O mundo necessita cada vez mais e mais de criatividade compassiva para que sejam resolvidos os problemas com que somos confrontamos no dia a dia. A criatividade e as pessoas criativas podem não ter sempre todas as respostas, mas colocam em causa, questionam as situações e pensam em alternativas e melhorias. Descobrem e desenvolvem possíveis respostas. Habitualmente fazem questões pertinentes, de qualidade e interesse para todos. São otimistas e combinam a criatividade com a compaixão e a empatia para que o resultado seja pleno de força positiva e boa.

O ensino com e através da criatividade é muito importante se desejamos uma boa vida para todos os que nos rodeiam. A criatividade é geralmente vista como uma característica ou disposição inata. Na verdade todos temos este princípio, resta desenvolvê-lo. Muitos pais e professores desacreditam que tal seja verdade. Têm por hábito ver a criatividade como um dom artístico, material é palpável. Em verdade, boas ideias para resolver problemas ou conduzir a vida de modo saudável e harmonioso também usam a criatividade. Ensinar a criança que a criatividade está presente e como a desenvolver, oferece em paralelo um bónus interessante, ou seja o desenvolvimento da auto estima, a auto afirmação que é poder pessoal. Se a criança cresce com sentimento de poder pessoal, rapidamente percebe o seu potencial inato e criado pelas matérias da escola, entende as suas melhores características inatas e desenvolvidas e firma com coragem e certeza o que quer fazer. É uma criança destemida, valente, confiante e que quer aprender, desenvolvendo a cada dia mais valências e participando em experiências de aprendizagem sem medo ou recusa.

Felizmente o conceito está a mudar, mas em muitos locais do mundo a cultura de ensino e desenvolvimento apoia-se em bases negativas de repetitividade, coação ou autoridade. Se as crianças crescem num ambiente altamente controlador, cheio de proibições e pressões é natural que as crianças retardem as suas características inatas, nomeadamente a expansão de criatividade. As tendências naturais da idade, como a aventura,  a espontaneidade e as experiências tornam-se suprimidas e apagadas.

Algumas crianças mais hiperativas ou de carácter mais vincado resistem a esta educação restritiva e controladora, mas cedo serão apontados como crianças problema. Tragicamente muitas crianças, por medo ou respeito à autoridade imposta acomodam-se e nunca desenvolvem o seu mais alto potencial. Aceitam tudo o que lhes é dito como verdade, aceitam todas as situações e ao final de alguns anos verificam o quanto este ambiente os levou a escolhas e opções de vida completamente afastadas da vontade das suas almas. O equilíbrio é necessário, a metodologia educacional quer em casa quer na escola deve abrir, reformular e aceitar novos rumos.

A criatividade oferece boa disposição, abre a mente, aceita a diferença e promove a apreciação individual e de grupo. A criatividade deve ser, no meu ponto de vista, transversal a todos os itens da educação da criança e do jovem, seja pela mão dos pais e em família, seja através dos professores e na escola. Quem fala, ensina, e pode fazê-lo de várias maneiras, de certo com a criatividade incluída tudo fica mais leve e mais positivo: é assim perto da natureza da criança. Esta é a diferença que faz oferecer o nosso tempo com qualidade e conteúdo seja em que situação ou profissão. Cada pedido que uma criança faz, cada momento que se comporta de um modo diferente que não estamos preparados para receber, cada dificuldade que um jovem apresenta e não realiza o que lhe é pedido é sempre um desafio à nossa criatividade.

As limitações abrem a porta a criatividade pois esta é uma das melhores maneiras para ultrapassar a questão e com boa disposição. Os limites são um reino onde cada uma poderosa operar, mas também encarar como um desafio a ser ultrapassado com criatividade, seja uma dificuldade criança, jovem ou adulta. Podemos copiar e seguir estratégias já expostas por aqueles que tiveram dificuldades e as ultrapassaram com criatividade ou podemos utilizar o nosso caminho mais pessoal e que alegria a transformação e soluções.

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Os primogénitos são os mais inteligentes, e de acordo com um estudo efectuado, há uma razão para tal.

O site Today revela que um novo estudo conclui que os pais dão a mesma quantidade de amor e carinho aos filhos, mas o irmão mais velho recebe mais estímulos cerebrais que os restantes. Este estímulo vai-se perdendo de filho para filho.

O estudo concluiu que os pais passam menos tempo a ler para os outros filhos e a ensinar conceitos com as letras e o alfabeto. Também não proporcionam aos mais novos tantas actividades e jogos didácticos.

Esta pesquisa conclui que os primogénitos são preparados mais cedo para o sucesso académico e intelectual. O Jornal Human Resources afirma que, é provável que seja por esta questão que os irmãos mais velhos apresentam, regra geral, resultados superiores aos mais novos nos testes cognitivos.

Os pais de primeira viagem preocupam-se em fazer tudo “by the book”, e normalmente investem mais e têm maior consciência quando interagem com o filho mais velho”, diz Jee-Yeon K. Lehmann, economista do Grupo de Análise em Boston e co-autor de o estudo. “Com cada criança subsequente, os pais tendem a relaxar com o que não consideram essencial para os seus filhos.

Além disso, o estudo desmontou o mito de que a ordem de nascimento molda a personalidade de uma criança. Lehmann e seus colegas descobriram que não há impacto sobre o temperamento de uma criança, excepto os primogénitos demonstrarem-se mais confiantes no seu desempenho académico.

Como pais, pensem como provavelmente foram obcecados para mostrar tudo ao vosso filho primogénito: as cores, as formas, as letras, etc, e comparem com o segundo, terceiro, quarto ou quinto filho. A novidade desaparece depois de algum tempo. Para além de que as exigências da maternidade com cada criança subsequente são simplesmente desgastantes e consumidoras do nosso tempo.

