Em férias, e não só, um dos passeios mais comuns de todos os pais, são as visitas ao supermercado. Todos temos a mesma ideia, ou a mesma necessidade, e os supermercados junto aos locais invadidos nas férias enchemmmmm.

Eu e o pequeno catita fomos à aventura e entrámos num deles. Não tinha hipótese. Eu tinha MESMO de comprar uma série de coisas.
Assim que as portas automáticas abriram, o frenesim começou. Pareciam piranhas que devoravam as montanhas de pão, as paletes de leite, os caixotes de frescos e as frutas empilhadas. Sentia-se uma excitação no ar. Uma urgência. Uma vontade de comprar.

O motor do pequeno catita começou a aquecer. A aquecer. As perninhas a ganhar velocidade… o dedo apontador a esticar… Ui cá vamos nós. “Mãeeeeeee! Eu quero isto! Eu quero aquilo! E bolachas. Estas bolachas. Este sumo! Eu querooooooo!” A minha cabeça rodopiava com tanto pedido.

Quem me conhece, sabe como valorizo uma alimentação equilibrada. As comidas processadas e os refrigerantes não são visitas normais na nossa casa. Tudo para que ele apontava, eram “alimentos” que não me sinto nada confortável em comprar. Enquanto ele apontava e pedia, cada vez com mais insistência, o meu motor também aumentava as rotações. Ou eu começava a disparar “NÃOS!” à velocidade da luz, o que certamente iria acelerar ainda mais o motor do pequeno catita, ou tinha de pensar noutra coisa qualquer. Rapidamente. Tinha de o ajudar a passar do cérebro reactivo para a parte que consegue pensar, equacionar e tomar decisões.

Comecei a pensar em mim. Porque razão é que eu não gosto de comprar aquelas coisas? O que me faz tomar a decisão de comprar ou não? Os ingredientes! Leio sempre os ingredientes e com base nisso, tomo a minha decisão. Decidi dar ao pequeno catita a mesma opção, num jogo acabadinho de inventar, chamado “O incrível jogo do adivinha se isto é bom para a saúde”. As regras eram simples (tinham de ser, foram inventadas ao pé dos congelados e eu já estava cheiiinha de frio). Pegar em cada uma das coisas que o pequeno catita queria comprar, ler cada um dos ingredientes, e deixar a ele a tarefa de, com o polegar para cima, ou para baixo, definir se era um ingrediente fixe, ou nada-fixe.
“3, 2, 1, começar!” Pegou num pacote de bolachas e lá fomos nós: “Farinha de trigo!” E um polegarzinho para cima, apareceu do outro lado. (Este é discutível mas achei que tinha de manter as coisas simples). “Açúcar!” Polegarzinho para baixo. “Butil-hidroxianisol butilado e hidroxitolueno!” Baixou o polegar e largou o pacote. “Não quero isto!” No meio de vários polegares para cima, e muitos polegares para baixo, todos os pacotes ficaram pelo caminho.
Agora com a ajuda dele, voltei às minhas compras. Num instante estávamos de volta ao nosso carro com a bagageira recheada de alimentos avaliados pelo pequeno catita, ao pormenor. MÃE, EU QUERO IR PARA CASA! gritou do banco de trás. “EU TAMBÉM QUEROOOOOOOOOOOOOO!” gritei alegremente do banco da frente.

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“Quando saio do trabalho ainda tenho que arranjar paciência para os miúdos”. Ouvi esta frase à mesa, durante um jantar com amigos. O desabafo era de uma mãe, cansada da rotina diária casa-emprego e frustrada por não conseguir tem disponibilidade mental para os dois filhos.

Se perguntarmos aos pais sobre se os filhos são para eles a prioridade, a maioria responderá que sim. Que são a sua prioridade máxima. Só que, na prática, não é isso que acontece. Muitas vezes sem nos apercebermos, é no trabalho e nas preocupações do dia a dia que gastamos a maior parte da nossa energia. E os nossos filhos? Ficam, tantas vezes, em segundo plano. Levam com as nossas frustrações e angústias. Com o autoritarismo de quem quer ter tudo sob controle. Ou com a permissividade de quem não está para se chatear.

É possível fazer diferente?

Sim, é possível. É possível educar sem que a vergonha, os sentimentos de culpa ou a dor (física ou emocional) façam parte do léxico familiar. É possível educar pela positiva, evitando modelos extremos de controlo ou permissividade mas utilizando firmeza e amabilidade ao mesmo tempo, apelando ao respeito mútuo e à cooperação, como bases para ensinar habilidades para a vida, responsabilidade e autocontrolo.

