Residência Alternada – A instabilidade pré-concebida ou o Altruísmo equilibrado?

Pedem-me com cada vez maior frequência que me pronuncie sobre o Regime de Residência Alternada.

Que explique porque é que agora parece estar “na moda”. Porque é que de repente tem tantos defensores e parece ser um modelo ideal após a decisão de separação por parte dos progenitores.

A Residência Alternada pressupõe que após a separação dos pais, os menores estejam com ambos por períodos de tempo equiparados.

Não falamos de apenas “dar” o mesmo tempo ao pai e à mãe.

Mas falamos idealmente de uma rotina em que os menores convivam com o pai e com a mãe. Possibilitando ambos os progenitores estarem envolvidos no seu dia-a-dia, como alegadamente acontecia enquanto eram casados.

Pressupõe que as crianças vivam por períodos de tempo iguais e alternados em casa da mãe e em casa do pai.

Se à partida este cenário parece ser o ideal?

– Sim, sem dúvida – diremos todos.

Mas fora idealismos cabe-nos a consciência da realidade. Aquela que cada uma das nossas crianças vive no seu dia-a-dia, de facto.

Da experiência no trabalho diário com crianças e com os pais observo grandes dificuldades de manutenção de rotinas adequadas e equilibradas em famílias ditas “estruturadas”…

Observo muitas dificuldades de comunicação nos casais cuja missão de educar se torna cada vez mais complexa com as exigências profissionais e com a multiplicidade de tarefas que a sociedade “impõe” a cada elemento da família desde os mais novos aos mais velhos…

Observo cada vez mais a fragilidade emocional dos pais. Pais que confrontados com a necessidade de darem resposta a todas as áreas da vida pessoal, familiar e profissional delegam para ultimo plano, de forma inconsciente, aquilo que de mais relevante se apresenta para o pleno desenvolvimento das crianças – a estabilidade relacional e emocional familiar.

Ora, perante a separação/divórcio, toda a dinâmica se torna ainda mais complexa. Quando sou questionada acerca da Residência Alternada, invariavelmente caio do pedestal do ideal para a dura realidade do concreto.

Defendo que a Residência Alternada tem que ser uma opção e um ponto de partida sempre que os adultos envolvidos se dediquem a um permanente exercício de altruísmo,. Onde deixam de parte as “raivas” e se predispõem a educar em “equipa”. Deixa de haver espaço à tradicional educação em casal mas mantém-se a necessidade de um trabalho coordenado com o outro progenitor. A bem dos filhos, a bem da sua estabilidade.

Exige que ambos acordem em rotinas diárias semelhantes e que ambos comuniquem entre si de forma assertiva; exige que consigam estabelecer e manter com os seus filhos uma relação de confiança e segurança que os conduza de forma estável.

O que cria instabilidade não é o facto de passarem a viver alternadamente em duas casas, estou convicta.

O que desestabiliza é a alternância de rotinas e de expectativas; é a oscilação entre ambientes securizantes e outros desorganizados ou confusos.

Com isto, quero apenas concluir que na minha perspectiva a Residência Alternada pode e deve ser um ponto de partida. Muito mais exigente do ponto de vista da organização e da disponibilidade dos progenitores.

Será sempre bom partirmos do princípio que as crianças se adaptam bem a novas dinâmicas familiares e a novas rotinas. Sempre que os adultos estejam bem seguros dos seus papéis, e não podemos defender um modelo único para todas as Famílias, pois cada uma delas é singular.

O pai e a mãe separam-se e para agravar tudo atribuíamos um papel de pouca competência à figura paterna. Como se o pai tivesse perdido a capacidade de o ser, só porque deixou de viver na mesma casa que a mãe…

Agora que estão separados, ambos têm que proporcionar aos filhos o seu pleno direito a manterem os laços. A sentirem-se acompanhados por ambos, pai e mãe, independentemente das exigências que as novas rotinas possam trazer. Cabe aos pais definirem em conjunto em que condições.

A casa da mãe e a casa do pai podem muito bem ser o equilíbrio que antes nenhum dos elementos da família conhecia; mas para que este modelo funcione é preciso que seja desejado por ambos, pai e mãe. E da experiência que tenho é quase que obrigatório que esta adaptação se faça com acompanhamento especializado. Acompanhamento que oriente e guie os pais neste novo desafio.

