não vejo onde está a confusão.
Digam-me, há algo mais prático do que ter o leite sempre pronto, à temperatura ideal, sem ter de pensar em desinfectar biberons, ou comprar aquele bem especial? Eu não conheço e até digo mais, se pudesse, escolhia dar de mamar em exclusivo até aos 6 meses.
Quem é que não concorda? Vamos acabar com este tabu?
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Os maiores receios e dúvidas das mães durante a vivência da maternidade são em relação ao aleitamento materno. Hoje em dia, ainda, existem dúvidas e incertezas, tais como: será que o bebé está a ser bem alimentado só com leite materno, “será suficiente”, “como sei que ele já está satisfeito”, “ele não pega”, “ele não mama”, “ o meu leite é fraco”.

Os profissionais de saúde em especial os enfermeiros que participam no processo da amamentação têm um papel importante/indispensável, pois possuem a capacidade de desmistificar os anseios/receios das mães sobre este tema. É importante perceber que a enfermagem tem um compromisso assistencial neste processo do vínculo mãe-filho e no estabelecimento e promoção da interação afetiva/vinculação entre ambos.

Segundo Levy e Bértolo o sucesso do aleitamento materno passa pela qualidade de interacção entre mãe e bebé, durante a mamada, pois é neste momento que se cria a oportunidade do contacto físico e visual, a cooperação mútua entre mãe e filho. “Uma boa interacção entre a mãe e o bebé durante a mamada pode ser definida como uma valsa na qual cada um dos interlocutores, emite sinais um ao outro, sinais esses que são descodificados, dando origem a comportamentos de resposta contingente e adequada, conduzindo a uma adaptação mútua de mãe e bebé, cada vez mais rica e complexa.”

A amamentação é sinónimo de sobrevivência para o recém-nascido e é uma prática eficaz e natural. É um processo cujo sucesso depende não só de factores históricos, sociais, culturais mas também de conhecimento técnico-científico dos profissionais de saúde envolvidos na promoção, incentivo e apoio ao aleitamento materno.

Para que o aleitamento materno seja considerado um sucesso é fundamental que a amamentação seja a mais prolongada possível. É importante observar a qualidade da interacção entre mãe e bebé, durante a mamada, pois este proporciona a oportunidade de contacto físico e visual e a vivência da cooperação mútua entre eles. Sentimentos positivos, de confiança e segurança são essenciais para a manutenção da lactação sendo assim o papel do pai fundamental.

“Amamentar é uma arte que se aprende”. Algumas mães têm facilidade em amamentar, no entanto outras encontram algumas dificuldades e contrariedades que impedem o sucesso do aleitamento materno.

Sendo o enfermeiro, um dos profissionais que mais estreitamente se relaciona com a mãe, é fundamental que este tenha em atenção os aspetos já referidos anteriormente. A comunicação deverá simples e objectiva, durante o incentivo e apoio ao aleitamento materno, demonstrando diversas posições, promovendo o relaxamento e posicionamento confortável e mostrando como estes podem serem usados para ajudar na adaptação do recém-nascido ao seio da mãe.

Assim, quer em meio hospital, quer nos centros de saúde ou outras unidades de saúde direccionadas para a maternidade existem sempre profissionais qualificados dispostos a ajudar as mães a ultrapassar com sucesso o desafio chamado Amamentação…..

Ana Filipa Ferreira, Enfermeira Especialista em saúde Materna e Obstetrícia

Bibliografia: BÉRTOLO, Helena; LEVY, Leonor – Manual de Aleitamento Materno. Edição Comité Português para a UNICEF/ Comissão Nacional Iniciativa Hospitais Amigos dos Bebés. 2002.ISBN 96436.

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Tinha muitas dúvidas antes de te ter. Tentei não fazer grandes planos, a vida já me tinha ensinado que há momentos para tudo e este – o do teu nascimento – deveria ser recebido de braços abertos, com as expectativas onde deveriam estar, no coração.