Cabe aos pais criarem as condições para que os filhos aprendam a ser autónomos, cooperantes e responsáveis. No caso da responsabilidade, esta deve ser vista em relação direta com os privilégios de que dispõem. Sem prémios ou castigos. Caso contrário, como diz Jane Nelsen, co-fundadora da Disciplina Positiva, as crianças “não serão mais do que meros receptores, dependentes, e sentirão que a única forma de sentirem que pertencem a algo ou que são importantes para alguém é manipulando os outros”. 

Dicas úteis para obter ajuda dos miúdos

Eis os 4 passos para obter a cooperação das crianças, segundo os princípios de Disciplina Positiva:

  1. Expressar compreensão pelos sentimentos.
    Escutar em vez de ouvir, mostrar que se percebe aquilo que a criança está a sentir, mesmo que não se concorde com a atuação.
  2. Mostrar empatia sem condenar.
    Não significa estar de acordo, apenas que compreende a perceção da criança. Dica: pode, por exemplo, partilhar uma situação em que se sentiu da mesma forma que o seu filho, que se identificará com ela.
  3. Compartilhar os seus sentimentos e perceções.
    Muitos pais evitam mostrar ou dizer como se sentem aos filhos, acham que isso é sinal de fragilidade. Não é. Pelo contrário, reforça a empatia e conexão. Afinal, todos somos humanos, erramos. E os erros são magníficas formas de aprender
  4. Convidar a criança a focar-se na solução.
    Pergunte-lhe se tem alguma ideia do que fazer no futuro para evitar que o problema se repita ou para melhorar/resolvê-lo. Se a criança não tem nenhuma, faça sugestões até que cheguem a um acordo, que respeite ambos.

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A frase ecoa na minha cabeça há já alguns dias: “ O meu pai diz que faço tudo mal ”. Ouvi-a no metro, da boca de um menino que não devia ter mais de 7 anos. Falava com uma menina da mesma idade e disse-o com uma expressão triste, cabisbaixo. Apeteceu-me confortá-lo, dar-lhe um abraço e uma palavra de estímulo.

Como dizia Rudolf Dreikurs,  famoso psiquiatra educador que inspirou o modelo educativo da Disciplina Positiva, “Um joelho magoado pode curar-se, mas a autoestima ferida pode durar para a toda a vida”. Pois é.

Enquanto formador de Disciplina Positiva tenho contactado, tanto nos workshops como nas sessões de coaching parental, com pais e mães cujos filhos apresentam uma baixa auto-estima. Crianças que acham que não são capazes, por isso convencem quem os rodeia a não esperarem nada deles. Sentem-se muitas vezes inúteis, que não vale a pena tentar pois não farão nada bem.

Ajudar estas crianças (e os pais) a dar a volta ao problema não é um trabalho fácil. Exige tempo, paciência, coerência e muito reforço positivo. Mas os resultados têm sido animadores.

O sentimento de pertença

Todas as crianças precisam de se sentir importantes. E que pertencem (à sua família, escola, grupo desportivo, etc.). Para atingirem esse objetivo, optam muitas vezes pelo “mau” comportamento, que tem sempre por detrás uma mensagem que estão a querer passar.

De acordo com a Tabela das Metas Erradas, uma das principais “ferramentas” de Disciplina Positiva, a mensagem tácita que uma criança com baixa autoestima nos quer passar, com o seu “mau” comportamento, é esta: Não te dês por vencido comigo. Não desistas. Mostra-me um pequeno passo que eu possa seguir.

A chave para descodificar essa mensagem é a forma como nós, pais e educadores, nos sentimos perante esse comportamento. Depois há um caminho a percorrer, que desagua na aplicação de respostas produtivas e estimulantes. E quais são essas respostas?

Aqui ficam algumas, de acordo a Tabela das Metas Equivocadas da Disciplina Positiva:

1 – Ofereça pequenos passos

2 – Evite todo o tipo de crítica

3 – Anime em qualquer tentativa positiva

4  – Confie nas habilidades da criança

5 – Foque-se no que ela faz bem

6 – Não tenha pena

7 – Não se renda

8 – Crie ocasiões para que ela tenha êxito

9 – Ensine-lhe habilidades/como fazê-lo mas não o faça por ela

10 – Disfrute da companhia dela

11 – Anime, anime, anime

12 – Faça reuniões familiares/turma

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O Respeito assenta no Amor. A Obediência assenta no medo.

