Com os miúdos de férias há tanto tempo e o calor a apertar, sente que já faltam ideias para os distrair?
Aqui vão cinco  atividades fresquinhas para as crianças se divertirem, e os pais também!

1. Fazer uma bancada de gelados!
Arranje tigelas coloridas, vários sabores de gelados e ingredientes para juntar aos gelados como gomas, bolachas, pepitas de chocolate, cones de bolacha, sombrinhas para enfeitar e colheres coloridas. Depois é só brincarem às geladarias e deliciarem-se!

2. Pintar com gelo.
Dilua várias cores de guache com água e coloque cada cor num ou dois quadradinhos de uma covette de gelo. Coloque-lhe um pauzinho de gelado antes de pôr no congelador. Quando as cores estiverem em gelo, retire-as da covette e utilizem-nas para pintar. À medida que o gelo vai derretendo, as cores vão intensificando. Atenção que é importante que informe as crianças que a tinta não é comestível. Se tiver receio que mesmo assim a ponham na boca, pode fazer as cores utilizando corantes alimentares em vez de guaches.

Pintar com gelo (2)
imagem fornecida pela autora

3. Caça ao tesouro.
Espalhe pelo quintal, parque ou pela casa várias recompensas como pequenos brinquedos ou guloseimas. Faça um esboço, mesmo que tosto, da sua casa ou quintal e marque o sítio onde escondeu os prémios. Em alternativa ao mapa, pode escrever várias pistas para que as crianças descubram onde escondeu o prémio. Por exemplo: “Por baixo de onde costumas viver aventuras maravilhosas mas sempre de olhos fechados!“  – debaixo da cama.

4. Ovos de gelo – Ponha um pequeno boneco dentro de um balão de água, encha-o de água e coloque no congelador. No outro dia, corte a ponta do balão e retire-o. Ficará com ovos de gelo com um boneco no meio. As crianças terão de inventar maneiras retirar os bonecos.  Acompanhe-os neste processo e vá orientando as suas ideias. Podem manda-los ao chão, escavar com pauzinhos, colocar sal para ver o ovo derreter, colocá-lo num balde água quente…etc. É uma boa actividade para exercitar a capacidade de resolução de problemas, e experimentar como reage o gelo às várias agressões

Ovos de gelo
imagem fornecida pela autora

5. Será que flutua? – Arranje um balde com água e alguns objetos de vários materiais. Experimentem quais os objetos e materiais que flutuam, que ficam ensopados, que são impermeáveis, etc. Exemplo de objetos: Pedaço de cortiça, objeto de madeira, barco de papel, esponja, um garfo, …

 

Por Pintas Laranja, para Up To Kids®
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A minha filha tem um abraço que podia evitar guerras.
Um abraço puro, sem segundas intenções.
Ela abraça porque quer mimo – dar e receber.
Estende os braços, apoia a cabeça no nosso ombro e sorri.
Nos dias menos bons (desde que fui mãe não tenho dias maus, basta existir a Mariana para nada nem ninguém ter o poder de me estragar o dia), aquele abraço cura tudo.
Se pudesse reproduzir a receita do seu abraço mandava embalar e distribuía pelo mundo.
Já disse que a minha filha tem um abraço que podia evitar guerras?
É um abraço tão fofo que mesmo as pessoas que normalmente não exteriorizam carinho não conseguem resistir-lhe.
Os bonecos têm a sorte de ser abraçados põe ela. Alguns também levam umas trincas, mas é a lei da compensação.
Ela abraça a prima com tanta força que a põe a dizer “ai, assim não, Mariana!” – e depois a prima mostra-lhe como se faz com suavidade. Vai aprendendo aos poucos até ao abraço perfeito.

Felizmente, deixa-se abraçar.

Acha graça quando ponho os bonecos a abraçar-se uns aos outros.

Abraça-me quando está contente.
Abraça-me quando está com medo.
Abraça-me quando está feliz por me ver.
Abraça-me quando a faço rir.
Abraça-me quando se assusta ou magoa.
Abraça-me quando lhe limpo as lágrimas.
Dá os melhores abraços do mundo ao pai.
A minha filha tem mesmo um abraço que podia evitar guerras.

Nós, os adultos, perdemos aos poucos o hábito de abraçar. Temos demasiado pudor, demasiada pressa.
Conversamos menos do que podíamos, ouvimo-nos menos do que devíamos.

