Um dia a mãe rebenta, como um balão em que se vai soprando, soprando, soprando, soprando, até que boom!

Não tenho pretensões de ser a super mãe, a melhor, a mais forte, mas a verdade é que me tenho comportado como tal.

Já o escrevi várias vezes, durmo mal há quase três anos, sou uma mãe suburbana exausta, somos nós e nós, sem ajudas, o que é bom por um lado, porque não dependemos de terceiros, o que é mau por outro, porque raramente temos terceiros de quem depender. E depois tenho um defeito, entre muitos, uma resistência absurda a descansar.

Os miúdos sugam a maior parte da nossa energia, exigem tudo de nós, a diferença de idades é pequena. Oiço dezenas de vezes que agora custa, mas que vai ser ótimo. Crescem juntos, brincam juntos, bla, bla, bla juntos, para essas pessoas só lhes digo: não percebem nada do que estão a dizer! A única coisa que fazem juntos é berrar e chorar em solidariedade um com o outro.

(Vai melhorar, eu sei, não me batam já.)

Estou exausta, de rastos e em vez de alapar o rabo no sofá ou deitar-me a dormir enquanto os miúdos dormem a sesta, começo a olhar à volta e a ver mil e uma coisas para fazer. Aspirar o chão, pilhas de roupa para lavar, o pó, o filho da mãe do pó que tem uma casa cheia de livros, os pedaços de bolacha maria misturados com baba espalhados pelos móveis, os vidros cheios de marcas de mãos pequeninas, os riscos de caneta nas paredes.

O meu despertador mais novo acorda antes do sol nascer e eu o que faço? Dou-lhe o leite e começo a arrumar coisas. Para quê? Não sei.

Deixo constantemente as minhas coisas para fazer. Escrever, fotografar, ler, ir ao cabeleireiro, até fazer o raio da dieta é um drama, só me apetece comer chocolate.

Neste momento o meu corpo grita, é impossível não o ouvir, está naquele ponto em que basta só mais um sopro para rebentar, por isso, sem mais demoras, vou ali despir a máscara de super mãe, respirar fundo, abrandar o ritmo e cuidar de mim.

Oiçam o vosso corpo a falar com vocês, não esperem que grite, peçam ajuda se for preciso, ser super mãe é uma treta, os nossos filhos só precisam da mãe.

imagem@gazzeta

Não desisto de ti!

Avisaram que os três anos seriam mais complicados do que os dois.

Com o meu pensamento positivo recebi os três anos de braços abertos, fosses tu a excepção ou a regra, meu amor.

E, meu amor, confirma-se que os teus três anos não estão a ser “fáceis”, que há um desafio constante, uma procura do teu lugar no mundo, uma falta de controlo das emoções, uma frustração muito presentes nos teus dias.

Todos os dias têm sido uma lição. Há momentos em que saio da sala e vou chorar baixinho para a cozinha para me acalmar, momentos em que não sei qual a resposta certa para tantas dúvidas. Sigo o meu instinto, sigo o meu coração, eles raramente me deixam ficar mal.

Acima de tudo, continuo do teu lado como se as tuas palavras e as tuas atitudes não me ferissem por dentro e, muitas vezes ferem.

Tens APENAS três anos. É o mantra que repito para mim mesma, quando levantas a mão ou dizes algo que não deves. É com esse mantra no fundo do pensamento que tento ensinar-te a diferença entre o bem e o mal, como devemos tratar os outros, principalmente, os que nos são mais queridos.

Sei que até ao cinco anos está provado que há uma incapacidade de gerir alguns sentimentos, alguma frustração e tento acompanhar-te nisso sem fazer cara feia, mas por vezes não consigo. Por vezes preciso que entendas que todas as tuas atitudes têm uma consequência e que essa consequência muitas vezes se manifesta na relação que os outros terão contigo. Explico, tento não levantar a voz, tento que te encontres no meio do caos. Tento e por vezes falho. E sei que faço o melhor que consigo.

Há quem diga que sou demasiado branda, que deveria pespegar-te duas palmadonas à primeira coisa errada, mas eu sou tua mãe. E isso significa que te conheço como ninguém. E que sei diferenciar falta de educação de desafio, personalidade de birra. Se fosse seguir a corrente da palmada no rabo estarias negra e na mesma. Na mesma sei que não pois o teu porto de abrigo, aquele que deveria indicar-te o caminho seria para ti a figura que ao primeiro erro te castiga em vez de te ensinar.