“Todos começamos esta viagem, cheios de sonhos, de esperança e de amor. Muito antes do mundo nos ensinar o medo temos momentos puros. Momentos em que os ratos são mais espertos que grufalos, vacas conseguem saltar luas e os gatos vivem em chapéus.” – Eric Christian Olsen

Todos nós nascemos livres. Seres cristalinos. Seres de amor. Puros. Com uma marca própria, uma assinatura única a deixar no mundo.

Depois, o ambiente que nos acolhe, os lugares onde nos movimentamos, as respostas que vamos recebendo às nossas necessidades e as nossas próprias vivências, vão marcando profundamente as fundações da nossa existência e conduzindo a nossa jornada.

O início da nossa viagem como pais não é muito diferente.

Antes de sermos pais, temos uma visão incrivelmente deslumbrante dos pais que vamos ser. Calmos. Pacientes. Controlados. Sábios.

E de repente… BOOM. Somos esmagadoramente abalroados pelo despertador da realidade.

Quando somos pais, é fácil sentirmo-nos arrebatados. Triturados pelo medo. Ofuscados pela rotina. Confusos pela incerteza. Desgastados pelas noites sem dormir. Alérgicos com o chão por aspirar. De cabelos em pé com os brinquedos espalhados. Descompensados pelos Himalaias de roupa suja para lavar.

Porque que é que a roupa não se lava sozinha? Porque é que a minha filha não pára de chorar? Porque é que não come? Porque é que não dorme? Porque é que não se veste sozinha? Mas não estava tudo bem agora mesmo? O que é que se passa?????

Comecei a aperceber-me recentemente que sermos pais é assim como uma longa e surpreendente travessia de mota. E consoante a nossa condução, assim as duas rodas nos vão respondendo. Consoante o estado da mota que conduzimos e as condições do terreno e do tempo, assim a nossa viagem por entre os desertos e os vales, as planícies e as encostas vai exigindo uma adaptação na nossa condução. Pode estar chuva. Pode estar sol. E quando chove, podemos sempre decidir se queremos levar o fato de chuva, se queremos seguir caminho ou se paramos um pouco, à espera que a chuva passe. Ou se avançamos mesmo assim e aproveitamos a ventura.

Apesar da nossa visão antes de sermos pais possa contrastar ofuscantemente com a realidade, no segundo em que escutamos, no momento em que prestamos atenção, em que nos conseguimos sintonizar com o grande esquema das coisas, conseguimos recordar o início da viagem. Sintonizar com a nossa visão. Com o nosso sonho.

E aí estamos prontos para dar um novo passo e reconectarmo-nos com o nosso ponto de partida.

Por vezes, encontramo-nos a navegar uma estrada oleosa, esburacada, cheia de curvas e contracurvas. Em rota descendente com curvas bem apertadas. Umas a seguir às outras. De repente, a gravilha no caminho parece ameaçar a resistência da nossa condução. O óleo da estrada ameaça fazer-nos tombar na próxima volta. Literalmente.

E os sonhos, a esperança e o amor que orientaram a visão inicial da nossa viagem parecem ser colocados à prova. Momento sim, momento sim.

Maya Angelou dizia que quando sabes melhor fazes melhor. Com conhecimento adequado, podemos mesmo tornar-nos pais calmos. Mesmo quando estamos exaustos. Fora de nós. À beira de um ataque de nervos.

Por vezes damos por nós a ouvir a voz – uma ou mais vozes –  tão longe no tempo, mas tão perto agora a ressoar dentro dos nossos ouvidos.

Damos por nós, aniquilados pela pressão, pelo stress, pelos eventos da vida, a fazer exactamente as mesmas coisas que sempre criticámos, a dizer aquilo que sempre detestámos e que jurámos a pés juntos que nunca iríamos fazer.  Ficamos mal. Estamos a dar o nosso melhor com o que temos, mas cá dentro sabemos que podemos fazer melhor. Queremos fazer melhor.

A nossa intenção é a melhor. No entanto, parece que, por mais que queiramos, no momento, não conseguimos fazer de outra forma. E é na fragilidade, na vulnerabilidade, que o nosso piloto automático fica no comando. Apesar dele nos despertar aquilo que sabemos já não se coadunar com aquilo que queremos fazer, acontece. O piloto automático fica no comando. Recorremos ao que conhecemos. Ao nosso próprio padrão interno. Que na grande maioria das vezes é fundado no nosso estado de não- consciência.

Então, procuramos culpados, culpamo-nos a nós próprios. Sentimo-nos incapazes. Um falhanço. Ficamos zangados, frustrados.

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Dizem-me (não toda a gente, mas há quem comente) que a minha filha é muito agarrada a mim, dependente de mim.

