Somos a todo o momento bombardeados com histórias bem reais de pedófilos, que se propagam como uma verdadeira praga. Mas que na verdade sempre existiram. Por estes dias, a Ministra da Justiça, a Drª Paula Teixeira de Cruz, abriu o debate sobre uma possível lista de pedófilos ser disponibilizada a pais e cuidadores a pedido dos mesmos.  Debate esse que abre muitas dúvidas por parte dos legisladores na assembleia da República, mas poucas por parte de muitos pais com quem falo diariamente. Mas trará o poder de ter acesso a uma lista, de facto algum poder a pais e cuidadores além de criar uma alerta social de medo e insegurança?
Quantas vezes,  vem a público, que um ou uma predador/a sexual tenha tido livre acesso a crianças ao qual os pais confiaram acima de qualquer tipo de suspeita? Demasiadas. Sem raras excepções, vem nos media que um padre, um professor ou professora  (isto porque há mulheres abusadora/predadoras também e convém não esquecer), um educador, um cuidador usa da sua posição para poder ter acesso sem restrição a crianças.
Mas como é que nós, enquanto pais, podemos proteger as nossas crianças? Porque são estas questões que nos inundam os pesadelos. É sabido, que os abusos a crianças não está restringido ao género, a nenhuma faixa etária, a aparência física e muito menos a estrato social. Também não é só o estranho. Não é a crise que dita acções desviantes de carácter e/ou criminais e infelizmente segundo vários estudos acontece no próprio seio familiar.   Nós não podemos colocar os nosso filhos numa redoma, e muito menos investigar e ou interrogar exaustivamente todas as pessoas que interagem com os nossos filhos para descobrir se fulano ou Sicrano são potenciais predadores sexuais! E se realmente for um vizinho? Mudamos de casa? Chamamos a polícia? Ou comeamos nós mesmos a policiar todos os movimentos dos nossos filhos?
Porque a verdade é esta: eles estão em todo o lado, e podem mesmo ser o vizinho simpático ou o estranho que se mudou recentemente para o bairro. Porque até no paraíso havia uma serpente…
Também não podemos desconfiar do mundo, e não permitir que os nosso filhos vivam e interajam com o mundo criando as suas próprias memórias de vida.   Podemos sim dar-lhes ‘armas’ e conhecimento para  se defenderem o melhor que podemos.
Por este motivo,decidi quando a minha fez os seus 2 anos de idade começar a fala sobre o seu corpo como algo privado, só seu. Sobre o que é certo ou errado, do que é uma invasão de privacidade, sobre tipos de brincadeiras e do que o que não está certo ‘brincar’ ou com quem. Desde sempre  falei-lhe, de forma honesta e verdadeira mas suavemente claro, que em caso de acontecer algo Ela poderia falar comigo! Que a culpa nunca seria dela, mas o mais importante que Ela teria e poderia dizer que dizer NÃO! Essa é a sua arma e espero que nunca tenha que usar e enquanto escrevo isto o medo está em mim, mas é uma arma que leva para a vida seja qual for a sua idade. O corpo é seu, e não é não!
Obviamente, e tendo em atenção à sua idade, as conversas que tenho tido alertam que o tal ‘papão’ de que falo no titulo deste post, pode estar em todo o lado e que pode parecer de diferentes formas. As conversas têm evoluído e são relembradas quando necessário, e como o tenho feito com cuidado não é algo que a impeça de viver a vida, nem que crie medos desnecessários! Não de todo, apenas a ‘armo’ com informação para que saiba como se defender. Mas mesmo isto não chapa ganha! Mas é algo. É retomar o poder nas nossas mãos em defesa contra algo que parece crescer da escoridão
Já sei que devem estar a perguntar, não estarei eu a criar medos onde não devem existir? Se colocarmos a cabeça na areia, aí nunca saberemos nada nem precisaremos nunca de agir. Aliás foi assim ao longo dos tempos, crianças abusadas não sabiam como se defender nem os pais ou a sociedade como lidar com estes crimes.   A quantidade de predadores sexuais que vivem à nossa volta é alarmante. Basta ver os números dos relatórios internacionais de organizações como a Terre Des Hommes, que demonstram que não só ‘eles’ estão em todo o lado como podem ser MESMO qualquer pessoa. Alarmante? Assustador? De facto é, mas não é necessário começarmos a correr as voltas de braços esticados e em prantos. Há que viver, mas se falamos aos nossos filhos e nós próprios ouvimos em criança, para não falar com estranhos, nem comer os ditos doces, porque não sermos mais francos com eles e contarmos-lhes a verdade? Não é esta geração de facto mais perspicaz de qualquer forma? Não passam imenso tempo na internet, onde o perigo espreita a cada página? Não são eles que nos ensinam como usar o iphone sem nunca terem sido ensinados? Não são eles que dançam ao som de músicas pop super a moda, mas que traduzindo são autênticas letras de soft porn? Muitas até encitam ao abuso sobre as mulheres, escondidas sob o Inglês que cantarolamos mas ignoramos o seu significado…ora leiam a Blurred Lines de Pharell e  Thicke.  Pois é.  Já para não falar nos video clips.