Reparo que até aos filhos os pais deixam de abraçar. Quando é que deixámos de dar valor ao amor que sentimos? Quando é que passámos a acreditar que não faz falta?

Faz falta. Faz demasiada falta. Mesmo que os miúdos sejam quase homens e tenham vergonha. Um abraço cura tudo. Um abraço lembra que estamos lá. Às vezes só precisamos mesmo de um abraço.

Já deu um abraço hoje? Não deixe para amanhã!

 

Por Marta Coelho, para Up To Kids®
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Os primeiros meses de um filho com os pais são de um enamoramento constante, é a criação do ninho, estabelecimento de laços, de sentimentos, de um amor que vai crescendo dia apos dia. Para a mãe são 4 ou 5 meses de puro namoro diário com o seu filho. Mas estes meses passam a voar, e de repente, estamos de volta ao trabalho. Infelizmente são poucos meses que podemos estar a usufruir do maior amor que a vida nos dá a tempo inteiro…injusto não é?

Deixar o bebé em casa, ou na creche, na ama ou com os avos, seja qual for a situação, deixar um filho e ter de ir trabalhar custa sempre.

No meu caso, estive sem as minhas filhas 109 dias, pois estiveram internadas nos cuidados intensivos neonatais a sobreviver à grande aventura que é a prematuridade e a delas foi de 25 semanas com pouco mais de 600gr. Durante esse tempo estive de baixa por assistência à família, posso dizer que foram os 4 meses mais longos da minha vida. O tempo parece que dói a passar, ia para casa com o maior vazio do mundo, mas quando elas foram para casa a felicidade chegou. Estive de licença 6 meses e mais um de férias. Depois ainda consegui pôr licença de maternidade prolongada por mais três meses. Ainda assim soube a pouco! Esses sim foram os meses mais felizes, mas mais intensos e trabalhosos também.

Estive bastante tempo com elas em casa, foram dias e dias só para elas. E confesso que no final já precisava de sair, de ir trabalhar. Foram muitos meses fechadas em casa, dado que, pela prematuridade, não podíamos ter muitas visitas nem sair muito de casa. Trabalhar não era assim tão assustador mas e ao mesmo tempo sentia que ia fazer-me bem. Mas… um mês antes de voltar ao trabalho a ansiedade chegou, não me conseguia imaginar a sair de casa e estar sem elas. Passava o dia a imaginar como iria ser, e a fazer questões a mim própria, será que vão sentir a minha falta? Será que eu vou conseguir? Será que vou passar o dia a olhar para o telemóvel, ou ligar de 10 em 10 minutos para saber se estão bem? Como é que vou ter energia para trabalhar sem dormir “quase nada” (elas sempre deram más noites), como vou gerir a casa, o trabalho e cuidar delas???… Tantas e tantas questões que me passavam pela cabeça.

O dia chegou, acordei mais cedo que o normal, tomei o pequeno almoço, fiz questão de lhes dar os leitinhos e de lhes dar um grande beijinho e dizer “a mamã vai trabalhar e daqui a pouco  chega a casa para brincar muito com vocês”. Sorri para elas e la fui eu, fecho a porta e cai a primeira lagrima…ia com o coração nas mãos mas feliz por regressar ao trabalho. Apenas liguei uma vez, e quando cheguei a casa vinha ainda com mais vontade de brincar com elas. Posso ter menos tempo, mas é tempo de qualidade só para elas e para elas com muita brincadeira, muitos abraços, sorrisos, passeios, muitos sorrisos e muito amor. O tempo é uma das melhores prendas que podemos dar a um filho.

Já passaram 3 meses desde que regressei ao trabalho, e não posso negar, tenho muitas saudades de passar os dias inteiros com elas, tenho saudades desse tempo maravilhoso. Durmo menos, tenho menos tempo para mim, ando sempre a correr, mas o tempo que estou com elas e com o meu marido é de qualidade! Mas sim, é muito cansativo, e o cansaço é diário. Faço questão de quando chego a casa, esse tempo ser para brincar com elas até a hora do jantar, depois quando adormecem (nem sempre é fácil adormece-las) é quando eu e o meu marido tentamos fazer o jantar e almoço para o outro dia, arrumar a casa e tentar dormir (se elas deixarem).

