
Por Maria da Conceição Gigante, do Blog Educarcomtalento
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Eu tenho um sonho. Um grande sonho. Um grande desejo para todas as crianças. Um desejo para toda a humanidade. Um sonho que vive comigo desde que eu própria era uma criança. Um desejo que se tem agitado mais e mais e mais rápido dentro do meu coração, bem lá enraizado, no fundo do meu espírito, ao longo dos anos.
E eu estou certa, tão certa como estou de que as estrelas brilham no céu da noite escura, que este sonho, como qualquer outro sonho, é possível. Este sonho, este grande, este enorme desejo que vive comigo desde que me lembro, pode tornar-se realidade.
O universo movimenta-se tantas vezes de forma misteriosa e sempre consegue colocar diante de nós situações, pessoas e desafios para nos ajudar a evoluir. Situações, pessoas e desafios com a finalidade específica de fazer- nos crescer. De mostrar-nos uma perspectiva diferente da vida.
Situações, pessoas e desafios com a finalidade específica de ajudar-nos a colocar tudo o que vimos, acreditámos ou pensámos até agora, em causa. E é maravilhoso quando temos realmente a coragem suficiente para nos questionarmos.
Para questionarmos o que sempre considerámos certo, é preciso coragem e audácia. Somos forçados a deixar a nossa zona de conforto e dar um salto no escuro para terreno desconhecido.
No entanto, para mudar, para evoluir, temos de ser fortes e corajosos. Todos nós podemos aceitar e abraçar a mudança, se estivermos dispostos a mudar por dentro.
Eu tenho um sonho. Um sonho que orienta a minha jornada ao longo da minha passagem. Um sonho que toma diariamente controlo total da minha vida. Um sonho que cresce a cada dia de cada vez que eu abro os olhos de manhã. E é ainda maior quando fecho os olhos para dormir. Um sonho que me trouxe aqui. Até hoje. Até este momento. Até estas palavras. Até si.
E não há sonho que se possa tornar realidade de forma mais rápida do que o meu sonho. Porque é um sonho de paz. É um sonho de amor. E todos nós possuímos essas qualidades dentro dos nossos corações. Nós todos temos paz e amor dentro de nossos corações.
Ninguém nasce com o potencial para qualquer outra coisa, a não ser para o amor. Ele pode estar escondido ou ainda não ter sido descoberto. Mas ele está lá. Eu sei que ele está lá. Basta olhar para dentro de nós mesmos para encontrá-lo.
Eu tenho um sonho.
Um sonho para que a paz reine em cada casa e em cada espaço onde crianças estejam presentes. Um sonho de ver as crianças livres de desrespeito, agressividade e violência. De qualquer espécie. De todos os tipos. Total e completamente livres. Um sonho de ver sorrisos nos olhos que não escondam dor, vergonha ou mágoa, mas sorrisos nos olhos que irradiem felicidade, paz e cabeças limpa de despojos.
Eu sonho que todos os adultos aprendam a baixar a voz e a guardar as mãos para si de todas as vezes que estejam na presença de uma criança. Eu sonho que cada criança seja educada com respeito pela sua individualidade. Para que cada criança seja criada com amor.
Eu desejo a todas as crianças do mundo uma educação pacífica. Eu sonho apagar os danos, a dor e o constrangimento das mentes, corpos e almas de todas as crianças. Eu sonho para que todos os adultos aprendam a parar, a admirar, a honrar, a respeitar, a confiar, a ser compassivos, tolerantes e solidários para com as crianças. Porque é isso que é o amor.
Estou certa de que este sonho pode tornar-se realidade tão rapidamente como cada um de nós está disposto a fazer uma mudança no nosso próprio espírito. No nosso próprio coração. Na nossa própria casa. A cada acordar. A cada adormecer. A cada palavra. A cada gesto.
O meu sonho pode tornar-se realidade tão rápido quanto estivermos dispostos a crescer e a fazer a diferença na vida dos nossos próprios filhos. Apesar dos desafios. Independentemente das contingências. Apesar das condições ou das situações da nossa vida.
Nós somos os únicos responsáveis por criar almas, mentes e corpos saudáveis e seguros, conscientes de que cada uma das nossas acções, cada uma de nossas palavras têm uma repercussão sobre toda a formação emocional das crianças. E nós somos responsáveis por passar um legado de amor às novas gerações.
Vamos abraçá-lo como nosso dever. Como o nosso propósito de vida. Independentemente de tudo o que possa surgir no caminho.
Que Todos Os Seus Sonhos Se Concretizem,
Há dias difíceis. Dias em que mal temos paciência para nós, mas é importante lembrar que estamos a construir mundo, o mundo das nossas crianças. O mundo em que se vão formar, em que estão a ganhar raízes para serem gente, em que estão a aprender a relacionar-se com os outros e, acima de tudo, consigo mesmos.
Eu própria sou uma mãe que às vezes tenho de respirar fundo, lembrar-me que a minha filha é um bebé, que não compreende tudo e que estou a aprender com ela mas, principalmente, estou a ensiná-la. E é isso que me faz tentar ser melhor, agir melhor, ter mais paciência, agir segundo a velha máxima de tratar os outros como gostaria que me tratassem e, mais importante ainda, tratar a minha filha como gostaria que os outros a tratassem.
Não temos de ser sempre exemplos perfeitos porque erramos, somos humanos e isso dota-nos de uma falibilidade com que também aprendemos. Mas podemos sempre tentar mais.