Sempre que não haja a capacidade de cumprir estas regras básicas a opção pelo modelo de Residência Alternada fica comprometida. E com ela toda a possibilidade de êxito no pleno desenvolvimento dos menores.

 

Por Maria Portugal, Divórcio.com.pt

imagem@papodehomem

Filha:

Cresce devagarinho, leva o teu tempo.

Faz as tuas asneiras, reclama quando as coisas não te correm de feição, tenta colocar o triângulo na devida forma quantas vezes tiveres capacidade, até conseguires.

Não sabes mas a sociedade é feita de exigências. Espera-se que uma menina aja de certa forma, que um rapaz tenha determinadas atitudes. Sim, é verdade, estamos quase em 2020 mas a tua geração tem ainda um longo caminho pela frente. Depois, na escola, quando estiveres quase a entrar para a primária nem imaginas quais são os objectivos que deves cumprir.

Serás uma criança com deveres de gente grande. E a partir daí é uma bola de neve.

Na tua profissão, se tiveres sorte, poderás encontrar pessoas que são razoáveis, mas ainda existe muito a mentalidade dos pequenos poderes, das pessoas que pisam porque podem, das que não respeitam quem está abaixo de si porque se o fizerem perdem a força (tirânica) que os alimenta.

Mas nem tudo é mau, apesar de eu ter pintado um cenário um pouquinho escuro. Em abono da verdade, só queria com isto pedir-te que sejas criança enquanto és criança.

Que brinques tanto que te esqueças que, a brincar, também estás a aprender.

Tens tempo para reconhecer as cores, para saberes quanto é dois mais dois, para aprenderes a ler.

Para tudo há um tempo e o teu tempo é o de pedir colo e tê-lo. De ouvir histórias ao pé do ouvido. De cheirar as flores nos canteiros, de dançar sem qualquer vergonha quando o pai põe a tua música preferida a tocar. De cumprimentar as pessoas que não conheces quando passas por elas na rua. De reparar como as árvores são altas e as formigas parecem pontinhos que se movem. De apontar para o ouvido e depois para o céu quando identificas um avião a aproximar-se. De pedir para ficar um bocadinho mais dentro do mar. De chapinhares dentro da banheira na hora do banho. De ficares triste quando partes o teu boneco preferido. De pedir pão quando nos vês a comê-lo. De não esconderes a alegria que sentes quando reencontras alguém que já não vias há alguns dias.

Aos poucos (seria bom que não, mas é natural que sim…) irás moldar-te a ser menos espontânea, a seres mais discreta, a teres mais noção de quem está à tua volta e dos julgamentos que te dirigem.

Por isso, repito: não tenhas pressa.

Cresce ao teu ritmo, a ver o mundo com os teus olhos.

Este tempo é teu e nada nem ninguém te pode roubá-lo. Estamos aqui para garantir isso mesmo.

Vive como até agora, na tua inocência.

És feliz. Que isso se perpetue para sempre.

imagem@Weheartit

(mais) 5 minutos

– Mãe, vem cá ver o que eu fiz no meu quarto!

E ela pediu-lhe (mais) 5 minutos para terminar de lavar a loiça. Lavou a loiça, limpou o fogão, limpou o balcão da cozinha e ainda conseguiu tirar qualquer coisa do congelador para fazer para o jantar.

– Mãe, acho que já passaram cinco horas. Tu disseste cinco horas não disseste? Anda cá ver o que eu fiz no meu quarto…

Não, não eram cinco horas, eram só cinco minutos. Arre que criança sem paciência nenhuma!

A mãe já vai lá acima. Primeiro tem de ir tirar a roupa da máquina. Tem também de estendê-la.

E precisa de pôr aquela toalha na lixívia, que está cheia de nódoas. Ah! Quase que se esquecia… Falta-lhe também tirar os lençóis da cama para lavar.

– Mas mãe, eu estou à tua espera. Quando é que vens? Tu disseste que eram cinco minutos e já passaram mais de cinco minutos de certeza!

E a mãe continuou o frenesim de apanhar a roupa seca, estender a molhada…e depois reparou que a entrada da casa precisava de ser varrida e lá foi varrê-la . Depois o telefone tocou.

– Mãe, tu vais ficar tão contente com o que eu fiz no meu quarto! Eu juro que tu vais adorar!