É difícil conciliar o trabalho, casa, os filhos, marido e ainda ter tempo para nós, mas acabamos por conseguir sempre, as mulheres são sem dúvida seres com super poderes, então quando viram mães são capazes de tudo, porque amam mais e quando há amor tudo se faz e tudo se consegue.

 

Dicas para quem esta prestes a terminar a licença de maternidade e regressar ao trabalho:

– Não ligar mais do que 1 ou 2 vezes para quem esta a cuidar do seu filho;

– Quando estiver muito cansada lembre-se que vai chegar o fim-de-semana;

– Divida as tarefas com o seu marido;

– Rotinas são importantes, organização de tarefas, e refeições com antecedência são fundamentais;

– Quando esta no trabalho envolva-se no que esta a fazer;

– Quando regressa do trabalho dedique-se a 95% aos seus filhos e marido, os outros 5% são para se dedicar a si própria, para ter tempo para si!

– As saudades são normais, mas tente ver isso como uma coisa boa;

– Lembre-se que quando terminar o trabalho vai encontrar o melhor sorriso e abraço do mundo!!!

 

Por Débora Barroso, para Up To Kids®

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Os blocos de construção são uma forma lúdica e divertida de desenvolver diversas capacidades das nossas crianças. De facto, inúmeros estudos têm demonstrado que a sua utilização nas brincadeiras dos mais novos (e não só) contribui para o desenvolvimento de várias competências cognitivas e sociais. E podem ser muito divertidos!

Eis algumas vantagens de brincar com blocos de construção:

Estimulam a imaginação
Este tipo de brinquedo é frequentemente usado para a construção de cenários nas brincadeiras de faz-de-conta, estimulando a imaginação, aumentando a capacidade de resolver problemas e ajudando ao processamento de emoções.

Promovem a percepção espacial
Ao brincar com blocos, as crianças testam relações espaciais entre objectos, desenvolvendo a consciência do espaço disponível. Além disso, também as capacidades de planeamento são colocadas à prova.

Desenvolvem competências matemáticas
Para além das subtis operações matemáticas presentes durante uma actividade lúdica livre com blocos de construção, existem inúmeros exercícios que podem ser realizados durante uma brincadeira estruturada.

Aumentam a capacidade de resolver problemas
Uma vez que os blocos de construção podem ser colocados de diversas formas, ao brincar com eles a criança está a exercitar a sua capacidade de desenvolver problemas divergentes, ou seja, que podem ter várias soluções diferentes.

Estimulam o trabalho em equipa
Quando utilizados por um grupo de crianças, os blocos de construção podem ser uma forma muito divertida de incentivar ao trabalho de equipa, desenvolvendo capacidades sociais e de interacção.

Acima de tudo, os blocos de construção podem proporcionar horas de diversão. E não são só para crianças: experimente juntar-se à brincadeira!

Boas brincadeiras!

Por Vilma van Harten, para Up To Kids®
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Inteligência Emocional: A capacidade de identificar, avaliar e controlar as próprias emoções, as emoções dos outros, e as dos grupos (como descrito por Daniel Goleman).

Infância Emocionalmente Negligenciada: Falha dos pais para responder às necessidades emocionais da criança.

A Jasmine tem 10 anos, e está sozinha deitada na sua cama a fantasiar “Até podia acontecer…” Sussurra. Imagina alguém a tocar à porta e o pai a abrir. Um casal bem vestido explica que foi trocada à nascença e que na verdade é filha deles. Depois ela vai com o casal para casa onde se sente acarinhada e amada. Esta é a fantasia que a tem ajudado a superar o dia a dia da sua vida. 

A Jasmine não sabe, mas isto é apenas o principio da sua cruz. Ela irá passar os 20 anos a seguir a desejar ter tido outros pais, e a sentir-se mal por isso.
No fundo os seus pais são boas pessoas, e ela sabe disso. Trabalham arduamente e nunca lhe faltou cama lavada, roupa e uma refeição quente na mesa. Jasmine vai para a escola todos os dias, e faz os trabalhos de casa ao fim da tarde. Tem amigos e joga futebol. Vendo bem, é uma privilegiada.

Mas apesar disso, apesar de saber que os seus pais a amam, e apesar de ter 10 anos, ela sente que está sozinha no mundo.

Como é que uma miúda de 10 anos sente isso? Porque é que se sente assim? A resposta é tão simples quanto complicada:
A Jasmine está a ser criada por pais com Inteligência Emocional baixa. E consequentemente está a viver uma Infância Emocionalmente Negligenciada.

