Quero dar-te colo…

À menina que ontem chorava no parque infantil: quero dar-te colo.

Quero que as lágrimas que choras sejam substituídas por sorrisos, porque o teu sorriso é maior do que as palavras que a tua mãe te diz.

Sim, eu oiço-a. Oiço-a a apressar-te, a dizer para não estares outra vez a subir o escorrega porque nunca consegues subir sozinha. Para não seres parva. Para largares a bola do menino. Que lá estás tu a correr.

Quando cheguei ao pé do escorrega e te vi olhar as escadas como se do Everest se tratasse, estendi-te a mão. Os teus olhos piscaram como se não percebesses. Vem, tenta subir, disse-te. Ajudei-te a subir duas vezes e à terceira fizeste-o sozinha. Olhaste em volta à procura da tua mãe e ela estava de costas, mais preocupada com o pó que se tinha acumulado nos sapatos do que com as tuas conquistas. Fiz-te uma festinha e tive a sensação que não devias receber nenhuma há muito tempo.

Gostava que a tua mãe visse como o encorajamento te fez vencer uma etapa em apenas meia hora. Em como o peso das palavras positivas te fez chegar longe quando o das palavras negativas te fazia agarrar as escadas com força e perder a coragem.

Gostava que ela soubesse que devia ser a pessoa mais importante para ti. Eu sei que é, mas não está a cumprir com o seu papel.

Daqui a uns anos vais virar-lhe costas porque ela não te apoia, nunca te apoiou. Eu sei que é mais fácil ser mãe de meninos bem comportados, de meninos que sabem sempre as respostas certas, que conseguem sempre as coisas à primeira. Sei também que esses meninos quase não existem. E tu não devias querer ser como eles.

És única e tens os teus desafios. Mereces ter tempo para ultrapassá-los. Para falhar. Para chegar mais longe, seja qual for esse longe, porque cada um tem os seus limites. Mereces ter alguém que te estenda a mão.

Gostava que fosses abraçada todos os dias e te dissessem como gostam de ti.

Porque a tua mãe gosta de ti, só não foi ensinada a gostar. Talvez a mãe dela fosse assim, como ela é. Mas promete-me que vais pegar em tudo isto e ser diferente com os teus filhos. Que não vais poupar abraços, que vais esforçar-te por ter uma palavra boa a dizer. Promete-me!

Queria dar-te colo. Queria sussurrar todos os dias ao teu ouvido que vais chegar longe.

Talvez não chegues porque te está sempre a ser dito que não consegues. Ou talvez, precisamente por causa disso, te esforces para provar que a tua mãe está enganada.

Talvez sejas tu quem tem de a ensinar a gostar. A manifestar o amor.

Eu acredito em ti.

Acredito que por trás desses olhos tristes vai haver uma grande pessoa.

Queria dar-te colo, mas não vou estar por perto para to dar.

Por isso, minha querida, sempre que ouvires coisas que te fazem duvidar de ti mesma, canta. Canta baixinho a tua música preferida e deixa que ela te leve…

Tu és capaz.

Acredita.

imagem@jillgreenberg

LER TAMBÉM…

Eu fiquei contigo ao colo

Colo

Cá em casa# Damos Colo

 

Era uma festa. Para um pequeno catita de 5 anos, uma das suas coisas preferidas (tirando comer uma banana, claro). Ele adora ver gente junta, feliz e de preferência rodeada de comida. Se no meio conhecer meia dúzia de pessoas novas, aí fica mesmo eufórico.

No meio de toda aquela alegria, apareceu na sala a chorar profundamente. Corri para ele e abracei-o. Estava a tentar perceber o que lhe tinha acontecido. Enquanto ele soluçava sem parar, entre meias palavras, consegui perceber que o seu chapéu colorido tinha voado para qualquer lado. Ele estava triste, mesmo triste. Do nada, apareceu uma senhora, cheia de boas intenções “Não precisas ficar assim! É só um chapéu. Vá, já chega de chorar. Deixa-me ver o teu lindo sorriso!” disse-lhe.

O pequeno catita ainda chorou mais. Ao ouvido dele, enquanto o abraçava, sussurrei “Chora. Chora tudo o que precisares. Eu percebo que estás mesmo triste, era o teu chapéu das aventuras, não era?” Ele chorou mais um bocadinho e quando estava preparado, fomos procurar o chapéu no jardim.