A lição aqui para os pais é que os tipos de investimentos que são feitos com os filhos são muito importantes, especialmente aqueles nos primeiros anos de vida das crianças“, diz Lehmann. “Todas essas atividades de aprendizagem que fizeram ‘Com o primeiro filho, tão animados, nervosos e com excesso de zelo parecem ter algum impacto positivo a longo prazo, no desenvolvimento da criança

Sem ofensa para os investigadores, que de certeza são todos os primogénitos brilhantes, mas ninguém que viva a paternidade nos dias de hoje, poderia ter atestado este fenómeno.

O nosso tempo e os nossos recursos estão mais limitados do que os de qualquer outra geração anterior. O nosso estilo de vida vida desenfreado dos dias de hoje, impossibilita-nos de ter o tempo que precisávamos e muitas vezes, a calma e a paciência que gostávamos para estimular os nossos filhos através de actividades, brincadeiras e tempo de ócio em família, como queriamos.

Quer gostemos quer não, este estudo aponta para uma dura realidade: estamos a adaptar a nossa atitude e comportamento parental à velocidade do nosso dia a dia para conseguirmos andar com a nossa vida, o que poderá ter um impacto negativo no desenvolvimento dos nossos filhos.

Bom, pelo menos dos mais novos.

 

Por Sarah Hosseini, Scary Mommy

Traduzido, adaptado e autorizado para Up To Kids®

 

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Sabia que…

  • a boca é o órgão com maior número de recetores sensitivos, com várias funções, como a receção dos alimentos e a proteção e controle do sistema respiratório e digestivo?
  • o comportamento de levar a mão à boca, que está presente a partir da 9ª semana gestacional, constitui uma das primeiras demonstrações da existência de integração sensório-motora precoce, através da qual o bebé irá obter não só uma forma de alimentação e de fala adequadas, como também reconhecer o seu próprio corpo e discriminar as características dos objetos?
  • as experiências sensoriais obtidas, quer durante a alimentação através da ingestão de alimentos com diferentes consistências, texturas, sabores e temperaturas, quer na exploração oral de objetos e da mão contribuem para um adequado desenvolvimento da musculatura orofacial e dento-esquelética e previnem a ocorrência de alterações no sistema estomatognático?
  • entre 25% a 35% de crianças com desenvolvimento normal apresentam dificuldades alimentares? Esta percentagem aumenta exponencialmente (65% a 75%) quando falamos de crianças com patologias do neurodesenvolvimento. – (Rudolph & Link, 2002)

As etiologias destas dificuldades são variadas, mas entre as mais comuns temos a predisposição genética, as complicações durante a gravidez, a prematuridade, a insuficiente estimulação ou experienciais táteis e orais desagradáveis. (- Dias, 2015)

O desenvolvimento sensório-motor oral (SMO) inicia-se no período intra-uterino, no qual o feto experimenta diferentes estímulos. A exposição a diferentes estímulos neste período é fundamental para a programação sensório-motora envolvida nas funções orais como a sucção, deglutição e respiração do neonato e posteriormente, na mastigação e na fala da criança. O desenvolvimento SMO irá depender das experiências sensoriais intra-uterinas, da maturação do sistema nervoso central (SNC), da herança genética e dos estímulos ambientais ao longo da vida, sendo os primeiros anos essenciais. (Medeiros, 2007)

O desenvolvimento SMO tem vários marcos importantes:

  • Entre 3º e o 6º mês de vida
    Há uma maior dissociação entre sucção e deglutição e
as competências motoras orais e globais facilitam a introdução da colher;
  • Do 6º ao 9º mês de vida
    Surgem os primeiros dentes; o bebé baba-se muito;
há uma participação do lábio superior na retirada do alimento na colher e surge a integração do reflexo de morder na mastigação;
  • Do 9º ao 12º mês de vida
    Começa a beber pelo copo com ajuda, come a bolacha e o pão sozinho, fazendo um prévio reconhecimento táctil dos alimentos;
  • Do 12º ao 15º mês de vida
    Tenta comer sozinho com a mão e com a colher; mastiga bem alimentos que não sejam muito duros; nesta fase ainda pode apresentar dificuldades na mistura de texturas dos alimentos;
  • Do 15º mês ao 18º mês de vida
    Baba-se frequentemente por não conseguir controlar várias tarefas simultaneamente; alimenta-se pela colher e pelo copo, com pequenas ajudas;
aceita alimentos com diferentes sabores, texturas e consistências com possibilidade de os manipular (importante para a integração sensorial);
  • Do 18º ao 24º mês de vida
    Há um aperfeiçoamento das capacidades miofuncionais orais; mastiga e bebe autonomamente de forma adequada; aceita duas texturas na boca. (Dias, 2015)

Alimentação Restritiva? Alimentação Seletiva? Alimentação exigente? Recusa Alimentar Crónica? Neofobia de alimentos? Qual o perfil alimentar? Dificuldades alimentares de base sensorial? Defensividade Oral? E agora?!

O Terapeuta da Fala pode ajudá-lo com as dificuldades alimentares do seu filho.

A Estimulação Sensório Motora Oral (ESMO) realizada pelo Terapeuta da Fala, quando introduzida precocemente e de forma a garantir o sucesso no aleitamento materno, favorece a introdução dos semi-sólidos e sólidos na idade adequada e de forma prazerosa e proporciona a realização de determinados tipos de movimentos dos órgãos fonoarticulatórios, essenciais para a maturação e desenvolvimento do sistema sensório-motor oral da criança.