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=fQYkPqbsykw]

No Reino Unido, nos Estados Unidos e até na India, já há organizações que produzem vídeos que podem ajudar pais e filhos a iniciar este tipo de conversa, que talvez seja a mais difícil que alguma vez terá com os seus filhos. Para mim foi.
O vídeo  #HowToTellYourChildren   é para mim uma boa forma de iniciar o tema, mas falha por não falar que o corpo de cada um é propriedade privada e que NINGUÉM pode abusar. [youtube https://www.youtube.com/watch?v=uJCWysVuxcs]
Nem que os tais grupos de segurança não são necessariamente seguros se não souberem identificar situações de risco,  mesmo vindo de uma pessoa que deveria ser quem os defende. Como é o caso de certos cuidadores, como um pai ou uma mãe, um padre ou um chefe de escuteiros,da vida que teriam acesso ao núcleo de segurança indicado pelos pais. A União Europeia apoiou o ‘Aqui ninguém toca’ ou ‘The Underware rule‘  uma campanha a nível nacional,  que se foca em delinear os limites que as crianças devem estar cientes para se defenderem e para denunciar abusos.
Conhecer o seu corpo, lidar sem culpa e com naturalidade, saber os limites do seu espaço individual e único, são a forma mais eficaz. O conhecimento, educação, são de facto mais poderosas que qualquer arma. Empoderamento da criança contra os verdadeiros ‘papões’. Sejam eles desconhecidos ou conhecidos. Talvez porque os números de abusos em família são alarmantes, talvez se devesse estender às escolas, onde se pudesse falar disto sem tabus.
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Foi num livro sobre a metodologia educativa de Reggio Emília que descobrimos este desafio e não queríamos deixar de o experimentar.

A metodologia de Reggio Emília assenta numa pedagogia de relação e de escuta, que parte do pressuposto que a criança é um ser em pesquisa, curiosa e atenta e neste processo de aprendizagem produz as suas teorias interpretativas do mundo. Como prática educativa, o educador é um observador no seu trabalho diário, documentando, formulando hipóteses, interpretando, pesquisando e escutando. É também o responsável por criar o contexto mais adequado para que as crianças se sintam confiantes, confortáveis, estimuladas e respeitadas durante o seu processo cognitivo de descoberta do mundo.

E o desafio que queremos aqui partilhar é muito simples! Experimente fazer com os seus filhos ou com os amigos dos seus filhos: construir uma ponte apenas de barro e arame. Sem esquecer que a construção deve ter equilíbrio – não é suposto uma ponte cair! – e uma função – será para pessoas ou para carros ou para …? -, deve também ser bonita e criativa – não fosse este um exercício artístico e não fossem estas construções denominadas de “obras de arte”!

Fácil, não é?!

Sim, sem dúvida!

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Mas o desafio maior não está no resultado desta construção mas sim no: a ponte deve ser executada a dois! Se à primeira vista vos parecer que nada disto é difícil, experimentem observar os comentários e comportamentos das crianças quando realizam este exercício. As crianças estão habituadas a trabalhar sozinhas e, perante um trabalho de expressão plástica deste género, muitas são as que sentem algumas dificuldades em superar o desafio de trabalhar com o outro. Ter de ouvir as ideias do seu colega, expor as suas, abrir mão de ideias que julgava como certas, aceitar que o outro também tem ideias e que são tão válidas como as suas, é um desafio que poucas crianças têm a oportunidade de experimentar já que nem todas as escolas ou metodologias educativas realizam este tipo de exercícios em idades mais novas. Apenas em idade escolar é que somos “obrigados” a realizar os “trabalhos de grupo” mas que na verdade funcionam – até mesmo na idade adulta, ao nível de licenciaturas ou mestrados – como trabalhos individuais, cada aluno ficando responsável por uma das componentes do trabalho de grupo.

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Este é assim um bom desafio para Educadores e Professores: é um bom exercício para aprendermos a ouvir mais o outro, a fazer valer as nossas ideias, a saber abdicar delas e a aceitar as ideias dos outros…à partida, tão válidas quanto as nossas.

Ora experimentem!

Por Patrícia Azevedo, Programadora Cultural
para Up To  Kids®

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ENGASGAMENTO NA CRIANÇA E LACTENTE – O QUE FAZER

Quem já viu, infelizmente, um filho engasgar-se ou ficar com a via aérea obstruída, sabe bem daquilo que falo quando digo que é das sensações mais aflitivas e angustiantes por que podemos passar enquanto pais.

Saber o que fazer, pode fazer a diferença entre a vida e a morte! Nesse sentido, escrevo este pequeno texto que tenta demonstrar, da forma mais simples e visual possível, o que se pode fazer de imediato, enquanto não chega ajuda mais diferenciada.

Apesar da minha intenção ao escrever este texto ser, de alguma forma, ensinar, pretendo acima de tudo alertar e fomentar a iniciativa de querer saber mais!

E atenção que o mais importante é SEMPRE telefonar para o 112 e activar os serviços de emergência.

As crianças têm por hábito introduzir na boca tudo o que encontram. Por esse motivo, é importante prevenir situações potencialmente perigosas, não deixando pequenos objectos que possam ser aspirados ao alcance dos nossos filhos. Obviamente que existem coisas que fogem do nosso controlo e que serão sempre impossíveis de evitar, como um engasgamento durante a alimentação. Mas não deixar pequenos objectos que possam ser aspirados ao alcance dos nossos filhos é uma regra de ouro que deverá ser sempre cumprida.