Mas tinha dentro de mim uma vontade muito grande: amamentaria, a não ser que por qualquer motivo de saúde teu ou meu não fosse mesmo possível.

Mamaste nos primeiros minutos de vida. Não foi um momento fácil para ti, acabada de chegar ao mundo e rodeada de barulhos que há poucos segundos estavam camuflados por uma camada confortável de “água”, os teus lábios estavam dormentes do reforço das doses de epidural que eu tinha levado. Levaste o teu tempo e esse tempo foi respeitado.

Há muitas mães que passam verdadeiros tormentos na amamentação, que lutam diariamente para não desistir, que têm problemas dolorosos e, mesmo assim, continuam. Eu tive a sorte de tudo ser pacífico. O único percalço aconteceu ainda na maternidade, quando a enfermeira verificou a tua fralda e me comunicou que o teu xixi era muito concentrado e tinhas cristais na urina. Tudo o que não seja “ela está a evoluir bem, está tudo óptimo com ela” deixa o coração de uma mãe completamente em pânico. Era uma coisa normal, diziam, mas significava que não estavas a absorver a quantidade suficiente de líquidos e, por isso, teríamos de ter ajuda do suplemento.

Chorei. Achei que era o fim da nossa recente conquista. Que depois de te ser dado um biberon com leite docinho não ias querer o meu colostro para nada. Ainda tão levezinha e pequenina ensinaste-me a primeira lição – se não há alternativa, faz-se, mas assim que for possível volta-se ao normal. E assim foi. Já em casa, um dia depois de reforçarmos a tua alimentação com aqueles mini biberons que ainda hoje me fazem tremer apenas de os olhar, o teu xixi deixou de ter problemas e voltaste a ser alimentada apenas com mama.

Cresceste forte e saudável alimentada em exclusivo com o meu leite até aos quatro meses e meio (com muita pena minha não foram seis meses, mas o regresso ao trabalho complicava esse desejo) e até hoje, prestes a completar um ano, nunca bebeste outro leite, nem na creche.

Já ouvimos de tudo um pouco, não foi meu amor?

-“Mas ela já tem dentes e ainda mama?”

-“Não é mais prático fazeres um biberon e pedir ao pai para dar?”

-“Não vais dar de mamar agora, aqui na rua, pois não?”

-“Não gostas de dormir?” (esta é uma das minhas preferidas)

Ora bem, vamos por partes:

-Sim, tem dentes, seria estranho se com onze meses não tivesse e isso significa que está apta para cortar e mastigar alguns alimentos. Não deixa, apenas por isso, de precisar de beber leite, ou os bebés com dentes deixam todos de beber leite?

-Sim, era muito mais fácil dar uma cotovelada ao pai a meio da noite para preparar o biberon e dormitar mais um pouco mas parece-me pouco lógico que com o leite “feito” e pronto a usar se vá para a alternativa.

-Não vou dar de mamar agora, neste preciso momento, porque estamos a ter uma conversa e não tenho por hábito fazê-lo literalmente no meio da rua, mas faço-o com a maior das naturalidades onde for. Claro que respeitando os outros mas, acima de tudo, as tuas necessidades, filha, e a nossa privacidade – há hoje em dia espaços próprios para a amamentação em praticamente todo o lado e onde não há, improvisa-se.

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-Adoro dormir. Antes de ser mãe dizia que precisava de dormir oito horas seguidas para o meu cérebro funcionar. Oito? Que mimada que fui e que bem que aproveitei.

Agora não é assim. Sei que se te desse um biberon dormirias, muitos provavelmente, a noite toda. E isso quer dizer que aquele leite, feito para ajudar quem não pode ou não quer amamentar, é uma fórmula universal e, por isso, uma pequenina bomba.

Prefiro, já que posso, dar-te deste leite produzido exclusivamente para ti, que responde às tuas necessidades sem lhe escapar nenhuma. Mais tarde dormirei noites inteiras outra vez.

