Antes de perderes a calma, usa uma destas 20 táticas simples para evitares gritar com os teus filhos e manteres a paz em tua casa.

Eu tinha chegado ao meu limite. O meu filho de 5 anos tinha finalmente acabado com a minha paciência. Foi um dia terrível desde o momento em que acordou a exigir o pequeno almoço até à segunda vez que empurrou o irmão. Todos nós temos dias em que queremos vender os nossos filhos ao Jardim zoológico (os meus filhos iram adorar, de certeza). No entanto, eu odeio gritar. Gostava de dizer que é porque eu sei que gritar é mau para os meus anjinhos, mas a verdade é que quando grito sinto-me uma má mãe.

Há uma maneira melhor. Aliás, vou sugerir 20 maneiras melhores.

Aqui estão 20 coisas que pedes fazer da próxima vez que perderes a calma com os teus filhos sem gritar.

  1. Ter um tempo juntos

Esta alternativa ao tempo em separado (castigo) envolve abraçares o teu filho até que ambos estejam calmos o suficiente para lidar com o problema.

  1. Rir

As palhaçadas das crianças ou te fazem rir ou tem pões doida. Escolhe rir. Vais viver mais tempo.

  1. Cantar

Cantar é uma formal vocal e sem gritaria de extravasar a raiva e agressão. Aumenta o som e cante bem alto. (eu sei, parece maluqueira, mas sabe bem e resulta)

  1. Afastares-te

Às vezes, o melhor plano de acção é saires de cena até conseguires lidar com o mau comportamento de uma forma proativa.

  1. Contar até 10

Parece parvo, mas este truque diminui o teu ritmo cardíaco e consegues pensar mais claramente.

  1. Exercício físico

Sai e dá uma caminhada, faz uma aula de ioga ou põe um vídeo de exercícios e faz em casa. O exercício faz libertar endorfinas.

  1. Ouvir

Antes de atribuires um castigo, pergunta ao teu filho o seu lado da história e ouve à séria a sua resposta. Às vezes nem tudo é o que parece.

  1. Respirar

Enche os pulmões de ar e faz algumas respirações purificadoras. Oxigenar o cérebro permite pensar mais claramente.

  1. Afastar as crianças

Tira as crianças de cima de ti e manda-as brincar noutro quarto ou no quintal. Não há vergonha nenhuma em precisar de estar um bocadinho sozinho. Pela tua sanidade.

  1. Revezar-se

Eu sei que muitas vezes não é possível, mas se tiveres essa oportunidade, reveza-te com o teu marido, a avó ou uma ama para conseguires aliviar o stress.

  1. Perguntar

Faz perguntas aos teus filhos sobre o seu comportamento. Vê se eles conseguem identificar uma forma melhor de agir em relação a determinada situação, no futuro.

  1. Limpar

Esfregar o chão, aspirar ou acabar com aquela montanha de roupa suja, dá-te um sentimento de realização num mau dia. (E as coisas têm de ser feitas na mesma, por isso…)

  1. Sair de casa

Ar fresco faz sempre bem. Uma caminhada pode ser a diferença entre um dia desastroso e um agradável. Se for preciso, leva os miúdos. Verás que também a eles lhes faz bem.

  1. Põe-te nos sapatos do teu filho

Tenta ver o mundo do ponto de vista do teu filho. Ele provavelmente também está a ter um dia mau.

  1. Conectar-se com os filhos

Faz algo que todos gostem para voltarem a encontrar o equilibrio como uma família.

  1. Lembra-te que é que manda

Tu és o pai/mãe e tens a capacidade de definir as energias da tua família. Estás a deixar o humor do teu filho influenciar o teu? Reverte isso.

  1. Cumprir o prometido

Se passas a vida a dizer “a próxima vez que fizeres isso…” então está na hora de cumprir e impor as consequências, mesmo que implique mais trabalho para ti.

  1. Ligar a um amigo

Às vezes precisas de desabafar. Pega  no telefone e liga a um amigo ou membro da família para nem que seja para desabafares.

  1. Procura soluções

Não vale a pena combater sempre as mesmas batalhas. Senta-te e pensa em soluções permanentes que evitem os conflitos mais usuais.

  1. Sonhar acordado

Às vezes só precisas de viajar um pouco mentalmente. E fazes bem, desde que todos estejam em segurança e não te percas no tempo.

A parentalidade positiva consiste em refletir um pouco mais antes de agir. Reflete um minuto extra antes de gritares e pensa na melhor maneira de lidares com a situação. Mesmo que atribuas um castigo tardiamente para evitar gritar, lembra-te que um pai ou mãe controlado consegue sempre obter uma melhor resposta dos filhos do que um que grita compulsivamente. Dá um exemplo positivo, e trata os teus filhos com o mesmo respeito que pretendes que te tratem.