Ver alguém chorar faz disparar algum alarme bem profundo dentro de nós. Só queremos que pare. Mas chorar é um mecanismo que temos para libertar a emoção que estamos a sentir. É uma espécie de cura, de transformação do que nos aconteceu. É quando a emoção está a sair do corpo. O que a senhora lhe disse foi, de certa forma, que a emoção que ele estava a sentir não era adequada à situação. Era uma espécie de “o que estás a sentir não está certo”. É assim tão desconfortável para nós assistirmos às emoções “menos sorridentes” dos outros?

Os pensamentos, emoções e comportamentos da criança devem ser reconhecidos e, não engolidos. Devem ter espaço para existir. Porque eles estão lá na mesma. Se não vêm para fora…vão para dentro. Ficam lá, paradinhos à espera de uma nova oportunidade, mais segura, para saírem cá para fora.

Porque é que acham que muitos pais ouvem que os filhos são fabulosos na escola e em casa só fazem pilharias? Eles estão a exprimir todas as emoções que durante o dia tiveram de ficar escondidas. Estão a trazê-las cá para fora para serem transformadas.

E sabes porque o fazem apenas contigo?

Porque se sentem seguros. Porque sabem, bem lá no fundo, que gostas deles da pontinha das unhas dos pés ao cabelo mais comprido.

Sabem que não precisam de usar a máscara da menina bem comportada ou do melhor aluno da primeira fila. Podem ser simplesmente eles, com tudo o que vai lá dentro.

Como as pessoas falam pouco dos seus sentimentos, muitas vezes sentimos que somos os únicos que temos emoções que nos deixam assoberbados. Sentimos que estamos sós nisto tudo e, que talvez não seja certo sentirmos o que sentimos.

Se permitirmos aos nossos filhos sentir e comunicar o que vai lá dentro, damos-lhes a possibilidade de gostarem de cada cantinho seu, do mais escuro ao mais luminoso. Só assim podemos fazer crescer a sua autoestima, a sua capacidade de empatia e a inteligência emocional.

Ao não negar o que sentimos, tomamos consciência de que não somos as nossas emoções. Elas apenas ficam um pouco, e vão. Como uma nuvem que passa ou uma chuvada que dura apenas alguns minutos antes do sol brilhar de novo.

Se tivermos curiosidade em descobrir o que os nossos filhos estão a sentir, sem tentar resolver o problema, julgar ou controlar, apenas deixando que eles se exprimam, estamos a dar-lhes a oportunidade única de compreender e aceitar o seu mundo interior.

Tu tens um papel MESMO muito importante aqui. Sabes, quando eles são pequeninos, o seu cérebro ainda não está totalmente desenvolvido. As zonas do cérebro correspondentes à relativização das emoções e ao colocar os acontecimentos em perspectiva ainda estão no início da construção. O que domina é a parte do cérebro reptiliana, essa sim, totalmente desenvolvida, responsável pelas emoções mais cruas, como o medo, a raiva, a alegria e o choro.

Nós, pais, somos o sistema nervoso externo dos nossos filhos enquanto o outro ainda está em construção. Eles precisam de nós para os ajudarmos a lidar com os grandes sentimentos que os invadem. Somos nós que temos de lhes dar a mão e os ajudar a passar de um overload emocional para uma zona mais calma.

Passo a passo, enquanto ouvimos com empatia o que está acontecer com eles, vamos criando a ponte entre uma zona e outra. Uma ponte que um dia eles vão, finalmente, ser capazes de atravessar sozinhos.

LER TAMBÉM…

Ficas praí a chorar sozinho!

Pára de chorar imediatamente!

Ensina o teu filho a gerir emoções negativas

Como desarmar uma birra é um dos maiores desafios dos pais. Fazê-lo com uma pergunta é possível!

As birras dos filhos e como ajuda-los a supera-las

Eu não li os livros todos de psicologia infantil, nem fiz nenhum curso de como evitar/interromper/acabar com uma birra. Mas à conta de episódio passado com a minha filha de 5 anos, aprendi uma “fórmula” para contornar as birras dos nossos filhos.

A minha filha entrou na escola e andava um bocado ansiosa.

Nas primeiras semanas percebemos que estava bastante nervosa e esse comportamento acabou por se refletir em casa: fazia birras com facilidade, até por coisas sem importância. De repente, tudo era um drama. Por indicação da escola, procuramos uma psicóloga infantil, para que a Alice pudesse falar sobre o que se estava a passar e percebermos o que podíamos fazer para ultrpassar esta fase.

De entre as várias dicas que a psicóloga Sally Neuberger nos deu, houve uma que retive exactamente por ter achado fantástica, e é sobre ela que vou aqui falar.