Sei que quem olha de fora terá um olhar diferente, mas a verdade é que encaro com naturalidade o facto de ser o adulto de referência (assim como o pai, mas mais eu) da minha filha.

Temos uma ligação muito próxima, as nossas rotinas estão muito bem delineadas e é verdade que passamos muito tempo juntas.

Mas sejamos sinceros, esse muito tempo que alguns apontam é, na verdade, o tempo em que ela não está na escola. A maior parte do dia da minha filha é passado longe de casa, da mãe, da sua ligação mais profunda. É o tempo em que eu deixo de ser apenas mãe para ser Marta, para trabalhar, para me distrair, para fazer as minhas coisas. É o tempo em que ela não é minha filha, é uma criança que estabelece os seus laços com os outros, com o mundo.

Apesar da nossa proximidade, do hábito de irmos juntas ao parque, ao supermercado, de eu contar a história antes de dormir, de dar banho e jantar quando o pai não está, não vejo essa dependência na minha filha. Mesmo nas horas que passamos juntas não estamos exclusivamente uma com a outra nem a participar exclusivamente das actividades uma da outra. Ela brinca, “lê”, canta, dança e pula tantas vezes comigo apenas como espectadora curiosa à distância.

É verdade que não pratico o desapego e admiro quem o faz mas simplesmente não sinto que seja para mim. Há quem antecipe uma semana complicada de trabalho e faça uma mochila aos miúdos, os deixe na casa dos avós e os volte a ver quatro dias depois. Eu prefiro desdobrar-me e continuar a cumprir todas as minhas facetas o melhor que posso, e obviamente muitas são as vezes em que algo fica a faltar. Mas eu não. Eu não falto. Não critico quem o faz, nesta coisa da maternidade acredito (e já acreditava antes de ser mãe) que cada pai é que sabe. Cada família deve fazer aquilo que pode, que a deixa confortável, que funciona para ela.

Com o passar do tempo sei que esta proximidade que existe se vai esbater, que a minha filha vai preferir a presença de outros em detrimento da minha e não me dói pensar nisso. Pelo contrário, valorizo todas as etapas sendo o melhor que posso, para que ela possa crescer para ser uma criança que estabelece relações saudáveis com os outros.

Ainda ontem uma vizinha comentava: “ela ainda não fez os três anos? É tão autónoma e independente! Faz tantas coisas com tanta agilidade”. Na escola dizem o mesmo. E eu sei que é assim. Que a minha presença não ensombra a sua autonomia. É claro que quando estou presente ela exige mais coisas de mim, deixando para lá aquele lado desenrascado só para poder ter uma desculpa de me ter mais perto. Entendo, compreendo, não rejeito. Se sentisse que a estava a prejudicar de alguma forma seria a primeira a tentar corrigir o meu comportamento, mas para já não sinto sinceramente que o faça. O amor que tenho por ela não é um amor que sufoca. É um amor como pratico em todas as minhas relações: que está presente mas que dá espaço, liberdade.

Será ela própria a abrir as suas asas e a voar para longe de mim e estarei na primeira fila para a ver voar. Ao longe. Não serei daquelas mães que compram bilhete de viagem para acompanhar de perto.

Dou a liberdade de voar sabendo o caminho de volta.

E estarei aqui, daqui a uns anos, a praticar um desapego saudável.

Para já a nossa história é apenas de amor constante.

Antes de perderes a calma, usa uma destas 20 táticas simples para evitares gritar com os teus filhos e manteres a paz em tua casa.

Eu tinha chegado ao meu limite. O meu filho de 5 anos tinha finalmente acabado com a minha paciência. Foi um dia terrível desde o momento em que acordou a exigir o pequeno almoço até à segunda vez que empurrou o irmão. Todos nós temos dias em que queremos vender os nossos filhos ao Jardim zoológico (os meus filhos iram adorar, de certeza). No entanto, eu odeio gritar. Gostava de dizer que é porque eu sei que gritar é mau para os meus anjinhos, mas a verdade é que quando grito sinto-me uma má mãe.

Há uma maneira melhor. Aliás, vou sugerir 20 maneiras melhores.

Aqui estão 20 coisas que pedes fazer da próxima vez que perderes a calma com os teus filhos sem gritar.

  1. Ter um tempo juntos

Esta alternativa ao tempo em separado (castigo) envolve abraçares o teu filho até que ambos estejam calmos o suficiente para lidar com o problema.

  1. Rir

As palhaçadas das crianças ou te fazem rir ou tem pões doida. Escolhe rir. Vais viver mais tempo.