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Por Heather Hale, Familyshare.com

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Querida mãe da criança aos gritos no super-mercado

“Muitas vezes perco a paciência e…grito.”; “Leio os artigos todos e adoro, mas quando estou zangada não consigo aplicar nada.”; Adorava ser uma mãe perfeita como tu!”;  “Sinto-me culpada por não conseguir fazer as coisas de outra forma.”; “ Sinto-me uma mãe-amígdala. Sempre em modo reativo.”

Estes são alguns dos desabafos sinceros que me chegam todos os dias. Muitos pais sentem que não são o suficiente, que não fazem o suficiente e que há sempre uma mãe por aí, que para além de ser maravilhosamente consciente, ainda cozinha comida super-bio-saudável-sem-glúten enquanto faz agachamentos de uma forma mindful e que nunca na vida se zanga ou fica despenteada. Pois. É apenas um mito urbano. Queridas Mães e Pais que me seguem de uma forma muito catita, tenho uma coisa muito, MUITO importante para vos dizer. Preparados? Aqui vai: eu faço muitas, tremendas, idiotas, compridas, peludas e gritantes ASNEIRAS.

Eu não sou uma mãe perfeita, sou uma mãe perfeitamente real

Nos dias em que não as faço para fora, posso fazê-las para dentro, na forma de julgamentos não-foste-uma-mãe-maravilha-hoje.

Cada passo que dou no sentido de ser uma mãe mais consciente, só é dado porque uma asneira se transformou numa aprendizagem. Errar é o primeiro passo para aprender. E na parentalidade o mais importante é o que aprendemos com a relação, com o nosso filho e principalmente connosco próprios.

Se eu fosse uma mãe monstruosamente perfeita iria perder a maravilhosa oportunidade de ser uma mãe real. De mostrar todos os dias ao meu filho como aprendo com os erros, como peço desculpa, como não sei tudo, como preciso de ajuda, como perco a paciência, como resmungo quando tenho sono e… como sou humana.

Aqui não há notas, quadros de honra ou autocolantes por sermos “bons” pais. Há a Vida. Há o dia a dia, onde todos damos o nosso melhor com as ferramentas que temos ao nosso dispor. Se sentirmos que não são suficientes, podemos sempre fazer um upgrade das nossas ferramentas. Vai ser muito útil ao longo do caminho.

A parentalidade não é limpinha, é feita de muitos momentos enrolados num gigantesco novelo com nódoas de comida, lama do jardim e óleo da bicicleta.

É um grande caminho a ser percorrido para dentro e para fora. Passo a passo, asneira a asneira que nos leva, com consciência, aos pais que queremos ser.

Este caminho não é uma autoestrada. É um caminho de terra, com paisagens maravilhosas, zonas áridas e outras mais pantanosas. Em cada pedacinho temos a oportunidade única, se tivermos disponíveis para isso, para aprender. Para nos desmancharmos como uma torre de lego e começarmos tudo outra vez. Mas há peças… ai… que nos custam tanto a largar. Comportamentos e pensamentos que teimam em ficar agarrados. Ainda bem que temos um caminho comprido pela frente, assim temos tempo, de nos dar tempo, para ir largando o que já não faz sentido. E tempo para aprendermos a ser tolerantes e compassivos connosco.

Lembras-te quando o teu filho começou a tentar andar? Quantas vezes foi de rabo ao chão? Quantas vezes se levantou e tentou outra vez? Sabes o que o movia? Era o potencial que ele tinha dentro dele para andar. E, sabes o que vejo em ti? Potencial. Muito. Potencial para crescer. Potencial para caminhar.

Tens agora um caminho aberto à tua frente. Anda, eu ajudo no primeiro passo. Diz-me, que mãe/ pai queres ser?

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Não és má mãe!

 

A casa é a primeira escola e os pais são os primeiros professores

Esta máxima é o mote do movimento Slow Parenting, que já falamos anteriormente.

O processo de aprendizagem de uma criança durante a primeira infância, é inacreditavelmente rápido, e muitas vezes subvalorizado. A criança até aos 3 anos apresenta capacidade para pensar sobre o mundo e sobre si mesma através da interação que vai estabelecendo com as pessoas e objetos. A observação, repetição, imitação e a experimentação permitem à criança situar-se perante si própria e perante os outros.

Cada momento de cada dia é uma experiência de aprendizagem.

A “casa” representa um lugar de reunião, estável, confortável e onde há amor tornando-se num local seguro. A composição da família, o número de brinquedos, a localização ou número de quartos, não define uma casa.
Tal como um jardim, uma casa deve ser assistida, apreciada, nutrida e respeitada para prosperar. É o cenário para do crescimento físico, mental, emocional e espiritual de um indivíduo, e se houver respeito e amor incondicional, esta casa será uma âncora para os filhos. A casa é a essência daquilo que queremos ser e do que queremos que os nossos filhos sejam.

A casa é a primeira sala de aula – não só no sentido académico – mas como um trampolim para o mundo.

Como nos tratamos uns aos outros, talvez seja a lição de vida mais importante que aprendemos em casa.
Somos educados uns com os outros? Respeitamo-nos? Demonstramos emoções? Honramos a privacidade?  Revezamo-nos? Assumimos as tarefas domésticas?

