A música é um recurso fantástico para envolver as crianças nas aprendizagens e no desenvolvimento das suas competências globais.
Tendo presente os inúmeros benefícios da música no desenvolvimento infantil, e tendo consciente como esta ferramenta é poderosa, ao nível do desenvolvimento da linguagem e da alfabetização precoce, as nossas aulas são momentos de aprendizagem intensa, no entanto, lúdicas, descontraídas e muito divertidas. E não é assim que nos predispomos a prender? De forma motivada e feliz?
Nos primeiros anos de vida, o desenvolvimento cognitivo das crianças dispara. As ligações no cérebro das crianças são formadas a partir do envolvimento de novas experiências e atividades multissensoriais repetitivas, fortalecendo assim essas ligações, sendo este o motivo pelo qual a investigação aponta que este é o período decisivo para a aprendizagem de outra língua.
Sendo assim, antes de os oito anos de idade, as crianças que aprendem outra língua são mais propensas a falar essa língua como um nativo. De fato, crianças que aprendem a falar outra língua como o Inglês, como segunda língua, modificam o cérebro e também fortalecem as competências da linguagem materna, contrariando um mito já desmascarado.

No nosso Studio, desde bebé, que a criança poderá beneficiar de uma aprendizagem cuidada, rigorosa, de qualidade, participando nos nossos currículos bilingues, que utilizam intencionalmente a música e o movimento.

Música e Movimento? Porquê?

Porque as Atividades musicais envolvem todos os sentidos e estimulam o desenvolvimento em todas as áreas do cérebro. Independentemente da primeira língua de uma criança, cada criança fala musicalmente e a investigação mostra isso de forma positiva. A aprendizagem tem um impacto na língua inglesa, incluindo-os de três maneiras:

1. A música estimula a aprendizagem de línguas, constrói a consciência fonológica e aumenta as competências linguísticas.
2. As crianças que aprendem através do movimento revelam uma melhoria nítida na memória.
3. É divertido! (Nunca subestime o poder de diversão e da música quando se trata de envolver as crianças!)

Brain

 

Adaptado de mindsonmusic, by Kindermusik

A escola está a perder os rapazes

Uma corrente de pensadores na área da educação tem produzido investigação muito interessante acerca da tendência que existe nas escolas, para desaprovar a essência dos alunos rapazes.

Ao mesmo tempo, a OCDE, inspirada pela análise do último relatório PISA (programa internacional que avalia a literacia dos estudantes) lança um alerta claro sobre a desigualdade de género na educação. Claro que faz todo o sentido refletir sobre este tema.

Mesmo assumindo que os rapazes podem ser frenéticos, desorganizados e arrebatadores, no sentido em que absorvem muita da nossa energia, parece-me contra natura julgá-los à luz do bom comportamento das raparigas.

E porquê? Uma analogia à leitura explica-o bem: banda desenhada e poesia são diferentes, e isso pode ajudar a perceber porque é que os rapazes se estão a afastar da escola.

Se analisarmos os números, a preocupação cresce: eles abandonam a escola mais cedo, são expulsos da sala de aula com mais frequência, ganham menos prémios de honra, lêem pouco e (não menos importante) acham que estudar é uma seca.

Ser um rapaz normal nas escolas de hoje não é fácil.

O que há alguns anos era olhado como traquinice, hoje merece tolerância zero. Os tempos de recreio diminuíram dramaticamente e já não há espaço (nem agenda) para brincadeiras não estruturadas que permitam aos rapazes gerir a vontade física de explorar o mundo como gostam, à força de correria.

As escolas deveriam fazer uma análise cuidada desta realidade, percorrendo o caminho necessário para recuperar os rapazes que se vão afastando do seu núcleo.

Para combater a desigualdade de género é preciso conhecê-la bem.

Perspetivar o mundo do ponto de vista masculino, pode ser importante para perceber como havemos de envolver mais os rapazes na escola. Um exemplo nada ao acaso: se o objetivo é converter os meninos que lêem pouco, então guardemos a poesia para mais tarde. Os rapazes gostam de ação e aventura. Portanto, esse é o trunfo que devemos usar quando lhes indicarmos um livro para lerem, mesmo que isso vá rasgadamente contra aquilo que pais e professores estejam habituados a praticar.