A mãe mandou-o calar. Era um telefonema importante. Alguém do escritório a perguntar sobre uns papéis. A mãe caminhou quilómetros pela casa fora a tentar explicar à pessoa importante do outro lado da linha, onde estava o papel. O telefonema durou muito tempo. Muito mais do que cinco minutos. Ele sentiu-se triste, muito triste. Afinal já tinham passado muitos cinco minutos desde que ele pediu à mãe para ir ver que ele arrumou o quarto todo sozinho.

Esta é uma história que se passa em muitas casas todos os dias. Passa-se na minha casa muitas vezes, e talvez na sua também, Esta é uma história, que não sendo verídica, rebenta de tanta verdade, e queima o coração de cada um de nós-pais e mães.

Não podemos deixar o frenesim dos dias, o caos da lida da casa (que nunca acaba), os nossos trabalhos, os TPC´s, os compromissos, impedirem-nos de termos tempo para os nossos filhos. Não podemos deixar que as nossas vidas nos impeçam de vivermos.

A vida é demasiado curta para acharmos que as nossas crianças podem esperar por nós para sempre.

 

Por Sofia Isabel Vieira, Mãe de 2, autora do projecto Pais com P Grande, aventureira, realizadora de sonhos…

imagem@shutterstock

Hoje em dia somos confrontados com a palavra Light todos os dias. Esta palavra entra pelas nossas casas, através de muitas janelas: virtuais ou não. Pela televisão, nas conversas do dia-a-dia… Gostamos e queremos o que julgamos ser o melhor para cada um de nós. Mas será mesmo assim?

Não vou falar sobre a substituição do ‘açúcar’ pelo ‘adoçante’. Não. Mas vou realçar que também a família se está a tornar Light.

A Família Light é um produto da sociedade em que vivemos. Aberta, plural, multicultural. Os valores como o amor light e o egoísmo proliferam neste meio. Cada um vive como lhe apetece.
Este tipo de família enfrenta um dos piores males deste mundo: o individualismo. Condutas assentes na mera visão do individual ao invés de uma coexistência pessoal, que acabam por corroer e destruir a convivência familiar.

São meios onde se concentram doses elevadas de desconfiança e de pessimismo, chegando mesmo a ver o outro, como uma ameaça à própria realização de projectos pessoais.

Nestas famílias, vive-se de uma forma isolada, numa ‘bolha’. Afastados, cada um por si.

E qual é o nosso desafio, enquanto pais?

Em família temos que educar os nossos filhos na liberdade, a serem capazes de decidir, ensinar-lhes o que devem fazer e principalmente quais as consequências de cada decisão que tomam.

Transmitir que o que devem fazer nem sempre coincide com o que querem fazer. No entanto, têm mesmo de o fazer. Para isso, é muito importante desde cedo, educar a vontade. E isso treina-se através da criação dos hábitos.

A educação familiar deve assentar em ensinar os filhos a saberem ultrapassar as dificuldades que vão aparecendo na rotina diária, concretamente a alcançar mais e mais, ou sejam a superarem-se!

Por Maria da Conceição Gigante, do Blog Educarcomtalento

image@aynomanche

Todos os pais querem proteger seus filhos dos predadores. Mas como manter os seus filhos seguros se não sabe identificar o perigo? Qualquer pessoa pode ser um pedófilo. A maioria dos pedófilos inicialmente conquista a confiança das crianças que sofrem o abuso.

Saiba quais os comportamentos e características a que deve prestar atenção, as situações que deve evitar e como impedir que os seus filhos sejam alvos.

Lembre-se: nem todos os pedófilos são molestadores de crianças. Fantasiar com crianças não é o mesmo que agir contra elas. Além do mais, alguém que costuma interagir melhor com crianças do que com adultos não tem, necessariamente, uma tendência à pedofilia. Acusar alguém erroneamente de pedofilia pode causar depressão e problemas sociais gravíssimos.

Perceber que qualquer adulto pode ser um pedófilo.

Não há nenhuma característica física, profissão ou tipo de personalidade comum a todos os pedófilos. Podem ser de qualquer género, raça e religião. A profissão ou hobbies dessas pessoas podem ser os mais diversos possíveis. Um pedófilo pode ser charmoso, carinhoso e parecer uma pessoa boa enquanto tem pensamentos predatórios. Isto significa que os pais nunca devem descartar a ideia de que alguém possa ser pedófilo.

Muitos pedófilos são conhecidos das crianças que abusam.