No outro dia, na sala de espera para entrar para a consulta de pediatria, estava um casal com um bebé de cerca de um ano. O bebé estava no carrinho e todas as outras crianças da sala estavam no chão, a explorar o espaço, a brincar na área preparada exactamente para isso com material lúdico para os miúdos. O bebé, encantado com aquela agitação, pedia à sua maneira para descer do carrinho. Esticava os braços a pedir que o tirassem dali. A certa altura, começou a choramingar. A mãe, visivelmente enfadada, acabou por o tirar do carrinho, olhou-o nos olhos ainda ao colo e disse-lhe, altiva: Estou a tirar-te daqui porque quero e não porque estás para aí a choramingar.
Já muito se falou de os pais, principalmente as mães, se julgarem muito. Tento não o fazer, mas naquela situação custou-me. Senti que aquela criança deve ser educada naquela base, que apesar de não saber comunicar de outra forma, lhe vão dando permissão para umas coisas e não outras porque querem e não porque isso a deixa feliz (à criança). Pensei que provavelmente até pode ser um bebé que chora muito (não parecia, mas nunca sabemos o que se passa nas vidas dos outros…), que os pais pudessem ter tido uma noite difícil, que estivessem cansados. O seu comportamento é desculpável mas não posso dizer que seja – para MIM – o ideal. Tive vontade de me aproximar e dizer que dava um olhinho enquanto ele brincava com a minha filha, para eles ficarem descansados, mas sei que isso não seria bem aceite.
Há uma semana, no parque onde costumo levar a minha filha ao final da tarde, estava uma rapariga mais velha, com os seus sete anos, a correr contente e feliz, de um lado para o outro. A mãe estava fora do recinto do parque, ao telemóvel, irritada. Dizia-lhe para andar e não correr, para não subir ao escorrega, que tinha os sapatos cheios de pó (inevitável quando o chão é feito de pedrinhas), que estava corada, a transpirar e se ia constipar, que mania que ela tinha de andar sentada no chão. Pensei imediatamente que a miúda estava a fazer tudo o que era suposto: a brincar com os equipamentos, não estava a aborrecer ninguém, estava tão feliz e divertida e tudo isto a brincar sozinha. E mesmo assim a mãe não estava satisfeita. Como já disse, há dias em que não temos cabeça, não estamos disponíveis. Temos direito a esses dias. Mas se sabemos que é assim, então é uma questão de optar por os levar para casa e os deixar brincar com coisas que não necessitem de companhia e acompanhamento. Mais fácil dizer que fazer? Provavelmente. Provavelmente também, aquela mãe mesmo tendo um dia mau – que era visível que estava a ter – preferiu levar a filha ao parque, já que não tinha culpa do seu mau dia. Mas depois não conseguiu relaxar, não se deixou levar pela energia positiva dela. Pena.
Estes são dois exemplos daquilo que vejo e me deixa a pensar. Como será que a minha relação com a minha filha é vista por quem está de fora? Mais importante, como é vista por ela?
Tento, mesmo com todos os meus defeitos, que as coisas boas sejam sempre em número superior às coisas más, que a mensagem que passa seja a mais positiva possível.
Às vezes não consigo. Fica a nota mental para que seja a excepção.
Podemos sempre ser melhores pais.
Os nossos filhos agradecem.
imagem@weheartit
Sir Richard Branson disse sabiamente que quando somos pais “deixamos de ser a imagem e passamos a ser a moldura”. Não porque tenhamos de ser pais perfeitos ou porque deixemos de importar. Pelo contrário.
Devemos querer, a cada dia, ser a melhor versão de nós próprios. Para que possamos ensinar aos nossos filhos a serem a melhor versão de si próprios.
Não para nos agradar, para ter a nossa aprovação ou para impressionar os outros.
Mas por eles próprios, para que, como seres independentes e livres que são, possam alcançar os seus sonhos e objectivos – presentes e futuros – com integridade, valores, sabendo distinguir o certo do errado, o que querem e o que não querem. Essencialmente com a confiança e a segurança de que serão capazes. Porque nós lhes ensinámos isso com o nosso exemplo. E quanto mais cedo começarmos, melhor.
É fácil deixarmo-nos levar pela rotina dos dias. E acomodarmo-nos ao que existe. Tantas vezes, sem querer. Tantas outras sem sequer darmos por isso. Simplesmente deixamo-nos levar e quando damos por nós, passaram meses, anos.
E sem querer, vemo-nos parados no meio de um trilho poeirento.
Olhamos para trás para tentar descortinar onde foi que tudo começou, onde foi que nós ficámos, onde foi que ficou a pessoa que éramos quando vimos o rosto do nosso bebé pela primeira vez, como nos tornámos as pessoas que somos hoje, os pais e as mães que somos hoje.
Mas, por alguma razão, parece que já não se consegue ver o início do caminho onde nos encontramos.
Mas consegue-se.
Volte atrás e siga estes passos. Verá como mudarão a sua vida. E a sua relação com os seus filhos.
Pode parecer uma tarefa árdua e trabalhosa a mudança. No entanto, desprender-se dos traços que o (a) prejudicam – a si próprio interiormente e na sua interacção com os outros – e iniciar um caminho na direcção da pessoa que realmente quer ser, do pai ou mãe que quer ser, que sempre desejou ser, é o primeiro grande passo para se tornar mais consciente, uma pessoa mais calma, menos afectada pelos turbilhões de estímulos e exigências exteriores que o(a) rodeiam.
