O equilíbrio da relação parental

Acredito que há uma relação direta entre o que fazemos como pais, os nossos hábitos, as nossas ações, e o comportamento e desenvolvimento dos nossos filhos. A forma como pensamos e nos comportamos influencia diretamente e molda o pensamento e o comportamento deles.

Acredito que o equilíbrio da relação parental e dos filhos depende em primeiro lugar, do equilíbrio e bem-estar emocional, psicológico, físico, espiritual e social dos pais.

Estas são as minhas bases.

relação parental equilibrada

Se eu estou bem, internamente e externamente, relaciono-me de forma equilibrada comigo e com os outros. Se eu estou bem, consigo manter-me presente e equilibrada nos momentos críticos e consigo assim ajudar os meus filhos a equilibrarem-se também. Se eu estou bem, os meus filhos estão bem.

Como adulto, tenho a grande responsabilidade perante mim e perante os outros de assegurar o meu próprio equilíbrio. Como Mãe tenho a tremenda responsabilidade de puder influenciar a balança da relação que tenho com os meus filhos (pelo menos até eles se tornarem aptos para funcionarem como adultos equilibrados e maduros).

Quando os meus filhos estão em desequilíbrio (estão chateados, frustrados, cansados etc.), alterando assim a nossa relação, a minha resposta é decisiva! O que penso e faço em consequência deste desequilíbrio, define para que lado vai a balança e quão grande será a oscilação dela. Ou seja:

  • Se escolho reagir de forma automática, sem pensar ou compreender a situação, deixando o meu cérebro escolher o meu comportamento por mim, normalmente com base em padrões pré-existentes (por ex. os aprendidos durante a nossa infância, com os nossos próprios pais), o resultado mais provável será desequilibrar ainda mais a balança. A intensidade da minha reação fará com que este desequilíbrio seja maior ou menor.Equilibrio filhos

     

  • Se escolho manter-me presente, observar e compreender a situação, tentar descobrir o que a provocou e procurar agir de forma que me parece mais eficaz para a resolver, ajudo a repor o equilíbrio. A calma e eficácia da minha ação podem diminuir rapidamente a oscilação da balança.Equilíbrio paisVou dar-te um exemplo:

    Fim do dia, estamos no carro, no caminho de regresso da escola para casa. A minha filha de 5 anos começa a queixar-se – ora porque o sol está sempre do lado da janela dela, ora porque está demasiado calor ou porque nunca mais toca a música que ela quer.

    Eu estou a conduzir e está trânsito. Preciso de me concentrar e já estou a pensar nas próximas coisas que tenho para fazer assim que chegarmos à casa (banhos, jantar, etc.). Estou meio presente, meio ausente.

    Ao ouvi-la, posso pensar e reagir de várias formas. Para exemplificar vou concentrar-me apenas em duas essenciais:

    • Posso pensar que ela está a ser “chata” e está a incomodar-me com coisas sem importância. Este julgamento do comportamento dela vai levar-me à reagir de forma a afastar esta “melga”, dizendo de forma ríspida e pouco educada: “Pára de te queixar! Nada te agrada! Não vês que está trânsito? Preciso de me concentrar!
      Qual achas que será a reação dela? Muito provavelmente vai desatar a chorar porque se sente rejeitada, incompreendida e porque o problema dela está a ser ignorado.
    • Posso pensar que ela está realmente incomodada com algo e está a precisar de apoio para acalmar. Afinal, só tem 5 anos e acabou de passar 8h numa escola cheia de barulho e longe do seu conforto. Esta observação pode levar-me à ativar a minha concentração no momento presente, e enquanto conduzo com atenção, procurar focar a minha atenção nela. Observar, pensar, aceitar o que a está a incomodar e tentar ajuda-la calmamente. Posso dizer, por exemplo: “Oh, gostavas muito de ouvir aquela música, não é? Estás sempre a cantar quando ela toca. Queres tentar canta-la comigo?…” ou “Ah, hoje está mesmo quente, não é? Também estou cheia de calor. Gostavas de abrir um pouco a janela ou achas melhor aumentarmos o ar fresco?” Desta forma, abro à porta da comunicação e da empatia, e ela saberá que estou a ouvi-la e estou aí para a ajudar.
      Qual achas que será a reação dela? Muito frequentemente vai acalmar gradualmente, porque está a sentir-se compreendida e apoiada.

    O resultado deste momento depende, em grande parte, de mim. Depende da forma como eu o encaro, como penso sobre o que acontece, da minha presença, do meu equilíbrio e da minha disponibilidade em repor a balança no seu nível de equilíbrio, para ambas.

    Quando EU estou em desequilíbrio, o meu comportamento pode provocar o desequilíbrio da nossa relação e, consequentemente, dos meus filhos. Neste caso, não posso esperar que sejam eles a calibrarem a balança por mim, pois obviamente, do ponto de vista de desenvolvimento ainda não têm a maturidade emocional e cognitiva necessária para tal. Mas eu tenho. Ou, pelo menos, é suposto ter.

    Também acredito que a vida não é um equilíbrio constante, mas um conjunto de pequenas/grandes oscilações, pois para conseguirmos ficar em equilíbrio, temos que aprender a lidar também com o desequilíbrio.

    E, à medida que os nossos filhos cresçam, a nossa responsabilidade em assegurar a balança torna-se cada vez mais partilhada. Cabe-nos ensinar aos nossos filhos ao longo do tempo como podem equilibrar a nossa relação e como podem assegurar o seu próprio equilíbrio. Uma competência que, mais tarde, vão usar para assegurar o equilíbrio da sua própria relação parental.

 

 

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QUERO MEDITAR, MAS NÃO TENHO TEMPO E NÃO CONSIGO! 6 dicas para conseguires praticar mindfulness a qualquer hora…

Nas formações e sessões que facilito de Mindfulness e de Parentalidade Consciente falamos, muitas vezes, de meditação. Encontro muitas pessoas que querem meditar, mas ”não conseguem” ou ”não têm tempo”. Admitem os benefícios, mas as crenças à volta do que é meditação não permitem a prática.