O desmame precoce da amamentação pode levar à rutura do desenvolvimento motor-oral adequado, provocando alterações na postura e na força dos órgãos fonoarticulatórios e das funções da mastigação, deglutição e respiração, que estão diretamente relacionadas com a introdução complementar após os 6 meses. (Ferreira et al, 2014). Assim, deve ser dada a devida importância à amamentação no desenvolvimento das competências orais do bebé e esta forma de alimentação deve sem dúvida ser privilegiada.

A ESMO no neonato e/ou a integração sensorial na criança:

  • previne a falta a privação sensorial;
  • contribui para o adequado desenvolvimento do sistema sensório-motor oral do bebé;
  • possibilita que o bebé beneficie de todas as vantagens do aleitamento materno;
  • proporciona o planeamento e coordenação oro-motoras para o desenvolvimento das funções orais ( mastigação, deglutição e fala);
  • permite ao bebé responder a cada estímulo de modo cada vez mais adequado e eficiente, organizando, assim, as suas experiências sensoriais e desenvolvendo, de forma sucessivamente mais complexa, as suas capacidades motoras, sociais e cognitivas. (kutscher & Glick, 2011).

Deste modo, na presença de qualquer dificuldade na amamentação e/ou na resistência da criança na introdução da alimentação sólida, deve sempre procurar o parecer de um Terapeuta da Fala – técnico especialista habilitado para trabalhar as funções em causa -, que poderá ajudá-lo respondendo a questões, sugerindo estratégias facilitadoras ou, se for o caso, realizar intervenção direta com os pais e com o neonato/criança.

 

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Quando falamos de desenvolvimento infantil, já deu por si a pensar no desenvolvimento dos seus filhos? Será que o meu filho já devia…? Será que ele está atrasado? Será que está tudo bem?

Pois é, é frequente o surgimento de dúvidas acerca do desenvolvimento infantil… A questão que se coloca é então: consultar ou esperar? Consultar para apaziguar as incertezas ou fundamentar a espera no ritmo incerto do desenvolvimento infantil?

De facto, o desenvolvimento infantil é pautado de alguma variabilidade tendo em conta características ambientais, genéticas e até da própria criança. Mesmo dois irmãos expostos aos mesmos estímulos podem ter ritmos desenvolvimentais diferentes. Mas, até que ponto uma alteração pode ser considerada normal ou anormal? Quando é que as famílias devem procurar ajuda junto dos especialistas ou esperar mais um pouco para ver se as crianças evoluem sozinhas? É a estas perguntas que vamos tentar dar resposta.

O desenvolvimento harmonioso e sem perturbações é um dos grandes objetivos de uma família assim que uma criança nasce. Mesmo durante a gravidez, os seus pais já se questionam se o seu filho será saudável ou não e se terá acesso a todas as oportunidades na sua vida que lhe permitam crescer e tornar-se num adulto de sucesso. Após o nascimento e, não havendo à partida alterações genéticas, neurológicas e/ou motoras que acionem desde logo encaminhamentos para as várias áreas especializadas, a criança irá desenvolver-se fora do radar dos especialistas e conta apenas com o conhecimento da sua família e outras pessoas que interajam com esta no seu dia-a-dia (ex.: amigos dos pais, funcionários da creche/escola, etc). Nesta situação e, caso surja algum sinal de alerta, é frequente ouvir várias versões sobre a necessidade ou não de se procurar ajuda. Em última instância cabe à família filtrar essas opiniões e, junto com as suas próprias dúvidas/certezas, decidir se pede ou não ajuda.

Vários estudos científicos atestam a importância de intervir precocemente, isto é, promover e potenciar o desenvolvimento psicomotor das crianças que já possuam algum tipo de perturbação e/ou que se encontrem em situações de risco, de forma a evitar o estabelecimento de uma perturbação ou impedir que a mesma ganhe contornos mais graves. Sabe-se que o desenvolvimento das crianças pode ser modificado por influências ambientais, quer sejam positivas quer sejam negativas e que estas influências podem potenciá-lo ou dificulta-lo. Assim, quando surgem dúvidas no seio das famílias acerca de algum aspeto dos desenvolvimento do seu filho, quanto mais cedo se modificar o ambiente para um estímulo mais positivo melhores resultados se conseguirão obter. Aliado a esta questão surge a chamada “plasticidade do sistema nervoso” que nos diz que o cérebro é mais “maleável” e suscetível à aprendizagem quando a criança é mais nova. Esta plasticidade diminuí com o crescimento da criança, por isso, quanto mais cedo se atuar numa dificuldade, maior é a probabilidade de uma criança corresponder positivamente a essa estimulação. Além disso, diversas alterações no desenvolvimento que não são intervencionadas a tempo poderão, mais tarde, agravar ou potenciar o aparecimento de perturbações secundárias. Uma surdez não corrigida, por exemplo, pode dar origem a um atraso na fala e na linguagem que se pode tornar irreversível mesmo que a surdez seja corrigida mais tarde.

O desenvolvimento infantil é um tema que a maioria das famílias não dominam e é neste aspeto que se pretende dar apoio de forma a ajudá-las na sua decisão, dando a conhecer alguns sinais de alerta que facilmente podem analisar nos seus filhos.

Muitos destes aspetos surgem, por vezes, por comparação com crianças da mesma idade e é este um dos aspetos principais que os pais devem levar em conta quando analisam os seus filhos. “O meu filho não é capaz de fazer algo, e os seus pares já conseguem?”.

