“Vou educá-la a ter esperança e força, mas a permitir-se ser frágil.
Vou tentar educá-la para que nunca se ponha numa situação de perigo.”

É cultural, foi assim que fomos ensinados e muitas vezes ainda é assim que agimos. O ditado reza “entre marido e mulher ninguém mete a colher”.

Mas os tempos são outros e se temos evoluído em tantas outras áreas porque continuamos a virar a cara em situações de abuso?

Do outro lado do oceano chegaram notícias e imagens chocantes de uma advogada, que foi filmada a ser agredida pelo marido dentro do elevador do prédio e no parque de estacionamento do condomínio enquanto gritava por ajuda. Esta mulher acabou por morrer, vítima de uma queda do quarto andar, do seu apartamento. Correcção, esta mulher acabou por ser assassinada pelo marido quando todos os vizinhos ouviram os seus apelos por ajuda. Ninguém, repito, ninguém, chamou a polícia. Entendo o medo, somos humanos e sentimos na pele o nosso medo, o medo pelos nossos, o nosso desejo de sobrevivência. Muitas pessoas tiveram receio que o marido estivesse armado e não foram até lá. Estiveram para chamar a polícia mas depois os gritos pararam. Pararam porque já era tarde demais.

Estou a relatar esta história a título de exemplo, como poderia contar outras. Todos nós conhecemos algum caso, infelizmente. E os que têm a sorte de não conhecer, leem notícias.

Como mãe de uma rapariga há muitas coisas que me apoquentam em relação ao seu futuro, mais do que se fosse um rapaz – e nisto tenho de ser sincera e crua, porque ainda é muito diferente ser rapaz e rapariga neste mundo.

Vou tentar educá-la para que nunca se ponha numa situação de perigo.

Vou educá-la para identificar uma situação de perigo caso já esteja envolvida nela. Vou educá-la a fazer ouvir a sua voz, apesar do medo – mesmo que para isso tenha de saber contornar situações de confronto e saiba pedir a ajuda a quem de direito na altura certa. Vou educá-la para não virar a cara quando for testemunha da dor de outra pessoa. A falar, mesmo que tenha medo, nem que seja para chamar a polícia. E se quando a polícia chegar ela sentir que “não serviu para nada”, que saiba que serve sempre. Nem que seja para que as pessoas envolvidas saibam que os outros sabem, reparam e vão andar de olho na situação.

Vou educá-la a ter esperança e força, mas a permitir-se ser frágil. Porque todos nós cometemos erros, porque todos nós, numa altura ou outra precisamos de ajuda, porque todos nós já recusámos ajuda quando soubemos que teria sido melhor se tivéssemos aceitado.

A violência transtorna-me e é-me difícil de compreender, mas a passividade do mundo perante a violência é algo que nunca aceitarei.

Não é esse o futuro e o mundo onde quero que os meus filhos cresçam.

Quero que seja um mundo onde se diz “lembras-te de antigamente quando as mulheres morriam às mãos dos companheiros/ex-companheiros/aspirantes a companheiros?”. Quero que sejam coisas de tempos que eles não recordam.

Educar uma criança é a missão dos pais. Estar lá, acompanhar, proteger. Mostrar a realidade e as soluções. E isto serve para os pais das vítimas e dos agressores. Quando há sinais de que algo possa não estar bem devemos ser os primeiros a agir.Para o bem dos nossos filhos e dos que com eles se relacionam.

Devemos ser o exemplo e ajudar quem precisa de ajuda. Se os nossos filhos nos virem a estender a mão, será para eles natural fazer o mesmo na nossa ausência.

Resta-nos ser bons exemplos.

Pedir ajuda.

Dar ajuda.

Ter medo e ir em frente mesmo assim.

Depressão na adolescência: é preciso falar sobre isto.

“Os sintomas de depressão não desaparecem por si. Não são “só uma fase” e exigem que olhemos para eles de frente e com a seriedade que merecem. “

Há, numa mãe ou num pai que perde um filho, uma permanente ferida aberta, que não tolera curativos, nem admite suturas.