É importante perceber que uma obstrução da via aérea poderá ter diferentes graus de gravidade, e diferentes formas de actuar consoante a idade da criança.

Pode ser classificada como ligeira, quando a criança está reactiva, ainda consegue respirar e ainda mantém o reflexo da tosse eficaz; ou pode ser considerada grave quando existe já a incapacidade de respirar, chorar, falar ou tossir, quando está cianosado (ficando habitualmente com uma cor azulado ou arroxeado, principalmente na face e nas extremidades) ou quando agarra o pescoço com as mãos (sendo esse um sinal universal de asfixia).

Como devemos assim actuar em caso de obstrução da via aérea?

O modo como devemos proceder, é diferente no caso de ser um lactente ou uma criança com mais de 1 ano.

Quando a obstrução acontece numa criança com menos de 1 ano, se for uma obstrução ligeira, devemos apenas encorajar a tosse e vigiar. Já se for uma obstrução grave, deve-se iniciar imediatamente manobras de desengasgamento. Mas como podemos fazer estas manobras?

Devemos começar com até 5 pancadas interescapulares (ou seja, nas costas, entre as omoplatas), alternando com 5 compressões torácicas.

Para realizar as pancadas interescapulares, devemos estar ajoelhados ou sentados com o lactente ao colo; depois devemos pôr a descoberto o torax do lactente; seguramos a cabeça do lactente de barriga para baixo com a cabeça levemente mais baixa que o torax, apoiada no nosso antebraço (apoiado sobre a nossa coxa ou colo para dar suporte). Depois apoiamos a cabeça e a mandibula do lactente com a nossa mão (tendo o cuidado de não comprimir os tecidos moles do pescoço), e aplicamos 5 pancadas inter-escapulares com a base da mão (ver figura abaixo). Após aplicar as 5 pancadas inter-escapulares, posicionamos a outra mão nas costas do lactente e apoiamos a região posterior da cabeça com a palma da nossa mão. o lactente ficará assim posicionado entre os 2 antebraços. Giramos então o lactente, apoiando cuidadosamente a cabeça e o pescoço. segurando-o de costas. Repousamos o seu antebraço sobre a sua coxa/colo e mantemos a cabeça do lactente mais baixa que o tronco. Aplicamos então até 5 compressões torácicas rápidas. o objectivo é provocar uma tosse artificial capaz de deslocar o corpo estranho.

Devemos alternar as pancadas e as compressões até que o objecto seja removido.

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Depois de resolvida a situação, o lactente deverá ser sempre observado por médico para excluir complicações quer da obstrução da via aérea, quer das manobras abdominais.

Se em algum momento o lactente ficar inconsciente, deverá ser contactado o 112 e iniciar imediatamente manobras de reanimação, que foge do ambito deste texto.

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=Pa7iLoUM1PE]

Quando a obstrução acontece numa criança com mais de 1 ano, se for uma obstrução ligeira, devemos também encorajar a tosse e vigiar.

Se for uma obstrução grave, deve-se iniciar imediatamente manobras de desengasgamento, começando com até 5 pancadas interescapulares (ou seja, nas costas, entre as omoplatas),  e alternando com 5 compressões abdominais (manobra de Heimlich).

Para realizar as pancadas interescapulares, devemos colocar-nos ao lado e ligeiramente por detrás da criança, com uma das pernas encostadas de modo a ter apoio; depois, devemos passar o braço por baixo da axila e suportar a criança a nível do tórax com uma mão, mantendo-a inclinada para a frente numa posição tal que se algum objecto for deslocado com as pancadas, possa sair livremente pela boca; podemos entao aplicar até 5 pancadas com a base da outra mão na parte superior das costas, ao meio, entre as omoplatas (cada pancada deverá ser efectuada com força adequada para, individualmente, resolver a situação). Após cada pancada deve-se verificar se a obstrução foi ou não resolvida, aplicando até 5 pancadas no total.

Se as 5 pancadas interescapulares não são suficientes para resolver a situação, devemos aplicar 5 compressões abdominais (manobra de Heimlich). Para as fazer, devemos colocar a criança de pé ou sentada, connosco por trás, circundando o abdómen da criança com os braços; depois, fechamos o punho de uma mão; posicionamos o punho acima do umbigo com o polegar voltado contra o abdómen da criança, sobrepomos a 2ª mão à já aplicada; e finalmente aplicamos uma compressão rápida para dentro e para cima. Podemos repetir as compressões até que o objecto seja expelido. Cada nova compressão (num máximo de 5) deve ser aplicada como um  movimento separado e distinto, com a inteção de resolver a obstrução da via aérea.

Quando a obstrução tiver sido resolvida, a criança deverá ser sempre observado por um médico para excluir complicações quer da obstrução da via aérea, quer das manobras abdominais.

Se em algum momento a criança ficar inconsciente, deve ser contactado o 112 e iniciar imediatamente manobras de reanimação, que, como referido anteriormente, foge do âmbito deste texto.

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=lYwuoGkJo60]

NOTA: O texto deste post, foi baseado nos manuais do INEM, acessiveis através do site www.inem.pt

Poderão consultá-los para uma informação mais detalhada.

