“No liceu fui sempre um aluno razoável – nunca fui um aluno extraordinário. Estive sempre na Turma A (a dos melhores alunos) e nunca chumbei um ano. Mas também nunca fui o melhor da turma, longe disso, nem nunca tive essa ambição.

Estudava o suficiente para ter notas entre o 12 e o 14. Só excecionalmente chegava ao 16. Mas também era raro ter menos de 10.

Devo confessar que a maioria das aulas não me interessava nada. Era um sacrifício suportar os 50 minutos que duravam e um alívio quando ouvia a campainha que assinalava o intervalo. E o que aprendia nos livros, nas vésperas das provas ou dos exames, também raramente me entusiasmava.

Eu estudava basicamente para passar de ano e não para aprender.

Não percebia por que se estudavam certas matérias – e ainda hoje não percebo, porque nunca me fizeram falta nenhuma.

Para que me serviu aprender as equações de 2.º e 3.º grau, ou os integrais, na matemática? Ou saber resolver aqueles problemas complicadíssimos na física ou na química? E a gramática? Para quê saber identificar o sujeito e o predicado e o nome predicativo do sujeito? Nunca soube isto. Sempre ignorei a gramática. Mas isso não me impediu de ser bom aluno a português, desforrando-me na redação e na interpretação, provando que a gramática não fazia falta nenhuma.

Inversamente, hoje percebo como é importante saber história, e gostaria de saber mais do que sei. História universal e história de Portugal. Como é importante saber geografia, conhecer o mapa-mundo e certos fenómenos da atmosfera. Idem no que respeita à zoologia, à botânica e à geologia: é importante conhecer os animais, as plantas e os minerais.

Mas tudo isto era ensinado de uma forma enfadonha, sem vida, que tornava a aprendizagem uma chatice.

Aliás, há uma coisa básica no ensino que nunca se fez: motivar os alunos para aprender.

Dou um exemplo.

Quando dei aulas no Centro de Formação da RTP, nos anos 70, apareceram por lá uns nórdicos que tinham o seguinte método de ensino: punham câmaras nas mãos das pessoas e mandavam-nas para a rua filmar. As pessoas não sabiam para que serviam os botões, nem como se focava, nem como se enquadrava, mas iam experimentando e tentando perceber como aquilo funcionava. Ora, quando chegavam às aulas e o professor explicava o funcionamento da câmara, os alunos eram verdadeiras esponjas – porque estavam a ouvir as respostas para as dificuldades que tinham sentido. E nunca mais esqueciam as explicações.

Todos nós já passámos por situações parecidas. Quando vamos buscar um carro novo ao stand, o vendedor dá-nos montes de explicações – sobre o rádio, o GPS, as variadíssimas funções, os programas automáticos, a abertura do capot, etc. – mas quando pegamos no carro e começamos a andar já não nos lembramos de metade das explicações.

Porém, se uns dias depois voltarmos ao stand e o vendedor repetir a lição, absorvemos tudo – porque estamos a obter respostas para aquilo que não conseguimos fazer.

O ensino devia ser assim: haver um período de preparação para aprender. As aulas seriam muito mais produtivas, os alunos perceberiam o porquê de estarem a aprender certas matérias.

Há no ensino coisas que se ensinam a mais e outras que se ensinam a menos. Talvez não acreditem, mas no curso de Arquitetura não havia nenhuma cadeira sobre a história da arquitetura portuguesa. Ou seja: nós, jovens candidatos a arquitetos, não tínhamos nenhuma ideia sobre a arquitetura que se fazia em Portugal nem sobre a sua evolução ao longo do tempo. Como não havia visitas a obras nem a ateliês de arquitetos. E, no entanto, aprendíamos pormenores ínfimos sobre maneiras de construir na Idade Média.

Julgo também que deveria haver uma muito maior articulação entre a escola e a vida.

Nos dias de hoje há muita gente a viver sozinha. E já não há ‘criadas de servir’, como havia no passado. Então, por que não incluir no ensino aulas de culinária, noções básicas de cozinha? Seria utilíssimo para todos. E não seria bom conhecermos melhor o funcionamento das casas que habitamos? Havendo cada vez menos gente para fazer certos serviços, por que não ensinar aos alunos noções básicas de trabalhos domésticos: como arranjar uma torneira, como usar um berbequim, como pendurar um quadro, como consertar uma tomada elétrica, etc.? Ao longo da vida todos poderiam experimentar a utilidade destes ensinamentos. Tal como certas noções de bricolage.

