Uma mãe é aquele ser estranho e louco capaz de heroísmos e dramas com a mesma intensidade;
Uma mãe escreve cartas ao Pai Natal, é fada dos dentes e coelho da páscoa.
Uma mãe pede autógrafos a artistas deploráveis, assiste a programas e shows horríveis, revê milhares de vezes os mesmos desenhos animados, conta as mesmas histórias centenas de vezes, vai à Disney e A D O R A!
Uma mãe faz escândalos, pede justificações aos professores, grita em público, arma barraca, envergonha-nos.
Uma mãe não dá espaço, é barulhenta, tendenciosa, leoa e dona dos seus filhos.
Uma mãe exalta extremos e ganas, irrita-se, enlouquece, mas… é mãe.
Uma mãe faz promessas, mete-se em prestações e horas extras para que nós tenhamos aquilo que precisamos e aquilo com que sonhamos.
Uma mãe passa-se, ultrapassa limites e diz-nos as verdades mais difíceis de ouvir.
Uma mãe pede desculpas, mortificada… Uma mãe é um bicho de 7 cabeças, louco pelas crias.
Uma mãe chora no espectáculo de balet, na competição de natação, chora quando os filhos se apaixonam, se casam e têm filhos.
Uma mãe quer arrancar a cabeça a todos os desgraçados que fizerem os seus filhos sofrer, enlouquece enquanto espera que cheguem a casa após a sua primeira saída à noite, morre por dentro quando perde um filho.
Uma mãe é uma espécie esquisita que varia entre uma fada e uma bruxa com uma naturalidade espantosa. É competente quando assume culpas e insuperável a distribuir amor, mas por vezes tem um lado B… ou até C, D e E.
Uma mãe é melosa, excessiva, obsessiva, repulsiva, comovente e até histérica. Mas não se é feliz sem uma mãe.
Uma mãe é um contrato irrevogável, vitalício e intransmissível.
Uma mãe lê o pensamento, tem premonições e sonhos estranhos. Reconhece uma cara de choro, cara de gripe ou cara de medo. Entra sem bater, telefona de madrugada, pede favores chatos, dá palpites e implica com os nossos amigos, namorados, com as nossas escolhas.
Uma mãe dá a roupa do corpo, dá o seu tempo, dá dinheiro, dá conselhos, dá cuidados e dá proteção.
Uma mãe dá um jeito, dá castigos, dá ralhetes, dá força.
Uma mãe cura cólicas, ressacas (e bebedeiras), tristezas, cura o pânico nocturno e os nossos medos. Espanta monstros, pesadelos, bactérias, mosquitos e perigos.
Uma mãe tem intuição e é “Messias”: Uma mãe salva. Uma mãe guarda tesouros, conta histórias e cria memórias. Uma mãe é arquivo!
Uma mãe exagera e extrapola. Uma mãe transborda, inunda, transcende. Ama, desmama, desarma, denota, manda, desmanda, desanda, demanda. Rumina o passado, remói dores, dá sempre troco, adora uma cobrança e um perdão em lágrimas.
Uma mãe abriga, afaga, alisa, lambe, conhece as batidas do nosso coração, o toque dos nossos dedos, as cores do nosso olhar e sente música quando nós nos rimos.
Uma mãe tem um coração de mãe! Gigante!
Uma mãe é uma pedra no caminho, é rumo, é pedra no sapato, é rocha, é novela mexicana, tragédia grega e comédia italiana.
Uma mãe é colo, cadeira de baloiço e cadeira de psicólogo…
Uma mãe é o deus-me-acuda, o graças-a-deus, o mãezinha-do-céu, o nosso Deus-me-valha.
Uma mãe é absurda e inexoravelmente para sempre e é, para cada um de nós, apenas uma: não há mistério maior! Só cabe uma mãe na vida de um filho. Às vezes, nem cabe inteira. Porque uma mãe é imensurável.
Uma mãe é a saudade instalada desde o instante em que descobrimos a morte.
Uma mãe é eterna, não morre jamais.

