Respira fundo, tu consegues.

Eu sei que o teu filho está a gritar no meio do supermercado, mesmo depois de ter lanchado, dormido e brincado. Estás no lugar daquela mãe que sempre juraste que nunca virias a ser e, para piorar, sentes que fizeste tudo bem.

Ou que se mandou para o chão no jardim a meio de uma brincadeira.

Ou que entrou no quarto, viu alguma coisa de que não gostou e começou a chorar copiosamente.

Eu sei que estás a falar com calma, até estares a falar com menos calma do que gostarias.

Eu sei que o teu filho não está a ouvir-te, apesar do esforço monumental que estás a fazer.

Que estás a olhá-lo nos olhos e à espera que isso seja suficiente para o lembrar que estás ali, com toda a paciência do mundo, mesmo ele não estando a demonstrar uma grande solidariedade para contigo.

Eu sei que te apetece virar costas e fingir que não é nada contigo.

Que parece que mais vale dizer “desisto” e deixar que ele se canse.

Que já te baixaste para falar ao mesmo nível que ele, que não levantaste a voz nem a mão e, mesmo assim, não parece ter resultado.

Eu sei que perdeste a paciência e acabaste por o puxar por um braço para o canto para, pelo menos, as pessoas deixarem de olhar para ti como quem sabe tudo, como quem resolveria aquilo num ápice.

Eu sei que sentes culpa por não conseguir sempre dar a volta à situação.

Que gostavas que a tua voz tivesse um efeito calmante imediato.

Que o teu filho fosse tão teu amigo nessas situações como tentas ser amiga dele.

Sei que gostavas que o caminho não tivesse sobressaltos. Ou pelo menos que os sobressaltos não te deixassem com a cabeça à roda, a dizer o que não querias, a sentir-te menos do que deverias.

Sei disso tudo e sei que tentas.

Que dás o teu melhor.

Que às vezes achas que não és capaz.

Que choras sozinha no duche ou ao adormecer.

Que partilhas o que sentes, mas desvalorizas e brincas com a situação para não te doer mais no peito.

Que juras que para a próxima vez já tens a solução mágica, já sabes o que vais fazer e dizer.

O que tu não sabes é que não és a única.

Todas as mães sofrem destes sintomas, por este ou por aquele motivo.

Não há filhos perfeitos e mesmo os mais bem comportados, os melhores alunos, os mais espertos, levantam desafios inimagináveis.

Sei que às vezes queres fechar os olhos por mais de dez segundos e fazer o ruído desaparecer… Mas não te esqueças que à tua frente está uma criança a aprender como se deve agir enquanto adulto. E tu és o seu adulto de referência.

Por isso, respira fundo. Tu consegues.

Afasta o mau humor, o mau feitio (teu ou dele), as energias negativas e tenta.

Não deixes de tentar porque nisto da maternidade às vezes é o teu filho que aprende contigo, noutras és tu que aprendes com ele.

E serão mais os dias em que adormeces a lembrar-te de como cantou aquela música pela primeira vez sem ajuda. Em que no supermercado te ajudou a escolher os legumes. Em que no duche reparou que te tinhas esquecido dos chinelos e tos levou até à banheira.

Se precisares, tira nota: os dias maus existem para que possas dar (sempre) mais valor aos bons.

Elogia em público, corrige em casa

Enaltece em público as virtudes dos teus filhos, elogia-os quando merecem, mas corrige-os num ambiente privado, sem humilhar. Os gritos e reprimendas em voz alta e as comparações recorrentes com outras crianças destroem a autoestima de uma criança.

O tema sobre como corrigir as nossas crianças quando estamos em público é um assunto complexo e delicado. Existem mães e pais que, simplesmente, não hesitam em criar uma cena à base de gritos e críticas, sem pensar nas consequências que isso pode ter. Um mau comportamento, um disparate ou uma resposta parva, por vezes desencadeia um drama difícil de esquecer.

Além disso, também existe outro tipo de situação realmente particular. Vejamos um exemplo: vamos com nosso filho para o shopping e, por qualquer razão, o seu comportamento não é o ideal. No mesmo instante, surgem os olhares reprovadores à nossa volta, como aves observadoras à espera do castigo. À espera da disciplina férrea como se, com uma palavra tudo ficasse resolvido.

Se não atribuímos o castigo que os outros lhe acham devido, somos rotulados como “mau pai” ou “má mãe”, porque a nossa criança portou-se mal e nós não agimos em conformidadeEssa pressão social, em algumas ocasiões, não pesa os complexos labirintos que envolvem criar um filho, ou inclusive as particularidades de cada criança. É preciso disciplinar, sem dúvida, e devemos corrigir, mas é preciso fazê-lo bem. Disciplinar é um trabalho continuo que deve começar em casa. Perante situações pontuais devemos resolver a birra ou atitude sem humilhar, e em privado voltar a falar sobre o que se passou, de forma a corrigir e evitar nova situação idêntica.

É imprescindível educar com inteligência, com carinho, intuição e com o suficiente acerto para não ferir, nem para intensificar ainda mais as emoções negativas.

Em qualquer relação pessoal a pessoa que usualmente corrige ou chama a atenção em público com um tom acusatório, depreciativo e irónico, está a ferir emocionalmente o outro, e com os filhos acontece exactamente o mesmo.  Um patrão que recrimine o empregado à frente dos colegas nunca será um bom líder.