 

imagem de capa@bebé-engasgado

Há palavras que, pela sua importância, deviam ser ditas com o corpo todo. Professor é uma delas. Sim, sei que há exceções, mas não é delas que quero falar. Porque nos dias de hoje, precisamos de inspiração. Precisamos de alguém capaz de acreditar em nós. Alguém capaz de nos fazer ir buscar ao fundo da alma toda a nossa garra, todo o nosso esforço. Precisamos disto, quer sejamos pais ou sejamos técnicos. E precisamos ainda, mais se formos professores.

Nós, como pais, precisamos de professores no seu melhor. E os professores bons precisam de ser reconhecidos.

Imagine que vai num barco pequeno. Imagine que está em alto mar e começa uma tempestade. E imagine que tem dentro do barco algumas crianças e jovens a seu cargo. Esses jovens são seus filhos. Já entendeu. Vai fazer de tudo para que não sintam a dita tempestade. Vai fazer daquele barco um microcosmos. Vai protege-los com toda a força. E é assim em muitas das Escolas onde vou. Há um grupo de professores guerreiros que deixam o barco a navegar. Convenhamos que “cá fora” há muitas tempestades. E há milhares de crianças e jovens a passar horas nas escolas, conseguindo evitar os raios, a chuva e o frio. Estes são os melhores professores. Aqueles que protegem os alunos da tempestade.

Os melhores professores encetam conversas com vista a limar arestas.
Por vezes há sessões com os alunos que passam longe de serem brilhantes. Ou não estávamos nos nossos dias, ou o grupo de alunos não participou como devia. Custa-nos muito. E é aí que acontece algo extraordinário. Já depois da sessão ter acabado, sem ninguém a observar, sem ninguém a avaliar e, naturalmente, sem ninguém a valorizar, há professores que ficam na sala a debater as causas e as formas de melhorar. Uma conversa de quem verdadeiramente se importa com os alunos.

Os melhores professores vêem a floresta e não apenas a árvore.
Os alunos têm defeitos. Claro. Mas os melhores professores vêem para além disso e encontram também as áreas onde os alunos têm melhor desempenho.

Os melhores professores surgem do nada para saber se está tudo bem.
Se nós adultos temos os nossos dias, também as crianças têm momentos complicados. Muitas vezes encontro um ou outro aluno mais triste, mais cabisbaixo. E do nada, como magia, é comum surgir um professor que pergunta se está tudo bem. Uma palavra simples, um gesto, e logo aquele miúdo vê o dia com outros olhos.

Os melhores professores levam os pais às escolas.
Organizam acções, conferências, mandam convites, comunicam, disponibilizam-se, improvisam, mudam horários, fazem exposições, criam e levam os Pais à Escola.

Os melhores professores são um livro sobre atenção aos pormenores.
Os alunos são capazes de descobrir se a professora mudou de cor de cabelo, se o professor veio com um casaco novo. E o professor entende quando algo está diferente. Há cortes. Muitos. E há superação. Há refeições que são servidas, feridas desinfectadas, corações colados, cartões perdidos e achados. E há o descobrir quando algo está diferente.

Os melhores professores ensinam a aprender.
Ainda hoje, um professor dizia-me no final de uma sessão com alunos: “Gostava de saber como fez. Tem que vir cá para nós professores!”. Vejo o brilho nos olhos deles perante a novidade. Ensinar é aprender a vida toda. É saber colocar as questões certas. É colocar os alunos a pensar. E é tão difícil pensar com as ofertas tecnológicas, com o ritmo apressado das famílias, com as redes (demasiadas vezes) anti-sociais.

Os melhores professores inspiram a nunca desistir.
Há alunos capazes das respostas mais incríveis. Há respostas inconvenientes e inacreditáveis. E os melhores professores mantêm-se impávidos para não beliscar a auto-estima dos alunos. Conseguem rir depois, noutro dia, noutro contexto. Mas em frente ao aluno são capazes de o respeitar e de lhe dar força para mais uma tentativa.

Os melhores professores não vão em conversa de café.
No mini-mercado da esquina há sempre alguém capaz de acreditar no filho quando este diz ser alvo de discriminação, sem ouvir o outro lado da história. As profissões não são todas iguais. Se há uns anos havia um reconhecimento social em relação ao professor, parece que a situação está a alterar-se. Acusa-se de discriminação, de ter férias, de não ser dinâmico e de outras irrealidades, com demasiada imprudência.  Todos os dias há centenas de professores capazes de ultrapassar as críticas injustas, concentrando-se no essencial: os alunos.

 

Por Alfredo Leite, Mundo Brilhante, 
para Up To Lisbon Kids®

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Levar as crianças para o emprego. Será assim tão boa ideia?

“Muitos deixam as crianças com os avós e as crianças adoram esses mimos especiais.”

Quando as crianças atingem a idade escolar, muitos são os pais que têm de fazer uma grande ginástica logística para que as crianças não fiquem abandonadas em casa em períodos de interrupção escolar.

Muitos deixam as crianças com os avós e as crianças adoram esses mimos especiais. Outros têm a possibilidade de os deixar em espaços que organizam programas de férias. Aqui a pedagogia não pode faltar, muito menos a diversão e a fantasia.

Outros, ainda, organizam férias com os amigos dos filhos e a diversão é completa.