  1. Cantar

Cantar é uma formal vocal e sem gritaria de extravasar a raiva e agressão. Aumenta o som e cante bem alto. (eu sei, parece maluqueira, mas sabe bem e resulta)

  1. Afastares-te

Às vezes, o melhor plano de acção é saires de cena até conseguires lidar com o mau comportamento de uma forma proativa.

  1. Contar até 10

Parece parvo, mas este truque diminui o teu ritmo cardíaco e consegues pensar mais claramente.

  1. Exercício físico

Sai e dá uma caminhada, faz uma aula de ioga ou põe um vídeo de exercícios e faz em casa. O exercício faz libertar endorfinas.

  1. Ouvir

Antes de atribuires um castigo, pergunta ao teu filho o seu lado da história e ouve à séria a sua resposta. Às vezes nem tudo é o que parece.

  1. Respirar

Enche os pulmões de ar e faz algumas respirações purificadoras. Oxigenar o cérebro permite pensar mais claramente.

  1. Afastar as crianças

Tira as crianças de cima de ti e manda-as brincar noutro quarto ou no quintal. Não há vergonha nenhuma em precisar de estar um bocadinho sozinho. Pela tua sanidade.

  1. Revezar-se

Eu sei que muitas vezes não é possível, mas se tiveres essa oportunidade, reveza-te com o teu marido, a avó ou uma ama para conseguires aliviar o stress.

  1. Perguntar

Faz perguntas aos teus filhos sobre o seu comportamento. Vê se eles conseguem identificar uma forma melhor de agir em relação a determinada situação, no futuro.

  1. Limpar

Esfregar o chão, aspirar ou acabar com aquela montanha de roupa suja, dá-te um sentimento de realização num mau dia. (E as coisas têm de ser feitas na mesma, por isso…)

  1. Sair de casa

Ar fresco faz sempre bem. Uma caminhada pode ser a diferença entre um dia desastroso e um agradável. Se for preciso, leva os miúdos. Verás que também a eles lhes faz bem.

  1. Põe-te nos sapatos do teu filho

Tenta ver o mundo do ponto de vista do teu filho. Ele provavelmente também está a ter um dia mau.

  1. Conectar-se com os filhos

Faz algo que todos gostem para voltarem a encontrar o equilibrio como uma família.

  1. Lembra-te que é que manda

Tu és o pai/mãe e tens a capacidade de definir as energias da tua família. Estás a deixar o humor do teu filho influenciar o teu? Reverte isso.

  1. Cumprir o prometido

Se passas a vida a dizer “a próxima vez que fizeres isso…” então está na hora de cumprir e impor as consequências, mesmo que implique mais trabalho para ti.

  1. Ligar a um amigo

Às vezes precisas de desabafar. Pega  no telefone e liga a um amigo ou membro da família para nem que seja para desabafares.

  1. Procura soluções

Não vale a pena combater sempre as mesmas batalhas. Senta-te e pensa em soluções permanentes que evitem os conflitos mais usuais.

  1. Sonhar acordado

Às vezes só precisas de viajar um pouco mentalmente. E fazes bem, desde que todos estejam em segurança e não te percas no tempo.

A parentalidade positiva consiste em refletir um pouco mais antes de agir. Reflete um minuto extra antes de gritares e pensa na melhor maneira de lidares com a situação. Mesmo que atribuas um castigo tardiamente para evitar gritar, lembra-te que um pai ou mãe controlado consegue sempre obter uma melhor resposta dos filhos do que um que grita compulsivamente. Dá um exemplo positivo, e trata os teus filhos com o mesmo respeito que pretendes que te tratem.

imagem@vix

Por Heather Hale, Familyshare.com

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“Muitas vezes perco a paciência e…grito.”; “Leio os artigos todos e adoro, mas quando estou zangada não consigo aplicar nada.”; Adorava ser uma mãe perfeita como tu!”;  “Sinto-me culpada por não conseguir fazer as coisas de outra forma.”; “ Sinto-me uma mãe-amígdala. Sempre em modo reativo.”

Estes são alguns dos desabafos sinceros que me chegam todos os dias. Muitos pais sentem que não são o suficiente, que não fazem o suficiente e que há sempre uma mãe por aí, que para além de ser maravilhosamente consciente, ainda cozinha comida super-bio-saudável-sem-glúten enquanto faz agachamentos de uma forma mindful e que nunca na vida se zanga ou fica despenteada. Pois. É apenas um mito urbano. Queridas Mães e Pais que me seguem de uma forma muito catita, tenho uma coisa muito, MUITO importante para vos dizer. Preparados? Aqui vai: eu faço muitas, tremendas, idiotas, compridas, peludas e gritantes ASNEIRAS.