Há, na ideia de perder um filho, qualquer coisa que corrói, que envenena, que mata por dentro. Por isso, quando um filho nos diz “quem me dera morrer” há algo em nós que se assusta irremediavelmente. Que se lembra de todas as mães e de todos os pais que ficaram sem mundo, sem chão, sem bem maior. E que sofre com eles, apenas e só, pelo fantasma de uma ideia assim.

A depressão na adolescência faz-se acompanhar por sintomas como a incapacidade de sentir prazer, a desesperança, a culpabilização, a diminuição da concentração e a baixa auto estima.

São também frequentes as alterações no sono e no apetite que, a par da sintomatologia atrás descrita, causam impacto significativo no rendimento escolar. Outro dos sintomas que pode surgir associado à depressão, é a ideação suicida, definida pela presença de pensamentos relacionados com autoagressão ou morte auto infligida, podendo estar ou não ligados a intenção suicida. Mas há algo que temos de saber: Os comportamentos suicidários estão entre as primeiras causas de morte na adolescência.

Por tudo isto, por mais que doa e por mais que assuste, é preciso pensar e falar sobre o assunto, de forma a que possamos compreender e ajudar.

Podemos ajudar sempre que estivermos próximos e quisermos saber mais. 

Não sob a forma de um interrogatório, mas procurando, com tranquilidade, o momento mais oportuno para conversar. Pode ser importante conhecer o que se esconde por detrás da tristeza. Por deytás da desmotivação, do sentimento de inutilidade ou de vazio. Afirmações como: “Sei que às vezes a vida pode ser difícil e gostava de poder ajudar-te”, contribuem para reforçar o amor que lhes temos, fazendo sentir que é para nós importante saber como apoiar. Perguntas como: “Quando é que te sentes mais preocupado?”, “ O que é que gostavas que pudesse ser diferente?”, “Com o que é que está a ser mais difícil lidar?”… favorecem uma compreensão mais profunda do problema, o que por sua vez abre caminho a que possamos, efetivamente, ser um dos suportes que precisam.

Podemos ajudar sempre que formos capazes de aceitar o que estão a sentir. 

Eu sei que enquanto pais, lidar com a dor dos nossos filhos é extremamente difícil. Sei que, naturalmente, a nossa tendência será distraí-los dessa dor. No entanto, quando o sofrimento é psicológico é fundamental ouvir, sem julgar, sem recriminar. Ouvir sem desvalorizar, sem enunciar uma lista de coisas pelas quais deviam sentir-se felizes. Não se sentem, e é importante aceitar esta ideia e receber, sem filtro, as emoções e as experiências dolorosas que vivenciam.

Podemos ajudar sempre que tratarmos com honestidade aquilo que partilham. 

Se falam em suicídio, é importante não evitar o tema. Perguntar: “Quando falas em querer morrer, estás a pensar em matar-te?” ou “Toda a dor que sentes já te fez pensar em magoares-te?”, permite explorar se existem planos mais definidos a este nível, não contribuindo para alimentar a ideia (que é muitas vezes um dos nossos medos), mas mostrando disponibilidade e abertura.

E finalmente podemos ajudar, sempre que confiamos no nosso instinto e procuramos ajuda. 

Os sintomas de depressão na adolescência não desaparecem por si. Não são “só uma fase” e exigem que olhemos para eles de frente e com a seriedade que merecem. A identificação conjunta de alguns recursos como o do acompanhamento psicológico, é fundamental para que se sintam mais apoiados e possam aprender a olhar de uma forma positiva para dentro de si e a desenvolver estratégias mais adaptativas para lidar com os desafios do mundo externo.

Falar sobre a morte com aqueles a quem demos vida, pode ser extraordinariamente assustador, mas pode também significar-lhes o alívio, o alento e a aceitação de que precisam no momento. Para depois agarrar a vontade de outros amanhãs…

Ontem ouvi-te a falar com uma amiga sobre como são difíceis os dois anos!

Fiquei feliz. Pensava que não compreendias e fiquei muito feliz por saber que percebes o quão difícil são os dois anos.

Não é à toa que chamam a adolescência dos bebés, porque é mesmo isso. É uma fase de descobertas e de mudanças.

É a fase em que descubro que afinal também tenho vontades, também tenho direitos e acredita que é muito difícil para mim tentar controlar a forma como me expresso. E é por isso que há as birras, mãe.

