Eu adoro os bilhetes que recebo dos meus filhos – quer sejam rabiscados num post it ou escritos com uma caligrafia perfeita e papel de carta. Mas o poema que recebi no Dia da Mãe, recentemente, da minha filha de 9 anos teve um significado especial. Na verdade, na primeira linha do poema já prendi a respiração enquanto as lágrimas me desciam pela cara.

“A coisa mais importante que eu posso dizer sobre a minha mãe é… que ela está sempre pronta para me apoiar, mesmo quando eu estou em apuros.”

Mas nem sempre foi assim.

Um dia apercebi-me que a minha forma de tratar os meus filhos tinha mudado, e que agora agia de uma forma como nunca tinha acontecido. Tinha-me tornado numa mãe que gritava. Não era sempre, mas era intenso – como um balão extremamente cheio que pode rebentar a qualquer momento.

O que é que as minhas filhas de 3 e 6 anos faziam de tão diabólico, que fizeram com que eu me passasse de vez?  Foi o facto de insistirem em ir buscar mais três colares de contas e os uns óculos de sol rosa, quando já estávamos atrasados? Foi a forma como tentavam servir-se sozinhas de cereais e entornavam a caixa inteira no balcão da cozinha? Foi quando uma delas caiu e partiu o meu anjo de vidro especial no chão, depois de ter sido avisada para não lhe tocar? Foi por lutarem contra o sono quando eu precisava de um pouco mais de paz e sossego? Ou foi quando discutiam por coisas ridículas como quem seria o primeiro a sair do carro ou quem tem o maior sorvete?

Sim, eram esses percalços normais, questões e atitudes típicas de crianças que me irritavam ao ponto de perder o controle.

Isto não é algo fácil de escrever. E também não foi um momento fácil na minha vida, porque verdade seja dita, eu odiava-me nesses momentos. O que é que me acontecia, que me fazia gritar à maluca com as duas pessoas que eu amo mais do que a vida?

Distrações

O uso excessivo do telefone, a sobrecarga de compromissos, listas de tarefas intermináveis, e a procura da perfeição, estavam a consumir-me.  Gritar com as pessoas que eu mais amo, foi o resultado direto da perda de controle que estava a atravessar na minha vida.

Inevitavelmente, acabaria por explodir em qualquer lugar. E claro, explodi a portas fechadas, exatamente na companhia das pessoas que são o meu mundo…

Até que, um dia fatídico, a minha filha mais velha subiu ao banco para tirar qualquer coisa da dispensa e acidentalmente entornou um saco inteiro de arroz no chão. Com um milhão de minúsculos grãos espalhados por todo o lado, os olhos de minha filha encheram-se de lágrimas. Foi nesse momento que eu percebi – a minha filha estava com medo de mim!

Esta foi, sem dúvida, a consciencialização mais dolorosa da minha vida. A minha filha de seis anos está com medo da minha reação ao acidente.

Com uma profunda tristeza, percebi que eu não era o tipo de mãe que eu queria para meus filhos conviverem e nem era assim que eu queria viver o resto da minha vida. Details

Se ao provérbio “No meio é que está a virtude” podemos atribuir muita verdade e aplicação em diferentes contextos das nossas vidas, quando falamos de Parentalidade, mais concretamente de estilos parentais, este dito popular não é excepção.

Desde o primeiro dia (e até antes) em que nos tornamos pais e mães, que queremos ser os melhores Pais do Mundo, estando desde logo perante o desafio de encontrarmos o equilíbrio, e vivermos com ele de forma confortável, entre o que idealizamos que é um pai ou mãe perfeitos (sabendo de ante mão que a perfeição não existe, claro está) e o pai ou mãe que realmente somos.

Importa saber que, apesar de a nossa identidade parental ir-se construindo e moldando ao longo do crescimento e desenvolvimento dos nossos filhos, e do nosso enquanto pai ou mãe, a forma como exercemos a Parentalidade é, em larga medida, influenciada pela forma como fomos educados pelos nossos Pais.

E no que é que isto se traduz? Bom, os estudos dizem-nos que das duas uma: ou repetimos o que aprendemos com os nossos Pais, sem grandes questionamentos ou modificações de maior, ou fazemos precisamente o contrário, e aquilo que achamos que faltou na nossa educação, pecamos por excesso e damos em dobro aos nossos filhos.

Assumindo que na parentalidade (e na vida em geral) nada é assim linear, e que múltiplos outros factores têm que ser tidos em conta na construção do nosso estilo parental, como as características de personalidade, experiências, vivências, modelos, etc., falemos então de dois tipos de educação, completamente antagónicos – a educação autoritária e a educação permissiva.

Numa educação predominantemente autoritária, os Pais dão muitas ordens e impõem muitas regras, que não são explicadas nem negociadas com os filhos, não se respeitando, assim, as necessidades e opiniões das crianças. Pais autoritários não investem na comunicação e na expressão dos afectos, estando pouco disponíveis para os seus filhos, recorrendo frequentemente ao uso das palmadas, das ameaças, dos castigos, dos gritos e do medo, como forma de controlar a criança.

Do outro lado, temos os Pais permissivos. Estes são Pais que exibem altos níveis de comunicação, que estão disponíveis para os seus filhos, muito afectuosos, mas que apresentam muitas dificuldades na colocação de regras e limites.

Dizer um não firme e consistente é difícil para estes Pais, que não fazem exigência de comportamentos maduros por parte da criança, nem são muito bons na supervisão do cumprimento das normas. Muito centrados na criança, os Pais Permissivos tendem a adaptar-se aos seus filhos procurando identificar e satisfazer as suas necessidades e exigências.

E depois temos o meio-termo, o tal meio virtuoso – a parentalidade positiva

Aqui os Pais aceitam a criança tal como ela é, respeitando-a na sua individualidade, proporcionando-lhe amor e carinho, incentivando o diálogo e uma comunicação clara, aberta, bireccional, ao mesmo tempo que estabelecem regras e limites, pelos quais a criança se possa orientar. Na educação positiva as regras estabelecidas na família são negociadas (quando assim o puderem ser) e explicadas à criança, promovendo-se assim, a cooperação em detrimento da simples obediência.