Primeiro tem de pensar sobre o seu propósito. Precisa de descobrir qual é o seu papel, qual é o seu objectivo, a sua missão enquanto pai ou mãe. Transporte-se para aqueles momentos em que desejava ardentemente ser pai ou mãe. Recorda-se? O que planeava na altura? Que tipo de pai ou mãe dizia que seria? Qual é que acha que é a sua missão enquanto pai ou mãe? O que o(a) motivou a querer ter filhos?
Depois de descobrir o seu propósito principal enquanto pai ou mãe, depois de encontrar as respostas que lhe fez chegar a esse lugar onde está agora, defina o seu propósito. Decida que passos quer dar a partir de agora. Decida o que quer mudar. Trace um plano.
Para definir o seu propósito, olhe para si. Bem para dentro, para que possa conectar-se totalmente com quem é, com quem quer ser.
Defina o seu propósito de forma clara e ao pormenor, pois ao definir o tipo de pai ou mãe quer ser, já está a ganhar consciência e a criar essa realidade. Uma nova realidade para si mesmo(a) e para a sua família.
Estará a redefinir – ou talvez a definir pela primeira vez – o seu objectivo e a sua missão como pai ou mãe. E, na verdade – talvez pela primeira vez – esteja a reconhecer e a constatar que tipo de relacionamento tem com os seus filhos e que relação quer ter.
Agora sabe um dos maiores segredos dos pais pacíficos.
Todos desejamos ser a melhor versão de nós próprios. E enquanto pais, isso não poderia ser mais importante.
É importante não apenas para nós, mas porque estamos a guiar pessoas pequenas que precisam de uma liderança segura, emocionalmente estruturada, baseada na compreensão e na empatia. Na segurança emocional. No respeito e no amor.
Pesquise sobre a parentalidade pacífica. E veja como e porque é que este tipo de parentalidade funciona.
Faça seu objectivo de vida cumprir o seu propósito. Agora é o momento em que vive. Agora é o momento que pode escolher quem quer ser, o pai ou mãe que quer ser.
Sermos pais pacíficos é uma escolha diária. Uma escolha.
Seja a pessoa que quer ser. Seja o pai ou mãe que que quer ser. Livre-se das suas próprias correntes que o(a) deixam encarcerado(a) no seu passado. Ofereça aos seus filhos quem você realmente quer ser. Ofereça-lhes o seu melhor lado. A sua essência mais sensível, a sua compreensão. A sua ajuda.
A gratidão é um dos grandes passos da mudança. E é um dos grandes segredos dos pais pacíficos. Quando somos gratos, desapegamo-nos de sentimentos de controlo e abrimo-nos a uma serie de outros sentimentos que vivem mesmo abaixo da superfície. Sentimentos como a flexibilidade, a empatia, a aceitação. Que de alguma forma e por algum motivo que só você pode saber, não deixa que saiam cá para fora.
Como uma promessa, um juramento, uma declaração solene, é de extrema importância que tenha um compromisso escrito, um contrato onde se compromete à sua finalidade, aos seus objectivos para com os seus filhos. Escrever e assinar o seu próprio contrato vai ajudá-lo(a) a manter o seu propósito e ficar focado(a) no que definiu para si e para a relação com os seus filhos. Uma promessa escrita é um voto forte, um acordo que faz consigo, onde se compromete a criar os seus filhos de uma forma calma. Positiva. Rica.
Para mudar, é fundamental que se comprometa com a mudança.
Se queremos ser pais mais calmos, mais conscientes, mais disponíveis emocionalmente, com mais paciência, darmos passos pequenos, gerirmos e transformarmos os nossos sentimentos é o caminho a seguir.
E isso passa por uma transformação interior profunda, que implica reflexão e acção. Uma transformação que vale a pena.
Este pode ser um processo curto ou longo. Depende de si e só de si. Mesmo que sinta que depende de factores exteriores. Não depende. Depende apenas de si. Agora. Pode começar agora mesmo.
E neste novo caminho, viva um dia, um momento de cada vez. Um passo de cada vez. Depois tente no dia seguinte, no momento seguinte. E depois no outro e no outro e no outro.
Eu garanto-lhe que vai conseguir.
Que todos os seus sonhos se concretizem.
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Não sou – reconheço – muito amigo de soluções mágicas e minimalistas que, com “gotinhas” para adormecer, “gotinhas” para aprender a controlar os esfíncteres e “gotinhas” para estimular a atenção tem vindo a transformar o crescimento numa espécie de felicidade sintética que me preocupa. Nem gosto por aí além das escolas para bebés, nem das escolas de pais, nem da densidade exorbitante por metro quadrado de crianças sobredotados e de crianças «cheias de personalidade» (ou com imensa autoestima, se preferirem) que faz do crescimento um furor pouco amigo da humildade e da sensatez. Em primeiro lugar, porque sinto que essa tendência é, em grande parte, decalcada no mundo dos adultos (que, à custa de não o gerirem, vivem – muitas vezes – intoxicados por efeitos especiais e inquinados por uma angústia que os corrói). E, em segundo lugar, porque, salvo circunstâncias muito excecionais, todo o tipo de soluções que contornem o tempo que a educação precisa de ter para se consolidar (a educação para a saúde, a educação para o amor, ou a educação para o conhecimento, por exemplo) têm uma fatura incalculável – no curto e no médio prazo – que quase nunca é estimada, de forma clara e ponderada, quando se opta por soluções rápidas, seja para o quer for. Afirmar que é urgente a educação pode parecer jurássico (reconheço) mas acaba por distinguir aqueles que delineiam um projeto de vida, e o tornam exequível, com atos de gestão (coerentes e constantes), daqueles que reclamam – agitadamente – por felicidade mais do que lutam, com determinação, por ela.