Tenho o meu jeito de fazer as coisas e não acho que seja melhor ou pior do que os dos outros pais. Acho que é o que faz com que consigamos seguir em frente tendo uma relação que se baseia no amor e não no medo (da palmada, do castigo, do grito). Depois dos momentos mais complicados passarem conseguimos conversar sobre eles, entender as lições. E irei fazê-lo mesmo que o coração se aperte cá dentro porque estás a fazer algo que eu nunca fiz e que desejo que nunca tivesses feito, como levantar a mão a um avô. Não olho para o lado, não finjo que não acontece, deixo que os envolvidos resolvam o conflito e no fim acrescento o que acredito que falta, se faltar alguma coisa.

Lembro-me agora de uma viagem de metro que fizemos no mês passado. Estava alguma gente e estavas a portar-te lindamente, o que é a regra. Um senhor que estava junto a nós meteu-se contigo e, apesar do teu comportamento exemplar, disse: “vais ser má e eu vou estar cá para ver”. Se me dissessem que isto  ia acontecer teria sido a primeira a dar certezas de como reagiria. Reagi dizendo “ela vai ser o que for e EU vou estar cá para ver”, sempre com um sorriso no rosto. Mais tarde interroguei-me sobre o que teria visto o senhor para fazer uma afirmação tão séria. E por que motivo não me tinha abalado o uso do adjectivo “má”. Acredito que é por saber, bem cá no fundo, que não é algo que eu controle. Serás, efectivamente, o que fores e há uma hipótese de o senhor vir a ter razão. E se fores uma miúda má, uma adulta má, serei a primeira pisar os teus calcanhares durante todo o teu caminho para te mostrar que não tem de ser assim. Que te conheço o suficiente para saber que há mais bondade dentro do teu coração do que muitas pessoas têm a oportunidade de sentir na ponta dos dedos. És intrinsecamente boa e amo-te por isso. Como te amaria se não o fosses, porque sou tua mãe. E como tua mãe não desisto de ti.

Continuarei a mostrar-te o caminho, mesmo que te desvies dele.

Chamar-te-ei à atenção, mesmo que teimes em não me ouvir.

Amar-te-ei sempre, para que haja nem que seja uma dúvida dentro de ti: para quê ser má quando o mundo é tão melhor quando somos bons?

Não te preocupes, traga o amanhã o que trouxer, eu estou aqui.

imagem@weheartit

7 simples decisões que vão mudar a sua vida

Neste início de ano, vamos acreditar que a partir de agora é que é.

Por norma, o fim de ano é aquela época em que fazemos uma retrospeção e tomamos novas decisões. É, portanto, uma grande oportunidade para nos revigorarmos – a nós mesmas, e às nossas vidas. E se desta vez decidisse levar avante a Operação Me, Myself & I?

Adquira um novo hábito

A partir de hoje experimente criar um momento só para si, para fazer algo que realmente lhe dá prazer. Algo que se repita diariamente, preferencialmente à mesma hora. Mesmo que depois não consiga fazer sempre no mesmo horário, tente manter esse novo hábito. Crie uma janela para que a sua criatividade flua, dando a si mesma a possibilidade de relaxar. Por exemplo, levar a sério um hobby que adora e raramente tinha como concretizar. E pela sua sanidade mental e física, não abdique dele.

Ommmm…

Dedique 30 minutos para relaxar e meditar. 30 minutos são apenas uma pequena parte dos seus 86.400 segundos diários. Valorize-se a si e ao seu tempo. Investir tempo na meditação diária, sem confusão à volta (tanto quanto possível), significa, entre outras coisas, aumentar a capacidade de se focar. Ou seja, vai criar as condições para, no resto do ano, se concentrar no que importa e tomar decisões mais acertadas quando houver menos tempo para pensar.

Dica: acorde antes da família para poder sentar-se durante meia hora num recanto em silêncio, concentrando-se na sua respiração. Mesmo que a sua mente seja invadida por pensamentos (vai acontecer!), retome a atenção para a respiração.

Massagens

Ofereça-se uma massagem num spa. Com direito a aromaterapia para cuidar de si. Em alternativa, peça ao seu parceiro para lhe fazer uma massagem com óleo essencial de alfazema e laranja-doce (diluído em óleo de rosa mosqueta ou argan, por exemplo, excelentes óleos para as mulheres) ou prepare a si mesma um banho relaxante com estes óleos, e mime-se com uma (auto)massagem.

