As conclusões do trabalho de investigação que traça o perfil ideal dos alunos portugueses na escolaridade obrigatória foram apresentadas este fim de semana, em Lisboa.

Dominar a linguagem, a comunicação, o raciocínio, ter pensamento crítico, fomentar a criatividade e trabalhar as relações interpessoais são algumas das metas que o aluno português deve alcançar até ao 12º ano.

O “Perfil do aluno para o Século XXI” foi apresentado este fim de semana pelo coordenador e antigo ministro da Educação Guilherme d’Oliveira Martins, no Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa. Como alerta o responsável no prefácio, este perfil não é “um mínimo nem o ideal, mas do que se pode considerar desejável” para os alunos que concluem a escolaridade obrigatória.

Por escolas mais autónomas

A flexibilização de currículos escolares é um dos pontos mais sublinhados no documento e deverá entrar em vigor já no próximo ano letivo, para os alunos do 1º. 5º, 7º e 10º anos, de acordo com o secretário de Estado João Costa, também presente na cerimónia.

É proposta uma maior autonomia das escolas, para que possam adaptar a prática docente às características dos discentes. Cada estabelecimento de ensino deve procurar valorizar o saber e incutir a curiosidade intelectual nos estudantes portugueses.

A equipa de peritos recomenda que a autonomia na definição dos currículos escolares aumente em 25% e permita um reforço da interdisciplinaridade e do aprofundamento de matérias.

A prática faz a perfeição

O Ministério da Educação quer promover uma escola mais presente na vida dos alunos, dentro e fora dela.

O documento assinado pelo Governo considera o trabalho experimental como base fundamental para o bom exercício escolar e profissional. Segundo a equipa de investigação responsável pelo “Perfil do aluno para o Séc. XXI”, o ensino deve ter por base a interdisciplinaridade e a prática, para que, no futuro, o aluno seja um profissional capaz de trabalhar em cruzamento com outras áreas além da sua.

O documento reflete ainda sobre a necessidade de “educar ensinando com coerência e flexibilidade”.

No centro, a dignidade do aluno

O trabalho prevê uma visão mais humanista da educação, em que a pessoa e a sua dignidade devem ser o centro disciplinar. Dignificar o aluno passa, por isso, por trabalhar a inclusão, os conceitos de democracia e de igualdade.

Cabe às escolas a responsabilidade “de dotar os jovens de conhecimento para a construção de uma sociedade mais justa”, lê-se no documento. A definição de inclusão deve ser trabalhada no corpo discente, pelo que o Governo prevê ainda uma nova legislação sobre educação especial.

Na apresentação que decorreu no sábado, em Lisboa, João Costa disse aos jornalistas que está ainda em curso um processo de “gestão flexível” que será, em breve, colocado em discussão. “Muito brevemente estaremos a apresentar a estratégia da educação para a cidadania. Teremos a proposta de decreto-lei sobre educação inclusiva”, esclarece.

São estes os princípios-chave abordados no perfil traçado pela equipa de investigação, liderada pelo antigo ministro da Educação e atual administrador da Fundação Gulbenkian, Guilherme d’Oliveira Martins. A criação do documento surge no seio de algumas dificuldades que apareceram desde que o ensino obrigatório em Portugal foi alargado até ao 12º ano.

O documento conclui que os alunos devem abandonar este ciclo com as bases necessárias para se tornarem cidadãos “livres, autónomos e responsáveis”.

Notícia de U.Porto

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Rosie Dutton, uma professora britânica, explicou de uma forma criativa e bem eficaz os efeitos do bullying.

Rosie apenas precisou de duas maçãs.

Por fora, as frutas eram aparentemente iguais: grandes, muito vermelhas, daquelas que escolhemos nos mercados.

Só que, antes de levá-las para a sala de aula, a professora bateu com uma delas no chão repetidamente, mas de forma delicada. As crianças não souberam disso.

Na sala de aula mostrou as duas maçãs aos alunos, e pediu-lhes que as descrevessem. As semelhanças entre elas eram evidentes.

“Peguei na maçã que tinha atirado ao chão e comecei a dizer às crianças o quanto eu não gostava dela, que eu a achava nojenta, com uma cor horrível e que o pincaro era muito curto. Eu disse-lhes que, por eu não gostar daquela maçã, queria que elas também não gostassem, então elas deveriam insultar a fruta.”

As crianças olharam para Rosie admirados, mas começaram a passar a maçã de mão em mão, e cada aluno fazia um insulto à maçã. “És feia!” “Cheiras mal” “Não prestas”

“Nós ofendemos mesmo aquela pobre maçã. Até me senti mal por ela.”

De seguida, Rosie pediu que passassem a segunda maçã de mão em mão e que todos a elogiassem: “Que maçã adorável”, “A casca é bonita“, “Tens uma cor linda”.