O crescimento tem vindo a tornar-se muito amigo do silêncio e da educação tecnocrática e as crianças são, sobretudo, educadas para a contenção. O que faz com que elas sintam, imaginem, fantasiem, estruturam uma leitura simbólica sobre tudo, à volta delas… mas não falem. E isso é mau! É por irmos da emoção à palavra, e dela à complexidade das operações mentais, que se geram os gestos empreendedores com que o mundo pula e avança. E é por casarmos complexidade e simplicidade, e por ligarmos singular e plural, que todas as revoluções nos apanham, justamente, desprevenidos.
Como, ainda por cima, cuidamos muito pouco da língua portuguesa e vivemos numa velocidade tão vertiginosa que, quando damos por isso, nos transformamos em ilhéus, numa permanente desertificação relacional, temos vindo a educar os nossos filhos para a iliteracia emocional. (Isto é: em consequência da forma menos hostil e autoritária como educamos, estamos a criar crianças que parecem mais precoces, mais inteligentes e mais personalizadas que os seus pais mas, por outro lado, essa fabulosa competência para a sensibilidade, para o afeto e para o pensamento é atropelada, a torto e a direito, por uma escola, por uma família e por estilos de vida infantil que transbordam em stress e em hostilidade e que, por isso, não escutam, não sentem, nem criam espaços para que essa competência se formate em palavras para que, de seguida, se traduza em gestos empreendedores. Iliteracia emocional é uma espécie de analfabetismo educado para tudo aquilo que compõe a natureza humana que, como se compreende, o futuro não merece.) Um bom exemplo desta atitude tão contraditória diante do crescimento surge quando se repete, com vaidade, que seremos A sociedade do conhecimento, embora as crianças, mal cheguem à escola, deixem de perguntar “porquê”… Ora, quanto mais iliteracia emocional mais angústia e mais hostilidade (que é um 2 em 1: depressividade, por desamparos cumulativos, e violência contida).
Por tudo isto, e embora não discuta a qualidade intrínseca da maioria deles, a maior parte dos pais – ao permitirem tudo isto, ao contrário daquilo que desejam – tem um potencial de bondade a perder de vista, mas… são maus pais.
De que modo podemos, ao mesmo tempo, reivindicar o direito à indignação e desenhar transformações que tornem o futuro das crianças melhor, mais bonito e mais saudável?
A meu ver, chega-se lá com 10 mandamentos para o amor dos pais:
De que modo podemos, ao mesmo tempo, reivindicar o direito à indignação e desenhar transformações que tornem o futuro das crianças melhor, mais bonito e mais saudável?
A meu ver, chega-se lá com 10 mandamentos para o amor dos pais:
Por Eduardo Sá, publicado na Pais & Filhos a 06 Fevereiro 2012
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Todos temos dias – e momentos – mais difíceis.
E termos a capacidade e a coragem suficiente para reconhecer as nossas próprias falhas é um dos desafios mais difíceis nesses em momentos.
Nós sabemos como funciona a paciência, a empatia – aliás quando estamos calmos, tranquilos e relaxados respondemos aos nossos filhos num tom correspondente. Mas há momentos em que parece que não conseguimos encontrar na nossa caixa interna de velocidades maneira de reduzir para uma mudança mais baixa. E numa fracção de segundo… excedemo-nos, erramos. Numa fracção de segundos – que é tudo o que é necessário – podemos provocar uma pequena – ou grande – fractura na relação com os nossos filhos. E pior, na sua estrutura emocional.
Aceitarmos que também cometemos erros – e muitos! – é uma das capacidades que melhor deve definir os pais.
Um pedido de desculpas é um dos actos mais nobres de um pai ou de uma mãe. Porque requer humildade, requer reconhecimento de que também se erra. Pedir desculpa aos filhos deve ser uma questão de honra.
É fundamental para a construção emocional dos filhos que os pais reconheçam quando reagem de forma excessiva. Devem arrepender-se das suas acções menos correctas e não ver qualquer tipo de ameaça em pedir aos seus filhos que os perdoem.
Pedir desculpa é um sinal de força, não um sinal de fraqueza. Pedir desculpa deve ser um acto cuidadoso e atento, quando os pais ferem os filhos de alguma forma. Porque todos cometemos erros, muitos deles sem nos darmos conta, não é verdade?
Saber pedir desculpa, dar esse exemplo, vai ensinar-lhes muito sobre a vida. Sobre o amor.
E não se trata de um pedido de desculpas seguido por uma justificação da acção. Mas um pedido profundamente honesto, sincero sem desculpas associadas. É assim que deve ser um verdadeiro pedido de desculpas para que seja válido.
“Desculpa se te magoei” ou “desculpa se feri os teus sentimentos” seguido de nada mais do que silêncio da nossa parte.
E depois de pedirmos desculpas, sabermos deixar os nossos filhos terem o tempo que eles precisam para aceitar as nossas desculpas.