 

Baseado no poema de Hilda Lucas, adaptado por Up To Kids®
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Cheguei à creche para ir buscar a minha filha e ela segurou-me a cara entre as mãos, feliz como nunca, e disse com os olhos cheios de amor: “olá mamã, olá mãe”.

Estava feliz por me ver, como eu me sinto feliz só por saber que ela dorme no quarto ao lado depois de um dia agitado, cheio de brincadeiras.

Não há como explicar este amor. Desconfio até que deveria ser criada uma nova palavra para o definir, porque “amor” já é tão cheio de tantas coisas, tantas coisas que nada têm a ver com o que vivemos e sentimos por um filho. É um mundo à parte. Um compartimento fechado que se estende aos demais, quantas vezes erradamente se lhes sobrepõe, mas que não se mistura.

A minha filha, agora um papagaio autêntico, decidiu que é mais divertido chamar-me pelo nome do que tratar-me por mãe. Acho graça, mas corrijo, porque Marta sou para toda a gente: quem me quer bem, quem não me conhece, quem só comigo falou uma vez.

Mãe sou só dela. Para ela.

É com ela que partilho as minhas gargalhadas mais genuínas, algumas esquecidas desde a infância.

É com ela que canto a toda a hora, desde que nasceu, mesmo quando lhe quero explicar algo.

É para ela que tento ser um ser humano melhor.

É nela que tento aplicar o que me ensinaram, que tento não repetir os erros que vejo à minha volta, que me esforço por melhorar os meus.

Partilhamos a inicial dos nossos nomes, a nossa casa, o amor pelo pai, momentos de ternura e algumas chamadas de atenção.

Foi por ela que, grávida como um pinguim, me levantava da cama ao sábado de manhã para fazer a ginástica pré parto – quando só queria dormir mais um bocadinho (já sabendo que era melhor fazê-lo na altura que guardar para depois).

É por ela que hoje madrugo ao sábado de manhã para entrar na piscina com ela, para a ver aprender a mergulhar, para a ver destacar-se pela sua audácia, pela sua curiosidade de engolir o mundo.

É ela que me faz comer bem, cozinhar melhor, ter atenção a todas as minhas escolhas.

É com ela que converso de igual para igual porque sei que alguma coisa ficará lá dentro.

Foi para ela que inventei as minhas melhores histórias.

Ela não sabe, mas é a tal.

E até pode gastar-me o nome, mas nunca gastará o que significa aquela pequena palavra de três letras apenas.

Por mais que me chame, nunca deixarei de vir.

imagem@weheartit

A maternidade é a recruta das mulheres

Quando me perguntam qual foi a coisa que mais mudou na minha vida depois de ter sido mãe, além da resposta óbvia, – foi só toda a minha vida, desde a forma como a vivo todos os dias, à forma como a quero viver no futuro – eu costumo dizer que, para mim a maternidade foi uma espécie de recruta das mulheres.

Normalmente as pessoas ficam com aquela cara de poker, e então explico: passei a dormir muito pouco e a acordar com as galinhas. Aprendi a fazer tudo aquilo que tinha conseguido adiar durante uns anos, e sim, inclui algumas tarefas domésticas e  muito auto-controlo emocional (da emoções boas e más, porque uma mãe não pode estar sempre a chorar, caramba!). Aprendi a ser enfermeira, bombeira, educadora, professora, moderadora, entre tantas outras. E tudo isto por causa dos meus filhos. E tudo isto enquanto continuo a ser mulher, companheira, amante e amiga. Porque não podemos deixar de nos sentir nós próprias. 

Com a maternidade passamos a ter alguém totalmente dependente de nós.