Nada se compara a esta partilha que só nós temos. É um privilégio, meu amor. E é como privilégio que sinto a tua mão a apertar a minha no escuro, a meio da noite, enquanto comes. Estás a dormir, mas sabes que estou ali. Ou quando me sorris, ainda a mamar. As conversas que temos em silêncio, na troca dos nossos longos olhares pautados por sorrisos ou línguas de fora, outras conversas mais audíveis mas que acabam por te distrair. Há noites exasperantes, não vou mentir (dentes malvados!), mas saber que basta dar-te de mamar para te acalmar e tranquilizar, é tudo o que preciso de saber. Haverá noites e dias em que a resposta não será assim tão simples e em que não dependerá de mim ajudar-te a ultrapassar certos obstáculos. Enquanto depende, estamos juntas e a minha querida.

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Olham-me muitas vezes como se tivesse três cabeças e quatro olhos, mas também há quem dê valor e elogie.

Amamento porque quero e posso. Relevo as críticas e acolho os elogios com um sorriso mas não é para eles que vivo. Vivo para ti, meu amor. E enquanto for adequado e bom para ti e para mim, continuarei a amamentar – sem criticar quem não o faz.

Porque as mulheres têm o direito de escolher. Escolha essa que, hoje em dia, espero que seja informada e consciente.
Mulheres informadas e seguras das suas escolhas serão melhores mães.

Notas: Cumpre-se nestes dias a Semana Mundial da Amamentação (Aleitamento Materno). Estabelecida desde 1992 pela World Alliance for Breastfeeding Action (WABA), a Semana Mundial de Aleitamento Materno, que conta com o apoio do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), tem o objectivo de facilitar e fortalecer a mobilização social para a importância da amamentação. Comemorada entre os dias 1 a 7 de Agosto, já envolve mais de 120 países, considerando-se as iniciativas e esforços globais relacionados com o tema.
O leite materno tem benefícios únicos, fundamentais para o crescimento e desenvolvimento saudável do bebé, especialmente durante os primeiros 1000 dias de vida. A OMS recomenda o aleitamento materno em exclusivo até aos seis meses e como complemento até aos dois anos de idade.

Por Marta Coelho, para Up To Kids®
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Começo, por esta altura, a preocupar-me com a minha decisão de amamentar em exclusividade até aos seis meses a minha Madalena.

Estamos em cima dos quatro meses e daqui a pouco começo a trabalhar.  O pediatra da minha filha acha que devo começar já a introdução alimentar para poder acompanhá-la nesta caminhada. Sinto de repente, uma pressão para introduzir leite artificial para a qual não estou preparada. Eu, que me considero uma pessoa informada, estou baralhada!

Ainda a Madalena estava na minha barriga e nas aulas de preparação para o parto já nos ensinavam sobre os benefícios do aleitamento até aos seis meses. A Organização Mundial de Saúde é clara, recomenda o leite materno exclusivo nos primeiros seis meses de vida, mantendo-o até aos dois anos, se a mãe e a criança assim o desejarem, em complemento de um plano alimentar nutricionalmente adequado e seguro. Portanto, até aos seis meses o aleitamento deve ser promovido e incentivado em exclusivo, principalmente pelos profissionais de saúde. Ouviram?

Ensinam que o leite materno é o melhor alimento que podemos oferecer ao nosso pequeno ser; que é o mais completo e o único que satisfaz 100% das suas enormes necessidades. Ensinam também que é através do leite materno que são transportadas as defesas contra as agressões do meio, defesas essas que o organismo naive do bebé ainda não é capaz de produzir.

Apregoam que deve ser exclusivo até aos 6 meses, porque o tubo digestivo não está completamente maturado antes desta data e que uma introdução alimentar precoce pode desencadear respostas alérgicas.

Repreendem-nos quando temos dúvidas sobre a quantidade ou qualidade do nosso leite porque até mesmo uma mãe desnutrida tem leite de qualidade para o seu bebé.