Uma das coisas fundamentais na Parentalidade Consciente é assumirmos responsabilidade pelas nossas necessidades e pelo nosso estado emocional. Se não estamos bem, como é que podemos ser bons pais? Se existe caos interior, como vamos conseguir criar calma no exterior? É realmente necessária uma preparação interior e o Mindfulness (e a meditação Mindfulness) é a melhor prática que conheço para garantir que consigo exercer uma parentalidade consciente.

Também eu tinha grandes dificuldades para me organizar e encontrar tempo para meditar formalmente. Até perceber que meditação não precisa de ser nada formal. Não necessito de me sentar com as pernas cruzadas, não preciso de acender velas, nem preciso de estar num ambiente calmo, não preciso de fechar os olhos…. nem preciso de mais tempo!

Para mim, a principal prática é aparecer para a vida, todos os dias. Com curiosidade e sem julgamentos. Procurando viver ao máximo cada momento. Sabendo que tudo que acontece, acontece pela primeira e pela última vez. Se pensares bem, nenhum de nós faz a mesma coisa duas vezes. De cada vez existe algo de diferente. A prática é estar com o que é, inteira, conscientemente presente.

E é por isso que a prática de meditação Mindfulness pode ser tanta coisa e para, muitas pessoas, o primeiro passo não é organizar-se para meditar todos os dias durante 20 minutos, se calhar nunca será. As boas notícias são mesmo que apesar de tudo que ”tens” de fazer durante o dia, todas as tarefas de casa, os filhos, o trabalho… tudo pode ser transformado em práticas de Mindfulness! O primeiro passo é olhares para o teu dia e ver o que já fazes que poderias fazer de uma forma Mindful.

Lavas os dentes? Tomas banho? O que fazes enquanto lavas os dentes? Lavas apenas os dentes ou pensas no que aconteceu ontem? O que fazes quando tomas banho? Tomas apenas banho ou pensas no dia que tens à tua frente? Passas roupa a ferro? Fazes o jantar? Dás banho ao teu filho?

A questão à qual tens de responder é: o que na minha rotina diária vou escolher para fazer enquanto o estou a fazer? 

Começa por escolher 1 coisa. E a partir de hoje, faz esta coisa enquanto a fazes. Podes-te guiar pelas seguintes dicas enquanto fazes a tarefa… ou melhor, a tua nova prática de Mindfulness!

 

    1      Observa. Observa como se fosse a primeira vez com todos os teus sentidos. Cada movimento, cada sensação. Repara em cada detalhe da atividade.

     Se te apanhares envolvido nas histórias da tua mente (o mais provável é que isso aconteça), redireciona, com gentileza, a tua atenção para a respiração, permitindo-te voltar para o que estás a fazer neste momento. As vezes vai ser necessário fazer isto 100 vezes, outras vezes apenas algumas. É como é.

    3      Utiliza todos os sentidos. Tens 5, lembras-te? Qual é a sensação nas mãos? Texturas? Temperaturas? Qual é o cheiro? O que vês? O que ouves? Quais os sabores que estás a sentir na boca?

    4      Tens pensamentos que aparecem continuadamente? Começas a ter grandes ideias que tens medo de te esquecer? Anota-as rapidamente para a tua mente poder descansar. Com a prática vais ver como vais conseguir deixá-las ir, confiando que te vais lembrar novamente quando for necessário.

    5      Pratica o não-julgamento. Cada momento é como é para ti. Nada está a correr bem ou mal. Não existe uma forma certa de fazer este exercício. Existe apenas a forma como estás a fazer neste momento. Não te julgues. Deixa ir pensamentos tipo ”eu não consigo” ”eu penso demasiado” etc.

    6      Repete. Mesmo que não te tenhas sentido muito bem a primeira vez, tenta de novo. Lembra-te que cada vez é única e a próxima será diferente de certeza absoluta.

Quando integrei a prática de Mindfulness no meu dia-a-dia, passado algum tempo, a minha prática formal também ganhou o seu espaço na minha rotina diária. Além disso encontro tantos pequenos momentos nos quais tenho oportunidade de fechar um pouco os olhos e meditar de uma forma mais formal. Um deles por exemplo quando deito os meus filhos e fico ao lado deles um pouco. Ou posso demorar só mais um pouco na casa de banho a meio de um dia de trabalho. Ou posso fechar os olhos e respirar conscientemente 3 vezes antes de atender o telemóvel.

Mas a primeira grande diferença para mim foi realmente transformar a rotina normal em prática. Essa prática permite-me sair da minha cabeça, permite-me experienciar mais os momentos e conectar mais com os meus filhos. Permite-me ver e usufruir do pequeno raio de sol que observo entre as nuvens. Permite-me ver a beleza de cada momento. Permite-me ver tudo pela primeira e pela última vez.

Artigo publicado originalmente em mindfulnesseparentalidade

Uma das forças maiores na nossa mentalidade, que tem viajado ao longo dos tempos é de que os filhos devem obediência aos pais. Mas queremos que eles nos obedeçam ou que nos respeitem? É que existe uma linha que separa a obediência do respeito. E cada uma delas assenta em dois pilares diferentes. Pilares que não se complementam e que muitas vezes se confundem entre si. O pilar da obediência assenta no medo. Se fizeres isto, acontece-te aquilo. Se não fizeres o que te digo, acaba-se logo a brincadeira. De generoso  – e de ensinamento  –  isto tem muito pouco. De que forma aprendemos? Como é que enraizamos conhecimento? Pensemos um pouco sobre isto. O que é que nos leva a agir como agimos com os nossos filhos? Será que agimos de certa maneira por causa deles? Ou será por causa de nós? Aprendemos quando alguém nos repreende ou quando alguém nos apoia? Quando alguém nos grita ou quando nos faz pensar? Aprendemos mais com alguém de quem temos medo ou com quem nos inspira? E isto aplica-se às mais pequenas coisas. E às maiores também. Há várias formas de fazer a mesma coisa. E é importante lembrarmos que as palavras que usamos, a forma como falamos tem um impacto profundo em quem recebe a nossa mensagem. E nós não queremos que os nossos filhos tenham medo de nós. Se tiverem medo, ao contrário do que possamos pensar, não irão confiar em nós. O pilar do respeito assenta no amor. A obediência diz: Não penses. Faz. O respeito diz: As razões pelas quais é importante fazeres são… Obedecer é fazer o que o outro diz sem questionar. Ter de obedecer é ser coagido a aceitar as coisas sem ter a possibilidade de entendê-las, de questioná-las, de conhecer as suas causas, as suas razões. Obedecer é uma acção passiva. Obedecer implica subordinação da vontade, obriga ao cumprimento de um pedido ou de uma ordem de forma cega e imponderada. E nós queremos que os nossos filhos aprendam a pensar pela sua própria cabeça. Só assim conseguirão ser completamente autónomos.