Ler também A (GRANDE)  diferença entre castigo e consequência

Educar os nossos filhos, sem ser de uma forma punitiva, com ameaças, castigos, humilhações e violência, nem de uma forma permissiva, sem regras e limites, não é tarefa fácil. Mais uma vez, o equilíbrio não surge assim do nada. Há que tentar, errar e voltar atentar. O segredo? Não sei. Mas se tivesse que deixar aqui uma sugestão, seria a de tratem os vossos filhos como gostariam de ser tratados. Respeitem-nos, amem-nos e o resto…., bom, o resto vem…

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Porque devemos abraçar os nossos filhos quando agem mal?

Estou farta.

Estou completamente farta de explosões emocionais, estou farta que me desafie, e do “não me podes obrigar”, e de portas a bater.

Há alturas que só me apetece arrastá-lo pela t-shirt e obriga-lo a apanhar os sapatos do chão e acabar com estas atitudes de vez.

A última coisa que me apetece fazer é abraça-lo, mas faço-o na mesma.

Abro a porta (depois de me bater com ela na cara) e pergunto-lhe: ”Queres um abraço?

Inicialmente ele resistia mas hoje em dia não. Hoje em dia derrete-se nos meu braços e chora como um bebé oprimido e inseguro.

Hoje, apesar de ser a ultima coisa que me apetecia fazer, apesar de ele ter tido uma péssima atitude comigo, o que ele precisava era mesmo de um abraço. Era o que precisávamos os dois.

Porquê?

Porque devemos abraçar os nossos filhos quando agem mal?

Passo a explicar:

Porque os nossos filhos aprendem mais com amor do que com castigos. Um abraço e uma conversa sobre o que se está a passar resultam melhor do que gritar e castigar.

Porque, às vezes, quando os nossos filhos “se passam”, a sua reação é um grito de ajuda. Talvez não saibam exprimir os seus sentimentos de uma forma mais apropriada, ou talvez haja mais qualquer coisa que os incomode, os stresse ou que os esteja a frustrar e, um abraço pode abrir uma janela à conversa sobre o que realmente se passa, para que possamos lidar e ajudá-los a lidar com a situação.

Porque, às vezes quando os nossos filhos se sentem mal consigo próprios, sentem que não merecem carinho e o nosso respeito e agem de forma a não serem tratados com carinho e respeito. E se reagimos negativamente e com “raiva” estamos a validar os sentimentos deles, e começa um ciclo vicioso. Quebre o ciclo e abrace-o. Lembre-lhes que cometer um erro não os torna numa má pessoa.

Porque uma das melhoras formas de fazer com que os nossos filhos cooperem, é criando laços. Com uma relação forte pais e filhos, as crianças têm tendência a agir de forma correta a maior parte das vezes. E nas alturas em que não o fizerem, ou não o conseguirem fazer, um simples abraço é a chave para nos conectarmos emocionalmente.

Porque o amor pelos nossos filhos é incondicional.

Podemos não gostar da atitude ou de um comportamento, mas continuamos a amá-los até ao último dia das nossas vidas. E as crianças precisam de saber isso, e por vezes temos de relembra-las vezes e vezes sem conta, especialmente quando estão em baixo.

Porque, às vezes, somos nós pais que precisamos de um abraço. Quando os nossos filhos estão a sofrer, ou frustrados, ou a atacar-nos e não sabemos mais como lidar com eles, às vezes, somos nós que precisamos de nos conectar, precisamos de reforçar a  confiança e de um abraço.

Por isso da próxima vez que perderem a sintonia e o seu filho se estiver a passar, abrace-o.

Eu sei que às vezes é difícil controlar os sentimentos.
Eu sei que às vezes eles vão rejeitar esse abraço, principalmente se tiver filhos na pré-adolescência e adolescência.

Mas abrace-o na mesma.

Porque, às vezes, um simples abraço é a melhor resposta a um comportamento negativo.

 