Resumidamente: podemos contar a nossa história honestamente e sem receio de julgamentos?

Em casa, os nossos filhos aprenderão a resolver problemas, desenvolverão a leitura e até as habilidades matemáticas apenas através da experiência vivida com a família. A aprendizagem com base no amor será adquirida num ambiente calmo e estável, onde se conversa, se brinca, se lêem histórias (muitas) e se fazem vozes de personagens em família.

 “É impossível ter-se livros a mais”

Com a tendência crescente para o consumismo tecnológico, receio que muitas crianças cresçam sem a compreensão e respeito de experimentar palavras escritas.
A alegria de manter um livro, virar as páginas com antecipação, procurar um marcador perfeito, e ler em voz alta é um dos maiores presentes que podes dar aos teus filhos.

É imprescindível que arranjemos tempo para ler com os nossos filhos diariamente. Que os incentivemos a ler por conta própria. Há que parar e arranjar tempo. Quando deixam de dormir a sesta, esse tempo é perfeito para ficarmos no quarto com uma pilha de livros, e que os ensinemos relaxar enquanto expandem o seu vocabulário e estimulam a imaginação.

Esta prática também os ensina a apreciar o silêncio e a sentirem-se feliz consigo próprios – outra componente tão importante.

Histórias de encantar, aventuras, poesias tontas e lengalengas irão evoluir para coleções por capítulos que ocuparão a estante conforme os nossos filhos crescem.

É mais fácil dar à criança um entretenimento visual para passar o tempo, mas queremos mesmo que o caminho seja “passar tempo”? Tentemos que os livros se tornem na melhor ferramenta para os ajudar a “passar tempo”!

Se a casa é a primeira escola, então, os pais são obviamente os primeiros professores.

As tuas amizades e a forma como comunicas influenciarão directamente a forma como o teu filho irá relacionar-se na vida. A educação, respeito, a ética, o amor-próprio, o viver em comunidade são lições de vida que aprenderá contigo. Não fiques à espera que o mundo exterior faça esse trabalho por ti. Se assumires que a escola se irá encarregar disso, então já esperaste muito tempo. Essa é a tua responsabilidade desde o primeiro dia de vida do teu filho.

Parentalidade Consciente e Slow Parenting

A parentalidade não é sobre como criar o filho perfeito e idílico. Nem deve procurar resultados, mas sim experienciar o caminho. Por mais que queiramos acreditar que com determinação e trabalho duro conseguimos controlar tudo, a vida é muito mais complexa que isso, e certamente os nossos filhos terão de lidar com imprevistos. Se tens a capacidade de te adaptar positivamente a situações adversas, também o teu filho herdará essa característica. A isso se chama resiliência.

A parentalidade consciente pressupõe que se faça pausas, que se estude a envolvente e se façam escolhas com base no que consideramos ser o melhor para os filhos, mantendo-nos íntegros e fieis aos nossos valores.

Não será fácil, nem será óbvio, mas se estiveres confiante dos teus valores, um dia que tenhas de fazer essas escolhas, instintivamente saberás qual é o melhor caminho.

Aprender a confiar nos teus instintos e libertares-te das dúvidas é o primeiro passo para a parentalidade consciente.

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Como ficar on quando tudo está off

O pequeno catita estava esparramado no chão. Rodeado de tudo e mais alguma coisa, estava a inventar mais uma das suas fabulosas máquinas.

Ele imagina máquinas para tudo. Já inventou uma máquina-come-tudo, para levar a comida à boca de forma a não cansar os braços. Uma maquineta-diz-diz que fala por nós quando não estamos para aí virados. E uma, que tem um lugar especial no meu coração, a maquineta-toma-lá-mais-um-fim-de-semana, que produz fins-de-semana à vontade do freguês.

Ele estava tão inventivamente concentrado na sua nova construção que ao receber um “Hora de dormir!” retribuiu em tom metálico e zangado “Nem penses. Não é nada hora de dormir.” Não era bem isso que eu queria ouvir. Era mais um imediato “Claro que sim, mamã!”  Pois, mas é claro que isso não ia acontecer. Ainda mais com a rapidez que eu gostaria.

Voltei a referir que estava na hora de ir dormir e expliquei o quanto era importante para o nosso corpo descansar e dormir várias horas seguidas. Outra tacada do outro lado: “Não faz mal. Amanhã chego à escola várias horas depois.” Já referi que o pequeno catita prima pela capacidade de argumentação?

Após alguns segundos de silêncio, seguiu-se uma explosão de raiva acompanhada por peças voadoras. Como estava tudo dentro das normas de segurança europeias, assisti pacientemente. “Nunca mais vou construir nenhuma máquina. NUNCA MAIS!” gritou. À medida que as peças começavam a cair no chão, as lágrimas começavam a cair também. Baixei-me. Respirei fundo e abracei-o. “Chora. Chorar faz bem. Chora tudo o que precisares” sussurrei ao seu pequeno ouvido.