Depois a professora segurou as duas maçãs e, em conjunto com as crianças, falaram sobre as suas semelhanças e diferenças. Aparentemente continuavam iguais..

A professora cortou as duas maçãs ao meio. A maçã elogiada era clarinha, fresca e sumarenta por dentro.

A maçã insultada estava cheia de marcas, nodoas negras, e estava mole por dentro por dentro.

Acho que as crianças tiveram uma espécie de iluminação naquele momento. Entenderam que, o que vimos no interior das maçãs representava cada um de nós quando se sente ofendido, triste por alguém nos maltratar através de ações ou palavras“, explica no post que fez no Facebook.

Quando as pessoas sofrem de bullying, especialmente as crianças, sentem-se péssimas por dentro e muitas vezes não demonstram nem exteriorizam o que estão a sentir. Se não tivéssemos cortado aquela maçã ao meio, nunca teríamos percebido este efeito

Na semana anterior, Rosie havia partilhado com as crianças uma situação em que ficou triste com as ofensas de uma pessoa.

Nós podemos impedir que isso aconteça. Podemos ensinar às crianças que que não devemos insultar, maltratar, ou gozar com os colegas. Podemos ensinar que devemos sempre defender os coleguas e não colaborar com qualquer tipo de bullying, tal como aluna  hoje, que se recusou a insultar a maçã.”

A esclarecedora lição foi dada numa aula chamada Relax Kids. Nesta aula, a professora e a escola oferecem ferramentas e técnicas para as crianças lidarem com os seus sentimentos e emoções, e ajudam os alunos a aprender a lidar com o  stress ou ansiedade.

Rosie Dutton diz que esta postura é transversal a todas as aulas. Mas nesta disciplina, especificamente, fala-se sobre emoções e as atividades realizadas promovem o trabalho em equipa, o respeito, o apoio aos colegas, a resolução de conflitos, a auto-estima e a confiança. Neste espaço pretende-se ainda divulgar espaços e criar elos seguros com as crianças, para que saibam onde e a quem devem recorrer se sentirem que precisam de ajuda.

Esta valiosa lição pode e deve ser transmitida aos nossos filhos na escola, em casa, nas actividades, onde quer que vão. Quanto mais cedo as crianças perceberem o efeito do Bullying, mais depressa estarão atentas ao que se passa em seu redor de forma a poderem proteger alguma vítima, ou protegerem-se a si próprias. É importante que as crianças entendam que se forem postas de parte ou insultadas pelos colegas a culpa dão é delas. Mas deles. E que eles são os bullys.

 

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13 Anos para Sempre, Marion

 

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Transformar a educação em Portugal. De uma vez por todas

Ao longo dos anos surgem, no nosso sistema de ensino, inúmeras mudanças e alterações que não reflectem uma verdadeira mudança de paradigma na educação. São quase sempre ajustes ou remendos a um funcionamento que está, por si só desgastado, antiquado e obsoleto. É preciso reconstruir, colocar em causa toda uma base que está frágil, virar do avesso, utilizar os avanços científicos e experiências diferenciadoras ao serviço de práticas educativas actualizadas, eficazes e que vão ao encontro das crianças e do respeito pelo seu desenvolvimento integral.

ASSIM, ambiciosamente mas realisticamente:

  • Queremos que as escolas e os professores tenham autonomia e liberdade para adequar as suas práticas às necessidades e características dos alunos, com a prioridade de seguir os seus interesses e motivações, por oposição ao seguimento cego de metas curriculares(…)
  • Queremos que as salas de aula deixem de ser mesas e cadeiras alinhadas, viradas para um quadro onde o professor é acima de tudo um transmissor inquestionável de conhecimentos. A evolução no acesso à informação faz com que as crianças não precisem que lhes transmitam saberes mas que as ajudem a estimular a criatividade, o pensamento crítico e a flexibilidade de pensamento. As crianças precisam de ficar viradas umas para as outras, em grupos heterogéneos dentro da sala de aula, de forma a aprenderem umas com as outras com o material que lhes é fornecido. (…)
  • Queremos que as avaliações sejam qualitativas, sem rankings ou exames que levam à comparação do que é incomparável, à frenética procura de melhorar a posição de uma escola e à destruição completa da intencionalidade educativa com números e médias. Os professores sentem-se obrigados a modular as suas aulas de forma a corresponderem a uma série de tópicos previamente estipulados e que fazem com as nossas escolas pareçam fábricas de conhecimentos que são iguais de Norte a Sul. (…)
  • Queremos que todos os espaços escolares deixem de ser edifícios rodeados de cimento, estéreis, demasiado planos e arranjados, sem terra, árvores ou elementos naturais que não respeitam as necessidades motoras e simbólicas das nossas crianças, tão essenciais para a integração das aprendizagens mais formais. Os recreios são pobres e cinzentos, sem riqueza de estímulos, possuindo apenas escorregas ou baloiços que levam à brincadeira programada e não permitem que as crianças acedem ao imaginário. (…)
  • Queremos que se pratique uma comunicação positiva por parte dos profissionais de educação. Não acreditamos em castigos, gritos, ausências de recreios, mesas viradas para a parede, tabelas de bom ou mau comportamento ou “palmadas pedagógicas”. A punição ensina a punir, não ensina a mudar. Acreditamos na autoridade do adulto, e não no autoritarismo, enquanto responsável pelo bem-estar da criança mas envolvendo-a no seu processo de socialização como um ser independente e com voz activa, nomeadamente construindo-se as regras do espaço escolar em conjunto com elas, com a nomeação do que é necessário para uma convivência saudável entre todos e com as consequências previsíveis quando isso não acontece.(…)
  • Queremos que a escola faça realmente parte da comunidade e que seja uma extensão das famílias. Que os pais que querem e têm disponibilidade para participar, possam ser envolvidos em actividades do quotidiano e que o acesso à mesma não lhes seja vedado. (…)
  • Queremos que os profissionais de educação tenham estabilidade profissional. Que sejam oferecidas condições para exercerem, sem concursos que os fazem leccionar longe da família e dos filhos e que a satisfação decorrente disso se reflicta na motivação para ensinar. Que seja retirada a carga burocrática e que se dê tempo e espaço para que possam fazer formação, nomeadamente tendo contacto com outras pedagogias alternativas. (…)
  • Queremos que as turmas sejam mais pequenas e que as crianças com necessidades especiais ou com dificuldades de aprendizagem tenham um acompanhamento diário no contexto de sala de aula e equipas multidisciplinares (psicólogos, terapeutas da fala, terapeutas ocupacionais, assistentes sociais) com um rácio de alunos adequado para que possam intervir significativamente. Os professores de ensino especial passam muito pouco tempo com as crianças e estas acabam por não conseguir atingir o seu potencial pela impossibilidade do professor titular chegar a todos os alunos, que são numerosos e muito diferentes entre si.(…)
  • Queremos apostar nas competências sociais e emocionais dos nossos alunos, tanto quanto nas disciplinas propriamente ditas – não nos interessa formar crianças tecnicamente competentes que não se sabem relacionar e que saem de um sistema educativo que promove cada vez mais o individualismo;
  • Queremos dar mais foco a actividades artísticas, musicais, manuais e desportivas numa proporção semelhante à matemática, português ou ciências, mesmo porque as disciplinas estão todas interrelacionadas, e com vista a terminar gradualmente com as disciplinas fixas e estanques.(…)
  • Queremos cargas lectivas mais reduzidas e menos actividades programadas fora do tempo lectivo. Que o tempo livre seja isso mesmo, assente em brincadeira livre.(…)
  • Queremos afastar os argumentos constantes de que o ensino funciona melhor noutros países, nomeadamente nos países nórdicos, porque a cultura e mentalidade são diferentes e que não seria possível replicar no nosso país. (…)
  • Queremos que as famílias tenham maior liberdade de escolha na educação dos filhos, legislando-se práticas que actualmente não têm enquadramento legal mas que estão a proliferar pelo país, como as comunidades de aprendizagem constituídas por grupos de pais e/ou profissionais que querem oferecer às suas crianças uma maior diversidade de opções educativas. (…)
  • Queremos preparar e formar cidadãos para a vida prática, para a empatia, para a comunidade, para a honestidade social e empresarial – se formamos para a competição, formamos para o umbiguismo, para a acumulação de riqueza, para o fosso cada vez maior entre ricos e pobres, para o insucesso interior, para a noção de que a felicidade está intimamente relacionada com bens materiais e estatuto social.

Se concorda com o exposto, não continue de braços cruzados. 

Leia a petição completa aqui, e assine aqui.

Pelo futuro dos nossos filhos.

Esta petição foi criada por Ana Rita Dias e Membros do Grupo “Escolas Alternativas e Comunidades de aprendizagem em Portugal”

 

13 Anos para Sempre, Marion | Bertrand Editora | de Nora Fraisse

Este livro escrito por uma Mãe à sua filha Marion é um quase infindável murro no estômago para todos os pais do século XXI.

Com efeito, além de abanar profundamente as mentes dos seus leitores, denuncia de forma simples e arrebatadora a pobreza e a crise de valores da nossa sociedade cujas suas maiores vitimas são sem dúvida os adolescentes.

Estes adolescentes, que não terão certamente, por razões várias, a sua personalidade devidamente moldada, muitas das vezes são e serão infelizmente, presas fáceis do desespero e da indiferença.