Para quê ter medo que as crianças possam ficar mimadas ou estragadas ou que nos desrespeitem porque lhes pedimos desculpas? Antes pelo contrário. Vão respeitar-nos mais. Admirar-nos mais. O que estraga uma criança, o seu interior afectivo ou o que faz com que ela nos desrespeite são questões que se prendem com a carência emocional e com outros factores de desconexão parental ou relacional. Nunca com momentos de conexão, de compreensão ou de amor. E pedir desculpas aos nossos filhos é, sem dúvida, um acto de amor.
E porque é que nos custa tanto pedir desculpa aos nossos filhos?
Os pais que sabem pedir desculpa aos seus filhos sabem que eles vão crescer aprendendo a ser responsáveis pelas suas próprias acções. Vão aprender a humildade, a consciência, a empatia.
Desculpando-nos aos nossos filhos ajuda-os a perceber que não somos perfeitos. E isso ajuda os nossos filhos a entender que eles próprios não têm que ser perfeitos.
Desculparmo-nos perante os nossos filhos ensina-os a regular as suas próprias emoções, ensina-os a respeitarem-se a si próprios e, por consequência, a respeitarem os sentimentos dos outros. Pedirmos desculpa aos nossos filhos é mostrarmos-lhes que os amamos.
No entanto, muito mais do que isso, pedir desculpa permite que os nossos filhos percebam que estamos a escolher ser melhores pais, melhores pessoas a cada dia. E faz-nos a nós tornarmo-nos mais conscientes disso, também.
Quando estamos a trabalhar as nossas próprias emoções, modelamos para os nossos filhos um caminho para eles aprenderem a trabalhar os seus próprios sentimentos e reacções.
Os pais que têm melhores relações com os seus filhos são, sem dúvida os pais mais felizes e realizados. Numa casa cheia de empatia e compreensão, há maior cooperação e entendimento, há maior aceitação e felicidade.
Claro que um pedido de desculpas não apaga o que já está feito e não pode ser pretexto para um comportamento desnecessário ou excessivo com os nossos filhos. Precisamos de desenraizar a ideia de que somos donos e senhores dos nossos filhos e por isso, podemos fazer o que quisermos, falar como quisermos.
Se queremos ser pais mais felizes e que os nossos filhos cresçam mais felizes, temos de saber reconhecer que cada pequena acção, reacção ou palavra pode permanecer para sempre gravados nas gavetas da memória. Gravados no núcleo profundo do seu espírito emocional. E ele irá manifestar-se eventualmente. Imediatamente ou só mais tarde. Inevitavelmente. De uma forma ou de outra.
Há, infelizmente, muitas pessoas que passam a sua vida adulta a tentar curar as mágoas do passado. Eu li algures que, infelizmente, muitos adultos, mesmo sem estarem cientes disso, vingam a sua própria infância nos seus filhos. Pode parecer mórbido, mas é cheio de lógica e sentido. Eu podia escrever muitos artigos e livros só acerca deste assunto.
Talvez a sua infância não tenha sido fácil. Provavelmente não foi. E essa é mais uma razão pela qual estas palavras sejam para si.
Para ajudar a entender que o caminho que está a escolher diariamente, mesmo que inconscientemente, com seus filhos, é um resultado de seu próprio passado. A nossa resposta ao comportamento de uma pessoa ou a uma situação é activado pelas nossas próprias emoções, pelos nossos próprios sentimentos. As nossas respostas são movidas pelo nosso próprio diálogo interno e pelas experiências contínuas, repetidas que testemunhamos e registamos ao longo da nossa vida.
Devemos ficar muito atentos para não descarregar as desgraças do nosso mais profundo eu, as frustrações do nosso dia-a- dia nos nossos próprios filhos. E nunca é demais frisar isto. A nossa jornada é a nossa jornada. E ninguém é responsável por transformá-la a não sermos nós mesmos.
Temos de saber pedir desculpas sempre que ferirmos os sentimentos dos nossos filhos de alguma forma. Sabemos bem ver nos seus olhos quando isso acontece.
As crianças são pessoas, seres humanos, antes de serem crianças. E muito antes de serem nossos filhos.
Temos de aprender a respirar e a escolher a mudança abaixo na nossa caixa de velocidades. Temos de saber ignorar certas situações, levar outras para a brincadeira, ou pedir calmamente uma pausa, caso seja necessário. Não podemos culpar os nossos filhos quando somos nós que chegamos maçados do emprego ou estamos cansados e reagimos impacientemente com eles. Quando somos nós que passamos das marcas. Simplesmente não é assim que funciona. Nós é que somos os adultos. Não somos perfeitos mas temos de ser nós a saber regular as situações. A saber gerir as nossas emoções. Pode não ser fácil quando estamos mais cansados ou irritados, mas se nos treinarmos a fazê-lo, os resultados são espantosos e surpreendentes.
Os pais felizes vibram numa dimensão extraordinária, olhando para os seus filhos com empatia e conexão, tirando experiências e benefícios a partir de tudo o que aprendem com eles. E levam essas experiências e benefícios para o mundo lá fora, para as suas vidas diárias.
Nos seus momentos mais difíceis, lembre-se sempre de parar, respirar e perguntar-se: O que faria o amor?
imagem@ask.fm
Vencedora do passatempo “A Psicologia Positiva na Creche e no Pré-Escolar”:
Elsa Patrícia Freitas
Obrigada por ter participado! Agradecemos ao Mundo Brilhante por proporcionar este passatempo!
Começar desde cedo a estimular as emoções positivas é benéfico para o desenvolvimento das crianças. As Educadoras de Infância estão cada vez mais atentas às premissas da Psicologia Positiva.