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Porque devemos abraçar os nossos filhos quando agem mal?

Estou farta.

Estou completamente farta de explosões emocionais, estou farta que me desafie, e do “não me podes obrigar”, e de portas a bater.

Há alturas que só me apetece arrastá-lo pela t-shirt e obriga-lo a apanhar os sapatos do chão e acabar com estas atitudes de vez.

A última coisa que me apetece fazer é abraça-lo, mas faço-o na mesma.

Abro a porta (depois de me bater com ela na cara) e pergunto-lhe: ”Queres um abraço?

Inicialmente ele resistia mas hoje em dia não. Hoje em dia derrete-se nos meu braços e chora como um bebé oprimido e inseguro.

Hoje, apesar de ser a ultima coisa que me apetecia fazer, apesar de ele ter tido uma péssima atitude comigo, o que ele precisava era mesmo de um abraço. Era o que precisávamos os dois.

Porquê?

Porque devemos abraçar os nossos filhos quando agem mal?

Passo a explicar:

Porque os nossos filhos aprendem mais com amor do que com castigos. Um abraço e uma conversa sobre o que se está a passar resultam melhor do que gritar e castigar.

Porque, às vezes, quando os nossos filhos “se passam”, a sua reação é um grito de ajuda. Talvez não saibam exprimir os seus sentimentos de uma forma mais apropriada, ou talvez haja mais qualquer coisa que os incomode, os stresse ou que os esteja a frustrar e, um abraço pode abrir uma janela à conversa sobre o que realmente se passa, para que possamos lidar e ajudá-los a lidar com a situação.

Porque, às vezes quando os nossos filhos se sentem mal consigo próprios, sentem que não merecem carinho e o nosso respeito e agem de forma a não serem tratados com carinho e respeito. E se reagimos negativamente e com “raiva” estamos a validar os sentimentos deles, e começa um ciclo vicioso. Quebre o ciclo e abrace-o. Lembre-lhes que cometer um erro não os torna numa má pessoa.

Porque uma das melhoras formas de fazer com que os nossos filhos cooperem, é criando laços. Com uma relação forte pais e filhos, as crianças têm tendência a agir de forma correta a maior parte das vezes. E nas alturas em que não o fizerem, ou não o conseguirem fazer, um simples abraço é a chave para nos conectarmos emocionalmente.

Porque o amor pelos nossos filhos é incondicional.

Podemos não gostar da atitude ou de um comportamento, mas continuamos a amá-los até ao último dia das nossas vidas. E as crianças precisam de saber isso, e por vezes temos de relembra-las vezes e vezes sem conta, especialmente quando estão em baixo.

Porque, às vezes, somos nós pais que precisamos de um abraço. Quando os nossos filhos estão a sofrer, ou frustrados, ou a atacar-nos e não sabemos mais como lidar com eles, às vezes, somos nós que precisamos de nos conectar, precisamos de reforçar a  confiança e de um abraço.

Por isso da próxima vez que perderem a sintonia e o seu filho se estiver a passar, abrace-o.

Eu sei que às vezes é difícil controlar os sentimentos.
Eu sei que às vezes eles vão rejeitar esse abraço, principalmente se tiver filhos na pré-adolescência e adolescência.

Mas abrace-o na mesma.

Porque, às vezes, um simples abraço é a melhor resposta a um comportamento negativo.

 

Por Picklebums, parenting
Traduzido e adaptado com autorização por Up To Kids®, 

Todos os direitos reservados

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No que parece uma tentativa de corrigir o autoritarismo que militava na educação das anteriores gerações, os actuais pais tendem a compensar os filhos com excessiva permissividade. Passámos de um extremo ao outro.

O autoritarismo expressa-se por regras estanques e invioláveis, independentemente das circunstâncias e, muitas das vezes, por uma ausência de diálogo no sentido de adaptar as normas exigidas às diversas situações. Como consequência, temos uma relação pais/filhos distante, assente numa base emocional pouco sólida e com uma estrutura de relacionamento frágil. Já a permissividade revela-se numa ausência (quase) total de toda e qualquer regra, toda e qualquer repreensão, aceitação de todos os desejos expressos pela criança /adolescente, sem objecções. Esta atitude de facilitismo por parte dos pais promove uma insegurança e instabilidade crescentes – a criança desconhece quem a dirige, a acompanha, a apoia e suporta nas suas crises, criando um sentimento de pseudo abandono. A boa intenção parental, neste caso, é mais prejudicial do que benéfica – a criança experiencia uma desorganização interna, em termos emocionais, e manifesta essa desorganização, nomeadamente, através das chamadas “birras” frequentes. Por norma, este comportamento é revelador desse mal-estar interno.

Existirá, então, um modelo ideal para educar um ser em desenvolvimento? Não se pode dizer que exista uma regra de ouro, mas procurar equilibrar as atitudes parentais entre um excesso – autoritarismo – e o outro – facilitismo – será um bom passo para um desenvolvimento mais harmonioso. O ideal é, portanto, evitar os extremos, tão frequentemente incorrectos. Procuremos optar pelo meio-termo entre um autoritarismo impróprio (ausência de diálogo, regras incontornáveis e imutáveis) e a permissividade excessiva (de um grau de disciplina nível zero e de uma satisfação permanente de todos os desejos expressos pela criança).