Por Picklebums, parenting
Traduzido e adaptado com autorização por Up To Kids®, 

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Se o seu filho o tira do sério, isso pode ser sério
Na verdade as crianças não “tiram os adultos do sério”.
Os adultos já estão “fora do sério”.
Os adultos vivem “fora do sério” por questões pessoais!
Pelas suas próprias frustrações, preocupações, medos, mágoas, receios, pressa, pressões externas e internas. Os adultos estão constantemente fora de si, desarmonizados, encolerizados, contidos, como bombas prestes a explodir.
O que acontece é que mais facilmente se deixam explodir quando precisam lidar com alguém mais frágil, indefeso e que não precisam temer uma retaliação…
Por isso, antes de se permitir “sair do sério” com uma criança, reflita se você não está já “fora do sério” por outras razões na sua vida, razões que só você pode (e deve) tentar mudar!
Talvez seja a vida stressada, cheia de horários controlados por segundos preciosos, que não podem ser “perdidos” por causa de uma criança, que precisa de andar mais devagar para olhar para as pedras da calçada.
Talvez sejam as contas para pagar e os prazos para cumprir, que consomem, além da sua energia física, uma preciosa tranquilidade mental, tão necessária para desfrutar a companhia dos filhos.
Talvez sejam as expectativas pessoais, que visam sempre um futuro melhor, mas fazem esvair por entre os dedos qualquer possibilidade de viver o agora, e tal impossibilidade grita através do choro dos filhos, que imploram neste momento a atenção de hoje.
Os adultos estão constantemente “fora do sério” por causa das mágoas do passado, da pressa no presente e das angústias do futuro!
E as crianças, na verdade, precisam de muito pouco. No entanto, o pouco que precisam é algo que se tornou muito difícil para nós, adultos darmos! Precisam de tempo de qualidade, de olhar calmamente, de presença verdadeira, sem TV ligada, sem atender o telemóvel a meio da brincadeira, precisam de uma volta no bairro sem um “despacha-te”.
As crianças não nos tiram do sério, não nos cobram nada, é que nós, preocupados, ansiosos e infelizes, nos sentimos cobrados internamente, e quando uma criança nos pede algo simples, lá no fundo sentimos vergonha, pois descobrirmos que somos, ou estamos, incapazes de realizar até as coisas mais simples.
São as coisas simples que carregam em si as maiores alegrias. As nossas escolhas, conscientes ou não, determinam muitas coisas nas nossas vidas, e as crianças chegam depois de muitas dessas escolhas já estarem solidificadas; e chegam no meio de um turbilhão de preocupações, prazos, horários, dívidas e metas, chegam silenciosas no meio de mil vozes que nos dizem que são elas, as crianças, que precisam de se adaptar e de se encaixar. As crianças chegam e pedem-nos um pouco do nosso tempo, passos mais lentos, olhares mais atentos, abraços sem pressa, sorrisos sem limites…
Chegam e mostram-nos que nem nós deveríamos aceitar encaixar-nos na vida atribulada e vazia que nos consome na mesma medida que consumimos cada dia sem sentir, sem perceber.
As crianças não nos cobram. As crianças mostram-nos que estamos incapazes de desacelerar, de sorrir, de contemplar, de cantar ou dançar, de respirar e suspirar, de sentir alívio ou paz. E em vez de refletirmos sobre nossas escolhas, que podem não ter sido as melhores até então, mas que podem melhorar, ou até mesmo serem diferentes a partir de agora, nós “preferimos” ralhar com as crianças, bater nas crianças, “sair do sério” com as crianças!
Os filhos lembram-nos constantemente sobre o que realmente importa, especialmente quando não queremos que nos lembrem dessas coisas. Os filhos querem apenas um pouco mais de nós! Mas isso tornou-se quase impossível, porque perdidos entre as experiências do passado, a pressa no presente e o medo do que virá amanhã, nem tão pouco conseguimos lembrar-nos de quem somos, ou de quem queríamos ser…
Não nos lembramos de quem somos no meio de tantas preocupações e angústias!
Precisamos de refletir não só sobre os adultos que nos tornamos, mas sobre as crianças que nós um dia fomos!
Tentar lembrar-nos daquilo que sentíamos, o que desejávamos, o que era importante para nós quando éramos pequenos!
Não existem crianças que precisem de apanhar para aprender, o que existe, infelizmente, são adultos que precisam de bater, e que batendo, acreditam que estão a ensinar algo bom.
Bater, agredir, gritar, deixar chorar, apressar, negar, brigar, culpar, ignorar…
E isso tudo por causa das suas próprias questões pessoais.
É difícil e trabalhoso perceber se o problema no comportamento da criança pode ser a escola que ela é obrigada a frequentar, é muito difícil e trabalhoso perceber se o problema pode ser o ritmo acelerado da vida que nós escolhemos.
Pode ser trabalhoso perceber que o problema pode ser as pessoas que rodeiam as crianças.
Pode ser difícil e doloroso perceber que o problema podemos ser nós próprios.
Por isso, e por muitas outras coisas, decidimos que o problema é a criança, e por não conseguirmos mudar o contexto que nós vivemos, tentamos mudar a criança.
Romper com o passado, mudar o presente e temer menos o futuro, pode dar muito trabalho!
Então, decretamos que são as crianças que nos tiram do sério.
Quando cuidar e educar se limita a fazer dos filhos aquilo que nós queremos, quando se limita a enquadrá-los à força dentro de uma rotina alucinada, perdemos toda a leveza, a liberdade e a alegria.
Tudo se torna extenuante, e até aquilo que é natural é entendido como se fosse um problema.
Existem métodos, dicas de disciplina positiva que podem indicar o caminho, mas não há soluções prontas, especialmente se o que os pais procuram é um método milagroso que elimine todo e qualquer conflito.
As situações tensas, os embates, as crises, vão sempre existir, e são iguais em todas as famílias, o que difere é a capacidade que algumas pessoas tem de lidar com elas de uma forma mais leve e produtiva.
Não adianta querer resolver de imediato. E atualmente todos sofremos deste mal, queremos ser atendidos imediatamente, queremos que as encomendas cheguem o quanto antes, queremos que a fila ande o mais rápido possível, nós, os adultos, queremos que o link abra em um segundo, queremos o resultado já, agora, neste instante. E no que diz respeito a relações humanas, o tempo de resposta não está na velocidade de um clique, a resposta está na confiança que se planta a cada dia, mas se colhe num tempo que não podemos controlar. Criar e educar é uma construção diária, lenta, trabalhosa, que se prolonga por todo o tempo que durar a relação, ou seja: provavelmente a vida inteira.
O diálogo, a confiança e o respeito constroem-se no dia a dia, nas coisas simples, através dos detalhes.
Algo que aparentemente não deu certo numa determinada situação pode ter sido uma semente a germinar e gerar frutos benéficos num futuro próximo ou distante.
Nada se perde no que diz respeito aos cuidados com os filhos!
A maioria das situações de conflito que surgem, especialmente as rotineiras, as que se repetem, podem ser evitadas e contornadas.
Os momentos de crise, de embate entre pais e filhos, podem ser superados de forma harmónica e construtiva, isso se houver um pouco mais de paciência, boa vontade, autoconhecimento e tempo, coisas que dependem dos adultos e não das crianças.

Carl Gustav Jung já dizia que se encontrar algo que gostaria de mudar numa criança, deveria antes questionar-se se não há algo que deveria mudar em você mesmo.

Antes de erguer a voz a uma criança, reflita sobre o quanto está a ouvir a sua própria voz interior, e se está a ser capaz de compreender o que esta voz lhe diz.

Antes de levantar a mão a uma criança, reflita sobre o quanto está a levantar a mão para mudar o que não está bom, dentro e fora de si… Que nos sirva apenas de alerta, ou como um convite para refletirmos, que há sempre muito a mudar em nós próprios, quando temos o ímpeto de mudar algo numa criança!

Por Luzinete R. C. Carvalho (Psicanalista), psicanalista, em Visão Clara
Adaptado por Up To Kids®

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As crianças sentem tudo muito intensamente, muito apaixonadamente. E há algumas que as sentem ainda mais intensamente do que outras.

O córtex frontal de uma criança pequena ainda não está suficientemente desenvolvido de forma a que consiga controlar-se quando está aborrecida. E por isso chora, explode, entra no loop de pranto. Simplesmente não tem ferramentas para gerir sozinha as suas emoções. E é aí que mais precisa da nossa ajuda. Da nossa calma. Do nosso auto-controlo. Do nosso amor. Da nossa empatia. Da nossa amizade.