Sesta

Durma quando o seu bebé estiver a dormir. Se estiver a amamentar, extraia o leite e peça ao seu companheiro para dar ao bebé durante a noite, o que lhe permitirá dormir durante um período de tempo mais alargado.

Namore!

Tão ou mais importante do que cuidar dos filhos é cuidar da nossa relação (seja com o marido/namorado, o que lhe queiramos chamar).  Eduardo Sá, o psicanalista tão conhecido e amado por muitas famílias, defende que os pais deviam ter um «namorário», uma espécie de horário que dedicamos à relação amorosa e que, ao ser nutrida, resultará em nós como melhores pais também. <3

Cozinha(r) é amor em ação

Ter o que comer é uma sorte. Ter a abundância de cores, sabores e texturas que os alimentos disponíveis no mercado proporcionam, é um luxo. Também na alimentação surge a possibilidade de darmos largas à imaginação. Podemos fazer deste tópico um momento em família, pedindo aos mais novos que lavem os vegetais e cortem a fruta, enquanto o companheiro põe a mesa. Podemos decorar a mesa com detalhes que a tornem mais bonita.  (Re)invente o seu plano de refeições, com receitas mais simples para o dia a dia e outras mais elaboradas para o fim de semana. E claro, saudáveis sempre que puder ser sempre!

Ganhe tempo ao tempo

… e torne o resto do ano mais fácil e emocionalmente mais saudável.

Uma das coisas que nós mães (e pais), em geral, nos queixamos é que não temos tempo suficiente para a família. Não somos super heróis, então há que focar. Descreva exaustivamente a atividade em família à qual gostaria de dedicar mais tempo, incluindo o que e como gostaria que acontecesse nessa ocasião, e em que momento da semana/dia (quando). Agora que já identificou o que pretende fazer em família, empenhe-se paulatinamente nesse objetivo. Havendo o plano e consciência do itinerário para a concretização do mesmo, tem meio caminho feito.

Mesmo que experimente apenas uma destas sugestões de mudança, leve-a na bagagem destas férias e verifique, depois, se contribuiu para uma melhoria no seu estado de espírito e, em última instância, se confirma que a felicidade dos seus filhos tem uma relação de proporcionalidade direta com a sua própria felicidade. E família pode até ser só mãe e filho – não conta menos por isso.  Quando a mãe está bem e equilibrada, todos ficam a ganhar. Neste ano encha o seu coração de coisas que lhe façam bem!

imagem@umcomo

Era fim do dia e eu estava a ajudar o pequeno catita com os seus trabalhos de matemática da primeira classe. Mesmo no final dos trabalhos, apareceu o desafiante exercício 5 da página 14, enquanto o pequeno catita lutava para chegar ao resultado sozinho, eu mordia a língua para não lhe dar a resposta certa.

A cada minuto que passava, contorcia-me mais na cadeira. Era tão fácil. Tão óbvio. A solução estava mesmo ali. Só precisava dizer o resultado, e os trabalhos estavam acabados.

Uma parte de mim gritava para ter razão, para dar a resposta certa e durante 2 segundos ficar ofuscada com o holofote do “eu é que sei”. A outra parte, só queria ficar pacientemente calada, e dar-lhe tempo. Era de tempo e confiança que ele precisava para escrever, apagar, pensar, errar e tentar outra vez. Precisava de sentir que estava tudo bem, que eu confiava nas suas capacidades e que estava ali para o apoiar. Só assim seria possível aprender, descobrir e ganhar confiança em si próprio e nas suas decisões.

Sabes, sempre me disseram o que fazer, como fazer. Instruções e mais instruções da forma “certa” de viver a Vida. A comida certa, a roupa certa, a decisão adequada. Tudo era feito com muito amor e com as melhores intensões. Oferecido para me proteger e ajudar a ser uma “boa” menina. Mas na verdade, não ajuda nada. Tira-nos a nossa capacidade natural de caminhar pelo nosso pé. Perante qualquer pequena decisão que temos de tomar, sentimos que temos de consultar os pais, os amigos, a ajuda telefónica e meia dúzia de pesquisas no Google. Sentimos que a resposta está sempre fora de nós, e não dentro, o que nos tira um enorme poder e autonomia. Simultaneamente, se não conseguimos decidir, não somos capazes de lidar com decisões erradas. Como a decisão é sempre do outro, excluímos o nosso papel em todo o processo, o que compromete muito a nossa responsabilidade pessoal.

Ficamos à deriva, à espera da opinião mais acertada, ou da pessoa mais assertiva. E às vezes a pessoa mais assertiva, não está NADA certa.