E conselhos de alimentação. Ou noções básicas de economia: juros, impostos, dívida soberana, inflação, balança comercial, etc . Estamos constantemente a ouvir estes palavrões na TV; ora, não seria mais útil aprender isto do que as equações de 2.º e 3.º grau?

Finalmente, há uma disciplina que deveria ser enormemente valorizada: o desenho. Em certas situações, é mais importante saber desenhar do que saber escrever. Quantas vezes já não ouvimos dizer: «Eu desenho muito mal, mas vou tentar…»? Saber exprimir ideias através de desenhos e outros elementos gráficos valoriza imenso a capacidade de comunicação de uma pessoa.

Em abono do atual ensino, diz-se que muitas destas coisas que aprendemos e nunca voltamos a usar são importantes porque dão ‘ginástica mental’. Discordo. As outras coisas que aprendêssemos em vez destas também dariam essa ginástica, com a vantagem de adquirirmos conhecimentos que se encaixariam na vida quotidiana e que estaríamos sempre a usar.

Um ensino mais ligado à vida, em que os alunos percebessem a utilidade do que estão a aprender e fossem previamente estimulados para absorver, que lhes desse competências mínimas para seguir uma especialização profissional mas também para funcionarem melhor no quotidiano, para serem mais auto-suficientes, menos dependentes, seria muito mais útil e motivador.

Mas caminhamos em sentido contrário. A introdução do computador na escola, por exemplo, parecendo um avanço, é um disparate – como explicava um dia destes Castro Caldas no SOL. Há certas zonas do cérebro que, quando não se desenvolvem na altura própria, morrem. Os jovens, com as calculadoras e os computadores, qualquer dia não sabem fazer de cabeça contas básicas de somar e dividir.

Ora saber a tabuada é uma daquelas coisas de que se percebe imediatamente a utilidade.

Todos os dias, quando vamos ao restaurante com colegas ou amigos e temos de dividir a conta, recorremos à cabeça para fazer o cálculo – e constatamos a importância de saber de cor a tabuada.

É isto que se pede ao ensino: dar ao nível básico conhecimentos que estejamos constantemente a utilizar, que nos permitam agir melhor e compreender melhor a realidade em que vivemos.

Depois, cada um desenvolverá esses conhecimentos de acordo com as suas capacidades, ambições e preferências.”

Por José António Cabritajas@sol.pt, publicado no Sol, a 19.11.2015

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Filha:

Cresce devagarinho, leva o teu tempo.

Faz as tuas asneiras, reclama quando as coisas não te correm de feição, tenta colocar o triângulo na devida forma quantas vezes tiveres capacidade, até conseguires.

Não sabes mas a sociedade é feita de exigências. Espera-se que uma menina aja de certa forma, que um rapaz tenha determinadas atitudes. Sim, é verdade, estamos quase em 2020 mas a tua geração tem ainda um longo caminho pela frente. Depois, na escola, quando estiveres quase a entrar para a primária nem imaginas quais são os objectivos que deves cumprir.

Serás uma criança com deveres de gente grande. E a partir daí é uma bola de neve.

Na tua profissão, se tiveres sorte, poderás encontrar pessoas que são razoáveis, mas ainda existe muito a mentalidade dos pequenos poderes, das pessoas que pisam porque podem, das que não respeitam quem está abaixo de si porque se o fizerem perdem a força (tirânica) que os alimenta.

Mas nem tudo é mau, apesar de eu ter pintado um cenário um pouquinho escuro. Em abono da verdade, só queria com isto pedir-te que sejas criança enquanto és criança.

Que brinques tanto que te esqueças que, a brincar, também estás a aprender.

Tens tempo para reconhecer as cores, para saberes quanto é dois mais dois, para aprenderes a ler.

Para tudo há um tempo e o teu tempo é o de pedir colo e tê-lo. De ouvir histórias ao pé do ouvido. De cheirar as flores nos canteiros, de dançar sem qualquer vergonha quando o pai põe a tua música preferida a tocar. De cumprimentar as pessoas que não conheces quando passas por elas na rua. De reparar como as árvores são altas e as formigas parecem pontinhos que se movem. De apontar para o ouvido e depois para o céu quando identificas um avião a aproximar-se. De pedir para ficar um bocadinho mais dentro do mar. De chapinhares dentro da banheira na hora do banho. De ficares triste quando partes o teu boneco preferido. De pedir pão quando nos vês a comê-lo. De não esconderes a alegria que sentes quando reencontras alguém que já não vias há alguns dias.

Aos poucos (seria bom que não, mas é natural que sim…) irás moldar-te a ser menos espontânea, a seres mais discreta, a teres mais noção de quem está à tua volta e dos julgamentos que te dirigem.