A Casa do Menino de Deus em Lisboa, como “Entidade Positiva” foi proativa e associou-se ao Mundo Brilhante. Centrada em fazer sempre o melhor pelo desenvolvimento das crianças, numa ideia que foi bem acolhida desde a primeira hora pela Diretora Lúcia Santos Silva, vai receber a Formação para Educadoras “A Psicologia Positiva na Creche e no Pré-Escolar”. Esta será dinamizada pelos Formadores do Mundo Brilhante.
Depois do Porto e Viseu, é a vez de Lisboa. Em breve iremos também a Faro espalhar esta onda positiva…
A Up To Kids® em parceria com o Mundo Brilhante vai oferecer uma inscrição nesta Formação.
Se é Educadora de Infância, participe já!
COMO PARTICIPAR | REGRAS
1. Fazer like na página Up to Lisbon Kids e Mundo Brilhante
2. Partilhar no Facebook (ao público) com tag para 3 Educadoras.
3. Preencher os campos e no campo “comentário” inserir o nome da Escola onde trabalha (ou desempregada, se for o caso)!
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Saiba os pormenores do seu prémio aqui
O passatempo é válido de dia 22.09.15 até dia 25.09.15 às 18h.
Os vencedores serão sorteados pelos e-mails dos concorrentes através do programa Random.com.
Os vencedores serão anunciados publicamente no dia 25.10.15 às 20h.
Apenas estarão habilitadas ao sorteio pessoas cumpram as 3 regras de participação.
A partilha deverá ser publica para a podermos seguir.
O mesmo utilizador pode concorrer mais que uma vez, desde que em cada participação cumpra novamente as 3 regras impostas, e os nomes do tag sejam sempre diferentes.
Ficará habilitado o nº de vezes que concorrer (máx 5 participações/pessoa/dia)
O vencedor será avisado por e-mail, ou se preferir sms, deixe o contacto telefónico no comentário, e deverão apresentar-se no dia 26 no local e hora da Formação para usufruir do seu prémio.
Todos queremos ter uma boa relação com os nossos filhos. No entanto queixamo-nos deles sem nos darmos conta da nossa própria – gigante – contribuição para que essa boa relação seja possível. Esquecemo-nos de olhar para nós próprios em primeiro lugar.
Como em todas as relações que se querem saudáveis tem de sentir-se segurança, confiança, respeito e amor. E numa relação de pais e filhos essa verdade não é diferente. Aliás, é exactamente aí que tudo começa.
Todos queremos ter filhos que colaborem, que ajudem nas tarefas, que sejam responsáveis, que sejam respeitadores.
A grande maioria dos pais querem que os filhos sejam obedientes. E para isso recorrem a métodos punitivos quando as suas expectativas saem defraudadas, julgando essa ser a forma mais eficaz para fazer valer a sua autoridade.
E depois, quando a situação arrefece, muitas vezes ficam tristes, frustrados e tantas vezes arrependidos. Mas voltam a repeti-lo. E repetem-no vezes sem conta, porque na verdade, não conhecem outro caminho, ou não conseguem aceitar que existem outros caminhos. É o peso da história tantas vezes a falar por si.
Ao longo dos meus anos de pesquisa e observação, fiz uma fabulosa descoberta acerca do arrependimento. O arrependimento é uma forma que o nosso instinto encontra para nos enviar uma mensagem de alerta para a necessidade de mudança.
E muitas vezes o mais difícil é sabermos o que podemos fazer de diferente. Então voltamos ao que conhecemos.
Einstein dizia que “insanidade é continuar a fazer sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes.”
Nesta nossa maravilhosa, compensadora mas misteriosa jornada enquanto pais, existem muitos caminhos que podemos escolher. E escolhermos a via pacífica não faz de nós maus pais. Muito pelo contrário.
Faz de nós melhores pais! Melhores mentores para os nossos filhos, melhores seres humanos, melhores cuidadores. Faz de nós pais ricos, porque é uma via que nos ensina a esforçarmo-nos, a desejar crescer por dentro. A melhorar.
Sermos pais pacíficos não significa de todo sermos pais permissivos.
Sermos pais pacíficos não significa fugirmos do conflito.
Sermos pais pacíficos não significa não estabelecermos limites.
Sermos pais pacíficos significa estabelecermos esses limites com empatia, regulando as nossas próprias emoções para que nos consigamos manter ligados de forma respeitosa e gentil enquanto o fazemos.
Sermos pais pacíficos, significa criarmos os nossos filhos através de atitudes positivas. E isso significa praticar a empatia e conexão com os nossos filhos nos momentos mais difíceis.
Significa deitar fora o método clássico do castigo/recompensa e aprendermos a relacionarmo-nos, a respeitar e a amar os nossos filhos sempre.
Por estarmos tão culturalmente formatados apenas para uma forma de educar, parece à partida estranho, senão impensável que se possa educar sem punir, sem ameaçar, sem exercermos o nosso poder.
Mas se queremos ter uma relação melhor com os nossos filhos, se queremos que eles sejam cada vez mais respeitadores, cada vez mais cooperantes, precisamos explorar as várias soluções que existem. E essas são vastíssimas.
A disciplina externa não desenvolve de forma alguma a auto-disciplina. Provoca resistência e é inútil.
Tentemos pôr-nos no lugar de uma criança por um momento. Não nos provoca resistência a nós? Quando nos sentimos encostados à parede, como nos sentimos? Quando somos pressionados a fazer algo que não gostamos, que desconfiamos ou que não queremos fazer, como nos sentimos? Somos maus por isso? Somos feios? Somos teimosos? Somos menos merecedores de compreensão, de consideração ou de amor?