Estamos sempre danadinhos para resolver os problemas dos outros. Para nos sentirmos úteis e importantes, necessários e admirados. A maioria das vezes, quando estamos a ouvir os problemas dos outros, disparamos mil e uma soluções milagrosas; “Tu devias…” “Se fosse eu…” “É muito simples…” Parecem ajudar, mas não ajudam. Dizem “tu não és capaz de chegar lá sozinho”. E, quando o dizemos muitas vezes, o outro lado acredita. Aí tem duas opções, ou rende-se, ou revolta-se. Nenhuma delas reforça, de todo, a qualidade da relação entre pais e filhos.

Eu sei que, tal como eu, amas o teu filho. E também sei, que é tão difícil transformar esse amor num comportamento amoroso para com ele. Há tanto que se mete no caminho… as nossas expectativas, a nossa infância, os nossos medos e os medos que temos em relação ao seu futuro. Os outros, as suas opiniões e olhares críticos. As nossas constantes incertezas de que estamos a fazer a coisa certa… de que estamos a ser “bons” pais.

Era de tudo isto que eu me estava a aperceber, enquanto mordia a língua e travava a solução do problema de matemática. Apercebia-me de que os processos e as aprendizagens são muito mais importantes do que os resultados. E, que a minha solução pode ser certa para mim, mas não ser certa para o outro. Sou eu que lhe devo dar a possibilidade e a confiança para encontrar a “sua solução”. Sou eu que devo acreditar nele, para que ele possa acreditar também.

É impressionante como quando estamos disponíveis, podemos com um pequeno exercício da primária, aprender tanto sobre a matemática da Vida.

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Nunca estamos preparadas para sermos mães. Temos todo um mundo de primeiras vezes e tantas coisas para descobrir. Umas fáceis, outras nem por isso, guiamo-nos muito por instinto, e lá nos vamos safando.

Mas a verdade é que nunca estamos preparadas para o momento em que a licença de maternidade acaba!

Aquele momento em que passas de viver 24 horas por dia com aquele ser que é tão teu, para voltares ao “mundo real” com tantas coisas para fazer, e com eles a crescerem longe do nosso alcance.

Este mundo injusto, em que depositamos os nossos filhos com estranhos, e de coração apertado, rezamos até aos Deuses que não conhecemos, para que os protejam. Rogamos que os tratem bem.

Tiram-nos os filhos dos colos e deixa-nos apenas com a saudade e a esperança de que tenhamos feito uma boa escolha, quando decidimos com quem eles vão ficar.

Aquele aperto inexplicável, aquela pressa do regresso a casa… Eles tão pequenos e inofensivos. Incapazes de se defenderem ou simplesmente de nos dizerem quando algo corre mal.

Nunca estamos preparadas para este corte de cordão.

Este até logo que dizemos todos os dias, que custa desde o primeiro dia e que dura para sempre.

A ti mãe, a quem a licença de maternidade está a acabar:

Tem calma! Eu sei… Custa muito, é verdade, mas tens que ser forte, confiar e acreditar. Sabes o que todos dizem “Custa mais a nós do que a eles?!” muitas vezes é mesmo verdade. E se escolheste o sitio certo, verás em breve que sim. A tua escolha vai revelar–se. Conheces o teu filho melhor que ninguém e vais sim, perceber se ele gosta ou não do sítio onde está.
Podes perder muitas gracinhas, mas vais presenciar tantas outras e nunca jamais ninguém ocupará o teu lugar no seu coraçãozinho.

A vida é injusta e muitas vezes difícil, e agora está a pôr-te à prova! Mas tu vais superar!

Chora tudo o que precisares enquanto ele dorme, porque não vais querer perder nem um segundo do seu sorriso. Vais dar muito mais valor aos momentos que passam juntos, e esses momentos sim, são preciosos.

Vai correr tudo bem!

imagem@123rf

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Recém mamã, tu aí.

 

 

Olá bebé lindo da mãe!

Quando me leres já não serás um bebé, mas por agora ainda és… e na verdade, para mim, serás sempre o meu bebé!

Completaste 1 ano de vida! E já completaste tanto!

Cresces a cada dia, e constantemente aprendes uma nova gracinha, um novo desafio, uma nova competencia!

Adoro ver-te crescer, mas ao mesmo tempo adorava parar o tempo, porque sei que vou ter saudades!
Vou ter saudades do cheirinho de bebé! Aquele cheirinho inconfundível, e irreproduzível que só mesmo os bebés têm. Um cheirinho delicioso que me sabe a calor, a conforto e a amor.