Ao longo deste livro, o leitor é  testemunha da angústia de uma família que procura a todo o custo saber o que poderia ter feito para evitar a tragédia mas que só encontra indiferença e todo um sistema amorfo e asséptico, devidamente representado pelo directores, professores e auxiliares da escola de Marion.

Da minha parte, declaro que este livro, deveria ser de leitura obrigatória para pais, docentes e auxiliares e pouco terá a ver com as situações que ocorriam com a  geração nascida antes da década de 80 do século passado.

Essas pessoas atualmente na faixa etária dos 30 ou 40 anos, viveram certamente todas ou algumas das agruras da adolescência, mas, felizmente não viveram esta época em que a sua casa já não é o seu porto seguro e a agressão não é física, mas vem a todo tempo pelo telefone ou pelas redes sociais, ou por ambas.

Marion foi vítima de si própria, do seu medo de ser diferente, mas essencialmente foi vitima do Mundo que a rodeou e a conduziu a querer pôr termo à sua vida naquele dia 13 de Fevereiro de 2013.

Este livro retrata uma realidade assustadoramente real, que é o resultado da equação (jovens cruéis + sociedade de informação + burocracia + incultura) e que pode infelizmente ser vista hoje em qualquer escola.

Esperemos pois que este diálogo entre uma Mãe e a sua filha possa contribuir para mudar o que tem de ser mudado.

Nada fizeste de errado Nora!!

Por RMPC, para Up To Kids®

 

SINOPSE
No dia 13 de fevereiro de 2013, aos 13 anos, Marion suicidou-se. A mãe encontrou-a enforcada no seu quarto. Simbolicamente, tinha “enforcado” o telemóvel junto de si. A mãe de Marion escreve este livro, em sofrimento e perplexidade, como um tributo à filha, mas também como um alerta para os perigos do bullying e das pressões das redes sociais nos jovens. Um livro comovente e alarmante, que nos faz pensar num dos maiores perigos da nossa sociedade relativamente aos mais jovens.

marion

FICHA TÉCNICA
Ano de edição ou reimpressão: 2017

Editor: Bertrand Editora
Idioma: Português
Dimensões: 150 x 233 x 13 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 168
Classificação: Memórias e Testemunhos

Com que idade deve a criança aprender a ler?

A propósito de um artigo partilhado recentemente sobre a alfabetização precoce e a pressão que os pais, educadores e muitas escolas exercem sobre as crianças, partilhamos este artigo publicado no DN on-line, em dez. 2015, que reforça a necessidade de respeitar o ritmo de cada uma, adequando o ensino das competências de acordo com a idade e maturidade de cada criança.

«Pediatras defendem que não se deve forçar o desenvolvimento das crianças. Educadores dizem que seguem o ritmo de cada um. Sair do pré-escolar a ler não é uma meta, asseguram, mas estudo americano indica o contrário

Tal como brincar, pintar ou cantar, a leitura tem um papel cada vez mais importante no pré-escolar. De acordo com um estudo feito pela Universidade de Virgínia, nos EUA, que comparou as mudanças entre 1998 e 2010, a percentagem de educadores que esperam que os alunos que vão para o primeiro ciclo saibam ler subiu de 30% para 80%. A mesma pesquisa diz que gastam cada vez mais tempo com fichas de exercícios e cada vez menos com música e arte. Por cá, os três pediatras ouvidos pelo DN dizem que também há uma tendência para a sobrecarga das crianças no pré-escolar, quer por pressão da escola quer dos pais, o que não tem qualquer benefício para os mais novos.

crianca-escrever

De acordo com o estudo “O jardim-de-infância é o novo primeiro ano?“, citado pela revista The Atlantic, aquilo que se esperava das crianças de 6 anos é hoje pedido às mais jovens. Tal como nos EUA, em Portugal o pré-escolar também mudou, tornando-se mais exigente. Para tal, explica o pediatra Mário Cordeiro, contribuiu “a ciência pediátrica, educativa e psicológica, e também a neurofisiologia”, mas também existem razões “menos boas” para a mudança. Segundo o pediatra, “é querer fazer das crianças “cavalos de corrida” a partir de idades muito precoces, “querendo forçar conceitos abstratos e simbólicos cedo de mais e a aquisição de competências que não são adequadas à maioria dessa idade“. Com base nisso está “a pressão dos pais e um certo show off das escolas (que prometem aulas de inglês aos 2 anos ou mandarim aos 3, por exemplo), impedindo muitas crianças de… serem crianças“.