Mas, quando passamos a porta do consultório e o ambiente se torna mais privado, sacam logo a conversa do biberão com leite artificial. Fiquei verde.

Não é de admirar que menos de 20% das Mães do nosso País consigam chegar aos 6 meses de amamentação em exclusivo quando os metas propostos em 2010 seriam de 50%. Estamos muito mal e a culpa pela primeira vez é da senhora doutora e da senhora enfermeira que diz a estas almas assustadas que amamentar é coisa de tribos em África.

Então, toda a teoria e estratégias de promoção do aleitamento materno vão “cano abaixo” logo que a mãe diz que vai voltar a trabalhar? É contra indicado voltar ao trabalho? Não seria suposto os profissionais de saúde auxiliarem na busca de soluções em conjunto com a Mãe para que ela não desista de amamentar o seu bebé?  Fui em busca de dicas e conselhos para levar avante a minha decisão e venho para casa aliciada pela promessa de que, com o leite artificial a minha pequena noctívaga passará a uma bela adormecida. Bastou isto e estive quase, quase a render-me, até porque eu preciso de dormir.

Em conversa com algumas amigas, também elas mamãs bastante recentes, apercebi-me que sou a única com esta vontade, apercebi-me que todas elas foram incentivadas a introduzir o leite artificial ou papas ou sopas por profissionais de saúde. Começaram com um biberão à noite, depois da maminha “para complementar” e ao fim de 7 dias já se queixavam que tinham pouco leite ou que o bebé já não pegava na maminha.

Tive que fazer um esforço mental para nomear as outras válidas razões para amamentar a minha pequenita até aos 6 meses em exclusividade. Não quero abdicar do vínculo afetivo que é gerado enquanto dou de mamar, um momento que durante pelo menos 6 meses é só nosso. Não quero transportar os sacos de leite e frasquinhos e pozinhos cada vez que me apetecer sair. Não quero triplicar as visitas ao pediatra porque abandonei o escudo protetor da minha filha. Não quero gastar rios de dinheiro num alimento formulado para ser semelhante ao que tenho para oferecer à minha bebé.

É verdade que daqui a um mês estou de volta ao trabalho mas felizmente a bebé Madalena tem um Pai, que compreende que às vezes o caminho mais fácil não é o melhor caminho. Por isso, fomos em busca de várias soluções, algumas partindo de experiências de outras pessoas que sentiram o mesmo que nós.

Estratégias para manter o aleitamento materno exclusivo, mesmo quando estamos a trabalhar:

– amamentar sempre que estiver com a criança e em livre demanda. É especialmente importante durante a noite quando os níveis de prolactina estão mais elevados, de maneira a garantir uma boa produção de leite durante o dia;

– usufruir da redução de duas horas no horário de trabalho, prevista na Lei Portuguesa, para efetivamente amamentar. Pode ser práctico juntá-las à sua hora de almoço de maneira a poder deslocar-se até à sua casa e dê de mamar assim que chegar e antes de sair.

– iniciar a recolha de leite com bomba extratora alguns dias/semanas antes e mantê-lo corretamente conservado em congelação. Assim, terá sempre leite materno de reserva caso necessite.

– extrair o leite no trabalho, no mesmo horário que seria oferecido ao bebé, caso estivessem juntos.

– pedir ao Pai, ou à pessoa que fica encarregue do bebé, que o vá “passear” perto do trabalho da mãe pelo menos uma vez por dia. Assim poderá dar de mamar no intervalo do trabalho.

