Desde muito nova sonhaste em ter filhos. Filhos, no plural, porque imaginavas o teu colo cheio, o teu coração a transbordar de amor.

Quis a vida que assim fosse e tiveste três. Amaste-os a todos de igual forma, tiveste para os três os mesmos sonhos.

Hoje falamos do mais novo, aquele que tem os primeiros passos e as primeiras conquistas mais presentes na tua memória, por uma questão de proximidade temporal.

Lembras-te daquele dia em que o tinhas no colo e a casa estava estranhamente silenciosa e ele te sorriu? Disseste-lhe que a rapariga que ficasse com aquele sorriso seria a mais sortuda deste mundo.

Incentivaste-o e deste-lhe sempre a mão. Quando caiu ajudaste-o a levantar-se e prometeste que ia passar depressa. Secaste-lhe as lágrimas e fizeste-lhe cócegas para o fazer rir.

Ensinaste-lhe o que os teus pais te ensinaram a ti, leste-lhe os livros que mais mexeram contigo, levaste-o aos passeios que sentias que lhe dariam um pouco mais de cultura.

Falaste-lhe de história, de religião, da importância da família.

Nas noites de pesadelos garantiste que estavas ali, para sempre. Abraçaste-o e lembraste-o como gostavas dele, como irias gostar até ao fim dos vossos dias.

O menino cresceu.

Começaste a imaginar as namoradas e a ficar nervosa porque, afinal, há coisas que não controlas.

Percebeste, ao fim de um tempo, que as namoradas não iam lá a casa nem se falava muito nelas. Paraste para observar e havia algo que não batia certo, que te deixava um pouco desconcertada, mas não conseguias descortinar o que era – ou talvez fosse o teu mecanismo de defesa a falar mais alto.

Como o teu filho já há muito não te procurava para falar, decidiste ir atrás dele. Sim, pegaste na carteira, no telemóvel, colocaste os óculos de sol e saíste seguindo pelas ruas a rezar baixinho para que não fosse nada, para que nada mudasse.

Viste-o chegar perto de uma pessoa, dar-lhe a mão e um abraço e depois, algo discreto, tão discreto que passaria ao lado de qualquer pessoa menos tu, viste um beijo. O teu filho tinha beijado uma pessoa e era a primeira vez que o vias. E essa pessoa era um rapaz como ele. Tremeste dos pés à cabeça e deste meia volta, não quiseste ver mais. Conto-te agora que não havia mais para ver do que o sorriso de felicidade do teu filho, sentado ao lado da pessoa que o fazia sorrir assim, de orelha a orelha, como só tu anos antes conseguias. Não havia mais nada para ver porque ele era e sempre foi discreto e porque sentia medo. Muito medo, quase tanto medo que se podia comparar com a felicidade que aquele outro rapaz lhe provocava.

Quando chegaste a casa choraste. A maquilhagem que era impecável desceu pelo rosto e manchou a saia branca, uma mancha que nunca mais vai sair, numa saia que nunca mais usarás. Sentaste-te à luz do candeeiro de mesa da sala e pensaste. Pensaste com todo o teu coração e decidiste como poderias enfrentar a situação.

Quando o teu filho chegou a casa chamaste-o e disseste que o tinhas visto – incapaz de nomear o que tinhas visto, é certo, mas ele percebeu de imediato. E o medo que antes lhe vivia debaixo da pele passou para a superfície e olhou-te com os seus olhos grandes à espera do que aí vinha.

Disseste-lhe a frase que jamais esquecerá, mesmo que viva cem anos: ”Tens duas semanas para voltares a ser normal ou podes sair desta casa!”.

Tu, que sempre lhe estendeste a mão, que prometeste que o amarias de igual forma, que nunca lhe virarias as costas, TU falhaste em todas essas promessas quando precisavas de as provar.

O teu filho sabia que não valia a pena tentar explicar-te que nunca se tinha sentido tão normal como quando encontrou alguém que gostava dele daquela forma. Que nunca tinha sido tão feliz, apesar do medo.

Teve a certeza que estava certo quando não te procurou para falar das suas dúvidas e depois da sua certeza. Sentiu um vazio no coração e uma dor tão grande que acreditou que nunca mais ia conseguir voltar a sentir-se alguém.

Aos dezassete anos fez o que querias que fizesse. Dali a duas semanas procurou-te e disse-te que era normal outra vez, que não te preocupasses.

Respiraste de alívio, o teu filho estava de volta.

E assim seguiram e seguem até hoje.

Quero dizer-te que é fácil julgar, mas que todas as palavras que aqui escrevo são da minha perspectiva como mãe e como filha que sou.

Acredito que seja uma grande dor sonhar que os nossos filhos tenham um caminho sem grandes percalços e perceber que a pessoa que são (e que não se muda com ultimatos) lhes reserva alguma amargura. Dor. Julgamento. Constrangimento. Eventualmente alguma violência.