Mas, na falta de todas estas opções, há pais que levam os filhos para o emprego, durante uns dias. O suficiente para o patrão não reclamar! (Lembro-me bem deste tempo, em que ia para o escritório do meu pai e me deliciava a bater nas teclas da máquina de escrever, imitando aquele velhinho anúncio que passava na televisão, fazendo publicidade à máquina de escrever petite da Concentra. E de como gostava de conhecer o que era a vida de um adulto, compartimentada em várias salas a que se dá o nome de “escritórios” ou “gabinetes”).

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=AwIijvIx0aA&w=560&h=315]

Levar a turma do filho para o emprego.

Mas, e se em vez do filho, os pais levassem a turma do filho para conhecer o local onde trabalham?! Não acharia isso possível? E para quê se dar ao trabalho?! O que é que as crianças haveriam de aprender?!

Vamos dar-lhe um exemplo.

Um pai/mãe que trabalhe numa editora de livros, ao organizar uma visita com a Educadora / Professora do seu filho, levará as crianças para um mundo que normalmente está camuflado entre capas, contra-capas, guardas, miolo e lombadas. Conhecer o processo ligado à edição de um livro poderá soar-nos banal, mas não o será para uma criança. Muito menos para 15 ou 20 crianças!

Na editora terá oportunidade de perceber que também os escritores dão erros. Que o livro tem de ser montado em programas de computador. Que há uma pessoa por detrás da decisão de onde se colocar uma ilustração. Que há outro conjunto de pessoas que trabalham o grafismo das capas dos livros e das colecções. Que se pode escolher através de um catálogo o tipo de papel e a cor a usar como se de uma tinta plástica se tratasse, e outra que diz o “sim” final e decide que já pode ir para uma gráfica.

Outras pessoas ainda que apenas imprimem os livros e entregam à distribuidora que os fará seguir até às livrarias, até às mãos de adultos e crianças.

Podemos encarar este tipo de visitas da mesma forma como se encara a visita à quinta pedagógica sendo que, na editora, a pergunta é antes “de onde vem o livro?”.

Ora experimentem!

Por Patrícia Azevedo, Programadora Cultural do MAPA, para Up To  Kids®

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Não há pais perfeitos. Não queremos ser perfeitos. Os defeitos fazem-nos crescer, fazem-nos mais humanos. Mas todos desejamos melhorar. Os nossos filhos merecem o melhor. Este artigo é para quem acredita nestas frases. Somos pais que sabem pegar no melhor dos ensinamentos da vida e no melhor da ciência, para darmos aos nossos filhos as ferramentas para enfrentarem o futuro. Somos pais que vivem, que trabalham, que perseveram perante o futuro incerto. Somos pais com a mente aberta o suficiente para ouvir uma sugestão, uma crítica ou um alerta.

Como diz a música Somos os Tais, “ás vezes não é fácil, mas damos a volta, damos sempre a volta a tudo”. Grande Carlão.

  1. Sabemos que as maiorias nem sempre estão corretas. No entanto, sejamos sinceros, se há muitas pessoas cuja opinião considera válida e que discordam de alguma ação sua como pai, é sinal de que pode estar a fazer algo errado. Por exemplo, se há várias pessoas a chamar a atenção para o facto do seu filho andar a deitar-se tarde, então deve soar o alarme. Se vários professores detectaram a mesma dificuldade, deve investigar.
  1. Este ponto está ligado ao primeiro. Não encontra pelo menos três pessoas em quem confia? Pessoas em quem pode buscar inspiração na hora de educar? Isto pode ser um problema. Por vezes precisamos de visões de fora para podermos entender determinados assuntos. A máxima “quem está de fora não racha lenha” não se aplica aqui, certo? É importante conseguirmos estar atentos aos outros, nomeadamente aos mais experientes. Há sempre uma possibilidade de você ser o único a ver a verdade. Mas desconfie.
  1. Educa baseado num misto de instinto, trabalho de equipa e reflexão, ou baseia os seus atos educativos num único livro, autor ou guru? Se estreitar demasiado a sua forma de educar, se ficar apenas concentrado numa única fonte, aumenta o risco de errar. Muitas vezes há autores que desejam “apenas” vender um produto. Há livros inteiros com perspectivas erradas. Diversificar a sua visão pode ser vantajoso. Não significa ir atrás de todas as teorias, seguindo todas as modas. Significa retirar o melhor de cada uma, adaptando às características do seu filho. E às suas.
  1. “Filho, faz o que eu digo, não faças o que eu faço!”. Se esta é a sua máxima, algo está mal. O exemplo é uma forma poderosa de educar. Não é demais repetir.
  1. As suas vivências de criança estão a ajudar? Ou pelo contrário? Alguns pais dizem que seguem o que os pais deles fizeram. Repare nas mudanças ocorridas no mundo. E repare na sua visão do passado. Ela é a sua visão. Pode não ser a realidade. Se poder, debata com os seus pais e tente entender o porquê das suas atitudes. Tente procurar a verdade. Tente colocar na sua prática os melhores ensinamentos do passado. Mas entenda se os compreendeu bem. Tire a limpo.
  2. Há áreas da educação do seu filho que se recusa debater? O silêncio não é bom sinal. Se não enfrentarmos os assuntos eles ficarão na penumbra. Porque não quer falar? Fale.
  1. O seu filho não tem defeitos? Se por um lado nos deixa preocupados o pai que acusa o filho de tudo e mais alguma coisa e que se esquece de educar a sua auto-estima com palavras e gestos de afeto, com frases de optimismo, também nos preocupa quando encontramos pais cujos filhos são, na sua boca, perfeitos. Será sempre saudável conseguirmos encontrar alguma área do comportamento dos filhos passível de ser melhorada. Também não há filhos perfeitos.
  1. Se iniciar as suas frases pela positiva, poucas pessoas terão coragem para contrariar. Por exemplo, se disser “ o meu filho foi mesmo muito bom nesta representação teatral, certo?”. Quem vai contrariar o “pai babado” ? Se perguntar com convicção de quem tem uma dúvida, e não de quem procura um elogio, pode ter ideias mais consentâneas com a realidade.
  1. Não pode ouvir psicólogos a falar? Se fica com pele de galinha sempre que “esses que só sabem teoria” falam, pode estar a deixar passar alguns ensinamentos úteis. Tente ouvir sem preconceitos. A Psicologia parte de estudos científicos. Uns maus, uns mais ou menos, mas muitos excelentes e que são úteis.
  1. Tem dificuldades em arranjar argumentos para dar razão a um comportamento do seu filho? Se lhe faltam as palavras, se não conseguir conversar (calmamente) sobre o assunto, poderá estar a fazer apenas por fazer e isso pode ser um erro.
  1. Não pode ouvir falar do nome da professora do seu filho? Fica demasiado envolvido por emoções, como a raiva ou irritabilidade, perante determinados assuntos? Atenção. Nem sempre este estado emocional é um bom terreno para as melhores considerações. E, pode ser também um alerta para erros que esteja a cometer.
  2. Ainda não lhe deu um beijo hoje? Ainda não telefonou? Já o lembrou daquela característica única que o torna especial? Já gabou o esforço que ele fez? Se ainda não olhou no fundo dos olhos dele, se não o alertou para o cavalo alado naquela nuvem por cima das vossas cabeças, se ainda não lhe perguntou pelos altos e baixos do dia…ainda vai a tempo.