Por isso, repito: não tenhas pressa.

Cresce ao teu ritmo, a ver o mundo com os teus olhos.

Este tempo é teu e nada nem ninguém te pode roubá-lo. Estamos aqui para garantir isso mesmo.

Vive como até agora, na tua inocência.

És feliz. Que isso se perpetue para sempre.

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Como promover competências chave para a preparação para o 1º ciclo?

A entrada para a escola é uma realidade obrigatória para todas as crianças a partir dos 6 anos de idade, porém, o mesmo não acontece com algumas crianças em idade pré-escolar, que por opção dos pais, por falta de vagas na escola pública e/ou por impossibilidade financeira de recorrerem ao ensino privado, optam ou são obrigados a encontrar alternativas para os seus filhos.

A não frequência da escola em idade pré-escolar, não é, no entanto, sinónimo de não educação ou de não preparação da criança para a entrada no ensino formal.

Sabemos que o cérebro da criança nos primeiros 5 anos de vida está particularmente activo, atingindo 90% do tamanho adulto. Como tal, em casa ou na escola, é fundamental estimular o desenvolvimento global da criança, através da promoção de competências sociais, emocionais e intelectuais, consideradas chave para a vida adulta e para a entrada no ensino formal. É por isso, importante, envolver a criança em actividades que estimulem estas competências chave.

Se para a maior parte dos profissionais da área da educação, estes são fundamentos inerentes à sua prática profissional diária, para os pais, avós ou outros adultos que ficam responsáveis a tempo inteiro pela criança, nem sempre é assim tão simples.

Por este motivo, aqui ficam algumas dicas, que o vão ajudar a promover na criança, as competências necessárias à sua entrada no ensino formal. São estas as competências chave para a preparação para o 1º ciclo:

Competências Intelectuais de preparação para o 1º ciclo:

⁃ Ler histórias

⁃ Cantar e ensinar cantigas, rimas e/ou lenga-lengas

⁃ Ensinar uma letra – mostrar à criança palavras e objectos começados por uma letra, de preferência palavras com significado para a criança – (exemplo: Letra A – Água, Árvore)

⁃ Ensinar a criança a contar – (exemplo: contar os brinquedos, ou os carros que passam na rua)

⁃ Ensinar as cores – (exemplo: “Vamos procurar a cor verde!”);

⁃ Brincar às construções

⁃ Brincar ao faz de conta – (exemplo: fingir que somos cozinheiros e vamos preparar o almoço; fingir que somos animais, etc.)

Competências sociais de preparação para o 1º ciclo:

⁃ Levar a criança ao parque infantil

⁃ Levar a criança ao café, ao supermercado, etc.

⁃ Participar em workshops ou espetáculos para crianças

⁃ Proporcionar o convívio e a interacção com outras crianças e adultos

Competências artísticas de preparação para o 1º ciclo:

⁃ Desenhar, pintar com diferentes objectos (pincéis, esponjas, escovas de dentes, etc.), fazer colagens, brincar com plasticina.

Competências musicais de preparação para o 1º ciclo:

– Dar um concerto com a criança e explorar diferentes sons e ritmos – usar tachos, colheres, embalagens, etc.

⁃ Ouvir e dançar diferentes tipos de música.

Competências Físicas de preparação para o 1º ciclo:

⁃ Correr

⁃ Andar de baloiço e escorrega

⁃ Saltar

⁃ Dançar

⁃ Nadar

A par destas actividades, os adultos devem estimular regras e rotinas. Estas vão fazer parte do dia a dia da criança quando entrar para a escola, por isso, porque não começar aos poucos a introduzi-las na sua vida?

Estas são apenas algumas sugestões, de actividades simples e acessíveis a todos, que promovem a aprendizagem e que preparam a criança para a entrada na escola e para a vida adulta.

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É caminhando que se faz o caminho. Essa é uma lição que devíamos aprender com os nossos filhos.

Primeiro nascem e, apesar da exigência do acto de cuidar deles, pouco fazem.

Permitem-se aprender a respirar fora da barriga, a ouvir as vozes sem filtros, a distinguir o dia da noite (ou nem tão bem, muitas vezes), a chorar quando estão cansados, com a fralda suja ou com fome. Depois aprendem a segurar a cabeça, a sentar-se, a segurar as coisas, a sorrir. Gatinham, fazem as primeiras brincadeiras interactivas, riem e seguem o seu caminho. Conquista atrás de conquista.