É que, agora que descobri que posso fazer e mexer em muitas coisas, é quando me proíbem mais de as fazer e eu não percebo porquê.

Eu não te quero chatear…

Gosto muito mais quando estamos os dois a brincar em sintonia. Às vezes não percebo porque é que não posso brincar com tesouras, ou atirar água um ao outro… Fizemos isso na praia lembraste? E tu riste-te. Eu gosto tanto quando te ris comigo, mãe. Não percebo porque é que quando te atirei com a água em casa no outro dia ao jantar, ralhaste comigo.

Sabes mãe, também não percebo porque é que temos de ir para a cama. Estamos tão pouco tempo juntos. Gostava que ficássemos a brincar os dois para sempre, sem nunca ter de dormir.

Mas acho que isto faz parte da descoberta. Ainda estou a tentar descobrir o que posso ou não fazer para que fiques sempre a sorrir comigo sem te zangares.

Por isto é que fico feliz que percebas o quão difícil são os dois anos, e tudo aquilo que está a mudar.

Já queres que eu coma sozinho e sem entorna. Mas às vezes distraio-me e fico a brincar com a comida. Mas temos que comer depressa não é? Tu estás sempre a dizer para me despachar…

Agora também tenho que fazer xixi como tu e o pai, quando até agora podia fazer na fralda que simplesmente tu trocava. Eu tento mãe, mas às vezes quando estou a brincar não quero parar e depois zangaste comigo.

E antes, quando nos zangávamos, deixavas-me usar a minha chucha e o meu boneco. É que, sabes mãe, eles são meus amigos e ajudam-me quando estou triste. Ajudam para que tudo fique bem. Não percebo porque é que agora estás sempre a esconder a minha chuchinha e o meu boneco…

Ah e mãe, só mais uma coisa… Eu gostava tanto de beber o leitinho quentinho ainda na cama no biberon… Não me obrigues a ir para a mesa beber na caneca…

Não tenhas pressa que eu cresça. Não dizes sempre às tuas amigas que o tempo passa a correr? Então aproveita-o!

Mas, mãe, só queria dizer que fico muito feliz que percebas como os dois anos são difíceis para mim. Obrigada pela tua paciência!

 

Do teu filho

 

LER TAMBÉM…

Afinal o que são os terrible twos?

Tem um filho de dois anos? Estamos juntas!

10 razões porque os três anos de idade são piores do que os dois.

E se não houver sol? Uma mão cheia de coisas…

Já todos sabemos como acabou o Gato…o Gato Malhado…lembras-te?

Mesmo assim, gostamos de reler. Talvez haja uma esperança de chegarmos ao fim e ele – o final – ser diferente, não é?

Como se reler um livro, rever um filme ou reencontrar uma pessoa, fosse capaz de trazer finais diferentes. Não. Não é capaz.

Sei que deves estar a pensar: “Então mas as pessoas não mudam?!“. Mudam. Mas pouco.

Nestas férias, temos um final à nossa espera. Voltaremos para a barriga da cascavel? Provavelmente.

A mim ninguém me tira da ideia…a cascavel tem um chocalho! Eu, se fosse o gato, teria ouvido o chocalho! E teria fugido.

O problema não é esse, bem sei. O problema era a vontade do gato! Eu não quero acabar na barriga da cascavel.

Não quero férias como uma tarde de verão.

Não desejo terra à vista, como quem grita “fim à vista”. Vou beijar demorado, vou acordar cedo, vou tentar o equilíbrio entre a rotina e a falta de regras. Vou beijar roubado, vou acordar tarde…

E vou fazer mais uma mão cheia de coisas. E se não houver sol?

Quero reencontrar-te diferente no fim destas férias porque fizeste o mesmo. Quero ler em ti outro final, porque reescreveste as tuas histórias.