Vou ter saudades do teu sorriso desdentado! Esse sorriso lindo de onde só espreitam pontinhas de pequenos dentes que já te cresceram, mas que fazem esse sorriso tão inocente e puro

Vou ter saudades da forma como me agarras… Como me agarravas os dedos quando eras mais pequeno, e como me agarras agora a mão, ou os braços, ou quando te empoleiras em mim para te levantares… vou ter saudades desta forma que me agarras…

Vou ter saudades que adormeças no meu colo. Aconchegado, quentinho, confortável… aninhado em mim… sabes que não há encaixe mais perfeito que uma mãe e seu filho… Vai deixar saudades….

Vou ter saudades da forma como ficas surpreendido com a mais pequena coisa… como tudo para ti é novidade, e da forma como me procuras para mostrar o que de novo descobriste!

Vou ter saudades desses passos atabalhoados que dás agora que ainda estás a aprender… São atabalhoados mas tão deliciosos…

Vou ter saudades de ter ver com fralda! Ficas tão giro com essas pernocas gorduchas, e essa fralda que te dá esse ar de bebé.

Vou ter saudades dos teus beijinhos cheios de baba! Os beijinhos babados são mil vezes melhores porque são os primeiros.

Vou ter saudades de todas as primeiras vezes que passamos juntos. Os primeiros passeios, as primeiras comidas, as primeiras gracinhas… deste mundo de primeiras vezes…

Vou ter saudades das gargalhadas de bebé que dás! São tão contagiantes, tão deliciosas…

Vou ter saudades de tantas coisas… vou ter saudades que sejas bebé. Vou ter tantas saudades…

Vou ter saudades que sejas só meu, quando um dia te tornares do mundo, porque para mim, serás sempre o meu bebé. Mas o meu bebé está a crescer… e eu vou ter saudades!

imagem@70tt

 

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Se escreverem a palavra maternidade num qualquer motor de busca irão reparar que a palavra culpa surge associada (estou a brincar, não faço ideia se isso acontece, apenas sei que tal se sucede na realidade). Assim que damos à luz aprendemos duas lições:

1) para o mundo a mãe é a principal responsável pelo bebé, o pai é apenas aquele assistente que “dá uma mãozinha”;

2) comportamentos “menos desejáveis” por parte do bebé são resultado da nossa pessoa (por nossa entenda-se exclusivamente da mãe).

Deste modo, rapidamente percebemos que o pai é um pobre coitado que nada pode fazer, um actor secundário numa peça protagonizada pela mãe; o bebé é um adereço, não lhe são atribuídas motivações nem características próprias, um ser que recebe passivamente a informação e a reproduz.

Quando te tornas mãe, além de um bebé ganhas uns quantos dedos apontados. Curiosamente, esses mesmos dedos desaparecem nos momentos de conquista e vitória, pois aí a “culpa” não te é atribuída – bem-vinda ao mundo dos dois pesos e duas medidas!

… Se o parto corre bem, o bebé é um valente, tiveste uma hora abençoada, a equipa médica era boa.

… Se o parto corre menos bem, não soubeste fazer força nos momentos certos, não tens elasticidade suficiente, não te soubeste impor.

… Se o bebé mama bem, é um comilão, um guloso, tu és uma sortuda.

… Se o bebé mama menos bem, o teu leite é fraco/não alimenta, os teus mamilos não têm um bom formato, produzes pouco leite.

… Se o bebé dorme a noite toda, é um dorminhoco, um anjinho, uma bênção.

… Se o bebé acorda durante a noite, o teu leite é fraco, não sabes treinar o sono dele (tens de o deixar chorar e dar-lhe menos colo).

… Se o bebé tem um bom desenvolvimento, é espertalhão, atento, malandreco.

… Se o bebé tem um desenvolvimento menos próximo da média, a mãe não teve os devidos cuidados durante a gravidez, não o soube estimular, protegeu-o em demasia.

… Se o bebé gosta de estar no chão, é dono do seu nariz, independente, um crescido.

… Se o bebé prefere estar no colo, está mal-habituado, é dependente da mãe.

… Se o bebé faz menos birras, é fácil de lidar, bem comportado, um pachola.

… Se o bebé faz mais birras, a mãe não soube impor limites, dar-lhe uma palmada na hora certa.

… Se a criança come bem, é bom garfo, tem boa boca, tem um apetite invejável.