Quando uma criança é criada por pais que não têm consciência e aptidão emocional, ressente-se pelos seguintes (bons) motivos:

  1. Quando os pais não sabem identificar as suas emoções, não sabem também aplicar uma linguagem emocional em casa.
    Em vez de dizerem: “O que é que se passa? Pareces triste. Aconteceu alguma coisa na escola?” Dizem: “Como é que foi a escola?”
    Quando os avós morrem, a família marcha no funeral como se não fosse nada de especial.
    No dia da entrada para o secundário, a família tenta dar o seu apoio nunca falando sobre o assunto, ou então estando constantemente a relembrar a data, fingindo não perceber que a criança está nervosa, para evitar falar sobre o tema.
    Resultado: A criança não aprende a ser auto-consciente. Não aprende que seus sentimentos são reais e importantes. Não aprender a sentir, sentar-se com, a confrontar, falar ou expressar emoções.
  2. Quando os pais não sabem gerir e controlar suas próprias emoções, não serão, também, capazes de ensinar a criança a gerir e controlar as suas.
    A criança apanha um castigo por responder a um professor. Os pais não lhe perguntam o que se passou, nem porque é que teve aquela atitude, nem como deveria ter lidado com aquela e outras situações desse género. Em vez disso castigam a criança, ou gritam com ela, ou culpam o professor, desresponsabilizando a criança das suas ações.
    Resultado: A Criança não aprende a gerir os seus sentimentos, e a lidar com situações adversas.
  3. Quando os pais não entendem emoções, acabam por transmitir muitas ações e comportamentos errados por falta de comunicação.
    Os pais não se apercebem que a criança é muito ansiosa e isso a prejudica ao nível do desempenho escolar. Acham, apenas,  que o filho é preguiçoso.
    A família chama a criança de mariquinhas porque chorou dias a fim quando o seu gato foi atropelado.
    Resultado: A criança cresce insegura, por ter ouvido sempre que era preguiçosa, fraca e mariquinhas.

Todas esta situações fazem com que uma criança se ressinta e se debata constantemente com os seus sentimentos. A criança está fora do seu verdadeiro Eu, porque se vê sempre através dos olhos de pessoas que não a conhecem realmente, e passa a ter uma grande dificuldade em lidar com situações de stress, difíceis ou conflituosas.

E você? Revê-se nestas situações? Acredita que viveu uma Infância Emocionalmente Negligenciada?

É tarde demais para Jasmine? É tarde demais para si? Não, nunca é tarde demais, pode sempre mudar esta situação. Ficam algumas dicas do que pode fazer:

  • Saiba tudo o que puder sobre as emoções. Comece o seu próprio programa de treino emocional. Preste atenção aos seus sentimentos – o que sente, quando e porquê. Comece por observar sentimentos e comportamentos dos outros. Ouça como as outras pessoas expressam emoções, e comece a praticar. Pense em quem da sua vida, agora, pode ensina-lo. A sua mulher, o seu marido, o seu irmão ou amigo? Pratique falar sobre os seus sentimentos com alguém em quem tem confiança.
  • Cale de vez essas falsas mensagens da sua cabeça. Quando essa “voz” da sua infância falar, pare de ouvir. Substitua-a pela voz que você conhece e controla, aquela que tem compaixão, e que se emociona porque você não começa nos seus pais. “Eu não sou preguiçoso, sou ansioso e eu estou a tentar superar.” “Eu não sou fraco. As minhas emoções vão tornar-me mais forte. “Quando for adulta, a Jasmine vai parar de fantasiar com a solução imaginária de lhe baterem à porta e a levarem. A realidade é que, agora ela deverá aprender a desenvolver a Inteligência Emocional. Esperemos que perceba que lhe faltaram algumas bases no seu crescimento emocional, simplesmente porque os pais também não as tinham. Esperemos que descubra as suas emoções e aprenda a volorizá-las, a conectar-se, e a geri-las. Esperemos que aprenda a desvalorizar estas vozes de Inteligência Emocional baixa que lhe ficaram gravadas na memória.Esperemos que se descubra a si própria. E que se atreva a ser genuína.

 

Em Psychcentral, por 

Traduzido e adapatado por Up To Kids®
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Dor no coração na criança

A principal causa que leva os Pais a uma consulta de cardiologia pediátrica, é o facto de o médico assistente dizer que a criança tem um sopro.
Logo a seguir são as dores no peito, a “dor no coração”.