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Por Alfredo Leite, Mundo Brilhante, 
para Up To Lisbon Kids®

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Porque gerem os miúdos tão bem as emoções? Ou de como o coração de mãe dramatiza!

Hoje deixo uma recente história familiar.

A nossa família não é a mais dada a animais. Admito. Mas tínhamos um canário magnífico que, sobretudo eu e o meu filho adorávamos. Cantava lindamente e fazia parte das nossas preocupações diárias, especialmente do M., que tanto zelava pelo bicho.
Bom, a gaiola caiu, o pássaro voou… enfim, ficámos sem canário. Pânico.
Sabendo a elevada estima que M. tinha pelo pássaro, procurei por todo o lado e encontrei o que não queria ver. O que fazer agora?
Finalmente reunida a família, decidimos que teríamos que comunicar o seu desaparecimento à criança. E assim, à saída da escola lá estava eu, preparada para o meu melhor discurso sobre a perda e certa de que a sua reação seria radical pois nunca passara nada de semelhante.

Assim fiz.

Preparei o M., provavelmente da pior forma, engendrei um conjunto de frases às quais ele me respondeu: “É assim tão grave”? Percebi que estava a assustá-lo ainda mais e contei de uma vez … Silêncio. Ainda acrescentei: “podes ficar triste” ao que me responde “mas eu estou triste”. Ponto.

Queres ir escolher outro canário?”  – “Claro que sim! Vamos!”

Rei morto rei posto ou gestão das emoções, sem dramas.
Hoje temos outro canário maravilhoso a cantar de satisfação.
O mundo voltou ao normal e o coração de mãe sobreviveu.

Por Patrícia Ervilha,
para Up To Lisbon Kids®

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A propósito das comemorações de mais um aniversário do 25 de Abril, ouve-se por estes dias falar muito em liberdade. E é esse também o nosso mote para este artigo: liberdade… para brincar.

Quem pensa que brincar é apenas um intervalo no quotidiano escolar e familiar de uma criança ainda não percebeu a sua verdadeira importância para o desenvolvimento infantil. Mas não estamos a falar apenas do papel do brincar. Mais importante é ainda o brincar livremente, isto é, sem a tentadora mediação dos pais e educadores.

Significará isto que a criança deve brincar sozinha ou apenas com outras crianças? Não, nada disso. Deixar brincar livremente significa participar das brincadeiras, mas resistir à tentação de as organizar e/ou as decidir. Dos adultos espera-se que dêem espaço e segurança à brincadeira e que dela participem, mas devem ser as crianças a definir “as regras do jogo”, brincando de forma livre e espontânea.

Dar prioridade ao brincar livremente é possibilitar o desenvolvimento pleno das crianças. É através desse processo que elas socializam e reforçam as suas capacidades sociais, criativas, cognitivas, emocionais e físicas. Quando a brincadeira é livre estamos a favorecer a autonomia da criança.

Na escola e, tantas vezes, em casa, os momentos lúdicos são vistos como um mero intervalo na agenda de uma criança. Nada mais errado! Brincar deveria ter, pelo menos, tanta importância quanto os programas curriculares impostos. E mesmo nesses intervalos, brincar deixou de ser totalmente livre: os espaços são fechados e quase estéreis, substituiu-se a natureza pelos materiais sintéticos “seguros”, privilegiam-se quase em exclusivo os chamados brinquedos didácticos. É claro que a brincadeira deve ser segura, mas é também fundamental ser simultaneamente desafiadora. É com os desafios que crescemos de forma saudável. É com eles que aprendemos a conhecer os limites e a querer ir mais além. É com eles que amadurecemos.