Resta-nos ter confiança para responder aos senhores doutores e às senhoras enfermeiras um belo e expresso “NÃO”. Não vou substituir o Leite Materno por Sopa, porque a minha filha está no Pc 50-75, cresceu 14cm nos seus 4 meses de vida, é saudável e tem um desenvolvimento normal.
A Sopa será bem vinda, depois dos 6 meses.
Obrigada.
Por Carolina Fernandes, Nutricionista, para Up To Kids®
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O ser humano é um mamífero mas, a sua principal característica de mamífero, amamentar as suas crias, está em retrocesso. A Sociedade atual obriga a um ritmo de vida que para algumas mulheres torna incompatível a amamentação natural com a vida laboral. A Organização Mundial de Saúde (OMS), recomenda que o leite Materno deve ser o alimento exclusivo nos primeiros 6 meses de vida. Mas, a realidade é que a mama é facilmente substituída por biberões e por leites artificiais.  Nos dias de hoje, lamentavelmente ainda existem muitos profissionais de saúde que desconhecem os benefícios da amamentação e estratégias de apoio para mães com dificuldades em amamentar. A sociedade está cada vez mais cheia de mitos que alimentam a insegurança de muitas mães, que rapidamente optam por complementar a amamentação com leites artificiais. Quem não ouviu já as seguintes expressões: – “o meu leite é fraco”, ou “ Não tenho leite suficiente”?

A sociedade leva-nos para um caminho que nos afasta do natural. Embora, na teoria,  muitas são as mães que já tiveram acesso a informação sobre as vantagens do leite materno. Muitas na prática, desistem no primeiro obstáculo. O Leite Materno para além de alimentar,  protege o bebé contra doenças e fortalece o vinculo afectivo. Três aspectos, com que nenhum biberão poderá competir. No entanto, neste momento o biberão vai ganhando a batalha. É sabido que cerca de 90% das Mulheres, amamenta o bebé quando nasce, mas só cerca de 36%, consegue chegar aos seis meses de vida do bebé, ainda a amamentar. Os casos de amamentação prolongada são ínfimos, e a sociedade, vê esta relação entre mãe e filho, exagerada quando se prolonga para além de um ano. Estamos a perder orgulho em ser mamíferos! Somos a única espécie sobre a terra que desiste tão rapidamente de amamentar a sua cria.

A introdução de biberões ainda na maternidade, atrapalha desde logo a amamentação. O Mito que a mãe não tem leite que chegue para o bebé nos primeiros dias, e a dificuldade na pega correta do bebé, faz com que muitos profissionais de saúde ofereçam leites artificiais logo nas primeiras horas de vida.

Se isto não acontecesse e o bebé não fosse “entupido” de Leite artificial, este iria mais vezes à mama. Estas idas repetidas, à mama, estimulariam a adaptação do bebé a mama, um instinto animal, que tem de ser desenvolvido com a prática. A sucção realizada no biberão é totalmente diferente da que o bebé tem de aplicar no mamilo. Para que haja saída de leite da mama, têm de haver um esforço maior do bebé na sucção, comparando com a que este tem de fazer no biberão. Este esforço adicional, faz com que o bebé rapidamente, se desinteresse pela mama e fique fã do biberão.

Agora ,“o dedo” não pode ser apontado apenas às mães que desistem! Muitas fazem-no, pensando que estão a fazer o melhor para o seu bebé. Se a enfermeira ou o Pediatra lhe dizem que o leite não é suficiente ou que é fraco, é natural que a mãe, porque quer o melhor para o seu bebé, acabe por introduzir leite artificial na alimentação do bebé.

Não existe leite materno que não alimente! Dou-vos o exemplo de algumas mães de países subdesenvolvidos que no seu dia-a-dia passam fome. Estas mães com uma alimentação pobre e em reduzida quantidade, conseguem ter leite para alimentar os seus bebés. Então, porque pensamos que as mães com uma alimentação saudável e adequada não conseguem ter leite em quantidade e qualidade suficiente?

Amamentar um bebé em exclusivo, requer pela parte da mãe uma entrega e dedicação a 100%. Principalmente no inicio! Pois para a amamentação ser um sucesso, a mãe deve ter a mama disponível sempre que o bebé solicitar. É mais uma das informações, que nos dias hoje baralha as mães! A nossa sociedade está preparada para tudo ter um horário. Uma das perguntas mais frequentes que me fazem nas formações sobre amamentação é: – “De quantas em quantas horas deve mamar o meu bebé?”