No peito há muita coisa que pode doer, mas o coração é quase sempre o culpado…

Em geral trata-se de um rapaz, pré-adolescente magro, desportista e saudável, bom aluno e um pouco ansioso. A dor é real, aguda, tipo pontada, localizada ao centro do peito, sobre o esterno. É uma dor moderada e que muitas vezes dificulta a inspiração, daí que também é referida “falta de ar”. Costuma durar poucos minutos e depressa passa, assim como veio. Não costuma haver alterações do ritmo cardíaco, a não ser alguma taquicardia, porque a criança se assusta e fica ansiosa. A dor pode surgir quer durante o exercício físico, quer em repouso.

Esta dor é musculo-esquelética e tem origem nas articulações entre o esterno e as costelas.

O exercício físico intenso, como nadar, andar de bicicleta, ou outros (mochilas…), podem causar este tipo de dor. Os defeitos de posição, como sentar-se mal, dormir em más posições, podem facilitar esta dor.
Esta é a “dor no coração” de longe a mais frequente. Uma vez que a criança toma consciência da realidade, aprende a lidar com esta dor, deixa de se assustar, e a sua vida continua… Mas se quiser, tem aqui um bom  motivo que pode render algumas contra-partidas…
Por vezes as articulações em causa podem mesmo inflamar e levar a uma dor recorrente, podendo haver necessidade de tratamento com anti-inflamatórios.

Mas no peito há mais coisas que podem doer; felizmente são muito mais raras.

  • A pele pode doer, mas na criança costuma ver-se a lesão que causa a dor.
  • Os musculos podem doer, sobretudo se pouco treinados e sujeitos a um esforço excessivo.
  • Dentro do peito há dois sacos membranosos que podem doer: um que envolve os pulmões, a pleura, e outro que envolve o coração, o pericárdio. São compostos por duas camadas, entre as quais existe um pouco de líquido lubrificante, para evitar que estes órgãos se magoem, pois estão permanentemente em movimento.
  • A pleura pode doer, mas em geral isto acontece num contexto infeccioso pulmonar, com febre, tosse e dificuldade em respirar. As pneumonias são a causa mais frequente deste tipo de dor, mais frequente à direita.
  • O pericardio quando inflamado, por certas doenças em geral virais, também doi, uma dor compressiva e constante, que não passa facilmente.

O coração dói, em particular o músculo cardíaco.

Os adultos que tiveram enfarte ou angina de peito, sabem como essa dor é forte e angustiante.
Em geral existem problemas com as artérias coronárias, que irrigam e alimentam o coração, que, ao entupirem, fazem sofrer o musculo cardíaco. A idade, certas doenças (diabetes, colesterol alto, hipertensão arterial) e outros factores, em particular o tabaco, são os principais agentes.

Na criança estes factores não existem, no entanto há situações raríssimas que podem fazer doer o coração nos mais jovens.

São anomalias congénitas das artérias coronárias. A dor aparece sempre e só no esforço físico, tipicamente, ou no bebé que chora, fica pálido e suado sempre que chupa o biberon, ou no adolescente que tem dor forte no peito, por vezes com arritmia cardíaca, quando pratica desporto. Estas situações são muito raras, mas sérias e exigem uma abordagem cuidada.

O aparelho digestivo também pode simular dor no peito, mas em geral as esofagites, hernias do hiato dão mais dor nas costas. Muito ar no colon ou no estômago, pode dar desconforto na parte inferior do peito.

Falámos de dor no peito em crianças saudáveis.

Há crianças com doenças crónicas, quer generalizadas, quer localizadas ao próprio coração ou aos pulmões, que podem ter dôr no peito. Estas situações, uma vez identificadas, são discutidas com o médico assistente e os Pais, que ficam assim mais esclarecidos das complicações que a doença do seu filho pode dar.