Terapia da fala

terapia da fala

Um dos grandes marcos do desenvolvimento é sem dúvida o aparecimento da linguagem e da fala que surge entre o primeiro e o segundo ano de vida e geralmente aos dois anos, uma criança deverá tentar juntar duas palavras numa frase, mesmo que as palavras ainda não sejam ditas corretamente. Depois começam-se a observar bastantes omissões ou substituições de fonemas na fala. Estas alterações são normais e fazem parte do desenvolvimento das crianças mas devem ir desaparecendo com o crescimento. Com a complexificação da linguagem e do raciocínio às vezes as crianças tendem a apresentar sintomas típicos de uma gaguez. Se, por exemplo, após os quatro anos a criança ainda apresentar várias alterações quer na percetibilidade da fala quer na fluência da mesma, estas devem de ser um dos grandes alertas para os pais procurarem ajuda.

Terapia Ocupacional

Terapia Ocupacional

Durante as aprendizagens pré-escolares as crianças são expostas a inúmeros estímulos. É aqui que quer os pais quer os educadores conseguem detetar algumas dificuldades que podem ser sugestivas da presença de uma alteração/perturbação. Aspetos como a dificuldade em correr, saltar, ou desempenhar alguns jogos típicos, a dificuldade em usar alguns dos utensílios na sala de aula (ex.: tesoura, lápis, puzzles, brinquedos) ou até dificuldades na concentração, realização dos trabalhos mais estruturados e memorização do conhecimento que lhe é transmitido. Situações como a dificuldade em realizar tarefas do dia-a-dia como o vestir/despir ou o apertar os botões do casaco e atar os atacadores devem ser tidos em conta e alertar os pais. Com a exposição à escola ou outros ambientes diferentes do contexto familiar as crianças podem demonstrar alguma dificuldade em cumprir ou a desafiar constantemente o adulto fazendo birras excessivas. Aqui os pais devem ponderar se estas são ou não fundamentadas e se as conseguem controlar, caso contrário será benéfico que consultem um especialista no sentido de aprofundar as razões da mesma e dar estratégias aos pais para ultrapassarem estas questões.

Psicologia: Sinais de alerta

Psicologia sinais de alerta

Mais tarde surge outro grande marco do desenvolvimento com a entrada para o primeiro ciclo e com a aprendizagem da leitura e da escrita. Aqui, as crianças experienciam métodos de ensino diferentes do que estavam habituados e o ambiente mais formal pode ser um obstáculo à sua aprendizagem. Crianças que não se conseguem concentrar, que apresentem dificuldades na leitura e na escrita quer sejam observadas através de erros constantes ou na caligrafia quer através de sentimentos negativos perante estas atividades devem de ser observadas por um especialista para detetar possíveis alterações atempadamente e impedir que as mesmas se instalem e sejam irreversíveis. Uma vez que nesta fase é suposto que as crianças já tenham um nível avançado de consciência das suas dificuldades/capacidades, alterações a este nível poderão afetar a criança no domínio emocional, levando por vezes a um isolamento, sentimentos de tristeza, frustração e/ou agressividade graves que podem pôr em risco todas as suas aprendizagens escolares e a relação que a criança tem com a escola e seus professores.

Em suma, é normal que as famílias tenham dúvidas acerca do desenvolvimento das crianças e que estas sigam ritmos diferentes. É preciso saber ponderar quais as implicações que as dificuldades podem trazer para o desenvolvimento e procurar a ajuda dos especialistas quando surgem incertezas pois só assim poderemos promover um desenvolvimento harmonioso das nossas crianças e saber como estimular da melhor forma em cada momento.

 

SIM-SIM, Inês. Desenvolvimento da Linguagem. Lisboa: Universidade Aberta, 1998
PENÂ-CASANOVA, J. Manual de Fonoaudiologia – 2ª edição. Porto Alegre: Artes Médicas, 1997
VITTO, Márcia M. P., FÉRES, Maria C. L. C. Oral communication disturbances in children. Ribeirão Preto: Medicina, 2005; 38 (3/4): 229-234
Pimentel, Júlia V. Z. S., Intervenção Focada na Família: desejo ou realidade. Secretariado Nacional para a Reabilitação e Integração das Pessoas com Deficiência, 2005

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As birras fazem parte do crescimento, hão-de existir  sempre.

Não havendo uma fórmula para as evitar na totalidade, há formas de lidar com as crianças. Ensinando-as a gerir melhor as emoções conseguem  acalmar as suas próprias ansiedades.

Ficam três dicas simples que o vão ajudar:

  1. Antecipar

Antecipar alguns momentos do dia-a-dia é fundamental para que tudo aconteça duma forma mais tranquila. Se vai a casa dos avós e tem de sair mais cedo explique-lhe o que vai acontecer de preferência antes de sair de casa. Planeie o dia para que o seu filho não seja apanhado de surpresa. Quanto mais as crianças tiverem o seu dia planeado, também elas gerem melhor o que sentem. Caso contrário, vai estar a brincar com os primos e, de repente, os pais dizem: “vamos embora”. Para a criança é um atentado à diversão e gera-se um problema. No entanto, se já estiver preparada irá lidar melhor com o que sente e mesmo que faça uma birra, não sente que foi uma traição dos pais.

  1. Olhos nos olhos

Quanto tempo consegue falar com o seu filho a olha-lo nos olhos? Sem as distrações do telemóvel, da televisão, da máquina da roupa ou o jantar para fazer? Criar o hábito de ter um espaço de conversa com o seu filho vai dar-vos uma oportunidade de se conhecerem melhor, de partilharem o que pensam e sentem e, acima de tudo, vai passar a mensagem ao seu filho de que se preocupa com ele. Quanto mais cedo na relação houver este espaço mais fácil será a comunicação entre os dois. Se a criança for muito pequena, esta conversa pode ser uma brincadeira com um simples brinquedo, de forma a que a atenção não seja exclusiva para o brinquedo mas sim para a relação entre os dois.