Alguns minutos mais tarde, sem mais nem menos, levantou-se e foi lavar os dentes.

“Hora da história!!!” gritou feliz da cama. Totalmente admirada com tal mudança repentina, fiquei momentaneamente colada ao chão da sala.

Espera aí. Mas ele não estava danado e preferia arrancar um dente a ir para a cama? Senti-me como se tivesse a fazer zapping. Carreguei no botão e imediatamente mudei de história.

Afinal o que aconteceu? O que mudou o chip dele?

Não foi certamente nenhuma maquineta-maravilha-vai-já-para-a-cama. Na verdade, percebi depois, foi algo bem mais simples. T-E-M-P-O. Eu esperei e dei tempo ao pequeno catita para digerir a frustração que surgiu por ter de largar a sua maquineta. Dei tempo para percorrer os caminhos, puxar as alavancas, rodar as roldanas, até estar pronto para passar do modo inventar para o modo descansar.

O processo é igual para nós. Sempre que algo nos surpreende, aparece em forma de obstáculo, frustração, má notícia, revés ou simplesmente não acontece como gostaríamos, precisamos de nos dar tempo. Precisamos de passar pelo “Não, isto não está a acontecer”, pelo “Porque é que isto me aconteceu a MIM?”. Pela fase de tentar arranjar uma solução de meio termo “E se eu..” até estarmos preparados para receber a tristeza, que estava desde o início à espera para entrar.

Ai. Quando ela chega… Quando nos bate em cheio no peito e a aceitamos. Só aí, aceitamos o que aconteceu. É daqui que tudo cresce. Deste pequeno grande passo. Mas só cresce se o caminho da frustração à aceitação for percorrido, passo a passo, emoção a emoção.

Foi esse caminho que o pequeno catita teve tempo para percorrer. Tempo para a negação (“não são horas de dormir”) e para a raiva. Tempo para a negociação (“amanhã chego mais tarde à escola”) e para a tristeza. Todas essenciais no caminho da aceitação, no corpo e no coração.

A ordem porque passam por nós não interessa. Interessa deixá-las passar. Interessa dar-lhes tempo e, acima de tudo dar-nos tempo, para a seu tempo, estarmos preparados para dar o passo que precisamos.

 

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Será possível vencer as birras dos nossos filhos?

As birras das crianças podem ser uma verdadeira dor de cabeça para pais e cuidadores.

Em situações mais graves as birras podem interferir significativamente no quotidiano de pais e filhos, visto que simples tarefas como ir ao supermercado podem ser uma tormenta!

É importante compreender o fenómeno das birras considerando o período desenvolvimentista em que as crianças estão.

Entre os 2 e os 5 anos é expetável que surjam algumas birras, o que se justifica em grande parte pelas características cognitivas típicas destas idades. Nesta fase o pensamento das crianças é caracterizado por algum egocentrismo, isto é, tendem a perceber as situações apenas do seu ponto de vista e não se colocam no ponto de vista das outras pessoas, nomeadamente dos pais ou demais cuidadores. Experienciam a mesma dificuldade face à capacidade para anteciparem e compreenderem os sentimentos dos outros – leitura da mente. Desta forma, as crianças centram-se nos seus próprios interesses e negligenciam as regras impostas pelos adultos.

Assim, as birras fazem parte do processo de desenvolvimento e aprendizagem de uma criança, sendo necessário estabelecer regras e limites claros que permitam estruturar o seu quotidiano e compreender o mundo que as rodeia, bem como, ajudá-las a gerir o sentimento de frustração.

Assim, deixamos aqui 10 dicas para vencer as birras.

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1.Implemente regras claras

Quando se dirige a um sítio público, apresente-lhe as consequências positivas e negativas decorrentes do seu comportamento. Antes de entrar numa loja, estabeleça contacto visual com o seu filho e exponha de forma clara o comportamento que espera e o que vai acontecer como resultado: “Quando entrarmos na loja, quero que fiques ao pé de mim. Não foges para lado nenhum. Se ficares ao pé de mim, divertimo-nos e depois tens uma recompensa. Se não ficares ao pé de mim, vais fazer uma pausa para o carro.” Confirme que o seu filho percebeu as instruções, fazendo-o repeti-las.

2. Dê apoio ao seu filho

Ao entrar num local público, comece imediatamente a comentar de modo positivo o comportamento do seu filho. “Obrigado por ficares ao pé de mim. Gostei muito.” Continue a reforçar a atitude do seu filho com frequência.

3. Seja firme

As birras das crianças podem ser muito poderosas e por diversos motivos os pais são tentados a ceder. Em lugares públicos os olhares dos outros são muitas vezes motivo de incómodo para os pais. Noutras situações de maior cansaço, ou indisponibilidade emocional para “lutar” contra as birras, a saída mais fácil parece ser mesmo ceder. Tente ser firme e consistente nas regras que implementou, caso contrário, a tendência será para que a criança tente sempre contornar as regras na esperança que os pais cedam às suas vontades.