Com mais ou menos paciência, vamos acompanhando esta evolução e aprendendo muitas vezes como é preciso ter calma, como com o tempo eles vão mamando melhor, comendo melhor, dormindo melhor, fazendo-se entender melhor.

Somos capazes de ter uma paciência da China com os nossos filhos e esquecemo-nos de a ter connosco. Nós, apesar de há muito não sermos bebés, também estamos a crescer. Continuamos a fazê-lo, dia após dia. São ainda muitas as lições que temos pela frente, muitas as ocasiões em que compreendemos a falta que nos faz quem nos guie.

Damos as mãos aos nossos filhos e esquecemo-nos de olhar para dentro e tentar perceber aquilo de que precisamos.

Temos de estar em equilíbrio para sermos bons pais. Temos de reconhecer as nossas falhas, os campos em que temos de melhorar e isso abrange muito mais que a maternidade/paternidade.

O desafio é de crescer com os nossos filhos e não apenas vê-los crescer. Só assim eles poderão contar connosco no futuro, ver-nos como um bom exemplo.

Somos humanos, apesar de muitos serem super heróis sem capa – mas até os super heróis têm as suas fraquezas. E as fraquezas não são necessariamente defeitos, mas sim características que deviam servir para nos fazerem seguir em frente. Aprender com o passado, fazer planos realistas para o futuro, sermos melhores em tudo o que nos propomos.

Um dia de cada vez.

Afinal, os nossos filhos estão a ver-nos. E um dia serão eles a estar no nosso lugar.

Temos a obrigação de deixar um bom legado. E com amor e paciência tudo se consegue – chegaremos lá.

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Hoje em dia há, cada vez mais, pais, educadores e profissionais a defender a importância do Brincar para a criança. A criança precisa de tempo para brincar. Brincar ajudará a criança a desenvolver várias aptidões e competências que se tornarão de extrema importância para um futuro equilibrado, tranquilo e feliz.

Este é um tema que queremos privilegiar neste inicio do ano letivo, para que os pais se lembrem que uma criança que brinca no seu tempo livre, poderá obter os mesmos resultados e apresentar o mesmo desempenho a nível escolar que uma criança que passa o tempo a realizar fichas de atividades.

Hoje destacamos os 7 direitos da criança a brincar, por Eduardo Sá:

« 1. As crianças têm direito a brincar todos os dias.
Na escola, entre as aulas e ao longo delas (sempre que o professor for capaz de pôr brincar a rimar com aprender). Em casa e ao ar livre – no quarto como num parque – sob o olhar, discreto, dos seus pais. Brincar só ao fim de semana não é brincar: é pôr uma agenda no lugar do coração.

2. As crianças têm direito a exigir o brincar como o principal de todos as deveres.
As crianças têm o direito a defender a primazia do brincar sobre todas as tarefas. A fórmula: «primeiro, fazes os deveres e, depois, brincas», tão do agrado dos pais, é proibida! Só depois do brincar vem o trabalho.

3. As crianças têm direito a unir brincar com aprender.
Brincar é o “aparelho digestivo” do pensamento. Liga a imaginação com tudo o que se aprende. Quem não brinca imita, repete, fabula, falseia ou finge. Mas zanga-se, sem redenção, com o aprender!brincar

4. As crianças têm direito a não saber brincar.
Brincar é uma sabedoria que nunca se detém: inventa-se, descobre-se, deslinda-se, desvenda-se. Brincar é confiar: no desconhecido, no que se brinca, com quem se brinca. Crianças sossegadinhas são brinquedos à espera dos pais para brincar.

5. As crianças têm direito a descobrir que os melhores brinquedos são os pais.
Apesar disso, têm direito a requisitar tudo o que entendam para brincar. Têm direito a brincar com as almofadas, com caixas de cartão, com os dedos, e com tudo mais que entendam, por mais que sejam não sejam objectos convencionados para brincar. Tudo aquilo que não serve para brincar não presta para descobrir e com brinquedos de mãos brinca-se de menos.

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6. As crianças têm o direito a desarrumar todos os brinquedos
(e a arrumá-los, de seguida, com um toque… pessoal). Têm direito a desmanchar os que forem mais misteriosos, mais rezingões ou, até, os divertidos. Quando brincam, têm direito a ter a vista na ponta dos dedos, a cheirar, a sentir, a falar, a rir ou a chorar. Não há, por isso, brinquedos maus! A não ser aqueles que servem para afastar as pessoas com quem se pode brincar.

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7. As crianças têm direito a brincar para sempre
A Infância nunca morre: apenas adormece. E quem, crescimento fora, se desencontra do brincar, não perceberá, jamais, que não há crianças se não houver brincar. » 
Eduardo Sá, para revista Pais & Filhos, publicado a 01.06.2012

Por Up To Kids®, todos os direitos reservados.