A psicóloga explicou-me que a criança tem de se sentir respeitada. Ou seja, devemos dar valor ao que está a sentir, mesmo que nos pareça uma birra pura. Assim, no momento de uma crise, uma criança a partir dos 5 anos de idade precisa de que a ajudemos a pensar e obter uma resposta sobre o que se está a passar.

Esta nossa valorização sobre o que a criança está a sentir e ao mesmo tempo o facto de incluí-la na solução da questão desmonta a birra em si.

Como desarmar uma birra com uma pergunta

No momento da birra – seja porque o braço da boneca saiu, porque está na hora de ir para a cama, porque os TPCs não correram com esperava ou porque não queria realizar uma tarefa – devemos olha-la nos olhos e perguntar num tom calmo :

“Isto é um problema grande, um problema médio ou um problema pequeno?”

Esta frase tornou-se mágica aqui em casa. E sempre que faço a pergunta e a minha filha me consegue responder. Em conjunto conseguimos encontrar uma solução para o problema.

Se for um problema pequeno é rápido e tranquilo de resolver.

Um problema médio, muito provavelmente será resolvido mas não nesse momento imediato e ela vai entender que há coisas que precisam de tempo para acontecer.

Se o problema for grave – e obviamente que grave na cabeça de uma criança não pode ser algo a ser desprezado mesmo nos pareça algo sem importância – talvez seja preciso mais conversa e mais atenção para que a criança entenda que há coisas que não correm exatamente como nós queremos.

 

LER TAMBÉM…

Birras com Gritos Muito Intensos; como lidar com isso

As crianças não fazem birras

4 truques 100% eficazes para deixar o bebé a dormir sem birras

 

A birra da roupa de manhã

Details

Quando a nossa voz interior nos dá cabo da cabeça

Hoje dei por mim a pensar que a viagem da parentalidade é semelhante a comer um saco de amêndoas deliciosas. Uma a uma sentimos o sabor, valorizamos a experiência, queremos mais. Ficamos tão envolvidos que sem reparar comemos uma atrás da outra, até que, aparece uma bem amarga BLERGHHH!!!  Então o único sabor que fica na boca é mesmo esse, amargo. Um amargo que invade, ofuscando todos os momentos doces e as conquistas que fizemos. Daí a criar um pensamento crítico sobre nós, é um saltinho“Sou uma péssima mãe”; “Nunca estou com os meus filhos”; “A culpa é minha”; “Estou sempre a gritar”.

Estas generalizações ocupam muito espaço e sugam muita energia. São fruto de uma vozinha crítica que vive a tempo inteiro na nossa cabeça. Sabem qual é? Aquela que quando nos baldamos ao ginásio diz “És sempre a mesma coisa, não levas nada até ao fim.” Pode também usar alguma ironia, se tiver uma pontinha de humor britânico “Uauu pelo menos faltas com regularidade, isso deve queimar algumas calorias!”

Mas de onde é que ela apareceu? É que desde que me lembro, ela fala comigo. De uma forma crítica e levemente ácida diz-me que não vou conseguir, que não sou suficientemente boa ou que “isso nunca vai resultar”. O seu tom preocupado ilude, parecendo que até está ali para me ajudar.

Esta voz parece ter superpoderes visionários, muitas vezes usados pelas pais, “Olha, olha que ainda vais cair!” PUM! Criança estatelada no chão. “Vês? Eu avisei-te” sai imediatamente em tom vitorioso.

Este sabotador interno, que acha que não somos merecedores de sucesso, mesmo quando estamos a caminho do êxito dispara um “Hum, isto não vai durar”. É uma espécie de balão gigante cheio de frases desmotivadoras disparadas nas alturas em que precisamos é de compaixão e força.

Se prestarmos bem atenção vamos reconhecer essas frases. Vamos reconhecê-las nas pessoas que fizeram parte do nosso crescimento. Vamos reconhecê-las em momentos da nossa vida em que foram ditas por alguém e as tomámos como verdades. São assimiladas e transformadas na nossa voz interior. A Peggy O’Mara, resume o processo na seguinte frase The way we talk to our children becomes their inner voice.” Ena.

Mas como posso quebrar este ciclo crítico e dar ao meu filho a possibilidade de ter uma voz interior que o apoia, compreende e aceita tal como é?

1- Notando o que digo e quando o digo.
Em que situações o meu crítico está mais ativo? Perceber que triggers despoletam estes pensamentos negativos em mim e conscientemente olhar para eles com carinho. O crítico é desarmado com a compaixão.