Não é preciso haver sempre um objectivo para a brincadeira: a criança necessita de desenvolver a sua espontaneidade e criatividade. Há que dar a oportunidade às crianças de conduzir o seu interesse e o seu tempo, deixando-as aprender naturalmente.

Boas brincadeiras… livres!

Por Vilma van Harten, Directora Geral da B de Brincar®,
para Up To Lisbon Kids®

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O seu filho vai entrar para o 1º ciclo? Quando pensa nisso, como é que se sente? Fica com um brilho nos olhos, sente um aperto no estômago ou dá-lhe um friozinho na barriga?
 
Esta etapa na vida de uma família, costuma trazer consigo entusiasmo, expectativas e sobretudo, muitos receios. Todas as etapas de transição implicam, por natureza, expectativas, dúvidas, medos e às vezes até alguma angústia. Todos os elementos implicados no processo sabem que têm um papel a assumir e querem cumpri-lo melhor que ninguém. No entanto, todos se debatem com as suas próprias dúvidas e inseguranças e é isso que torna estes “grandes” momentos tão ambivalentes.
Não pretendo alongar-me acerca do que vai mudar da realidade do pré-escolar para o 1º ciclo. Até porque na realidade esse será um factor de menor importância em todo o processo. Ainda assim, importa referir que existem efectivamente diferenças relevantes como a forma como o seu filho vai passar a viver o espaço (agora e cada vez mais, centrado numa mesa, num quadro, em folhas/ cadernos) e adquirir novos hábitos de trabalho e novas regras. Passarão a existir sobre a criança expectativas de um certo “bom” comportamento e de aprendizagem e é aí que, subtilmente (ou nem por isso), se introduz o conceito de sucesso (e insucesso) escolar. Os critérios de avaliação do percurso do seu filho deixam de se centrar no domínio sócio-afectivo (linguagem, capacidade de estabelecer boas relações com os pares e com o adulto, persistência, autonomia, etc.) e passam a centrar-se em critérios académicos (produção escolar e atitude face ao trabalho e às regras). Mas, como dizia, mais importante do que estes aspectos, hoje sabe-se que o sucesso ou insucesso escolar corresponde (muito) frequentemente a uma adaptação escolar bem, ou menos bem, sucedida. Ou seja, sucesso escolar é na realidade sucesso no processo de adaptação escolar e, o contrário, é igualmente válido.
Como é que os pais podem ajudar?
Antes de mais, é fundamental que toda a família reconheça e compreenda que medos, dúvidas e insegurança não são vividas exclusivamente pela criança, antes pelo contrário. Também os pais transportam para o processo as suas próprias vivências, medos e inseguranças. Por isso mesmo, este talvez seja um momento interessante para que os pais se recordem de como foi vivida a sua própria escolaridade em todas as suas etapas. A tendência será para projectar muito do que é nosso nos nossos filhos. É importante compreender que este é um novo caminho que se inicia. Pensar se o seu filho vai fazer amigos com facilidade, gostar do professor, ter dificuldades com esta ou outra disciplina, é viver hoje o que ainda não existe. E quando vivemos no que poderá, eventualmente, estar para vir, temos menos disponibilidade para viver o que hoje está a acontecer.
Depois, é necessário ter em linha de conta que também os seus próprios receios e inseguranças como pais poderão interferir. Isto porque deixar crescer os nossos filhos não é um processo necessariamente pacífico e livre de conflitos internos. A entrada de um filho para a escola é mais um confronto com o facto de que a vida dele não nos pertence, e que a nossa função é apenas a de o preparar para que um dia possa seguir o seu caminho (de preferência, com a qualificação máxima de doutoramento em amor).
Posto isto, a verdade é que se estivermos alerta para as nossas próprias emoções, então estão criadas as condições para separarmos as águas e evitar que as mesmas interfiram no processo de adaptação do nosso filho, que deve ser livre e vivido apenas à sua imagem.
Ficam algumas dicas…
  1. Sinta que é fundamental que o seu filho aprenda a crescer. E para aprender a crescer, é importante que viva conflitos e aprenda a ultrapassar os seus desafios. Proteger demasiado o seu filho de frustrações e dificuldades pode torná-lo mais frágil e vulnerável. Vai entrar para a escola? Que desafio maravilho que aí vem!
  2. Incentive e fale sobre a entrada para a escola, mas evite longas e insistentes explicações que poderão gerar desconfiança e ansiedade;
  3. Evite mensagens contraditórias como dar recompensas ao seu filho por ter ido à escola. Se ir para a escola é bom e normal, então porque é que tem que ser (re)compensada? Estas prendas revelam muitas vezes a culpabilidade dos pais e a sua ambivalência;
  4. Seja carinhoso mas firme mostrando que não tem dúvidas de que o seu filho vai ficar bem;
  5. Organize a rotina de forma a garantir alguma tranquilidade (nada pior do que chegar à escola depois de uma manhã de correrias e zangas por causa de atrasos);
  6. Para uma boa adaptação é imprescindível que a criança esteja estável física e emocionalmente (se existirem conflitos latentes ou abertos em casa, a criança tenderá a transportar essa desarmonia para a escola);
  7. Converse com o seu filho sobre o seu dia-a-dia. A melhor estratégias será falar do seu próprio dia de forma emocional (e não apenas sob a forma de relato). Assim estará a ensinar-lhe a fazer o mesmo (por exemplo “hoje fiquei triste com X” ou “aconteceu Y que me deixou muito feliz e orgulhosa”);
  8. Dê sempre, prioridade à pessoa que o seu filho é e não aos resultados que obtém. Se se esforçou muito e os resultados não foram os desejados, então o mais importante no processo foi de facto o esforço. Os resultados podem ser bons hoje e maus amanhã. Continuar a esforçar-se e aprender a corrigir o que não correu bem é a única forma de chegar onde pretende.
  9. O seu filho entrou para a escola mas continua a ser uma criança, precisa acima de tudo de brincar muito e sentir-se profundamente amado, sempre;
  10. Saiba que o conceito de sucesso escolar está sobrevalorizado. Não existe uma relação directa entre sucesso escolar e sucesso na vida (principalmente se considerarmos que ter sucesso na vida é ser feliz);
  11. Mantenha-se focado no que é verdadeiramente importante. O seu amor e atenção serão os dois factores mais estruturantes ao longo de todo e qualquer processo de adaptação pelo qual o seu filho possa passar. Mais do que isso, são os elementos mais protectores da vida dele.
Agora chegou o momento para perguntar: Sente-se preparado/a para que seu filho entre no 1º ciclo?
imagem capa@moreto.net