E enquanto escrevo isto percebo que todos os pais querem o mesmo e o mais certo é terem os filhos, seja qual for a sua orientação sexual, a terem no seu percurso essa violência, esse julgamento, essa dor, mas por outros motivos.

Sonhaste em ser avó, mas nunca ninguém te garantiu que o teu filho poderia, quereria ou iria ter filhos – amasse quem ele amasse.

Sonhaste vê-lo entrar na igreja para casar, mas mais uma vez quem sabe se é esse o seu sonho, a sua visão para selar um amor para a vida toda?

O teu filho, lamento dizê-lo, continua a amar pessoas do mesmo sexo.

O teu filho, quando tiver possibilidades de sair da tua casa, provavelmente nunca mais lá entrará por mais de meia hora nem lhe chamará um lar. Porque foi lá que a mãe, o seu porto seguro, mostrou que era exactamente o que ele temia do mundo lá fora. Não o aceitou, nem sequer lhe deu a oportunidade de falar.

Se mãe, ser pai, é amar os nossos filhos incondicionalmente.

Da minha parte tento não criar demasiadas expectativas e ir acompanhando de perto a minha filha.

Porque independentemente de mim ela irá amar. E quem ela amar será algo que só a ela diz respeito.

Ainda há algumas emanas começou a falar do tema “namorados”. Diz que somos namoradas e eu corrijo dizendo que não podemos sê-lo porque somos mãe e filha. Depois fala na tia e eu explico que a situação é a mesma. Fala da educadora e eu tento que perceba que é uma pessoa mais velha, que cuida dela na escola e como tal não podem namorar. Em nenhum momento lhe disse que não podíamos namorar porque somos duas meninas. Porque não é verdade.

Cresci noutro tempo, num tempo não tão distante assim, em que numa mesma conversa a resposta teria sido: os meninos casam com as meninas, as meninas namoram com os meninos. Não cresci habituada a ver duas mulheres de mãos dadas, em demonstrações públicas de carinho, nunca vi enquanto crianças dois rapazes aos beijos na rua. Mas sejamos sinceros, os tempos eram efectivamente outros e as pessoas eram mais comedidas. E passaram-se vinte anos desde que eu fui uma criança.

No outro dia no metro ia ao lado de dois rapazes com vinte e poucos anos, que conversavam. Chegando à paragem de um deles, ele deu um beijo na boca do outro e combinou falarem mais tarde. Acho que foi a primeira vez que não vi pessoas a dizerem que não com a cabeça. Foi algo tão natural, tão simples, que me apanhou de surpresa. Sorri e voltei à minha leitura. Mas a pensar na coragem que é preciso ter para se ser quem é.

E é isso, mãe, que gostava que soubesses sobre o teu filho.

Ele escondeu-se de ti, escondeu-se dos amigos, mas não pôde esconder-se de si mesmo.

Sei que achas que se cassasse e tivesse filhos com uma boa rapariga seria eventualmente feliz e esqueceria aquele deslize que teve quando era novo e estava confuso. Mas as coisas não funcionam assim.

Ele nunca vai casar com uma boa rapariga e sabes bem porquê. Sabes que o teu estômago se vai revirar quando as tuas amigas te perguntarem o porquê, logo ele que é uma jóia de moço. E no fundo tens já a resposta.

Não digo que é fácil, que vai ser fácil.

Aliás, a vossa relação nunca mais voltará a ser boa.

Dificilmente ouvirás da sua boca como gosta de ti. E se fores tu a dizer-lhe ele não vai acreditar.

Lamento que seja assim, porque no fundo, se olhares bem, ele é ainda aquele menino de colo que te sorriu pela primeira vez.

E estavas certa, a pessoa que for capaz de lhe provocar tal sorriso está cheia de sorte.

Porque ele é o teu menino.

Não te esqueças que continuas a ser mãe.

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Meu amor,

Ainda não completaste três anos e já dizes coisas que eu jamais seria capaz de te dizer.

Muitas vezes, nos últimos tempos, ao seres contrariada viras costas, fazes beicinho enquanto cruzas os braços e te afastas ao som de um já não sou mais tua amiga!.

Deixo-te estar, dou-te espaço para lidares com a tua frustração e quando sinto ser hora disso falo contigo. Explico-te que isso de sermos amigos é muito mais do que termos alguém que nos faz a vontade a toda a hora.

Um amigo, como irás concluir, mais tarde ou mais cedo na tua vida, é uma pessoa que gosta de ti como és. Que pode até tentar ajudar-te a seres melhor, mas aceita os teus defeitos. Mas isso não significa que gosta de tudo o que és e que por ser teu amigo tem de aturar as tuas piores características como um mártir.

Um amigo diz-te a verdade, mas só quando és capaz de a ouvir. Sabe que há momentos em que não vale a pena que se una uma frente fria, que achamos que nada nos vai derrubar. Nem a mais pura das verdades. Um amigo sabe respeitar os ritmos, os tempos, e no que toca à verdade isso conta e muito.