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Este é um guia prático para pais, avós, tios ou amigos, que querem ajudar os seus pequeninos a crescer, a aprender e a desenvolverem-se enquanto brincam.

Brincadeira: O Reflexo no Espelho
Idade: 0 aos 12 meses
Como brincar?

  1. Coloque o bebé em frente a um espelho e deixe que se observe. Nesta etapa do desenvolvimento, o bebé ainda não se reconhecerá a si próprio no espelho, mas ficará fascinado com o que vê.
  2. Mostre-se também a si e enquanto conversa com o bebé, faça diferentes expressões faciais e alterações no tom de voz e na velocidade do discurso.
  3. Coloque no espelho, uma pequena bola. Role a bola pelo espelho, bata a bola e gire a bola.

Competências em destaque:

  • Consciência espacial
  • Desenvolvimento da linguagem
  • Auto-conceito
  • Discriminação visual
  • Desenvolvimento da socialização
  • Desenvolvimento da atenção

 

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Brincadeira: Copos Mágicos
Idade: 12 aos 24 meses
Como brincar?

Esta brincadeira é uma versão simples de um jogo clássico – o cu-cu.
Mostre ao bebé que está a esconder um pequeno objeto (por exemplo uma bola ou um patinho de borracha), debaixo de um copo. Depois, coloque ao lado outro copo (que nada esconde).

Onde está o objeto?

Calmamente movimente os copos e pergunte-lhe onde está o objeto.
Inicialmente a criança poderá sentir alguma dificuldades, mas experimente mover os copos muito devagar e eventualmente conseguirá acertar!

Competências em destaque:

  • Memória visual
  • Concentração
  • Permanência do objeto
  • Resolução de problemas

 

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Brincadeira: Detetive das formas
Idade: 24 aos 36 meses
Como brincar?

Faça um jogo que ajude a criança a reconhecer as formas enquanto estão em casa. Poderá começar com as imagens de um livro, pedindo à criança que encontre algo parecido com um círculo.
Aumente o desafio, para o detetive, pedindo-lhe que descubra quadrados, círculos, triângulos e outras formas, nos objetos de casa.
Poderão depois dar uma espreitadela pela janela…Que formas esconde a rua?

Competências em destaque:

  • Linguagem
  • Concentração
  • Memória
  • Discriminação

 

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Brincadeira: Sentimentos
Idade: 3 aos 5 anos
Como brincar?

Faça cartões com imagens felizes, tristes e zangadas. Dê ao seu filho lápis, marcadores ou tintas e peça-lhe para desenhar uma imagem feliz, não necessita de ser nada em particular, apenas uma que signifique felicidade para ele. De seguida, peça-lhe para desenhar uma imagem triste e zangada. Enquanto ele desenha, converse com ele sobre o que ele fez para se sentir melhor naquela situação e o que ele fez para se sentir feliz.

Estas são ferramentas de coping (como lidar ou reagir em cada situação) que o ajudará a desenvolver a competência de auto-controlo quando ele crescer.

Competências em destaque:

  • Capacidade para estabelecer relações
  • Inteligência Emocional
  • Socialização

 

Boas brincadeiras!

Por Isabel Cunha, para Up To  Kids®
Todos os direitos reservados

 

 

Como o próprio nome indica, esta disciplina não é mais do que a versão para crianças da arte marcial que dá pelo nome de Aikido. Não cabe aqui descreve-la detalhadamente, mas interessa-nos conhecer, à partida, uma ou outra característica geral desta arte que teve a sua aparição já no Séc. XX.

É quase um lugar comum, quando se fala de Aikido, descrevê-lo como “a forma de aproveitar a força do ataque de um adversário para o derrotar”. E estaria quase certo, não fossem os conceitos  de “adversário” e “derrotar”, na verdade, deslocados no contexto da prática. Mas a frase é verdadeira quando refere implicitamente a não oposição à força do ataque do “parceiro” (é esse o termo usado nas aulas) para o derrubar ou imobilizar (o que não implica uma derrota). Na fluidez de movimentos está a chave para o conseguir. O resultado de um dado ataque será a projecção ou a imobilização do atacante, sempre executadas tendo em conta a integridade física dos dois parceiros.

É importante também salientar que a originalidade do Aikido está na resposta que oferece à violência. O conflito é encarado como um processo de comunicação durante o qual não se procura a destruição do contrário, mas sim “domar” a agressividade e a libertação da espiral de violência. O método de aprendizagem em Aikido permitirá ao praticante desenvolver, para além da resistência física, aspectos como a auto-estima, confiança, concentração ou espírito de cooperação (por oposição ao espírito de competição).