Sou Educadora de Infância e iniciei a minha prática pedagógica há cerca de 19 anos, 13 dos quais no sector público, em Jardins de Infância integrados na rede nacional de Educação Pré-Escolar do Ministério da Educação. Sou apaixonada pela minha profissão, considero-me privilegiada por realmente fazer aquilo que gosto enquanto profissional.

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Como qualquer Docente e como agente ativo do sistema de educação, preocupo-me em promover novas aprendizagens em contextos de intencionalidade educativa, que considero as mais adequadas às necessidades e interesses dos meus grupos de alunos.

Sendo este ano letivo, docente titular de uma turma, com idades compreendidas entre os 4 e 6 anos; considerei, desde o 1º contacto com o “Gesto Certo” (obra pioneira nesta temática), que seria impulsionador de novas aprendizagens nesta faixa etária, no que diz respeito à educação para a saúde e cidadania.

A aprendizagem do Suporte Básico de Vida e da adequada ativação do serviço de emergência médica, tornou-se uma realidade aquando da abordagem e exploração do “Gesto Certo” em contexto de sala de aula, que de uma forma lúdica e pedagógica, captou de imediato a atenção e interesse dos alunos.

A linguagem adequada e simples, assim como a ilustração composta por imagens apelativas, onde se destaca o “Rafa” (muito expressivo, curioso e simpático, com o qual os alunos se identificaram) foram meios facilitadores para a aquisição de novas competências. Competências estas que abrangeram todas as áreas de conteúdo preconizadas nas Orientações Curriculares para a Educação Pré-Escolar.

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Deixo-vos aqui alguns exemplos de atividades desenvolvidas, tais como: a adoção de comportamentos reveladores de emergência de valores como o espírito de entreajuda (formação pessoal e social), o reconhecimento do número 112 e contagem até 10 (matemática); o reconhecimento e reprodução de palavras, como por exemplo INEM, o registo gráfico da narrativa (linguagem oral e abordagem à escrita), a dramatização de uma situação de emergência (expressão dramática), a elaboração de adereços e painéis (expressão plástica), a aprendizagem do Hino do Suporte Básico de Vida – “O Poder e o Saber dos Teus Gestos” (expressão musical), pesquisas diversas (tecnologias de informação e comunicação), identificação e localização de diferentes partes externas do corpo, assim como a identificação de algumas profissões e serviços (conhecimento do mundo).

APRENDER FAZENDO!! E foi isso mesmo que aconteceu com a apresentação do livro pelo autor. O Prof. Luís Pacheco de uma forma dinâmica e interativa onde os alunos fizeram parte integrante da mesma, fomentou a consciencialização da importância de sermos cidadãos responsáveis.

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E como o cenário educativo do Jardim de Infância possui instrumentos que permitem aos alunos participarem na sua própria avaliação, visando sempre a construção de aprendizagens integradas, também neste contexto avaliaram as atividades desenvolvidas no âmbito do tema “Suporte Básico de Vida”, no seguimento da exploração da obra em questão: “Aprendi como se salvam vidas e como se põem as pessoas a respirar outra vez” – Rodrigo (5 anos), “Aprendi a salvar vidas e ajudar pessoas a sobreviverem se tiverem caídas no chão. Ajudamos se fizermos o suporte básico de vida” – Tiago (6 anos), Quando estamos em sarilhos temos que nos ajudar uns aos outros, chamamos a Professora e a ambulância” – Mariana (4 anos).DSC_1133

“O poder e o saber dos teus gestos, podem fazer a diferença numa emergência amanhã” e através do “Gesto Certo” os mais pequenos podem mesmo aprender a salvar vidas!”

Por Cecília Ascenção, Gesto Certo,
para Up To Lisbon Kids®

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