O mesmo estudo da OCDE demonstra que, aos 15 anos de idade, as raparigas são mais evoluídas na leitura que os rapazes o equivalente a um ano letivo. Vale bem a pena repensar a prática para que diminua esta diferença entre níveis de desempenho.

E agora, as ilustres composições. Se escrever sobre piratas e naves espaciais é muito mais interessante para rapazes do que dissertar sobre a beleza do outono, porque não sugerir-lhes temas que cativam mais?

Admitamos: já sabemos quase tudo sobre o outono, e há muito pouco sobre ele que um rapaz de onze anos queira descobrir. Para além disso, corrigir o que diz o Capitão Gancho deve ser bem mais divertido do que repassar conteúdo sobre as cores da estação.

Ainda bem que não estão convencidos, porque a razão melhor ficou para o final: é preciso apostar na imaginação desta metade de alunos malandros, respondões e com a mania que são engraçados, porque um dia eles irão fazer vida com a outra metade,  serena, contida e metódica.

Desta missão fazem parte todas as filhas, mães e avós do mundo.

Nada como um pouco de poesia para percebermos porque é que a escola tem que chamar a si,os nossos rapazes.

imagem@fasebonus

“No liceu fui sempre um aluno razoável – nunca fui um aluno extraordinário. Estive sempre na Turma A (a dos melhores alunos) e nunca chumbei um ano. Mas também nunca fui o melhor da turma, longe disso, nem nunca tive essa ambição.

Estudava o suficiente para ter notas entre o 12 e o 14. Só excecionalmente chegava ao 16. Mas também era raro ter menos de 10.

Devo confessar que a maioria das aulas não me interessava nada. Era um sacrifício suportar os 50 minutos que duravam e um alívio quando ouvia a campainha que assinalava o intervalo. E o que aprendia nos livros, nas vésperas das provas ou dos exames, também raramente me entusiasmava.

Eu estudava basicamente para passar de ano e não para aprender.

Não percebia por que se estudavam certas matérias – e ainda hoje não percebo, porque nunca me fizeram falta nenhuma.

Para que me serviu aprender as equações de 2.º e 3.º grau, ou os integrais, na matemática? Ou saber resolver aqueles problemas complicadíssimos na física ou na química? E a gramática? Para quê saber identificar o sujeito e o predicado e o nome predicativo do sujeito? Nunca soube isto. Sempre ignorei a gramática. Mas isso não me impediu de ser bom aluno a português, desforrando-me na redação e na interpretação, provando que a gramática não fazia falta nenhuma.

Inversamente, hoje percebo como é importante saber história, e gostaria de saber mais do que sei. História universal e história de Portugal. Como é importante saber geografia, conhecer o mapa-mundo e certos fenómenos da atmosfera. Idem no que respeita à zoologia, à botânica e à geologia: é importante conhecer os animais, as plantas e os minerais.

Mas tudo isto era ensinado de uma forma enfadonha, sem vida, que tornava a aprendizagem uma chatice.

Aliás, há uma coisa básica no ensino que nunca se fez: motivar os alunos para aprender.

Dou um exemplo.

Quando dei aulas no Centro de Formação da RTP, nos anos 70, apareceram por lá uns nórdicos que tinham o seguinte método de ensino: punham câmaras nas mãos das pessoas e mandavam-nas para a rua filmar. As pessoas não sabiam para que serviam os botões, nem como se focava, nem como se enquadrava, mas iam experimentando e tentando perceber como aquilo funcionava. Ora, quando chegavam às aulas e o professor explicava o funcionamento da câmara, os alunos eram verdadeiras esponjas – porque estavam a ouvir as respostas para as dificuldades que tinham sentido. E nunca mais esqueciam as explicações.

Todos nós já passámos por situações parecidas. Quando vamos buscar um carro novo ao stand, o vendedor dá-nos montes de explicações – sobre o rádio, o GPS, as variadíssimas funções, os programas automáticos, a abertura do capot, etc. – mas quando pegamos no carro e começamos a andar já não nos lembramos de metade das explicações.

Porém, se uns dias depois voltarmos ao stand e o vendedor repetir a lição, absorvemos tudo – porque estamos a obter respostas para aquilo que não conseguimos fazer.