E imprescindível fazer uso da Inteligência Emocional. Um ralhete à frente de terceiros abala a nossa autoestima e é, acima de tudo, uma humilhação pública premeditada e sem anestesia. Se cada um de nós tivesse a sensibilidade adequada e empatia, compreenderíamos que existem fronteiras privadas que não devemos cruzar.

Na educação o assunto é ainda mais doloroso. Alguns professores, por exemplo, têm o péssimo hábito de corrigir os erros dos alunos à frente da turma e num tom depreciativo: “de certeza que nunca irás passar na minha disciplina”. Por outro lado, muitas mães e muitos pais tendem a tecer os seus filhos através dessas agulhas afiadas com o fio da má pedagogia.

Um erro comum é comparar o comportamento de um filho com o do irmão ou de outra criança qualquer :“o teu irmão traz sempre boas notas”, “és sempre o mais mal comportado da turma”.

  • Mesmo assim, comentar com terceiros aspectos pessoais ou comportamentais dos filhos, à frente do próprio filho como se ele estivesse ausente, é um costume comum que afeta diretamente a autoestima das crianças. É preciso levar isso em consideração.
  • Corrigir aos gritos focando exclusivamente o erro cometido, mas sem educar e sem orientar ou apresentar uma solução para corrigir, é uma estratégia pouco pedagógica que é obrigatório evitar.

Corrige, orienta, disciplina, impõe limites, mas sempre com calma e paciência, em particular e sem atacar e ferir.

Isso quer dizer que devemos ser “passivos” quando nossos filhos se portam mal em público? Claro.

A típica “palmada na hora certa” que alguns defendem para travar a conduta intempestiva de uma criança, é na verdade o caminho mais rápido para intensificar a raiva e/ou as emoções negativas. Bater não educa, fere e deixa marcas internas, tal como os gritos ou as reprovações do tipo “não tens remédio” ou “não sei o que é que hei-de fazer contigo”.

Para aplicar a disciplina em público, se a ocasião nos obriga a isso, temos de ter em conta os resultados a longo prazo na criança.

Segundo um estudo feito pelo “Family Research Laboratory” da Universidade de Hampshire, repreender os filhos em público deixa sequelas para toda a vida. Intensificam-se tanto as emoções negativas que essas crianças terão no dia-a-dia tendência para apresentar um conduta
desafiadora. Pois bem, vale a pena ter em mente os seguintes conselhos:

  • Deixa de lado as opiniões alheias.
    Não te sintas pressionado/a por quem te rodeia no momento, que estejas no supermercado, no médico ou na rua: não são eles a quem deves demonstrar que és um bom pai, uma boa mãe, mas sim ao teu filho.
  • Não te deixas levar pela frustração.
    Usa a tua Inteligência Emocional e tenta compreender o que se passa com o teu filho/a e o porquê dessa conduta.
  • Em vez de dares uma ordem com um grito, oferece opções que façam com que a criança reflicta

Lembra-te que as crianças são feitas de um material muito delicado. Por vezes vivem num mundo emocional caótico e explosivo: no entanto, a nossa tarefa é descomplicar, aliviar, oferecer estratégias de controle e autoconhecimento para que cresçam felizes

Sê paciente e compreende as emoções dos teus filhos. Aquilo que te ofende, também ofenderá o teu filho. Lembra-te que é sempre melhor elogiar em público e corrigir em particular, mas sem ofender ou ferir.

 

Por Valeria Amado, adaptado por UpTo Kids®, original em A mente é maravilhosa

Eu detestava erros. Sentia-me mal quando os cometia, desde a nódoa na camisola quando estava quase a sair de casa, à resposta lá se foi o queijinho no Trivial Pursuit. Quando eles aconteciam e, os erros acontecem todos os dias, parte de mim sentia que falhava e que não correspondia às expectativas que alguém, inclusive eu, tinham de mim. Foi por isso que decidi investigar melhor porque me sentia assim e, deliberadamente decidi inscrever-me em certas coisas em que certamente iria ser a pior da turma. Dança do ventre, lá vou eu! Tudo para a esquerda e eu a abanar-me para a direita. Gira, gira, gira… onde é que foram todos?? Quanto mais me enganava, mais me ria. Quanto mais me ria, mais me libertava. Quanto mais errava, mais perdia o medo de errar. Quando perdia o medo, mais arriscava e mais aprendia sobre mim e sobre a tarefa em questão.

O Eduardo Briceño escreveu um artigo muito interessante sobre os erros. Um dos meus erros favoritos são os erros que nos esticam. Estes erros surgem quando estamos a tentar expandir as nossas atuais habilidades sem ajuda e esticamos para atingir outro patamar, como o nível seguinte de um jogo de computador. Os erros acontecem naturalmente porque estamos em terreno novo em que nos desafiamos e aprendemos novas habilidades e capacidades.

96% das vezes em que o pequeno catita comia a sopa fazia uma obra do Jackson Pollock no babete. Um dia disse “Mamã, já não preciso do babete.”TCHAM TCHAM senhoras e senhores vem lá um erro que estica! Tirei-lhe o babete, ele comeu a sopa e quando acabou fomos ver ao espelho: apenas uma pequena pinta na camisola. Reparei que durante o processo estava com muito mais atenção à colher, ia avaliando até onde a podia encher para a sopa não cair e, em geral muito mais focado no seu desafio. De dia para dia foi melhorando a técnica e diminuindo as nódoas. Acho até que ele cresceu uns 5 cm só a comer sopa!