Eu não sou uma mãe perfeita, sou uma mãe perfeitamente real

Nos dias em que não as faço para fora, posso fazê-las para dentro, na forma de julgamentos não-foste-uma-mãe-maravilha-hoje.

Cada passo que dou no sentido de ser uma mãe mais consciente, só é dado porque uma asneira se transformou numa aprendizagem. Errar é o primeiro passo para aprender. E na parentalidade o mais importante é o que aprendemos com a relação, com o nosso filho e principalmente connosco próprios.

Se eu fosse uma mãe monstruosamente perfeita iria perder a maravilhosa oportunidade de ser uma mãe real. De mostrar todos os dias ao meu filho como aprendo com os erros, como peço desculpa, como não sei tudo, como preciso de ajuda, como perco a paciência, como resmungo quando tenho sono e… como sou humana.

Aqui não há notas, quadros de honra ou autocolantes por sermos “bons” pais. Há a Vida. Há o dia a dia, onde todos damos o nosso melhor com as ferramentas que temos ao nosso dispor. Se sentirmos que não são suficientes, podemos sempre fazer um upgrade das nossas ferramentas. Vai ser muito útil ao longo do caminho.

A parentalidade não é limpinha, é feita de muitos momentos enrolados num gigantesco novelo com nódoas de comida, lama do jardim e óleo da bicicleta.

É um grande caminho a ser percorrido para dentro e para fora. Passo a passo, asneira a asneira que nos leva, com consciência, aos pais que queremos ser.

Este caminho não é uma autoestrada. É um caminho de terra, com paisagens maravilhosas, zonas áridas e outras mais pantanosas. Em cada pedacinho temos a oportunidade única, se tivermos disponíveis para isso, para aprender. Para nos desmancharmos como uma torre de lego e começarmos tudo outra vez. Mas há peças… ai… que nos custam tanto a largar. Comportamentos e pensamentos que teimam em ficar agarrados. Ainda bem que temos um caminho comprido pela frente, assim temos tempo, de nos dar tempo, para ir largando o que já não faz sentido. E tempo para aprendermos a ser tolerantes e compassivos connosco.

Lembras-te quando o teu filho começou a tentar andar? Quantas vezes foi de rabo ao chão? Quantas vezes se levantou e tentou outra vez? Sabes o que o movia? Era o potencial que ele tinha dentro dele para andar. E, sabes o que vejo em ti? Potencial. Muito. Potencial para crescer. Potencial para caminhar.

Tens agora um caminho aberto à tua frente. Anda, eu ajudo no primeiro passo. Diz-me, que mãe/ pai queres ser?

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Como ficar on quando tudo está off

O pequeno catita estava esparramado no chão. Rodeado de tudo e mais alguma coisa, estava a inventar mais uma das suas fabulosas máquinas.

Ele imagina máquinas para tudo. Já inventou uma máquina-come-tudo, para levar a comida à boca de forma a não cansar os braços. Uma maquineta-diz-diz que fala por nós quando não estamos para aí virados. E uma, que tem um lugar especial no meu coração, a maquineta-toma-lá-mais-um-fim-de-semana, que produz fins-de-semana à vontade do freguês.

Ele estava tão inventivamente concentrado na sua nova construção que ao receber um “Hora de dormir!” retribuiu em tom metálico e zangado “Nem penses. Não é nada hora de dormir.” Não era bem isso que eu queria ouvir. Era mais um imediato “Claro que sim, mamã!”  Pois, mas é claro que isso não ia acontecer. Ainda mais com a rapidez que eu gostaria.

Voltei a referir que estava na hora de ir dormir e expliquei o quanto era importante para o nosso corpo descansar e dormir várias horas seguidas. Outra tacada do outro lado: “Não faz mal. Amanhã chego à escola várias horas depois.” Já referi que o pequeno catita prima pela capacidade de argumentação?

Após alguns segundos de silêncio, seguiu-se uma explosão de raiva acompanhada por peças voadoras. Como estava tudo dentro das normas de segurança europeias, assisti pacientemente. “Nunca mais vou construir nenhuma máquina. NUNCA MAIS!” gritou. À medida que as peças começavam a cair no chão, as lágrimas começavam a cair também. Baixei-me. Respirei fundo e abracei-o. “Chora. Chorar faz bem. Chora tudo o que precisares” sussurrei ao seu pequeno ouvido.

Alguns minutos mais tarde, sem mais nem menos, levantou-se e foi lavar os dentes.