Um amigo conhece-te como ninguém, lembra-se de ti nos momentos mais inusitados mas não tem de te ligar todos os dias para provar como és importante para ele.

Um amigo está lá sempre que precisas, mas não podes exigir que coloque a sua vida em pausa e venha a correr só porque sentes o teu mundo desabar. Haverá alturas em que isso é possível e outras em que não dá. Terás de aprender a aceitar as duas com igual reconhecimento.

Um amigo é alguém em quem confias, mas também te pode deixar mal, mesmo que sem essa intenção.

Um amigo é, afinal de contas, humano.

Lembra-te que também tu, para alguém, serás esse amigo. E esperas que tenha a mesma consideração, a mesma paciência, o mesmo amor que exiges quando estás do outro lado.

A amizade és dos laços mais importantes que vais desenvolver. Vais ter amigos na família, na escola, no trabalho, no sítio onde passas férias, no clube onde fazes desporto.

Vais fazer muitos amigos e manter apenas alguns.

Faz com que aqueles que manténs do teu lado sejam bons. Te façam bem. E sê boa para eles. Faz-lhes bem também porque as relações são feitas de dar e receber.

Quanto a mim, por mais que faças, nunca te virarei costas dizendo que já não sou tua amiga.

Teremos os nossos conflitos e teremos de aprender a ser suficientemente amigas uma da outra para não deixar que destruam o que de melhor temos: o nosso amor.

Conta com isso.

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Todos os pais querem ter filhos maravilhosos. Querem que sejam afáveis enquanto crianças e quando crescerem, que se comportem como pessoas responsáveis e úteis para a sociedade. No entanto, os pais tendem a esforçar-se muito mais a pensar no futuro do que a semear bases no dia a dia. Há pais que acreditam que, enquanto crianças,  os filhos só devem obedecer e que a educação se baseia nisso.

O resultado é que temos cada vez mais crianças inconformadas e adultos infelizes. Quando não há critério para uma parentalidade consistente, lógica e estável, a probabilidade de que os filhos mostrem comportamentos rebeldes e/ou herméticos aumenta. Talvez caprichosos, talvez autoritários e, em todos os casos, instáveis. Acabam por não conseguir estabelecer um vínculo afetivo e próximo com os pais, pelo contrário, vivem em uma guerra indireta ou aberta com eles.

“O problema com a aprendizagem de ser pais é que os filhos são os professores.” -Robert Braul

Uma das partes mais importantes da nossa vida é exactamente a infância. É onde se constroem os alicerces de uma mente saudável e de um coração limpo. Desta forma, algumas atitudes dos pais deixam marcas para sempre. Por vezes positivas, por vezes negativas, mas na maioria das vezes profundas.

Aqui estão cinco destas condutas que os filhos dificilmente irão esquecer.

1. Maus-tratos

Nenhuma relação é perfeita e muito menos uma tão intensa como a entre pais e filhos. Haverá sempre momentos de contradição ou de conflito, o que é perfeitamente normal. O que muda é a maneira de superar essas dificuldades e, lamentavelmente, muitos pais assumem erroneamente que os maus-tratos são uma ferramenta da educação.

Pode ser que, com os maus-tratos, o pai ou a mãe consigam intimidar o filho para que ele faça exatamente o que ele/a quer. Mas esses maus-tratos também se irão transformar no gérmen da falta de autoestima e numa fonte de rancor. Colocam os filhos numa situação muito complexa. Os filhos aprendem a vivênciar o amor e ódio em simultâneo e também aprendem a temer. O coração de um filho é muito sensível e se for ferido de forma consecutiva, com o tempo a criança terá tendência a transformar-se numa pessoa insensível.

2. A forma como os pais se tratam um ao outro

A relação entre o pai e a mãe é o padrão que a criança terá para formar uma atitude perante os relacionamentos amorosos. É muito provável que, quando for adulto, repita com sua parceira de forma consciente ou inconsciente o que viu em casa dos pais. Antes disso, a criança provavelmente irá repetir com as pessoas que ama.

Pense que os conflitos entre os pais geram angústia no filho. Uma das possíveis consequências será envolver-se em problemas simplesmente para atrair a atenção de um dos pais, que não lhe ligam porque estão demasiado concentrados no conflito em que estão envolvidos. Além disso, a criança irá apreciar ou não os relacionamentos amorosos com base nestes padrões adquiridos.

3. Os momentos em que se sentiram protegidos

Os medos das crianças são maiores e mais insidiosos do que os dos adultos. Os pequenos não conseguem distinguir bem a fronteira entre a realidade e a imaginação. Os pais são as pessoas em quem eles mais confiam para obter a sensação de segurança de que precisam para aprender e explorar o desconhecido. Assim, se são os pais os que causam este medo, a criança irá sentir-se totalmente desprotegida.

Os pais devem escutar com atenção esses medos, sem criticá-los nem minimizá-los. Devem fazer com que os filhos entendam que não estão em perigo. Isto irá aumentar o sentimento de segurança dos filhos e irá fortalecer o vínculo de amor e de respeito com os pais.