O ensino devia ser assim: haver um período de preparação para aprender. As aulas seriam muito mais produtivas, os alunos perceberiam o porquê de estarem a aprender certas matérias.

Há no ensino coisas que se ensinam a mais e outras que se ensinam a menos. Talvez não acreditem, mas no curso de Arquitetura não havia nenhuma cadeira sobre a história da arquitetura portuguesa. Ou seja: nós, jovens candidatos a arquitetos, não tínhamos nenhuma ideia sobre a arquitetura que se fazia em Portugal nem sobre a sua evolução ao longo do tempo. Como não havia visitas a obras nem a ateliês de arquitetos. E, no entanto, aprendíamos pormenores ínfimos sobre maneiras de construir na Idade Média.

Julgo também que deveria haver uma muito maior articulação entre a escola e a vida.

Nos dias de hoje há muita gente a viver sozinha. E já não há ‘criadas de servir’, como havia no passado. Então, por que não incluir no ensino aulas de culinária, noções básicas de cozinha? Seria utilíssimo para todos. E não seria bom conhecermos melhor o funcionamento das casas que habitamos? Havendo cada vez menos gente para fazer certos serviços, por que não ensinar aos alunos noções básicas de trabalhos domésticos: como arranjar uma torneira, como usar um berbequim, como pendurar um quadro, como consertar uma tomada elétrica, etc.? Ao longo da vida todos poderiam experimentar a utilidade destes ensinamentos. Tal como certas noções de bricolage.

E conselhos de alimentação. Ou noções básicas de economia: juros, impostos, dívida soberana, inflação, balança comercial, etc . Estamos constantemente a ouvir estes palavrões na TV; ora, não seria mais útil aprender isto do que as equações de 2.º e 3.º grau?

Finalmente, há uma disciplina que deveria ser enormemente valorizada: o desenho. Em certas situações, é mais importante saber desenhar do que saber escrever. Quantas vezes já não ouvimos dizer: «Eu desenho muito mal, mas vou tentar…»? Saber exprimir ideias através de desenhos e outros elementos gráficos valoriza imenso a capacidade de comunicação de uma pessoa.

Em abono do atual ensino, diz-se que muitas destas coisas que aprendemos e nunca voltamos a usar são importantes porque dão ‘ginástica mental’. Discordo. As outras coisas que aprendêssemos em vez destas também dariam essa ginástica, com a vantagem de adquirirmos conhecimentos que se encaixariam na vida quotidiana e que estaríamos sempre a usar.

Um ensino mais ligado à vida, em que os alunos percebessem a utilidade do que estão a aprender e fossem previamente estimulados para absorver, que lhes desse competências mínimas para seguir uma especialização profissional mas também para funcionarem melhor no quotidiano, para serem mais auto-suficientes, menos dependentes, seria muito mais útil e motivador.

Mas caminhamos em sentido contrário. A introdução do computador na escola, por exemplo, parecendo um avanço, é um disparate – como explicava um dia destes Castro Caldas no SOL. Há certas zonas do cérebro que, quando não se desenvolvem na altura própria, morrem. Os jovens, com as calculadoras e os computadores, qualquer dia não sabem fazer de cabeça contas básicas de somar e dividir.

Ora saber a tabuada é uma daquelas coisas de que se percebe imediatamente a utilidade.

Todos os dias, quando vamos ao restaurante com colegas ou amigos e temos de dividir a conta, recorremos à cabeça para fazer o cálculo – e constatamos a importância de saber de cor a tabuada.

É isto que se pede ao ensino: dar ao nível básico conhecimentos que estejamos constantemente a utilizar, que nos permitam agir melhor e compreender melhor a realidade em que vivemos.

Depois, cada um desenvolverá esses conhecimentos de acordo com as suas capacidades, ambições e preferências.”

Por José António Cabritajas@sol.pt, publicado no Sol, a 19.11.2015

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Lecionar currículos em Inglês e proporcionar às crianças a oportunidade de iniciarem aprendizagens bilingues precoces, é um desafio não só como profissional, mas como mãe.

Como mãe, não poderia estar mais feliz com a aposta pedagógica que proporciono, e a oportunidade de introduzir o meu filho ao Inglês desde que nasceu!