“Hora da história!!!” gritou feliz da cama. Totalmente admirada com tal mudança repentina, fiquei momentaneamente colada ao chão da sala.

Espera aí. Mas ele não estava danado e preferia arrancar um dente a ir para a cama? Senti-me como se tivesse a fazer zapping. Carreguei no botão e imediatamente mudei de história.

Afinal o que aconteceu? O que mudou o chip dele?

Não foi certamente nenhuma maquineta-maravilha-vai-já-para-a-cama. Na verdade, percebi depois, foi algo bem mais simples. T-E-M-P-O. Eu esperei e dei tempo ao pequeno catita para digerir a frustração que surgiu por ter de largar a sua maquineta. Dei tempo para percorrer os caminhos, puxar as alavancas, rodar as roldanas, até estar pronto para passar do modo inventar para o modo descansar.

O processo é igual para nós. Sempre que algo nos surpreende, aparece em forma de obstáculo, frustração, má notícia, revés ou simplesmente não acontece como gostaríamos, precisamos de nos dar tempo. Precisamos de passar pelo “Não, isto não está a acontecer”, pelo “Porque é que isto me aconteceu a MIM?”. Pela fase de tentar arranjar uma solução de meio termo “E se eu..” até estarmos preparados para receber a tristeza, que estava desde o início à espera para entrar.

Ai. Quando ela chega… Quando nos bate em cheio no peito e a aceitamos. Só aí, aceitamos o que aconteceu. É daqui que tudo cresce. Deste pequeno grande passo. Mas só cresce se o caminho da frustração à aceitação for percorrido, passo a passo, emoção a emoção.

Foi esse caminho que o pequeno catita teve tempo para percorrer. Tempo para a negação (“não são horas de dormir”) e para a raiva. Tempo para a negociação (“amanhã chego mais tarde à escola”) e para a tristeza. Todas essenciais no caminho da aceitação, no corpo e no coração.

A ordem porque passam por nós não interessa. Interessa deixá-las passar. Interessa dar-lhes tempo e, acima de tudo dar-nos tempo, para a seu tempo, estarmos preparados para dar o passo que precisamos.

 

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Uma criança precisa de ser feliz, não de ser a melhor

O João é uma criança do século XXI. Tem dois pais que trabalham muito, segundo as suas palavras são “incontáveis horas por dia” para pagarem a casa onde moram, os carros nos quais se deslocam e os poucos dias de férias que tiram por ano. Também diz que não se importaria de ter uma sala mais pequena, um carro que fosse um pouco mais lento e sem estofos em pele e um futuro mais incerto se, em troca, pudesse passar um pouco mais tempo com os seus pais.

Mas não com os seus pais de agora – cansados, stressados, preocupados e inacessíveis – e sim com os seus pais de antigamente: atenciosos, dispostos, risonhos, carinhosos e coerentes. Ele sente muita falta deles mas nem sabe de que forma pode dizer isso aos pais. Por outro lado, o João observou que os adultos, não apenas os seus pais, também não exprimem o que sentem. Ele suspeita de que existe uma ligação entre o mundo emocional e as palavras mas ninguém lhe ensinou exatamente como isso funciona. São tudo suspeitas nas quais ele se sente inseguro.

“A infância nunca dura. Mas todos merecem ter uma.”
-Wendy Dale-

O João é uma criança muito ocupada

O João também é uma criança que não brinca ou, pelo menos, é uma criança que não brinca por brincar mas antes com outra intenção muito para além de se divertir e de ter bons momentos. Desde que a sua irmã nasceu os seus pais passaram a considerá-lo grande e delegam-lhe responsabilidades, mesmo sendo pequeno, a julgar pelo tipo de preocupação que manifesta. A única coisa que isto produz é ainda mais insegurança, mas ele também não sabe como pode dizer isto aos pais.

Além disso, o pequeno protagonista deste artigo não tem um horário livre durante o dia, a pergunta sobre o que ele quer e o que não quer fazer está restringida aos fins de semana, nos quais, por sorte, a mãe trabalha. São os fins de semana que passa com os seus avós. Eles pretendem compensar em dois dias toda a liberdade que os seus pais lhe restringem. Embora o pequeno não lhes tenha dito isto, eles têm a sabedoria que a experiência transmite e suspeitam do modo como ele se sente; contudo, estas mudanças tão bruscas também confundem o João.