30% das crianças que sofreram abuso sexual foram abusadas por um membro da família; 60% por um adulto que conheciam e que não era um membro da família. Os dados indicam que apenas 10% das crianças abusadas foram abordadas por um estranho.

  • Na maioria dos casos, o pedófilo é algum conhecido da criança. Por ser da escola da escola ou de outra atividade. Pode ser um vizinho, um professor, um membro da igreja, um instrutor de música ou uma babysitter.
  • Também podem ser predadores sexuais membros da família, tais como pais, mães, padrastos, madrastas, avôs e avós, etc.

Características comuns de um pedófilo.

  • Maioritariamente do sexo masculino, quer sejam as suas vítimas meninos ou meninas.
  • Muitos têm algum histórico de abuso no passado, seja físico ou sexual.
  • Alguns também têm problemas mentais, como um distúrbio de humor ou personalidade.
  • Os homens heterossexuais ou homossexuais podem ser pedófilos. A ideia de que os homossexuais têm mais tendência à pedofilia é um mito.
  • As mulheres pedófilas têm uma tendência maior de abusarem de meninos do que meninas.

Comportamentos comuns demonstrados pelos pedófilos.

  • Normalmente, não demonstram tanto interesse por adultos como por crianças.
  • Costumam ter muitos empregos que permitem o contato com crianças de determinada faixa etária ou planeiam outras formas para que possam passar algum tempo com elas, actuando como professores ou babysitters.
  • Os pedófilos tendem a falar sobre crianças como se estivessem a falar sobre adultos. Fazem referência a uma criança como fariam a um amigo adulto ou companheiro.
  • Normalmente dizem que amam todas as crianças e sentem-se como se ainda fossem uma.

O pedófilo normalmente passa por um processo de conquista da confiança da criança, e por vezes até a dos pais.

Preste atenção a esse detalhe. Durante meses ou até anos, um pedófilo pode tornar-se um amigo confiável da família e pode oferecer-se para cuidar da criança, levá-la ao shopping, para passear ou passar algum tempo com ela de outras formas. Muitos pedófilos não começam a abusar da criança antes de conquistarem a sua confiança.

  • Os pedófilos procuram por crianças que são vulneráveis às suas táticas. Ou seja, eles procuram alvos que tenham pouco apoio emocional ou que não têm atenção suficiente em casa. O pedófilo tentará representar para a criança uma figura paterna.
  • Alguns pedófilos procuram crianças de pais solteiros que não conseguem dar muita atenção aos filhos.
  • Um molestador de crianças normalmente usará vários jogos, truques, atividades e linguagens para ganhar a confiança e/ou enganar a criança. Entre essas táticas estão: guardar segredos (os segredos são muito valiosos para a maioria das crianças, que sentem-se “adultas” e poderosas), jogos sexuais explícitos, carícias, beijos, toques, comportamentos sexualmente sugestivos, exposição da criança a materiais pornográficos, coerção, suborno, bajulação, e – o pior de todos – afeição e amor. Saiba que essas táticas são usadas basicamente para isolar e confundir a criança.

 

 

Texto completo em Wikihow


i
magem@Wikihow

É caminhando que se faz o caminho. Essa é uma lição que devíamos aprender com os nossos filhos.

Primeiro nascem e, apesar da exigência do acto de cuidar deles, pouco fazem.

Permitem-se aprender a respirar fora da barriga, a ouvir as vozes sem filtros, a distinguir o dia da noite (ou nem tão bem, muitas vezes), a chorar quando estão cansados, com a fralda suja ou com fome. Depois aprendem a segurar a cabeça, a sentar-se, a segurar as coisas, a sorrir. Gatinham, fazem as primeiras brincadeiras interactivas, riem e seguem o seu caminho. Conquista atrás de conquista.

Com mais ou menos paciência, vamos acompanhando esta evolução e aprendendo muitas vezes como é preciso ter calma, como com o tempo eles vão mamando melhor, comendo melhor, dormindo melhor, fazendo-se entender melhor.

Somos capazes de ter uma paciência da China com os nossos filhos e esquecemo-nos de a ter connosco. Nós, apesar de há muito não sermos bebés, também estamos a crescer. Continuamos a fazê-lo, dia após dia. São ainda muitas as lições que temos pela frente, muitas as ocasiões em que compreendemos a falta que nos faz quem nos guie.