Não é pois difícil de perceber os benefícios que esta prática tem para os mais pequenos. As crianças aprenderão a proteger-se sem serem agressivas e a crescer tirando partido do seu próprio esforço. As aulas são orientadas para o desenvolvimento das capacidades dos alunos, tanto físicas como mentais ou sociais. O Aikido tem um curriculum próprio, que é adaptado à idade dos praticantes. Aos movimentos específicos da arte, cuja base é comum ao dos adultos, são acrescentados exercícios próprios para a idade e retirados os movimentos de luxação ou que constituem esforço demasiado para as articulações, ainda em desenvolvimento nas crianças. No Aikido, ao contrário de grande parte das artes marciais modernas, não existem competições.

A idade ideal para o início da prática do Aikido, considera-se por norma ser os seis anos. No entanto, e dada a não uniformidade no desenvolvimento psicomotor da criança, esta é só uma referência que terá de ser verificada caso a caso e as primeiras aulas serão fundamentais para avaliar a coordenação motora do aluno. Apesar de poder ser uma ajuda no desenvolvimento físico, o Aikido não poderá nunca substituir o trabalho da natureza em cada criança, pelo que um mínimo de maturidade é necessário para uma prática segura.

Quase como um resumo, diria que a pratica do Aikido para Crianças deve ser orientada em função de três factores fundamentais: a relação com o seu próprio corpo, com “o outro”, e com o mundo.

A relação com o seu corpo — Através dos movimentos circulares próprios do Aikido, a criança aprenderá a coordenar e controlar melhor os seus movimentos, bem como a descobrir as suas capacidades e limites físicos. Aprenderá a cair e levantar-se em segurança e que a queda é uma oportunidade para começar um movimento de novo. Aperceber-se-á do corpo de uma forma diferente e aprenderá a usá-lo de novas maneiras.

A relação com o outro — Os alunos perceberão, a par da sua, o valor da integridade física do parceiro de prática. Perceberão que um ataque, no Aikido, não é mais que uma oferta que alguém nos faz para podermos evoluir. Os alunos mais velhos serão encorajados a “olhar pelos mais novos” (não substituindo evidentemente a atenção do professor), e todos eles aprenderão a dosear o seu esforço em função do colega diante de si.

A relação com o mundo — Tentar-se-á transmitir à criança noções como a de que cada um tem o seu lugar no tapete e este é independente da força física, coragem ou destreza, que cair ou ser controlado não é uma derrota, que todos têm algo a ensinar ou aprender.

 

Como em qualquer outra actividade em que a formação da criança enquanto indivíduo é um objectivo, a assiduidade é um factor fundamental para que o Aikido “faça o seu papel”. Os pais têm por isso aqui um papel importante, não só de um ponto de vista logístico mas também percebendo a importância da regularidade e valorizando “cá fora” o que os mais pequenos aprenderam no dojo*. É também fundamental que acompanhem os filhos na sua primeira aula que, na maioria dos locais de prática, poderá ser feita a título de experiência. Sendo o Aikido uma arte que lida com a gestão da violência em cada indivíduo, é pois muito importante que os pais conheçam o ambiente que rodeará a prática das suas crianças.

 

*Dojo: Local onde se estudam as artes marciais. Do japonês local (jo) da via (do).

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Faltar para Estudar

“Todos nós podemos ser super heróis. O Homem aranha deita teias de aranha, o Super-homem vê através das paredes, o Capitão América tem um super escudo!. Todos eles têm uma característica que os define, mas para além dessa característica têm outras que fazem com que eles sejam quem são. O Super-Homem é o Super-Homem, O Homem-Aranha é o Homem-aranha e o Capitão-América é o Capitão-América. Todos eles têm um manancial de super poderes. Fui investigar quais são os tipos de super poderes que os super heróis têm. (…) E eles são sete. E eu, ao longo da minha vida, procurei encontrar aqueles que são os 5 super poderes para que eu pudesse ser, ou tentar aspirar ser, um bom líder através da minha educação:

.VOAR | SONHAR
O primeiro de todos dos super poderes, é Saber Voar. E saber voar é saber sonhar. Saber onde é que eu quero ir. Onde é que eu gostaria de estar. Onde é que eu me projeto. (…)

.SUPER VISÃO | ILUSÃO
O Segundo é ter uma super visão. É ver através da parede. O super Homem vê através da parede. Vocês têm de ter a ilusão de se reverem em algo. (…) Vocês têm de ter a visão, atravessar paredes, ver para lá daquilo que é a vossa realidade hoje.