Com 6 semanas de idade, o meu bebé participava nas aulas Kindermusik que leciono para bebés. Muito cedo começou a identificar imagens indicadas em Inglês e em Português e a reproduzir pequenas instruções dadas em Inglês, como por exemplo: “blink your eyes”, “touch your nose”, entre outras. Muitas vezes utiliza palavras em Inglês para descrever o seu pensamento e agora que tem 3 anos, é muito frequente encontra-lo a falar em Inglês de forma espontânea, com os seus brinquedos durante os seus momentos de brincadeira livre.

Como profissional, tenho a oportunidade de ver crianças de tenra idade envolverem-se em aprendizagens que saem do que é convencional e esperado…

Compreender conteúdos em Inglês e manifestar conforto face à língua e ao discurso utilizado, ser capaz de passar da compreensão da palavra, à sua utilização complexa! Simplesmente…. ADORO, ou para utilizar uma expressão de acordo com o meu dia-a-dia, “I JUST LOVE IT!”

No entanto, deparo-me com desafios que se prendem sobretudo com mitos que envolvem o ensino bilingue, e não só profissionalmente, mas mesmo como mãe, quando alguns amigos me questionam do porquê inserir o meu filho a estas aprendizagens.

Alguns dos mitos mais comuns são:

  • Se ainda não fala em Português, para quê falar Inglês?
    “The sooner, the better!” Esta é sem dúvida a resposta! Quanto mais cedo a criança estiver envolvida na aprendizagem da segunda língua, mais natural será para ela compreender e falar essa língua. Outro benefício de introduzir precocemente a criança a outras línguas, é que se está a abrir horizontes à criança, a permitir que tenha contacto com outros códigos linguísticos, culturas e acima de tudo, a proporcionar vivências numa sociedade cada vez mais globalizada.
  • Será que as crianças bilingues começam a falar mais tarde do que as crianças que aprendem apenas uma língua?
    Não existe evidência científica que comprove esta afirmação, mas é natural que a criança demore um pouco mais a processar dois códigos linguísticos. No entanto, a criança que está a viver em ambiente bilingue, tem oportunidade de ter um desenvolvimento cognitivo maior, conforme vários estudos comprovam, além do que aumenta a sua capacidade de processamento da linguagem.
  • Será que as crianças bilingues têm mais dificuldade de aprendizagem escolar face às crianças que dominam apenas uma língua?
    Antes pelo contrário, as crianças bilingues têm um processo de aprendizagem mais desenvolvido do que as crianças que falam apenas uma língua, pois quando a criança escuta e processa mais do que uma língua em simultâneo, está a desenvolver áreas do cérebro que não seriam trabalhadas se só pensar e falar numa língua.
  • As crianças aprendem línguas porque são “esponjas”! 
    As crianças têm a capacidade de apreender os códigos linguísticos e as estatísticas dos sons das várias linguagens a partir dos 8 meses de idade, ao passo que os adultos têm uma cultura de ouvintes, o que torna mais difícil a aprendizagem de novas línguas.

Certamente, estes mitos são reflexo daquilo que os adultos sentem face às aprendizagens e, inevitavelmente projetam para os bebés que aprender mais do que uma língua possa ser extremamente difícil e que possa ser algo confuso para o seu cérebro e desenvolvimento cognitivo e linguístico.

Por esse motivo, gostaria de apresentar uma das referências mundiais da atualidade ao nível dos estudos relacionados com o desenvolvimento da linguagem e o desenvolvimento cerebral dos bebés é Patricia Kuhl, Codiretora do Institute for Brain and Learning Sciences at the University of Washington.

Numa apresentação, intitulada “The linguistic genius of babies”, Patricia Kuhl explica como o processo linguístico se processa nos bebés. Segundo esta investigadora, a linguagem tem um periodo crítico de aprendizagem, e os bebés e as crianças são génios até perfazerem os 7 anos de idade.

http://www.ted.com/talks/patricia_kuhl_the_linguistic_genius_of_babies

Nas aulas que leciono, o Inglês é ensinado de forma lúdica e emocionalmente envolvente.
As crianças despertam para o novo código linguístico “in such an easy way!” 
Músicas, canções, danças de roda, exploração de instrumentos musicais, exploração de brinquedos, histórias, rimas, jogos e muito mais, fazem de cada aula, um momento de enriquecimento pedagógico e que, intencionalmente, estrutura o cérebro do bebé e das crianças, num desenvolvimento global e harmonioso.