Vou fazer isso também, numa mão cheia de coisas:

  1. Vou contar aos meus filhos a história de uma nuvem feia, má, triste, suja,…E vou explicar a força do vento. O vento capaz de empurrar as nuvens feias para longe. Essa força está dentro deles. Falarei de persistência, de resiliência, claro está. Mas falarei da nuvem e do vento.
  2. Vou contar ao amor da minha vida a história de uma brisa fresca, traiçoeira, aborrecida…e vou explicar a força da prevenção. Esta brisa, chamada “a idade a chegar” pode ser terrível! Mas, como me preparo, hei-de ter sempre um casaquinho. Não se pode confiar neste clima. A partir de certa idade, um casaquinho vai sempre bem. Falarei de regar o amor, claro. E de brisas que afinal, com preparação, não são alterações climáticas. São naturais.
  3. Vou contar sobre o meu sonho matinal. Sonho onde reúno os amigos (aqueles três…quatro…) com frequência. É a história de um cardume navegante, conquistador, capaz de cortar as águas porque está em grupo.
  4. Vou contar sobre o avô Jaime e sobre a forma como morreu. A forma como deixou um legado de boa disposição, de humor, de sorriso e de vinho tinto (daquele incapaz de deixar mancha). De vinho tinto capaz de deixar marca. Uma marca boa.
  5. Vou contar a história do sorriso doce mais inexplicável. A luz surpreendente, surgindo como uma música de ANAVITÓRIA, ou melhor, Rubel em “Quando bate aquela saudade”. Vou contar sobre o sonho. Sonho.

Sonho com o gato a fugir da cascavel.  Não, não chega a casar com a andorinha, mas está escrito com outro fim, com outra cor e luz. Sonho com o chocalho a avisar. Sonho com uma noite de verão que, no fim de contas, pode ser a vida toda. E se não houver sol?

Sonho que, afinal, em vez de gato, sou um sol.

Boas férias.

image@videoblocks

Deixem as crianças em paz

Ai, que o menino suja-se!” “Ai, que o menino cai!” “Ai, que o menino chora!” “Ai, que o menino aleija-se!” “Ai, que o menino estraga!

Ai, ai, ai que não me largam!

Deixem as crianças em paz, e deixem as mães serem mães!

Deixem-se de palpites e conselhos e avisos e histórias porque no final, todas fazemos o mesmo. Todos aprendemos as mesmas lições e lidamos com as mesmas situações.

Deixem os miúdos sujar-se, correr na lama, brincar na relva, apanhar insectos e comer areia!

Deixem-nos brincar com molas da roupa e tupperwares, ou tampas dos tachos mesmo que façam barulho. Logo se arruma!

Deixem os miúdos saltar, cair e esfolar os joelhos, arranhar as mãos e tropeçar nos próprios pés.

Deixem-nos espalhar o papel higiénico, brincar com a escova de dentes e espalhar creme no chão da sala!

Deixem que o vosso mundo se torne desarrumado, desordenado, barulhento e acima de tudo alegre e feliz!

O barulho e a desordem fazem parte da felicidade.

E se pelo caminho dermos umas quedas e esfolarmos uns joelhos. Assim seja.

Se esse é o preço a pagar pela cumplicidade de uma brincadeira entre mãe e filho, assim seja! Ficam as “marcas de guerra” mas não ficam sozinhas. Ficam gargalhadas, memórias e momentos felizes!

Deixem as crianças em paz! Deixem as crianças ser simplesmente crianças!

 

LER TAMBÉM…

Brincar Devia Ser Obrigatório

É urgente ensinar as crianças a brincar!

As crianças não são feias, más, nem tão-pouco parvas

Brincar beneficia as crianças; e muito!

 

 

Encontrar a babysitter certa pode parecer uma missão impossível!

Deixar os miúdos com uma babysitter?

É ainda, hoje em dia, algo relativamente raro em Portugal apesar de ser prática comum em outros países. Contudo, pouco a pouco, assistimos a uma quebra de alguns preconceitos e estigmas em torno do babysitting. Vamos lá, então, ver o que se passa e como podemos ultrapassar esta apreensão comum entre pais e mães.

1ª fase – Precisar de uma babysitter

Quer seja uma recém-mãe à procura da primeira babysitter de sempre ou uma mãe experiente com quatro filhos à procura da próxima, encontrar a pessoa certa pode ser uma tarefa complicada.

Quem é a babysitter? Uma amiga da família? Uma vizinha? Independentemente da resposta, deixar os filhos com uma pessoa estranha pode ser algo intimidador.