4. Mantenha calma

Pode ser muito difícil lidar com situações de birra e a calma nem sempre prevalece. É importante que não se exalte quando o seu filho faz uma birra e que lhe dê um exemplo adequado de como gerir emoções. Se queremos que a criança aprenda a lidar com a frustração e com as emoções de valência negativa, o adulto deverá constituir um modelo de comportamento.

5. Use a pausa, se necessário

Assim que o seu filho começar a violar as regras, pode pegar-lhe na mão com firmeza e levá-lo até ao carro (ou canto da loja) para uma pausa de cinco minutos.

6. Não preste atenção à birra

Na presença duma birra, o passo essencial é não satisfazer o pedido da criança. Se o fizer, estará a dizer à criança que o seu mau comportamento lhe oferece privilégios. Em vez disso, afaste-se da criança e ignore-a. Se não for capaz de tomar esta atitude, retire a criança do espaço em que se encontra. Leve-a para casa e coloque-a numa divisão da casa sem distrações, onde possa refletir acerca do seu mau comportamento. Não lhe dê atenção, nem procure dar nenhum sermão à criança nesta altura, pois o seu estado emocional de exaltação não o vai permitir.

7. Quando a birra terminar, converse com o seu filho

Explique-lhe com clareza que este tipo de comportamentos não leva a nada. Poderá aplicar um pequeno castigo, de acordo com a regra que havia estipulado. Não ameace, aplique o castigo! Seja consistente, se não o fizer, a criança poderá aproveitar-se desse facto para obter mais recompensas. Se decidir aplicar um castigo, faça-o imediatamente a seguir ao mau comportamento. Se deixar passar muito tempo, a criança deixará de associar o castigo a esse comportamento em concreto, pelo que o castigo deixará de ter o efeito pretendido.

8. Planeie de forma adequada a sua rotina

Para evitar confusões e brigas constantes, planeie a sua rotina, e evite levar o seu filho para locais onde se desestabilize frequentemente.

9. Esteja atenta ao comportamento do seu filho

Se as birras não faziam parte do comportamento do seu filho e nota que têm vindo a surgir com mais frequência, esteja atenta! Tente perceber se algo mudou na sua rotina, no seu comportamento na escola ou noutros contextos. As birras poderão ser um reflexo de instabilidade emocional provocada por outras problemáticas.

10. Procure ajuda profissional

Se as birras assumem presença constante no vosso quotidiano, a sua frequência e intensidade já ultrapassaram o que seria normativo em termos de  desenvolvimento, até já utilizou diversas estratégias aqui apresentadas e não vê melhorias no comportamento do seu filho, o melhor será mesmo procurar aconselhamento junto de um profissional, nomeadamente de um psicólogo infantil, que o poderá ajudar a compreender as causas das birras, ajudá-lo a alcançar maior estabilidade emocional e capacidade de auto-controlo, ajudando também os pais a lidar mais eficazmente com este problema e a modificar possíveis fatores de manutenção do mesmo.

 

Artigo das Psicólogas Carla Pereira e Sandra Alves

imagem@linkedin

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O João é uma criança do século XXI. Tem dois pais que trabalham muito, segundo as suas palavras são “incontáveis horas por dia” para pagarem a casa onde moram, os carros nos quais se deslocam e os poucos dias de férias que tiram por ano. Também diz que não se importaria de ter uma sala mais pequena, um carro que fosse um pouco mais lento e sem estofos em pele e um futuro mais incerto se, em troca, pudesse passar um pouco mais tempo com os seus pais.

Mas não com os seus pais de agora – cansados, stressados, preocupados e inacessíveis – e sim com os seus pais de antigamente: atenciosos, dispostos, risonhos, carinhosos e coerentes. Ele sente muita falta deles mas nem sabe de que forma pode dizer isso aos pais. Por outro lado, o João observou que os adultos, não apenas os seus pais, também não exprimem o que sentem. Ele suspeita de que existe uma ligação entre o mundo emocional e as palavras mas ninguém lhe ensinou exatamente como isso funciona. São tudo suspeitas nas quais ele se sente inseguro.

“A infância nunca dura. Mas todos merecem ter uma.”
-Wendy Dale-

O João é uma criança muito ocupada

O João também é uma criança que não brinca ou, pelo menos, é uma criança que não brinca por brincar mas antes com outra intenção muito para além de se divertir e de ter bons momentos. Desde que a sua irmã nasceu os seus pais passaram a considerá-lo grande e delegam-lhe responsabilidades, mesmo sendo pequeno, a julgar pelo tipo de preocupação que manifesta. A única coisa que isto produz é ainda mais insegurança, mas ele também não sabe como pode dizer isto aos pais.

Além disso, o pequeno protagonista deste artigo não tem um horário livre durante o dia, a pergunta sobre o que ele quer e o que não quer fazer está restringida aos fins de semana, nos quais, por sorte, a mãe trabalha. São os fins de semana que passa com os seus avós. Eles pretendem compensar em dois dias toda a liberdade que os seus pais lhe restringem. Embora o pequeno não lhes tenha dito isto, eles têm a sabedoria que a experiência transmite e suspeitam do modo como ele se sente; contudo, estas mudanças tão bruscas também confundem o João.