Concluindo:

A dor no peito, de longe a mais frequente, é uma dor tipo músculo esquelética, benigna, cujo tratamento principal consiste em acalmar e dar segurança à criança, ensinando-a a lidar com esse tipo de dor. Dê-se-lhe atenção, mesmo ( ou sobretudo…) sendo só isso o que ele quer.
Isto também dá uma certa segurança aos Pais. Não cabe aqui aos Pais lembrarem-se dos seus Pais, que faleceram por causa do coração.
Quase de certeza não é isso que se passa com os seus filhos, enquanto não forem avós…
Fica um “quase” que compete ao médico assistente resolver como abordar, se o estudo passa pelo cardiologista pediátrico ou não.
Não devem ser os Pais a decidir isso e a levar logo a criança “com dor no coração” ao cardiologista pediátrico, ou mesmo às urgências.
A criança tem um médico que a conhece, e deve ser ele a decidir o que fazer e como fazer.
Há tempo para resolver as coisas da melhor maneira …

 

Por António J. Macedo, Médico Cardiologista Pediátrico, em Blog Meu pequenino Coração,
Autorizado para  Up To Kids®

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Um dos meus filhos é extremamente criativo. A sério, ele nem sequer chega a ser mentiroso, é mesmo criativo. Próprio da idade, os amigos, por vezes, chamam-lhe mentiroso. É já um clássico eu chegar ao colégio e virem confirmar comigo as histórias que  lhes conta. “É verdade que o João vai ter um gato?”. “- Sim, é verdade”, confirmo. “E que o gato vai ter uma mochila cósmica e vão viajar juntos no tempo?” ” – Hum… Ora então vamos lá saber: Existem mochilas cósmicas que nos permitem viajar no tempo?” – “Não!” ” – Então esqueçam essa parte!”

Acho graça que não tenham a capacidade de distinguir o que é inventado daquilo que é real. Receio até, que o meu filho também acredite nas suas próprias histórias!

Já quando era mais novo, os desenhos realizados no colégio sobre o fim de semana, nunca correspondiam à verdade, mas sim a algo bastante mais interessante do que aquilo que tinha feito. Ou era uma pesca em alto mar, ou tinha ido a uma corrida de cavalos, ou até a um concerto de musica Rock aos 4 anos! E o mais engraçado é que a Educadora achava de facto que tínhamos fins de semana muito preenchidos!

A pesquisar sobre o tema, e a tentar perceber o porquê desta necessidade ou vontade de desancorar da realidade, encontrei este texto na Revista Crescer , que me deixou bastante mais descansada.

Criativo, mas com memória de elefante! Deixa-lo crescer fora da caixa. Tem tempo para ser quadrado o resto da vida!

“Seu filho é desses que vivem inventando histórias? Diz que foi a lugares que não foi, que comeu coisas que não comeu, que passeou por lugares onde, na verdade, nunca esteve? Ela conta que leu livros que nunca nem tocou?

Sim, é natural que os pais se preocupem quando surpreendem a criança contando uma mentira. Mas pesquisas apontam que esse “talento” para inventar  lorotas não é, de todo, ruim. Um estudo publicado no Journal of Experimental Child Psychologyconstatou que crianças que são boas em mentir tem uma melhor memória de curto prazo, principalmente sob o aspecto verbal. Isso porque é preciso ter certa habilidade para inventar histórias, sustentá-las sem cair em contradição e ainda convencer seu interlocutor pelos detalhes.

Os pesquisadores chegaram a essa conclusão ao realizarem um teste com crianças entre 6 e 7 anos. Eles propuseram aos pequenos um jogo de perguntas e respostas. Havia três cartas, cada uma com uma pergunta de um lado e a resposta no verso, ilustrada por um desenho. Os pesquisadores faziam a pergunta e as crianças deveriam respondê-la, se soubessem. Na última carta, a questão se referia ao nome de um personagem de um determinado desenho que… nunca existiu. Ou, seja as crianças jamais poderiam acertar a resposta. No entanto, antes de os pequenos terem a chance de contestar essa última questão, o pesquisador saía da sala por um momento – enquanto isso, as crianças eram gravadas.

Foram avaliadas as respostas de todas essas crianças que espiaram a carta enquanto o pesquisador não estava na sala e, portanto, responderam corretamente à questão. A qualidade da mentira foi avaliada pela riqueza de detalhes que cada criança deu. Alguns até disseram coisas como: “Esse é o meu personagem favorito, assisto todo sábado, então, conheço os personagens”.