Não há dúvidas de que se irá certificar de que os números de emergência estão todos em plena vista. Relembrará a babysitter de que lhe deve telefonar se houver um problema. E mencionou que o mais pequeno deve estar na cama às 8 e meia? Será que a babysitter se vai lembrar que o mais velho tem uma alergia a amendoins? Ao sair para o compromisso para o qual a contratou  é normal que estas e outras questões lhe assaltem a mente.

Contudo, a verdade é que, se viver longe do avós e não tiver o apoio de mais ninguém, essa babysitter poderá tornar-se num recurso valioso: um dia em que o trabalho não permita sair à hora em que os seus filhos saem da escola ou do ATL, ou uma noite em que queira ir jantar fora e desfrutar da noite entre amigos sem os seus filhos, sabendo que estes ficaram bem entregues.

2ª fase – Encontrar uma babysitter

Existem, hoje em dia, diversas formas para encontrar babysitters, especialmente com a ajuda das plataformas online que ajudam famílias a entrar em contacto com babysitters nas proximidades. Essa não é a parte complicada.

A parte complicada é encontrar alguém em quem confie e que se enquadre na sua família. Isto para não mencionar o facto de várias mães e pais ficarem nervosos com a ideia de encontrar babysitters online e considerarem impossível a ideia de confiar num estranho da Internet. Por isso, para que consiga dar tranquilamente o primeiro passo porta fora, deixando o seu filho com uma babysitter que encontrou online, é preciso encontrar a pessoa certa.

E como se encontra a “pessoa certa”?

Uma poderá ter várias referências e experiência. Outra poderá cobrar um valor mais acessível, mas ter menos experiência. Uma outra poderá ainda ser perfeita, mas viver na outra ponta da cidade e não ter carta de condução, dificultando marcações de última hora. Todas têm os seus prós e contras, então como escolhemos?

3ª fase – Conhecer a babysitter

Conhecer primeiro as potenciais babysitters é uma das melhores formas de encontrar a pessoa certa para si. Aproveite esta oportunidade para discutir alguns requisitos. Se não tiver negociado isto antes de conhecer a babysitter, determine o valor a ser cobrado pela mesma. Qual é o valor por hora? Aceitará a babysitter um valor mais baixo se tudo o que tiver de fazer é sentar-se no sofá enquanto a criança dorme? Dependendo do que lhe pedir, esta poderá aceitar reduzir o valor.
Os valores são, evidentemente, importantes, mas não são a única coisa que deve ter em conta quando procura por uma babysitter.

4ª fase – Entrevistar a babysitter

Uma técnica importante para a avaliação da babysitter é fazer-lhe perguntas difíceis. Esta pessoa irá ficar a cargo dos seus filhos, por isso não tenha hesitações e não deixe nada por saber. Pergunte-lhe sobre como gere uma emergência e peça-lhe que conte a sua pior experiência de sempre como babysitter. Arme-se em Sherlock Holmes e tente ler nas entrelinhas. Não se esqueça de apresentar e explicar todas as regras, mencionando as zonas fora de limite da sua casa e o que não deverá ser feito.

5ª fase – observar a babysitter

Outra maneira de perceber se a babysitter se adequa à sua família é assistindo à interação desta com os seus filhos, à sua frente. Traga-os quando se for encontrar com a potencial babysitter e veja se existe uma ligação. Cumprimenta a criança ou apenas os pais? Sorri para as crianças, faz-lhes algumas perguntas e tem uma atitude acessível?
Saber que está a deixar os seus filhos com alguém que eles já conhecem e com quem se sentem à vontade pode tranquilizar muito o passo porta fora, em direção a uma noite relaxada e sem filhos.

Escrito em colaboração com Babysits, a comunidade de babysitting em Portugal

Férias com filhos: expectativa vs realidade

Como eu queria (e merecia, porra) que fossem as minhas férias

Não ter hora para acordar. Uma praia paradisíaca com areia branca e água quente. O sol a queimar-me a pele. Almoços com vista para o mar. Uma pulseira de livre-trânsito para o bar no pulso e um cubano a servir-me daiquiris. Massagens relaxantes no spa do hotel. Jantares demorados, mergulhos na piscina fora de horas e sexo sem hora marcada. Muito sexo.

Como vão ser as minhas férias

Os miúdos vão acordar antes das sete da manhã. Eu e o meu marido vamos ver quem finge durante mais tempo que não os está a ouvir.