Ora a resposta mais sensata, é um bebé não tem horários, nem para comer, nem para dormir. Cumprir horários é uma função de adultos, envolvidos numa sociedade, que assim o exige. O bebé, não sabe que existem relógios, nem ainda aprendeu a ver as horas. Inicialmente o mais adequado e saudável para ele, é oferecer a mama, sempre que ele a solicita. Nos primeiros dias o estômago do bebé tem a capacidade para cerca de 5ml de Leite, é natural que encha e esvazie rapidamente. O bebé quando solícita várias vezes Leite Materno, não é sinónimo que a mãe não tem quantidade suficiente, mas sim devido à capacidade do estômago e à facilidade na digestão do leite materno. Inevitavelmente, este ritmo tão exigente, vai interferir com a vida social da mãe, que por vezes,acaba por não conseguir conciliar ambas as coisas.

Em muitas Tribos africanas, o bebé, anda sempre junto da mãe, atado com tecidos junto ao peito, isto permite-lhe que vá mamando sempre que necessite. Atualmente, não estamos preparados, para esta prática. Mas podemos continuar a permitir, que o leite materno esteja disponível e seja uma opção exclusiva durante os meses de licença de Maternidade.

Comodidade, desconhecimento e uma sociedade cheia de obstáculos, faz com que o leite materno esteja a entrar num círculo vicioso, em que, cada vez menos mães dão mama e consequentemente, perde-se um ato essencial para a vida que se aprende por imitação (somos descendentes de primatas, cuja principal forma de aprendizagem é copiar os progenitores). As filhas de mães que não deram mama, dificilmente saberão fazê-lo. A transmissão destes valores vai-se perdendo e já se vai ouvindo frases de avós que reforçam a jovem mãe a desistir em dar de mamar: – “eu não dei de mamar e tu aqui estás saudável, o bebé têm é fome! 

Será que vamos deixar de ser Mamíferos?

Por Enfermeira Célia Martins,
para Up To Lisbon Kids®  
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Na cultura em que estamos inseridos, existe sempre a ideia de que determinados alimentos contribuem para o aumento da produção de leite pela mãe. Todavia, são escassos os estudos que conseguem confirmar estas situações.

Cada mãe deve aprender a conhecer o seu corpo e verificar as reações que acontecem após a ingestão alimentar, percebendo o efeito de cada alimento que consome, tanto no seu corpo como nas reações do bebé;

Nutrição e amamentação: Factos e mitos:

3 FACTOS :

  • Amamentar ajuda a recuperar a forma a seguir ao parto
    Principalmente pelo facto de ativar a produção de hormonas como a Oxitocina, o que vai ajudar o útero a contrair para voltar ao seu tamanho normal e na recuperação da mulher no pós-parto.
  • A alimentação da mãe reflete no leite
    A mulher que amamenta deve beber bastante líquidos ao longo do dia e alimentar-se bem (bem não significa mais atenção). A qualidade da alimentação materna deve visar a sua saúde e o seu bem estar, sendo o leite materno, consequência. Assim sendo, tudo o que a mãe ingere passa para o leite materno.Estudos mostram que, se a lactante tem uma dieta variada nesse período, o bebé aceita melhor a diversidade de alimentos, mas também influência o crescimento e desenvolvimento enquanto criança, bem como prevenção de uma série de patologias em adulto.
  • O leite materno pode ser guardado em refrigeração
    O Leite materno fresco pode ser refrigerado a 4ºC durante 48h, de forma a garantir a sua qualidade nutricional e organoléptica. Deve utilizar preferencialmente frascos de vidro esterilizados, como forma de evitar contaminações. Identifique o frasco com o dia e hora que fez a extração, para depois proceder de forma correta, ou seja, seguir as regras de boas práticas e controlo de qualidade (FIFO = First In, First Out = o primeiro a entrar é o primeiro a sair).