.FORÇA DESCOMUNAL | TRABALHO
O Terceiro é ter uma força descomunal. Não há magias. Há trabalho. Há trabalho, há trabalho, há trabalho e há trabalho. E a seguir ao trabalho, há mais trabalho. Têm de querer ser o melhor no que quer que seja. Têm de trabalhar muito. (…)

.QUERER ILIMITADO | SACRIFÍCIO
O Quarto é o querer. E o querer vem antes do trabalho. Se eu não quero uma coisa, eu não vou trabalhar para a ter. E esse querer, sendo cada um de vocês o super herói, vocês têm de querer muito, e dentro do querer há capacidade de sacrifício.

.SUPER CONFIANÇA | ALEGRIA
O Quinto é a super confiança. Nada se faz sem alegria. Se vocês forem fazer as coisas que têm que fazer todos os dias sem alegria, nunca serão super heróis. No que quer que seja que cada um de nós se propõe na vida a fazer, ser um bom pai, ou ser um bom líder, se não tiverem alegria, se não forem super confiantes naquilo que estão a fazer, nunca serão super heróis.
(…)” – Luis Valente  in TEDxYouth@ColégioMilitarSchool (ver video com discurso completo)

O Luís valente é um dos maiores corações que conheço e, para além de ser das pessoas mais cómicas é também das mais inteligentes e sensíveis que conheci na vida.
O Valente conseguiu, nesta palestra, fazer uma boa analogia de tudo aquilo que quero transmitir aos meus filhos e também daquilo que me foi transmitido pelos meus pais que, naquele tempo, tiveram a “coragem” de me deixar voar e aventurar-me mesmo antecipando alguns muros mais altos, mas sabendo que, com o tempo, os iria contornar.
Emocionou-me ouvir frases que ouvi dos meus pais… emocionei-me quando o Valente falou do seu Pai porque sinto (e entendo profundamente) essa ligação com quem me passou estas informações, os meus queridos pais!
Este é um dos vídeos que temos mesmo de mostrar aos nossos filhos adolescentes!

Por Inês de Santar, para Up To Kids®
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Os blocos de construção são uma forma lúdica e divertida de desenvolver diversas capacidades das nossas crianças. De facto, inúmeros estudos têm demonstrado que a sua utilização nas brincadeiras dos mais novos (e não só) contribui para o desenvolvimento de várias competências cognitivas e sociais. E podem ser muito divertidos!

Eis algumas vantagens de brincar com blocos de construção:

Estimulam a imaginação
Este tipo de brinquedo é frequentemente usado para a construção de cenários nas brincadeiras de faz-de-conta, estimulando a imaginação, aumentando a capacidade de resolver problemas e ajudando ao processamento de emoções.

Promovem a percepção espacial
Ao brincar com blocos, as crianças testam relações espaciais entre objectos, desenvolvendo a consciência do espaço disponível. Além disso, também as capacidades de planeamento são colocadas à prova.

Desenvolvem competências matemáticas
Para além das subtis operações matemáticas presentes durante uma actividade lúdica livre com blocos de construção, existem inúmeros exercícios que podem ser realizados durante uma brincadeira estruturada.

Aumentam a capacidade de resolver problemas
Uma vez que os blocos de construção podem ser colocados de diversas formas, ao brincar com eles a criança está a exercitar a sua capacidade de desenvolver problemas divergentes, ou seja, que podem ter várias soluções diferentes.

Estimulam o trabalho em equipa
Quando utilizados por um grupo de crianças, os blocos de construção podem ser uma forma muito divertida de incentivar ao trabalho de equipa, desenvolvendo capacidades sociais e de interacção.

Acima de tudo, os blocos de construção podem proporcionar horas de diversão. E não são só para crianças: experimente juntar-se à brincadeira!

Boas brincadeiras!

Por Vilma van Harten, para Up To Kids®
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Dor no coração na criança

A principal causa que leva os Pais a uma consulta de cardiologia pediátrica, é o facto de o médico assistente dizer que a criança tem um sopro.
Logo a seguir são as dores no peito, a “dor no coração”.

No peito há muita coisa que pode doer, mas o coração é quase sempre o culpado…

Em geral trata-se de um rapaz, pré-adolescente magro, desportista e saudável, bom aluno e um pouco ansioso. A dor é real, aguda, tipo pontada, localizada ao centro do peito, sobre o esterno. É uma dor moderada e que muitas vezes dificulta a inspiração, daí que também é referida “falta de ar”. Costuma durar poucos minutos e depressa passa, assim como veio. Não costuma haver alterações do ritmo cardíaco, a não ser alguma taquicardia, porque a criança se assusta e fica ansiosa. A dor pode surgir quer durante o exercício físico, quer em repouso.