Não evitando o inevitável, levantamo-nos da cama, tomamos o pequeno-almoço, vestimos os fatos de banho, metemos protetor solar. Agarramos em dois chapéus-de-sol e chegamos à praia quando ainda está aquele friozinho da madrugada.

Estendemos as toalhas. Despimos os miúdos que vão gritar que está frio (eu não tinha reparado) enfiamos os chapéus naquelas cabeças e gritamos dezenas de vezes para que não os tirem.

Vamos estar em alerta constante para eles não correrem para a água sozinhos e para não falarem com desconhecidos. Não podemos esquecer-nos de reforçar o protetor solar enquanto os miúdos esperneiam que querem ir encher outra vez o balde com água e assim que começa a ficar aquele calor capaz de nos tirar a cor de lixívia das pernas, temos que pegar nas toalhas onde não sentámos o rabo, nos baldes e pás e ancinhos e o diabo que eles quiseram levar para a praia e regressar a casa a tempo de aturar várias birras de sono.

Um faz o almoço, o outro dá os banhos. Pomos a mesa, almoçamos com as birras a atingir o auge do cansaço e tiramos à sorte quem se vai deitar com eles a dormir a sesta até chegar a hora em que o sol já não queima para irmos para a praia outra vez.

Chegada a hora lanchamos, vestimos os fatos de banho, metemos protetor solar sabe Deus porquê, que a esta hora o sol já nem cócegas faz, pegamos num chapéu-de-sol e lá vamos nós.

Chegamos à praia cheia de miúdos a correr por todo o lado. Encontramos por milagre um espaço para estender as toalhas. Despimos os miúdos. Enfiamos os chapéus naquelas cabeças e gritamos dezenas de vezes para que não os tirem (onde é que eu já li isto?).  Vamos estar em alerta constante para eles não correrem para a água sozinhos e para não falarem com desconhecidos. Vamos estar de rabo para o ar a fazer piscinas à beira mar e com sorte damos um mergulho ou dois.

Quando até estamos a gostar de estar ali, os miúdos vão estar a arrastar-se de sono e pegamos nas toalhas onde não nos deitámos a ler um livro, nas bolas, baldes, conchas e quilos de areia e regressamos a casa para mais um dose de banhos, birras e o Deus nos ajude do costume.

Jantamos, adormecemos os miúdos e com sorte vamos sentar-nos no terraço a beber uma bebida qualquer que comprámos no supermercado. Porque não, não temos um cubano a servir-nos daiquiris, enquanto deitamos conversa fora até admitirmos que estamos exaustos e irmos dormir sem termos sexo.

Faltam quinze dias para as minhas férias.

Sim, estou a contar? Porquê? Porque sou parva, os pais não têm férias. A única diferença entre as férias e os dias normais é que aturamos os miúdos num lugar diferente.

Não, eu não educo os meus filhos para o feminismo.

Eu educo-os para serem corajosos, independentes, honestos e para que se respeitem e respeitem os outros.

“- Mãe, estás a fazer o jantar porquê? É o pai que costuma fazer o jantar.”

Quando alguém diz que os rapazes devem ser educados para o feminismo eu hesito entre bater com a cabeça na parede ou respirar fundo e perguntar como é que funcionam as coisas lá em casa.

Eu explico, sou mãe de um rapaz e de uma rapariga e ambos recebem a mesma educação e o mesmo exemplo. E o exemplo começa pela igualdade e o respeito entre o pai e a mãe. Em nossa casa o aspirador e o pano do pó não são propriedade da mãe, o pai lava a loiça, faz o jantar, vai às compras, leva os miúdos à escola e ao médico e trabalha, como a mãe. Não existem tarefas da mãe e tarefas do pai. Não existe a figura autoritária do pai e a figura permissiva da mãe. Não existem ameaças físicas nem psicológicas, não existe violência física nem verbal. Nunca é demais lembrar que filhos que crescem em ambientes abusivos têm grande probabilidade de se tornarem adultos agressores.

As crianças são esponjas e o respeito pelos outros e por si mesmas ensina-se pelo exemplo, por terem uma mãe que trabalha, que é independente, que se respeita e é respeitada e por terem um pai que se rege pelos mesmos princípios.