Não dá para escapar uma refeição por não me apetecer cozinhar, porque a criança tem de comer sempre. Não dá para desligar o despertador para dormir mais uma hora, e sem querer, dormir mais três. Não dá. A criança precisa de acordar e de mudar a fralda, de tomar o pequeno almoço e mudar a fralda, precisa de ouvir uma música ou ler uma história. Hoje fazemos um puzzle logo depois de mudar a fralda. A criança precisa de almoçar e de dormir a sesta. A criança precisa. E nós mães, qual recruta apresentamo-nos ao serviço. Com a diferença que não conseguimos estar impecavelmente fardadas, e nem tão pouco tentamos. Depois de sermos mães, não podemos fingir que somos só nós. E ainda bem porque quando quando éramos só nós, a felicidade tinha outro sabor.

Quando comecei a escrever sobre este tema, como habitualmente faço, pesquisei no google para perceber se já alguém tinha feito esta comparação, e encontrei um artigo publicado no Público em 2013, da Sofia Anjos, chamado “Ser mãe é a tropa da mulheres”.

Será que o li na altura e que a minha expressão adveio daqui? Não faço a menor ideia. Não me lembro. Mas despeço-me aqui, porque tudo aquilo que eu tinha pensado está aqui tão bem descrito. Ora vejam:

“Ser mãe é a tropa das mulheres

Consigo segurar o biberão com o queixo. Foi uma questão de dias, após o bebé nascer, até descobrir umas quantas tarefas que podem ser feitas com uma só mão. Algumas com dois dedos apenas. Penso que se um dia ficar maneta, safo-me.

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Antes de ser mãe

Antes de ser mãe fazia as refeições quentes, não tinha nódoas na roupa e ficava horas a conversar tranquilamente ao telefone durante o serão.

Antes de ser mãe, dormia até me apetecer de manhã, não tinha horas para ir para a cama, e penteava-me e lavava os dentes várias vezes ao dia.

Antes de ser mãe, a minha casa era um brinco, e mesmo assim eu fazia limpezas diárias. Nunca tinha tropeçado em brinquedos espalhados, e sabia as letras das músicas todas.

Antes de ser mãe nunca me preocupei se as minhas plantas seriam ou não venenosas e nunca pensei muito sobre imunidade.

Antes de ser mãe nunca me tinham vomitado em cima, nem feito cocó ou xixi, cuspido, nunca me tinham mordido, e nunca tinha sido beliscada por dedos minúsculos que parecem pinças de lagostim!

Antes de ser mãe eu controlava totalmente os meus pensamentos, o meu corpo e a minha mente. E dormia a noite toda.

Antes de ser mãe nunca tinha pegado numa criança aos gritos para se auscultada ou vacinada. Eu nunca tinha ficado lavada em lágrimas só por ver alguém chorar. Nunca tinha ficado verdadeiramente feliz por ver alguém sorrir. Nunca tinha ficado acordada horas a fio a olhar para um bebé a dormir.

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A todas as Marias do mundo

Em tempos tive uma colega de trabalho que me parecia totalmente desorganizada e talvez um pouco obsessiva.

Na altura eu não tinha filhos e ela tinha dois em idade escolar.

Nunca chegava a horas. Aparecia sempre com alguns minutos de atraso, o que na minha cabeça não fazia qualquer sentido. Todos os dias havia um drama; ou eram as notas dos putos, o carro avariado, o ex-marido que não colaborava, uma consulta médica, a mãe ou a avó ou o cão ou o gato….

Hoje, por um comentário de uma colega de equipa percebi que agora sou eu a Maria.
Não chego atrasada porque felizmente tenho a ajuda do meu marido, mas nunca, nunca mais vou desvalorizar 30 segundos que seja.

Uma birra matinal, um xixi à última da hora, um abraço mais prolongado na despedida no colégio.
E sim, eu sou a pessoa que treme quando recebe um telefonema da educadora, mesmo quando é só para dar um recado.

Sou a pessoa que todos os dias tem mil e quinhentas coisas em que pensar. Almoço, escola, férias (meu Deus as férias!) horários, roupa, calendário das festas de anos, prendas para as festas de anos…
E muitas vezes tenho de sair mais cedo – são consultas médicas, festas de fim do ano, avaliações (e o mês de Agosto!?).