Agora imaginemos uma criança pequena ou um adolescente que está ainda desenvolver toda a sua estrutura.
Então o que podemos fazer?
Bernard Shaw defendia que o progresso é impossível sem mudança. Ele afirmava que aqueles que não conseguem mudar as suas mentes não conseguem mudar nada.
Educar com sucesso as emoções de nossos filhos sem alterar a nossa forma de perceber, sentir, pensar, agir e comunicar com os nossos filhos não é provável. Criar e nutrir crianças mais equilibradas, estruturadas e felizes só é possível quando nós, como pais, sentirmos, pensarmos e agirmos de forma calma e respeitadora com nossos filhos. De forma mais equilibrada, mais consciente e mais estruturada.
Precisamos criar uma estrutura equilibrada e pacífica dentro de nossas próprias casas, para os nossos filhos seguirem o nosso exemplo.
O primeiro passo para o nosso sucesso como pais está exactamente em mudar a nossa mentalidade. Em alterar a nossa forma de educar, de nos relacionarmos com os nossos filhos. Significa reconhecermos a nossa responsabilidade em muitos dos seus comportamentos e em mudarmos os nossos próprios comportamentos e as nossas próprias percepções.
Criar e proteger uma relação harmoniosa com os nossos filhos é um assunto de importância tão primordial e vital, porque é ela que define e molda a maioria – senão todas as escolhas emocionais presentes e futuras.
E como é que se faz isso?
Precisamos de olhar para dentro de nós próprios e para a nossa maneira de trabalhar os nossos próprios problemas, emoções e frustrações.
Também devemos aprender a desprender-nos de todos os conceitos e mitos já enraizados sobre crianças e começar a observar activamente os nossos filhos profunda e claramente. Sem rótulos ou ideias pré-concebidas.
Depois, precisamos de aprender a criar dentro de nós mesmos novos sentimentos, novos pensamentos e novas crenças, com base na observação profunda.
Mas é na profunda gratidão que reside o maior segredo, a maior mudança, a chave mestra para o sucesso de uma boa relação entre pais e filhos. Gratidão por sermos amados por seres tão preciosos, mesmo quando os magoamos e erramos com mais frequência do que estamos dispostos a admitir.
Porque poder conhecer e viver seres tão valiosos e especiais é um privilégio que nunca deve ser tomado como garantido.
As crianças devem saber que podem descansar no nosso amor. E não passar a sua infância e adolescência a sentir que têm de lutar por ele.
Por M.J. Silva, para Up To Kids®
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A nossa cultura ensinou-nos a ver as crianças como nossas adversárias.
As crianças fazem birras, as crianças portam-se mal. As crianças só sabem chatear. Desafiam-nos, testam-nos, desarrumam tudo. Estão aí para nos levar ao desespero.
Não me parece.
Mas a verdade é que acreditamos nisto – a agimos sobre esta premissa diariamente – de tal forma que se torna mais do que óbvio – e incompreensível que haja alguém que não o faça – que tenhamos de puni-las, de afastá-las, de deixá-las sozinhas quando não correspondem aos comportamentos esperados, quando se exaltam ou perdem o controlo das suas emoções por alguma razão.
Acreditamos que estão a ser mal-educadas, que nos estão a faltar ao respeito, quando a bem da verdade, lhes estamos a passar a mensagem de que não têm direito a exprimir as suas emoções negativas. Temos de saber ensinar-lhes paciente e generosamente como exprimir essas emoções. Desde cedo. Porque essas não são para bloquear.
Da minha pesquisa e das minhas experiências pessoal e profissional, as crianças não fazem birras. As crianças não se portam mal.
As crianças manifestam as necessidades, vontades, medos, cansaço e sentimentos gigantes que têm da melhor forma que sabem e podem. Passam por emoções que nem imaginamos, vivem e assistem a situações que muitas vezes não sabem – nem conseguem – processar. Isso não faz delas mal comportadas, chatas, birrentas ou bebés. Faz delas pessoas (pequenas) num mundo tantas vezes assustador.
O mundo é feito de pessoas e se as pessoas que têm o privilégio de formar pessoas mais pequenas as souberem formar e educar de uma forma pacífica, gentil, ensinando desde a primeira infância os limites de forma empática, conectando-se e ligando-se às suas crianças de forma generosa, compreensiva nos momentos mais difíceis, serão adolescentes e mais tarde adultos assim que teremos.
E será esse o mundo que estaremos a criar. Quer acreditemos nisso quer não. A responsabilidade é nossa.
É uma questão cultural que tem passado de geração em geração que nos tem ensinado – e feito crer dogmaticamente – que a única forma de educar pessoas responsáveis, cumpridoras e bem sucedidas é sendo pais e professores exigentes, inflexíveis e firmes.
Como se isso fosse o mandamento mais imperativo.
Não é.
O mandamento mais imperativo a ter em atenção na formação do ser humano é a formação saudável das emoções. Dos vinte anos que trabalhei com crianças, não encontrei uma – uma única! – que conseguisse bons resultados na escola quando as suas emoções estavam desreguladas, destruídas até, em alguns casos. Muitos.
São as emoções dos adultos, em primeiro lugar – os estados de espírito, as frustrações, a sua própria auto-imagem, os seus traumas, as suas crenças, – que lideram a forma como estes interagem com as crianças, a forma como lidam com elas, como as tratam.