Recuso-me a educar o meu filho como futuro agressor e a minha filha como futura vítima.

Eu educo-os para serem corajosos, independentes, honestos e para que se respeitem e respeitem os outros. E estes não são princípios exclusivos do feminismo. São pilares básicos para uma sã convivência em sociedade, sem discriminações ou abusos de qualquer género.

Hoje são crianças de três e cinco anos, cujas questões nos aparecem na medida da idade que têm. Outras irão surgir com o tempo, como o valor do seu corpo, a não discriminação das mulheres no local de trabalho, a violência, o assédio, mas se as bases estiverem lá, tenho esperança de que se irão tornar em adultos responsáveis e respeitadores dos outros. E a esperança também entra nestas contas. Os pais fazem a sua parte. Esforçam-se para serem um bom exemplo, com ações e não apenas com palavras, e o resultado será uma mistura desse exemplo, da personalidade dos filhos e de uma boa dose de sorte.

Por isso, não! Não educo os meus filhos para o feminismo. Educo-os para o humanismo.

A tolerância zero que separa pais e filhos

Nos últimos dias têm-nos chegados inúmeras imagens, reportagens e relatos sobre o que se passa na fronteira do México com os Estados Unidos da América. E o que se passa é que, devido à nova política de tolerância zero, todos os imigrantes ilegais apanhados a atravessar a fronteira sem documentos ou em raids de fiscalização, e que se façam acompanhar dos filhos menores, serão levados para responderem por um crime federal. E os seus filhos serão também eles levados, em fila indiana, para tendas no deserto (onde no exterior se fazem sentir mais de 38º) ou para gaiolas de arame, sem saberem o paradeiro dos pais. Sem saberem se voltarão a vê-los. Sem saberem onde estão ou o que está a acontecer, na maioria dos casos.

Nestes campos de retenção onde as crianças aguardam um veredicto chegaram, desde Abril, mais de duas mil crianças. Antes desta política da administração Trump, o que acontecia era a deportação (dos pais e dos filhos) para os países de origem se não houvesse registo de reincidência.

A minha preocupação aqui não é política, a minha preocupação é de mãe.

E ao ver crianças de dois anos a chamarem pelos pais, pelas mães, a chorarem em desconsolo e desespero, não consigo aceitar que isto aconteça. E muito menos no tão chamado país das oportunidades. No país que encabeça a lista dos mais desenvolvidos. No país que é feito de tantas culturas, de pessoas com as mais variadas origens.

Estas crianças estão a chegar da Guatemala, das Honduras, do México, de El Salvador. Estas crianças falam, na sua maioria, espanhol. Nunca ouviram falar inglês.

E estão longe dos pais.

Não imagino o que será ter de tomar a decisão de deixar tudo para trás e arriscar. Para poder procurar um futuro melhor para os meus filhos, para lhes proporcionar paz, segurança, educação. Para sobreviver. Estas pessoas fogem da guerra, da violência armada, da fome, da pobreza extrema, da instabilidade política, da perseguição religiosa. Estas pessoas só querem poder ser pessoas, viver uma vida digna. E muitas arriscam, levando os filhos consigo.

E tantas vezes não conseguem chegar mais longe.

Bem sei que a chegada de milhares de pessoas às fronteiras levanta problemas. Nós por cá, pela europa, temos sido confrontados com a situação dos refugiados e muito se tem falado, discutido, criticado e as soluções a que se tem chegado parecem insuficientes. A mim pouco me importa a política, a mim importa-me o lado humano.

Importa-me que se separem os pais dos filhos.

Houve inclusivamente pais a tirarem a própria vida porque não concebiam a ideia de viver sem os filhos. Porque o que acontece quando forem condenados ao tal crime federal? É tudo tão complexo e injusto e nós somos apenas humanos. Cometemos erros.

“Mas os pais são criminosos!”. Aos olhos da lei até pode ser, mas então precisamos procurar soluções para que não seja preciso cometer um crime para se procurar uma vida melhor (e aqui o crime em causa é andar dias a fio sob um sol abrasador, carregando apenas os filhos, a roupa do corpo e uma esperança cega de que vai valer tudo a pena, muitas vezes pagando por documentos que nunca chegam a existir, tantas vezes extorquidos ao máximo…).