  1. Atenção

Se o seu filho está a fazer uma birra porque quer um brinquedo, uma ida ao parque ou a casa dos avós, está a exigir atenção. A melhor forma de o fazer entender que não é possível satisfazer o seu desejo nessa altura é baixar-se, colocar-se ao nível dele, olhá-lo nos olhos e falar com um tom de voz calmo.

Lembre-se que se responde com frustração ou impaciência vai gerar ainda mais frustração. O que o seu filho lhe está a dizer é “nunca olhas para mim, nunca queres saber de mim, só fazes o que tu queres”. Mantenha-se calmo e devolva-lhe aquilo que ele sente. “Eu sei que estás chateado comigo porque queres ir ao parque, mas neste momento não vai ser mesmo possível porque tens de ir tomar banho e jantar”.

Não prometa ir no dia seguinte porque os imprevistos acontecem e as crianças não se esquecem do que lhes foi prometido.

Este tema surge muitas vezes nas sessões de psicologia com os pais. As birras são uma situação recorrente nas famílias e de difíceis contornos quando já está instalada. Isto provoca um desgaste emocional muito grande para todos. As birras são naturais, a não ser que se tornem muito repetitivas e persistentes. Nesse caso poderão ser um sintoma de que algo está a correr menos bem.

O mais importante é apostar na relação de confiança e partilha. Garantir que os pais são o adulto na relação (muitos pais acabam por ceder às birras cabendo no fim o poder de decisão à criança), ter calma suficiente para lidar com os imprevistos, e incluir o seu filho nos planos preparando-o para a dinâmica dos vossos dias.

 

 

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Uma criança difícil é, geralmente, uma criança insegura que procura reconhecimento constante.

Por trás de cada criança difícil esconde-se um caos emocional revestido de raiva e até de desobediência, que nunca é fácil de abordar por parte dos pais ou professores.

Recorrer ao castigo ou às palavras num tom mais elevado e agressivo, apenas conseguirá intensificar ainda mais as emoções negativas, a sua frustração e até a sua baixa autoestima.

Nunca saberemos o porquê de algumas crianças nascerem com uma personalidade mais complexa do que outras.

No entanto, em vez de perdermos tempo a perceber a razão para a personalidade difícil das nossas crianças, devemos entender, simplesmente, que há pessoas que têm mais necessidades, que precisam de mais atenção.

Façamos uma reflexão sobre isto.

Crianças difíceis são crianças exigentes

Uma criança difícil não ouve, não obedece e costuma reagir de forma desmedida a certas situações. Isto faz com que mergulhemos num círculo de sofrimento onde o vínculo com esta criança vai sendo carregado de tensões, ansiedade e muitas lágrimas.

Muitos pais e mães acabam por se questionar. “Serei um mau pai/mãe?” “Estarei a fazer algo errado?”

Estas questões são perfeitamente normais, mas irão apenas alimentar ainda mais a frustração. Antes de cairmos nest espiral, esperimentemos algumas estratégias.

Assumir que temos um filho mais exigente

Há crianças que crescem sozinhas, que sem sabermos como nem porquê são mais maduras, receptivas, obedientes e autónomas. No entanto, é perfeitamente normal que algum dos irmãos desta mesma criança demonstre, desde os primeiros meses de vida, mais necessidades e requeira mais atenção dos pais. São bebés que choram mais do que o normal, que dormem pouco e que vão do riso ao choro em poucos segundos.

  • Temos de assumir que há crianças “super-exigentes”. Precisam de mais reforços, mais apoio, palavras e segurança.
  • Longe de nos culparmos por termos “feito algo errado”, devemos entender queo estilo de criação nem sempre é o responsável por moldar uma criança difícil.

No entanto, é da nossa responsabilidade saber (pelo menos tentar) dar uma resposta a esta criança exigente e isso requer paciência, esforços e muito carinho.

Saber lidar com uma criança difícil

Se para os adultos já é difícil poder compreender e controlar as nossas emoções, para uma criança exigente isso será ainda mais complicado. Por isso, analisemos quais necessidades imediatas de uma criança difícil.

  • Uma criança difícil procura sentir-se reconhecida em tudo o que faz. São crianças inseguras que precisam de reforços com muita frequência. Quando não os encontram ou não os recebem, sentem-se frustradas e incompreendidas.
  • A autoestima baixa faz com que sintam ciúmes(até dos irmãos), com que procurem atenção para se sentirem bem, com que sintam tudo de forma mais intensa, nomeadamente emoções como o medo e a solidão.
  • Conforme vão crescendo, a sensação de insegurança pessoal e de falta de reconhecimento traduz-se em raiva e em reações desproporcionais quando, no fundo, o que existe é apenas medo, tristeza e angústia.
  • É necessário canalizar estas emoções e oferecer estratégias para que a criança deixe de precisar de tantos reforços externos para se sentir bem. Esta criança deve ser capaz de controlar o seu próprio mundo emocional com a nossa ajuda.

Chaves para ajudar uma criança difícil

  1. O poder do reforço positivo
    O reforço positivo não consiste em dar um abraço quando uma criança faz algo que não deve. É mais que isso: trata-se de não fazer uso do castigo ou do grito porque isso despoletará uma reação ainda mais negativa na criança.
    Devemos aproximar-nos da criança e perguntar-lhe porque teve determinada atitude, ou porque reagiu de determinada forma. Com calma, iremos explicar que o ato cometido não é correto, e iremos explicar também o porquê. A seguir, iremos indicar como devemos agir nesta situação.
    Por último, iremos fazer uso do reforço positivo:“eu confio em ti”, “eu sei que tu podes fazer melhor do que isso”, “eu apoio-te, amo-te e fico triste por te ver a ter essas reacções. Tu és muito melhor que isso, confia em ti”.
  2. Oferecer confiança, dar responsabilidades e estabelecer limites
    A criança deve entender desde muito cedo que todos temos limites, e que para ter direitos é preciso cumprir com algumas obrigações.
    É necessário que a criança se habitue a alguma rotina e que saiba o que pode esperar de cada momento.
    Uma  criança exigente precisa de segurança e se a educarmos em ambientes muito estruturados onde o reforço positivo esteja presente, iremos ajudá-la a sentir-se mais tranquila.
    Dê-lhe confiança, convença-a de que é capaz de fazer muitas coisas, incentive-a assumir responsabilidades com as quais poderá aumentar a sua autoestima.