Aprendemos que as crianças nos desafiam, que querem controlar e ter tudo à sua maneira. Nós acreditamos nisto e as nossas relações com os nossos filhos sofrem com isto. Aprendemos que temos de controlar as suas birras e que é obrigatório zangarmo-nos quando não correspondem às nossas expectativas, chegando até a magoar o seu corpo e ferir a sua alma para marcar a nossa posição de poder.
Desunimo-nos delas, desconectamo-nos nos momentos em que mais precisam que nos liguemos a elas, que as apoiemos. Isto passa-se em casa, na escola. Nos locais que deveriam ser lugares de referência, onde as crianças se devem sentir acarinhadas, respeitadas, seguras.
Aprendemos a criticar as crianças, a julga-las, a castigá-las, em vez de escutá-las, compreendê-las – mesmo que a situação nos desconforte – de aceitá-las. Esquecemo-nos de que educar é passar um legado diário de amor, de compreensão, de motivação positiva, de empatia sob todas as suas formas, em todos os momentos, em especial aqueles que são mais difíceis de gerir pela criança ou pelo adolescente.
E aqui cometemos um grave engano.
Confundimos educação com imposição de autoridade, julgamos que temos de ser reis absolutistas no nosso castelo e que as crianças têm de ser submissas às nossas vontades, ordens e desejos, descurando-nos de negociar em vez de exigir aquilo que elas não nos podem dar, esquecendo-nos de ser tolerantes em vez de criticar, esquecendo-nos de ensiná-las – liderando pelo exemplo e não pela imposição- tendo em conta o seu funcionamento natural e orgânico, neurológico, físico e emocional.
Se esses factores não são respeitados, não é responsabilidade da criança. É de quem é responsável pelo seu percurso educativo. Seja em casa ou na escola.
Uma família de seis filhos ou uma turma de vinte alunos, terá o número de personalidades, necessidades, carências e potencialidades em proporção ao número de crianças que aí existirem. E todas têm valor. Todas têm potencial. Cabe ao adulto estimulá-las e motivá-las de forma positiva. E não uma vez. Em todos os momentos. Um educador, seja um pai, uma mãe, um avô, uma avó, um professor, educador infantil ou auxiliar educativo, deve ser, acima de tudo, um mentor.
As crianças e os adolescentes são pequenos humanos que fazem o seu melhor com o que têm, que só querem ser amadas e respeitadas pelo que são, sentir-se seguras, protegidas, façam o que fizerem, digam o que disserem.
Quando aprendermos isto e agirmos sobre isto, deixará de haver lugar para gritos, rótulos, vergonha, castigos e todos construiremos uma relação melhor e mais forte com os nossos filhos.
Como afirma Rebecca Eanes, as crianças não são nossas adversárias. Elas são a nossa maior dádiva. Tratemo-las como tal.
Somos diariamente corrompidos pela rotina, pelo tempo, pela pressa, pela exigência, pela responsabilidade. Sem nos apercebermos, desligamo-nos facilmente de nós próprios. Desligamo-nos daqueles com quem mais queremos estar. Desligamo-nos dos nossos filhos.
As múltiplas exigências da vida diária e os diferentes papéis que nós, mulheres, assumimos diariamente fazem-nos, muitas vezes, pender entre um papel e outro sem que nos enraizemos verdadeiramente em nenhum. Estamos no trabalho a pensar nos filhos, estamos com os filhos a pensar no trabalho. Corremos entre um lugar e outro a pensar no supermercado ou na roupa que temos que estender quando chegarmos a casa. Este desligamento do momento presente reflete-se em tudo o que fazemos e impede que a nossa energia seja colocada integralmente no que estamos a fazer naquele tempo e naquele espaço.
Isso afeta profundamente as nossas crianças e a relação que com elas estabelecemos.
Na correria que caracteriza toda a rotina entre a saída do trabalho, o trânsito até à escola, a ida para casa e quando aqui chegamos…os banhos, os jantares, a preparação para o dia seguinte, a qualidade do tempo que disponibilizamos às nossas crianças é muitas vezes comprometida. Esta desconexão com o Aqui e o Agora nos momentos em que estamos com os nossos filhos, é muito perspicazmente por eles captada e fá-los agir de modo a trazer-nos à nossa verdadeira e genuína Presença.
Birras, choros e conflitos com os irmãos são, grande parte das vezes, tentativas de trazer para o presente o nosso foco e a nossa energia total. E conseguem! Quando nos irritamos, zangamos e ralhamos estamos a fazê-lo plenamente.
Não estamos a pensar em mais nada! Estamos a viver aquele momento com eles na sua plenitude. De corpo e alma. Da pior forma, sim. Mas estamos integralmente presentes.
Absortos no Aqui e no Agora daquela situação. É só isso que eles nos pedem. E é tão fácil fazê-lo sem que eles nos peçam desta forma. Basta fechar a torneira dos múltiplos pensamentos correntes e dedicarmo-nos inteiramente ao momento com eles. Sentindo-nos, sentindo-os.
Aqui. Agora. Basta focarmo-nos e envolvermo-nos totalmente naquele momento. Basta sermos, basta estarmos. Em Presença. A presença de entrega total à partilha daquele momento, como se nada mais existisse. É só isso que eles querem. É só isso que eles precisam.
E nós também.
Dar Qualidade à Quantidade de tempo
O melhor presente é estar presente
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