You just have to come and find the perfect class for your child’s age!

Ana Almeida. para Up To Kids®
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TPC – Trabalhos de casa ou uma carga de trabalhos?

Há palavras que fazem mais sozinhas do que frases inteiras, todas juntas. É o caso. O adjetivo ‘solene’, por ter em si duas derivações opostas, é o que mais se assemelha à atualidade do nosso mundo escolar, isto é, duas formas de agir, e de reagir, dentro do mesmo conceito. Respeito e aparato. Dois sentidos diferentes, o mesmo significado.

Assim vai a nossa escola, baralhando tudo.   Pais e professores, dois grupos inseparáveis na formação das crianças enquanto indivíduos, duas pedras basilares que contribuem em pé de igualdade para o seu desenvolvimento, são muitas vezes a causa, e o efeito, que transforma aquilo que deveria ser importante, calmo e majestoso, (solene) num aparato estridente e confuso que nos funde a todos, educadores e educandos, numa espécie de anel apertado de regras e deveres, que a todos desgasta e consome, causando um atrito que faz separar os grupos que mais se deviam unir.

Cresce a distância entre aquilo que é o papel da escola e aquilo que é o papel da família, sendo cada vez mais visível a mistura de papéis, e a confusão das crianças.

Quero com isto dizer que, da mesma forma que os professores foram confrontados com um aumento da permanência das crianças na escola, também eu sou diariamente confrontada, para não dizer obrigada, com/a desenvolver tarefas escolares que apesar de serem da minha filha e pertencerem ao espaço da escola, me são servidas por altura do jantar, como se fizessem parte do meu menu diário.

Na verdade sinto-me cada vez mais refém da vida escolar da minha filha, e posso mesmo afirmar que a nossa relação se vem deteriorando a cada dia por razões totalmente impostas pela escola. O meu caso não é único, e são grandes as diferenças entre professores.

Os trabalhos de casa, imensos, diários e repetitivos – que não acrescentam em nada à aprendizagem ou à evolução escolar da minha filha, isto se pensarmos que está 8 horas dentro de uma escola (e mais de dois terços dentro da sala de aula – vêm ocupar um tempo que é meu! Ora se a criança necessita dos dois grupos basilares (escola e família) para se fazer enquanto indivíduo, há aqui uma notória usurpação por um dos grupos na educação da minha filha, e como a balança pende totalmente para a escola, o desequilíbrio surge na família.

A escola e a família

A escola impõe-se à família através dos trabalhos de casa, e isto é desrespeito, quando deveria ser solene. Oiço dizer que as crianças são mal-educadas. Pois são. E serão. A razão radica tão-somente no papel da família, sem tempo e sem fulgor, tão reduzido e tão mínimo que é quase imperceptível na identidade da criança. É como se a criança fosse obrigada a trabalhar sempre através da escola, sem descanso, tornando-se prisioneira do seu próprio desenvolvimento, prisioneira do saber académico.

A minha filha de oito anos quando chega a casa deveria ter o tempo que lhe resta para absorver a educação filial, dos afetos, das brincadeiras, dos ensinamentos, das emoções, mas não, a minha filha chega a casa para continuar os ensinamentos da escola. Além de ser excessiva esta espécie de formatação académica, a escola está a cometer um grande e perigoso erro: rouba-me o tempo e enfada e satura a criança, que a curto prazo pode criar anticorpos contra a escola e vir sofrer de falta de criatividade, isto é, falta de liberdade para brincar, tempo para pensar, tempo para si enquanto indivíduo, impedida de estar sozinha, enfiada que está num meio coletivo, numa aprendizagem unilateral, pejada de números e letras, em cadernos enfadonhos e sem cor.

«O meu tempo de mãe é-me assim roubado por três composições, quatro tabuadas e contas ambíguas de somar.»