2- Questionando.
“Porque é que eu estou a dizer isto?”; “De onde é que isto vem?”; “Acredito mesmo nisto?” Este processo permite tirar-nos do piloto automático negativo e finalmente começar a ter noção e poder sobre os nossos pensamentos.

3- Trocando pensamentos negativos por pensamentos compassivos.
Sê objectivo no que estás a ver à tua frente. Não uses julgamento mas observação isenta. “Reparei que esta semana fui ao ginásio uma vez.” É bastante diferente do “és uma baldas”. Em qual das situações ficam mais motivados para ir ao ginásio? Ah pois é. O mesmo se passa quando falamos com os nossos filhos com uma voz profundamente crítica que sublinha o erro e o falhanço. “Nunca arrumas o teu quarto. És mesmo desarrumado.”

Quando mudo a forma como falo comigo, mudo a forma como falo com o meu filho e dou-lhe a possibilidade única de ter uma voz interior que apoia o seu interior a vir cá para fora brilhar.

Uma voz interior que o recebe de braços abertos e lhe diz “Anda vamos ser felizes! Tu mereces.”

LER TAMBÉM…

Ontem zangámo-nos a sério

10 coisas que devemos dizer aos nossos filhos sem medo

Como comunicar com os filhos de forma positiva e eficaz

 

A mente que se abre a uma nova ideia jamais regressa ao seu tamanho original.

Se há seres que vêm para nos transformar, para expandir a nossa percepção, são as crianças. As crianças como um todo. E cada uma delas. Individualmente.

Se conseguimos entender, se estamos dispostos a aceitar que assim é, isso já é um desfio diferente. No entanto isso não anula esta verdade. As crianças são catalisadores de expansão. Todas elas e cada uma individualmente.

Mas para que possam fazer bem o seu trabalho, precisam de ter ao seu lado adultos conscientes, que os aceitem. Que os respeitem. Que mesmo que não consigam entender na totalidade a forma como se expressam, a forma como sentem ou vivem, consigam nutrir e acompanhar partindo do ponto mais importante. Da raiz fundamental.

Ficamos frustrados quando não conseguimos compreender os nossos filhos.

“Mas eu quero a minha chávena amarela com riscas azuis!”… “Não quero ir à escola hoje. Não vou!”… “Não me lavaste as calças e hoje tenho treino de ginástica, tiro ao alvo e salto à vara!”

Só conseguimos ver o que está à superfície. Então o nosso piloto automático fica no comando. Reagimos. Recorremos àquilo que aprendemos ao longo do nosso próprio crescimento. Às nossas referências.

No entanto, muitos pais – cada vez mais reconhecem que o seu piloto automático não se coaduna com o caminho que querem seguir na educação dos seus filhos.

É o coração a falar mais alto.

Não é por acaso que o coração é o primeiro órgão a formar-se. Já pensou porque razão não é o primeiro nas nossas decisões e escolhas?

A resposta é simples. Não aprendemos. Não sabemos. Crescemos desconectados do nosso coração. Das nossas emoções.

Passamos a vida inteira a sentir: segue o teu coração. Mas no dia-a-dia, atolado de situações e posições desafiantes e pensamos: Sim. Pois. Claro. O coração.

E, claro, depois há a nossa infância – o gigante disfarçado onde vivem todas as raízes de como pensamos e agimos.

Na infância, somos permanentemente bombardeados com frases que nunca esperámos ouvir.

Porque na infância não se vive noutra frequência senão a do coração. Que é a frequência da conexão.

Quem não ouviu frases do tipo: “Usa a cabeça. Tens de usar a cabeça.”… “Quem manda aqui sou eu.”… “Não quero saber se a Agripina se deita às 11 da noite!”

E o coração vai-se desvalorizando. Vai perdendo a força enquanto elemento fundamental na conexão entre as pessoas. De confiança. De valor.

Quando o coração é, não apenas a raiz física – fisiológica –  como também, a raiz emocional. Simbólica. De onde tudo parte.

Crescemos – e daí vivermos – de forma tão desconectada que se torna tarefa quase impossível reconectarmo-nos. Parece impossível mas não é.

No entanto, reconectarmo-nos, de forma a podermos Criar com o Coração, implica refazer ligações – novas ligações – que ficaram danificadas ao longo do nosso próprio crescimento.

Então o que é Criar Com o Coração? Começo pelo que Criar Com o Coração NÃO É. Criar Com O Coração não é uma escolha que se faz uma vez e se abandona.