… Se a criança come pouco, a mãe não tem mão para a cozinha, não faz comidas saborosas, põe pouco sal.

Podia escrever uma lista de situações digna de preencher um papiro, exemplos não faltariam. A culpa, atribuída por nós ou pelos outros, sobretudo no início em que nos sentimos mais inseguras, surge com frequência e sussurra-nos frases inquietantes ao ouvido. Nesse momento, agarra-a pelos cabelos, olha-a nos olhos e trata-a pelo nome – responsabilidade. Tu, tal como o pai, são responsáveis por aquele bebé (sim, este filme tem dois actores principais). A vossa principal responsabilidade consiste em darem o vosso melhor, o que é totalmente diferente de acertarem em tudo à primeira. Sim, tenho responsabilidade, tal como o pai (repito propositadamente), sobre vários comportamentos da nossa filha; já existiram birras que podia ter evitado, fases em que o sono era menos bom por comportamentos que eu mantinha, dias em que comeu menos bem por eu não ter compreendido o que ela queria. No meio de tudo isto existe a interferência das características da nossa filha – ela tem um temperamento próprio, tem preferências, já vai fazendo escolhas (sim, ela tem vontade própria). Além disso, existem os factores externos, que não são responsabilidade de ninguém, mas influenciam o modo como as situações se desenrolam (como por exemplo a nossa filha não ter feito a sesta por nesse dia existir um bailarico junto à nossa casa).

Por último, e mais importante, reparem que a responsabilidade também é vossa quando o vosso filho salta, corre, brinca, ri, sorri, é feliz. Esta responsabilidade não vos é apontada com a mesma frequência, o número de pessoas que vos diz “fazes esta criança tão feliz” é menor. Não obstante, acreditem que em cada salto, em cada correria pela casa, em cada brincadeira, em cada sorriso e em cada gargalhada essa responsabilidade está presente; um dia os vossos filhos irão traduzi-la em gestos e palavras de amor.

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A profissão do meu marido obriga-o a algumas ausências, às vezes em Portugal, outras no estrangeiro, às vezes só um dia ou dois, outras vezes quinze dias. Ainda não recuperei da viagem que fez este ano à Índia e em que eu fiquei a enlouquecer quinze dias com os miúdos.

Podia falar-vos do amor, do meu coração adolescente que fica sempre amarfanhado de saudades, das camadas de nervos que apanho enquanto ele está a voar, da falta que me fez ter um adulto em casa para conversar e adormecer comigo no sofá, mas vou antes falar-vos de quanto me é difícil estar sozinha com os miúdos e o que faço para tentar sobreviver às ausências.

Nós não temos aquelas ajudas tão preciosas dos avós ou dos tios por perto, que podem dar apoio ao final do dia ou numa emergência irem buscar os miúdos à escola. Quando estou sozinha com os miúdos significa que estou sozinha com os miúdos. E não é nada fácil.

(Um parêntesis para dizer que todas as mães solteiras, divorciadas, com maridos que trabalham no estrangeiro ou que por outro motivo qualquer navegam o barco sozinhas, são as minhas heroínas!)

Não é fácil não só pelas nossas rotinas, o meu marido faz o pequeno-almoço, lava-lhes a cara e os dentes, penteia o cabelo da mais velha, desce as escadas do terceiro andar com os dois ao colo, leva-me aos barcos e depois os miúdos à escola, vai às compras, vai buscar os miúdos à escola, vai buscar-me aos barcos e faz o jantar todos os dias, (sim, o meu marido é maravilhoso!), mas também porque os miúdos ficam doidos de saudades, fazem muito mais birras, estão muito mais impacientes e eu também confesso e é preciso uma calma que eu às vezes não tenho, para gerir as minhas emoções, as deles e ainda evitar que o barco vá ao fundo.

O que é que eu faço para sobreviver às ausências do pai?

  • Penso em todas as refeições que vamos fazer, para comprar o que for preciso com antecedência e evitar idas ao supermercado com os miúdos
  • cozinho coisas simples para conseguir que jantem sempre cedo, para, claro, irem dormir cedo
  • a roupa deles é sempre preparada no dia anterior, desde as cuecas ao gancho que a mais velha vai meter no cabelo
  • não dou banhos desnecessários, se é sexta-feira só tomam banho no sábado, se não tiveram ginástica, passamos o banho para o dia a seguir, está frio e os miúdos são se sujam tanto como isso
  • adormeço os dois ao mesmo tempo na minha cama
  • de manhã peço ajuda à mais velha o que a faz sentir crescida
  • aos fins-de-semana tento esquecer que tenho a casa para arrumar, faço o indispensável e esforço-me para os entreter, vale tudo, filmes, aguarelas, plasticina ou bolas de sabão, se não estiver a chover, é obrigatório pegar neles e sair umas horas para gastarem energia e pararem de gritar um com o outro.