Essas crianças que mentiram melhor também alcançaram notas mais altas nos testes de memória. Para os pesquisadores essa vantagem ficou evidente pela forma desenvolta com que os melhores mentirosos responderam. “É preciso muito esforço mental para manter em mente o que você sabe que disse, o que você acha que o pesquisador sabe e planejar uma maneira de não ser pego”, comentou a autora do estudo Tracy Alloway.” in Crescer

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Confesso que já tinha lido qualquer coisa sobre o tema. Sendo uma pessoa muito gráfica, a imagem chamou-me a atenção. Guardei nos favoritos para ler mais tarde com calma. Obviamente o link ficou lá esquecido até ao dia em que  recebo uma mensagem via FB de uma colega de faculdade. “Olá! Lembras-te de mim? Manda-me o teu contacto!”  Era a Susana. Claro que me lembro dela! Está parva?! A Susana é uma daquelas pessoas determinadas. Discreta mas focada. Começamos a falar e diz-me: “Já conheces o meu Jogo?” Confesso que me lembrei logo do link do INCLU a secar nos meus favoritos, mas como sou perita em meter o pé na argola, e já não falávamos há tanto tempo que não arrisquei. “Qual jogo?” Claro! Era o INCLU.

A Susana teve a (brilhante) ideia de criar um jogo para crianças e queria que fosse um jogo didático e inclusivo. Três anos mais tarde apareceu o INCLU. Inclusivo no sentido de:

  • poder ser jogado (de forma divertida, claro) por todas as pessoas portuguesas (por ora) dos 3 aos 99, e que promovesse a socialização entre as gerações e os pares, sendo que as cartas podem ser lidas no alfabeto português, Braille e língua gestual portuguesa.
  • envolver várias áreas de desenvolvimento, trabalhando competências como a criatividade, a abstração, a concentração, a memória, a matemática, a estratégia, a orientação espacial, o raciocínio, a socialização, a motricidade fina e ampla, a psicomotricidade, a Perceção visual, a Perceção auditiva, e a Perceção tátil.
  • agregar um conjunto variado de jogos e atividades, designadamente, jogos de letras, de palavras, de mímica, do tato, de memória, de correspondências, da cabra cega, entre outros.

INCLU resultou do fruto de um trabalho conjunto, com crianças, jovens e adultos, com e sem deficiência, e técnicos de várias áreas e de várias entidades, em que todos os detalhes foram pensados e testados e estão validados pelas entidades competentes.

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O primeiro jogo INCLU é subordinado ao tema Cores. O jogo INCLU Cores, foi lançado no passado dia 17 de dezembro na Fundação Calouste Gulbenkian e contou com a presença da ACAPO – Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal, da Casa Pia de Lisboa, da FPAS – Federação Portuguesa das Associações de Surdos, da Psicólogos, entidades que apoiaram o desenvolvimento do jogo, da FNE, da SCML, da AFAS, da Gulbenkian, entre outras entidades, que desde o início deste projeto enalteceram as potencialidades do INCLU, enquanto instrumento lúdico, didático e pedagógico, e que, por esse motivo, participaram no lançamento do primeiro jogo da marca INCLU.

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Descrição
INCLU Cores é um jogo que traz um conjunto variado de jogos e de atividades, muito divertido, cheio de novos desafios e com dinâmicas diferentes.
Através das suas inovadoras cartas de jogar e em cada um dos jogos vais ter de usar a visão, os gestos, o tato, a fala e/ou a audição para formares palavras do e associadas ao tema.

Junta os teus amigos, os teus irmãos, os teus pais, os teus avós ou o teu professor e, em casa, na praia, no jardim ou na escola, começa esta aventura.

Torna-te o grande vencedor do jogo INCLU Cores .
Diverte-te!

Mais informação em INCLU

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“Quando as crianças brincam
E eu as oiço brincar,
Qualquer coisa em minha alma
Começa a se alegrar.

-Fernando Pessoa, Cancioneiro-“

Areia, água, um balde e uma pá.

Esta poderá ser uma “receita” simples para horas de brincadeira de uma criança pequena.

A primeira característica observável do brincar da criança é o movimento. E é esse impulso, o de agir, que move a criança a conhecer o mundo. Desde o útero que se movimenta e brinca, depois com poucos meses toma consciência das próprias mãos, do resto do corpo, começa a andar e a saltar e por aí vai na sua habilidade, descobrindo a arte de brincar.

Consoante a idade da criança, haverá brincadeiras diferentes, pois cada fase tem as suas características. O bebé pequeno vai apreciar um boneco de conforto, macio, de algodão, com pouca informação visual – vulgarmente chamado “doudou” ou “ó­ó” e por volta dos 6 meses aprecia as rocas com pequenos guizos.