Durante a semana, as manhãs e as tardes são repletas de cores. De facto, este ano teve de repetir a cor para mais de uma atividade porque no seu estojo não havia uma gama de cores suficientemente ampla para diferenciar toda a sua agenda. Então, o inglês da escola, este ano, tem a mesma cor do inglês das suas aulas particulares e a mesma coisa acontece com a música e o conservatório musical, ou a educação física e a escolinha de futebol. Inclusive este ano teve de usar o amarelo, que ele gosta ainda menos do que chutar uma bola, para as aulas de chinês.

O João já não se queixa do futebol, pelo menos não de forma direta: porque não sabe fazê-lo como alguém mais velho e não quer fazê-lo como uma criança mas principalmente porque não quer dececionar o seu pai. Já sente que o dececiona quando não joga bem ou no dia em que é a sua vez de se sentar no banco, não quer nem imaginar como poderia vir a sentir-se se um dia dissesse ao pai que os seus sonhos são outros.

“Uma das melhores coisas que lhe podem acontecer na vida é poder ter uma infância feliz.”
-Agatha Christie-

O João é uma criança silenciada

O João adora ler. Lembra-se com carinho das histórias que o seu pai lhe lia quando era pequeno. Algumas o pai lia, outras inventava. Gostava especialmente das inventadas porque o seu pai o conhecia muito bem e sabia exatamente o que ele gostaria que o menino intrépido que acabava de escapar pela janela fizesse. Nessa cumplicidade, agora perdida, adormecia com um sorriso.

Além disso, no dia seguinte, o João fazia em segredo o que agora podemos revelar: escrevia as histórias num papel porque queria que o seu melhor amigo também as aproveitasse. Era o seu jeito, entre muitos outros, de tentar compensar a tristeza que via nos seus olhos por não ter conhecido o seu próprio pai. Também o fazia por outro motivo: um dos seus vizinhos tinha Alzheimer e o João tinha sido testemunha de como perdia a sua memória.

Ele não queria esquecer algumas histórias que agora abraçava, enquanto sentia nas suas palavras que a sua infância estava pouco a pouco a desaparecer e que, ao contrário daquele menino fugidio e aventureiro, nunca voltaria.

O João sabe muito mais línguas do que muitas crianças da sua idade, é bom no piano, domina as equações enquanto os seus colegas ainda lutam com os números negativos, e sabe sobre todos os cuidados mínimos de que uma irmã pequena precisa.
O João também é um menino triste e, além disso, é consciente de que está triste porque um dia foi feliz, foi imensamente feliz. Uma felicidade que os seus pais sacrificaram por um futuro que ninguém sabe se algum dia chegará.

Vale a pena?

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Por A mente é maravilhosa adapatado por Babelia Traduções para Up To Kids®

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“Não mimes de mais.” dizem-nos as pessoas constantemente.

Mas afinal o que é mimar? Existe mimo de mais?

Para mim, mimar nunca é de mais. Cada um dá o mimo quer quer e que sabe dar, aos seus filhos. Eu fui mimada, e ainda hoje em dia adoro que me mimem. Não foi por excesso de mimo que deixei de conhecer e ultrapassar as adversidades da vida. Todo o amor, carinho e mimo que me foi dado, ajudou-me a ser uma pessoa melhor.

Se nós adultos gostamos de ser mimados porque não mimar as crianças?

No dicionário, a palavra mimar significa: acarinhar, animar, amimalhar, gesto carinhoso, delicadeza, amor. (Condescendência carinhosa com que se trata a outrem. = DELICADEZA, MEIGUICE )

Se assim é, então qual o mal de uma criança ser mimada?

Ser mimada, ser acarinhada, ser protegida, não significa que os pais não a preparem também para o futuro das mais diversas formas, como por exemplo ser mais autónomo e educado.

Mimo precisa-se

O facto de uma criança ser amada e acarinhada com todo o amor possível, vai apenas ter benefícios no seu desenvolvimento. As crianças precisam de se sentir amadas e precisam de afetos, como todos nós. Os mimos aumentam e fortificam os vínculos entre as pessoas, criando relações fortes que transmitem segurança aos nossos filhos.

O amor é uma das bases mais importantes na educação de uma criança.

Não há mal nenhum dar colo quando uma criança precisa, dar um beijo para a acalmar, oferecer um brinquedo uma vez por outra.

Podemos mimar uma criança e ensinar limites e regras. Podemos mimar e educar e dar autonomia. Mimar não é sinónimo de não educar: é educar com amor.

Como em tudo na vida, o mimo não deve ser de mais nem de menos. Os mimos são afectos, e devem ser dados no momento certo e na dose certa. A dose certa é o que cada criança precisa, porque não há duas pessoas iguais.

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Quero dar-te colo…

À menina que ontem chorava no parque infantil: quero dar-te colo.