Estes erros são mesmo muito positivos e devem ser estimulados nos nossos pequenos catitas. São eles que devem definir a sua zona de desenvolvimento proximal, ou seja, a zona ligeiramente além do que já conseguem fazer sem ajuda e que representa o nível ideal do desafio de aprendizagem.

Outros erros igualmente importantes no processo de aprendizagem são os erros AHA- acabei de descobrir porque isto correu mal. Surgem quando perante determinada situação cometemos um erro por falta de conhecimento ou informação e, no momento em que acontecem percebemos imediatamente o que está de errado ali. Por exemplo, atirar-me para cima de um skate e perceber AHA não sei travar. Uma boa forma de aprender com eles é fazer a pergunta “O que posso fazer de diferente na próxima vez?”

Depois temos os erros trapalhões. Estes surgem quando estamos a fazer algo que já dominamos mas estamos completamente distraídos. Acontecem porque somos humanos mas se forem muito repetitivos pode ser uma pista para aumentarmos a nossa capacidade de foco e atenção.

Aprender com os erros e desafios estica-nos e faz-nos aprender muito sobre nós. Esta aprendizagem não é automática, só aprendemos com os erros se refletirmos sobre eles e não os encararmos como inimigos ou focos de vergonha. Ensinar o teu filho a errar é maravilhoso para ele e para ti. Vai ajudá-lo a ir mais longe na sua viagem, a encarar a vida com curiosidade em vez de medo e, a ser mais tolerante consigo e com os outros. Vai desenvolver a criatividade, a resiliência e a autoestima. Vai ensinar-lhe que ele pode crescer todos os dias mais uns bons cms enquanto erra, tropeça e ri.

Errar, afinal, não é assim tão errado.

Hábitos dos pais positivos

Felizmente, é cada vez maior o número de pais que procuram soluções mais positivas para a educação dos seus filhos. Felizmente cada vez mais são os pais que procuram soluções mais naturais, conscientes, pacificas  – enfim, mais humanitárias – quando se trata de lidar com os seus filhos. Pais que procuram ser mais justos, mais motivadores.

Pais que querem deixar um legado positivo na vida dos seus filhos.

Numa sociedade que não olha para as crianças como iguais, ainda há um longo percurso a fazer. Um percurso diário, um trabalho interior intenso de gestão emocional. E isso não se aprende na escola. Não seria maravilhoso Gestão de Emoções ser uma disciplina de base desde o ensino pré-escolar? E uma cadeira obrigatória em todas as Universidades? Que pais tão diferentes seríamos.

A infância é a base de tudo na nossa vida. Se optarmos por educar os nossos filhos através de estímulos negativos, essa é a forma como o seu cérebro se vai desenvolver. A forma como nos expressamos, como nos dirigimos aos nossos filhos, o que lhes dizemos, torna-se não apenas o seu diálogo interior, mas a forma como se vêm a si próprios, os outros e o mundo. Colheremos – e eles mais do que nós – aquilo que semearmos. Se optarmos por ajuda-los a crescer de forma positiva, motivando-os e encorajando-os, tornar-se-ão jovens e adultos com uma estrutura emocional forte, levando consigo esse legado ao longo da sua jornada.

Para sermos pais positivos, precisamos de acreditar nos nossos filhos e trata-los como iguais. Escutá-los e deixá-los ter uma voz nas decisões grandes e pequenas, assuntos grandes e pequenos. Desde que as crianças são muito, muito pequenas. Observar mais do que intervir, guiar mais do que mandar.

Para sermos pais positivos, precisamos de compreender que cada criança é um individuo independente de nós. Cada um com a sua personalidade e a sua forma de contribuir positivamente para o ambiente. Não comparar o que não é comparável. Somos todos únicos. Para sermos pais positivos precisamos de aprender a ensinar através do exemplo, olhando para os nossos filhos como parte da equipa.

Para sermos pais positivos, precisamos redefinir o conceito de amizade, estando lá nós mesmos – prontos para ajudar, escutar sem julgar – nos momentos mais difíceis. Desde a primeira infância. Para sermos pais positivos precisamos aceitar os nossos filhos por aquilo que são- não tentando moldá-los ou mudá-los para como gostaríamos que fossem. Para sermos pais positivos, precisamos de usar o diálogo como catalisador para ampliar emoções e a inteligência dos nossos filhos. Para sermos pais positivos, precisamos de redefinir as nossas prioridades, de compreender que  as crianças precisam de mais do nosso tempo, mais da nossa tolerância, mais do nosso respeito, mais da nossa calma, menos da nossa aprovação. Os nossos filhos precisam de nós, como pilares, como guias, como seus parceiros na aventura da vida. As crianças precisam de nós como seus melhores amigos e apoiantes incondicionais.

Para sermos pais positivos, precisamos de curar os nossos corações, libertar nossas almas e desobstruir o nosso espírito das nossas próprias dores. Precisamos de resolver os nossos próprios problemas, medos, ansiedades e frustrações, a fim de proporcionar às crianças o valor de calma, respeito, compreensão e segurança que eles merecem e precisam.

Para sermos pais positivos, precisamos de deixar de tomar os nossos filhos como garantidos. Eles são as pessoas por conta própria. Com desejos, paixões e necessidades. Não importa a idade da criança, todas as crianças têm coisas para ensinar-nos.

Para sermos pais positivos, precisamos de aprender a escutar todas as perguntas que os nossos filhos nos fazem. Todas as perguntas são válidas. E são muito válidas para quem as faz. E todos as crianças têm direito – tal como nós – a questionar. A nunca deixar de questionar. Somos pais mais ricos quando permitimos que os nossos corações e as nossas vidas sejam tocadas e enriquecidas pela sabedoria das crianças.