Essa é também a opinião da pediatra Júlia Guimarães. “Isto também acontece em Portugal, sobretudo no ensino particular. E é uma tendência perfeitamente errada.” Antes do ingresso no 1º. ciclo, “não se deve academizar”. Os educadores “devem estimular as crianças, através da arte, da música, das brincadeiras e atividades orientadas“, mas o início da leitura e da escrita “deve ficar para o 1º ano“. Na opinião do pediatra Hugo Rodrigues, “é notório que, cada vez mais, o pré-escolar tenta investir na escolarização das crianças, o que é um disparate“. Se o 1º ciclo tem início aos 6 anos, “é porque é nessa idade que é suposto começaram a aprender a ler“. Mas, além da pressão da sociedade, “há demasiada competitividade entre os pais e as próprias escolas“. Claro que, ressalva, “se a criança tem vontade de ir mais além, deve corresponder-se, mas sem impor“.

pre-escolar

Embora as crianças possam corresponder do ponto de vista cognitivo, Hugo Rodrigues lembra que “não têm maturidade para lidar com as diferenças relativamente aos outros meninos, nem com as diferenças nos métodos de ensino“. Mário Cordeiro explica que “quando as exigências são disparatadas ou desfasadas relativamente ao que é capaz de dar, ou quando é intensivo e faz gastar tempo que poderia estar a ser usado noutras coisas, a criança vive ainda mais em stress, é menos feliz, sente-se pressionada e, mesmo que aprenda muitas coisas, terá mais hipóteses de se desinteressar“.

Antes de receber o telefonema do DN, Mariana Miranda, educadora de infância há 34 anos, tinha estado a falar com a mãe de uma criança de 5 anos que já lê algumas palavras. Não é um caso único. “Quando chegam já trazem imensos saberes. Nós fazemos diagnóstico e conduzimos, introduzindo coisas novas”, explica a coordenadora do pré-escolar do Agrupamento de Escolas Dr. Costa Matos, em Gaia. No entanto, “não existe pressão para que adquiram essas competências“. Trabalham, sim, “para que desenvolvam o gosto pela leitura e pela escrita“. Cristina Madureira, do jardim-de-infância do Centro Escolar de Cinfães, reforça que “não se espera que as crianças saiam do pré-escolar a ler ou a escrever“. Cada uma tem o seu ritmo “e é com base nele que se trabalha“. No 1º. ciclo “chegam facilmente à leitura e à escrita“.» – DN, dez ’15

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Bullying – O que é já eu sei! Quero é saber… o que posso fazer!

São cada vez mais os pais que nos chegam assustados, sem saberem o que fazer e como ajudar os seus filhos perante situações de bullying. Em primeiro lugar precisamos saber sobre o conceito para conseguir distingui-lo das desavenças e zaragatas normais entre as crianças e adolescentes. Só assim é possível estar atento e agir eficazmente.

Estamos a falar de bullying quando uma criança é exposta a ações negativas por parte da mesma pessoa ou grupo, de forma intencional, repetida e contínua ao longo do tempo. O bullying pode assumir diversas formas, tais como, violência física, emocional, cultural, do tipo racista, ciberbullying. Os estudos dizem-nos que os rapazes tendem a utilizar com maior frequência a agressão física como método. Já as raparigas frequentemente optam por a agressão sob forma indireta, através da humilhação, “maldizeres”, boatos.

É importante não esquecer que os desentendimentos entre crianças são conflitos normais no desenvolvimento sendo que por norma resolvem-se rapidamente. O bullying não faz parte do desenvolvimento normal das crianças, é uma forma grave, intencional e continuada da agressão! Ser vítima pode deixar marcas na vida de uma criança. Pode levar ao desenvolvimento de medos, sentimentos de inferioridade, ansiedade. Em casos mais graves pode até levar a autoagressões ou até mesmo ao suicídio.

Deixo-vos alguns sinais, podem estar associados a situações de bullying: esteja atento a alterações de humor; a maior dificuldade na atenção/concentração; medos; pesadelos e dificuldades em dormir; baixa autoestima; recusa em ir para a escola (constantes dores de cabeça, de barriga….); roupa e material perdido ou estragado; nódoas negras, hematomas.

O que se pode, então, fazer?

Na realidade cada pessoa pode fazer a sua parte. Eis algumas dicas sobre o que podem e devem fazer com os vossos filhos:

  • Conversar abertamente com os filhos sobre o bullying incentivá-los a contarem os problemas sem julgamentos ou criticas;
  • Conhecer os amigos dos filhos, saber o que estão a fazer, onde e com quem estão;
  • Evitar os programas e jogos que apelem à violência;
  • Conversar com os professores, diretores de turma e conhecerem a situação escolar dos filhos (rendimento escolar, amizades, comportamento…);
  • Estar informado sobre o regulamento da escola aquando situações de violência;
  • Promover atividades, do interesse dos filhos e que fomentem a cooperação, solidariedade, partilha;
  • Ensinar as regras sociais e promover a resolução de conflitos sem violência ou agressão.