A disciplina na educação é importante na medida em que define, durante o desenvolvimento infantil e juvenil, os limites por que nos orientamos. Promove o equilíbrio emocional, uma vez que delimita o nosso comportamento, dirige as nossas atitudes e permite-nos desenvolver a capacidade de aceitar as frustrações do dia-a-dia e saber lidar com elas – gerindo-as e ultrapassando-as, vivendo harmoniosamente em sociedade. Estas mesmas regras e limites permitem à criança ser correspondida nas expectativas, ou seja, se conheço os meus limites sei o que esperar de determinada atitude ou exigência. Isto é fundamental para uma criança ser correspondida nas suas expectativas; saber o que pode esperar; com o que pode contar. Para tal é preciso que a criação e transmissão desta disciplina seja implementada com consistência e coerência – os pais não podem proibir agora o que permitem daqui a pouco, por exemplo. Sendo ainda que a recusa de um desejo deve sempre ser acompanhada de uma justificação, ao invés do inapropriado “não, porque não!”.

Apesar de não existir a já referida e tão almejada regra de outro que possa aplicar-se a todas as crianças e adolescentes de forma a garantir a educação ideal, deixamos aqui algumas dicas mais generalistas para que possam servir de reflexão, tanto no registo da transmissão das regras, como no da atenção que deve ser dispensada à criança.

Dicas para disciplinar:

  • Procure não dar uma ordem se não estiver convicto de que é, realmente, para cumprir; por exemplo: pais que aumentam o tom de voz para exigir a arrumação do quarto, mas que, enquanto ralham, vão arrumando o quarto em simultâneo. A criança, aos poucos, desvaloriza o tom de voz e a exigência, porque percebe que não tem que cumprir nenhum objectivo, vai continuar a desarrumar o quarto e só precisa de estar preparada para ouvir o/a pai/mãe a falar alto por uns minutos. Em contraposição, tente transmitir a regra com um tom firme, directa e sem reticências. Não precisa aumentar o tom de voz, basta demonstrar que pretende realmente a arrumação – levada a cabo pelo(a) seu (sua) filho(a) – em tom sério, claro, preciso e sem que fique a ideia que se trata de um pedido porque, de facto, não o é. Certifique-se ainda de que o(a) seu (sua) filho(a) está a prestar atenção ao que lhe transmite sem interferências distrativas (jogos, amigos, etc).
  • O cumprimento das regras deve sempre gerar o reforço positivo. Também aqui deve ser claro e directo, por exemplo “gosto quando arrumas o quarto” ou “é muito bom quando fazes o que te digo”. Ao reforçar positivamente a conduta do seu filho, sempre que merecido, quer por palavras, quer por gestos de carinho, está a demonstrar-lhe que valoriza o seu comportamento e que está atenta a este, instigando a perpetuação de uma boa conduta

Revelar interesse e atenção:

  • Preste atenção ao que o seu filho lhe quer contar ao fim do dia, revelando-lhe que se interessa pelas suas histórias. Exemplo: “Fico muito contente que partilhes isso comigo” ou “é bom saber o que acontece contigo quando estás com os teus amigos”. Adicionalmente, tente colocar-lhe questões sobre o que lhe está a contar, demonstrando que está realmente a ouvi-lo e interessado”. Por exemplo: “quer dizer, então, que te pareceu melhor fazer… “ ou “sim, sim estou a perceber o que me queres dizer. Fizeste isto ou aquilo porque…
  • Pergunte-lhe se tem alguma coisa que queira contar-lhe, mas sem que a criança se sinta invadida pela curiosidade, ou seja, saiba aceitar caso não tenha nada para contar: “queres contar-me alguma coisa sobre o teu dia?” ou “parece que não te apetece falar, eu entendo, quero só que saibas que me interesso pelo que fazes e gosto que o partilhes comigo”. Deixe explícita a sua disposição e disponibilidade para a ouvir atentamente, sempre que exista essa necessidade. No entanto, a sua manifestação de aceitar o silêncio pode também ser preciosa. Apesar de(a) seu (sua) filho(a), a criança tem direito à sua privacidade e a optar pelo momento em que está disposta a partilhá-la consigo.

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A (GRANDE) diferença entre castigo e consequência

Filhos perfeitos, crianças tristes: a pressão da exigência

A parentalidade que respeita os tempos, ritmos e os sonhos da criança

 

 

 

Discussão com os seus filhos adolescentes

9 coisas que nunca deve dizer

As divergências entre um pai e seus filhos são um facto assumido da parentalidade. Quando as crianças crescem começam a afirmar a sua independência, e as coisas podem rapidamente transformar-se quando os seus “bebés-adolescêntes” se tornam desobedientes e e lhe faltam ao respeito. Quando se trata de discutir com os seus filhos, faça-o de forma justa evitando a todo custo estas nove frases:

1. Palavrões

Palavrões são completamente proibidos. Não retribua mesmo que o seu filho os diga contra si. Tudo o que fizer estará a moldar o comportamento e as atitudes do seu filho no futuro, quando for adulto.

2. Insultos

És um (insira qualquer rótulo aqui)”
Parte de ser justo numa discussão é conseguir expressar os seus sentimentos reais e preocupações. Depois trabalhar para resolvê-los. Rótulos e insultos não fazem nenhuma destas coisas e apenas provocam mágoa ou mais raiva. Estas palavras ficam gravadas nas memórias dos jovens e podem afetar significativamente os seus relacionamentos e autoestima durante os anos a seguir.

3. Arrependimentos infundados

Quem me dera que nunca tivesses nascido…” ou “Eu bem sabia que nunca devias ter nascido”
É fácil atacar a clássica birra infantil, “Mais valia não ter nascido”, com uma destas frases. Mas não solte a bomba. Questionar a existência do seu filho não é um pensamento que quer implantar na mente de um adolescente.