Por sua vez, uma criança com 1 ano costuma gostar de bolas e brinquedos de puxar (com um cordão), que inclusivamente a estimula a caminhar já que a vai acompanhando a cada passo.

Até aos 2/3 anos, para além de carrinhos pequenos e animais (um coelhinho ou um urso, por exemplo), também adora empilhar blocos – esta é uma atividade excelente do ponto de vista psicomotor. Ao mesmo tempo que experiencia uma vivência arquitetónica, construindo pontes, torres, castelos que se constroem e desconstroem… faz, desfaz, refaz, testa­-se o equilíbrio!

Por volta dos 3 anos, porém, há uma clara mudança na atitude e interesse da criança. Agora ganha consciência de que existe ela e existem os outros, diz “eu”: chega o momento social. Uma das principais características do brincar das crianças, sobejamente conhecida, é a capacidade de imitação – no caso das meninas talvez seja mais evidente. Geralmente reproduzem a mãe a fazer um bolo, adoram brincar com bonecas fazendo famílias, organizando verdadeiros momentos de partilha com um convite para um chazinho, distinguindo quem é a mãe, o pai e o bebé… Mas também os rapazes, sem preconceitos, costumam gostar de brincar com as cozinhas, além dos clássicos comboios, camiões e foguetões.

A partir dos 4, mais ou menos, a mente criativa da criança continua a borbulhar. Chegam os amigos imaginários, a motricidade fina já se aprimorou, e poderá apreciar bastante as artes: pintura, música, modelagem, etc. Geralmente gosta de instrumentos musicais e, dado que as brincadeiras do faz ­de ­conta ficaram mais apuradas, vai querer os objetos da realidade que a rodeia em ponto pequeno: as frutinhas e vegetais que se podem cortar, as taças, os pratinhos, os camiões grandes com capota que abre, o avião cuja hélice roda, tudo como vê no mundo dos crescidos!

Aos 5 a capacidade imaginativa sofre um abrandamento, chegando a perguntar ao adulto o que é que há de fazer ou do que há de brincar. É uma altura em que poderemos dar tarefas mais dirigidas, pedindo-­lhe, por exemplo, que pinte uma casa, com determinada cor.

Brincar, com os devidos momentos de preparação, realização e conclusão da brincadeira, está visto, é o trabalho da criança. Ora, tal como para nós, adultos, deverão existir condições para o poder fazer. A qualidade dos instrumentos de trabalho – os brinquedos, portanto – deverá ser a melhor possível.

A natureza oferece-­nos muitas possibilidades de materiais para serem modelados. A areia e a terra, misturadas com água ou não, blocos de madeira, pinhas e pedras fazem as delícias dos mais pequenos. Mas, e em casa? Como podemos oferecer-­lhes o melhor quando não é viável trazer areia ou demais elementos da natureza para casa?

Um brinquedo de materiais naturais, seja de algodão, de madeira, por exemplo, ou um até de plástico, quando ecológico, poderá trazer parte dessa qualidade.

Um boneco feito a partir de algodão biológico e lã, de excedentes de madeira ou de pacotes de leite, pintado com tintas vegetais, nada tem a ver com outros feitos de poliéster ou plástico carregados de tintas tóxicas e chumbo. Os últimos, não só são diferentes ao toque como a longo prazo, por efeito de acumulação, representam um perigo para as crianças.

O efeito cumulativo das substâncias tóxicas que se vão libertando na pele e na corrente sanguínea – em especial no caso dos bebés, que tendencialmente colocam os brinquedos na boca – está cada vez mais associado a alterações ao nível endócrino, a hiperatividade e problemas de comportamento ou de aprendizagem. Finalmente, se tivermos em conta o impacto ambiental que tem um ou outro tipo de brinquedos, sem dúvida que os brinquedos ecológicos, ideais para os nossos filhos, são também os melhores para o ambiente.

Permitamos, pois, o brincar livre da criança, com a maior qualidade possível, quer de brinquedos quer de ambiente que proporcionamos. Permitamo-­nos, também, resgatar a nossa capacidade de brincar tornando-­nos parceiros e incentivadores das nossas crianças.

Promover as brincadeiras é promover um desenvolvimento saudável nos nossos filhos. A probabilidade de se tornarem adultos felizes e com gosto pela arte de trabalhar é muito maior.

Por Marta Ribeiro, Organii, para Up To  Kids®