Quero que as lágrimas que choras sejam substituídas por sorrisos, porque o teu sorriso é maior do que as palavras que a tua mãe te diz.

Sim, eu oiço-a. Oiço-a a apressar-te, a dizer para não estares outra vez a subir o escorrega porque nunca consegues subir sozinha. Para não seres parva. Para largares a bola do menino. Que lá estás tu a correr.

Quando cheguei ao pé do escorrega e te vi olhar as escadas como se do Everest se tratasse, estendi-te a mão. Os teus olhos piscaram como se não percebesses. Vem, tenta subir, disse-te. Ajudei-te a subir duas vezes e à terceira fizeste-o sozinha. Olhaste em volta à procura da tua mãe e ela estava de costas, mais preocupada com o pó que se tinha acumulado nos sapatos do que com as tuas conquistas. Fiz-te uma festinha e tive a sensação que não devias receber nenhuma há muito tempo.

Gostava que a tua mãe visse como o encorajamento te fez vencer uma etapa em apenas meia hora. Em como o peso das palavras positivas te fez chegar longe quando o das palavras negativas te fazia agarrar as escadas com força e perder a coragem.

Gostava que ela soubesse que devia ser a pessoa mais importante para ti. Eu sei que é, mas não está a cumprir com o seu papel.

Daqui a uns anos vais virar-lhe costas porque ela não te apoia, nunca te apoiou. Eu sei que é mais fácil ser mãe de meninos bem comportados, de meninos que sabem sempre as respostas certas, que conseguem sempre as coisas à primeira. Sei também que esses meninos quase não existem. E tu não devias querer ser como eles.

És única e tens os teus desafios. Mereces ter tempo para ultrapassá-los. Para falhar. Para chegar mais longe, seja qual for esse longe, porque cada um tem os seus limites. Mereces ter alguém que te estenda a mão.

Gostava que fosses abraçada todos os dias e te dissessem como gostam de ti.

Porque a tua mãe gosta de ti, só não foi ensinada a gostar. Talvez a mãe dela fosse assim, como ela é. Mas promete-me que vais pegar em tudo isto e ser diferente com os teus filhos. Que não vais poupar abraços, que vais esforçar-te por ter uma palavra boa a dizer. Promete-me!

Queria dar-te colo. Queria sussurrar todos os dias ao teu ouvido que vais chegar longe.

Talvez não chegues porque te está sempre a ser dito que não consegues. Ou talvez, precisamente por causa disso, te esforces para provar que a tua mãe está enganada.

Talvez sejas tu quem tem de a ensinar a gostar. A manifestar o amor.

Eu acredito em ti.

Acredito que por trás desses olhos tristes vai haver uma grande pessoa.

Queria dar-te colo, mas não vou estar por perto para to dar.

Por isso, minha querida, sempre que ouvires coisas que te fazem duvidar de ti mesma, canta. Canta baixinho a tua música preferida e deixa que ela te leve…

Tu és capaz.

Acredita.

imagem@jillgreenberg

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Colo

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Era uma festa. Para um pequeno catita de 5 anos, uma das suas coisas preferidas (tirando comer uma banana, claro). Ele adora ver gente junta, feliz e de preferência rodeada de comida. Se no meio conhecer meia dúzia de pessoas novas, aí fica mesmo eufórico.

No meio de toda aquela alegria, apareceu na sala a chorar profundamente. Corri para ele e abracei-o. Estava a tentar perceber o que lhe tinha acontecido. Enquanto ele soluçava sem parar, entre meias palavras, consegui perceber que o seu chapéu colorido tinha voado para qualquer lado. Ele estava triste, mesmo triste. Do nada, apareceu uma senhora, cheia de boas intenções “Não precisas ficar assim! É só um chapéu. Vá, já chega de chorar. Deixa-me ver o teu lindo sorriso!” disse-lhe.

O pequeno catita ainda chorou mais. Ao ouvido dele, enquanto o abraçava, sussurrei “Chora. Chora tudo o que precisares. Eu percebo que estás mesmo triste, era o teu chapéu das aventuras, não era?” Ele chorou mais um bocadinho e quando estava preparado, fomos procurar o chapéu no jardim.

Ver alguém chorar faz disparar algum alarme bem profundo dentro de nós. Só queremos que pare. Mas chorar é um mecanismo que temos para libertar a emoção que estamos a sentir. É uma espécie de cura, de transformação do que nos aconteceu. É quando a emoção está a sair do corpo. O que a senhora lhe disse foi, de certa forma, que a emoção que ele estava a sentir não era adequada à situação. Era uma espécie de “o que estás a sentir não está certo”. É assim tão desconfortável para nós assistirmos às emoções “menos sorridentes” dos outros?

Os pensamentos, emoções e comportamentos da criança devem ser reconhecidos e, não engolidos. Devem ter espaço para existir. Porque eles estão lá na mesma. Se não vêm para fora…vão para dentro. Ficam lá, paradinhos à espera de uma nova oportunidade, mais segura, para saírem cá para fora.