Na escola pode ser igualmente importante refletir em conjunto com os alunos sobre o bullying, criando dinâmicas que promovam a valorização de si e dos outros, desenvolvimento do autoconceito, assertividade, trabalho ao nível das competências pessoais e sociais.

Não podemos esquecer que se a criança estiver a ser vítima de bullying temos por obrigação protege-la. E por isso, deve sempre denunciar ao conselho executivo da escola! Escola e pais devem enfrentar o problema juntos. A situação denunciada deve ser acompanhada e o agressor deve sofrer uma consequência disciplinar adequada, de forma  a que a segurança da vítima seja garantida. As consequências têm de ser justas, adequadas à idade, imediatas e de fácil monitorização (ex.: serviço comunitário dentro da escola…). Não se esqueça, nunca desvalorize a queixa nem a considere exagerada! Deve-se averiguar a veracidade e agir em conformidade. A criança deve ser ouvida e apoiada pelo adulto. Tente manter-se calmo e paciente. Não a culpe por ela não se defender, opte por elogiar a coragem que teve em denunciar.

Escola e pais devem estar atentos e intervir de forma imediata! Diariamente monitorize para perceber se as agressões terminaram (não faça um questionário…apenas 2 ou 3 questões). Não incentive a retaliação. A criança deve enfrentar o agressor sem utilizar os mesmos comportamentos de que foi alvo. Agressor e vítima devem ser referenciados para apoio psicológico e/ou outros adequados à situação (exemplo: comissão de proteção de crianças e jovens em risco, polícia…).

Quer na escola quer na família podem ser desenvolvidas algumas dinâmicas e/ou tarefas anti-bullying:

  • divulgação do bullying (cartazes, teatros, trabalhos de grupo, filmes);
  • transmitir, ensinar e refletir sobre a resolução de conflitos (manter a calma, descrever a situação – antes e depois, identificar sentimentos, procurar soluções, escolher a solução adequada);
  • ajudar as crianças a identificar os agressores, a quem recorrer, trabalhar os sentimentos e emoções;
  • realizar atividades sobre a amizade (exemplo: o que é um amigo? Como podemos ser amigos? Como demostras?)

Lembre-se que não podemos mudar o mundo nem solucionar todos os casos mas podemos e devemos ter um papel ativo. Saber e nada fazer é uma forma errada de ajudar. Mudar simplesmente o aluno (seja ele a vítima ou o agressor) de escola não é solução! Existem caraterísticas que (sem serem trabalhadas) se irão manter no aluno/a mesmo que mude de escola.

Tenha presente que maltratar o agressor não resolve a situação e, na maior parte das vezes, apenas serve para fomentar ainda mais a violência ou para que o agressor desenvolva estratégias ainda mais elaboradas. Embora não seja fácil criar empatia com os agressores, é possível ajudá-los a lidar com os seus sentimentos e a alterarem os seus comportamentos. O bullying é um comportamento aprendido e por isso pode ser alterado!

Estou disponível para qualquer dúvida e/ou questão.

Por Ana Filipa Ricardo, Psicóloga para Up To Kids®

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A propósito do artigo aqui publicado ontem, um leitor da Up To Kids® lembrou-se deste texto do pediatra Mário Carneiro, e sugeriu a sua partilha. Com bastante pertinência, pois o tema que se debateu aqui foi a Escola enquanto modelo de aprendizagem ou local de avaliação. Fica para reflexão:

«Quando surgir um ministro que entenda que a escola não existe apenas para aprender a ler, escrever e fazer contas, talvez haja uma luz ao fundo do túnel…

A Escola é parte integrante da vida das crianças, pelo menos até cerca dos 17 anos. O seu dever é descobrir talentos e competências, detetar fragilidades, dar informação, gerar conhecimentos e, sobretudo, transmitir sabedoria que seja geral e sólida, mas respeitando a diversidade individual. Cada um tem as suas competências mas também as suas incompetências: o objetivo é dar o melhor de si próprio e atingir o máximo das suas faculdades, e não ter como meta ser “o menino do Quadro de Honra”… mal estará a noção de honra, se esse for o caso!

Outro aspeto tem a ver com os ritmos de ensino, as longas aulas em que os alunos têm de estar mudos e quedos, com professores que não toleram ser questionados, odeiam argumentação e não aceitam que possa haver estudantes que sabem mais do que o mestre, em aulas em que não se respeitam, nem a biologia, nem a psicologia das crianças. Há professores e professores. Mas ainda se registam muitos casos de “ensino à moda antiga”, com s´tores papagueando temas e veiculando informação, como se abrir a cabeça aos alunos e enchê-la de dados fosse o passaporte para uma vida feliz. A política atual do ministério, aliás, vai ao encontro desta forma bafienta de pensar, dado que a criatividade, a estética, a música, as artes plásticas ou o desporto, por exemplo, são os parentes pobres da Escola.