Criar Com O Coração é libertar-se do controlo. É libertar-se da necessidade de poder. É libertar-se de todos os mitos, preconceitos e percepções que construiu durante o seu próprio crescimento. Das suas próprias experiências de desconexão.

É conectar-se consigo mesmo em primeiro lugar. E amar-se como um ser pleno.

Criar com o Coração é ancorar, depois, na sua forma de educar apenas em práticas e ferramentas que partem de um ponto de amor. De gratidão.

Criar Com O Coração É deitarmo-nos hoje e decidir: sou grato pelas crianças que estão na minha vida. Pode nem sempre ser fácil, mas hoje tenho CORAGEM de escolher MUDAR a maneira como ajo com os meus filhos.

É acordarmos amanhã de manhã e pensarmos que por mais difícil que seja, hoje vou ser corajoso e conseguir gerir as minhas emoções antes de falar/ de agir/ de reagir.

Hoje, em vez de ser a projecção das minhas dores ansiedades ou do meu passado, hoje vou ser quem eu SOU. Hoje vou abrir uma nova página e ser quem eu quero ser.

Quero desde já assegurar que apesar de à primeira vista isto parecer aterrador  ou mesmo até conversa fiada –  garanto-lhe que esta pequena prática vai provocar alterações significativas num processo a que vou chamar reconexão (rewiring em inglês).

Há inúmeros estudos que cobrem esta matéria. O seu cérebro vai fisicamente estabelecer novas conexões e restituir ligações que estavam quebradas.

Criar Com O Coração é um processo, uma caminhada de avanços, recuos e novos avanços. Não é um toque de varinha mágica que elimina desafios, momentos difíceis os medos ou as incertezas.

Não, não vai acordar amanhã e o mundo estar perfeito. Vai continuar a ter momentos em que vai ter vontade de trepar paredes, arrancar os cabelos ou enfiar-se num vaivém espacial e aterrar noutro planeta. E ficar lá até os seus filhos terem trinta e cinco anos.   

Mas a boa notícia é que não temos de ser perfeitos. Temos de ir caminhando. Não gostamos da maneira como agimos com os nossos filhos? Arrependemo-nos constantemente do que dizemos ou fazemos?

Esta é uma forma de o nosso coração nos confirmar que estamos  prontos para mudar. Devemos escutá-lo.

Parece ser demasiado exigente? É na verdade apenas mais consciente. E esta é uma palavra vital na interacção humana. E muito em especial na formação de crianças mentalmente saudáveis.

Não vamos acordar amanhã e estar diferentes. Não. Espere. Isso provavelmente vai acontecer. É um dos efeitos de expandir a nossa percepção e de absorver novo conhecimento.

Sei que cada adulto que implemente esta prática verá melhorias não apenas na comunicação com as crianças, nas suas manifestações verbais e não verbais, mas também melhorias na sua própria vida.

Ao ampliar a sua percepção, o seu cérebro vai fazer novas conexões.

A mente que se abre a uma nova ideia jamais regressa ao seu tamanho original.  Jamais. Já dizia Einstein.

 

LER TAMBÉM…

A parentalidade que respeita os tempos, ritmos e os sonhos da criança

6 dicas para conseguires praticar mindfulness a qualquer hora;

Hábitos dos pais positivos

 

 

Sabe o que há de maravilhoso em ter filhos? Só tem quem quer. Não é obrigatório! Isso mesmo, ter ou não ter filhos é uma escolha absolutamente racional. Não é uma decisão que se tome porque se está apaixonado por alguém, ou porque está à procura de um sentido para a vida, ou porque se esteja a sentir solitário e ande a sonhar com uma família daquelas dos anuncios. Tornar-se pai ou mãe envolve um enorme compromisso que é responsabilizar-se cem por cento pela vida de uma outra pessoa que, não escolheu ser a sua extensão, continuação, inspiração ou coisa que o valha.

E sabe o que há de terrível em ter filhos? É que um grande número de homens e mulheres tomam essa decisão para cumprir um papel social ou fazem-no, simplesmente, por acidente, ou porque fizeram sexo sem proteção ignorando o facto de que é exatamente assim que nós, seres humanos, nos reproduzimos. E o que se pode esperar de pessoas que trouxeram outra pessoa a este mundo por pressão social ou por imprudência?