Porque é que acham que muitos pais ouvem que os filhos são fabulosos na escola e em casa só fazem pilharias? Eles estão a exprimir todas as emoções que durante o dia tiveram de ficar escondidas. Estão a trazê-las cá para fora para serem transformadas.

E sabes porque o fazem apenas contigo?

Porque se sentem seguros. Porque sabem, bem lá no fundo, que gostas deles da pontinha das unhas dos pés ao cabelo mais comprido.

Sabem que não precisam de usar a máscara da menina bem comportada ou do melhor aluno da primeira fila. Podem ser simplesmente eles, com tudo o que vai lá dentro.

Como as pessoas falam pouco dos seus sentimentos, muitas vezes sentimos que somos os únicos que temos emoções que nos deixam assoberbados. Sentimos que estamos sós nisto tudo e, que talvez não seja certo sentirmos o que sentimos.

Se permitirmos aos nossos filhos sentir e comunicar o que vai lá dentro, damos-lhes a possibilidade de gostarem de cada cantinho seu, do mais escuro ao mais luminoso. Só assim podemos fazer crescer a sua autoestima, a sua capacidade de empatia e a inteligência emocional.

Ao não negar o que sentimos, tomamos consciência de que não somos as nossas emoções. Elas apenas ficam um pouco, e vão. Como uma nuvem que passa ou uma chuvada que dura apenas alguns minutos antes do sol brilhar de novo.

Se tivermos curiosidade em descobrir o que os nossos filhos estão a sentir, sem tentar resolver o problema, julgar ou controlar, apenas deixando que eles se exprimam, estamos a dar-lhes a oportunidade única de compreender e aceitar o seu mundo interior.

Tu tens um papel MESMO muito importante aqui. Sabes, quando eles são pequeninos, o seu cérebro ainda não está totalmente desenvolvido. As zonas do cérebro correspondentes à relativização das emoções e ao colocar os acontecimentos em perspectiva ainda estão no início da construção. O que domina é a parte do cérebro reptiliana, essa sim, totalmente desenvolvida, responsável pelas emoções mais cruas, como o medo, a raiva, a alegria e o choro.

Nós, pais, somos o sistema nervoso externo dos nossos filhos enquanto o outro ainda está em construção. Eles precisam de nós para os ajudarmos a lidar com os grandes sentimentos que os invadem. Somos nós que temos de lhes dar a mão e os ajudar a passar de um overload emocional para uma zona mais calma.

Passo a passo, enquanto ouvimos com empatia o que está acontecer com eles, vamos criando a ponte entre uma zona e outra. Uma ponte que um dia eles vão, finalmente, ser capazes de atravessar sozinhos.

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Eu não li os livros todos de psicologia infantil, nem fiz nenhum curso de como evitar/interromper/acabar com uma birra. Mas à conta de episódio passado com a minha filha de 5 anos, aprendi uma “fórmula” para contornar as birras dos nossos filhos.

A minha filha entrou na escola e andava um bocado ansiosa.

Nas primeiras semanas percebemos que estava bastante nervosa e esse comportamento acabou por se refletir em casa: fazia birras com facilidade, até por coisas sem importância. De repente, tudo era um drama. Por indicação da escola, procuramos uma psicóloga infantil, para que a Alice pudesse falar sobre o que se estava a passar e percebermos o que podíamos fazer para ultrpassar esta fase.

De entre as várias dicas que a psicóloga Sally Neuberger nos deu, houve uma que retive exactamente por ter achado fantástica, e é sobre ela que vou aqui falar.

A psicóloga explicou-me que a criança tem de se sentir respeitada. Ou seja, devemos dar valor ao que está a sentir, mesmo que nos pareça uma birra pura. Assim, no momento de uma crise, uma criança a partir dos 5 anos de idade precisa de que a ajudemos a pensar e obter uma resposta sobre o que se está a passar.

Esta nossa valorização sobre o que a criança está a sentir e ao mesmo tempo o facto de incluí-la na solução da questão desmonta a birra em si.

Como desarmar uma birra com uma pergunta

No momento da birra – seja porque o braço da boneca saiu, porque está na hora de ir para a cama, porque os TPCs não correram com esperava ou porque não queria realizar uma tarefa – devemos olha-la nos olhos e perguntar num tom calmo :

“Isto é um problema grande, um problema médio ou um problema pequeno?”

Esta frase tornou-se mágica aqui em casa. E sempre que faço a pergunta e a minha filha me consegue responder. Em conjunto conseguimos encontrar uma solução para o problema.

Se for um problema pequeno é rápido e tranquilo de resolver.

Um problema médio, muito provavelmente será resolvido mas não nesse momento imediato e ela vai entender que há coisas que precisam de tempo para acontecer.

Se o problema for grave – e obviamente que grave na cabeça de uma criança não pode ser algo a ser desprezado mesmo nos pareça algo sem importância – talvez seja preciso mais conversa e mais atenção para que a criança entenda que há coisas que não correm exatamente como nós queremos.

 

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