O meu tempo de mãe é-me assim roubado por três composições, quatro tabuadas e contas ambíguas de somar. E é aqui que entra o aparato. Porque eu disparato.   E disparato com a miúda, que não sabe escrever como eu, que a cada palavra apaga, a cada conta erra, porque são dez e meia da noite e o texto ainda vai a meio. E eu tenho o saco cheio. E só me apetece é ralhar com a professora, coitadinha da senhora, que até é minha amiga. Como disse lá atrás, sinto que a escola está a educar a minha filha, mas não só.

A escola com a sua mania de mandar trabalhos para casa, especialmente esses travestidos de Natais, São Martinhos, dias de Mães e de Pais, e com a sua rocambolesca teoria de que só assim se consegue que os (irresponsáveis) pais façam algumas atividades em conjunto com os filhos, está no fundo a dar palpites e a impingir-me um tipo de relação que não quero ter com a minha filha. E vou mais longe, está a tentar ensinar-me como devo relacionar-me com ela.

A escola, ao tentar unir os pais aos alunos, com cópias e ditados ‘inocentes’, está sim a separar a família dos filhos e ainda mais os alunos da escola. Desde que a minha filha começou o seu longo percurso escolar, há três anos portanto, que tenho escola por todo o lado.

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Com a entrada no 1º ciclo, muitas são as dúvidas e expetativas dos pais em relação ao desempenho escolar dos seus filhos.

Não há dúvida que todos os pais querem o melhor para os seus filhos e com a escola não é exceção, também aqui esperam que os seus filhos não só venham a ser bons alunos como também alunos dedicados.

Mas por vezes quando as matérias começam a complicar e exigem maior concentração e dedicação por parte dos alunos, o cenário altera-se e é aqui que fica difícil perceber o que fazer para inverter a situação.

Antes demais, enquanto pais devem desde cedo proporcionar um ambiente de estudo adequado em suas casas.

É importante, mesmo quando eles ainda são pequeninos – 4/5 anos –, habituarem-se a ter um espaço em casa para aprender coisas novas e que o reconheçam como tal no futuro. Quando a criança chega à idade escolar, vai com certeza escolher esse local como o ideal para fazer os trabalhos da escola ou estudar. Claro está, que é sempre importante que os pais o acompanhem nesse processo e acreditem que as dificuldades são muitas vezes ultrapassadas, ou até mesmo evitadas, se desde tenra idade os pais explicarem a importância de estudar para a vida futura da criança. Assim, vão crescer e valorizar a importância da escola.

Ler também Muito estudo e pouco resultado? Estratégias para desenvolver com o seu filho/aluno

Quando ainda assim, as dificuldades persistem, não desistam dos vossos filhos:

  • Conversar com o seu filho para perceber o porquê das dificuldades: “O que é que se anda a passar para andar mais distraído?”; “Aconteceu alguma coisa na escola?”; etc;
  • Fazer uma retrospectiva da vossa vida nos últimos tempos a fim de perceber se houve algum acontecimento que possa ter desencadeado essa falta de atenção, falta de interesse;
  • Entrar em contacto com o Professor Titular ou com o Diretor de Turma e marcar uma hora de atendimento – lembrem-se que o envolvimento escola/família é fundamental;
  • É importante evitar o castigo, a punição, valorizem sempre a Educação pela Positiva – procurem sempre recompensar o esforço através de elogios, do reconhecimento, de pequenos prémios como mais 15min de T.V. (em vez de a “tirar” por completo), um passeio no fim de semana ao local preferido dele, ser ele a escolher o jogo para jogar em família, ser ele a escolher a comida na 6f , entre outros.

Para além de tudo isto, é fundamental darem o “exemplo” aos vossos filhos. Ou seja, não os queiram pôr a estudar, principalmente os mais pequeninos, enquanto assistem a um filme ou um jogo na televisão, por exemplo. Nessa altura, arranje qualquer coisa para fazer (organizar contabilidade, porque não; ou ler um livro/jornal) e sente-se com ele, vai ver que atitude muda completamente.

“Aprender” é desenvolvermo-nos, é tornarmo-nos adultos mais capazes.
Ajudem os vossos filhos a olhar para a escola de uma forma mais positiva.

imagem de capa@social.ukmedia.cz

Márcia Fidalgo, Professora de Educação Especial