A importância da Inteligência Emocional

Inteligência Emocional deve estar presente na criação de todas as crianças. É necessário ajudá-la a identificar as suas emoções e traduzir em palavras o que sente.

Desde muito pequenos iremos habituá-los a esta comunicação emocional falando sobre “o que se sente”. Os miúdos precisam de saber expressar a tristeza, a raiva e o medo.

Deste modo poderão desabafar emocional quando sentirem necessidade mas, para isso, devemos criar uma relação de confiança e proximidade ente pais/filho. Nunca julgue os seus filhos pelos que dizem nem se ria, em tom de gozo, deles. É necessário ser receptivo e propiciar sempre um diálogo fluido, ameno e cúmplice.

Texto original em Melhor Saúde, adaptado por Up To Kids®

imagem@INNs HOLZ

 

As Crianças inteligentes também sobem às árvores e saltam nas poças. São crianças e gostam de brincar.

Numa época em que as crianças nascem rodeadas de gadgets, cada vez mais nos esquecemos da importância de brincar ao livre e estar em contacto com a natureza.

Hoje em dia, derivado da concorrência extrema ao mercado de trabalho os pais, preocupados com o futuro, tendem a sobrecarregar os filhos com actividades académicas. Pressupõe-se que se desenvolverem mais competências do foro intelectual serão, um dia, mais competentes, melhores profissionais e conseguirão estar um passo à frente dos demais nesta corrida desenfreada ao sucesso.

Melhores avaliações escolares não é preditor de adultos bem sucedidos.

As competências profissionais, como todos sabemos, ganham-se essencialmente com a experiência, e não na faculdade. Um profissional competente compreende todo um conjunto de qualidades que vão muito além do que vem nos livros.

Por outro lado os pais vivem sobrecarregados de trabalho sobrando muito pouco tempo livre para proporcionar aos filhos actividades de lazer e brincadeiras ao ar livre. Obviamente, que neste contexto, as actividades extra-curriculares, os ATLs, os centros de explicação, em conjunto com os tablets, smartphones e programas de TV são a salvação de muitas famílias.

Pensar fora da caixa

Parece-me que com o pretexto de estarmos a preparar as crianças para o futuro (e o cansaço acumulado), estamo-nos a esquecer do elemento mais importante para o desenvolvimento de uma criança durante a primeira infância: brincar.

Brincar é a ferramenta mais importante no desenvolvimento de uma criança. Uma criança inteligente tem necessidade de brincar, de estar ao ar livre, de conhecer e de experimentar. Uma criança inteligente é curiosa por natureza e a brincar explora o seu potencial máximo livremente.

Brincar livremente (à antiga)

Subir às árvores, saltar nas poças, jogar às escondidas ou procurar insectos debaixo das rochas. Isto é fundamental no desenvolvimento dos nossos filhos. Ao ar livre vão aprender a explorar e experimentar o espaço, a respeitar os outros, a partilhar, a sociabilizar.

Vão aprender a cair e a levantar-se, algo que lhes será muito útil ao longo da vida.

O contacto com a natureza vai ensinar-lhes a  respeitar o meio ambiente e as outras espécies. Vão tornar-se mais destemidos e desenvolvidos a nível motor, e vão desenvolver competências que são impossíveis de adquirir fechados entre quatro paredes. Competências que só se aprendem com a experiência.

As crianças precisam de viver aventuras, brincar ao faz de conta, ganhar asas e soltar a imaginação. Se é tão importantes as pessoas saberem pensar fora da caixa, porque emparedar a criatividade dos nossos filhos? Deixemo-los sonhar, e larguemos os estereótipos. Não estamos a criar robots, mas sim crianças. E o nosso objetivo enquanto pais é que os nossos filhos sejam crianças felizes, que cresçam e se tornem adultos bem resolvidos, capazes e felizes. Fácil. O que não é tão fácil nem óbvio, é o caminho a percorrer.

Tratar cada criança com um individuo único

Cada criança é uma criança diferente, com ritmos diferentes e que precisa de estímulos diferentes. É urgente que aprendamos a entender os nossos filhos para lhes respondermos com soluções de acordo com as suas necessidades.

Há dias dizia-me uma amiga que o filho era muito trapalhão a nível motor e que não se entendia com os baloiços do parque. Também não gostava de jogar à bola, nem de brincar no exterior. E eu perguntei-lhe: ”Já foste brincar com ele para a rua?”
– Ele não quer…”, respondeu-me.

Pois, porque ele não sabe brincar sozinho, num espaço onde não tem brinquedos (aparentes porque depois do hábito criado fazem de pedras brinquedos), onde não se sente seguro e confortável.

Cabe aos pais proporcionarem a experiência do parque infantil ou do parque natural. Quer seja a mãe sentada no banco, a que empurra o baloiço ou a histérica anda a correr atrás das crianças (das dela e das dos outros) e ainda enxota os pombos com pontapés no ar e gritos, estes hábitos devem ser criados desde bebés. Porque são hábitos positivos e necessários para a evolução mental, física e comportamental dos nossos miúdos, os adultos do amanhã.