Para sermos mais positivos, precisamos de aprender a pedir desculpa. Pedir desculpa é um dos actos de ouro da parentalidade positiva. Pedir desculpa é um dos atributos mais significativos dos pais positivos. Sermos corajosos o suficiente para reconhecer as nossas próprias falhas e aceitar que também cometemos erros. Os pais ricos são gratos pelos seus filhos.

Sermos grato é um dos maiores segredos dos pais positivos. Sermos gratos pelos nossos filhos estarem na nossa vida. Quando estamos gratos, afastamo-nos de todos os sentimentos de controlo. Quando praticamos a gratidão abrimo-nos à nossa voz interior, a voz que nos conecta com nosso eu, onde os nossos pensamentos são invadidos pelo nosso propósito enquanto pais, entregando os nossos corações e oferecendo a nossa vidas para o propósito de servir.

Para sermos pais positivos nunca podemos desistir dos nossos filhos, especialmente nos momentos mais difíceis. Mesmo que nos sintamos desiludidos. Precisamos de acreditar no potencial infinito da espécie humana. Nunca podemos desistir dos nossos filhos. Independentemente dos problemas, das condições, dos desafios. E nunca podemos desistir de nós mesmos enquanto pais. Apesar dos problemas, as situações. Apesar dos desafios. Todo o sucesso depende da persistência, da flexibilidade, da abertura para aprender.

E também de sabermos que se semearmos amor, harmonia e felicidade no coração dos nossos filhos, a semente brotará amor, harmonia e em felicidade.

Por não conseguirmos vê-la, não significa que não esteja lá.

 

Desafio: 31 dias/31 atividades rápidas para fazer com os filhos

Ser mãe não é fácil.
Agora que regressamos às rotinas do ano letivo, percebemos que afinal aquele “tempo todo” que estivemos com os nossos filhos nas férias não foi suficiente.
Os dias passam num estalar de dedos e com a rotina instalou-se o Stress. Os TPCs, as lancheiras, os cestos, os casacos que se perdem diariamente na escola, os perdidos e achados que só “acham” coisas dos outros. Os horários, o sono logo de manhã, os miúdos que calçam três vezes a mesma meia com o calcanhar para a frente, os sapatos que já estão apertados, o material escolar que ainda falta mas já tínhamos mandado para a escola. A correria ao longo do dia para conseguir ir buscar as crianças cedo e o tempo que teima em voar. No fim de semana, as festas de anos. Quando nos apercebemos já entramos naquele ritmo frenético de cumprir tarefas, obrigações, horários e afins. E nisto onde fica o nosso tempo entre pais e filhos? E a nossa cumplicidade, os nossos pequenos momentos que são tão importantes para eles como para nós?

Vamos lançar um desafio: 31 dias/31 atividades rápidas para fazer com os filhos

Não precisa de ser por esta ordem, mas no fim (ou a meio) conte-nos o resultado!
E divirtam-se.

  1. Inventar um aperto de mão secreto
  2. Respirar fundo em conjunto e contar até 5
  3. Fazer uma corrida em câmara lenta até à porta de casa
  4. Dar um ou vários abraços
  5. Fazer vozes engraçadas
  6. Partilhar uma guloseima às escondidas do mundo
  7. Inventar um assobio só vosso
  8. Contar histórias engraçadas de quando eram mais pequenos
  9. Ver fotografias das férias no telemóvel
  10. Cantar e dançar no carro com direito a playback e coreografia
  11. Contar uma ou mais piadas “O que é que o tubarão diz à mulher?” – “TU BARALHAS-ME!” 
  12. Criar um código de símbolos e deixar mensagens encriptadas pela casa
  13. Sentar-se em cima dos filhos no sofá (sem fazer peso) e dizer “A mãe quer colo“! – Surpreenda-se com a reação deles.
  14. Dar beijinhos à esquimó
  15. Fazer um pacto com os dedos mindinhos
  16. Fazer sombras chinesas com as mãos
  17. Tirar uma selfie (ou uma dúzia delas)
  18. Fazer um “Pote da Calma
  19. Jogar ao “Rei manda”
  20. Começar uma luta de cócegas
  21. Olhar nos olhos e acenar com a cabeça quando falam contigo, até se desmancharem a rir
  22. Fazer um concurso para ver quem abre mais as narinas! Perde quem rir primeiro!
  23. Ensinar a falar a “língua dos Pês”
  24. Jogar ao sério
  25. Coçar-lhes as costas
  26. Fazer uma luta de polegares
  27. Fazer uma bebida especial para a refeição
  28. Fazer um concurso de caretas
  29. Contar um segredo teu
  30. Partilharem o melhor e o pior do seu dia à hora do jantar
  31. Dizer que os ADORAS até ao infinito e mais além. Muito mais além!

No fim do mês tente perceber o que lhes ficou na memória e verá que grande parte destes pequenos momentos estarão entre os Top 10 deles, e que coisas como o aperto de mão secreto ou o assobio só vosso, possivelmente, nunca serão esquecidos!

 


10. Cantar e dançar no carro com direito a playback e coreografia

Imagem@youtube | Teigan and mom singing open doors

Não há crianças desafiadoras

Tem filhos que o contrapõem?