Seguindo esta linha de raciocínio, passemos a uma necessária reflexão sobre o que é responsabilizar-se pela existência de um ser humano. Nascemos filhotes, exatamente como as outras espécies animais, só que com uma pequena diferença: dependemos dos nossos pais para absolutamente tudo; e se formos abandonados sem cuidados, morremos; tão simples quanto isto!

Ao contrário das outras espécies animais, permanecemos dependentes durante grande parte das nossas vidas. Bem, na verdade, alguns  ficam dependentes eternamente. Mas, voltando ao fulcro da questão, os seres humanos costumam depender dos seus progenitores até que sejam capazes de prover seu próprio sustento e responsabilizar-se por si mesmos. E antes disso acontecer, os seres humanos passam pela infância e não há o que se possa fazer para alterar esse fato.

Sendo assim, fica claro que ter filhos é um projeto e uma tarefa de longo prazo. Passados os primeiros desafios de cuidar de um bebé, o que envolve noites sem dormir, alterações importantes na rotina de vida, choros indecifráveis, um amor de tirar o fôlego, fraldas sujas, intercorrências de saúde inesperadas, alegrias desmedidas e mais um tanto imenso de outras variáveis que ocupariam páginas e mais páginas de texto, esse bebé vai crescer e passará a ser uma versão de ser humano tão encantadora quanto desafiadora, chamada criança.

As crianças são seres humanos na fase mais interessante da vida. Costumam ser inquietas, curiosas, desconcertantemente espontâneas, algumas vezes cruéis, muitas vezes apaixonantes e são um mistério quase completo para os adultos que teimam em não admitir que já foram crianças um dia.

As crianças precisam de atenção, de carinho, de cuidados físicos, de autoridade amorosa, de exemplos vivos de comportamento ético, de coerência entre ação e discurso, de um ambiente alegre e saudável para se desenvolver. Uma criança precisa de educação e educar é uma função intransferível daqueles que se responsabilizaram por ela, seja por vias biológicas ou não.
Educar uma criança não é tarefa fácil, sendo muito exaustivo tanto do ponto de vista físico quanto emocional e psicológico. Há crianças que necessitam de mais de cuidados, exatamente pelo facto de serem mais difíceis de se lidar porque acreditam que o mundo lá fora terá dificuldades em amá-las e é, exatamente por isso que precisam de ser amadas dentro desse núcleo familiar que ESCOLHEU tê-la.

Não se bate nas crianças. Nunca. De jeito nenhum. Sob nenhum pretexto. E, não, não pode dar nem uma palmada na hora certa, nem uma chinelada no rabo. Não pode e pronto! Quando o adulto responsável chega ao cúmulo de desejar ferir uma criança, é porque perdeu completamente a dimensão da sua missão em relação a ela. O adulto responsável que recorre a gritos, ameaças e agressões (por menores que sejam), passam para a criança a seguinte mensagem: “Estou perdido. Não sei o que fazer contigo.”

Além disso, o facto de se descontrolar perante uma criança porque está a desafiar a sua autoridade, seja ela parental ou não; ou porque parece ter muitas dificuldades em seguir regras ou porque teima em não cumprir as combinações e está constantemente a testar a sua paciência, equivale a ensiná-la que é isso que ela deve fazer perante os inúmeros e variados desafios ao longo da vida.
Educar uma criança requer que o responsável se lembre SEMPRE que ele é que é o adulto da relação. Que as crianças são seres em formação e o seu comportamento pode e vai ser difícil muitas vezes. Corrige-se uma criança com firmeza e doçura ao mesmo tempo, olhando nos olhos, em voz baixa e calma. Corrige-se uma criança, oferecendo-lhe meios de transformar o seu comportamento a partir de exemplos de conduta estável e coerente. Corrige-se uma criança em privado, nunca à frente dos outros. Corrige-se sem humilhar.

Portanto, se fez a escolha de se responsabilizar por uma criança, entenda de uma vez por todas que essa escolha redefinirá a sua vida a partir do nascimento, ou melhor, desde a concepção deste bebé.  Esqueça as expectativas de trazer uma bonequinha ou um bonequinho para casa e aproveite a oportunidade para trazer à tona a sua melhor versão de si mesmo, para que esse filho se possa sentir seguro, amado e respeitado.

E, assim possa ter orgulho dos pais que optaram por tê-lo.

 

Por Ana Macarini, para A Soma de Todos os Afetos

adaptado por Up To Kids®

Há um ano atrás vivia num piloto automático! Estoirada! Desesperadamente estoirada! Trabalhava 14 horas por dia, 6 dias por semana.

Por vezes, as semanas terminavam e recomeçavam sem intervalo e longe de algum aroma domingueiro.