E agora o mais importante, tenho sempre vinho em casa, chocolate e pizzas congeladas. Depois de os deitar, sempre o mais cedo possível, despejo um pouco de vinho num copo (que isto não se pode abusar quando estamos sozinhas), meto uma pizza no forno e, com a televisão no silêncio, sento-me no sofá no meu momento zen à espera que a pizza faça. Depois de jantar, é a loucura total, procuro nas gravações automáticas uma série daquelas de que toda a gente fala e que eu nunca vi, deito-me no sofá cheia de boas intenções e adormeço no segundo a seguir.

E é isto, até que o meu marido regresse a casa, o lugar onde estamos completos e onde me faz o jantar todos os dias.

imagem@jbaobao

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Calma, calma! Não se virem já assim de repente contra mim… O Não tenham filhos tem um contexto e têm de ler até ao fim!

O que digo tem um motivo:
Ser mãe é espectacular… é fantástico todos os dias, é sentirmo-nos especiais e ter connosco um ser especial que foi gerado por nós! É um sentimento incontrolável… Mesmo que um dia os nossos filhos venham a ser tudo o que nunca imaginámos é impossível deixar de gostar deles como só uma mãe gosta!

Sim, só uma mãe!

Não há qualquer tipo de sentimento que se possa ter igual ao amor de mãe! Não há e pronto!
Porque é que eu recomendo que não tenham filhos?! Porque parte-nos o coração… Este sentimento incontrolável, esta sensação de pertença, este apegar tão forte, dá cabo de nós!

Mesmo… Senão vejam só:

  • Vacinas
    Começam cedo e custa imenso! Sabemos que estamos a fazer o melhor para eles, mas que lhes dói e que eles vão chorar e vão ficar super tristes com o que lhes estão a fazer. Ainda assim nós mães, temos que os levar às vacinas, e segurar neles e assistir aquela picada implacável…
  • O choro deles dói
    Das piores dores que se pode ter… Não há dor de parto comparável… o que dói mesmo é ouvi-los chorar, saber que não estão bem e não saber o que fazer… São facas espetadas no coração…
  • 1º Dia de Escola/Cresce
    Mais tarde ou mais cedo vai acontecer… O 1º dia de escola… O verdadeiro corte do cordão umbilical… Aquele primeiro dia em que não estamos com eles o dia todo para dar miminhos… Aquele dia em que os confiamos a estranhos e pairamos o dia todo a pensar se estarão bem, ou a chorar, ou coisa assim…
  • Eles vão ficar doentes
    Mais uma vez, é tudo uma questão de tempo… Vai acontecer… Eles vão ficar doentes e nós vamos desesperar por não conseguir transferir os seus males para nós! Sim, qualquer mãe tomaria o lugar do seu filho… Qualquer mãe lutava contra as piores doenças do mundo se isso garantisse que o seu filho nunca teria uma mínima febre…
  • Eles vão achar-nos chatas!
    Todos passam por esta fase… Nós mães temos esta cruz. Vamos ser as mães chatas que ditam a hora de ir para a cama, que obrigam a vestir o casaco, que se zangam para eles comerem, que decidem que já chega de brincar… Sempre a pensar no bem deles, cabe-nos este papel chato e eles vão ficar chateados connosco. E só de pensar que eles ficam chateados ou tristes connosco…
  • Eles vão cair
    Cair milhões de vezes de todas as formas e feitios… Desde as primeiras quedas que acompanham os primeiros passos, passando pelas quedas mais fortes nas macacas, até às “quedas” de crescidos quando não conseguem atingir um objectivo… Eles vão cair e vão precisar do nosso colinho e beijinhos mágicos para passar a dor… Mas vê-los cair é mais uma vez doloroso…
  • Eles vão voar: Sim voar!
    Quando olhamos para estes seres pequeninos e doces a quem demos a vida, nem nos lembramos que são pequenas pessoas que um dia seguirão o percurso normal da vida… Aquele que nós fizemos… Vão crescer, viajar, sair de casa e constituir a família deles… Vão deixar o ninho! E se custa o primeiro dia de creche em que estamos umas horas sem eles, chegará o dia em que estaremos dias a fio sem eles… É o decorrer natural da vida!
    Eles vão voar e deixar de ser nossos…

Ser mãe é uma dádiva e eu não a trocaria por nada, mas a verdade é que ser mãe parte-nos o coração aos pedaços milhares de vezes… Isto porque a entrega é total!
Ele não é MEU filho… Eu é que sou SUA mãe!
Toda e completamente SUA! Para sempre.