Que estão sempre a discordar consigo? Crianças que contrapõem o que lhe diz? Crianças persistentes, determinadas, que gostam de levar a sua sempre avante? Crianças que parecem ficar coladas ao chão quando lhe mandam fazer uma coisa? Que não fazem o que lhes diz nos momentos em que lhes diz?

Então parabéns. Tem consigo pessoas saudáveis, extremamente inteligentes, com grandes capacidades de liderança, com opiniões fortes, determinadas, fortes de caracter, persistentes, que – se bem direccionados – terão muito para dar ao mundo.

No entanto, estas ainda são características que fazem pais, educadores e outros especialistas catalogarem as crianças de desafiadoras. Elas respondem, manifestam-se através de expressões faciais, corporais e vocais o seu descontentamento sobre opiniões nossas ou sobre a forma como nos exprimimos. Elas revoltam-se, dizem não, perguntam porquê a toda a hora  e debatem tudo aquilo que lhes dizemos.

Estas são crianças que precisam de perceber a logica de TODAS as coisas, que – se os encorajarmos e lhes dermos asas – compreenderemos que pensam pela sua própria cabeça desde muito cedo, e, se lhes dermos abertura, demonstrarão os seus talentos a conhecer e explorá-los-ão.  Podem ser pessoas pequenas, no entanto, se as observarmos atentamente, elas ensinam-nos TUDO sobre como se devemos agir e interagir com os outros, especialmente com aqueles que pensam e agem de forma diferente da nossa.

São crianças que precisam de muita conexão, compreensão, respeito e aceitação.

Nem sempre conseguem manifestar da forma mais harmoniosa a sua opinião e precisam que lhes ensinemos calmamente e com muita calma. Não são crianças que precisam de ser quebradas. São crianças que, tal como todos nós, precisam de ter – e de sentir –  liberdade para se manifestar. São crianças com convicções, ideias e visões fortes que precisam de ser amparadas de forma gentil, tendo o respeito e a compreensão como linhas mestras ao longo de todo o seu percurso.

Muitas destas crianças, são crianças altamente criativas, enérgicas, com ideais, convicções e gostos muito definidos. Se parar para observar, com certeza vai questionar-se se serão desafiadores ou se estarão a tentar ser ouvidos, escutados, valorizados.

Podemos escolher acolher os nossos filhos tal como são, e deixá-los guiar o caminho, ajustando à sua forma de ser  ou podemos escolher quebrar o seu espírito, travá-los, reduzindo-os a etiquetas ou a categorias redutoras.

Não há crianças desafiadoras.

Tal como tantos outros, esse é um mito criado por uma sociedade de adultos que não compreende o universo infantil na sua essência, uma sociedade feita de adultos para adultos, em que a sede do poder e de ter razão se sobrepõe à partilha do amor, da paz.

Uma sociedade que educa para o TER e não para o SER, que precisa de catalogar para hierarquizar, que avalia a qualidade de um ser humano pelos seus erros em vez de glorificar os seus talentos e o seu valor inato, reduzindo as mais belas características do ser, em vez de elevá-las glorificar e valorizar aquilo que cada um tem de melhor.

Podemos tentar que os nossos filhos sejam aquilo que não são. Ou que sejam aquilo que queremos que sejam. Mas isso é uma ilusão. Os nossos filhos serão aquilo que tiverem de ser. Deixarão a marca no mundo que nasceram para deixar. E é desde a infância que muito deste propósito de cada um de nós se manifesta.

Podemos fazer diferente ou podemos escolher fazer o que os outros fazem, mesmo quando o nosso coração não concorda.

Podemos conduzir os nossos filhos numa direcção oposta àquela que trazem para dar a si próprios e de si próprios, a nós, ao mundo. A escolha é nossa. Podemos catalogá-los ou tentar entendê-los. Escutá-los. Ensiná-los formas gentis de discordar connosco. Porque têm esse direito. Como pais não somos seres omnipotentes. Por mais que muitas vezes achemos que somos. Porque fomos educados assim. Porque os outros nos dizem que é assim.

Não há crianças desafiadoras. Este é um dos grandes mitos acerca das crianças que tem vindo a prejudicar seriamente a forma como ainda educamos os nossos filhos.

Não há crianças desafiadoras.

Se discordarmos vivamente com a opinião de alguém, seremos desafiadores nós próprios? Ou estaremos apenas a querer manifestar a nossa opinião discordante? Imaginemos que alguém nos diz alguma coisa com a qual não concordamos de maneira nenhuma. Uma coisa que nos choca, magoa ou mexe com as nossas convicções. Seremos desafiadores se respondermos? Sabemos sempre responder da forma mais correcta?

Como pais, na maioria das vezes em auto piloto, não conseguimos olhar para o Grande Cenário das coisas. Da vida. Se olharmos para os nossos filhos com outros olhos, é muito interessante –é uma bênção! – viver com crianças com convicções fortes. Por vezes é um desafio. Mas isso não faz delas crianças desafiadoras. Talvez nos revejamos também um pouco nelas quando assim se manifestam e seja para nós difícil gerir as nossas próprias emoções. Será mais isso? Ou será porque aprendemos que os adultos têm voz superior à das crianças?

Por que razão achamos que uma criança com estas características é desafiadora?

Será porque realmente o sentimos ou porque há estímulos exteriores a dizer que é assim? Seremos desafiadores por gostarmos das coisas de uma certa maneira e não de outra? O que nos leva a achar que alguém é desafiador porque questiona ou discorda?