4. A falta de atenção

Para um filho, o amor que os pais lhes dão está intimamente relacionado à atenção que recebem deles. Para os filhos não existem expressões de afeto como trabalhar horas extras para poder lhe pagar um colégio caro. Os filhos não irão entender o amor dos pais se não passarem tempo juntos, se não estiverem presentes no seu mundo.

Os filhos nunca se esquecem da camisa verde que receberam de presente quando tinham dito até enjoar que queriam uma roxa. Ou quando prometeram algo que não cumpriram. Simplesmente, encaram isto como uma forma de abandono, como uma mensagem que diz: “não és importante o suficiente para me lembrar”. Por isso ficará uma marca de dor nos seus corações.

5. A valorização da família

Os filhos vão lembrar-se que o pai ou a mãe foram capazes de colocar a família como prioridade em diversas circunstâncias. As crianças precisam e gostam das celebrações, não interessa se é com mais ou menos presentes. Também é muito importante para eles que o pai e a mãe levem o Natal a sério.

Quando os pais colocam a família acima de tudo, os filhos irão aprender o valor da lealdade e do afeto. Quando forem adultos, também serão capazes de deixar de lado outros compromissos para ir ver seus pais quando precisarem dele. Vão sentir-se compensados e terão uma maior capacidade para dar e receber afeto.

Todas estas marcas deixadas durante a nossa infância acompanham-nos ao longo de toda a vida. Muitas vezes representam a diferença entre ter uma vida mentalmente saudável e uma vida cheia de conflitos. Uma criação repleta de amor e de carinho é o melhor presente que um ser humano pode dar a outro.

Publicado em A mente é maravilhosa, adaptado por Up To Kids®

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Há dias ia na rua e sem querer ouvi a conversa entre dois rapazes:  “Olha que essa tem filhos. Tens de ter cuidado com as mulheres hoje em dia: têm todas filhos atrás.” Fiquei indignada ao ouvir um discurso tão machista e cheio de preconceito. Infelizmente para nossa “linda e justa” sociedade, a mulher que tem filhos seja ela divorciada ou mãe solteira, não merece ser amada, respeitada e valorizada.

Este facto fez-me lembrar a história de uma mulher que tive o prazer de conhecer, muito inteligente e bonita por sinal. Sempre foi dedicada à família, uma esposa amorosa e fiel, mas numa das voltas que a vida dá o marido abandonou-a com três filhos pequenos e resolveu “curtir a vida”, se não me engano um deles era recém-nascido na altura. A vida dela ficou do avesso quando se viu sozinha, desamparada, com filhos e muitas, muitas contas para pagar.

Calculo que não deva ser nada fácil ouvir da boca da pessoa que se ama que deixou de gostar de ti, que tu não vais ser feliz com mais ninguém porque tens três filhos e que nenhum homem  irá dar valor a uma mulher assim.  Deve ser difícil ser fintada pelo próprio companheiro, o pai dos teus filhos, pai este que não paga as pensões, não sustenta os filhos e nem se preocupa em cumprir seu papel de progenitor.

Esta mulher – a separada, a largada ou a cheia de filhos, como muitos costumam chamar – ficou sem chão mas não desistiu. Esta mulher levantou-se com toda coragem para lutar, para vencer as dificuldades, as derrotas, as humilhações e principalmente com o objetivo de dar a volta por cima.

Existem muitas mulheres nesta situação que são muito mais “homem” que muitos homens que aí andam. As verdadeiras guerreiras, dignas de se tirar o chapéu, que merecem todo respeito e uma oportunidade de serem felizes novamente.

Infelizmente o preconceito de muitos, como estes dois com quem me cruzei na rua, as priva desse direito. A vida muitas vezes rouba-nos os sonhos, mas pior que isso são as pessoas que ainda insistem através do preconceito em arrancar dessas mães a sua dignidade, o seu respeito, o seu direito de recomeçar e de ser feliz.

É muito fácil apontar o dedo, julgar, condenar, ridicularizar e culpar o próximo. O difícil mesmo é estar no lugar da pessoa, é ter que superar as barreiras fazendo do passado a escola do presente. O difícil é superar-se a cada dia, é deixar o preconceito e abrir os olhos e o coração para o que realmente tem valor.

Ser divorciada, separada ou mãe solteira não é nenhum crime. Crime é não ser capaz de amar alguém que só sofreu por amar demais.

Por  Irailde Santana em A mente é maravilhosa

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Este é um assunto que afecta imensos casais, que é fortemente abordado na literatura, contudo na realidade parece não afectar ninguém pelo menos até se tornar público que a Maria e o João se separaram.

A diminuição da felicidade que a relação conjugal nos traz, habitualmente tratada por satisfação conjugal, continua a ser um tema tabu que funciona como uma pescadinha de rabo na boca – ao não ser falado faz com que as pessoas sintam que não é suposto falar sobre isto, logo ninguém toca no assunto.