Esta dor é musculo-esquelética e tem origem nas articulações entre o esterno e as costelas.

O exercício físico intenso, como nadar, andar de bicicleta, ou outros (mochilas…), podem causar este tipo de dor. Os defeitos de posição, como sentar-se mal, dormir em más posições, podem facilitar esta dor.
Esta é a “dor no coração” de longe a mais frequente. Uma vez que a criança toma consciência da realidade, aprende a lidar com esta dor, deixa de se assustar, e a sua vida continua… Mas se quiser, tem aqui um bom  motivo que pode render algumas contra-partidas…
Por vezes as articulações em causa podem mesmo inflamar e levar a uma dor recorrente, podendo haver necessidade de tratamento com anti-inflamatórios.

Mas no peito há mais coisas que podem doer; felizmente são muito mais raras.

  • A pele pode doer, mas na criança costuma ver-se a lesão que causa a dor.
  • Os musculos podem doer, sobretudo se pouco treinados e sujeitos a um esforço excessivo.
  • Dentro do peito há dois sacos membranosos que podem doer: um que envolve os pulmões, a pleura, e outro que envolve o coração, o pericárdio. São compostos por duas camadas, entre as quais existe um pouco de líquido lubrificante, para evitar que estes órgãos se magoem, pois estão permanentemente em movimento.
  • A pleura pode doer, mas em geral isto acontece num contexto infeccioso pulmonar, com febre, tosse e dificuldade em respirar. As pneumonias são a causa mais frequente deste tipo de dor, mais frequente à direita.
  • O pericardio quando inflamado, por certas doenças em geral virais, também doi, uma dor compressiva e constante, que não passa facilmente.

O coração dói, em particular o músculo cardíaco.

Os adultos que tiveram enfarte ou angina de peito, sabem como essa dor é forte e angustiante.
Em geral existem problemas com as artérias coronárias, que irrigam e alimentam o coração, que, ao entupirem, fazem sofrer o musculo cardíaco. A idade, certas doenças (diabetes, colesterol alto, hipertensão arterial) e outros factores, em particular o tabaco, são os principais agentes.

Na criança estes factores não existem, no entanto há situações raríssimas que podem fazer doer o coração nos mais jovens.

São anomalias congénitas das artérias coronárias. A dor aparece sempre e só no esforço físico, tipicamente, ou no bebé que chora, fica pálido e suado sempre que chupa o biberon, ou no adolescente que tem dor forte no peito, por vezes com arritmia cardíaca, quando pratica desporto. Estas situações são muito raras, mas sérias e exigem uma abordagem cuidada.

O aparelho digestivo também pode simular dor no peito, mas em geral as esofagites, hernias do hiato dão mais dor nas costas. Muito ar no colon ou no estômago, pode dar desconforto na parte inferior do peito.

Falámos de dor no peito em crianças saudáveis.

Há crianças com doenças crónicas, quer generalizadas, quer localizadas ao próprio coração ou aos pulmões, que podem ter dôr no peito. Estas situações, uma vez identificadas, são discutidas com o médico assistente e os Pais, que ficam assim mais esclarecidos das complicações que a doença do seu filho pode dar.

Concluindo:

A dor no peito, de longe a mais frequente, é uma dor tipo músculo esquelética, benigna, cujo tratamento principal consiste em acalmar e dar segurança à criança, ensinando-a a lidar com esse tipo de dor. Dê-se-lhe atenção, mesmo ( ou sobretudo…) sendo só isso o que ele quer.
Isto também dá uma certa segurança aos Pais. Não cabe aqui aos Pais lembrarem-se dos seus Pais, que faleceram por causa do coração.
Quase de certeza não é isso que se passa com os seus filhos, enquanto não forem avós…
Fica um “quase” que compete ao médico assistente resolver como abordar, se o estudo passa pelo cardiologista pediátrico ou não.
Não devem ser os Pais a decidir isso e a levar logo a criança “com dor no coração” ao cardiologista pediátrico, ou mesmo às urgências.
A criança tem um médico que a conhece, e deve ser ele a decidir o que fazer e como fazer.
Há tempo para resolver as coisas da melhor maneira …

 

Por António J. Macedo, Médico Cardiologista Pediátrico, em Blog Meu pequenino Coração,
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