Lembre-se do quanto fomos felizes a brincar na rua. Apesar dos perigos e do frio, com supervisão, vestuário adequado, podemos e devemos deixar que os nossos filhos se atirem de corpo e alma para as poças de chuva.

 

Por Up To Kids®

 

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O meu filho é desajeitado…o que posso fazer?

Muitos são os pais que se perguntam o que fazer com o filho com dificuldades de coordenação motora. A verdade é que existem crianças que a certa fase do seu desenvolvimento começam a evidenciar algumas dificuldades. O que acontece é que muitas das vezes essas dificuldades têm um impacto nas actividades académicas (manusear o lápis, escrever, aulas de ginástica) e também nas actividades da vida diária (ex. vestir, calçar, etc) e os pais começam a ficar preocupados e sem saber muito bem o que pensar e fazer para ajudar o seu filho. E, com o passar do tempo, a criança vai crescendo e tal como as exigências funcionais em casa, na escola e na comunidade vão aumentando…também as dificuldades! Muitas vezes ouvimos expressões como “o meu filho é muito desajeitado”, “é trapalhão a vestir-se”, “parece que não consegue estar sentado à mesa sem deitar tudo ao chão” e na realidade é mesmo isso que acontece nas crianças com dificuldades na coordenação.

SINAIS

Existem alguns sinais que deve estar atento e que poderão indicar dificuldades do seu filho ao nível da coordenação:

motricidade_fina

O que posso fazer?

1º Esteja atento

  • Observe o seu filho e tente perceber se as dificuldades motoras têm impacto em casa (actividades da vida diária);
  • Comunique com a escola e perceba se essas dificuldades também se verificam na escola e se estão a prejudicar o desempenho académico do seu filho.

2º  Brinque com o seu filho, promovendo actividades lúdicas mas com uma componente mais motora

  • Actividades de motricidade global
  1. Correr, saltar, subir e descer escadas, trepar;
  2. Atirar e receber bola com as mãos e chutar;
  3. Imitar (ex: animais -caranguejo, sapo, elefante; super heróis- homem aranha, powerranger, etc);
  • Actividades de motricidade fina
  1. Desenhar livremente, desenhar figura humana, desenhar casa;
  2. Pintar dentro de contornos;
  3. Modelar plasticina (apertar, esticar, fazer formas, esconder objetos pequenos tais comofeijões ou missangas na plasticina);
  4. Recortar (linhas, círculos, várias formas);
  5. Actividades com pinças (ex. passar berlindes de um sítio para o outro com uma pinça);
  6. Actividades com molas (ex. montar sequências de imagens colocadas em molas numa corda).

2º Procure ajuda

  • Fale com o pediatra do seu filho explicando as dificuldades de coordenação do seu filho;
  • Procure um terapeuta Ocupacional

O que o Terapeuta Ocupacional irá fazer?

  1. Avaliar as dificuldades nas competências motoras (e outras áreas) bem como o seu impacto nas actividades académicas e nas actividades da vida diária;
  2. Desenhar um plano que pode incluir:
  • O desenvolvimento das competências motoras (e outras áreas) através de jogos/ actividades terapêuticas.
  • Treinar o desempenho das várias actividades da vida diária (autocuidados, brincar, aprendizagem);
  • Aconselhar mudanças no ambiente ou equipamento que facilitem realização das actividades;
  • Aconselhar pais e professores.

Referências bibliográficas:

  • Missiuna, C., Rivard, L. & Pollock, N. (2011). DCD – CanChild Centre for Childhood Disability Research. Canadá: McMaster University.
  • Ayres, J (2005). Sensory integration and the child: understanding hidden sensory challenges. USA: WPS
  • http://www.dyspraxiafoundation.org.uk
  • http://www.aota.org

 

Por Margarida Sabino, Terapeuta Ocupacional

imagem@ehow.com.br

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Uma criança que mente precisa de ser educada, e não receber menos carinho

Talvez levando em consideração uma fantástica frase do Dr. Seuss que diz que “os adultos são simplesmente crianças obsoletas” seja mais fácil entender porque mente uma criança. A empatia com os mais novos é uma arma poderosa, porque também nós, adultos, mentimos de vez em quando.

Todos os pais gostam de saber porque razão os seus filhos mentem. Às vezes poderia ser tão simples como tentar pensar como eles. Será que nossos filhos são conscientes da gravidade da mentira? Sabem diferenciar o tipo de mentira que contam? Vamos tentar responder a estas perguntas.

O estudo sobre as mentiras das crianças

Não, uma criança que mente não é menos afável. De facto, segundo a psicóloga Victoria Talwar da Universidade McGill, no Canadá, nem sequer consideram a mentira como algo objetivo: dizer uma verdade ou uma mentira depende apenas das consequências da mensagem, ou seja, do dano que estas causarão.

Segundo o estudo de Talwar, a criança optará por mentir ou não, consoante o castigo ou a consequência a que será sujeita. As crianças não mentem de propósito, simplesmente tentam evitar uma situação negativa.

No entanto, quando a mentira é por parte do progenitor para a criança, o dano é muito maior. Nesse sentido, os nossos filhos consideram que estão a ser traídos.

O estudo realizado com 100 crianças de 6 a 12 anos e os respetivos pais, resume que os progenitores costumam ensinar aos filhos que não se deve/pode mentir. No entanto, os pais como educadores também mentem, mesmo que seja para tornar a vida mais fácil aos filhos, ou poupar-lhes alguma tristeza. Esta é uma atitude que confunde os filhos, especialmente quando se trata de crianças de tenra idade, que estão em fase de aquisição de exemplos comportamentais.

As crianças têm em mente a motivação da mentira na hora de julgá-la?