Por que é que são poucos os casais que assumem que o nascimento do bebé os afastou? Penso que existem vários motivos – entre sentirem que estão a culpar o bebé, algo tão positivo nas suas vidas, por um acontecimento negativo; passando pelo sentimento de vergonha em admiti-lo (se ninguém fala no assunto é porque somos o único casal a passar por isto); até à crença que desenvolvemos de que as famílias têm de ser felizes quando nasce um bebé, tal como a Disney nos ensinou nas suas histórias.

São vários os estudos que confirmam que nos primeiros anos de vida o bem-estar do casal é inferior comparativamente a casais da mesma idade que não têm filhos. Não se preocupem, existem boas notícias: à medida que as crianças crescem o nosso bem-estar torna-se superior ao desses casais sem filhos (Toma! Vai buscar!). Resumindo, com o tempo vamos sentir-nos melhor, só precisamos disso mesmo – de tempo!

Nos primeiros tempos de vida do bebé dedicamo-nos quase em exclusivo a ser mães. Aprendemos a ser mães, a fazer actividades de mães, a conciliar as novas tarefas com outras (domésticas) que já desempenhávamos, a centrar o nosso tempo e recursos no bebé. Naturalmente, investimos tanto neste papel que deixamos de ter vontade, paciência e/ou energia para cuidar igualmente dos outros papéis que protagonizamos. Geralmente, a Mulher fica esquecida e com ela leva as memórias dos motivos pelos quais o nosso companheiro já nos fez tão felizes. Quanto mais permitimos que esse afastamento aconteça, mais sentimos que perdemos pontos em comum e passamos a vê-lo como o bebé o vê – apenas como pai.

Enquanto alguém que passou por tudo isto na “pele”, gostava de vos deixar algumas palavras de ânimo e dicas que talvez possam ajudar:

1- Vocês não estão sozinhos!

Acreditem que mais perto do que imaginam existe um casal a passar pelo mesmo, a sentir essa tristeza por já não sentir uma ligação tão forte entre si. Aceitem esses sentimentos, tentem perceber porque surgem, será mesmo que a pessoa mudou ou o meu estado de sonolência/cansaço/irritação é que não me permite vê-la da mesma maneira?

2- Conversem, conversem e conversem!

Claro que para as mulheres isto é mais fácil (um dia venho contar-vos porquê), mas existem timings em que falar se torna mais fácil, tentem encontrá-los e, sem apontar dedos e culpar ninguém, procurem dizer apenas o que sentem.

3- Partilhem, se possível, com alguém que vos aceite.

Por vezes, quando não exprimimos o que sentimos, nem partilhamos a nossa visão sobre as situações, tudo parece mais negro. Damos por nós a achar que não existem alternativas para o comportamento daquela pessoa (fez isto com aquela intenção, sem dúvida); este tipo de pensamento, conhecido por pensamento preto ou branco, leva-nos a ver as coisas de forma absoluta, quando por vezes existem outras justificações bastante razoáveis. Além disso, falarmos com outras pessoas ajuda-nos a perceber que como nós – numa fase menos boa – existem muitos.

4- Invistam em vocês como casal.

Confesso-vos que dei este passo com muitas reticências, só de me imaginar a ir jantar enquanto a minha filha, embora aos cuidados da excelente avó que tem, ficava a chorar, sem saber da mãe, partia-me o coração e trazia grandes sentimentos de culpa (que tipo de mãe és tu que faz isto à filha?). Na verdade, ela não só não chorou, como eu me diverti imenso. Durante o jantar quase que senti que estava a  conhecer o meu companheiro pela primeira vez; no meio de tudo esqueci-me de tantas características positivas que ele tem (se não há partilha de novos momentos, que por sua vez criam novas memórias, como podemos continuar a conhecer-nos?). Posto isto, apostem nestes momentos, mesmo que não tenham a minha sorte e o bebé chore durante 1 hora, acreditem que quando voltarem para junto dele se vão sentir pais mais felizes, revigorados e, por conseguinte, mais disponíveis para abraçar os desafios da parentalidade – vejam isto como um investimento.

5- Procurem ajuda profissional.

Se sentem que já tentaram de tudo e que a relação tende a piorar, procurem um psicólogo que faça terapia conjugal. Acreditem, imensas pessoas recorrem a este tipo de terapia, não tenham complexos. O que existe de errado em fazer de tudo para ficarmos com a pessoa que amamos?!

Espero que consigam continuar a aprender a ser pais, mas que possam, em simultâneo, reaprender a ser um casal, agora com mais papéis e desafios.

 

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Família não tem definição

Família é mais que pai e mãe, mas é sobretudo pai e mãe.

Família é a raiz, troncos e folhas de uma árvore que não pára de crescer.

Família sou eu e és tu todos dias ao alvorecer.

Família não é só sangue, família é quem cuida, quem cria, quem ama.

Família é a irmã que à noite que te aconchega na cama,

Família é um pai e sua filha pela mão,

E é também o menino que brinca no parque, com o seu irmão.