Mas muitas dessas manifestações podem ser evitadas, uma vez que são expressão de impotência, de frustração, de uma necessidade, de um medo, de necessidade de controlo. Mesmo que não o entendamos. Chamo-lhe manifestações porque não me parece que as pessoas sejam rótulos ou categorias e porque não acredito na simplificação das emoções a termos tão redutores como birras. As emoções são um sistema bastante mais intrincado do que meramente uma categoria ou um rótulo. E é preciso acabar com os rótulos antes que os rótulos acabem com os nossos filhos.

As crianças que sentem algum controlo sobre as suas vidas, que se sentem compreendidas e aceites nas suas emoções mais fortes, nos seus erros, nos seus momentos mais difíceis, em vez de serem castigadas ou repreendidas, manifestam-se desta forma com muito menos frequência.

A chave está em observar, prevenir as situações ou dar-lhes a volta. Assim como a água contorna os seus obstáculos em vez de enfrentá-los, assim nós devemos agir nos momentos menos bons dos nossos filhos.

Por exemplo, crianças que estão cansadas, com sede ou com fome tem muito menos recursos internos para lidar com a frustração. Se elas sentirem que podem ter o seu tempo para recuperar, se souberem que nós estamos lá para lhes dar espaço ou colo, se lhes mostrarmos empatia e amor, isso vai dar aos nossos filhos ferramentas para que consigam lidar com os seus sentimentos e aprender a regular as suas próprias emoções. Com o tempo. É preciso semear e colher com paciência.

Conhecendo bem os nossos filhos, apesar das imprevisibilidades inerentes ao ambiente, ao desenvolvimento cognitivo, físico e afectivo, sabemos bem o que desencadeia essas manifestações.

Há passos que podemos seguir para que consigamos, nestas alturas, regular as nossas emoções para não perdermos o controlo da situação e não entrarmos nós próprios, numa montanha russa de emoções.

  1. A primeira coisa a fazer, chamo-lhe, passo zero é respirar. Respirar muito ao longo de TODA a situação, de TODO o momento. Lembre-se que são os seus filhos que estão a ter um momento difícil e que simplesmente não conseguem controlar as suas emoções. É nestes momentos que os nossos filhos mais precisam de nós e que estejamos calmos. Respire e pense: Os meus filhos NÃO SÃO este momento que estão a ter. Os meus filhos ESTÃO A TER um momento difícil e eu estou aqui para ajudá-los. Apenas ajudá-los a lidar com este momento.

Isto irá colocar-nos no mindset certo para conseguir não apenas gerir melhor os seus filhos como também gerir as nossas próprias emoções. Depois de respirar, respire ainda mais e mantenha um tom calmo.

  1. Redireccione os seus filhos para outra coisa em vez de alimentar a situação negativa. Nem sempre é fácil, mas foque-se no positivo. Diga que precisa de ir ali beber um copo de água, porque está com sede. Não deixe que as suas próprias emoções tomem conta de si. Redireccione para outra coisa. Pura e simplesmente.
  1. Observe e tente aperceber-se se os seus filhos estão cansados ou com fome. Deixe de lado as lutas de poder. Não temos de provar que estamos certos só porque somos pais. Podemos – e devemos – ser flexíveis. Os nossos filhos têm direito a manifestarem-se e a mostrar-lhe que são pessoas com capacidade e poder no mundo. Não é nenhum erro nem falha ser flexível, apesar de a maioria de nós termos sido ensinados que os pais não podem ceder. Podem ceder –  devem ceder – se sentirem que o pedido dos filhos, no cenário geral do seu crescimento – e não naquele momento em particular – não compromete a saúde, a segurança ou os direitos dos outros.
  1. Quando uma criança fica zangada ou perde o controlo, lembre-se que toda a raiva é uma defesa contra outros sentimentos desconfortáveis, como a vulnerabilidade, o medo, a mágoa, tristeza. Se conseguir chegar a esses sentimentos que estão escondidos a raiva dissipar-se-á. Pode perguntar: “Pareces zangado. Estás?” Deixe o seu filho responder. Escute. Com atenção. “O que posso fazer para te sentires melhor?” E o que quer que ele responda, devemos ouvir e aceder. Desde que – mais uma vez – não comprometa a segurança, a saúde ou os direitos dos outros. Provavelmente irá ouvir respostas como “um abraço” “um beijinho” ou “que brinques comigo”.
  1. Aceite os sentimentos dos seus filhos. Aceite a tristeza tal como aceita a alegria. Ensine os seus filhos que todos os sentimentos são válidos. Apenas a manifestação, a forma como expressamos esses sentimentos é que podem – e devem – ser trabalhados. Ensine os seus filhos a explicar o que estão a sentir.
  1. Tente controlar a situação antes que ela escale. Antes de estabelecer o limite ou antes de se preocupar em estabelecer uma consequência, reconheça o que os seus filhos lhe estão a pedir. “ Eu sei que tu querias muito….” E que ficaste triste/zangada porque …. Não foi? Precisas de um abraço?” ou “Como é que tu achas que podemos resolver esta situação?”
  1. Dê-lhes colo, se lhe pedirem ou ofereça-lhes o seu colo se vir que precisam.

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Quanto mais valorizadas as crianças sentirem que são as suas opiniões, menos necessidade terão de manifestar-se negativamente. Não somos assim também?

As palavras têm muito poder. E o que dizemos, a forma como dizemos ecoa na cabeça dos nossos filhos por toda a sua vida.

As flores não crescem em jardins de pedras. Precisam da ternura,  da suavidade, da magia das gotas de água da chuva para crescerem fortes e  saudáveis. É a chuva que faz com que cresçam bem. Não a trovoada. Lembre-se disto sempre.

Por isso, use estas dez pequenas gotas de água  – mágicas – para regar os vossos pequenos diariamente, ajudando-os assim, a  desenvolverem-se com a cabeça limpa.a sentirem-se amados. Compreendidos.  Conscientes, preparados, mas com a cabeça saudável para que consigam chegar onde querem nas mais pequenas coisas. E saber lidar com as emoções é talvez o exercício, o teste, o desafio mais complexo de toda a vida. E quanto mais praticarmos, melhor. Um passo de cada vez. Um momento de cada vez.