Estamos em 2018 e não é razoável que eu tenha de mudar de canal porque a minha filha percebe que algo se passa e pergunta onde está o pai daquela menina que está a chorar.

E por isso abraço-a. E repito-lhe como somos sortudas. E tento explicar que lá fora há quem tenha vidas diferentes, caminhos diferentes, pessoas a cometerem actos de loucura, de amor, de coragem, para tentarem ter aquilo que damos como garantido.

Abraço-a tanto quanto posso e prometo que se algum dia chegar a nossa vez de tomar decisões, tentarei tomar a melhor. Para que nunca tenhamos de viver separadas quando o natural é andarmos mão na mão.

Haverá sempre alguma coisa que se possa fazer.

Em relação que se passa nos EUA, ao que se passa em Itália e na Grécia, em Espanha. Por todo o mundo.

Informem-se, se acharem que é importante ajudar.

Mas, acima de tudo, abracem os vossos filhos.

Porque num destino paralelo, a esta mesma hora, do outro lado do oceano há quem tenha os seus filhos arrancados dos braços, sem piedade. Quem sabe se para sempre.

Os filhos não são uma segunda edição dos pais. Deixe-os viver os seus próprios sonhos.

Algumas mães – por terem o coração cheio de amor – têm a sensação que a partir do momento em que se tornam mães, tudo vai girar em torno dos seus filhos e, assim, de passo em passo,  as mães parecem perder a sua individualidade e o seu direito a sonhar por si, para sonhar pelos filhos, para crescer pelos filhos.

Sim, os filhos devem estar na linha da frente do coração dos Pais!

Sim, os Pais devem dar o seu melhor pelos filhos, devem questionar-se, devem lutar por eles! Mas nunca os pais devem desistir de si em prol dos filhos!

Quando assim é temos pais mais controladores e ansiosos do que tranquilos. Temos pais que projectam em massa os seus sonhos nos filhos, contaminando a individualidade e autonomia da criança. E se mais tarde a criança não se torna exatamente no adulto que os pais sonharam, acaba-se tudo o que é flexibilidade e abre-se espaço a conflitos abertos. Porque os pais, nessas circunstâncias têm dificuldade em aceitar que deram tudo àquele filho, para ele ser exactamente aquilo que eles sonharam e, esse filho, teve a ousadia de ser aquilo que ele próprio sonha.

Os filhos não são uma segunda edição dos pais. Deixe-os viver os seus próprios sonhos.

Não raras vezes, temos mães e pais que retardam o crescimento dos filhos tentando mantê-los no ninho para sempre, evitando que se tornem independentes e autónomos. Continuam a escolher a roupa que os filhos vestem mesmo aos 14 anos. Evitam que eles pensem por si, pois quando começam a pensar por si, esses filhos que amam profundamente os pais, começam a magoa-los sem querer, só porque sentem ou agem fora daquilo que os pais consideravam expectável.

Quando os filhos saem de casa

Mais tarde, esses filhos, saem de casa e vão atrás dos seus sonhos e os pais ficam de ‘ninho vazio’. Ficam com a ideia que aquele filho não está grato e a retribuir tudo aquilo que os pais lhe deram. Isto porque, no limite, aquele filho está a seguir os seus sonhos e não os sonhos dos seus pais.

E aí, um filho que sempre teve amor sente-se só pela primeira vez. Sente-se incompreendido, e entre a ingratidão que os pais sentem e a solidão deste filho tão amado, pais e filhos afastam-se de coração e soltam as mãos, ficando ambos os lados contaminados, enfraquecidos e tristes.

Em suma, os pais devem sempre investir em si em primeiro lugar. Pais realizados, melhores pais serão. Aprenderão a dar espaço à sua individualidade e aos seus próprios sonhos.

Os Pais são assim, como uma espécie de super heróis, com uma força inigualável e que, por muito que o caminho seja difícil não desistem, são guerreiros! Mas, o grande desafio na viagem da parentalidade é saber amar e proteger, ao mesmo tempo que se dá asas para a criança voar e ser aquilo que ela própria é na sua essência.

Assim, quando cresce, temos uma pessoa que voa sozinha, sempre com o coração ligado aos pais, em plenitude.

Por Cátia Lopo e Sara Almeida Psicólogas Clínicas