Damos as mãos aos nossos filhos e esquecemo-nos de olhar para dentro e tentar perceber aquilo de que precisamos.

Temos de estar em equilíbrio para sermos bons pais. Temos de reconhecer as nossas falhas, os campos em que temos de melhorar e isso abrange muito mais que a maternidade/paternidade.

O desafio é de crescer com os nossos filhos e não apenas vê-los crescer. Só assim eles poderão contar connosco no futuro, ver-nos como um bom exemplo.

Somos humanos, apesar de muitos serem super heróis sem capa – mas até os super heróis têm as suas fraquezas. E as fraquezas não são necessariamente defeitos, mas sim características que deviam servir para nos fazerem seguir em frente. Aprender com o passado, fazer planos realistas para o futuro, sermos melhores em tudo o que nos propomos.

Um dia de cada vez.

Afinal, os nossos filhos estão a ver-nos. E um dia serão eles a estar no nosso lugar.

Temos a obrigação de deixar um bom legado. E com amor e paciência tudo se consegue – chegaremos lá.

imagem@weheartit

Há irmãos que fazem os pais pensar: onde é que estávamos com a cabeça? Os que deixam os pais sempre a pensar: temos mais um?

Irmãos.

Há os “olha que eu vou dizer à mãe!” e os “é um segredo só nosso!”.

Há os que são tão próximos que parecem siameses e os independentes que preferem outros companheiros de brincadeira.

Há os protectores e os que acham que os irmãos se devem fazer à vida.

Há os que levam os irmãos nas saídas à noite por imposição dos pais e os que fazem parte do grupo desde sempre.

Há os irmãos fascinados com os mais novos e os admiradores máximos dos mais velhos.

Há irmãos que são tão parecidos que parecem feitos por encomenda.

Há os que só sabemos que são irmãos porque chamam pai e mãe às mesmas pessoas.

Há os que só têm um pai ou uma mãe em comum.

Há os que ligam dia sim dia não e os que ligam só no aniversário.

Há os irmãos que compram presentes em conjunto e os que dividem a conta sem saber muito bem o que vão oferecer.

Há os irmãos que morrem de saudades uns dos outros e os que preferiam ter mais oportunidades para sentir saudades.

Há os que se davam bem em pequenos e em grandes mal sabem da vida uns dos outros. Os que cresceram e mal se lembram de se ter dado mal.

Há irmãos que foram pedidos como presentes de Natal e outros que entraram na vida sem aviso.

Há irmãos que falam uma língua própria, para quem a mãe é a mulher mais bonita do mundo e o pai o companheiro mais fixe de sempre.

Há irmãos que dão “calduços” aos amigos quando estes começam a reparar na irmã mais nova.

Há irmãos que não têm oportunidade de crescer juntos.

Há os que vivem juntos e nem se apercebem da bênção que isso significa.

Há irmãos que ajudam e irmãos que culpam os outros por terem partido a jarra favorita da avó.

Há irmãos que fazem os pais pensar: onde é que estávamos com a cabeça? Os que deixam os pais sempre a pensar: temos mais um?

Há os que sentem que os outros é que são os preferidos. Há os que se aproveitam, por achar que são eles os preferidos.

Há irmãos que são tratados como se fossem de cristal enquanto aos mais velhos é dito que têm de ser mais pacientes, mais compreensivos, mais calmos.

Há irmãos que se tratam por manos.

irmãos que vivem em total harmonia.

Há irmãos que são mais que irmãos: são amigos.

Há irmãos que fazem inveja aos filhos únicos. Há os que fazem os filhos únicos sentir que ainda bem que estão sozinhos.

Há irmãos de todos os géneros, como todas as famílias, todas as dinâmicas, todas as vivências.

Eu tenho dois irmãos. Fui irmã mais nova durante treze anos e já me sentia crescida quando passei a ser irmã do meio. Acredito que sem eles seria uma pessoa completamente diferente.

Não sei se a minha filha vai ter irmãos, mas se isso acontecer tudo farei para que se sintam igualmente amados, desejados e capazes. Muitas vezes os pais falham (por não conseguirem fazer melhor, por falta de tempo, de sensibilidade, etc), cedem perante as responsabilidades, tomam más decisões, influenciam o futuro dos filhos.

Ser pai é o “trabalho” mais duro do mundo.