As crianças sentem tudo muito intensamente, muito apaixonadamente. E há algumas que as sentem ainda mais intensamente do que outras. E é aí que mais precisam do nosso amor.  Com estas pequenas frases mágicas estarão a semear a semente mais valiosa, aquela que vos vai envolver com os vossos filhos nos seus momentos mais difíceis. Para que consigam ser o melhor que podem ser. Sem serem perfeitos. Porque todos cometemos erros, temos acidentes, sentimos medo,  muitas vezes nos sentimos desmotivados, cansados ou com fome.

E as crianças são iguaizinhas a nós. Apenas com uns centímetros a menos. E isso é fundamental lembrar sempre.
Tente aplicar as 10 frases mágicas que ajudarão os seus filhos:

Juntos conseguimos!”

Somos capazes de resolver problemas. Vamos encontrar uma solução.”

“Nós nunca desistimos”

“Posso ajudar-te?”

“O que posso fazer para te sentires melhor?”

“Porque estás a chorar, querida? O que aconteceu?”

“Não há problema. Deita tudo cá para fora, meu amor. Falamos depois.”

“Vamos respirar um pouco para nos conseguirmos acalmar os dois.”

“Pareces zangado. Estás?”

“Vejo que estás aborrecido. Será porque…?”

“Toda a gente fica nervosa. É natural e é ok.”

“Vamos tentar outra vez, agora de forma mais calma para te conseguir ouvir melhor, sim?”

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No meio das pressões e preocupações diárias de “adulto” com a saúde, a economia, o trabalho, com o parceiro, com as consultas para quais estás atrasado, com as coisas que te esqueceste de fazer, com aquelas emergências que têm que ser feitas “ontem”,… aparece de repente o teu filho.

Perdeu um sapato, não quer vestir aquele casaco, quer outro, precisa de um caderno novo para a escola hoje e só se lembrou antes de sair de casa, briga com o mais novo por causa de um brinquedo ou simplesmente não quer fazer o que lhe pedes. Esta intromissão “inoportuna” na tua lista interminável de afazeres salta para a frente do teu carro na autoestrada do pensamento, enquanto ias a 200 à hora. E aí, acontece o inevitável: perdes o controlo.

Sabes perfeitamente que, num estado de calma em que tudo está a decorrer sem imprevistos, consegues lidar com qualquer desafio parental. Umas vezes com mais humor, outras vezes com mais seriedade, mas consegues responder com respeito, falar calmamente, explicar, ensinar e até brincar. Mas quando acontece esta quebra inesperada no filme que se desenrola na tua cabeça (“Tenho que fazer aquilo e depois aquilo e ainda estou atrasado para …”), desnorteia-te e sentes-te como que no direito de estar zangado. “Como é que o meu filho pode ser tão irresponsável/ despreocupado/mal agradecido? Não percebe que estou tão ocupado(a) a fazer coisas para ele??”

A verdade é que, por muito grave que consideras o seu comportamento, esse não é a causa do teu pensamento e da tua resposta irritada.

O que acontece por trás da tua resposta é um processo muito mais complexo e profundo.

O mecanismo automático da reação
Os teus sensores recebem o sinal (“Perdeu o sapato!”), captam a mensagem e transmitem-na ao cérebro. O cérebro reconhece o padrão e encaminha o pensamento (“Outra vez!” Vou chegar atrasada(o)!”), que desencadeia outros pensamentos semelhantes (“Estou a falhar nas minha tarefas!” ou “Falhei como mãe/pai!” que trazem o Medo ou a Culpa. E o cérebro decide defender-se dando o comando: “Reage. Luta. Defende-te”).

Este encadeamento de pensamentos é instantâneo e acontece de forma automática. E, num segundo, o teu carrinhosolta-se numa montanha russa das emoções, provocando um turbilhão interior para onde és sugado de repente. É tão rápido, que nem tens tempo de conscientizar ou pará-lo. Bum! Já foste!

E lanças-te enfurecido a atacar a quem percepcionas como tendo sido os causadores desta viagem desenfreada – os teus filhos.

No entanto… embora pode ter sido o comportamento dele que parece ter iniciado este processo, não é ele a verdadeira causa da tua reação. Qualquer questão que te leva a reagir desta forma vem de dentro de ti e muitas vezes tem raízes profundas, que vão até à tua própria infância.

A verdadeira causa da tua reação
Os pais têm frequentemente a sensação que os filhos parecem saber perfeitamente quais são os seus pontos fracos. Os psicanalistas chamam este fenómeno de “fantasmas do berçário” (Selma Freiberg) – os filhos conseguem despertar nos pais conexões cerebrais e emoções intensas, de eventos e acontecimentos que foram gravados nas suas mentes quando eles próprios eram crianças.

As emoções mais fortes que sentiste em criança, criaram ligações tão profundas, “caminhos” tão marcantes no teu cérebro, que quando foram usados muitas vezes, tornaram-se “avenidas” principais. Sempre que sentes estas emoções, estes caminhos são novamente ativados.

Quando o cérebro recebe um determinado “sinal” – encaminha-o automaticamente pelo caminho mais batido, pelas avenidas mais antigas e mais marcantes que existem no teu cérebro. E na sua passagem, o impulso elétrico criado arrasta com ele outros impulsos habituais… encadeando uma rede específica de pensamentos conexos – outras conexões/caminhos pré-existentes que foram criados juntos. E torna-se tudo numa espécie de bola de neve que vai crescendo, crescendo e ganhando mais velocidade à medida que percorre a larga avenida. Até culminar com a decisão final: Luta ou Foge.

Os medos, a culpa e outras emoções semelhantes sentidas com frequência na infância, deixam marcas tão profundas e poderosas no nosso sistema, que muitas vezes dominam-nos inconscientemente em adultos. A resposta que damos perante estes sentimentos, depende das “avenidas” e dos caminhos conexos que foram marcados no nosso cérebro.

Compreender este mecanismo e o seu funcionamento, assim como refletir e escolher alternativas mais responsáveis de reação é a nossa responsabildiade. Porque, a nossa forma de (re)agir nestes momentos tem um impacto a longo prazo nos nossos próprios filhos.