Família não tem definição,

Família é colo, é mimo, é aquele olhar…

É a palavra amiga que te permite sonhar!

É um sorriso, um beijo, um brilho,

A primeira vez que sentes o teu filho.

Família é mais que um momento.

É para sempre, não há argumento.

Família é coração,

E a forma mais simples de oração.

Família como o Amor é a mais pura indefinição.

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“Para uma família ser feliz, é necessário haver sedução. Os filhos têm de ser charmosos para encantar os pais, os pais têm de se esforçar para educarem convincentemente os filhos. E marido e mulher, caso queiram permanecer juntos, têm de passar a vida inteira a engatar-se. O mal da família é a facilidade. É pensar que aquele amor já é assunto arrumado.” – Miguel Esteves Cardoso

 

Já não és minha amiga

Ser mãe de crianças de ambos os géneros dá-me uma visão bem diferente da forma de se estar na vida e da convivência social de cada um. Com os rapazes tudo é ou parece simples. Na grande maioria das vezes, para além da competição de macho, pouco mais existe para discutir. Nas meninas é tudo mais complicado e dramático. “Já não és minha amiga”, “já não te convido para ires à minha festa”, “já não gosto de ti”, etc e etc.

 Quem é mãe de menina já passou por isto.

De início tentamos não dar importância. Mas quando as queixas são persistentes e de forma sofrida começamos a achar que a nossa princesa possa estar em sofrimento, a ser excluída e/ou até a ser vitima de bullying. (Lembrando todos os casos expostos nos meios de comunicação social em que os pais não deram conta ou importância). Decidimos então intervir de alguma forma, normalmente pedindo ajuda a professores. Mas quando o fazemos apercebemo-nos de que tudo já foi esquecido e já estão totalmente “amiguinhas” ou “BFF” (best friend forever).

Nós, adultos, não esquecemos tão repentinamente.

Por mais que sejam coisas de miúdos, mais cedo ou mais tarde somos confrontadas com o pedido para a amiga ir brincar lá a casa. Acompanhada de uma birra ou amuo se dizemos que não, e temos de lidar com a presença de uma miúda que ainda há minutos era o foco de sofrimento e choro da nossa filha ( e o risco de voltarem a zangar-se repentinamente). É aqui que começamos a estar atentas à autoestima e capacidade de sociabilização da nossa filha! Será que devo transmitir-lhe ferramentas de defesa psicológica para que não se deixe pisar ou rebaixar? Tenho reforçado sempre a compaixão, humildade, bondade e respeito para com os outros. Na verdade, tanto é atacada e é a presa como é ela que ataca e se transforma na vilã.

Para se ser uma boa amiga precisamos de perceber e dar a entender que apesar da brincadeira, das gargalhadas, do suporte e do carinho, por vezes, podemos encontrar conflitos, mal-entendidos ou tristeza.

E que ferramentas poderão precisar, elas e nós, para contornar estas situações:

  1. Antes de ser amiga de alguém precisa de ser a melhor amiga de si própria;
  2. Ter em nós mães um bom modelo e exemplo;
  3. Conversar sobre o comportamento e características que uma amiga deve ter. Explorar o que é uma má companhia e o que faz. O que espera de uma amiga. (sou da total opinião que não devemos ser nós a dar respostas, mas ajudar a traçar o caminho da descoberta)
  4. Falar sobre as suas qualidades que a fazem especial e única.
  5. Ensinar alguns recursos para lidar com conflitos. (ex: pode fazer perguntas ou pedir explicações, às vezes o tom pode ter sido mal entendido ou as palavras terem um duplo sentido, e o que é escrito então… )
  6. E por fim, o que para mim é uma regra de ouro, tratar os outros como gostariam de ser tratadas.

imagem@parents.fr

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Guia da Boa Esposa: 12 regras para manteres o teu marido feliz. Sê a esposa que ele sempre sonhou.

Estas imagens foram retiradas de um folheto de 1956 que era entregue às mulheres espanholas que entravam na Sección Femenina, uma ramificação do partido político Falange Espanhola, do general Franco, ditador que governou o país entre 1936 e 1975, ano em que morreu.

Não resistimos em partilhar com algumas adaptações parvas à 2017.

Uma boa esposa sabe sempre o seu lugar

1.JANTAR NA MESA

Planeia com tempo um jantar de Rei para o teu mai’que tudo.