Mas não nos esqueçamos que é também o mais compensador.

imagemcapa@weheartit

A chegada de um filho desperta dúvidas, medos e inquietações, mas também, inevitavelmente, muita felicidade e inúmeras expectativas. Todos os novos pais imaginam um futuro brilhante para a nova estrela que aí vem iluminar-lhes os dias (e agitar-lhes as noites!). Ao longo de toda a vida, os pais vão rabiscando, inventando e reinventando os sonhos que imaginaram para os seus filhos, mediante as respostas que os mais pequenos vão dando ao mundo que os rodeia…

Mas, e quando a criança não é capaz de responder com palavras? Quando essas palavras (que são a chave para as tão esperadas respostas que os pais tanto anseiam por ouvir) estão trancadas e codificadas na cabeça da criança, e por força das leis da Natureza não se escapam cá para fora? Esta é, talvez, uma das mais proeminentes frustrações do ser humano: tentar comunicar e não conseguir, ao passo que tentamos perceber e não conseguimos automaticamente compreender… Ficam por expressar dezenas de sentimentos, vontades e emoções, devido ao obstáculo natural da inexistência (temporária, ou não) da fala.

Para promover esta tão esperada comunicação, inevitável para o sucesso do relacionamento interpessoal, pois é como as pessoas se relacionam entre si (as trocas de ideias, de experiências, de sentimentos e de informações), têm sido desenvolvidos métodos de comunicação alternativa e aumentativa. Este processo realça formas opcionais e alternativas de comunicação que têm dois objetivos: desenvolver e promover a fala, e garantir uma forma de comunicação eficiente.

Pode considerar-se comunicação alternativa toda e qualquer forma de comunicação que seja diferente da fala e usada por um indivíduo em contexto de comunicação com outro, frente-a- frente. Como exemplo de meios alternativos temos os signos gestuais e gráficos, a escrita, o código morse, entre outros. Estes meios permitem (principalmente às crianças, mas também aos jovens e aos adultos) comunicar com o mundo que os rodeia quando a linguagem oral é ineficiente ou até mesmo inexistente. É um meio que é usado para comunicar com o outro que não a fala (comunicação oral).

No caso da linguagem aumentativa, visa promover e apoiar a fala, de forma a facilitar o desenvolvimento da mesma.

Estes meios alternativos e aumentativos permitem às crianças tornarem-se independentes, pois conseguem assim expressar de forma autónoma os seus interesses e as suas vontades, bem como os seus medos e receios; permite-lhes “dizer” as pequenas palavrinhas que estariam de outra forma trancadas nas suas pequenas cabecinhas.

Quando esta realidade bate à porta dos pais, a palavra de ordem passa a ser “Acreditar”, pois o caminho é longo e trabalhoso, mas sempre com uma luz de possibilidade e esperança, vinda da estrelinha que veio alegrar tanto os seus dias e agitar tanto as suas noites.

É fundamental redirecionar os sonhos e as expectativas para promover o desenvolvimento e a comunicação das crianças, tanto entre elas, como com os pais e restantes adultos presentes nas suas vidas, bem como redefinir pequenas ideias, dando-lhes assim confiança e segurança para comunicar com os seus pares e promover o bem-estar destes pequenos humanos.

Porque na diferença também há lugar para a felicidade!

Por Lídia Fernandes, para Up To Kids®
Todos os direitos reservados

imagem@kadinvekadin.net

Desde que acordamos até ao momento em que adormecemos…os nossos pensamentos deambulam na nossa mente, num frenesim doido em que revemos passos dados, planeamos passos a dar e fazemos opções, escolhas, a cada segundo que passa. Queremos controlar tudo, saber tudo, decidir sempre o certo. Mas o que é o certo? O certo agora, pode ser o errado amanhã…E o que é certo para mim, pode não ser para os outros…

Nós, pais, que temos em última análise a responsabilidade de optar por nós e de decidir, ou melhor, ajudar nas decisões tomadas pelos nossos filhos, ainda sentimos mais na pele o que significa viver na corda bamba!..

Somos verdadeiras muralhas, ou não…queremos transparecer que sim, mas sabemos que não, sabemos que nos desequilibramos, que podemos cair para o lado errado fazendo uma má opção, mas é a do momento, é a que nos parece melhor, é a que sentimos como a mais equilibrada e viramo-nos para eles, filhos, e dizemos com a certeza de quem tudo sabe e tudo pode, que “tudo vai correr bem”, “tudo vai passar”. E eles, crentes e de olhinhos esbugalhados, olhando para nós como se da nossa boca pudesse sair como por magia a solução para todos os seus problemas e dilemas, acreditam!.. E ainda bem! Porque sempre que um pai ou uma mãe diz que tudo vai passar, é porque quer com todo o seu ser que assim aconteça…e isso é válido, tão válido quanto a possibilidade de ser real.