No estudo realizado por Talwar, foram exibidos diversos vídeos às crianças com situações nas quais alguém era castigado. Numas situações uma pessoa mentia e um inocente era castigado; noutras, ao dizer a verdade o culpado que recebia o castigo.

Depois de terem visto o vídeo, as crianças respondiam a questões sobre os diferentes personagens. A intenção da investigadora era conhecer o julgamento moral que as crianças retinham das situações apresentadas e analisar os estágios de desenvolvimento de cada criança a este respeito.

As respostas foram muito variadas e levaram a diferentes interpretações. Embora não haja nenhuma idade específica para distinguir entre a verdade e a mentira, foram observadas nuances em termos desta variável:

  • As crianças menores que participaram da experiência em geral avaliaram a mentira como negativa. No entanto, também foram mais condescendentes quando a mentira evitava ou reduzia um dano ou castigo.
  • Para as crianças de idades compreendidas entre 10 e 12 anos, a diferença entre verdade e mentira era mais difusa. Eram conscientes das consequências tanto de dizer uma verdade como de não dizê-la, e agiam segundo seus interesses com total consciência.

Uma criança que mente tem os seus motivos?

Quando uma criança mente, sobretudo segundo sua idade, não devemos ver isso como uma traição ou um ato digno de indignação. Segundo Alicia Banderas, autora do livro “Pequenos Tiranos”, as crianças mentem para evitar para evitar castigos. Outros motivos poderiam ser: a vergonha de ter agido mal ou para aproveitar alguma atividade que elas adoram mas que sabem que está proibida ou restringida nesse momento.

Por outro lado, as pesquisas revelam que  crianças com um desenvolvimento cognitivo mais avançado já começam a mentir aos dois anos. O normal é começar a fazê-lo a partir dos 3 ou 4 anos e fazem-no da mesma maneira que mergulham no resto dos terrenos desconhecidos. Isto não é mais do que a experiência por tentativa e erro, dizer uma mentira e comprovar até onde chega o drama das suas consequências.

Além disso, em determinadas situações e já com certa idade, a mentira pode ser provocada por querer chamar a atenção. Ou até mesmo por pura proteção da intimidade da criança ou até por puro desejo.

Assim, enquanto pais, devemos estar conscientes do que fazemos sempre que mentimos aos nossos filhos. Se descobrirem a mentira, provavelmente vão se sentir traídos. Além disso, se usarmos a mentira para manipular as crianças com promessas que depois não cumpriremos, um dia a nossa palavra não terá qualquer valor.

Por isso ficamos com a conclusão do estudo de Talwar.

Os pais e educadores têm que comunicar mais com os filhos e explicar as diferenças entre a mentira e a verdade. Como na maioria das situações, o diálogo é a melhor solução.

imagem@depositphotos

Por Pedro Liberdade em A mente é maravilhosa, adaptado por Up To Kids®

 

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Querida mãe,

antes de mais nada, não se preocupe. Eu sei. Deve ser de cortar a respiração estar constantemente a receber cartas, convocatórias e recados à espera da nova queixa, da nova reclamação, da nova coisa que não fez e devia ter feito, ou que fez e que não deveria fazer. Mas não se preocupe, esta não é uma dessas cartas.

Esta carta é de alguém que está tão preocupada e quer saber tanto do seu filho como a mãe quer saber. No fundo, ambas queremos apenas que o seu filho cresça e se desenvolva de forma harmoniosa e feliz.

Compreendo que deve ser de deixar os nervos em franja ter constantemente dezenas de profissionais que acham que conhecem melhor o seu filho que a própria mãe. Opiniões que vêm de todo o lado a dizer qual a nova moda na pedagogia, qual o novo desporto que deve ser praticado, ou aquele novo centro de estudos que vai resolver todos os problemas. E pior, ter diversos técnicos que puxam pelo seu filho, um por cada membro, para ver quem tem mais razão, quem entende mais, quem irá fazer melhor, e tantas, tantas vezes sem sequer perguntar à mãe o que acha. Por isso, peço-lhe desde já desculpa. É errado da nossa parte, e se o fazemos, por favor, diga-nos para pararmos.

É que sabe mãe, esta carta não é uma dessas cartas. Esta carta é sobretudo para si. Curioso não é? Falamos tanto do seu filho que por vezes até parece que não nos conhecemos uma à outra. Mas conhecemos, mãe. E eu sei o esforço que faz para sair do trabalho mais cedo para trazer o seu filho. Eu sei que no final do mês tem de reduzir naquele casaco que lhe daria tanto jeito, ou naquele jantar fora, para conseguir manter esta terapia, que na realidade, a mãe espera que dê resultados mas sempre sem certezas absolutas.

Por isso, hoje quero apenas dizer-lhe: está a fazer um trabalho extraordinário. Sim, nada mais que isso. Quero dizer-lhe que sei que está a dar o seu melhor. Quero dizer-lhe que sei que faz o máximo por se informar, seja em blogs, em revistas ou em conversas com outros adultos. Sei que tenta navegar neste mar de informação, tentando pescar a verdade e atira o arpão para a informação que lhe parece adequada. Sei que não é fácil seguir entre as várias correntes. O que pedem na escola, o que o seu filho lhe pede e o que a mãe precisa. Por isso, respire… Está a fazer o melhor que pode. E tenha paciência connosco, se conseguir… É que no fundo, nós também estamos a fazer o que achamos melhor, o melhor que conseguimos. E se por vezes não concordarmos, não fique ressentida. Faça-se ouvir e escute-nos também.  E lembre-se que no fim do dia, quando o seu filho estiver a dormir e for lá aconchegá-lo, o que importa é que todos trabalhámos para fazer dele uma criança mais feliz.

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