Eu sou a Maria!

A que coloca os filhos em primeiro lugar. A que tinha uma carreira e agora tem um emprego. A que saía todos os fins-de-semana e tinha uma vida social preenchida e agora foi promovida a motorista em part-time.

Eu sou a Maria! A que às vezes está perfumada e maquilhada e outras usa o cabelo apanhado porque não teve tempo de se pentear.

Eu sou a Maria, a que suporta os olhares reprovadores dos colegas sem filhos ou daqueles que já não se lembram quando tiveram filhos pequenos.

A que se contenta por ter um emprego. Porque eu sei que a minha verdadeira carreira, o que faço bem e que me dá maior retorno e prazer não acontece no horário das 9:00 às 18:00.
Eu tenho duas filhas e sei que, um dia, também elas terão esta capacidade maravilhosa de serem mulheres, mães, amantes, terem um emprego (com sorte uma carreira), gerir uma casa, controlar o choro, os nervos, a vontade de gritar ou desistir…, porque todos os dias ao acordar também elas serão Marias no seu tempo, e vão poder olhar para o rosto de seres maravilhosos e pequeninos e ter um grande motivo para sorrir e viver.

 

O que eu quero que os meus filhos se lembrem

Muitas vezes sinto que estou a dar cabo desta coisa chamada maternidade. Há dias que estou tão cansada que não consigo ter um pensamento coerente, quanto mais dizer uma frase com sentido. Estou cansada de mais para brincar com meus filhos. A minha paciência esgotou-se. Sinto que se mais alguém me pedir mais alguma coisa vou ter um ataque de nervos.

Passo os dias atrás dos meus filhos: “Toma o pequeno almoço!”, “Apanha as meias do chão!”, “Faz as pazes com o teu irmão!”, “Para de enfiar papel higiénico no lavatório!”, Por amor de Deus, faz pontaria para não fazeres xixi na tampa da retrete!”  Que cansativo!

Às tantas questiono-me se lhes estarei a proporcionar uma boa infância. Estaremos realmente a criar memórias? 

Quando eles tiverem a minha idade, o que será que lhes ficará na memória sobre a infância? E sobre a mãe?  Será que me vão ver apenas como a pessoa que os alimentou, que lhes deu deu ordens e lhes limpou o nariz? Ou como uma mãe que lhes trouxe felicidade imensa, que tinha sempre ideias giras para partilhar, que foi divertida e brincalhona, atenciosa e gentil?

Tenho a certeza de que se vão lembrar um pouco de tudo. 

Pelo menos, é assim que eu me lembro da minha própria infância e dos meus pais. Lembro-me dos gritos, das lágrimas, das preocupações. Mas há certos momentos que ainda estão guardados religiosamente na minha memória, momentos de pura felicidade e conexão. E espero conseguir dar alguns desses momentos aos meus filhos.

Eu quero que os meus filhos me vejam em primeiro lugar, como uma mãe, mas também como uma mulher, como um ser humano imperfeito com todo este amor incondicional livre e sem pretensões.

Eu sei que ainda faltam alguns anos para que a infância dos meus filhos se torne em memórias distantes. E (bate na madeira) espero, com todas as minhas forças, ainda estar presente em muito anos do crescimento deles. 

Quando penso na nossa vida agora e naquilo que quero que fique na memória dos meus filhos é tudo muito simples e pouco concreto. São pequenas coisas que não consigo dizer por palavras mas que espero que eles estejam a ”apanhar” e a arquivar tudo.

Meus queridos filhos, vou escrever-vos algumas das coisas que quero que se lembrem de mim.

Eu quero que se lembrem das noites em que eu disse repetidas vezes que estava cansada de mais para fazer qualquer coisa divertida mas às 7h da tarde de sábado vestimos os casacos por cima do pijama e fomos à rua comprar guloseimas e sentamo-nos na varanda a comer e sentir a magia da noite.