Para lá disso, o que se aprende na Escola tem de ser sedimentado em todos os lados. As fontes de informação, conhecimento e sabedoria são cada vez mais vastas, da casa à rua, passando pela televisão, internet, livros, amigos, vizinhos, casos reais, ficção… assim, a Escola não é “a única que ensina” e tem de ter a humildade de pensar que complementa o resto, designadamente o que é feito em casa, e não educa, mas sim desenvolve uma relação em que uns aprendem e outros ensinam, e nem sempre os protagonistas são os mesmos. Levar isto à prática faz com que se tenha de repensar praticamente tudo e abandonar alguns dos métodos de gerações anteriores. Querem melhor desafio?
É também essencial a descoberta de talentos e competências – exigirá uma revisão ampla dos objetivos da Escola e dos sistemas de classificação. Há competências sociais e humanas que não são classificáveis, mas o atual sistema é ínvio porque conduz, desde o início, à conclusão de que a performance académica é a única que interessa. Basta ser bom a matemática ou a ciências, mas pode ser-se um “bandido sem escrúpulos”. O contrário será bastante penalizador… A Escola deve estar atenta aos talentos e capacidades, para desenvolver pessoas livres e felizes, assertivas e solidárias, e sobretudo ecléticas, que vivem uma vida própria e relacional.

Uma última palavra para o ambiente, que tem de ser acolhedor, à medida dos alunos e dos professores, onde a exploração dos limites do corpo possa ser exercitada sem perigos mas com riscos controlados. Onde os alunos se sintam bem e felizes, condição indispensável para o sucesso educativo. Um ambiente de qualidade, a todos os níveis, com regras, normas e rigor, mas com humor, alegria e descontração. Uma Escola assim fará mais pelo civismo e pela cidadania, e pelo futuro dos estudantes, do que milhares de “pregações” feitas por adultos em promessas de campanhas eleitorais. » In Pais e filhos, Pediatra Mário Cordeiro

O primeiro dia de pré-escola

Setembro é o mês de regresso à escola, para muitas crianças.

Para as mais pequenas, a pré primária é um mundo ainda desconhecido – e algumas acabaram de completar 3 anos.

Não há como negar: 1 ano faz diferença, neste aspeto. E por mais que, a longo prazo, a criança possa adorar os novos amigos, descobrir brincadeiras e habilidades, numa fase inicial, o processo poderá não ser fácil. Nem para a criança, nem para os pais.

Alguns desafios que as crianças mais novas poderão enfrentar comparativamente aos colegas no primeiro dia de pré-escola:

  • mais cansaço físico, psicológico e emocional
  • dificuldade em manter a concentração durante tanto tempo
  • menos agilidade física
  • fala/discurso menos desenvolvido
  • menos destreza nas interações com o grupo (socialmente)
  • mais dificuldade nas situações diárias como vestir-se, despir-se, calçar-se, comer.

Por outro lado, para os pais esta fase também representa um desafio: o de encarar que o seu bebé já não é um bebé e o ato de entregar a criança como um aluno – provavelmente o elemento mais novo da sala.

Comprar material escolar, uma lancheira, roupa específica…! Uma série de ações que tornam a ideia mais concreta, mais real.

Mas há mais coisas que podemos fazer para ajudar neste momento de transição, adquirindo ritmos e hábitos transversais:

  • escrever uma lista de coisas que a criança neste momento gosta, não gosta, coisas que a caracterizam e no fim do ano letivo, revisitar essa lista – a evolução é, muitas vezes, impressionante!
  • contar histórias e lengalengas
  • criar ritmo diário
  • incentivar a criança a ajudar nas tarefas domésticas simples e úteis (pôr a mesa, lavar a louça, colocar roupa na máquina de lavar, etc)
  • dar um bom pequeno-almoço
  • ter uma alimentação equilibrada, rica em vegetais, hortícolas e oleaginosas, irá ajudar ao normal desenvolvimento da criança, sobretudo nesta nova fase, geralmente tão exigente.
  • proporcionar um ambiente tranquilo à hora da refeição;
  • ir sempre ao wc antes de sair de casa
  • fazer teatro e jogos em casa, no jardim, na praia
  • ouvir música de qualidade
  • garantir tempo para dormir;
  • brincar, brincar, brincar!

Como pais, vamos desejar com todas as nossas forças que o nosso «bebé» fique bem  entregue, que conheça um amigo especial, que seja bem recebido pela professora e pelos colegas.

É aquele momento em que nos damos conta que afinal a mudança do ano não acontece em Dezembro.

A verdadeira mudança de ano acontece em Setembro.  Que comecemos com o pé direito, então, sempre com muita brincadeira e pausas para respirar.  E em família, sempre!