Agir ou REagir
Há uma diferença entre agir e REagir. Reagir – quando respondes a um comportamento de outra pessoa, em vez de decidires por ti próprio como deves agir. Ou seja, reagir (agir novamente, da mesma forma) é algo que acontece de forma instintiva, muitas vezes involuntária e inconsciente. Agir, pelo outro lado, é quando tomas as rédeas e decides como queres que aquela situação se desenrole.

Se percepcionas o teu filho como alguém que te provoca e irrita constantemente, então ele torna-se o teu “inimigo”. Tudo que ele faz provoca-te e cada vez que faz alguma coisa vais percepciona-la como sendo negativa, ameaçadora, embora pode não a ser verdadeiramente. E isto vai despoletar uma ação ou uma reação da tua parte. A decisão de agir ou reagir pertence-te a ti e só a ti.

Sem a tua intervenção consciente, o cérebro irá escolher o caminho mais rápido para reagir. Quando existe um caminho já traçado para lidar com este sentimento e este caminho é “reagir através de uma resposta enfurecida” (porque viste isto ou aprendeste pela experiência desde cedo na tua vida), então o cérebro escolha esta via rápida para responder automaticamente.

Embora, conscientemente, saibas que não é no teu melhor interesse, nem no do teu filho. Reagir é uma resposta automática, que segue caminhos pré-existentes, e que apenas tu a podes influenciar.

O que acontece no teu filho quando reages automaticamente a gritar ou bater?
Imagina o teu parceiro a perder a cabeça e gritar contigo. Agora imagina que é três vezes maior que tu, inclinado de forma ameaçadora por cima da tua cabeça. Imagina que estás completamente dependente desta pessoa para sobreviveres – receber comida, abrigo, segurança, proteção, afeto, preparação para a vida. Agora pega neste sentimento e multiplica-o por 1000. Isto dá-te mais ou menos a ideia do que se passa na cabeça e no coração do teu filho quando te zangas com ele

Claro que por vezes pode acontecer algo que despoleta em nós sentimentos há muito guardados e vamos sentir que estamos a fervilhar. Mas é da nossa responsabilidade controlar a expressão desta fúria interior e agir de forma equilibrada e respeitadora, minimizando assim um eventual impacto negativo.

Chamar nomes, gritar ou outras formas de agressão verbal em que os pais falam de forma desrespeitadora com os filhos, tem um custo pessoal acrescido, uma vez que a criança é dependente dos pais na sua própria existência. E, está comprovado, que as crianças que sofrem de violência física, incluindo palmadas,  sentem efeitos negativos que afetam todos os cantos das suas vidas, mesmo que inconscientemente.

Se o teu filho pequeno não parece ter medo da tua raiva, é sinal que já viu/sentiu demais e tem desenvolvido defesas para ela – e para ti. O resultado incontornável destes factos é uma criança que não vai quer fazer nada que te agrade e vai estar muito mais suscetível às influências dos amigos. Isto significa que terás muito trabalho de reparação a fazer.

Quer demonstrem quer não a raiva dos adultos é assustadora para as crianças. (e quanto mais nos zangamos mais as crianças se defendem criando os seus próprios padrões de reação que irão usar mais tarde)

Como agir?
Decidir agir (em vez de apenas reagir) é a melhor forma de lidar com as tuas reações automáticas.

Tomar esta decisão implica estares ciente da sua necessidade e dos seus benefícios. Implica decidir que queres fazer diferente. Esta decisão é o teu primeiro passo. E deve ser um compromisso contigo mesmo.

  1. Torna-te consciente da forma como reages, do mecanismo que está por detrás da tua reação, da tua reação despoletada, dos eventos que te provocam e puxam os teus gatilhos.
  2. Compreende a tua raiva sempre que ela aparece, em vez de te deixares controlado por ela. Qual é a sua causa interna? O motivo que a causa é algo mesmo muito importante para ti? Ou é algo que talvez, mais tarde, já não fará sentido? Existem alternativas? Como podes prevenir estes momentos?
  3. Estabelece alternativas para lidar com as emoções negativas ANTES de elas acontecerem. Pensa na forma como gostarias de reagir quando sentes algo negativo. É mesmo necessário zangares-te? O que podes fazer para agir da forma como queres?
  4. Escreve uma lista de formas aceitáveis para lidares com a tua raiva. Podes incluir ações como: respirar fundo várias vezes, fechar os olhos e pensar em algo agradável, afastares-te para acalmar, relaxar, ignorar o assunto por uns tempos, meditar etc.
  5. ESPERA E PENSA antes de agir. Nunca tomes decisões com base na tua raiva. Quando estás num estado alterado, as decisões tomadas raramente serão sensatas e terás que voltar atrás mais tarde. Espera pelos momentos mais calmos antes de decidir.
  6. Lembra-te que “expressar” a raiva dá-lhe mais força ainda. Quando falas de forma zangada sobre o que te incomoda por mais tempo que necessário, multiplicas a energia negativa e continuas a alimentar o teu corpo com ela.
  7. Considera que fazes parte do problema e também da solução – quando algo que acontece provoca uma explosão dentro de ti, liberta uma emoção e o corpo reage. Não é o evento que causa a tua emoção, ela já lá estava. Pensa como podes alterar este encadeamento, para que os eventos externos deixam de te controlar e ditar as tuas reações. Torna-te parte da solução, agindo em vez de reagir.
  8. Se mesmo assim continuas a não conseguir controlar a tua raiva, procura apoio mais especializado, para o teu bem e o dos teus filhos.

Encontrares formas positivas para lidar com a tua raiva é um dos melhores presentes que podes dar aos teus filhos: em vez de os magoares, vais oferecer-lhes um modelo a seguir. A tua forma mais responsável e calma de lidar com aquelas situações vai ensina-los que também o podem fazer, quebrando este ciclo.

O que é que queres ensinar: Queres ensinar-lhes que a força faz a lei? Que os adultos lidam como conflito gritando ou batendo? Ou queres ensinar-lhes que a raiva faz parte do ser humano e que aprender a geri-la de forma responsável faz parte do processo de crescer e amadurecer?

imagem@tomitipi

“Passei então a marcar, com uma caneta verde os grafismos mais perfeitos para que se pudesse concentrar nas suas vitórias e não nas derrotas.”