Que se lembrem das vezes que vos pegava ao colo como se fossem bebés, sempre que estavam doentes. Como vos embalava nos meus braços, enquanto vos cantava as vossas músicas preferidas numa espécie de sussurro e desafinação num tom baixo de mais, até que adormecessem com a cara encostada ao meu peito, ao meu coração. Details

Eu exijo que exijam de mim!

Há mães que não contam que os filhos não são sempre queridos e fofos.

A verdade é que os filhos também são chatos. Acordam de mau humor, repetem vezes sem conta as mesmas palavras e frases, fazem reiteradamente as mesmas perguntas às quais por vezes ou não temos resposta ou não queremos responder, insistem em modo burro do Shrek se estamos a chegar, mal saímos da nossa rua! Ainda falta muito? nem há 5 segundos dissemos que estamos a chegar e fazem birras do nada e sem razão, choram e gritam nos sítios e ocasiões menos apropriadas. Definitivamente, os filhos não são sempre queridos e fofos.

Mas e as Mães?

Eu também não sou sempre querida e fofa e aposto que há mais Mães que não o sejam.

Mas o problema  é que exigimos demais. Exigimos que as crianças se portem sempre bem, exigimos que não interrompam as conversas dos adultos, exigimos que façam as coisas ao nosso ritmo, exigimos que cumprimentem as pessoas, às vezes até que beijem e abracem alguém que só vêem uma vez por ano. Exigimos que emprestem os brinquedos, exigimos que os partilhem, exigimos que se entendam com o(s)  irmão(s), primo ou amigo, exigimos que aceitem se o amigo raivoso lhe bateu, exigimos que não batam de volta, exigimos que não chorem. Exigimos que não falem quando não for o seu tempo, exigimos que não interrompam as refeições, exigimos simplesmente que não interrompam porque, por exemplo, têm um desenho muito bonito e o querem mostrar.

– Não vês que estou a comer, ai que lindo que está, agora vai lá continuar a pintar para eu e o Pai almoçarmos sossegados…

Espera lá, um desenho? Mas que desenho é este? Ah, sou eu, a Mãe!

Pára tudo…

Tu querias interromper-me para mostrar-me o desenho que aprendeste a fazer?

Querias tão somente a minha presença, a minha atenção, o meu amor?

Queridos filhos, desculpem-me! Vocês também têm o direito de exigir! Aliás, eu exijo que exijam de mim!

Exijam que eu pare para vos olhar, exijam que vos oiça, exijam que eu pare para me dedicar a vocês em exclusivo nem que seja por meia hora, exijam que brinque com vocês, exijam que eu esqueça os adultos, o telemóvel, o trabalho, o cansaço, a casa e as suas obrigações, exijam que me sente no chão a brincar com vocês, exijam que eu vos oiça, exijam que eu vos ensine, exijam que eu vos dê atenção, exijam que entre com vocês no mundo do faz de conta, exijam que eu não me esqueça que são crianças, exijam que eu deixe de exigir.

Sejam exigentes comigo!

*para lerem quando crescerem

As mães não são seres mágicos.

Eu confesso.
Todos os dias, ao fim da tarde eu deixo os meus filhos verem televisão para que eu consiga preparar o jantar.
Salto algumas palavras, ok na verdade eu salto parágrafos, quando leio longos livros infantis.
Perco a paciência com os meus filhos diversas vezes durante a semana.
Todas as manhãs eu coloco a tetina 1 no biberão do meu filho para que ele mame devagar e me de tempo de tomar café.
Eu odeio lavar a louça.
Quando não temos legumes e estou com preguiça de ir ao mercado, ponho tomates picadinhos na comida para me sentir menos culpada.
Já cortei o dedo da minha filha a cortar-lhe as unhas.
Quando estamos no carro e o meu filho chora porque quer sair da cadeirinha, digo que acabou de passar um macaco na rua para o distrair. Ou um tigre, ou um leão, ou seja lá qual for o animal favorito daquela semana.
Eu chego atrasada a quase todos os jogos de futebol do meu pré-adolescente.
Os meus filhos já caíram e magoaram-se mesmo debaixo do meu nariz.
Já me esqueci de trocar a fralda do meu filho ao ponto do gel começar a vazar.
Eu não tomo nem perto de 2 litros de água por dia.
Nunca me lembro de comprar meias para minha caçula e até hoje  usa as meias de recém nascido (está com quase 9 meses).
Eu já queimei a boca do meu filho porque não vi que a sopa estava muito quente.
Os meus filhos já ficaram dois dias sem tomar banho.