Porque será que de cada vez que uma criança responde ao adulto, expressando uma opinião forte discordante da nossa, aprontamo-nos a afirmar e a cataloga-la como desafiante? Crianças impacientes, que debatem ou se recusam a obedecer são pessoas que precisam de autonomia e espaço de manobra para se manifestarem.

Precisam de amor, compreensão e que os guiemos de forma gentil. Se assim o fizermos, tornar-se-ão adolescentes e adultos saudáveis, responsáveis e com um sentido de justiça fortíssimo.

Crianças com estas características estão nas nossas vidas para nos ensinar a agir de outra forma, a pensar de outra forma. São crianças que vêm instaurar um novo paradigma de educação, se estivermos dispostos a dar-lhes oportunidade de se exteriorizarem.

Estas crianças vêm ensinar-nos que as crianças sabem mais do que aquilo pelo qual lhes damos crédito. Vêm romper padrões, mitos, conceitos pré-estabelecidos.

Na sociedade moderna, a crianças ainda são vistas como seres menores. Elas têm de ser perfeitas. Fazerem o que lhes dizem, não têm quereres, têm de gostar daquilo que lhes dizemos que têm de gostar. Têm de ter boas notas, fazerem tudo o que esperamos delas. Têm de estar prontas no segundo em que as mandamos estar. Não podem falar alto com os pais, ou então são mal-educadas, nem podem responder, senão são desafiadoras. As crianças têm de gostar do que lhes damos para comer, tem de estar caladas porque nós queremos falar.

Mas serão máquinas operadas por comando? Carregamos no botão e elas fazem? Ou são pessoas? Terem os seus próprios gostos? Poderem exprimir-se quando querem e precisam?

Esquecemos que as crianças precisam de falar alto, precisam de revelar os seus gostos, as suas vontades e expor a sua opinião. São pessoas, por que razões não hão-de poder faze-lo? Admitamos que talvez seja porque não nos convém. De que forma vão aprender a pensar por si próprias, saber fazer escolhas, caso não possam exprimir aquilo que é tão natural ao ser humano? As crianças têm direito a cometer erros. Todos os dias. Tal como cada um de nós.

Todos erramos todos os dias, várias vezes por dia. Por que razão exigimos dos nossos filhos que eles sejam perfeitos?

Porque é que exigimos dos nossos filhos aquilo que nos próprios não conseguimos dar, fazer?

Todos somos seres vulneráveis, sensíveis. Todos com direito a ser quem somos. E as crianças também. Cada um a sua maneira, da melhor forma que sabe e pode.

Não há crianças desafiadoras. Há seres, com ideias inovadoras, sonhos próprios e agendas exclusivas que apenas querem expressar a sua voz no mundo.

 

imagem@Thinkstock

O que é o Attachment Parenting, ou Criação com Apego?

Durante a gravidez a mãe e o pai imaginam o futuro bebé. Carregam a sua imagem com as suas expetativas e fantasias e, no dia do nascimento, confrontam-se com o bebé real.

Desde a gravidez que se inicia o processo de ligação emocional ao bebé e chamamos de vinculação a esta relação que se estende entre o bebé e os pais. A investigação na área da vinculação sugere que os bebés nascem com fortes necessidades de ser alimentados e de permanecer fisicamente próximos do cuidador principal, normalmente a mãe, durante os primeiros anos de vida. O desenvolvimento emocional, físico e neurológico da criança é amplificado quando as necessidades básicas são atendidas consistentemente e apropriadamente. Daqui surge um estilo de parentalidade, chamado de attachment parenting, que se baseia neste importante acontecimento, a vinculação.

O attachmente parenting baseia-se em oito princípios básicos que passo a descrever sucintamente.

  1. Em primeiro lugar, é fundamental preparar a gravidez, o parto e a parentalidade. Isto implica refletir acerca das experiências próprias da infância, trabalhando a ambivalência relativamente à gravidez e preparando o parto. Adquirir conhecimentos nesta fase pode prevenir algumas dificuldades, assim como preparar o parto e tomar opções acerca de escolhas importantes que envolvem todo o processo.
  2. O segundo princípio aborda a alimentação, salientado a importância de o fazer com amor e respeito. Relativamente aos bebés, reforça-se a importância da amamentação. A amamentação satisfaz as necessidades alimentares e relacionais do bebé, mais do que qualquer outro tipo de alimentação, com o bebé a ser amamentado em horário livre. Paralelamente, a amamentação conforta naturalmente o bebé. A amamentação continua a ter benefícios para além dos 12 meses de vida, sendo o desmame um processo natural. Paralelamente a alimentação sólida nunca deve ser forçada à criança.
  3. Responder com sensibilidade. Isto significa que os bebés precisam de ajuda externa para se acalmarem. O adulto pode dar uma resposta consistente e sensível às necessidades do bebé, sendo o contacto físico benéfico e é natural que os bebés o solicitem muitas vezes. Deixar um bebé a chorar não é útil para o seu desenvolvimento.
  4. Usar o contacto afetivo é o quarto princípio, pois para o bebé este contacto estimula a hormona do crescimento, melhora o desenvolvimento intelectual e motor e ajuda a regular a temperatura corporal, batimentos cardíacos e padrões de sono. O contacto pele-a-pele é especialmente eficaz e algumas formas de o promover são: massagens ao bebé, banhos em conjunto, amamentação e babywearing.
  5. Em quinto lugar, importa promover um sono seguro do ponto de vista emocional e físico. Os bebés necessitam de cuidados noturnos, de forma semelhante ao período diurno. Desta forma, cada família deverá encontrar a forma que melhor responde a estas necessidades noturnas, tendo presente que é natural que os bebés acordem de noite, necessitem de contacto físico e de ser alimentados.
  6. A promoção de um cuidado consistente significa que em vez de tentar fazer com que o bebé se adeque a uma rotina que existia antes da sua chegada, se encontrem formas criativas para desenvolver novas rotinas que envolvam o bebé. Quem cuida do bebé deve ser consistente, não incluindo muitos cuidadores diferentes. Ou seja, o pai, a mãe, os avós e, se necessário uma pessoa externa, é o ideal.
  7. A utilização de uma disciplina positiva é o sétimo princípio e envolve o uso de técnicas como prevenção, distração e substituição para guiar gentilmente os filhos para longe do perigo. Disseminar medo nos filhos não tem qualquer utilidade, e cria sentimentos de vergonha e humilhação. O medo leva a um risco maior de comportamento anti-social no futuro, incluindo a prática de crimes e abuso de substâncias. A investigação sugere que bater ou aplicar outras técnicas de disciplina física podem criar problemas emocionais e comportamentais.
  8. Finalmente, é fundamental o equilíbrio entre a vida pessoal e familiar. Os pais são encorajados a aproveitarem o dia de hoje e a aceitarem o facto de que ter filhos muda as coisas. É importante que tracem metas realísticas e que não tenham medo de dizer “não”. Transformem deveres de pais que são “desagradáveis” em coisas agradáveis e sejam criativos para encontrar maneiras de ter um tempo a dois.
    Dentro da família, cada um deve reservar um tempo para si mesmo.