Parar era palavra que não fazia parte do meu vocabulário! Nem para fazer refeições “decentes”, o que dificultou, de certo modo, a minha relação com a balança!

Insatisfeita com o passado, demasiado amedrontada com o futuro, com prioridades mal definidas e com um péssimo defeito de não saber dizer “não”, o presente ia escapando no desenrolar de cada ciclo circadiano. O presente que é, na realidade, o único tempo em que vivemos!

Esta história também é a sua história? Ou também já foi a sua história?

Porque, para mim, o mais incrível é perceber que o viver sem pausas se tornou “normal” para a nossa sociedade!

Valorizamos a azáfama e a correria! Não fazer nada é visto como “preguicite aguda” e as agendas preenchidas são atribuídas às pessoas que são consideradas “importantes”. Enchemos os nossos intervalos das tarefas com passatempos, os Domingos com actividades e os Sábados com jantares, sem percebermos a esterilidade que é uma vida ocupada demais (como Sócrates já dizia!).

Pausa!

Precisamos de pausas!

Precisamos viver as pausas!

Por favor, alguém carregue na pausa!

Precisamos perceber que as pausas fazem parte da vida!

A noite é pausa e o inverno também.

Parar não é interromper. Muitas vezes, persistirmos em não parar é que se revela numa grande e redonda interrupção!

Parar também não é um dia de distracção, mas sim um momento de atenção. Parar é ser atencioso connosco e com a vida!

As pausas são essenciais para a saúde de tudo aquilo que é vivo!

Em Salmos (livro da Bíblia) existe uma palavra que aparece vezes e vezes: Selah. E Selah significa pausa para meditar. É nesse momento de pausa e meditação que existe crescimento. É nesse tempo que se percebe o sentido da caminhada. É a pausa que nos mostra quando algo terminou e quando algo vai começar.

O inicio do ano é uma pausa!

Que neste inicio de ano consigamos parar e repensar a velocidade em que vivemos.
Que esta pausa nos dê tempo, energia, relacionamentos, realizações e oportunidade de nos descobrirmos!
Perdoemos o passado, desfrutemos do presente e entreguemos o futuro nas mãos de Deus! E que quando a culpa começar a querer invadir os nossos pensamentos (porque a dinâmica imparável do mundo vai colocar-nos esta carga em cima), que nos lembremos que até Deus descansou depois de ter feito este lugar fantástico onde nós vivemos!

Por Sara Ribeiro

LER TAMBÉM…

Slow Parenting | pais sem pressa

Fazer menos pare ser mais

7 Indícios preocupantes de que estás psicologicamente esgotada

 

Sabem quando temos uma pequenina, minúscula, micro borbulha na cara e sempre que nos olhamos ao espelho SÓ vemos aquela ENORME inegavelmente florescente borbulha?

Ou naquele dia que fazemos um jantar espetacular, delicioso, quase épico que deixaria o Gordon Ramsay feliz, e aquele convidado apenas diz “Hum, encontrei uma espinha!”?

E, quando o nosso filho tem um teste daqueles bem difíceis para o qual estudou imenso e ouve “Podias ter tido uma nota melhor!”? Até podia… mas acabou de ficar sem vontade nenhuma de estudar nos próximos 20 anos.

Queremos o melhor para os nossos filhos. Queremos que eles conquistem o mundo e sejam felizes. Mas às vezes, sem querer, colocamos o mundo nas suas costas quando pretendíamos exatamente o oposto. Devagarinho, sem perceber, exigimos que eles sejam perfeitos e sem intenção prendemo-los num “Fixed Mindset”, onde têm tendência para se sentirem alienados e ansiosos. Ficam presos nos resultados, no desfecho. No porquê? Receosos dos erros que vão cometer mesmo antes de eles aparecerem. E, como a energia vai para onde vai a nossa atenção, a probabilidade de os erros acontecerem é mesmo muito grande. Aha! mas eu li o post anterior e podemos aprender com os erros! Podemos, mas quando os encaramos como positivos e focos de aprendizagem e não como buracos fundos onde nos queremos enfiar porque desiludimos o mundo e, os nossos pais.

Então, como posso ajudar o meu filho a ir mais longe sem o peso da perfeição?

Primeiro, é preciso confiar. Confiar nas capacidades da criança, confiar na evolução natural do aperfeiçoamento das ferramentas que ele tem à sua disposição. Confiar no amor que temos por eles e eles por nós. Dar-lhes responsabilidade e tempo. Principalmente valorizar o seu processo e reconhecer o seu esforço.