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A minha sala está sempre uma bagunça. Quem é que eu quero enganar? A minha casa inteira (não é só a sala) está sempre uma bagunça.

E os meus filhos, como são meus filhos? Bom, eles são normais. Eles estão bem, e estão felizes.

Ser uma boa mãe não pode estar relacionado com o número de horas que brincas com os teus filhos. E não pode ser medido através da quantidade de glúten que os deixas ingerirem.

As mães não são seres mágicos. Nós somos reais. Perdemos a paciência e ficamos cansadas. Cansadas da rotina, cansadas de ter que cozinhar todo-santo-dia. Cansadas de encontrar roupa limpa no cesto de roupa suja. Sim, nós ficamos cansadas. Mas também temos ataques de alegrias e gritamos alto quando presenciamos os primeiros passos. Ou quando sem querer fazemos cocegas no bebé e arrancamos aquela gargalhada deliciosa.

Ser mãe é muito difícil, e infinitamente gratificante.

Eu confesso, não sou uma mãe perfeita. Não é que eu não queria ser uma pessoa melhor. Pelo contrário. Mas admitir que não se pode abraçar o mundo todo de uma vez, reconhecer os próprios erros, e ter um pouco de amor próprio, também é um grande aprendizado.

E tu, o que confessas?

 

Por Rafaela Carvalho, em A Maternidade,
adaptado por Up To Kids®

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O fim do ano letivo – Desabafos de uma mãe

Sento o final das aulas como o retirar das costas uma mochila carregada de livros e materiais escolares!
É certo que não carreguei livros, mas a tarefa de mãe de três filhos é redobrada quando assentamos no modelo de família monoparental.
O meu carro percorreu centenas de quilómetros, perdi a conta do número. Levar os miúdos à escola, ir buscar, os trabalhos de casa, os treinos de basquetebol, as idas ao ginásio e o ballet cansaram o meu corpo e o meu espírito.
O ritual do adormecer: “Já fizeram os trabalhos? têm testes? a mochila está pronta para amanhã? o equipamento? se chover telefonem quando saírem! vão almoçar a casa da avô? vou-te buscar à escola, vou-te buscar ao treino. Tens jogo? A que horas? onde? com quem?”
Perco o fôlego e quando chego à cama parece que o transportei um piano às costas durante todo o dia. É como se vivesse várias vidas dentro de mim e, no fundo,  acabo por viver.
No silêncio da noite, o meu cérebro percorre os caminhos das dúvidas parentais: “Serei a mãe que quero ser? Exigi demais? Baixei as espectativas ou será que fui equilibrada? Deverei estar, ainda, mais presente ou ausentar-me um pouco a fim de dar asas e sentido de responsabilidade?”
Dúvidas e mais dúvidas surgem… No entanto, o amor de mãe diz-me que o melhor para os meus filhos é a presença e o apoio incondicional independentemente dos resultados visíveis.
Nem todos serão o mais inteligente da sala de aula, mas poderão ser o mais realizado, ter um grau de maturidade que os ajude a enfrentar os novos desafios, ou ser os mais felizes.
O acordar do novo dia é o inicio da rotina. Os adolescentes dormem muito. Preferem as noites ao amanhecer. Foi desgastante acordar-vos durante estes meses! Cumprir horários, rituais de rotinas …
Perceber a importância do descanso para o sucesso do novo dia.
As atividades extra-curriculares foram o vosso escape, a vossa fuga ao stress. Bem ditas sejam as horas do basquetebol, do ginásio e do ballet.
Neles foram canalizados os vossos problemas, a vossa energia descontrolada, foi reencontrado o equilíbrio interno. Digamos que as atividades foram mei caminho andado para vos ajudar a conseguir alcançar os objetivos académicos.
Sinto me cansada! O ano letivo foi longo, estive ausente, estive doente… não pude estar presente a 100% … amadurecemos juntos, crescemos, unimos-nos!
Preciso de férias, como todas as outras Mães. O dever de missão cumprida trará novo ânimo para o próximo ano letivo e voltaremos a sentar-nos e a refletir sobre a nossa missão maternal!
Até lá, degustemos as férias, com mimos e abraços, sol e praia!
imagem@istock