Estou sim, bom dia, daqui fala a mãe, em que posso ajudar?

Os filhos são muito parecidos com os clientes. Pensam que têm sempre razão e, quando os argumentos falham, fazem birras. Em desespero, usei com os meus filhos as técnicas de atendimento ao cliente que aprendi em tempos ao trabalhar num call-center. Continuou sem resultar, mas eu diverti-me. Deixo-vos alguns exemplos:

Autoridade

  • Lamentamos que as regras de adesão ao serviço Os Pais É Que Mandam não lhe tenham sido devidamente explicadas, mas podemos garantir que os benefícios associados ser-lhe-ão úteis a longo prazo.
  • Compreendemos o seu desagrado, mas o contrato que mantém com a empresa Pai & Mãe, Lda. tem a vigência mínima de 18 anos, durante os quais as condições do mesmo poderão ser alteradas sem aviso prévio. Caso pretenda, poderá encaminhar o seu pedido de esclarecimentos para o endereço de e-mail: naoqueremossaber@quemmandaaquisomosnos.pt.

Refeições

  • O que me está a indicar é que não vai comer os brócolos até que eu a obrigue, entendi bem?
  • Peço-lhe que não fale com a boca cheia, não consigo entender o que me está a indicar.

Hora do Banho

  • Infelizmente a campanha “Não tomar banho” encontra-se descontinuada, no entanto temos em vigor a campanha de última hora “Vai tomar banho já antes que eu te arraste por um braço”.
  • Compreendemos a sua insatisfação por ter de deixar de ver televisão para ir tomar banho, mas o nosso serviço não disponibiliza o jantar enquanto o banho não for tomado.

Dormir

  • Neste momento são 21 horas e não é possível aderir ao pacote “Não dormir e dar cabo da cabeça aos meus pais”. Pode, no entanto, escolher a opção “Adormecer com o pai em 5 minutos” ou, em alternativa, “Adormecer com a mãe em 3 horas e 15 minutos”.
  • Lamento informar que já esgotou o plafond de histórias, a partir deste momento as luzes serão apagadas e agradeço que durma uma noite descansada.

Birras

  • A Senhora M. é uma cliente muito importante da nossa empresa e temos como objetivo manter a sua satisfação. Garantimos que faremos o que estiver ao nosso alcance para ultrapassar os constrangimentos relacionados com o processo negocial em curso.
  • Compreendo que esteja insatisfeito, mas os seus gritos impedem-me de perceber a totalidade dos seus argumentos.

Vestir

  • Peço-lhe que aguarde um momento, voltaremos a esta discussão sobre que sandálias vai levar para a escola dentro de 5 minutos.
  • Agradecemos desde já que tenha sujado pela terceira vez a camisola que tinha vestida, nada nos deixa mais satisfeitos que ter de lhe mudar a roupa quando estamos com pressa para sair de casa.

Os porquês

  • Trabalhamos constantemente para dar resposta aos seus porquês e procuramos melhorar os tempos de espera. Contamos desenvolver a capacidade de resposta a trinta porquês por minuto dentro de duas a três semanas.
  • Terei de encaminhar a sua questão para o departamento técnico e dar-lhe-ei uma resposta ao seu porquê o mais breve possível.

 Doenças

  • Eu também preferia não ter de aspirar os macacos do seu nariz, mas se o deixar ir para a escola com o nariz cheio de ranho corro o risco de chamarem a Segurança Social.
  • Agradecemos o seu empenho em vomitar na sanita e não no chão, para mostrar o nosso apreço, vamos oferecer-lhe uma Barbie. Esteja atenta à caixa do correio.

 Irmãos

  • Solicitamos que não puxe os cabelos do seu irmão, as penalidades por incumprimento desta cláusula incluem não ver televisão durante dois dias.
  • O período de garantia do boneco da sua irmã já foi ultrapassado, se lhe arrancar a cabeça o mesmo não será substituído.

As possibilidades são infinitas, tal como as birras. Os resultados, esses, são quase sempre os mesmos: uma enorme dor de cabeça.