4. Culpabilizar

“Foste um erro”, ou “Acabaste com a minha vida!
Atribuir ao seu filho a culpa dos seus problemas não só não faz qualquer sentido como o torna imaturo para assumir responsabilidades de parentalidade. Nascer não foi um decisão dele – foi sua. E, mesmo no calor do momento, fazer uma reivindicação tão feia diz mais sobre si do que sobre ele.

5. Comparar

Porque é que não podes ser mais como ___?
Comparar o seu filho rebelde a um miúdo mais calmo e melhor aluno é um clássico dos pais nesta idade do armário (como se não fosse suficientemente má) e entram numa espiral de conflitos e “trombas” para toda a gente. Mas isso é (mais) uma fase, e ele está a tentar encontrar-se. Ele é ele, e pedir que seja outra pessoa é o mesmo que lhe dizer: “Não és suficiente bom para seres meu filho.”

6. Rebaixar

“Odeio-te”, ou “Não gosto de ti!”
Vamos torcer para que nenhuma dessas afirmações seja verdadeira. Inúteis e sem tacto, apenas criam um maior distanciamento entre pais e filhos. Mesmo que sejam verdadeiras naquele momento, não podem ser ditas como trunfo!

7. Não saber ouvir durante uma discussão com os seus filhos

“Cala-te! Não me interessa”
Ouvir é muito mais difícil e mais importante do que falar. O que causou o argumento inicialmente foi provavelmente uma falha de comunicação. Reforçar o facto de não querer ouvir uma explicação só vai aumentar os insultos e a desconexão entre ambos.

8. Ameaçar

Vou-me embora”, ou “Nunca mais volto!”
O seu filho precisa de si independentemente de dizer que não. Nunca lhe dê um motivo para se sentir abandonado. Se precisar de sair para apanhar ar, faça-o. Mas volte!

9. Enxotar

“Sai daqui!”
O s
eu filho precisa de um sítio seguro ao qual chama lar e que seja confortável para descansar. Tirar-lhe isso não só é contra a lei como provoca danos catastróficos no vosso relacionamento.

Manter a cabeça no lugar no meio de uma discussão com o seu filho requer plenitude, paciência e capacidade de autodisciplina e autocontrole. Mas como o pai/mãe, esta é a responsabilidade que assumimos quando planeamos uma família.

Seja o adulto, e certifique-se de que toda discussão com os seus filhos caminha em direção a uma solução – e lembre-se de guardar estas palavras desagradáveis para si mesmo.

 

Por Georgia Lee, originalmente publicado em Familyshare, com autorização para Up To Kids®

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As crianças não fazem birras

A nossa cultura ensinou-nos a ver as crianças como nossas adversárias.

As crianças fazem birras, as crianças portam-se mal. As crianças só sabem chatear. Desafiam-nos, testam-nos, desarrumam tudo. Estão aí para nos levar ao desespero.

Não me parece.

Mas a verdade é que acreditamos nisto – a agimos sobre esta premissa diariamente – de tal forma que se torna mais do que óbvio – e incompreensível que haja alguém que não o faça – que tenhamos de puni-las, de afastá-las, de deixá-las sozinhas quando não correspondem aos comportamentos esperados, quando se exaltam ou perdem o controlo das suas emoções por alguma razão.

Acreditamos que estão a ser mal-educadas, que nos estão a faltar ao respeito, quando a bem da verdade, lhes estamos a passar a mensagem de que não têm direito a exprimir as suas emoções negativas. Temos de saber ensinar-lhes paciente e generosamente como exprimir essas emoções. Desde cedo. Porque essas não são para bloquear.

Da minha pesquisa e das minhas experiências pessoal e profissional, as crianças não fazem birras. As crianças não se portam mal.

As crianças são crianças. Onde é que, ao longo do caminho, nos esquecemos que fomos nós que as quisemos?

As crianças manifestam as necessidades, vontades, medos, cansaço  e sentimentos gigantes que têm da melhor forma que sabem e podem. Passam por emoções que nem imaginamos, vivem e assistem a situações que muitas vezes não sabem – nem conseguem – processar. Isso não faz delas mal comportadas, chatas, birrentas ou bebés. Faz delas pessoas (pequenas) num mundo tantas vezes assustador.

O mundo é feito de pessoas e se as pessoas que têm o privilégio de formar pessoas mais pequenas as souberem formar e educar de uma forma pacífica, gentil, ensinando desde a primeira infância os limites de forma empática, conectando-se e ligando-se às suas crianças de forma generosa, compreensiva nos momentos mais difíceis, serão adolescentes e mais tarde adultos assim que teremos.

E será esse o mundo que estaremos a criar. Quer acreditemos nisso quer não. A responsabilidade é nossa.

É uma questão cultural que tem passado de geração em geração que nos tem ensinado – e feito crer dogmaticamente – que a única forma de educar pessoas responsáveis, cumpridoras e bem sucedidas é sendo pais e professores exigentes, inflexíveis e firmes.

Como se isso fosse o mandamento mais imperativo.

Não é.

O mandamento mais imperativo a ter em atenção na formação do ser humano é a formação saudável das emoções. Dos vinte anos que trabalhei com crianças, não encontrei uma – uma única! – que conseguisse bons resultados na escola quando as suas emoções estavam desreguladas, destruídas até, em alguns casos. Muitos.

As crianças constroem a sua auto-imagem através dos inputs implementados desde o nascimento, pelos adultos.

São as emoções dos adultos, em primeiro lugar – os estados de espírito, as frustrações, a sua própria auto-imagem, os seus traumas, as suas crenças, – que lideram a forma como estes interagem com as crianças, a forma como lidam com elas, como as tratam.

Aprendemos que as crianças nos desafiam, que querem controlar e ter tudo à sua maneira. Nós acreditamos nisto e as nossas relações com os nossos filhos sofrem com isto. Aprendemos que temos de controlar as suas birras e que é obrigatório zangarmo-nos quando não correspondem às nossas expectativas, chegando até a magoar o seu corpo e ferir a sua alma para marcar a nossa posição de poder.