Eu sou a mãe que anda com as unhas arranjadas, cabelo impecável e outfit de fazer inveja e sou a mãe que chega atrasada, de calças de ginástica, cabelo oleoso e camisa manchada (e a mancha pode ser de restos de comida ou excreções de um mini corpo humano).
Eu sou a mãe que amamenta feliz e sou a mãe que se levanta a resmungar por ter de dar de mamar.
Eu sou a mãe que cozinha tudo em casa e uso ingredientes orgânicos e sou a mãe que vai buscar fast food por pura e absoluta preguiça.
Eu sou a mãe que se voluntaria para ir ao passeio da escola a acompanhar a turma dos meus filhos e sou a mãe que se esqueceu de mandar o lanche do filho.
Eu sou a mãe que vai ao parque infantil e inventa brincadeiras e sou a mãe que põem os filhos em frente à televisão para ter uns minutos de sossego.
Eu sou a mãe que conta até 10 e mantém a calma e sou a mãe que tem ataques histéricos e se transforma em Hulk.
Eu sou a mãe que dá ao filho a última e melhor colherada da sobremesa e sou a mãe que se escondeu a comer chocolates para não ter de partilhar.
Eu sou a mãe que conta os segundos para pôr os miúdos na cama a horas e sou a mãe que borrifa para as horas porque me apetece dar-lhes (ainda) mais mimo.
Eu sou a mãe que trabalha, cuida da casa e dos filhos e sou a mãe que, às vezes, não tem forças sequer para sair do sofá.
Eu sou a mãe que mantém a lucidez mesmo em situações enlouquecedoras e sou a mãe que grita com os filhos por “dá cá aquela palha”.
Eu sou a mãe que cede a “mais 5 minutinhos” e sou a mãe que obriga os filhos a cumprir uma ordem quando mando e com tolerância zero.
Eu sou a mãe perdida que às vezes precisa de conselhos e sou a mãe que dá abraços apertados e conforta os filhos.
Eu sou a mãe que faz cabanas na sala e sou a mãe que finge estar a dormir só para não ter que responder.
Eu sou a mãe que salva os filhos de quedas e apanha-os no ar e sou a mãe que já perdeu os filhos de vista em pleno parque temático.

Eu sou estas mães todas e muitas outras. Muitas vezes sou várias num só dia.

Talvez me tenhas visto no meu melhor momento e tenhas acreditado que eu sou uma mãe exemplar, com tudo sob controle.
Talvez me tenhas visto num momento mau e tenhas achado que sou a pior mãe do mundo.
É indiferente. A vida não é perfeita. As mães não são perfeitas. Os filhos não são perfeitos.
Todas nós já estivemos dos dois lados. Um momento ou um dia não define ninguém.

Caso precises que te digam: és uma excelente mãe e estás a fazer um fantástico trabalho.

Por um mundo com menos dedos indicadores, e mais “eu sei que é difícil”!

 

 

Por Rafaela Carvalho, em A.Maternidade, adaptado por Up To Kids®

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