TPC – Vantagens e desvantagens

Os famosos Trabalhos Para Casa são muitas das vezes sentidos pelos pais como deveres da escola, no período pós-aulas. Quando assim é, os filhos acabam por passar mais horas na escola (privadas) para cumprir esse dever. Aqui pode logo encontrar-se uma desvantagem para a criança. Ao fim de um dia de “trabalho”, a criança precisa tanto de regressar ao seu porto de abrigo, quanto os adultos.

“Os trabalhos de casa servem para consolidar conhecimento, treinando dessa forma o que se aprende nas aulas”, é o argumento dos professores. Pergunta: “o que treinam nas aulas, aquando da aquisição desse conhecimento, não será suficiente”? Naturalmente que será para uns, mas não para todos. Nesse caso, os trabalhos serão necessários e úteis quando individualizados, na sua grande maioria das vezes, isto é, quando aplicados a cada criança de forma personalizada, para treinar, e com isso consolidar, uma matéria mais difícil de apreender (não descurando a necessidade de uma explicação diferenciada, naturalmente).

Um dos grandes problemas dos TPC é serem muito regulares, normalmente diários, pelo que o foco não parece ser propriamente a sistematização do conhecimento dos seus alunos, mas antes uma (talvez) preocupação excessiva com o desenvolvimento cognitivo, a rápida aquisição de conhecimento, alienando o desenvolvimento emocional.

  1. Ao fim de um dia de trabalho a criança está cansada – logo a consolidação de conhecimento não é necessariamente um objectivo atingido.
  2. O excesso de horas na escola (das 9h às 17h – horário de trabalho de um adulto), com trabalhos extra horário escolar, promove não raras vezes um sentimento próximo à aversão a estas mesmas matérias
  3. A criança tem necessidade de brincar – os TPC retiram-lhe (ou condicionam-lhe) essa possibilidade

É a brincar que a criança aprende a lidar com a realidade, descobrindo assim o mundo que a rodeia, pelo que é igualmente a brincar que a criança desperta a curiosidade pelo saber, pelo conhecimento, motivando-se para investir emocionalmente – e saudavelmente – nas matérias escolares. Precisa, assim, de tempo disponível para brincar.

Em suma, os TPC são úteis e necessários quando servem o propósito de cimentar um conhecimento que gera maior dificuldade, pelo que se espera que seja, tanto quanto possível, individualizado /personalizado e de evitar o registo diário.

Adaptação na escola

Querida mãe (e ou pai) cujo filho está a fazer a adaptação na escola:

Prepara (e prepara-te) esta nova etapa sem medos (o que não é o mesmo que dizer que não tenhas receios).

Tenta perceber todas as mudanças para que quando o teu filho for confrontado com elas possas saber do que se trata e explicar-lhe o porquê de as coisas serem como são.

É natural que percas algumas horas de sono por causa das novas actividades, dos novos cuidadores, da nova carga de trabalhos que o teu filho vai ter, da alimentação e por aí fora. Permite-te ter as tuas dúvidas mas tenta resolvê-las a todas com tranquilidade.

A adaptação dos nossos filhos a uma nova realidade é também uma adaptação dos pais a essa mesma situação. Se fizeres a tua parte, isso irá facilitar a parte que cabe aos teus filhos.

Dito isto, há uma lista de coisas que deves tentar não esquecer:

– O teu filho é fantástico (e tem nele a capacidade de “enfrentar” o mundo, ou não foste tu quem lhe deu todas essas ferramentas?).

– O teu filho vai ter de se habituar às novas rotinas.

– Vai ter de conhecer as pessoas para ter a possibilidade de criar empatia com elas. Não esperes que goste de toda a gente (quando nem tu, que és adulto, o fazes).

– Dá-lhe tempo.

– Ouve-o.

– Tranquiliza-o.

– Aprende o que ele está a aprender para se sentir acompanhado.

– Desdramatiza. Não adianta chorarem juntos, isso vai acrescentar uma carga dramática emotiva negativa a uma mudança: que ao longo da vida acontecerá múltiplas vezes e que deve desde já ser vista como a oportunidade de algo novo e melhor.

– Participa.

– Não desvalorizes os sentimentos do teu filho: se está a partilhar o que sente aprecia esse momento.

– Está atenta aos sinais, sejam eles positivos ou negativos.

Acima de tudo, respira fundo. Daqui a uns meses vai parecer que as peças estiveram sempre tão bem encaixadas que vais sentir que este início aconteceu numa outra vida: ou pelo menos é este o meu desejo e o meu voto de que tudo corra bem.

Afinal, mudar é evoluir e ser mãe (pai) é crescermos com os nossos filhos.

Este é só mais um degrau e cabe-nos a nós subi-lo da forma mais natural possível.

 

 

imagem@Tu Chique, Coleção Outono/Inverno 2016®