Desunimo-nos delas, desconectamo-nos nos momentos em que mais precisam que nos liguemos a elas, que as apoiemos. Isto passa-se em casa, na escola. Nos locais que deveriam ser lugares de referência, onde as crianças se devem sentir acarinhadas, respeitadas, seguras.

Aprendemos a criticar as crianças, a julga-las, a castigá-las, em vez de  escutá-las, compreendê-las  – mesmo que a situação nos desconforte –  de aceitá-las. Esquecemo-nos de que educar é passar um legado diário de amor, de compreensão, de motivação positiva, de empatia sob todas as suas formas, em todos os momentos, em especial aqueles que são mais difíceis de gerir pela criança ou pelo adolescente.

E aqui cometemos um grave engano.

Confundimos educação com imposição de autoridade, julgamos que temos de ser reis absolutistas no nosso castelo e que as crianças têm de ser submissas às nossas vontades, ordens e desejos, descurando-nos de negociar em vez de exigir aquilo que elas não nos podem dar, esquecendo-nos de ser tolerantes em vez de criticar, esquecendo-nos de ensiná-las  – liderando pelo exemplo e não pela imposição-  tendo em conta o seu funcionamento natural e orgânico, neurológico, físico e emocional.

Se esses factores não são respeitados, não é responsabilidade da criança. É de quem é responsável pelo seu percurso educativo. Seja em casa ou na escola.

Toda a aprendizagem deve ser feita de forma orgânica e natural. Não imposta. Não coerciva.

Uma família de seis filhos ou uma turma de vinte alunos, terá o número de personalidades, necessidades, carências e potencialidades em proporção ao número de crianças que aí existirem. E todas têm valor. Todas têm potencial. Cabe ao adulto estimulá-las e motivá-las de forma positiva. E não uma vez. Em todos os momentos. Um educador, seja um pai, uma mãe, um avô, uma avó, um professor, educador infantil ou auxiliar educativo, deve ser, acima de tudo, um mentor.

As crianças e os adolescentes são pequenos humanos que fazem o seu melhor com o que têm, que só querem ser amadas e respeitadas pelo que são, sentir-se seguras, protegidas, façam o que fizerem, digam o que disserem.

Quando aprendermos isto e agirmos sobre isto, deixará de haver lugar para gritos, rótulos, vergonha, castigos e todos construiremos uma relação melhor e mais forte com os nossos filhos.

Como afirma Rebecca Eanes, as crianças não são nossas adversárias. Elas são a nossa maior dádiva. Tratemo-las como tal.

 

Eduquem as crianças e não será necessário castigar os homens

“Eduquem as crianças e não será necessário castigar os homens” é uma citação atribuída a Pitágoras, importante filósofo grego fundador de uma escola de pensamento, que viveu cerca de 500 anos a.C..

Educar passa não só por ensinar a ter bons modos ou comportamentos que sejam socialmente aceitáveis, como também conhecimentos e competências emocionais e sociais.

Mas como podemos promover o desenvolvimento destas competências nas crianças? Todos sabemos que crianças bem-ajustadas a nível emocional e social criam mais cedo um sentimento de pertença e ligação (sentem que têm significado, que são importantes) mas têm também mais hipóteses de ter sucesso escolar. De pouco adianta tentarmos ensinar uma criança a ler e a contar se o medo que ela sente de falhar ou a falta de confiança nas suas capacidades a bloquearem. Uma criança com confiança e autoestima elevada, que sabe relacionar-se com os outros, aprende a regular o seu comportamento, a resolver conflitos ou trabalhar em equipa.

Não há mezinhas ou receitas que sirvam para todas as crianças mas há dicas que ajudam. Este artigo reúne 10 sugestões que podem desenvolver estas competências nas crianças. Vamos à primeira?

  1. Ensinar a reconhecer as emoções

Quando uma criança se sente frustrada, por exemplo, nem sempre ela tem um nome para atribuir a essa emoção. Ela sente-se zangada, confusa com o que sente (por exemplo quando perde um jogo), mas não sabe que é frustração que está a sentir. Somos nós, adultos, que devemos ajudar as crianças nessa tarefa de dar um nome às emoções, porque só identificando o que elas próprias sentem poderão aprender a reconhecer as emoções alheias e, consequentemente, a colocar-se no lugar dos outros. É a falta de ferramentas para compreenderem o que estão a sentir que leva muitas das vezes a birras e a situações descontroladas.

*Há alturas em que pode dar-lhe vontade de fazer uma birra ainda maior mas calma… respire fundo que passa!

 

  1. Comunicar de uma forma eficaz

Às vezes não entendemos muito bem o que as crianças querem comunicar e, por outro lado,  elas também nem sempre compreendem o que nós lhes estamos a transmitir. Supomos que nos compreendemos mutuamente, o que nem sempre acontece. Estas barreiras de comunicação podem levar a mal entendidos. Devemos ouvir ativamente o que as crianças estão a transmitir e sermos claros quando falamos com elas.


*Neste caso o bebé tentou de tudo mas o pai não estava sintonizado!

 

  1. Envolver-se nas atividades das crianças

Não há melhor forma de nos aproximarmos das crianças do que partilhar os seus interesses. Brincar, jogar com elas, dançar, ler uma história, fazer desenhos juntos… são atividades que devemos fazer com as crianças sempre que possível. Esses momentos de partilha são oportunidades divertidas para criarmos com elas uma maior conexão.

*1… 2… 3! Vamos lá começar!

  1. Mostrar que os sentimentos e necessidades das crianças são válidos

As crianças precisam de entender que os sentimentos contam, que são importantes, mas ao mesmo tempo compreender que elas não são o centro do mundo. Como elas, há muitas outras crianças que também têm desejos e direitos. Elas ocupam um lugar importante mas é preciso que aprendam a respeitar os outros.

*Silêncio que a princesa quer cantar!!!