Princípio da caneta verde

A minha filha não foi para a escola na infantil e pré-primária como a maioria das crianças. Ficou comigo em casa, e eu própria desenvolvi diariamente os conteúdos pretendidos, em casa.

Quando começamos a trabalhar os grafismos na motricidade fina, apercebi-me de que, ao corrigir os seus trabalhos com uma caneta vermelha estava a valorizar os seus erros, e não aquilo que estava correto. Aquilo que tinha conseguido realizar com esforço e concentração.canetavermelha

Passei então a marcar, com uma caneta verde os grafismos mais perfeitos para que se pudesse concentrar nas suas vitórias e não nas derrotas.

Ela gostou muito disso. Queria sempre melhorar e quando acabava de preencher uma linha com um grafismo ou uma letra, perguntava-me qual era a letra mais bonita da linha. E ficava ainda mais feliz quando me via a rodear a letra perfeita com a caneta verde.

Qual a diferença entre as duas abordagens?

No primeiro caso estamos a concentrar-nos no erro. Ora, uma criança com uma memória visual aguçada está a reter uma imagem errada no seu subconsciente e a assimilar que é errado, para não voltar a repetir. Ou seja, a criança vê-se obrigada a ter uma atitude diferente daquela que memorizou e que sabe estar errada. Vai da próxima vez, tentar evitar o erro. Mas há infinitas maneiras diferentes de errar… A aprendizagem nem sempre funciona por exclusão de partes.

No segundo caso estamos a concentrar-nos no objetivo. A criança memoriza o símbolo ou letra, e tenta reproduzi-la o mais idêntico possível. Ou seja, em vez de tentar evitar um erro, irá tentar alcançar um objetivo.
Parece a mesma coisa, mas a emoção e perceção da criança é totalmente diferente. Trata-se de uma motivação própria e não o desejo de evitar um erro. Se procurarmos estimular a criança a repetir algo bem feito, os resultados serão muito positivos.

Como é que esta abordagem de evidenciar os erros pode (e vai) influenciar futuramente na vida de adulto?

A resposta é óbvia: desde crianças que somos habituados a concentrar-nos naquilo que está errado. Na escola corrigem-nos os erros a caneta encarnada, em casa somos chamados a atenção quando não arrumamos os brinquedos, e quando crescemos, sabemos que se falharmos seremos apontados por isso. No entanto, raramente somos parabenizados por tudo o resto que fazemos corretamente.

 

Veja a última linha da imagem acima: das 18 bolinhas desenhadas, a tendência é marcamos apenas uma. Ou seja, 19 estavam corretas e apenas uma não estava. Vale a pena concentrarmo-nos nela?

Destacar o erro

Destacar o erro é uma abordagem que está tão intrínseca na nossa cultura e educação, que dificilmente nos livramos dela na idade adulta.  Esta é uma das razões da nossa sensação de insatisfação na vida. 

Este exemplo pode ser extrapolado para a vida de um casal, por exemplo. O seu marido tem 19 características incríveis, mas vão acabar por discutir porque você está constantemente a destacar aquela que não gosta, e que acha errada. Esta é uma das causas do insucesso das relações e do aumento exponencial dos divórcios.

É normal moldamos a vida dos nossos filhos com o mesmo molde que usaram connosco, sem pensar muito na questão e isso nem sempre é positivo.

Se colocar em prática o método da ’caneta verde’, vai ver que não precisa de mostrar aos seus filhos os erros dados, pois por vontade própria, com esforço e dedicação da criança, estes acabarão por desaparecer pouco a pouco. Notará diferenca ao níel do empenho e da auto-estima deles. Experimente!

 

Por Tatiana Ivanko, publicado originalmente em Real Parents

Traduzido e adaptado por Up To Kids®.
Todos os direitos reservados

 

 

 

Em 2016, tome uma resolução: comece a motivar de forma positiva os seus filhos!

Quando chega a altura de fazer as tarefas, motive e guie os seus filhos, adaptando às suas maneiras de ser a sua forma de comunicar.

Com a escola, actividades extracurriculares, os seus próprios problemas e as hormonas, não admira que as crianças e jovens tenham tanta dificuldade em lembrarem-se das suas tarefas. O que para nós enquanto adultos é importante e prioritário, para as crianças não é. Para as crianças e jovens há coisas bem mais importantes do que as suas tarefas. E não é compreensível? Não éramos assim, também?

Mas para os pais, as tarefas regulares introduzem, igualmente, o espírito de trabalho em equipa, de cooperação e de entreajuda. No entanto, antes de conseguir introduzir e passar esses conceitos, é necessário motivar as crianças a fazer as tarefas. Ensinar a ter gosto e prazer em cada coisa que fazemos, que aprendemos e motivar de forma positiva é o caminho para que consigamos que os nossos filhos cresçam a fazer mais entusiasticamente até as coisas que consideram mais difíceis e aborrecidas.

E o segredo está no prazer, na diversão, no sentir orgulho em si próprias por conseguirem fazer um trabalho bem feito. Se as tarefas forem apresentadas e demonstradas como algo positivo, divertido, como mais uma brincadeira ou um jogo – mesmo que não sejam nada divertidas para nós – desde que os nossos filhos são pequenos, em vez de uma obrigação chata, enfadonha e quase mortalmente necessária, a forma natural com que vão olhar e encarar as tarefas vai ser totalmente e surpreendentemente diferente.

Então se substituir a palavra tarefa – com a carga pesada que ela tem e o tom de voz que habitualmente lhe vem associada – por outra ajustada à idade e à personalidade dos seus filhos, ainda melhor! Faça das tarefas uma festa! Só depois de tentar poderá ver como resulta.

Pode usar gráficos, listas, notas bem posicionadas pela casa. São tudo formas bastante eficazes de motivar os seus filhos. Aos seus filhos mais velhos, mande emails! Aos seus mais pequenos, faça listas com bonecos fofos e divertidos. Jogue ao “vou varrer os teus pés” ou ao “vou aspirar-te” com um sorriso nos lábios. Dance ou cante enquanto varre o chão ou lava a loiça. Depois brinquem ao “agora és tu/agora é a tua vez” e vá introduzindo assim. Nos trabalhos de casa, partilhe a leitura de um texto “pataca a mim, pataca a ti”, que é como quem diz um bocadinho eu, um bocadinho tu. E vá criando outros jogos motivadores. Não tenha pressa, incuta a alegria e vai ver como resulta.