3 MITOS :

  • A mãe que está a amamentar deve beber muito leite para produzir leite
    A mãe deve preocupar‐se apenas em ter uma dieta equilibrada (com legumes, frutas, cereais integrais e proteínas) e de baixa carga glicémica. É o que precisa para estar bem nutrida e produzir leite.Nenhum outro mamífero consome leite para produzir leite, logo o cálcio pode ser obtido de uma grande variedade de fontes não relacionadas com lácteos, como os legumes, sementes, frutos secas e peixe gordo, como sardinha e salmão com espinha, por exemplo.
  • A Cerveja preta e o Bacalhau aumentam a produção de leite
    A mãe que está a amamentar deve ingerir bastantes líquidos (pelo menos 2 litros de água por dia), para garantir uma boa produção de leite. Não há comprovação científica de que determinados líquidos possam aumentar o leite, então, a mãe pode ingerir o que mais gostar ou preferir, desde água a Infusões, evitando refrigerantes, bebidas açucaradas e álcool. Bebidas alcoólicas são contraindicados durante a amamentação, assim como o tabagismo, porque podem passar para o leite substâncias prejudiciais.Quanto ao consumo de bacalhau, pode-se vincular pelo facto de ao ser salgado vai “inconscientemente” aumentar o consumo de líquidos água, que por sua vez vai ser necessário para a produção de leite.
  • A mãe que amamenta não pode comer couves, leguminosas, chocolates, café́, citrinos, morangos ou tomates, entre outros alimentos, porque isso provoca cólicas ao bebé ou outros problemas
    Deve fazer uma alimentação variada, com todos os tipos de alimentos (leguminosas, batata doce, cereais integrais , queijo, ovos, carne, peixe…), preferindo uma dieta de baixa carga glicêmica.

A preocupação que deve ter é estar atenta às reações do seu bebé. Se apresenatar qualquer tipo de reação indesejada (choro, cólica, diarreia, pele), pode optar por dois caminhos:

Perceba se a quantidade que você ingeriu foi em excesso e em várias refeições, se sim, pode começar por reduzir a quantidade de consumo

Evitar esse alimento durante uma semana e observar como o bebé se comporta, se ele melhorar , pode evitar durante a fase de amamentação.

Em jeito de resumo o que está na realidade comprovado cientificamente é o aumento da produção de leite consoante o estimulo que recebe pelas mamadas ou extração do leite.

Por  Neide Rangel – Nutricionista Healthy Mommy,
para Up To Kids®

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É sabido que, quando se fala de assuntos relacionados com a maternidade e parentalidade há sempre opiniões divergentes relativas às opções de cada mãe/pai.

Há quem defenda a amamentação até aos 523 meses, há quem opte por amamentar até aos 6 meses, e há quem opte por não amamentar. Há quem queira amamentar e não pode ou não consegue.

Há quem dê colo a vida toda, outros defendem que não se deve dar colo.

Há quem deixe os bebés a chorar até “aprenderem” a dormir sozinhos, há adeptos do co-sleeping.

Há mães que optam por ficar em casa com os miúdos. Há mães que não estão para ai viradas. Há mães que queriam ficar em casa e não podem.

Há quem diga que “uma palmada na hora certa nunca fez mal a ninguém!”, há (cada vez mais) pais contra a palmada, considerando ser um ato de violência física e emocional para as crianças.

Poderíamos continuar a listar as 1001 diferenças entre pais e mães de todo o mundo, mas no fim, o que todos queremos é o bem estar dos nossos filhos. E apesar das diferenças, os Pais, são um dos grupos mais compreensivos e consequentemente cooperantes quando se trata do bem estar dos nossos filhos, ou dos filhos alheio!

Porque, independentemente das opções dos pais, uma criança é sempre uma criança.
E independentemente das nossas opções, em primeiro lugar somos pais!