  1. Encorajar as crianças a encontrarem soluções para os seus próprios problemas

Muitas vezes temos vontade de dizer às crianças como devem resolver os seus problemas. Mas quando o fazemos não as estamos a ajudar a ganhar autonomia, independência e confiança nas suas decisões. É por isso que é tão importante direcionarmos a crianças a serem elas a encontrar soluções desde cedo. Um bom método é perguntarmos o que elas acham que resolveria a situação. Decidir leva-as a compreender que têm controlo sobre as suas vidas.


*Estes irmãos terão de ser bastante criativos para sair deste sarilho! 😉

 

  1. Focar o comportamento que queremos mudar e não a personalidade da criança

Quando uma criança se comporta de uma forma desadequada, devemos sempre manter o foco no comportamento que queremos mudar e não na criança em si. Não devemos dizer “És preguiçoso/a” ou “És má/mau” porque as crianças acreditam no que lhes dizemos e interiorizam as críticas. Ela não é má, o seu comportamento é que pode ser melhorado!

*Muita calma nessa hora!

 

  1. Ajudar a criança a descobrir o que tem de especial

Cada criança é única e especial. Quando uma criança descobre o seu talento sente mais autoconfiança. O talento pode estar ligado à dança ou à música mas nem sempre devemos estar focados no mais óbvio. Saber cuidar de animais ou gostar de ajudar os outros permite às crianças desenvolverem competências sociais e a relacionarem-se melhor com o mundo que as rodeia.

*A Johanna já descobriu o seu!

  1. Incentivar o debate e a discussão

As crianças têm de praticar ouvir e falar. Estas oportunidades têm de ser dadas sempre que possível. Devemos incentivá-las a partilhar as suas histórias connosco e a tomarem decisões sobre atividades que as incluam.

  1. Ser um modelo

As crianças imitam os exemplos dos adultos. É importante estarmos atentos aos pormenores porque… elas estão! Uma criança aprende mais depressa a ter bons modos se palavras como “obrigado” ou “se faz favor” fizerem parte do seu dia-a-dia, da mesma forma que aprende que devemos respeitar os outros se vir que os pais ou os adultos que a rodeiam tratam os outros com respeito.


*Muito importante: mesmo quando parece que estão distraídas, as crianças estão a ouvir tudo!

  1. Respeitar a criança

Respeitar a criança, os seus gostos, o seu espaço e o seu próprio ritmo, é respeitar a sua natureza. A criança está aprender aquilo que a experiência de vida nos ensina há muitos anos. Orientá-la nesse caminho, com respeito, amor e dedicação é a chave para criar um ser humano que sabe colocar-se no lugar do outro, que é altruísta e positivo perante os desafios da vida, mesmo nos momentos mais adversos.

PS – Tem outras sugestões?

 

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O que todos os filhos precisam que os pais saibam

Nos anos 90, o “The Message Internacional” publicou um texto que ainda hoje, representa de uma forma muito clara o que todos os filhos precisam que os pais saibam.
É uma espécie de mapa do tesouro por passos, mas o tesouro aqui é o futuro dos seus filhos, e a caça, é para ser feita com eles. As respostas, estão no fim do arco-íris, por isso prepare-se que a aventura vai começar.

«Memorando de um filho aos pais»

Queridos mãe e pai, estas são as 20 coisas que eu e todos os filhos precisam que os pais saibam:

  1. Não me estraguem com mimos. Eu sei perfeitamente que não vou receber tudo aquilo que peço. Estou apenas a testar-vos.
  2. Não se inibam de ser firmes comigo. Eu prefiro firmeza, dá-me segurança.
  3. Não me deixem criar maus hábitos. Eu confio em vocês para os detetarem atempadamente.
  4. Não me façam sentir mais pequeno do que sou. Isso faz com que me comporte de uma forma “estupidamente adulta”
  5. Se for possível, não me corrijam à frente das outras pessoas. Prestarei mais atenção se falarem comigo calmamente e em privado.
  6. Não tratem os meus erros como se fossem pecados. Isso altera o meu sentido de valores.
  7. Não me protejam de consequências. Às vezes preciso de aprender da maneira mais dolorosa.
  8. Não se preocupem quando eu digo “Odeio-te”. Eu não vos odeio, apenas odeio o poder que têm de me fazer sentir frustrado.
  9. Não dêem muita importância às minhas pequenas queixas. Às vezes fazem com que consiga a atenção que preciso.
  10. Não sejam chatos. Se forem vou ter de me proteger e fingir que sou surdo.
  11. Não se esqueçam que eu não me consigo explicar da forma que queria. Por isso é que nem sempre sou explícito no que digo.
  12. Não me ignorem quando faço perguntas. Se o fizerem, vão perceber que vou deixar de vos perguntar, e começar a procurar informação noutro sítio.
  13. Não sejam inconsistentes. Confunde-me e faz-me perder a fé em vocês.
  14. Não me digam que os meus medos são ridículos. Para mim são reais e vocês podem fazer muito para me tranquilizar, se tentarem percebê-los.
  15. Nunca sugiram que são perfeitos e infalíveis. Quando descubro que nem uma coisa nem outra são verdade, fico magoado e desiludido.
  16. Nunca pensem que pedir-me desculpas os torna menos dignos. Um pedido de desculpas sincero vai-me fazer sentir muito mais próximo de vocês.
  17. Não se esqueçam que gosto de experimentar coisas. E não consigo fazê-lo sem o vosso apoio. Envolvam-se e criem limites.
  18. Não se esqueçam que eu estou a crescer a uma velocidade incrível. Eu sei que deve ser difícil acompanhar o ritmo, mas por favor, tentem.
  19. Não se esqueçam que eu não consigo crescer sem muito amor e compreensão… mas não preciso de vos dizer, pois não?
  20. Por favor, cuidem de vocês. Mantenham-se saudáveis e em segurança. Eu adoro-vos e preciso de vocês.

[The Message International,
June 1991 – pág. 40]

Traduzido e adaptado por Up To Lisbon Kids®
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Boy businessman writing in book | Image by © Andrea Ruester/Corbis

A influencia dos elogios no desempenho das crianças

Os pais, regra geral têm tendência a elogiar os filhos pelos seus feitos. Tudo começa quando eles são bem pequeninos, e fazem cocó sozinhos (sem bebé gel) aos 3 dias de gente: “Espectacular, conseguiu logo, vê-se que é uma criança determinada”.