Durante a semana, as manhãs e as tardes são repletas de cores. De facto, este ano teve de repetir a cor para mais de uma atividade porque no seu estojo não havia uma gama de cores suficientemente ampla para diferenciar toda a sua agenda. Então, o inglês da escola, este ano, tem a mesma cor do inglês das suas aulas particulares e a mesma coisa acontece com a música e o conservatório musical, ou a educação física e a escolinha de futebol. Inclusive este ano teve de usar o amarelo, que ele gosta ainda menos do que chutar uma bola, para as aulas de chinês.

O João já não se queixa do futebol, pelo menos não de forma direta: porque não sabe fazê-lo como alguém mais velho e não quer fazê-lo como uma criança mas principalmente porque não quer dececionar o seu pai. Já sente que o dececiona quando não joga bem ou no dia em que é a sua vez de se sentar no banco, não quer nem imaginar como poderia vir a sentir-se se um dia dissesse ao pai que os seus sonhos são outros.

“Uma das melhores coisas que lhe podem acontecer na vida é poder ter uma infância feliz.”
-Agatha Christie-

O João é uma criança silenciada

O João adora ler. Lembra-se com carinho das histórias que o seu pai lhe lia quando era pequeno. Algumas o pai lia, outras inventava. Gostava especialmente das inventadas porque o seu pai o conhecia muito bem e sabia exatamente o que ele gostaria que o menino intrépido que acabava de escapar pela janela fizesse. Nessa cumplicidade, agora perdida, adormecia com um sorriso.

Além disso, no dia seguinte, o João fazia em segredo o que agora podemos revelar: escrevia as histórias num papel porque queria que o seu melhor amigo também as aproveitasse. Era o seu jeito, entre muitos outros, de tentar compensar a tristeza que via nos seus olhos por não ter conhecido o seu próprio pai. Também o fazia por outro motivo: um dos seus vizinhos tinha Alzheimer e o João tinha sido testemunha de como perdia a sua memória.

Ele não queria esquecer algumas histórias que agora abraçava, enquanto sentia nas suas palavras que a sua infância estava pouco a pouco a desaparecer e que, ao contrário daquele menino fugidio e aventureiro, nunca voltaria.

O João sabe muito mais línguas do que muitas crianças da sua idade, é bom no piano, domina as equações enquanto os seus colegas ainda lutam com os números negativos, e sabe sobre todos os cuidados mínimos de que uma irmã pequena precisa.
O João também é um menino triste e, além disso, é consciente de que está triste porque um dia foi feliz, foi imensamente feliz. Uma felicidade que os seus pais sacrificaram por um futuro que ninguém sabe se algum dia chegará.

Vale a pena?

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Por A mente é maravilhosa adapatado por Babelia Traduções para Up To Kids®

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“Não mimes de mais.” dizem-nos as pessoas constantemente.

Mas afinal o que é mimar? Existe mimo de mais?

Para mim, mimar nunca é de mais. Cada um dá o mimo quer quer e que sabe dar, aos seus filhos. Eu fui mimada, e ainda hoje em dia adoro que me mimem. Não foi por excesso de mimo que deixei de conhecer e ultrapassar as adversidades da vida. Todo o amor, carinho e mimo que me foi dado, ajudou-me a ser uma pessoa melhor.

Se nós adultos gostamos de ser mimados porque não mimar as crianças?

No dicionário, a palavra mimar significa: acarinhar, animar, amimalhar, gesto carinhoso, delicadeza, amor. (Condescendência carinhosa com que se trata a outrem. = DELICADEZA, MEIGUICE )

Se assim é, então qual o mal de uma criança ser mimada?

Ser mimada, ser acarinhada, ser protegida, não significa que os pais não a preparem também para o futuro das mais diversas formas, como por exemplo ser mais autónomo e educado.

Mimo precisa-se

O facto de uma criança ser amada e acarinhada com todo o amor possível, vai apenas ter benefícios no seu desenvolvimento. As crianças precisam de se sentir amadas e precisam de afetos, como todos nós. Os mimos aumentam e fortificam os vínculos entre as pessoas, criando relações fortes que transmitem segurança aos nossos filhos.

O amor é uma das bases mais importantes na educação de uma criança.

Não há mal nenhum dar colo quando uma criança precisa, dar um beijo para a acalmar, oferecer um brinquedo uma vez por outra.

Podemos mimar uma criança e ensinar limites e regras. Podemos mimar e educar e dar autonomia. Mimar não é sinónimo de não educar: é educar com amor.

Como em tudo na vida, o mimo não deve ser de mais nem de menos. Os mimos são afectos, e devem ser dados no momento certo e na dose certa. A dose certa é o que cada criança precisa, porque não há duas pessoas iguais.

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