Este estilo de parentalidade tem por objetivo promover a ligação emocional entre pais e filhos, focando-se na vinculação e prevenindo dificuldades no futuro. As crianças mais amadas e compreendidas são as mais felizes e transformam-se em adultos saudáveis emocionalmente e resilientes face ao exterior, pois sabem com segurança de onde vieram.

 

Por Marta Russo, Psicóloga Clínica /Psicoterapeuta

 

Porque exigimos tanto dos nossos filhos?

Como pais não temos de ser infalíveis. Mas temos a responsabilidade de sermos melhores pessoas a cada dia. Queremos um mundo mais justo, queremos mais amor, mais respeito, mais harmonia, mas será que estamos dispostos a dar tudo isto?

Nós próprios precisamos de fazer o nosso trabalho de casa. Precisamos de aprender a deixar de educar em auto piloto. Ter filhos não e apenas tê-los. É um compromisso para a vida. É como gerir pessoas numa empresa. Temos de ser bons líderes e não patrões. Todos sabemos a diferença entre um patrão e um líder. E todos sabemos, também qual deles preferimos ter.

Uma das grandes diferenças entre um patrão e um líder e que o patrão manda, o líder convida e envolve. O líder sabe que é parte integrante nas responsabilidades. Para dar o exemplo inclui-se nelas, concentra-se em soluções, não nos erros. Aceita os erros como fazendo parte do processo, mas poucas ou raras vezes o refere. Aceitar erros, motivar, ensinar sem bloquear, guiar sem envergonhar. Respeitar a natureza de cada um e trazer ao de cima os seus talentos, valorizando aquilo que consegue fazer. Um líder olha para o Cenário Geral.

Se tivermos optar por ser patrões ou lideres dos nossos filhos, optemos por ser líderes. Ser um bom líder pode ter os seus momentos desafiantes, especialmente quando ainda existem tantos mitos que influenciam a forma como educamos os nossos filhos. Mitos que tem despertado, ao longo de gerações, sentimentos enganadores que vão corroendo e afectando dramaticamente as fundações da casa que somos cada um de nós.

Curioso pensar que quando são bebés, damos aos nossos filhos tudo o que querem. Preocupamo-nos com tudo o que precisam e tentamos ao máximo dar-lhes. Se querem mamar, damos de mamar, se choram porque querem colo, damos colo. Porque será que a partir do momento que se começam a manifestar – se mais activamente – quando começam a andar, a falar, a querer – achamos que é hora de imediatamente balizar, ser rigorosos, não deixar, mandar, proibir, e até punir?

As crianças, como qualquer um de nós, querem apenas ser quem são. E querem ser respeitados nas suas necessidades, ideias e vontades. Porque insistimos em achar que elas querem mais do que apenas ser elas próprias? Porque exigimos tanto dos nossos filhos?

Estamos nós dispostos a dar-lhes a elas – a nós próprios e ao mundo – o que exigimos?

Os nossos filhos precisam de melhores liderem. Não de patrões. Preocupamo-nos tanto que saibam cumprir regras, em obedecer, em ficar quietos, calados quando um adulto fala, que nos esquecemos de ser flexíveis. Assim como gostamos que sejam connosco.   Temos medo. E o medo apodera-se de nós. Temos medo que não sejam autónomos se dormirem connosco, temos medo que não saibam comer sozinhos se lhes fizermos um miminho dando a comida na boca quando estão mais cansados. Temos medo que fiquem doentes, temos medo que não saibam controlar, temos medo que não tenham boas notas. Temos medo. E o medo rege todo o nosso percurso.

Os nossos filhos precisam que brinquemos com eles ao que eles gostam de brincar. Não àquilo que nos faltou brincar na nossa infância. Precisam que aceitemos todos os sentimentos que têm, mesmo que não saibamos lidar com eles. Temos de aprender.