Pronto! Começou a asneirada.

Todos sabemos que os nossos filhos, ao nossos olhos, são perfeitos. Mas os pais tornam-se perfeitos idiotas quando elogiam excessivamente uma criança: primeiro porque ela não é estúpida, sabe que a sua primeira letra não foi fantástica, foi razoável. E se não se aperceber na altura do elogio vai perceber quando escrever o alfabeto completo, voltar ao início do livro e se deparar com as suas primeiras palavras escritas; segundo, porque estamos a abrir a porta à preguiça e à insolência (na melhor das hipóteses) .

Há elogios positivos, que reforçam a auto-estima dos miúdos, fazendo com que queiram continuar a tentar realizar tarefas.

Há outros que são ocos, frívolos e normalmente são ditos da boca para fora. Pais que gritam “Boa, és o melhor/maior” sem sequer tirarem os olhos do telemóvel.  Eu também já o fiz, mas sei que a longo prazo estou a fazer-lhes mal!

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O Psicólogo e Mestre em Educação Marcos Meier, realizou uma palestra sobre “A Influência dos Elogios no Desempenho das Crianças e na Formação de Valores” em que documenta de forma muito interessante este tema.

Inteligência vs Esforço

«Recentemente, um grupo de crianças realizou um teste muito interessante. Um grupo de Psicólogos atribuiu-lhes uma tarefa de dificuldade média, que elas executariam, sem grandes problemas. Todas conseguiram terminar a tarefa depois de um certo tempo. De seguida foram divididas em dois grupos.

O grupo A foi elogiado quanto à inteligência:

Uau! Como você é inteligente!”, “Como você é esperto!“, “Que orgulho! Você é genial!“… E outros elogios relacionados à capacidade de cada criança.

O grupo B foi elogiado quanto ao esforço:

Parabéns! gostei de ver o quanto você se dedicou nesta tarefa!”, “É muito bom ver o quanto você se esforçou!”, “Como você é persistente! Tentou, tentou, até conseguir… Muito bem!” E outros elogios relacionados ao investimento realizado e não às capacidades percebidas na criança.

Depois desta fase, foi proposta uma nova tarefa de dificuldade equivalente à primeira.  Aqui, os grupos podiam escolher se queriam ou não participar da mesma.

As respostas das crianças surpreenderam. A grande maioria das crianças do grupo A não participou.

Não quiseram nem tentar. Por outro lado, as crianças do grupo B aceitaram o desafio. Não recusaram a nova tarefa.

Resultados

A explicação é simples e nos ajuda a compreender como elogiar nossos filhos e nossos alunos. O ser humano foge de experiências que possam ser desagradáveis.

A maioria das crianças, elogiadas apenas pela sua inteligência e esperteza, não quiseram se arriscar a errar, pois o erro poderia modificar a imagem que os adultos tinham delas.

Já as crianças elogiadas pelo seu esforço, dedicação à tarefa ou persistência, dispuseram-se a tentar, porque independente do resultado da sua ação, a sua postura frente ao trabalho é que seria reconhecida.

Sabemos de “N” casos de jovens, considerados muito inteligentes, que não obtiveram grande notas nas avaliações escolares, enquanto que jovens “medianos” conquistaram essa vitória. Os “inteligentes”, muitas vezes, confiam na sua capacidade e deixam de se preparar adequadamente. Os outros sabiam que se não estudassem muito não seriam aprovados e, justamente por isso, estudaram mais, resolveram mais exercícios, leram e aprofundaram  cada uma das disciplinas.pai-e-filho

Valores, princípios e ética

No entanto, isto não é tudo. Além dos conteúdos escolares, os nossos filhos precisam de aprender valores, princípios e ética.

Precisam de respeitar as diferenças, lutar contra os preconceitos, adquirir hábitos saudáveis e construir amizades sólidas.

Não se consegue nada disso através de elogios frágeis, com enfoque apenas no ego de cada um. É preciso que sejam incentivados constantemente a agir assim. Isso faz-se com elogios, feedbacks, e incentivos ao comportamento esperado.

Os nossos filhos precisam de ouvir frases, como:

Que bom que o ajudaste, tens um bom coração”;

“Parabéns, meu filho, por teres dito a verdade apesar de estares com medo… Foi uma bonita atitude, que revelou a tua ética”;

“Filha, fiquei orgulhoso por teres dado atenção à tua colega nova em vez de a teres excluído, como alguns colegas  fizeram… Revelou que és solidária, e sabes pôr-te no lugar dos outros”;

“Isso mesmo, filho, deixar o teu primo brincar com a PS foi impecável, partilhar é muito importante e foste um bom amigo”.

Elogios desse tipo estão fundamentados em ações reais e reforçam o comportamento da criança, que tenderá a repeti-los. Isso não é “tática” paterna, é incentivo real.

Por outro lado, elogiar superficialidades é uma tendência atual:

“Que linda que és!”;

“És muito esperto, meu filho!”;

“Tu és um máximo!”;

“Tens um cabelo lindo!”;

“Tens uns olhos lindos!”.

Elogios como esses não estão baseados em comportamentos ou atitudes. São apenas impressões e interpretações dos adultos.

Em pouco tempo estas crianças irão fazer chantagem emocional, birras, manhas e “charme” para conseguirem o que querem. Quando adultos, não terão desenvolvido resistência à frustração e a fragilidade emocional estará presente.

Homens e mulheres de personalidade forte e saudável são como carvalhos que crescem nas encostas das montanhas. Os ventos não os derrubam, pois cresceram na presença deles. São frondosos, têm copas grandes e o verde de suas folhas mostra vigor, pois se alimentaram da terra fértil.

Que nossos filhos recebam o vento e a terra adubada por nossa postura firme e carinhosa.» [Psicólogo e Mestre em Educação, Marcos Meier]

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