O mais importante é que os nossos filhos percebam que damos 200% de nós para que tudo lhes corra bem. Fazemos 200% de esforço e sacrifício para que as nossas escolhas possam ser as melhores para eles e desejamos a 200% que as escolhas deles sejam deles, não nossas, mas que sejam as certas, ou seja, aquelas que os façam felizes.

Vivemos na corda bamba!..A cada segundo que passa fazemos escolhas e opções, temos sempre que pender mais para um lado que para o outro, e nós pais, temos que as fazer conscientes de que essas escolhas já não são só nossas!..

Mas também é importante assumir perante os filhos que a vida é isto mesmo, viver sempre com a certeza de que fazemos o melhor que podemos, damos tudo de nós e queremos sempre o melhor para os nossos, mas nem sempre acertamos nas escolhas, nem sempre escolhemos o caminho mais fácil e… também erramos. Ao assumirmos isto, podemos ser pessoas mais  plenas, menos martirizadas, menos culpabilizadas e culpabilizantes, mais honestas e mais humanas. E “ensinar” isso aos nossos filhos, mostrar-lhes que somos falíveis, que não somos  mágicos e que realmente não possuímos o dom de poder fazer com que tudo lhes corra bem mas tentaremos com cada molécula do nosso ser para que assim seja, isso é o que considero o nosso maior e mais importante desafio! Devemos transmitir aos nossos filhos que a vida é feita de escolhas e é uma aprendizagem constante…um processo em construção, jamais inacabado! E transmitir também que a liberdade de escolha é o nosso bem mais precioso. O poder optar, poder escolher, ser livre!. Esse é o tesouro a preservar. Aprender a crescer, a cair, a levantar, a reerguer e a perdoar. Perdoar…pois se não houver perdão constante, não se vive em pleno.

Temos então que saber viver na corda bamba!.. Uns dias mais equilibrados, outros dias menos, sempre preparados para a queda mas fazendo o possível para não cair…optando e pensando cada passinho…esperando que seja o melhor no momento para evitar uma queda, mas tendo coragem de o dar mesmo havendo hipótese dessa queda acontecer. Se acontecer, saber levantar com a mesma capacidade de decisão com que demos o passo…et voilá!..C´est la Vie! E a vida..é o que fazemos dela!..

Sejam felizes…ou pelo menos tentem!.. 

“Be happy…or die trying…

Por Maria João Cosme, para Up To Kids®
Todos os direitos reservados

imagem@tumbrl

 

Eles vão crescer e dispensarão nosso colo.
Vai chegar a fase em que os amigos serão mais importantes que os pais.
Que nossas demonstrações de afeto em público serão consideradas um grande ‘mico’.
Que em vez de torcermos para que eles durmam, torceremos para que cheguem logo em casa.
Que não se interessarão mais pelos velhos brinquedos.
Que o alvoroço na hora do almoço vai dar lugar a calmaria.
Que os programas em família serão menos atrativos que os churrascos com a turma.
Que dirão coisas tão maduras que nosso coração irá se apertar.
Que começaremos a rezar com muito mais frequência.
Que morreremos de saudade dos nossos bebés crescidos…

Por isso…
Viva o agora. Releve as birras. Conte até 10.
Faça cosquinhas, conte histórias, dê abraço de urso.
Deite ao lado deles na cama.
Abrace-os quando tiverem medos.
Beije o machucado (sim, beijo de mãe cura de verdade).
Solte pipas, brinque de boneca. Faça gols, comemore.
Divirta-se, acorde cedo nos domingos para aproveitar mais o dia.
Rezem juntos.
Estimule-os a cultivar amizades.
Faça bolos. Carregue-os no colo.
Faça com que saibam o quanto são amados.
Passe o máximo do tempo possível juntos.
Assim, quando eles partirem para seus próprios voos,
Você ainda terá tudo isso guardado no coração.

 

Por Cinthia Moralles, texto sugerido por leitora Kaila Leite

imagem@ask.fm