Esta é uma forma de lhe dizeres que te preocupas com ele e com as suas necessidades. Os homens chegam a casa esfomeados. (Calma, ainda estamos a falar do jantar)

Prepara-lhe o seu Prato favorito.
2 2. PÕE-TE TOP

Descansa 5 minutos antes de ele chegar a casa para que te encontre fresca e fofa (Não abuses, 5 minutos não 7 nem 10 minutos). Maquilha-te, penteia-te e põe-te Top para ele. Lembra-te que o teu marido teve um dia de cão com os colegas no escritório (E tu estiveste o dia inteiro em casa a olhar para ontem)
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3. FINGE QUE ÉS INTERESSANTE

O trabalho dele é uma seca e tens de animá-lo. A tua obrigação é fazeres tudo para distraí-lo. Não precisamos de dizer mais nada. Vai distrair o homem, mas não seja muito criativa, não te esqueças que terás de fazê-lo todo o santo dia.
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4. ARRUMA A CASA

A casa tem de estar impecável. Não porque tu gostas assim, mas pelo teu marido. Faz uma última ronda antes de ele chegar (e antes dos 5 min, de repouso). Tira do caminho os livros da escola (que te deves ter esquecido de guarda quando arrumaste a casa!) e põe o chão a brilhar (Nunca se sabe…)
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5. FAZ COM QUE SE SINTA NO PARAÍSO (Acho que é para voltares ao ponto 3…)

Nos meses frios do ano liga a lareira antes da sua chegada a casa (deve ser para criar clima). O teu marido sentirá que chegou a um paraíso de descanso (Descanso? Então mas… enfim, já não sei nada!) Afinal, cuidar da comodidade do teu marido vai trazer-te uma enorme felicidade!


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6. PREPARA OS MIÚDOS
Penteia as crianças,  lava-lhes as mãos e muda-lhes a roupa da escola. Não se trata de uma questão de brio nem de higiene, nem sequer se fala de banho, por isso é tranquilo. É só porque o teu marido gosta de ver os seus tesouros reluzentes.
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7. MINIMIZA OS RUÍDOS
Quando o teu marido chegar a casa desliga as máquina, o aspirador, e cala os miúdos (Nada de ligar as máquinas todas para mostrar serviço). O coitado do homem esteve todo o dia a ouvir barulho no seu trabalho de seca, agora sff sossega.
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8. PÕE-TE FELIZ (Recapitulando, Top e Feliz)
Recebe-o SEMPRE de sorriso de orelha a orelha (podes usar clips para os dias piores, se quiseres) e mostra-te genuína no teu desejo de agradar (É para isso que cá estás, sim?) A tua felicidade é o prémio que dás ao teu marido pelo esforço diário que o coitado (outra vez?)…. Blá, blá, blá, seca do trabalho.
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9. OUVE-O

Até podes achar que a dezena de coisas que tens para dizer são importantes, mas o momento em que o marido chega a casa não é altura para conversetas. Deixa-o falar. Lembra-te que os assuntos dele são mais importantes que os teus. (estavas mortinha por dar ao dente, eu sei!)
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10. CALÇA OS SAPATOS DELE (Figurativamente, claro)
Não reclames se chegar tarde a casa, se sair para se divertir sem ti, se não volta para casa a noite toda. Trata de perceber que o homem tem compromissos e quando chega a casa quer sossego, por isso não chateies, sim? E desliga as máquinas.
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11. NÃO TE QUEIXES
Não o maces com problemas insignificantes (nem conversas da treta). Qualquer problema que tenha é uma formiga comparado com o que o teu marido tem de passar (Depois das noites fora deve estar com umas boas ressacas, e o melhor é dares-lhe um guronsan e saíres de fininho.
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12. FÁ-LO SENTIR-SE GRANDE! (Por mímica, para não fazeres barulho!)
Deixa-o estender-se no sofá ou enfiar-se no quarto a fazer sabe-Deus-o-quê. Tem sempre uma bebida quente pronta. Aconchega-lhe a almofada, e oferece-te para lhe tirares os sapatos! Fala-lhe com uma voz suave e prazerosa. (Sem comentários…)

 

E resumem-se assim os 12 Conselhos  para Salvares o teu Casamento, por isso, de nada.

Porque Uma boa esposa sabe sempre o seu lugar!

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A mãe já não está sempre triste, e o pai parece outro, agora ri e conversa mais também.

Hoje vou ficar com o pai porque a mãe cai jantar fora com o seu namorado novo.

Dizem que é o dia dos namorados.

O pai diz que eu sou muito nova para tecr namorados, mas quando for crescida vou ter um que me faça rir como o pai fazia a mãe, e como agora o seu namorado novo faz.

Vou ter filhos com o meu namorado e vou ser sempre namorada dele. E havemos sempre de ir jantar fora no dia dos namorados.

Na escola dizem que os meus pais são divorciados mas eu não me importo porque eles estão felizes e deixaram de discutir. Eu acho até que agora são mais amigos!

O pai pergunta sempre à mãe se precisa de alguma coisa e se pode ajudar. Antes nem queria saber. Agora, já conhece o namorado da mãe e sabe como ela está feliz.

Eu sei que os dois gostam muito de mim.

Eu sabia que alguma coisa não estava a correr bem porque eu via a mãe sempre cansada e o pai sem paciência, já não lhe fazia festinhas na cabeça nem se sentava no sofá pertinho dela.

Evitavam discutir à minha frente mas às vezes quando já estava na cama eu ouvia-os falar muito alto.