Bons lideres confiam e dão ferramentas para que os colaboradores tragam ao de cima o melhor de si. Os bons lideres escutam e valorizam as opiniões e ideias dos outros – SEMPRE – e não apenas quando lhes convém, em vez de imporem as suas próprias ideias.

Bons lideres reinventam o tempo, mesmo que para isso tenham de abdicar dos seus próprios interesses, preocupações ou assuntos. Bons lideres são flexíveis e compreendem que as emoções e a motivação estão na base de toda a produtividade.

Os nossos filhos não precisam de pais infalíveis, mas precisam – e pedem-no permanentemente – de pais compreensivos, respeitadores, motivadores e que os seus sentimentos sejam considerados, ouvidos e aceites. Pais que os aceitem como eles são. Não pais que os queiram mudar e adaptar àquilo que eles não chegaram a ser.

Reformatar o nosso chip parental e um processo. E é um processo que está ao alcance de todos que queiram nele embarcar. E um processo de avanços e recuos progressivos que apenas dependem das nossas escolhas diárias. Que despendem de nós.

Se esperamos que as coisas mudem a nossa volta sem que nós próprios mudemos os nossos hábitos, as nossas ideias, os nossos pensamentos e os nossos sentimentos, os nossos comportamentos, isso será improvável.

Se não nos transformarmos por dentro, nada se transformará à nossa volta.

A infância é a fundação da casa que somos. Se formos rígidos, educaremos pessoas rígidas e inflexíveis. Se educarmos para a tolerância e para a integração, promoveremos pessoas tolerantes, cooperantes e com vontade de ajudar.

Basta olharmos para dentro, para o nosso espelho interior para compreendermos  isto.

imagem@huffingtonpost

 

Hoje estava de rastos. Já sem paciência para nada só pensava em ter uns minutos para mim. Mas tu adormeceste no meu peito, e apesar da quantidade de coisas que tinha para fazer, a escolha foi fácil, fiquei contigo ao colo!

Eu ia tirar a loiça da máquina e despachar a pilha que estava no lava-loiça, mas em vez disso fiquei contigo ao colo.

Eu ia tomar um banho rápido, com sorte esticar um bocado o cabelo e pôr um blush na cara, mas em vez disso fiquei contigo ao colo.

Eu ia responder a uns e-mail de trabalho e devolver umas chamadas que perdi nas ultimas 72h, mas em vez disso fiquei contigo ao colo.

Eu ia aspirar os cereais que espalhaste pela casa hoje de manhã, e arrumar os brinquedos que parecem crescer nos cantos da casa, mas em vez disso fiquei contigo ao colo.

Eu ia deixar o jantar temperado e pronto para meter no forno, e aproveitar para abrir a correspondência que não o faço desde segunda-feira, mas em vez disso fiquei contigo ao colo.

Eu ia levar-te para cima e deitar-te na tua cama, que tenho a certeza de que não acordarias, e provavelmente até dormirias mais tranquila, mas em vez disso fiquei contigo ao colo.

Estava a olhar para ti e as tuas pernas já estavam amontoadas no sofá. Ontem, quando ficavas ao meu colo, os teus dedinhos dos pés chegavam-me à cintura.

As tuas mães e braços ficaram tão bem encaixados à volta do meu pescoço, que só conseguia pensar que dentro de uns dias só vais querer estica-los na tua cama júnior.

Concluí que cumprir os meus planos para esta tarde nunca iria compensar o perder este momento contigo.

Eu encontrei a minha calma, a minha paz e a minha satisfação aqui mesmo, agora mesmo em ti, e só por causa de uma escolha simples …

Ter ficado contigo ao colo!

Por Regan Long publicado originalmente em Huffington Post
T
raduzido e adaptado por Up To Kids®

 

imagem@escolhaesaon

Fazer menos para ser mais

Que brinquedo queres levar para o fim de semana?” – perguntei ao pequeno catita.

“Nada. Quero levar-te a ti”.– respondeu como se fosse completamente óbvio.

Ir sem adereços, não é nada óbvio. Quando vamos, levamos “fazeres” connosco. Uma bola para jogar, umas bolinhas de sabão, um jogo de tabuleiro, umas canetas para fazer um desenho. Um saco de coisas para fazer. Todos os adultos andam com um. Pode não ser visível, mas todos carregamos o nosso saco de fazeres. Quando temos um momento de espera, na paragem do autocarro, no restaurante enquanto a amiga não aparece ou noutro milésimo de segundo de espera, tiramos o saco cá para fora.“Vou mandar este email… deixa-me ver o facebook…organizar as moedas da carteira por ano de emissão…deixa ver o tempo para o fim de semana…”

Raramente somos só nós. Raramente estamos connosco. Raramente somos mas a todo o momento fazemos. Os nossos filhos sentem esta velocidade, eles apanham este ritmo furioso de vida, este aceleramento não sei para aonde. Esta urgência constante.

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Nada. É importante os nossos filhos terem momentos de nada para fazer. Nada de nada. Terem a oportunidade única de estarem consigo mesmos. Se estão sempre no fazer, como podem ouvir o silêncio? Se estão sempre no fazer como podem ter a oportunidade de ficarem aborrecidos, entediados e depois descobrirem que a sua imaginação não tem fim e que tudo à sua volta pode ser uma aventura? Se não tiverem quietude como podem ouvir a criatividade? Se não houver um vazio como pode entrar algo novo?

Vamos pais, vamos fazer nada juntos.

 

Publicado originalmente em Mãe Catita

imagem@MãeCatita