No caso do teste, podemos referir o esforço e dedicação com que estudou, como aprendeu imensas coisas novas que não sabia. Como evoluiu em relação ao teste anterior e perguntar se poderia ter feito alguma coisa diferente na forma como estudou. Mostrar disponibilidade se ele precisar de ajuda e, deixá-lo definir a forma como acha mais adequado preparar o seu plano de estudo para o próximo teste (responsabilidade). Focar a atenção no como?

Quando valorizamos o esforço em vez do resultado, as crianças ficam motivadas e desenvolvem um “Growth Mindset”. Uma vontade de ir mais longe, de aprender com as experiências, de descobrir caminhos novos, de sair da sua zona de conforto e desafiar os seus limites. Vontade de crescerem felizes para dentro e para o mundo. Vontade de explorar caminhos inovadores e fazer descobertas únicas. Força heroica para se levantarem quando ouvem um grande“não”.

Aceitar a nossa imperfeição é o ponto de partida mágico para crescer sem parar, para ter mais felicidade na nossa vida e contagiar os outros com a nossa alegria de viver. É o momento em que aprendemos a ser como o bambu que dobra com o vento e não parte, que é resiliente e, apesar de parecer frágil é imensamente poderoso e adaptável.

Nunca controlamos nada. Isso é só uma ilusão a que nos agarramos para nos sentirmos seguros. Este facto por um lado é assustador mas também é verdadeiramente potenciador; somos os heróis da nossa própria história e podemos ir muito além dos nossos limites e medos. Fazemos o nosso caminho a cada dia, a cada passo, a cada decisão.

Se conseguirmos ensinar aos nossos filhos a dançarem na jangada que abana, a valorizarem cada passo que dão, cada descoberta que fazem, cada cm que crescem, vamos dar-lhes a oportunidade única de serem felizes pelo que são e de acederem ao poder ilimitado de um crescimento imperfeitamente feliz.

Regras da casa

Cá em casa:

Limpamos os pés antes de entrar.
Damos abraços apertados e beijinhos repenicados.
Pedimos desculpa e perdoamos.
Somos sinceros.
Damos saltos e cambalhotas em cima da cama.
Tomamos banho com o cavalo marinho, os bebés e as bonecas como companhia.
Cantamos.
Lemos um livro todos os dias.
Dizemos disparates e temos conversas sérias.
Brincamos ao faz de conta.
Cuidamos das flores que trazemos do jardim.
Dizemos “bom dia” ao acordar, “boa noite, dorme bem, gosto de ti” ao deitar.
Damos beijinhos sem que nos peçam.
Rimos em voz alta.
Fazemos ataques de cócegas.
Pomos os bonecos a ver TV.
Inventamos histórias.
Damos bom dia ao sol, mesmo que ele esteja escondido atrás das nuvens.
Espreitamos a chuva e as poças que faz na escola do outro lado da rua.
Desejamos boa viagem aos aviões que vemos levantar voo do lado de lá da janela.
Ajudamo-nos.
Somos agradecidos.
Baixamos o tampo da sanita (pelo menos três terços dos moradores cá de casa… )
Limpamos o que sujamos.
Arrumamos o que desarrumamos.
Procuramos e encontramos coisas novas todos os dias no meio dos brinquedos.
Separamos o lixo.
Poupamos água.
Lavamos as mãos antes das refeições e os dentes depois de terminar.
Brincamos.
Não chamamos nomes (“feia”, má”) nem ameaçamos (“assim não gostamos de ti!”).
Não batemos.
Conversamos muito.
Pedimos opinião.
Ouvimos o que o outro tem para dizer.
Ninguém come uma bolacha sozinho.
Falamos sobre os amigos e a família.
Desenhamos.
Jogamos à bola.
Fazemos bolas de sabão.
Ouvimos música clássica e os hits do Panda.
Damos “mais cinco” e “brocks”.
Explicamos o melhor que sabemos.
Divertimo-nos todos os dias.
Ralhamos mas também elogiamos sempre que podemos.
Cultivamos a criatividade e a imaginação.
Falamos de sonhos.
Aceitamos e enfrentamos os nossos medos.
Damos as mãos para ir da sala ao quarto.
Dizemos “gosto de ti” a toda a hora.
Somos todos importantes.

Partilhamos uma peça de roupa quando está frio, um abraço só porque sim, um pedaço de pão quentinho, as tarefas.

Partilhamos a vida.

Partilhamos o amor.