Eu acho que eles tomaram a decisão certa. Eu não queria que eles estivessem sempre tristes.

E agora quando me perguntam se eu estou triste porque os meus pais estão separados, eu nem sei o que responder porque eu estou com eles muitas vezes, eles são amigos e nunca mais os ouvi a gritar um com o outro.

Eu já sou crescida e com os meus pais aprendi que ser namorado é mais que estar, mais que viver junto, mais que dar presentes no dia 14 Fevereiro.

Ser namorado é respeitar e amar sempre, as alegrias e as lágrimas, os defeitos e o que já deixou de ser defeito.

Acima de tudo os meus pais ensinaram-me que, antes de termos respeito pelos outros, temos de nos respeitar a nós próprios, ter percepção do que nos faz feliz e a coragem para assumir que já não queremos aquela relação. E que a amizade pode manter-se quando uma relação acaba. Que ser fiel não é só não trair mas também saber libertar.

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Eu preservo e valorizo as amizades. Mas prefiro quase sempre passar o meu tempo com a minha família do que com qualquer outra pessoa do mundo…

Eu gosto da minha família.

Eu sei que passo mais tempo com eles do que com qualquer outra pessoa do mundo, e é uma opção minha.

Eu passei muito tempo e gastei muita energia para escolher o homem com quem queria partilhar a vida e ele é a pessoa de quem mais gosto no planeta inteiro. E também invisto muito tempo para garantir que os meus filhos se tornem no tipo de pessoas com quem eu quero e gosto de estar. Somos definitivamente um projeto em andamento, mas ainda assim,

eu vou sempre escolhe-los.

Eu escolho estar com eles em vez de ir sair e ir beber um copo com adultos vivos e reais, porque à sexta-feira à noite fazemos um programa de Tv e pipocas em família.

Escolho passar o sábado de manhã com eles em vez de ir a um brunch com amigas. Eu passo a semana toda a correr de um lado para o outro, a manda-los fazer os TPC, arrumar a mochila, a dar banhos e refeições, e quero aproveitar esse nanosegundo do fim de semana para poder estar presente a 100% antes de nos enfiarmos em mais uma semana louca.

Eu escolho estar com eles porque, sejamos sinceros, para estar com as minhas amigar tenho de me vestir à séria.

Eu escolho ir de férias com eles, porque mesmo nos piores momentos, quando estão a fazer birras, a chorar ou implicar, entendo-os. Eu sei quem tem fome, quem está com sono e quem está em baixo e precisa de ser animado. E sim, normalmente sou eu. Eu sei que um de nós está proibido de se descalçar no carro e que outro precisa de comer poucos segundos depois de acordar da sesta. Nós conhecemos os nossos ritmos e particularidades como se fossem as nossas.

Eu escolho-os porque eles são exactamente tudo o que eu sempre quis mesmo antes de saber o que é que queria.

Eu escolho-os porque eles me entendem. Eu sou alegre mas irritante de manhã e normalmente adormeço a meio de um filme ao serão. Eles sabem que adoro manteiga de amendoim, que sou uma versão ansiosa de uma mãe helicóptero quando os vejo a nadar, que eu odeio ter frio e que a desordem me tira do sério. Eles conhecem as minhas falhas todas e amam-me incondicionalmente, na mesma.

Eu escolho-os porque, apesar das suas piadas serem secas, de estarem constantemente a implicar, terem as mãos e caras muitas vezes pegajosas, e cantarem pessimamente a versão do “Take Me Home, Country Roads,” a minha família diverte-me mais do que qualquer concerto, programa fashion, ou qualquer filme no cinema.

Eu escolho-os porque, meu Deus, este tempo está a passar a voar. Pestanejei. Ele fez 10 anos. Ela tem 5. Até tenho medo de pestanejar novamente. Fico aqui com palitos nos olhos a aguentar as pálpebras. Obrigado.

Eu escolho-os porque, nos divertimos à grande a viajar e a fazer ski todos juntos mas também gostamos de ficar um dia em casa, na ronha, sem fazer nada de especial. Estamos juntos apenas e esses são os meus dias favoritos. Os dias de preguiça total que nos enfiamos no sofá confortavelmente com livros, filmes e snacks. Eu escolho este programa a qualquer outro.

Eu escolho-os, porque nesta fase também eles me escolhem. Pelo menos por mais uns tempos, porque assim que tenham carta de condução  vão escolher o mundo inteiro menos a mãe, e isso é normal. Talvez agora chore um bocadinho.

Eu escolho-os porque eles são meus. Tal como as restantes famílias, nós não somos perfeitos, mas estamos a crescer em conjunto. Eles são a minha família.

Por isso os meus amigos que me desculpem por andar a perder algumas coisas. Provavelmente muitas coisas. Mas entendam, eu só tenho este curto período de tempo para escolher os meus filhos, porque brevemente, eles não me escolhem a mim.

E eu quero aproveitar esta fase ao máximo.

Por Joelle Wisler, publicado em Scary Mommy

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