Motive o seu filho de forma personalizada

Ajustar a forma de motivar uma criança passa por ter em consideração o seu estilo pessoal: a forma como reage às pessoas, ao tempo, às situações e às tarefas em si. Durante os vinte anos que trabalhei com crianças, jovens e até com adultos, introduzir as coisas de forma divertida, natural e o mais personalizada possível, mostrou-se sempre a forma mais eficaz e compensadora.

Há pessoas que valorizam mais as relações interpessoais acima de tudo, outras que valorizam mais a pontualidade. Enquanto outros ainda empenham-se mais com a velocidade e a eficiência. Saber como os seus filhos reagem às tarefas é o segredo. E estas reacções estão relacionadas com o seu estilo pessoal.

Existem quatro estilos pessoas gerais, apesar de estes estilos não serem tão lineares assim. Mas ajudam a compreender o estilo de cada pessoa e a ajustar a forma de comunicar.

  • Estilo Cognitivo

É organizado, analítico, consistente, critico, lógico, persistente, sério e disciplinado

Gosta que lhe digam para fazer as tarefas primeiro, de ter muito tempo para completar as tarefas, e de ter um tempo definido para finalizar a tarefa.

Não gosta de não ter tempo suficiente para terminar uma tarefa, sentir que os seus esforços não são valorizados, de ser apressado ou ser interrompido.

Como motivar: Diga à criança que tarefa quer que faça e como fazê-la. Depois dê-lhe um prazo para cumprir, certificando-se que tem mais do que tempo suficiente para terminá-la.

  • Estilo Comportamental

É Independente, produtivo, competitivo, orientado para os resultados, impaciente, resolvedor de problemas, age depressa e caminha ao seu próprio ritmo.

Gosta de ritmo rápido, de cooperação, de ter liberdade, que lhe digam o que fazer e quando fazer, que lhe seja permitido encontrar atalhos e de ser recompensado.

Não gosta de perder tempo, de lidar com detalhes, que outros tentem controlar, quando as outras pessoas falam demasiado, quando outros agem ou reagem emocionalmente.

Como motivar: Diga à criança que tarefa fazer e quando. Essa é toda a instrução que precisa. Não tente controlá-la. Deixe-a completar a tarefa exactamente à sua maneira.

  • Estilo Afectivo

É entusiástico, enérgico, criativo, social, facilmente perde noção do tempo. É muito intuitivo e faz as coisas de forma muito intuitiva, sem regras definidas.

Gosta de ser desafiados de forma divertida, de flexibilidade, de passo rápido, de se divertir, de entusiasmo, de afectos, de brincar e jogar jogos.

Não gosta quando os outros são demasiado orientados para obrigações e tarefas, de estarem confinados, de lidar com detalhes, e de quando os seus esforços e conquistas não são reconhecidos.

Como motivar: Diga à criança que tarefa realizar e quando precisa de terminar. Como tem tendência para perder noção do tempo, dê-lhe um tempo generoso como guia.

  •  Estilo Interpessoal

É descontraído, persistente, maduro, cooperativo, ajudante, prático, paciente, leal, tenaz, introvertido e fidedigno.

Gosta que lhe sejam confiadas tarefas importantes, de uma abordagem factual e prática, que lhe perguntem em vez de lhe dizerem o que fazer, e que os outros definam as expectativas.

Como motivar: Peça-lhe para realizar uma tarefa e dê-lhe instruções práticas. Certifique-se de que explica exactamente quais as suas expectativas para que saiba exactamente o que é esperado.

 

A maioria das pessoas têm uma combinação de traços, mas há um que predomina. Ao observar e interagir com estas reacções é possível motivar as crianças para realizar as suas tarefas com menos oposição e conflito.

Comece 2016 em grande.
Comece 2016 a motivar de forma positiva os seus filhos.
Encoraje, apoie, guie. É que só assim os seus filhos conseguirão olhar para as coisas de forma positiva.
Dando o exemplo.

imagem@vk.com

A partir do momento que sabemos que vamos ser pais iniciamos um processo de mudança e construção. Mas o tempo, o stress, a correria do dia a dia e os conselhos que vão aparecendo por todo o lado, desde as mães, sogras, amigos, vizinhos, conhecidos e desconhecidos, que sabem lidar com todas as situações melhor do que nós e têm sempre solução e estratégias para tudo. É difícil manter o foco.

Então como manter o nosso rumo? É fácil em períodos de calma mas tudo se complica quando temos de tomar decisões no “calor do momento”. Ou seja, em casa eu consigo saber que vou lidar de forma calma mas quando o meu filho decide fazer uma birra no meio de um supermercado com toda a gente a olhar, tecer comentários, dar palpites e críticas nem sempre conseguimos seguir o nosso íntimo.

Então o que fazer? Nesses momentos de calma podemos aproveitar para refletir sobre nós, os nossos valores, o que para nós é verdadeiramente importante, os ideais que dão rumo e sentido à nossa vida. Escolham alguns desses valores, os mais importantes para vocês, para que sirvam de bússola ao vosso comportamento enquanto pais e sempre que tiverem de tomar uma decisão ou quando falarem com os vossos filhos perguntem se estão a respeitar esses valores. Assim podem pedir ajuda ou ouvir conselhos dos outros, mas no final farão apenas o que for ao encontro da vossa verdadeira essência, sem sentimentos de culpa e continuar a percorrer o caminho em busca dos pais que verdadeiramente querem ser!

Ficam aqui alguns valores que podem usar como ponto de partida. Escolham alguns deles e sintam-se à vontade para acrescentar outros!

Aceitação Natureza Alegria Respeito Amor Ternura Bondade União Coerência Esforço Calma Cooperação Criatividade Dever Curiosidade Paz Coragem Fraqueza Persistência Perdão Iniciativa Modéstia Otimismo Prudência Paciência Gratidão Amizade Humor Estabilidade Cidadania Compreensão Liderança Saúde  Justiça Tolerância  Esperança Disciplina Dignidade Atenção Generosidade  Gentileza Entusiasmo Honestidade

Por Rita Felizardo, Conselheira Parental em Leiria

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